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Doc sobre Caio na TV

07 de novembro de 2015 0
Crédito: Besouro Filmes

Crédito: Besouro Filmes

Neste sábado, o ótimo documentário Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes ganha espaço no canal pago Prime Box Brazil. O filme, dirigido por Cacá Nazario e Bruno Polidoro, lança olha poético sobre a vida e obra do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu. A sessão será às 20h.

Aqui tem um textinho que escrevi na época do lançamento da produção em Caxias, em abril do ano passado.

Através de Caio

“Eu ia como sempre sair caminhando sem saber aonde ir, sem saber onde parar, onde pôr as mãos os olhos”.
O trecho de um dos textos de Caio Fernando Abreu que surge na tela em algum momento do documentário Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes tem muito a ver com a própria estética da produção, em cartaz hoje, amanhã e quarta, na Sala de Cinema Ulysses Geremia, em Caxias. A câmera passeia por paisagens tranquilas ou bagunçadas, onde há paz em luzes brilhantes, tormento em céus cinzentos ou dúvida em densas escuridões. É como se ela agora tomasse o lugar dos olhos de Caio, e o espectador passasse a experimentar o mundo com ele. O filme dirigido por Cacá Nazario e Bruno Polidoro revela um enfoque sensível e poético sobre a obra do escritor gaúcho, morto em 1996.

– Não é um filme sobre o Caio, ou para o Caio, é um filme através do Caio – argumenta Polidoro, caxiense também responsável pela direção de fotografia do documentário.

Para colocar a ideia em prática, a dupla esteve em lugares como Paris, Londres, Berlim, Amsterdã, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Santiago (terra natal do escritor). Nessas cidades, Nazario e Polidoro caminharam com a câmera na mão para dar ao filme um olhar inquieto, em movimento, ainda que por vezes contemplativo. Os passeios estéticos se completam com o objeto que mais poderia falar sobre Caio Fernando Abreu: sua própria obra.

– Os textos vão sempre projetando para frente. É como se a obra do Caio fosse um mapa. Eu, que trabalho com direção de fotografia, vejo que os textos pensam cenários, propõem desenhos de luz. Foram muito estimulantes para mim – revela Polidoro, lembrando do trecho “ acendes o abajur do canto da sala depois de apagar a luz mais forte”, no conto Natureza Viva.

O roteiro foi dividido em sete momentos, ou sete ondas, que conduzem 74min. Estão presentes a onda da solidão, do espanto, do amor, da melancolia, do transbordamento, do irremediável e para além dos muros. Há poucos depoimentos na produção, mas há muita palavra. Amigos e familiares do escritor usam a proximidade com a história de Caio para conferir mais emoção aos textos e cartas que leem. Entre os escolhidos estão gente como Adriana Calcanhotto, Maria Adelaide Amaral, Marcos Breda, Grace Gianoukas, Reinaldo Moraes e Luciano Alabarse. Há ainda a participação de tradutores do escritor, provando que Caio é sempre Caio, ainda que em alemão ou francês.

A diversidade de vozes do filme versa sobre a universalidade da literatura tão íntima praticada pelo escritor.

– É como se ele escrevesse individualmente para cada um dos leitores – lembra Polidoro.

Muito mais do que simples homenagem ao escritor, Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes se transformou em mais um lugar para Caio Fernando Abreu viver. No filme, a escritora Maria Adelaide Amaral revela que, para Caio, “um novo lugar era sempre uma nova possibilidade de afeto”.

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