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Posts de agosto 2015

Sobre "Que Horas Ela Volta?"

27 de agosto de 2015 0

Em Caxias, infelizmente, nem sinal do filme nacional mais comentado do momento: Que Horas Ela Volta?. Eu assisti no Festival de Gramado e fui arrebatada. Abaixo, falo um pouco sobre o longa de Anna Muylaert. A Regina Casé, estrela da produção, também conversou com o blog. Dá uma olhada…

Crédito: Pandora Filmes

Crédito: Pandora Filmes

A tua piscina tá cheia de ratos

Falar sério sem ser didático ou propor reflexão sem perder a leveza, eis uma das tarefas mais difíceis do cinema ou das artes em geral. Justamente por isso, essa é a característica mais importante do longa Que Horas Ela Volta?. Dirigido por Anna Muylaert (do premiado Durval Discos), o filme cativa pelo humor irresistível, pela construção engenhosa de cada personagem, pelos diálogos realistas e, de quebra, faz um tratado sobre as relações de poder cotidianas. Colecionando prêmios desde que iniciou o circuito de festivais internacionais, o longa chega nesta quinta-feira às telonas do Brasil, país que serve justamente como um dos objetos de estudo de seu roteiro.

Na trama, Val (Regina Casé) é uma doméstica pernambucana que mora na casa dos patrões em São Paulo. Longe da família há mais de 10 anos, ela recebe uma ligação inesperada da filha, Jéssica (Camila Márdila), que pretende prestar vestibular na capital paulista, justamente para a mesma instituição que o filho dos patrões de Val, Fabinho (Michel Joelsas). A presença da garota no ambiente de trabalho da mãe vai estremecer a base de todos os moradores da casa.

Foi Val quem criou Fabinho enquanto a mãe dele, a fashionista Barbara (Karine Teles), trabalhava fora. O afeto entre a empregada e o menino fica visível desde a primeira cena. Aliás, a família inteira é dependente dos cuidados da empregada: os patrões não levantam da mesa nem para buscar um copo de água, ao mesmo tempo que o menino corre para o quartinho de Val em busca de cafuné quando não consegue dormir. A muitos quilômetros dali, Jéssica acabou sendo criada sem a presença da mãe, e desenvolveu uma personalidade muito diferente da dela. Val mostra-se completamente submissa aos donos da casa, mas a filha traz uma alma curiosa e libertária. “Eles não são meus patrões”, sentencia a menina num emblemático diálogo com a mãe.

A câmera quase sempre imóvel dá um proposital ar de retrato ao filme. Parece que a diretora quer mesmo que o espectador possa se colocar naquelas situações _ muitas tão corriqueiras, afinal. O longa vai desenhando um documento, uma espécie de RG de nós mesmos. As humilhações pelas quais Val e a filha são submetidas envergonham também o espectador, que sai do cinema mergulhado em reflexões sobre temas grandiosos como liberdade, autonomia, igualdade, etc.

Mas em meio a essa enxurrada de sentimentos, também brotam gargalhadas fáceis. A simplicidade e espontaneidade de Val garantem ótimos momentos. É hilária, por exemplo, a cena em que ela teoriza sobre as pessoas que guardam a forma do gelo vazia no congelador. Na cadeira do cinema, nos sentimos como cúmplices silenciosos da vida dessa simples mulher e suas inquietações. A construção da personagem é competente: sem exageros no tom cômico e abusando de detalhes (muitos silenciosos) que aproximam o espectador.

Regina Casé e Camila Márdila, que dividiram prêmio de melhor atriz em Sundance, estão completamente entrosadas em cena e é a relação entre as duas, afinal, que mais emociona no filme. Destaque também para as belíssimas participações de Karine Teles e Lourenço Mutarelli como os patrões de Val (ambos retratam de maneira muito especial os traços de rejeição de seus personagens). Mas o elenco talvez seja somente a cereja desse bolo doce e e indigesto (no melhor sentido que esse termo possa ganhar ao se falar de arte). O comovente roteiro de Anna Muylaert traz reflexões universais sem obviedades, e fala de abismo social sem eleger mocinhos e bandidos. Como se não bastasse, o filme ainda faz uma interpretação simbólica e poética do verso “a tua piscina tá cheia de ratos”, de Cazuza.

Entrevista: Regina Casé

Cinecessário: O que foi mais complicado ou delicado na composição da Val?
Regina: O meu maior desafio foi ter que abrir mão de toda e qualquer vaidade e me colocar numa situação de total abandono físico e emocional para viver a personagem.

Há uma carga materna muito forte na personagem, e esse é um papel que você também desempenha na vida real. É possível reconhecer traços da mãe Regina na Val?
Muitos. Desde o carinho, até a canção de ninar que eu canto no filme, que é a mesma que eu canto para os meus filhos e que é a mesma que a minha mãe e a minha avó cantavam pra mim.

Como atriz, a escolha por personagens periféricas, pessoas simples, reflete sua histórica conexão com esse público?
Não foi uma escolha minha, foi algo que aconteceu naturalmente, o que muito me honra. Representar as pessoas do povo, aquelas que trabalham duro, é muito importante principalmente por saber que nesses anos todos elas praticamente me elegeram como sua porta-voz.

“Que Horas Ela Volta?” foi vendido para mais de 20 países, que tipo de retrato do Brasil você acredita que o filme está levando para fora?
Acho que eles se interessaram tanto pelo filme, porque mesmo num contexto muito diferente, essas mudanças profundas nas relações inter classes estão acontecendo no mundo todo.

E aqui no Brasil, qual das reflexões de “Que Horas Ela Volta?” você gostaria que fosse melhor absorvida pelo público?
Gostaria que pensassem que apesar de complexa, essa relação mesmo que permeada por muito afeto sempre esconde muita coisa atrás de frases como: “Ela foi uma segunda mãe para os meus filhos” ou “Ela é praticamente da nossa família”. Eu mesma durante o filme refleti o tempo todo sobre essa questão.

Você tem carreira premiada no cinema, nos palcos e na tevê. Em qual desses formatos se sente mais realizada?
Há muitos anos, tenho me dedicado de corpo e alma à TV. Atuar nesses dois filmes, “Made In China” e “Que Horas Ela Volta”, fez crescer uma vontade avassaladora de voltar a ser atriz, me dedicar mais aos trabalhos de atuação. Ai meu Deus! Não sei como vou resolver isso. kkkk

Nova (ou nem tanto) roupagem

20 de agosto de 2015 0

A animação O Pequeno Príncipe entrou em pré-estreia nos cinemas de Caxias no último fim de semana, mas só agora chega oficialmente à programação das salas. Eu chorei rios (mas não sou muito parâmetro nesse aspecto), hehe. O filme está bem bonito, principalmente nas cenas que recriam a história do livro.

Crédito: Paris Filmes

Crédito: Paris Filmes

Apenas um narrador sem rosto no clássico da literatura O Pequeno Príncipe, o aviador agora é um velho que, além dos cabelos e barba brancos, carrega valiosos ensinamentos que um dia aprendeu ao lado de um viajante nascido num asteroide. Esse aviador serve de elo condutor entre a antiga história escrita por Antoine de Saint-Exupéry (em 1943) e a nova versão cinematográfica assinada pelo diretor Mark Osborne que entra oficialmente na programação dos cinemas de Caxias esta quinta. A animação carrega a mão na carga emocional e promete agradar crianças e adultos — assim como o próprio livro que referencia.

O velho aviador é agora vizinho de uma recém-chegada garotinha, que se muda com a mãe na tentativa de ingressar numa concorrida instituição escolar da cidade. O filme traça um paralelo muito interessante entre a vida da menina e a do aviador. Enquanto a pequena está inserida num ambiente totalmente controlado pela mãe (apaixonada por planilhas e cronogramas de horários), o idoso vive numa bolha colorida e lúdica. Na casa da garota, e em todas as outras da vizinhança, até as árvores têm formato pré-determinado: quadrado. O velho cultiva flores, guarda objetos antigos e, claro, gosta de contemplar as estrelas para não esquecer de um tal B612.

A amizade entre os dois é impulsionada justamente pela curiosidade da menina em saber mais sobre a história do Pequeno Príncipe. É aí que entram os momentos mais belos do longa, visualmente falando. Ao contrário da tradicional técnica de animação em 3D utilizada na história da criança com o velho, as partes que fazem referência direta ao livro foram feitas em stop-motion. O trabalho que mistura texturas como papéis e tecidos na criação dos cenários ficou tão bonito que, cada vez que o príncipe aparece na tela, causa 50 tipos de suspiros no espectador. Numa forma de manter a aura clássica do livro, o diretor decidiu manter o visual do príncipe tal qual as conhecidas aquarelas do próprio Saint-Exupery. Esse cuidado minucioso com a imagem universal do personagem é um dos maiores acertos do longa.

O texto traz uma síntese dos principais ensinamentos do príncipe, agora sendo absorvidos e colocados em prática pela garotinha. As frases de efeito que todos conhecem (“o essencial é invisível aos olhos” ou “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”) são inseridas de maneiras doces. O roteiro vai além e “imagina” o príncipe crescido, trabalhando numa cidade tomada pela automaticidade. Foi a forma encontrada por Osborne para tocar numa importante questão do livro: a “adultização” do mundo.

Além de se emocionar com os ensinamentos do longa (é inevitável), prepare-se para se apaixonar pela recriação da raposa, que tem papel importante no livro e no filme. O bichinho aparece tanto no mundo da menina, quanto no do príncipe, ambos em versões irresistíveis. A trilha sonora é outra doçura, totalmente conectada com o clima do filme. Ah, e não saia da sala logo que o “the end” aparecer. O diretor preparou uma referência (bem rápida) para os fãs do livro em meio aos créditos finais.

Cinema e fotografia

20 de agosto de 2015 0

Lembrando a semana da Semana da Fotografia, a Sala de Cinema Ulysses Geremia, em Caxias, estreia o documentário O Sal da Terra. Indicado ao Oscar de melhor documentário e premiado no Festival de Cannes, o filme mostra a trajetória biográfica e profissional do fotógrafo Sebastião Salgado. A produção entra em cartaz nesta quinta e fica até o dia 30 de agosto na sala Ulysses Geremia, com sessões às quintas e sextas, às 19h30min, e sábados e domingos, às 20h. Ingressos custam R$ 8 e R$ 4 (meia-entrada). A duração é de 110min e a classificação de 14 anos.

Crédito: Imovision

Crédito: Imovision

Retrato do retratista

Nem precisava da grife Wim Wenders para tornar O Sal da Terra visualmente irresistível. A verdade é que a mão do consagrado diretor alemão de Asas do Desejo (1987) não fica muito visível, já que aproximadamente 80% do documentário é mesmo composto pelos impressionantes registros fotográficos do brasileiro (e isso está longe de ser um demérito).

O longa, que estreia nesta quinta na Sala de Cinema Ulysses Geremia integrando a Semana da Fotografia, mostra a história de vida de Salgado emoldurada pelos grandiosos trabalhos do mineiro. A narração (em francês, é bom avisar) é quase toda do próprio Salgado, mas há participações de Wenders e também de Juliano Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo e co-diretor da produção.

Para os que conhecem pouco da biografia de Salgado, é interessante descobrir que ele se formou em Economia (apesar do sonho do pai de que “tirasse” Direito) e só descobriu o gosto pela fotografia depois que a mulher, arquiteta, comprou uma câmera. Porém, o mais cativante do filme é mesmo entender como cada ambiente visitado durante longas expedições fotográficas impactou na alma de Salgado. Alguns relatos do personagem principal chegam a ser tão sensíveis quanto as fotos que levam sua assinatura.

Constantemente criticado por ganhar dinheiro explorando a estética da pobreza, Salgado deixa evidente no longa que não saiu ileso de experiências como as vividas em Ruanda (onde flagrou dezenas de corpos sendo amontoados por um trator, entre outras barbáries). O fotógrafo chegou a acreditar que aquela seria sua última viagem, tamanha desesperança conquistada ao longo do trabalho. Para mostrar como ele encontrou um novo sopro de vida, o filme deixa de ter uma estética predominantemente P&B e permite que as cores transbordarem a telona. A decisão reflete o próprio espírito de Salgado, que encontrou a luz (fundamental ao seu trabalho) depois de um período profundamente obscuro.

A presença de Juliano Salgado no filme ensaia uma aproximação bem pessoal entre o primogênito e o pai “aventureiro”, mas o filme acaba não explorando isso. Wim Wenders parece chegar mais perto do fotógrafo do que Juliano — as cenas em que Salgado comenta algumas de suas fotos ao lado do cineasta são muito interessantes, preste atenção na reflexão sobre o macaco que se enxerga na lente da câmera.

O Sal da Terra é uma compilação competente ao estilo “vida e obra”. O documentário enche os olhos do início ao fim e é também uma boa chance de acompanhar um dos mais expressivos fotógrafos de nosso tempo em campo, trabalhando. Entretanto, a produção não consegue revelar por completo a figura de Salgado que — como numa boa foto — ainda permanece enigmática sob alguns aspectos.

Vencedores de Gramado

16 de agosto de 2015 0

Gravado em Bento Gonçalves, o curta-metragem O Corpo, de Lucas Cassales, levou o kikito de melhor curta brasileiro na premiação do Festival de Cinema de Gramado, na noite do sábado. A produção levou também o prêmio de fotografia, e já havia sido consagrada na mostra de curtas gaúchos, no primeiro fim de semana do festival.

Já a mostra de longas brasileiros deu o principal kikito ao drama Ausência, de Chico Teixeira (que também levou o troféu de melhor diretor). O filme venceu ainda nas categorias trilha e roteiro.


A mostra de longas latinos escolheu La Salada, de Juan Martin Hsu, como melhor filme do júri do festival e do júri da crítica.

Curta-metragem brasileiro
Melhor Desenho de Som: Tiago Bello, por “O Teto Sobre Nós”
Melhor Trilha Musical: Felipe Junqueira e Samuel Ferrari, por “Miss & Grubs”
Melhor Direção de Arte: Welton Santos, por “Miss & Grubs”
Melhor Montagem: Chico Lacerda, por “Virgindade”
Melhor Fotografia: Arno Schuh, por “O Corpo”
Melhor Roteiro: Tiago Vieira e Fabrício Ide, por “Quando parei de me preocupar com canalhas”
Melhor Atriz: Giuliana Maria, por “Herói”
Melhor Ator: Matheus Nachtergaele, por “Quando parei de me preocupar com canalhas”
Prêmio Especial do Júri: “Haram”
Melhor Filme Júri Popular: “Bá”, de Leandro Tadashi
Melhor Diretor: Bruno Carboni, por “O Teto Sobre Nós”
Melhor Filme: “O Corpo”, de Lucas Cassales
Prêmio Canal Brasil: “Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano
Júri da Crítica – Curta-Metragem: “Dá Licença de Contar”, de Pedro Serrano

Longas Brasileiros
Melhor Desenho de Som: “Ponto Zero”
Melhor Atriz Coadjuvante: Fernanda Rocha, por “O Último Cine Drive-In”
Melhor Ator Coadjuvante: Otavio Muller, por “Um Homem Só”
Melhor Trilha Musical: Alexandre Kassin, por “Ausência”
Melhor Direção de Arte: Maíra Carvalho, por “O Último Cine Drive-In”
Melhor Montagem: Frederico Brioni, por “Ponto Zero”
Melhor Fotografia: Adrian Tejido, por “Um Homem Só”
Melhor Roteiro: Chico Teixeira, César Turim e Sabina Anzuategui, por “Ausência”
Melhor Atriz: Mariana Ximenes, por “Um Homem Só”
Melhor Ator: Breno Nina, por “O Último Cine Drive-In”
Melhor Filme Júri Popular: “O Outro Lado do Paraíso”, por André Ristum
Melhor Diretor: Chico Teixeira, por “Ausência”
Melhor Filme: “Ausência”, de Chico Teixeira
Júri da Crítica – Longa Brasileiro: “O Último Cine Drive-In”, de Iberê Carvalho

Longas estrangeiros
Melhor Fotografia: Nicolas Ordoñez, por “Venecia”
Melhor Atriz: Claudia Muñiz, Marianela Pupo e Maribel García Garzón, por “Venecia”
Melhor Roteiro: Carlos Armella, por “En La Estancia”
Melhor Ator: Gilberto Barraza, por “En La Estancia”
Melhor Filme Júri Popular: “Ella”, de Libia Stella Gómez
Melhor Diretor: Kiki Alvarez, por Venecia
Melhor Filme: “La Salada”, de Juan Martin Hsu
Prêmio Dom Quixote: “En La Estancia”, de Carlos Armella
Júri da Crítica – Longa Estrangeiro: “La Salada” de Juan Martin Hsu

Estreia nesta segunda

14 de agosto de 2015 0

Talvez não dê para enxergar muito bem, mas a foto abaixo tem pelo menos dois elementos importantes do filme Ego Sum!. Estão ali a espada, crucial para um dos personagens da trama, e o balde, muito utilizado durante as gravações para limpar o sangue falso que sujava o piso da Igreja São Pelegrino, locação do média-metragem.

Ficou curioso? Pois a sessão de estreia da produção dirigida por Waner Biazus está marcada para as 20h desta segunda, na própria Igreja São Pelegrino. A sessão integra as comemorações do centenário do pintor Aldo Locatelli, lembrado na terça.

Crédito: Michella Biazus

Crédito: Michella Biazus

Mais um Cine Memória

13 de agosto de 2015 0

O Cine Memória, parceria da coluna do colega jornalista Rodrigo Lopes e da Unidade de Cinema e Vídeo da Secretaria da Cultura, chega à segunda edição na próxima quarta-feira. E vem em dose dupla. A sessão do drama de suspense Testemunha de Acusação, baseado em um conto de Agatha Christie e dirigido por Billy Wilder em 1957, será antecedida por uma exposição de fotos temática.

Assinado por Bruno Zulian, o ensaio traz a produtora de moda Dani Conte encarnando o mito Marlene Dietrich em uma sequência de fotos p&b inspirada na dúbia personagem. Ex-cantora de cabaré, Christine Vole (Dietrich) é amante de um ex-combatente de guerra e única testemunha capaz de inocentá-lo da acusação de assassinato de uma rica viúva. Porém, a senhora Vole surpreende a defesa e o próprio parceiro ao depor contra ele.

A mostra abre às 19h, integrando a programação da Semana de Fotografia. Já o filme rola a partir das 20h30min. Tudo com entrada franca. Na foto abaixo, o cartaz reelaborado por Conrado Heoli, da Unidade de Cinema. A arte manteve o desenho da peça original de 1957.

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Conversa com Cuoco

13 de agosto de 2015 0
Crédito: Fabio Rebelo

Crédito: Fabio Rebelo

O último grande papel de Francisco Cuoco no cinema foi ainda nos anos 1990 (no longa Gêmeas, de Andrucha Waddington). O veterano ator é muito mais conhecido no Brasil por conta de sua extensa carreira televisiva (e pelo icônico vozeirão), mas agora está de volta às telonas no filme Real Beleza, de Jorge Furtado (em cartaz em Caxias, no GNC, e em Bento, no Movie Arte).

Do alto de seus 81 anos, Cuoco está naquela fase em que os trabalhos precisam lhe tocar a alma para valerem a pena. Foi o que aconteceu com o longa gaúcho, filmado em partes na Serra.

– É um cinema de gente grande, que leva a uma reflexão sem ser chato. A gente acaba tendo muitas comédias sem consequências, só pra desopilar, pra rir, mas eu prefiro não fazer. Esse é um filme que você eventualmente leva com você, em pensamentos, interrogações, questionamentos e sai melhorado depois de ver – justificou o ator, em conversa com a coluna por telefone.

Em Real Beleza, Cuoco vive Pedro, um apaixonado pelas artes (música, literatura, fotografia, etc.) que está lidando com a cegueira e outras perdas mais lentas.

– Era impossível recusar um personagem que, através da leitura, da idade e tudo, criou uma sabedoria, uma certa coisa que se aproxima da genialidade. É um pouco como um pedacinho da alma de um García Márquez, de um Saramago. Um personagem lindo – disse.

Entre as diferentes formas de belezas que o filme de Furtado aborda, Cuoco aponta as abstratas como suas preferidas.

– Quando o ser humano tem a capacidade de enxergar os seus semelhantes de uma maneira a aceitar os modos, aceitar os pensamentos, as propostas, acho uma forma de beleza estupenda. Isso, de uma maneira direta ou indireta, aparece no filme – refletiu.

Em Real Beleza, Pedro parece buscar na arte o combustível para manter a jovialidade da alma. Para o intérprete, esse é um exercício constante e bastante ligado à inquietude:

– Nesta atividade ou em qualquer outra é importante ter essa chama que não se apaga, continuar trabalhando, buscando e achando que você é uma obra-aberta, acho isso bonito e é assim que me sinto, uma obra aberta para aprender. Aprender e tentar ser a condução de coisas que eu seja capaz.

Nana ataca no terror

12 de agosto de 2015 0
Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

E a Nana Gouvêa ataca novamente, desta vez, a brasileira que está tentando emplacar como atriz na gringa foi escalada para um longa de terror chamado Black Wake. A temática tem a ver com zumbis!

Nana vive uma cientista que investiga uma série de mortes em praias do Oceano Atlântico. Agora ela precisa convencer outros cientistas sobre suas descobertas, antes que uma antiga força se eleve sobre o mar para exterminar toda a humanidade.

Ah, no elenco também está o Eric Roberts (irmão da Julia Roberts), que já esteve em dezenas de filmes, como o recente Vício Inerente (de Paul Thomas Anderson). A direção é do Jeremiah Kipp.

Dá uma olhadinha neste trailer!!

Pérolas francesas de graça

11 de agosto de 2015 0

Estava em dívida aqui de avisar vocês sobre a mostra de cinema francês, que está rolando desde segunda, na Sala de Cinema Ulysses Geremia (Luiz Antunes, 312). As sessões seguem até a sexta, com entrada franca, às 19h30min (até quarta) e 18h30min (quinta e sexta).

A mostra tem parceria com o CineSesc.

Crédito: Imovision

Crédito: Imovision

11 DE AGOSTO, às 19h30min
ROMÂNTICOS ANÔNIMOS
Direção: Jean Pierre Améris
Gênero: Comédia | Romance
Classificação Indicativa: 10 anos.
Duração: 77 minutos
Sinopse: Angélique Delange (Isabelle Carré) é uma talentosa confeiteira, que faz chocolates requintados reconhecidos por público e crítica especializada. Entretanto, como fica ansiosa quando olham para ela, Angélique prefere o anonimato e finge ser apenas uma entregadora. Sem emprego, ela consegue trabalho na Fábrica de Chocolates, que está à beira da falência. Só que, ao contrário do que imaginava a princípio, consegue a vaga de representante comercial da empresa. Ela pensa em pedir a mudança de cargo, mas é surpreendida com o convite para jantar de Jean-René Van Den Hudge (Benoît Poelvoorde), dono da empresa. O problema é que Jean-René, assim como Angélique, é extremamente tímido e possui muitas dificuldades em manter contato com outras pessoas.

12 DE AGOSTO, às 19h30min
A GUERRA DOS BOTÕES
Direção: Yann Samuell
Gênero: Comédia | Aventura
Classificação Indicativa: Livre.
Duração: 105 minutos
Sinopse: 1960, em uma aldeia no sul da França. Um grupo de meninos, com idades entre 7 a 14 anos, é liderado por Lebrac (Vincent Bres) numa guerra contra as crianças da aldeia vizinha. Trata-se de uma batalha tradicional, realizada há gerações pelos jovens das duas aldeias. Eles lutam pela honra e lealdade, mas utilizam-se dos meios necessários para vencer. O exército de pequenos homens tenta de todas as formas não ser percebido por pais e mães, o que é complicado quando voltam para casa com as roupas rasgadas e sem botões.

13 DE AGOSTO, às 18h30min
O QUADRO
Direção: Jean-François Laguionie
Gênero: Animação
Classificação Indicativa: Livre.
Duração: 76 minutos
Sinopse: Um quadro inacabado mostra um castelo cercado por um jardim. Lá vivem três tipos de personagens: os “Todopintados”, que já estão totalmente pintados, se julgam superiores e detêm o poder; os “Pelametades”, com pequenos detalhes sem tinta; e os “Rabiscos”, que são apenas esboços, sofrendo o desprezo e a violência dos primeiros. Ramô, um dos “Todopintados”, apaixonado por Claire, uma “Pelametade”, se junta a outros personagens inconformados com a situação, e sai do quadro à procura do pintor para que ele termine seu trabalho e restaure a harmonia no universo da pintura.

14 DE AGOSTO, às 18h30min
MONTMARTRE DIVERSÃO E CRIME
Direção: Jean-Pierre Beaurenaut
Gênero: Documentário
Classificação Indicativa: 12 anos.
Duração: 52 minutos
Sinopse: Da Paris artística à Paris malandra, dos pinceis de Picasso às pernas de Mistinguett, este filme reúne belamente as curvas da história de Montmartre. A evolução deste bairro é traçada em uma perspectiva ao mesmo tempo histórica e didática. Diversas imagens de arquivo testemunham a fusão artística e o carrossel de prazeres que foi Montmartre, ao ritmo de bailes alucinantes e crianças dando cambalhotas nas ruas, capturadas para sempre pela câmera de Doisneau.

Bento no Prêmio Assembleia Legislativa

10 de agosto de 2015 0
Crédito: Sofá Verde Filmes

Crédito: Sofá Verde Filmes

A noite de domingo do 43º Festival de Cinema de Gramado foi marcada pela entrega do Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas. A produção mais premiada, O Corpo, teve cenas gravadas em Bento Gonçalves. O filme de Lucas Cassales ganhou os troféus de fotografia, roteiro, diretor e filme. A história acompanha um menino (Rafael Henzel, na foto) e o inesperado encontro de um corpo.

Já o representante oficial da Serra na Mostra de Curtas, o documentário Consertam-se Gaitas, abocanhou o Prêmio Exibição Curtas Gaúchos RBS TV. O filme assinado por Ana Cris Paulus, Boca Migotto e Felipe Gue Martini conta a história de um grupo de amigos que trabalha numa pequena empresa do conserto de gaitas, em Bento.

Conheça todos os vencedores aqui:

Melhor Produtor: Clara Moraes, por “Madrepérola”
Melhor Edição de Som: Daniel de Bem, por “Pele de Concreto”
Melhor Música: Bebeto Alves, por “Rito Sumário”
Melhor Direção de Arte: Eder Ramos, por “Da Vida Só Espero a Morte”
Melhor Montagem: Daiane Marcon e Daniel de Bem, por “Pele de Concreto”
Melhor Fotografia: Arno Schuh, por “O Corpo”
Melhor Roteiro: Lucas Cassales, por “O Corpo”
Prêmio Exibição Curtas Gaúchos RBS TV: “Consertam-se Gaitas”, de Ana Cris Paulus, Boca Migotto e Felipe Gue Martini
Melhor Atriz: Gabriela Poester, por “Bruxa de Fábrica”
Melhor Ator: Carlos Azevedo, por “Rito Sumário”
Melhor Diretor: Lucas Cassales, por “O Corpo”
Melhor Filme: “O Corpo”