Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

"O Regresso" é uma experiência

04 de fevereiro de 2016 2
Crédito: Fox Filmes, Divulgação

Crédito: Fox Filmes, Divulgação

Celebrar a sobrevivência em condições adversas é um mote recorrente no cinema — que já rendeu importantes títulos como Gravidade, Náufrago,127 Horas, entre tantos outros. Não dá para dizer, no entanto, que o premiado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu vá apresentar algo que você já tenha visto em O Regresso. O longa, que estreia em Caxias nesta quinta, vem amparado em 12 indicações ao Oscar e com três Globos de Ouro na bagagem (diretor, ator e filme).

O burburinho se justifica não tanto pela história, mas pela embalagem impressionante que ela ganha na telona. Apenas acredite, cada uma das 12 indicações fará sentido assim que você perder o fôlego dentro do cinema.

Inspirado numa história real (a Academia adora!), o longa acompanha uma expedição de caçadores em busca de peles de animais, em pleno século 19. O mais experiente deles é Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que além de guiar os parceiros, precisa garantir a integridade física do filho, que carrega a descendência indígena da mãe visível na pele e é discriminado por isso.

Os rumos da expedição ficam confusos quando Glass é atacado por um urso — numa sequência incrivelmente visceral — e sobrevive. Imóvel e sem poder falar, ele ficará sob os “cuidados” de seu principal rival, o cruel John Fitzgerald (numa atuação apaixonante de Tom Hardy).

Mas nem urso, nem Fitzgerald, nem frio, nem fome, nem nada vai vencer Hugh Glass. Ele quase morre umas sete vezes (é sério). O protagonista permanece vivo, guiado quase que inconscientemente por uma voz interior: “se conseguir respirar, continue lutando”. Mas não é só isso que mantém Glass de pé, e aí entra a parte divertida da história. O caçador está vivo porque tem um propósito, vingança.

Assim, a obscuridade vai tomando conta do personagem, e o contato com a selvageria da floresta só contribui para tal. Difícil falar da atuação quase animalesca de DiCaprio, que parece realmente ter ultrapassado muitos limites nesse trabalho.

O contato profundo entre o homem e o ambiente (nesse caso, maravilhosas e gélidas paisagens do Canadá e da Argentina) é orquestrado com empenho pelo diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (Birdman, A Árvore da Vida). Taí um profissional que merece o mesmo destaque que Iñárritu (cotado para receber seu segundo Oscar consecutivo de direção) ou DiCaprio (que está com a estatueta de melhor ator quase em mãos depois de quatro outras indicações na categoria). O olhar naturalista de Lubezki faz o espectador praticamente sentir o ar gelado que vem das colinas em tomadas muito abertas e quase se engasgar com o sangue e saliva que literalmente respingam na lente em planos muito fechados.

Tudo é grandioso em O Regresso. Os diálogos são relevantes, os personagens convincentes (o espetacular trabalho de maquiagem ajuda), os dilemas profundos. A maneira como esses elementos ganham forma lembra uma sinuosa coreografia entre a dramaticidade dos atores e a magnitude da natureza. E o melhor: a câmera está sempre no lugar certo para captar a dança.

Comentários (2)

  • Saulo José diz: 23 de fevereiro de 2016

    Olá Siliane!?
    Referente ao “O Regresso”…Vi, curti, mas não é um dos meus favoritos! Nesse Oscar, ainda torço por Mad Max e Spotlight. Mas ainda preciso ver Ponte dos Espiões e A Grande Aposta.
    E qual é a sua torcida para melhor atriz? Acredito que a Brie Larson ganha, mas torço para a Saoirse ou a Charlotte.

Envie seu Comentário