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Conversa com Cuoco

13 de agosto de 2015 0
Crédito: Fabio Rebelo

Crédito: Fabio Rebelo

O último grande papel de Francisco Cuoco no cinema foi ainda nos anos 1990 (no longa Gêmeas, de Andrucha Waddington). O veterano ator é muito mais conhecido no Brasil por conta de sua extensa carreira televisiva (e pelo icônico vozeirão), mas agora está de volta às telonas no filme Real Beleza, de Jorge Furtado (em cartaz em Caxias, no GNC, e em Bento, no Movie Arte).

Do alto de seus 81 anos, Cuoco está naquela fase em que os trabalhos precisam lhe tocar a alma para valerem a pena. Foi o que aconteceu com o longa gaúcho, filmado em partes na Serra.

– É um cinema de gente grande, que leva a uma reflexão sem ser chato. A gente acaba tendo muitas comédias sem consequências, só pra desopilar, pra rir, mas eu prefiro não fazer. Esse é um filme que você eventualmente leva com você, em pensamentos, interrogações, questionamentos e sai melhorado depois de ver – justificou o ator, em conversa com a coluna por telefone.

Em Real Beleza, Cuoco vive Pedro, um apaixonado pelas artes (música, literatura, fotografia, etc.) que está lidando com a cegueira e outras perdas mais lentas.

– Era impossível recusar um personagem que, através da leitura, da idade e tudo, criou uma sabedoria, uma certa coisa que se aproxima da genialidade. É um pouco como um pedacinho da alma de um García Márquez, de um Saramago. Um personagem lindo – disse.

Entre as diferentes formas de belezas que o filme de Furtado aborda, Cuoco aponta as abstratas como suas preferidas.

– Quando o ser humano tem a capacidade de enxergar os seus semelhantes de uma maneira a aceitar os modos, aceitar os pensamentos, as propostas, acho uma forma de beleza estupenda. Isso, de uma maneira direta ou indireta, aparece no filme – refletiu.

Em Real Beleza, Pedro parece buscar na arte o combustível para manter a jovialidade da alma. Para o intérprete, esse é um exercício constante e bastante ligado à inquietude:

– Nesta atividade ou em qualquer outra é importante ter essa chama que não se apaga, continuar trabalhando, buscando e achando que você é uma obra-aberta, acho isso bonito e é assim que me sinto, uma obra aberta para aprender. Aprender e tentar ser a condução de coisas que eu seja capaz.

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