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Posts de maio 2015

Johnny se despede da Serra

28 de maio de 2015 0
Crédito: Selton Mello, Divulgação

 Johnny Massaro e a luz cinematográfica da Serra gaúcha. Crédito: Selton Mello, Divulgação

Esta é a última semana de gravações do longa O Filme da Minha Vida aqui na Serra. O ator carioca Johnny Massaro conversou com o Pioneiro sobre a experiência de passar um mês e meio no interior do Rio Grande do Sul vivendo sob a pele de Tony, protagonista do longa dirigido por Selton Mello — a chegada do filme aos cinemas está prevista para o primeiro semestre de 2016.

A história narra um drama familiar e o processo de amadurecimento de Tony. Maturidade, aliás, também tem sido o foco de Johnny Massaro como ator. Com apenas 23 anos, ele vem chamando a atenção em produções televisivas como Meu Pedacinho de Chão e Amorteamo, ambas exemplo de apuro estético na telinha.

Confira a entrevista:

O que o personagem Tony tem de mais cativante para você, como intérprete?

Johnny: O Tony é, na definição do próprio Skármeta (autor do livro no qual o roteiro se baseia), um protagonista coadjuvante, ou seja, ele se coloca fora do círculo dos acontecimentos ao mesmo tempo que é o mais afetado por ele. Nesse sentido, é cativante entender sua humildade, simplicidade e delicadeza. Ao mesmo tempo, o filme fala sobre seu amadurecimento, da passagem do menino para o homem, e isso é bastante desafiador porque precisei deixar bem claro os degraus dessa transição.

Foi muito desafiador contracenar com Vincent Cassel?

Trabalhar com o Vincent foi delicioso, aprendi e me diverti muito no pouco tempo em que estivemos juntos.

O que mais chamou sua atenção na Serra?

Meu pai é gaúcho e parte da minha família ainda mora aqui, então vim algumas vezes quando era criança, acho que por isso reconheço inconscientemente as cores, comidas, sons, etc. O que me chama a atenção, para além das belezas naturais e da educação das pessoas, é perceber que realmente existem muitos “brasis” no Brasil e que essa é nossa maior riqueza.

O Filme da Minha Vida marca seu primeiro protagonista num longa, ao mesmo tempo, na tevê você vem conquistando espaço de destaque em produções elogiadas. Como avalia esse momento da carreira?

Eu sou extremamente grato pelas oportunidades que venho tendo e tenho um respeito absoluto por cada uma delas, afinal cada trabalho é um voto de confiança, então procuro no mínimo dar o meu máximo. Só desejo continuar tendo boas oportunidades e bons encontros.

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Crédito: Kity Féo

Rafa, à esquerda de Selton, com figurino do filme. Crédito: Kity Féo

Enquanto o longa de Selton Mello não estreia, muitos moradores da Serra que participaram da produção como figurantes (cerca de 500) seguram a expectativa para se ver na telona. O caxiense Rafa Moschen, 23 anos, é um deles. Ele já tinha feito alguma coisa de audiovisual à frente da produtora Vaca Filmes, mas diz que O Filme da Minha Vida será sua estreia “séria”como ator.

– Meu personagem é um dos irmãos do Paco (Selton Mello), eles são os irmãos Moleiro. Ele é bem tímido, um cara mais contido, muito diferente dos irmãos, fanfarrões, gritalhões e tal. Meu personagem contracena mais com os irmãos, que são sensacionais, com o Selton e também com o Johnny Massaro – conta o jovem ator.

Rafa fez bonito num teste e logo foi chamado. Bacana ver que muita gente como ele acabou se aproximando do cinema por ter as gravações acontecendo aqui perto.

– Queria estar no meio, ver como funcionava uma produção de cinema desse porte – diz o ator.

"Força Maior" na Ulysses Geremia

28 de maio de 2015 0

Aí gente, a estreia desta quinta lá na Sala de Cinema Ulysses Geremia é o longa Força Maior. Aqui tem um textinho que escrevi sobre ele.

Crédito: Califórnia Filmes

Crédito: Califórnia Filmes

Natureza humana

A avalanche que assusta turistas nos Alpes franceses logo no início do longa Força Maior — estreia desta semana na Sala de Cinema Ulysses Geremia — serve de figura de linguagem para o que a trama vai mostrar a seguir. O filme não é sobre catástrofe natural, mas a neve que despenca do alto da montanha atinge diretamente (e com ares de devastação) uma família de turistas que passa férias no local, ainda que eles permaneçam fisicamente ilesos. Com direção do sueco Ruben Östlund, a produção desprende olhar cômico para falar de dramas familiares.

Explicando melhor, o casal Tomas (Johannes Bah Kuhnke) e Ebba (Lisa Loven Kongsli) leva os dois filhos para uma temporada de férias nos Alpes. A principal reclamação da mulher é que o marido trabalha demais, portanto, a viagem servirá para a família se curtir. Mas isso é exatamente o que não vai acontecer; e a cena da avalanche entra aí com total importância. Quando os quatro admiram a paisagem invernal na varanda de um restaurante, a neve começa a cair com força dos Alpes. Num momento de perigo iminente, Ebba tenta proteger as crianças, enquanto Tomas agarra o celular e sai correndo. Foi só um susto, ninguém se machucou, mas o peso da situação vivida fica no ar como uma nova tempestade de neve prestes a despencar.

O filme foi escolhido pelo júri como o melhor da mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes 2014. A escolha pelo caminho cômico para contar a história se mostra como um grande trunfo na mão do diretor. Por exemplo, Ebba escolhe justamente um informal jantar com amigos para desabafar sobre a atitude de Tomas perante o possível desastre na neve. Depois, ela repete o lamento na frente de outro casal, sempre colocando os convidados (e claro, o próprio marido) em posições constrangedoras. O clima tenso é geralmente quebrado por alguma situação insólita — tipo, um drone que surge do nada e atinge a cabeça de alguém (aliás, não há como não simpatizar com o papel do coadjuvante barba ruiva Kristofer Hivju, que talvez você conheça de Game os Thrones).

O diretor também é esperto ao abusar de cenas com câmera parada, que conferem certa bizarrice a algumas situações banais. Um desses casos é o plano aberto no espelho que reflete a repetida ação da família ao escovar os dentes diariamente. Eles usam aquelas escovas automáticas de barulhinho irritante, possivelmente uma brincadeira com a própria automatização do relacionamento entre eles. A trilha também é bem utilizada, fazendo Vivaldi contribuir com as angústias dos personagens.

Mas o longa ganha pontos, principalmente, por discutir os papeis predestinados a cada um de nós na sociedade (focando mais na questão paterna). Primeiro, condenamos a falta de sensibilidade de Tomas com a família. Depois, acabamos nos envolvendo com o “anti-heroísmo” dele. As belas tomadas dos personagens na vastidão da neve também questionam suas (ou nossas) insignificância e pequenez. A força maior mostrada no filme é mesmo a natureza, mas não aquela que derruba avalanches, e sim a humana, a nos guiar por caminhos inesperados.

O longa fica em cartaz até o 7 de junho, com sessões às quintas e sextas, às 19h30min, e aos sábados e domingos, às 20h. Ingressos a R$ 8 e R$ 4 (estudantes e idosos). A Ulysses Geremia fica no Centro de Culturas Ordovás (Luiz Antunes, 312).

Sobre maconha medicinal

27 de maio de 2015 0
Crédito: 3Film

Crédito: 3Film

Pessoal, nesta quarta tem mais uma sessão gratuita lá na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Desta vez, a promoção é do cineclube Cine como le gusta e a exibição é do documentário brasileiro Ilegal. Realizada pela paulistana 3Film em parceria com a revista Superinteressante, a produção disserta sobre o uso da cannabis medicinal no Brasil. O projeto nasceu após uma reportagem do jornalista Tarso Araújo para a revista. Depois, ele acabou sendo um dos diretores do filme.

A sessão começa às 19h30min e será sucedida de bate-papo com a pesquisadora na área de Saúde Coletiva Fabiane Motter.

Vencedores de Cannes

25 de maio de 2015 0

Dá uma olhadinha nos principais vencedores do Festival de Cannes, que terminou neste fim de semana. Particularmente, curti muito o trailer daquele filme da Islândia, que venceu a Mostra Um Certo Olhar…

Palma de Ouro: Dheepan (França)
Do já consagrado diretor Jacques Audiard (de O Profeta), produção narra a problemática adaptação na França de um grupo de pessoas vindo do Sri Lanka em busca de uma vida melhor.

Grande Prêmio do Júri: Saul Fia
Tomando a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo, o longa de László Nemes (estreando em longa-metragem) acompanha a história de Saul, um dos encarregados a cremar cadáveres de judeus como ele. Depois que o corpo de um garoto some, Saul vai fazer tudo para recuperá-lo.

Melhor Direção: Hou Hsiao-Hsien, por The Assassin (Taiwan)
Depois de se apaixonar por alguém que deveria matar, uma assassina profissional começa a questionar sua profissão.

Melhor Filme da Mostra Um Certo Olhar: Hrútar (Islândia)
Loga dirigido por Grímur Hákonarson mostra irmãos, que não se falam há 40 anos, têm de trabalhar juntos para salvar aquilo um rebanho de ovelhas, a maior riqueza da família.

Cinema no cinema

24 de maio de 2015 0

Aí pessoal, a dica para o feriadão de Nossa Senhora de Caravaggio é ir até a Sala de Cinema Ulysses Geremia para conferir o documentário super competente Cine Ópera: Memória e Identidade, com direção de Robinson Cabral. O filme versa sobre a história trágica de um dos mais importantes cinemas que Caxias do Sul teve.

Tem sessão nesta segunda e terça, ambas às 19h30min e com entrada franca.

Aqui embaixo tem um textinho que escrevi quando o filme foi lançado, em fevereiro…

Ópera tragicômica

O vice-cônsul da Itália em Caxias, Massimo Menarosto, é uma caricatura do caxiense que viu um dos cinemas mais emblemáticos da cidade sucumbir a um incêndio e à má vontade política e econômica em 1994.

O personagem é o maestro a conduzir uma ópera, infelizmente trágica, que o cineasta Robinson Cabral transformou em documentário. Cine Ópera – Memória e Identidade estreia amanhã, no UCS Cinema, retomando a história de um bem patrimonial que se perdeu na paisagem, mas não na memória de quem vive em Caxias.

– Ele é um bufão, representa esse universo do italiano quase caricato – explica Cabral sobre o personagem ficcional (ou talvez não?) do vice-cônsul, que comenta e conduz a história.

Estruturado como uma ópera, o filme foi dividido em sete atos, além de epílogo e prólogo. Outra característica nada convencional para documentários produzidos por aqui são as duas horas de duração. Mas a fluidez da narrativa é garantida por outra boa sacada do diretor. Cabral decidiu usar imagens de filmes clássicos que ocuparam a telona do Ópera em algum momento de sua trajetória, subvertendo os diálogos nas legendas. Desta forma, personagens como Tarzan e Flash Gordon narram a história de forma leve, coloquial e bem-humorada.

A técnica valoriza a metáfora e permite, por exemplo, que dois importantes jornalistas da cidade – Luiz Carlos Corrêa e Renato Henrichs, que defendiam ideias opostas com relação ao tombamento do Ópera – se enfrentem numa luta livre. “A direita de Luiz Carlos Corrêa é muito forte”, revela o narrador da cena. Esse mosaico de imagens cinematográficas é um dos aspectos mais inovadores e positivos com relação ao filme – claro que somado à presença do gringo bonachão Massimo Menarosto.

– O artista é um gigolô, se apropria dos outros, se apropria do mundo (…). É um filme sobre um cinema, e o cinema é o que eu mais valorizo no documentário – comenta Cabral, sobre a inclusão dos clássicos (todos de domínio público).

Cabral conta que a ideia de falar sobre o Ópera surgiu depois de receber uma fita VHS do historiador Juventino Dal Bó. Ali estavam imagens internas e externas captadas em 1991, época do famoso Abraço ao Ópera, organizado pela comunidade. Depois de ver a fita, Cabral decidiu fazer um filme, batizado previamente de Ópera Maldita. No início, ele queria focar só entre 1991 e 1994, período em que o empurra-empurra de responsabilidades culminou no “misterioso” incêndio do cinema. Depois, reformulou a ideia.

– Como as pessoas iam dimensionar essa aberração do fim do Ópera se não dimensionassem o que aconteceu lá antes, a história do Theatro Apollo (que ocupava o mesmo espaço antes do Ópera)? – indaga o diretor.

Mesmo assim, o documentário não traz depoimentos com muito saudosismo, prioriza um caráter mais informativo do que emocional. Com oito entrevistas (os jornalistas André Costantin, Dynarthe de Borba Albuquerque, Ivanete Marzzaro e Marlei Ferreira; os arquitetos Carlos Alberto Sartor e Nelson Vasquez; e os historiadores Marcelo Caon e Maria Beatriz Pinheiro Machado), o longa não é panfletário, mas aponta praticamente todos os possíveis culpados da morte do Cine Ópera.

– A partir de agora o filme não é mais meu, está em que olha, na compreensão de cada um.

Rumos da Frispit

21 de maio de 2015 0

Lá na coluna que assino no Pioneiro de papel (às quintas) tem registro sobre um trabalho muito legal realizado pelo diretor Daniel Vargas e pelo produtor Marcelo Casagrande, a série Visto Temporário (dá uma olhadinha no episódio mais recente ali embaixo). A dupla lança os vídeos por meio do canal Frispit, portal integrante da agência experimental dos alunos e professores dos cursos de comunicação da UCS. Então que eu queria falar mais sobre a Frispit, que tem muitos produtos bacanas, a maior parte realizado por alunos que trabalham lá como estagiários.

Nos cursos de comunicação da UCS, no entanto, comenta-se sobre uma mudança no formato do portal marcada para bem breve. A diretora do Centro de Ciências Sociais da UCS, Maria Carolina Rosa Gullo, confirma que a agência será mudada, e isso deve ocorrer em caráter experimental já a partir do próximo semestre.

— É importante que se fale às claras, não vamos terminar com a Frispit, queremos uma agência experimental de fato, queremos universalizar o acesso, ou seja, todos os alunos dos cursos de Comunicação terão que passar pela agência em algum momento — explica ela, sobre a transformação da agência numa disciplina dentro dos currículos dos cursos de Comunicação.

Conforme Maria Carolina, a mudança atende ao cumprimento de novas diretrizes nos currículos dos cursos de Relações Públicas e Jornalismo.

— Será uma outra lógica, com um compromisso maior com a inovação — defende a diretora do centro.

Hoje, a agência tem 26 bolsitas. O número será diminuído com a mudança no perfil do grupo. Maria Carolina ainda não sabe quantas vagas serão cortadas, mas entre alguns alunos o medo é de não conseguir dar vasão a projetos mais duradouros, como os ótimos Visto Temporário (audiovisual) e o Na Fita (música/rádio), só pra citar dois exemplos.

— É tudo na ideia de melhorar e proporcionar mais experiência — propõe a diretora.

Confesso que fiquei um pouco decepcionada e fico na torcida para que a agência continue nos trazendo bons frutos ainda depois da mudança de formato.

No Fantaspoa

18 de maio de 2015 0

Em Porto Alegre está rolando o Fantaspoa, aquele festival mega massa com filmes de terror, horror, ficção científica e afins. Nesta segunda-feira, a partir das 19h, o Cine Bancários exibe sessão comentada do longa Deserto Azul. Participam do debate o diretor Eder Santos e o produtor André Hallak. Não assisti, mas fiquei bem curiosa só olhando a descrição: “a brasilian sci-fi”.

O filme, exibido no Festival do Rio 2014, tem sinopse enigmática: “a jornada pelo Deserto Azul vem revelar a oportunidade de entender o propósito da vida e os significados da existência humana”. O elenco tem nomes como Odilon Esteves, Maria Luisa Mendonça, Chico Diaz e Angelo Antonio.

Trailer aqui embaixo:

Outra sessão que promete, entre as tantas que estão rolando pelo Fantaspoa, é a da compilação 13 Histórias Estranhas. Será a estreia do longa que reúne o que? Sim, 13 histórias estranhas, hehe. Cada pedacinho do longa foi comandado por um diretor diferente (em alguns casos, duplas de diretores). Participam gentes finas como Ricardo Ghiorzi e Petter Baiestorf. Aliás, sabiam que são sete filmes terror/fantasia nacionais estreando nessa edição do Fantaspoa? Belo número né, foi o diretor barbosense Felipe M. Guerra que contabilizou. Aliás, ele também dirige um episódio do 13 Histórias…

Dá uma curtida no trailer:

Habemus trailer

17 de maio de 2015 2
Crédito: Ana Branco, Divulgação

Crédito: Ana Branco, Divulgação

E eis que o escritor Fernando Morais, autor de Chatô, o Rei do Brasil, divulga o trailer do filme homônimo de seu livro, aquele com direção de Guilherme Fontes que gerou diversas polêmicas por conta da demora de lançamento. Foi na tarde deste domingo que Morais publicou o trailer em seu Facebook, acompanhado da seguinte legenda: “Tenho más notícias para os coleguinhas que urubuzaram o Guilherme Fontes nos últimos anos: o filme “Chatô, o Rei do Brasil”, está pronto. Quem viu disse que é o máximo. Para quem não viu, aqui vai, com exclusividade e em primeiríssima mão (com cacófato), o trailer ainda sem finalização“.

O personagem título é vivido por Marco Ricca, que parece bem no papel. Já Paulo Betti como Getúlio Vargas forçou um pouco no sotaque, não acham?

Dá uma olhada aí no trailer:

Sobre punk no Brasil

15 de maio de 2015 0
Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

Começa nesta sexta, em Caxias, o festival Pampa Punk. Para quem curte o estilo, esse documentário é algo como um beabá para entender como o movimento musical se formatou no país. Botinada: a história do punk no Brasil foi produzido pelo mestre Gastão Moreira, e lançado em 2006. A pesquisa é ótima e descreve bem de que forma o movimento ganhou identidade por aqui.

Está no youtube, então assistam:

Mad Max: um novo clássico

14 de maio de 2015 0

Gente, Mad Max: Estrada da Fúria é sensacional. Vejam!

Crédito: Warner Bros.

Crédito: Warner Bros.

Se a luta por combustível era a válvula propulsora de toda a violência na icônica trilogia Mad Max, o quarto filme da série, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, traz um tesouro um pouco mais atraente: garotas. Sim, elas surgem capitaneadas por Furiosa (Charlize Theron, deslumbrante até usando braço mecânico) e representam a chance da perpetuação da raça humana — que está bem castigadinha nesse cenário pós-apocalíptico. Max (agora na pele de Tom Hardy) será importante instrumento para ajudar o grupo a fugir do terrível Immortan Joe (um irreconhecível Hugh Keays-Byrne, que viveu o vilão do primeiro Mad Max, de 1979).

O quarto filme da série surge exatamente 30 anos depois do último longa protagonizado por Mel Gibson na pele do ex-policial atormentado Max. Além do fato do novo protagonista também ser um ex-policial atormentado (que fica lutando com as vozes em sua mente), em Estrada da Fúria o diretor George Miller não traz muitas referências aos seus três filmes anteriores. Ok, temos muitos carros, muita poeira, muito fogo, e muito deserto também, mas isso era o mínimo que poderíamos esperar em se tratando de Mad Max, certo?

Nem bem o espectador é apresentado ao novo Max e ele já é capturado pelos capangas de Immortan Joe e levado a um lugar onde existe água e comida, mas somente para uso da família do vilão. Lá, ou você é povo (vivendo em condições estéticas semelhantes às dos garimpeiros de Serra Pelada, porém, sem nenhum ouro) ou é soldado (todos pálidos, carecas e magros, praticamente gêmeos daquele modelo Zombie Boy, só que um pouquinho mais feios). Max se vê em meio a uma verdadeira guerra quando Furiosa tenta fugir do lugar prometendo liberdade às garotas prisioneiras de Immortan. Se faz necessário um aparte aqui: todo mundo é muito feio e freak nesse filme, menos o grupo de garotas fugitivas, que parece ter saído de um desfile da Victoria’s Secret direto para a Estrada da Fúria. Os marmanjos vão gostar.

Se você adorava os personagens nonsense dos demais Mad Max, vai se deliciar com alguns presentinhos preparados por George Miller. Além do bizarro Immortan (que usa uma máscara de oxigênio em formato de caveira), sua família tem um anão que não caminha (impossível não lembrar do personagem Master, de Mad Max 3) e um gordão com pernas muito inchadas (elas serão bem úteis em determinada cena). Também há um guitarrista medonho que toca o tempo inteiro preso a enormes caixas de som (a trilha do filme é basicamente feita por ele). E tem ainda o adorável Nux (Nicholas Hoult), que parece bem mais “mad” que o próprio Max, pelo menos até encontrar o amor (romance deveria ser proibido neste tipo de filme, né?).

Praticamente não há parada em Mad Max 4, a tal estrada do título é onipresente na história. As cenas de ação, que ocupam 95% do filme, são impressionantes, e fazem a longa espera dos fãs ter valido a pena. A tecnologia 3D é bem empregada e, a cada carro destruído, o espectador tem a impressão de ter engolido algumas peças de ferro velho. Ah, também é aconselhável levar uma garrafinha de água ao cinema. Tanta poeira dá sede.