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Doc sobre Vera Tormenta em Gramado

23 de julho de 2015 0
Crédito: Sabujo

Crédito: Sabujo

Reclusa no interior de Vacaria, uma simpática senhora conversa sobre artes plásticas, Rio de Janeiro, Paris, histórias com Jorge Amado, Ferreira Gullar e Portinari. Foi assim que o jornalista Lucas Costanzi descobriu Vera Tormenta, artista que viveu anos de efervescência cultural nos grandes centros, mas escolheu um parque natural na Serra como lar há mais de 30 anos.

– Depois de toda a turbulência dos anos 1960, dos ciclos intelectuais e artísticos, ela resolve trocar de vida e viver ao lado de um rio a 20 quilômetros da cidade mais próxima, no interior do RS. Começa a produzir a própria comida,
gerar a própria luz com as quedas d’água. Uma história digna de um filme – justifica Costanzi, sobre o documentário Tormenta, que será exibido durante o Festival de Cinema de Gramado, na Mostra Gaúcha de Longas, fora de competição.

A produção de 52 minutos tem depoimentos de nomes como Ferreira Gullar, Darel Valença Lins e Rossini Perez. O documentário foi rodado em Paris, Rio de Janeiro e, claro, Vacaria. Ex-morador da cidade, Costanzi se esbaldou nos cenários serranos, com motivações que transcendem o simples interesse estético:

– Fiz questão de gravar durante o inverno na Serra Gaúcha, para fazer um contraponto com as imagens do Rio de Janeiro que aparecem no filme e que temos em nosso imaginário. Assim conseguiria mostrar um Brasil diferente do que aparece na mídia, um Brasil que não é praia.

O diretor comenta que o roteiro do filme sofreu adaptações por conta da falta de material de áudio e vídeo sobre a fase em que Vera Tormenta foi jornalista e crítica de arte. O resgate das ilustrações assinadas pela artista, no entanto, é riquíssimo.

– Construí a personagem de Vera, quando jovem, por meio de mãos, pés, reflexos no vidro do trem. Assim o espectador é levado pela narrativa e pelas entrevistas que está escutando – diz Costanzi, que elegeu o doc Une Jeunesse Amoureuse, do francês François Caillat, como referência para o trabalho.

Dificuldades

Tormenta é a estreia de Costanzi como diretor, e as dificuldades de produção no meio audiovisual, infelizmente, também foram experimentadas.

Apesar da aprovação pela Lei Rouanet, não houve interesse por parte das empresas privadas da cidade ou da prefeitura de Vacaria em apoiar o projeto.

– Para mim, a dificuldade maior é ver uma região como a de Vacaria, com um potencial enorme, mas que não sabe explorar os recursos, as pessoas e as qualidades que têm, que se fecha para o resto do Brasil. É ótimo que se tenha o Rodeio Internacional, que a música nativista e as danças gaúchas sejam difundidas e representadas. Mas não é só disso que vive uma cidade – critica o diretor.

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