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Posts com a tag "em Caxias"

Cinema de Verão te convida

22 de janeiro de 2016 0
Cidadão Kane, de Orson Welles. Crédito: Divulgação

Cidadão Kane, de Orson Welles. Crédito: Divulgação

Vergonha me define, hehehe. Estive de férias, estive cheia de trabalho, enfim, sumi daqui por uns dias e acabei deixando passar várias coisas legais que aconteceram na região. Maaaas (sempre tem um mas) ainda dá tempo de badalar por aqui a terceira edição do lindo projeto Cinema de Verão, que este ano está com uma programação super supimpa.

Só para dar uma ideia, nesta sexta tem Mazzaropi em Forqueta e duas obras icônicas na Sala de Cinema Ulysses Geremia (a maestria de Hitchcock e a coragem punk de Ed Wood. Sim, o melhor e o pior filme da história, juntos, hehe). Ah, e por falar em Forqueta, lembrei da emocionante primeira sessão do Cinema de Verão da qual participei, justamente na charmosa pracinha do bairro. Relembre aqui.

No fim de semana vai ter sessão na Biblioteca Parque — animações — e ao ar livre na Estação Férrea — por lá vai rolar O Dia em que a Terra Parou e Ciadão Kane, tá bom para vocês?

Só queria dizer que ir ao cinema pode ser ainda mais espetacular quando a experiência é coletiva, de emoções compartilhadas. E tem outra: além de conferir filmes ótimos (escolhidos pelo curador e idealizador do projeto, Robinson Cabral), o Cinema de Verão é uma baita oportunidade para aproveitar essas maravilhas de dias e noites quentes, muito raros em Caxias.

Vamos todo mundo? É de graça!

❚ Sexta, dia 22: O Gato de Madame (Mazzaropi) – Praça de Forqueta – 20h30min
❚ Sexta, dia 22: Um Corpo Que Cai + Plano 9 do Espaço Sideral – Sala Ulysses Geremia – 23h59

❚ Sábado, dia 23: Você Já Foi à Bahia? – Biblioteca Parque da Estação – 15h
❚ Sábado, dia 23: A Bela Adormecida – Biblioteca Parque da Estação – 16h30min
❚ Sábado, dia 23: O Meninão (Jerry Lewis) – Biblioteca Parque da Estação – 18h
❚ Sábado, dia 23: O Dia em que a Terra Parou – Estação Férrea – 20h30min

❚ Domingo, dia 24: Dumbo – CAPS Joana D’Arc – Vila Ipê – 15h
❚ Domingo, dia 24: Pinóquio – Caps Joana D’Arc – Vila Ipê – 16h30min
❚ Domingo, dia 24: Cidadão Kane – Estação Férrea – 20h30min

❚ Segunda, dia 25: Aviso aos Navegantes (Oscarito/ Grande Otelo) – Praça Dante Alighieri – 20h30min
❚ Terça, dia 26: Roma Cidade Aberta – Sala Ulysses Geremia – 19h30min
❚ Terça, dia 26: Os Três Cangaceiros (Roland Golias/ Grande Otelo) – Rua Coberta de Ana Rech – 20h30min

❚ Quarta, dia 27: Nunca Fui Santa (Marilyn Monroe) – Sala Ulysses Geremia – 19h30min
❚ Quarta, dia 27: Entrei de Gaiato (Zé Trindade/ Dercy Gonçalves) – Lagoa do Desvio Rizzo – 20h30min

❚ Quinta, dia 28: Jesse James – Sala Ulysses Geremia – 15h
❚ Quinta, dia 28: Carnaval Atlântida (Oscarito/ Grande Otelo) – Praça de Galópolis – 20h30min

❚ Sexta, dia 29: O Homem do Sputnik (Oscarito) – Praça de Forqueta – 20h30min
❚ Sexta, dia 29: A Sombra de Uma Dúvida + Freaks – Sala Ulysses Geremia – 23h59

❚ Sábado, dia 30: Alice no País das Maravilhas – Biblioteca Parque da Estação – 15h
❚ Sábado, dia 30: Peter Pan – Biblioteca Parque da Estação – 16h30min
❚ Sábado, dia 30: Ou Vai ou Racha – Biblioteca Parque da Estação – 18h
❚ Sábado, dia 30: O Incrível Homem que Encolheu – Estação Férrea – 20h30min

❚ Domingo, dia 31: Bambi – Ponto Teia Cultural – Kayser – 15h
❚ Domingo, dia 31: Branca de Neve e os Sete Anões – Ponto Teia Cultural – Kayser – 16h30min
❚ Domingo, dia 31: Cantando na Chuva – Estação Férrea – 20h30min

Marina Person apresenta "Califórnia"

18 de dezembro de 2015 2
Crédito: Aline Arruda, Divulgação

Crédito: Aline Arruda, Divulgação

Figura icônica dos bons tempos da MTV Brasil, Marina Person também trilha seu caminho na tela grande. Depois de ter filmado o documentário Person (2007), sobre seu pai – Luís Sérgio Person, importante diretor de obras como a impressionante São Paulo, Sociedade Anônima –, ela agora faz sua primeira investida num longa de ficção.

Califórnia estreia em Caxias nesta semana (com sessões somente no GNC), trazendo o olhar da diretora e roteirista sobre um assunto que ela conheceu bem de perto: ser adolescente no Brasil dos anos 1980. Na trama, Estela (vivida por Clara Gallo, na foto acima) sonha em ir visitar o tio Carlos (Caio Blat), um jornalista musical que vive na Califórnia. Os planos tomam outro rumo quando ela descobre que é o tio quem está voltando para o Brasil, debilitado por causa de uma doença sobre a qual a medicina e as pessoas ainda sabiam pouco.

No papo que bateu com o Cinecessário, Marina Person fala sobre seus anseios com a produção e sobre como a personagem Estela carrega muito do que a própria cineasta viveu durante a década mais obscura e colorida (ao mesmo tempo!) que o Brasil já viveu.

Qual o maior desafio ao se fazer um filme sobre juventude e amadurecimento?

Acho que o maior desafio é ser fiel às questões que realmente importam. As questões essenciais são as mesmas, seja nos anos 80 ou hoje. A construção da identidade, as perguntas que todos se fazem como “quem sou eu, qual o meu lugar nesse mudo, para onde eu vou, que desafios eu topo encarar?” . Isso é comum a jovens de qualquer época, em qualquer lugar. Claro que a tecnologia transformou a forma como as pessoas se comunicam. Nós tínhamos outras maneiras de procurar nossa turma, e isso provoca curiosidade nos jovens de hoje, é muito legal de ver.

Como rolou a escolha do elenco? O que você procurava na atriz que interpreta a Estela?

Todos os atores foram escolhidos por teste. A Estela ficou bem parecida comigo, né? Mas isso não foi premeditado, eu testei loiras, ruivas, não tinha um biotipo definido. A própria Clara Gallo não é tão parecida comigo na vida real. Quando fez o teste, ela tinha dreadlocks enormes no cabelo, um estilo totalmente diferente da Estela. Eu queria uma protagonista que tivesse a capacidade de comunicar sem precisar falar. Que falasse com os olhos, com o corpo. E a Clara tem muito isso, ela me passa a sensação que a palavra é um acessório, o que ela diz com a expressão é muito mais intenso.

Falar sobre os anos 80 foi tão visceral quanto falar sobre o teu pai? Quais são tuas lembranças mais fortes da década?

O Person é um documentário muito pessoal, que eu precisava fazer, tinha a necessidade de falar sobre a minha história e da descoberta de quem foi o meu pai. Quando ele morreu eu era muito pequena. Depois que fiz a faculdade de cinema, entendi a importância da obra dele para a cinematografia brasileira. Senti que deveria fazer um filme sobre essa
jornada de busca de uma filha que conhece melhor o pai através dos filmes que ele deixou. Sou muito grata ao cinema por isso. O Califórnia nasceu da minha vontade de falar sobre minha geração, sobre como foi ser adolescente em São Paulo nos anos 80. Era um país que se abria politicamente depois de 20 anos de ditadura, um país onde florescia o rock brasileiro com bandas como Legião Urbana e Titãs, e uma geração que teve as primeiras experiências sexuais exatamente
quando uma nova doença, fatal e que estava ligada ao sexo, foi descoberta. Muitas situações que estão no filme
aconteceram comigo. Existem muitas coisas na Estela que são idênticas a mim. Eu era fanática pelo David Bowie como ela, comprava discos numa loja que se chamava Wop Bop, tinha uma queda pelo surfistinha da escola e me apaixonei por garotos tipo JM, o esquisito. Outro exemplo: eu li O Estrangeiro, livro do Albert Camus, porque queria impressionar um cara que adorava The Cure, igual ao filme!

Quais são teus três filmes preferidos sobre a adolescência?

Clube dos Cinco, de John Hughes – perfeito, assisto e reassisto com o maior interesse.
Vidas sem Rumo, de Francis Ford Coppola – outro dia revi e achei um pouco datado, mas continua lindo mesmo assim.
Os Incompreendidos, de François Truffaut – esse é mais sobre a pré-adolescência, mas tem tudo a ver.

Faça a Coisa Certa

04 de dezembro de 2015 0
Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

Está chegando ao fim da primeira temporada do projeto Cinema na Estação. A partir de janeiro, é possível que as sessões migrem da Biblioteca da Estação para espaços ao ar livre – entrando no clima da já tradicional iniciativa Cinema de Verão, também encabeçada por Robinson Cabral.

Bem, enquanto o sol ainda está um pouco tímido, a biblioteca continua servindo como sala escura. As sessões ocorrem sempre às sextas, às 19h30min. Em dezembro, os filmes escolhidos são o americano Faça a Coisa Certa (1989 – trailer abaixo), com exibição
esta semana; o iraniano A Caminho de Kandahar (2001), no dia 11; e o francês Delicatessen (1991), no dia 18.

O Cinema na Estação é custeado via Lei de Incentivo à Cultura de Caxias do Sul, com apoio da Focco Sistemas de Gestão e Brasdiesel S/A.

Cinema na Estação nesta sexta

20 de novembro de 2015 0
Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Nesta sexta tem mais uma edição do projeto Cinema na Estação, com a exibição do filme Salada Russa em Paris (1994), às 19h30min, lá na Biblioteca da Estação. Dirigida por Yuri Mamin, a produção russa acompanha uma dupla de amigos que descobre uma misteriosa janela num apartamento de São Petesburgo. A janela os leva até os telhados de Paris.

A sessão é gratuita. Apareçam!

Ciclo de cinema na Casa das Etnias

19 de novembro de 2015 0

O ponto de cultura Casa das Etnias, em Caxias, está organizando um ciclo de cinema bem legal entre a segunda e a quinta da semana que vem. A ideia é comemorar o aniversário de 140 anos de imigração italiana, mas não somente:

– O ano de 1875 também marca a chegada dos poloneses e suíços no Rio Grande do Sul – acrescenta Iraci Marin, coordenador da Casa das Etnias.

Os filmes foram sugeridos pelo próprio ponto de cultura, com a ideia de representar cada etnia com um bom título.

– Nossa função é dar essa contrapartida cultural à população – diz Marin.

Todas sessões começam às 20h30min, com entrada franca. O espaço fica na Av. Independência, 2.542 (atrás do Fórum). Outras informações sobre o ciclo no site casadasetnias.com.br.

PROGRAME-SE

Segunda: ‘Katyn’ (2007), da Polônia
Terça: ‘A Riviera Não é Aqui’ (2010), da França
Quarta: ‘Pergunte-me se Estou Feliz’ (2000), da Itália
Quinta: ‘O Tambor’ (1979 – foto abaixo), da Alemanha

Foto do filme O Tambor, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1980

Foto do filme O Tambor, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1980

Programação de volta ao UCS Cinema

06 de novembro de 2015 0
Crédito: Warner Bros.

Crédito: Warner Bros.

Parece que a UCS resolveu novamente colocar o UCS Cinema para funcionar, depois que o projeto idealizado por Robinson Cabral lotou a sala em fevereiro e foi abortado um mês depois. No material de divulgação do projeto, a UCS afirma que as sessões são possíveis pela concessão da Licença Guarda Chuva concedida pela Motion Picture Licensin Corporation (MPLC Brasil) — exatamente a mesma licença que Cabral possuía.

Bem, de uma forma ou de outra, fico feliz que as sessões voltem a acontecer. Segue a programação para novembro (com filmes sendo exibidos sempre aos sábados). A entrada é franca.

Programação

Dia 7 de Novembro
* 15: Carrossel (2015), 98min, comédia
Classificação: livre

* 18h: Os Infiltrados (2006 – na foto), 151min, mistério
Classificação:18 anos

Dia 14 de Novembro
* 15h: Operação Big Hero (2014), 105min, aventura
Classificação: livre

* 18h: Bastardos Inglórios (2009), 153min, drama
Classificação: 14 anos

Dia 21 de Novembro
* 15h: Toy Story 3 (2010), 103min, animação
Classificação: livre

* 18h: O Lobo de Wall Street (2013), 189min, drama
Classificação: 16 anos

Dia 28 de Novembro
* 15h: Valente (2012), 100min, animação
Classificação: livre

* 18h: Um Sonho de Liberdade (1994), 142min, drama
Classificação: 16 anos

 

Bons filmes na Mostra Sala de Arquitetos

05 de novembro de 2015 0
Crédito: Imagem Filmes

Crédito: Imagem Filmes

Com o sugestivo tema Qual o filme da sua vida?, a 16ª Mostra Sala de Arquitetos colocou profissionais da área para pensar ambientes inspirados numa lista cheia de filmes bons. Daí surgiu a ideia de disponibilizar também alguns desses filmes para os visitantes da mostra. Formatou-se assim uma programação bem legal – aliás, com a curadoria do programador da sala Ulysses Geremia, Conrado Heoli –, que fica disponível até 13 de dezembro.

O cinema montado lá na mostra tem exibições às terças, às 19h45min, e aos sábados, às 16h – neste, por exemplo, tem Mesmo Se Nada Der Certo (foto), longa super bonitinho com Keira Knightley e Mark Ruffalo no elenco. Aos domingos, sempre às 18h, rolam as sessões infantis. Também serão mostrados trabalhos premiados nas três edições do CineSerra.

Os ingressos para visitar a mostra e acessar o cinema custam R$ 20 (estudantes e idosos pagam meia). A exposição fica no Maia Mixed Use (Guerino Sanvitto, 704, Villaggio Iguatemi).

Confira a lista completa

07/nov: Sessão CineSerra – Premiados 2013 – Parte 1, das 14h30 às 16h
Sessão MESMO SE NADA DER CERTO, às 16h
08/nov Sessão O MUNDO DOS PEQUENINOS, às 18h
10/nov Sessão CineSerra – Premiados 2013 – Parte 2, das 18h30 às 19h45
Sessão FERRUGEM E OSSO, às 19h45
14/nov Sessão CineSerra – Premiados 2013 Parte 2, das 14h30 às 16h
Sessão SETE DIAS COM MARILYN, às 16h
15/nov Sessão FROZEN, às 18h
17/nov Sessão CineSerra – Premiados 2014 Parte 1, das 18h30 às 19h45
Sessão DRIVE, às 19h45
21/nov Sessão CineSerra – Premiados 2014 Parte 1, das 14h30 às 16h
Sessão ERA UMA VEZ EM NOVA YORK, às 16h
22/nov Sessão PONYO: UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR, das 18h às 20h
24/nov Sessão CineSerra – Premiados 2014 Parte 2, das 18h30 às 19h45
Sessão SOB A PELE, às 19h45
28/nov Sessão CineSerra – Premiados 2014 Parte 2, das 14h30 às 16h
Sessão A PARTIDA, às 16h
29/nov Sessão UMA AVENTURA LEGO, às 18h
01/dez Sessão CineSerra – Premiados 2015 Parte 1, das 18h30 às 19h45
Sessão MOMMY, às 19h45
05/dez Sessão CineSerra – Premiados 2015 Parte 1, das 14h30 às 16h
Sessão MOONRISE KINGDOM, às 16h as 18h
06/dez Sessão A BELA E A FERA, às 18h
08/dez Sessão CineSerra – Premiados 2015 Parte 2, das 18h30 às 19h45
Sessão EX MACHINA, às 19h45
12/dez Sessão CineSerra – Premiados 2015 Parte 2, das 14h30 às 16h
Sessão AS SESSÕES, às 16h

Cinema vai de Kombi

02 de outubro de 2015 0
Crédito: Felipe Nyland

Crédito: Felipe Nyland

cinekombi2blog

cinekombiblog

Que os filmes mudam a vida daqueles que os assistem, ninguém tem dúvida. Por isso que iniciativas como a da foto acima são tão importantes. Batizada de CineKombi, a proposta é encabeçada pelo Ponto de Cultura Raízes da Vida, do bairro Vila Ipê, e pretende rodar pelas periferias da cidade levando essa tal ferramenta de transformação chamada cinema.

– O objetivo é o acesso. Um guri desses aqui muitas vezes é impedido até de entrar no shopping, ou não tem grana para a passagem até o centro da cidade – comenta Ronei Pacheco, mais conhecido como professor Pica-Pau, um dos oficineiros do Raízes da Vida.

A primeira edição do CineKombi foi no próprio Vila Ipê. Na terça-feira à noite, o carango levou cinema até o bairro Villa-Lobos (onde foi registrada a foto) e ainda em outubro a ideia é chegar até o Cânyon e o Reolon.

– Acho que 90% das pessoas que estão aqui nunca foram ao cinema – lembra Alexandre Brito, contra-mestre de capoeira que levou alunos do projeto Vínculos Afetivos, do Villa-Lobos, até a sessão de cinema oferecida pelo Raízes da Vida.
Na terça, cerca de 50 pessoas estavam na plateia, a maioria delas crianças e adolescentes. O cheirinho de pipoca e a telona que iluminava a noite chamavam a atenção de quem passava na rua. Algumas pessoas chegavam meio tímidas, sem saber ao certo o que era aquela movimentação no terreno ao lado da paróquia Nossa Senhora Aparecida.

Como a proposta surgiu exatamente durante a Semana da Paz, lembrada em Caxias entre 21 e 27 de setembro, o CineKombi também levanta esta bandeira. No Villa-Lobos, antes de dar o play em um filme sobre capoeira, o professor Pica-Pau fez um discurso bem direcionado aos jovens:

– Vocês sabem o que é bonde? Lá no Ponto de Cultura nós somos um bonde, mas para o bem, somos como uma família. Vocês também podem criar um bonde, mas que ele seja da paz, para a ajudar as pessoas.

O Raízes da Vida existe (com este nome) há cerca de um ano e meio, e por lá o cinema é uma ferramenta bem consolidada. Além do CineKombi, o pessoal promove cinedebates, sobre temas específicos e também produz seus próprios filmes, mostrando as atividades que ocorrem por lá. A semente está sendo plantada aos poucos, mas alguns resultados já podem ser sentidos na prática.

– De noite o pessoal fica na rua. Aqui é melhor – sentenciou Karen de Souza de Jesus, 11 anos, que foi à sessão de terça junto com a irmã e um grupo de amigos.

Sessão comentada de "Samba"

29 de setembro de 2015 0

O filme Samba, dos diretores Olivier Nakache e Eric Toledano (os mesmos de Intocáveis) é a estreia desta quinta-feira na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Como a história acompanha um imigrante senegalês na França, aproximando o espectador de problemáticas que também acompanhamos em Caxias, rolou a ideia de promover uma sessão comentada. Será nesta sexta, após a exibição das 19h30min. Os convidados são Juliana Rossa, jornalista, professora universitária e pesquisadora sobre a temática dos senegaleses em Caxias do Sul, e Cheikh Mbacke Gueye, senegalês que vive há três anos em Caxias (e cinco no Brasil).

A iniciativa é parceria da Unidade de Cinema e Vídeo da prefeitura e do jornal Pioneiro.

Crédito: Califórnia Filmes

Crédito: Califórnia Filmes

Na França ou aqui

Longe do Senegal há 10 anos, um imigrante luta por melhores condições de vida, com a intenção de conseguir um emprego fixo e seguir mandando dinheiro para casa. A sinopse do filme, que estreia nesta quinta-feira na Sala de Cinema Ulysses Geremia, se aproxima muito do cenário caxiense. Porém, apesar do sugestivo e “abrasileirado” título Samba, o longa se passa na França. Se por lá a facilidade dos imigrantes com a língua é bem maior do que aqui — já que a maioria dos senegaleses fala francês devido à colonização sofrida pelo país europeu — outras problemáticas sugeridas na telona se assemelham e muito com o momento vivido em Caxias. Essa identificação imediata com o tema, no entanto, é só um entre os vários motivos que fazem do filme de Olivier Nakache e Eric Toledano (dupla responsável pelo sucesso Intocáveis) uma boa pedida.

Antes que alguém se pergunte de que forma o ritmo genuinamente brasileiro se insere na história, é bom avisar que Samba é apenas o nome do protagonista, vivido pelo ator francês Omar Sy (premiado por sua atuação em Intocáveis). Mesmo sem ninguém tocando pandeiro ou cavaquinho durante o longa, o roteiro dá outros jeitos de referenciar o Brasil, uma das pátrias que mais recebe senegaleses atualmente. Há, por exemplo, o melhor amigo de Samba, que abusa de expressões em português e da “malandragem brasileira” tão vendida no exterior; e há também a trilha sonora que integra um icônico Jorge Ben Jor.

Baseada no romance da escritora Delphine Coulin, a história mostra a relação de Samba com Alice (vivida por Charlotte Gainsbourg, de Ninfomaníaca), voluntária de uma ONG que defende os direitos dos imigrantes em Paris. Enquanto ele se esforça para provar que merece ser aceito como um cidadão legal no país, ela se trata de um colapso de estresse sofrido no emprego anterior. Há contornos de romance na história, mas os encontros sempre tortos da dupla também desenham boa parte dos respiros cômicos do filme.

Ainda que elegendo essa abordagem bem-humorada, o contexto principal de Samba é o da diferença social. O plano-sequência que abre Samba começa num salão, onde dezenas de pessoas festejam um casamento, e continua até a cozinha, onde outras dezenas confeccionam a comida, até parar num jovem alto e negro que lava pratos (ele é Samba). Sugestivamente, o espectador entende que a temática da produção ficará do lado de cá das portas de serviço. Numa das cenas mais emblemáticas do longa, o tio de Samba (seu único parente na França) incentiva o jovem a vestir-se como um europeu, numa estratégia de inserção social. Mas nem embalado no uniforme protocolar dos franceses sérios — “terno e pasta de couro” — Samba vê os olhares de desprezo ao seu redor diminuírem quando entra no metrô.

Logo fica claro que as dificuldade sofridas por um senegalês tentando sobreviver na Europa ultrapassam a questão racial. Existem as burocracias legais do visto, os problemas para conseguir um bom trabalho estando ilegal no país, a dificuldade em criar laços com os nativos, etc. A trajetória de Samba em subempregos dá conta de escancarar essa realidade.

O filme consegue suavizar a dureza de temáticas urgentemente atuais (refugiados, migrações, intolerância, etc.) com um roteiro arejado. Dosar comédia nesse drama dos nossos dias é uma estratégia que funciona para atingir mais público e, claro, para lembrar de uma das características mais emblemáticas dos senegaleses: a alegria.

PROGRAME-SE

O filme fica em cartaz até o dia 11 de outubro, com sessões às quintas e sextas, às 19h30min, e aos sábados e domingos, às 20h. Ingressos custam R$ 5 (estudantes e idosos) e R$ 10.

Nesta sexta e em outubro

25 de setembro de 2015 0
Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

Nesta sexta tem mais uma edição do projeto Cinema na Estação, que completa um mês de sessões na Biblioteca Parque da Estação. Às 19h30min, será exibido Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (foto acima), belo exemplar do cinema iraniano assinado por Abbas Kiarostami. Entrada é franca.

O curador do projeto, Robinson Cabral, descolou a programação de outubro para a coluna. A lista abre com A Missão, de Roland Joffé. O mês é especial pois terá sessões durante a Feira do Livro, com adaptações cinematográficas de obras literárias. Dá uma olhada!

Na Estação, sempre às 19h30min
2/10: A Missão
9/10: Adaptação
16/10: Farenheit 451
23/10: Lunchbox
30/10: O Trem da Vida

Na Praça Dante, durante a Feira do Livro
11/10: A Hora da Estrela, às 15h
12/10: Pinóquio, às 14h, e Branca de Neve e os Sete Anões, às 16h