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Mergulho em "Beira-Mar"

09 de dezembro de 2015 0

O longa gaúcho Beira-Mar estreia nesta quinta, na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Os diretores e a dupla de protagonistas estarão em Caxias na sexta, a partir das 19h30min, para uma sessão comentada. O filme fica em cartaz até o dia 20 de dezembro. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (estudantes e idosos).

Mergulho em águas revoltas

O mar faz as vezes de personagem onipresente no longa gaúcho que estreia quinta, na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Ouve-se seu som e sabe-se de seus movimentos revoltos – já que é inverno em Capão de Canoa, principal cenário de Beira-Mar – mas os diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon optam por mantê-lo longe dos olhos do espectador. É que o mar serve como ferramenta para aguçar os sentidos do outro lado da telona e para desenhar relações com o estado de espírito dos protagonistas do filme.

Beira-Mar (não confundir com À Beira Mar, novo filme de Angelina Jolie e Brad Pitt, que ainda não estreou em Caxias) narra um fim de semana na vida dos amigos Martin (Mateus Almada) e Tomaz (Maurício José Barcellos). Os dois viajam de Porto Alegre ao litoral porque Martin precisa pegar um documento com familiares que não encontra há tempos. Tomaz decide acompanhá-lo e os dois ficam hospedados sozinhos na casa dos pais de Martin, numa avenida à beira-mar. A narrativa deixa logo claro que Tomaz é gay, mas Martin parece ignorar a informação. Uma bolha de desejo reprimido vai ficando cada vez mais densa à medida que a história avança.

Estreante em longa-metragem, a dupla de diretores e roteiristas perde um pouco de tempo com perfumarias até que a história engrene de fato. A narrativa paralela sobre os problemas familiares de Martin, por exemplo, poderia ser melhor explorada – o espectador fica com vontade de conhecer mais sobre aqueles laços rachados pelo abismo social. Já os amigos que se juntam à dupla protagonista numa festinha regada à bebida parecem contribuir pouco para a trama.

Um acerto do longa é o trabalho de câmera, que ganha tom confessional participando das cenas como se fosse um terceiro personagem. Quando o olhar se afasta um pouco mais, valorizam-se as belas locações externas do longa e a direção de fotografia competente assinada por João Gabriel de Queiroz.

Beira-Mar foi exibido no Festival de Berlim e premiado no Festival do Rio, Cine em Guadalajara (México) e For Rainbow (Ceará). A temática das descobertas da adolescência vai na carona de produções nacionais como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – ambos os filmes, aliás, foram alvo de mobilização de caxienses nas redes sociais para que a sala Ulysses Geremia garantisse as estreias na cidade. O viés de abordagem do longa gaúcho, no entanto, é um pouco mais melancólico, e a ligação com o mar entra justamente aí. O quebrar nervoso das ondas no inverno parece revelar a alma de Martin e Tomaz, seja com relação às descobertas que surgem entre eles, ou às incertezas comuns da adolescência. Mas o mar também ganha simbologia positiva, a sugerir um necessário e derradeiro mergulho em si mesmo.

PLUS: ouça essa música massa que integra a trilha do longa

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