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"Boi Neon" em Caxias

08 de abril de 2016 0
Crédito: Imovision

Crédito: Imovision

Bah, deixei vocês num vácuo gigantesco né.. Perdão, enfim, vou postar aqui pelo menos os textos sobre cinema que tenho feito para o jornal. Este é sobre a estreia da semana na Sala Ulysses Geremia, o premiado Boi Neon. De quebra, uma entrevista com o astro do longa, Juliano Cazarré.

Fugindo do brete

Boi Neon une logo no título palavras completamente distintas, de universos longínquos. É como se o diretor e roteirista Gabriel Mascaro avisasse ao espectador que a ousadia de integrar ambientes antagônicos estará presente durante toda a obra — estreia desta semana na Sala de Cinema Ulysses Geremia. Desafiando convenções de gênero, classe ou qualquer outra (ainda bem!), Boi Neon apresenta um vaqueiro aspirante a costureiro (Juliano Cazarré); uma caminhoneira que unifica doçura materna, agressividade e sensualidade (Maeve Jinkings); e ainda uma grávida (Samya De Lavor) que trabalha com uma arma na cintura — e o tabu se quebra ainda mais quando visualizamos aquela imaculada silhueta numa cena de sexo e nudez.

A história é ambientada nos bastidores das vaquejadas, eventos muito populares no nordeste brasileiro. Iremar (Cazarré) é um filho desse ambiente, mas as mesmas mãos que juntam dejetos ou escovam o rabo dos bois também lidam com as minuciosas e artesanais artes da costura e do desenho. O personagem é a síntese do indivíduo contemporâneo que tenta construir sua própria liberdade para além de qualquer fronteira social.

Mais do que lançar um olhar contemporâneo sobre o sertão nordestino e seu povo, Boi Neon é sobre sonhar com uma vida fora dos bretes que nos cercam (por isso talvez a figura do boi tão presente).

Confira abaixo uma entrevista exclusiva do ator Juliano Cazarré ao Pioneiro.

Pioneiro: Que retrato do sertão nordestino contemporâneo o filme ‘Boi Neon’ propõe?
Juliano Cazarré:
Um nordeste moderno, onde a tradição se comunica com o contemporâneo. Um lugar onde a vida é dura, mas cheia de bom humor. Mostra mulheres e homens nordestinos construindo sua identidade livremente, questionando padrões de comportamento tradicionais. Como também acontece no Sul, não por acaso.

O que esse personagem, o Iremar, ensinou para o Juliano?
A experiência mais rica desse filme foi o convívio com as pessoas. Maeve Jenkings, com quem podia conversar sobre nosso ofício com profundidade, e também trocar dicas de alimentação de esportes, etc. E Carlos e Josinaldo, os dois vaqueiros, meus companheiros no filme, cada qual com sua sabedoria. Carlos com sua manha, Josinaldo com sua fidalguia.

Você lida muito naturalmente com a nudez artística, mas cenas com nu (principalmente masculino) sempre causam muito barulho, como as de ‘Boi Neon’ causaram. É possível naturalizar esse olhar “assustado” do espectador frente ao nu? Como?
É só ficar tranquilo e conviver com aquela imagem com a naturalidade de um banheiro de academia, ou uma imagem num livro de ciências. A gente não precisa se ofender com a nudez. Claro que há, e muito, nudez de mau gosto. Mas não é o caso de Boi Neon. Nada é feito para chocar ou ofender. É com simplicidade e beleza.

Você vem conquistando espaço cada vez mais amplo nas novelas, ao mesmo tempo que não abandona a carreira no cinema, seu “palco” de origem. Que tipo de necessidades artísticas cada um desses ambientes alimenta em você?
E agora acabo de estrear no teatro em São Paulo na peça Um Bonde Chamado Desejo. A TV, o cinema e o teatro são diferentes entre si e cada um tem sua delícia. Na TV, a dificuldade é a velocidade, mas a recompensa é o imenso alcance de público. No cinema, tudo é menor, mais natural ainda que a TV, e demora muito, tem que viajar pra longe da família, grava tudo picotado. Mas a recompensa é que um belo filme pode durar décadas. Séculos, talvez? Não sei se o mundo dura tanto… E o teatro onde o ator faz chover, é ele quem manda, com seu corpo, sua voz e sua presença.

Como lida com a popularidade que um MC Merlô (da novela A Regra do Jogo) te traz?
Fico muito feliz de ver que tem gente que se divertia muito com o personagem. É gratificante trazer o sorriso para as pessoas no momento em que o país naufraga numa crise moral, ética, política e econômica. O Brasil está assim, rir pra não chorar…

"O Regresso" é uma experiência

04 de fevereiro de 2016 2
Crédito: Fox Filmes, Divulgação

Crédito: Fox Filmes, Divulgação

Celebrar a sobrevivência em condições adversas é um mote recorrente no cinema — que já rendeu importantes títulos como Gravidade, Náufrago,127 Horas, entre tantos outros. Não dá para dizer, no entanto, que o premiado diretor mexicano Alejandro González Iñárritu vá apresentar algo que você já tenha visto em O Regresso. O longa, que estreia em Caxias nesta quinta, vem amparado em 12 indicações ao Oscar e com três Globos de Ouro na bagagem (diretor, ator e filme).

O burburinho se justifica não tanto pela história, mas pela embalagem impressionante que ela ganha na telona. Apenas acredite, cada uma das 12 indicações fará sentido assim que você perder o fôlego dentro do cinema.

Inspirado numa história real (a Academia adora!), o longa acompanha uma expedição de caçadores em busca de peles de animais, em pleno século 19. O mais experiente deles é Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que além de guiar os parceiros, precisa garantir a integridade física do filho, que carrega a descendência indígena da mãe visível na pele e é discriminado por isso.

Os rumos da expedição ficam confusos quando Glass é atacado por um urso — numa sequência incrivelmente visceral — e sobrevive. Imóvel e sem poder falar, ele ficará sob os “cuidados” de seu principal rival, o cruel John Fitzgerald (numa atuação apaixonante de Tom Hardy).

Mas nem urso, nem Fitzgerald, nem frio, nem fome, nem nada vai vencer Hugh Glass. Ele quase morre umas sete vezes (é sério). O protagonista permanece vivo, guiado quase que inconscientemente por uma voz interior: “se conseguir respirar, continue lutando”. Mas não é só isso que mantém Glass de pé, e aí entra a parte divertida da história. O caçador está vivo porque tem um propósito, vingança.

Assim, a obscuridade vai tomando conta do personagem, e o contato com a selvageria da floresta só contribui para tal. Difícil falar da atuação quase animalesca de DiCaprio, que parece realmente ter ultrapassado muitos limites nesse trabalho.

O contato profundo entre o homem e o ambiente (nesse caso, maravilhosas e gélidas paisagens do Canadá e da Argentina) é orquestrado com empenho pelo diretor de fotografia Emmanuel Lubezki (Birdman, A Árvore da Vida). Taí um profissional que merece o mesmo destaque que Iñárritu (cotado para receber seu segundo Oscar consecutivo de direção) ou DiCaprio (que está com a estatueta de melhor ator quase em mãos depois de quatro outras indicações na categoria). O olhar naturalista de Lubezki faz o espectador praticamente sentir o ar gelado que vem das colinas em tomadas muito abertas e quase se engasgar com o sangue e saliva que literalmente respingam na lente em planos muito fechados.

Tudo é grandioso em O Regresso. Os diálogos são relevantes, os personagens convincentes (o espetacular trabalho de maquiagem ajuda), os dilemas profundos. A maneira como esses elementos ganham forma lembra uma sinuosa coreografia entre a dramaticidade dos atores e a magnitude da natureza. E o melhor: a câmera está sempre no lugar certo para captar a dança.

Marina Person apresenta "Califórnia"

18 de dezembro de 2015 2
Crédito: Aline Arruda, Divulgação

Crédito: Aline Arruda, Divulgação

Figura icônica dos bons tempos da MTV Brasil, Marina Person também trilha seu caminho na tela grande. Depois de ter filmado o documentário Person (2007), sobre seu pai – Luís Sérgio Person, importante diretor de obras como a impressionante São Paulo, Sociedade Anônima –, ela agora faz sua primeira investida num longa de ficção.

Califórnia estreia em Caxias nesta semana (com sessões somente no GNC), trazendo o olhar da diretora e roteirista sobre um assunto que ela conheceu bem de perto: ser adolescente no Brasil dos anos 1980. Na trama, Estela (vivida por Clara Gallo, na foto acima) sonha em ir visitar o tio Carlos (Caio Blat), um jornalista musical que vive na Califórnia. Os planos tomam outro rumo quando ela descobre que é o tio quem está voltando para o Brasil, debilitado por causa de uma doença sobre a qual a medicina e as pessoas ainda sabiam pouco.

No papo que bateu com o Cinecessário, Marina Person fala sobre seus anseios com a produção e sobre como a personagem Estela carrega muito do que a própria cineasta viveu durante a década mais obscura e colorida (ao mesmo tempo!) que o Brasil já viveu.

Qual o maior desafio ao se fazer um filme sobre juventude e amadurecimento?

Acho que o maior desafio é ser fiel às questões que realmente importam. As questões essenciais são as mesmas, seja nos anos 80 ou hoje. A construção da identidade, as perguntas que todos se fazem como “quem sou eu, qual o meu lugar nesse mudo, para onde eu vou, que desafios eu topo encarar?” . Isso é comum a jovens de qualquer época, em qualquer lugar. Claro que a tecnologia transformou a forma como as pessoas se comunicam. Nós tínhamos outras maneiras de procurar nossa turma, e isso provoca curiosidade nos jovens de hoje, é muito legal de ver.

Como rolou a escolha do elenco? O que você procurava na atriz que interpreta a Estela?

Todos os atores foram escolhidos por teste. A Estela ficou bem parecida comigo, né? Mas isso não foi premeditado, eu testei loiras, ruivas, não tinha um biotipo definido. A própria Clara Gallo não é tão parecida comigo na vida real. Quando fez o teste, ela tinha dreadlocks enormes no cabelo, um estilo totalmente diferente da Estela. Eu queria uma protagonista que tivesse a capacidade de comunicar sem precisar falar. Que falasse com os olhos, com o corpo. E a Clara tem muito isso, ela me passa a sensação que a palavra é um acessório, o que ela diz com a expressão é muito mais intenso.

Falar sobre os anos 80 foi tão visceral quanto falar sobre o teu pai? Quais são tuas lembranças mais fortes da década?

O Person é um documentário muito pessoal, que eu precisava fazer, tinha a necessidade de falar sobre a minha história e da descoberta de quem foi o meu pai. Quando ele morreu eu era muito pequena. Depois que fiz a faculdade de cinema, entendi a importância da obra dele para a cinematografia brasileira. Senti que deveria fazer um filme sobre essa
jornada de busca de uma filha que conhece melhor o pai através dos filmes que ele deixou. Sou muito grata ao cinema por isso. O Califórnia nasceu da minha vontade de falar sobre minha geração, sobre como foi ser adolescente em São Paulo nos anos 80. Era um país que se abria politicamente depois de 20 anos de ditadura, um país onde florescia o rock brasileiro com bandas como Legião Urbana e Titãs, e uma geração que teve as primeiras experiências sexuais exatamente
quando uma nova doença, fatal e que estava ligada ao sexo, foi descoberta. Muitas situações que estão no filme
aconteceram comigo. Existem muitas coisas na Estela que são idênticas a mim. Eu era fanática pelo David Bowie como ela, comprava discos numa loja que se chamava Wop Bop, tinha uma queda pelo surfistinha da escola e me apaixonei por garotos tipo JM, o esquisito. Outro exemplo: eu li O Estrangeiro, livro do Albert Camus, porque queria impressionar um cara que adorava The Cure, igual ao filme!

Quais são teus três filmes preferidos sobre a adolescência?

Clube dos Cinco, de John Hughes – perfeito, assisto e reassisto com o maior interesse.
Vidas sem Rumo, de Francis Ford Coppola – outro dia revi e achei um pouco datado, mas continua lindo mesmo assim.
Os Incompreendidos, de François Truffaut – esse é mais sobre a pré-adolescência, mas tem tudo a ver.

Depp está demais em "Aliança do Crime"

11 de novembro de 2015 2
Crédito:  Warner, Divulgação

Crédito: Warner, Divulgação

É quase um fetiche para o espectador a possibilidade de ver seus atores preferidos em bons filmes de gângster. Johnny Depp já deu canjas aos fãs do subgênero — como em Donnie Brasco (1997) e Inimigos Públicos (2009) — mas nenhuma de forma tão peculiar, esteticamente falando, como em Aliança do Crime. O longa estreia nos cinemas de Caxias nesta quinta.

Não é novidade que Depp tem certo carinho por personagens de aparência um tanto bizarra, mas desta vez o ator investe pesado no quesito “figuras estranhas” encarnando o mafioso Jimmy “Whitey” Bulger, personagem real que fez história no crime organizado de Boston entre as décadas de 1970 e 1980. É quase como se o semblante doido de Willy Wonka tivesse se misturado à frieza de Sweeney Todd — acrescido ainda de um par de terríveis olhos azuis, de uma careca de respeito, e de um dentinho amarelo que “abrilhanta” o sorriso. Certamente, você nunca viu Johny Depp assim.

A performance do protagonista é o ponto alto do filme orquestrado pelo diretor Scott Cooper (de Coração Louco). Até uma possível indicação ao Oscar se desenha ao ator a partir da mutação no visual (a Academia adora!) e, claro, do minucioso trabalho de interpretação. O Bulger de Depp tem um jeito compassado de falar que contrasta diretamente com sua natureza extremamente violenta. Num momento ele pode estar discursando sobre amendoins, e no outro pode estar esmagando sua cabeça exatamente como um. Mas há algo que diferencia o personagem dos gângsters mais conhecidos do cinema: ao longo da trama, ele vai ficando cada vez mais sombrio.

Além da ótima dupla de protagonistas, o elenco tem ainda boas entregas de Kevin Bacon, Corey Stoll e Peter Sarsgaard. O roteiro, baseado no livro de uma dupla de repórteres do jornal Boston Globe, trabalha bem com os diálogos, revelando os bastidores de uma aliança improvável entre o FBI e o criminoso Jimmy Bulger. Daí entra o papel fundamental do investigador da polícia John Connelly (vivido com talento por Joel Edgerton). Os dois são amigos de infância e Connelly propõe uma troca de favores a Bulger: o contraventor fornece detalhes sobre os negócios de um mafioso italiano que a polícia deseja prender, enquanto fica protegido no papel de informante. A comunhão sai do controle e acaba se convertendo em violência desenfreada pelas ruas de Boston.

Termos como honra e lealdade são muito presentes na trama, que vai ficando mais séria do meio para o fim. Dá até para sentir falta dos momentos de escape cômico, como os hilários ensinamentos de Bulger para o filho criança (“se ninguém ver, não aconteceu”). A trilha é um pouco “scorsesiana” — tem títulos como Slave, do Rolling Stones —, mas é utilizada com moderação. Parece que o diretor prefere dar um tom mais sóbrio ao longa, preocupando-se também em não glamourizar (muito) o uso da violência na telona. Em Aliança do Crime, a história é bem contada e a direção de atores é muito competente, mas há mais espaço para tensão do que para as tradicionais tiradas divertidas dos filmes do estilo. Escolha corajosa do diretor.

Conflitos na mansão

15 de outubro de 2015 0
Crédito: Califórnia Filmes

Crédito: Califórnia Filmes

Minha Querida Dama — estreia desta semana na Sala de Cinema Ulysses Geremia — é daqueles filmes que começa de um jeito, mas muda de clima e surpreende o espectador positivamente a partir da segunda metade. A história escrita pelo roteirista profissional e diretor estreante Israel Horovitz começa de leve, narrando a chegada do americano Mathias (vivido pelo ótimo Kevin Kline) em Paris. Ele vai à França tomar posse de uma mansão, único bem herdado após a morte de seu milionário pai. Só que Mathias encontra o lugar habitado pela antiga moradora, a idosa Mathilde (Maggie Smith) e sua filha, Chloé (Kristin Scott Thomas). A dupla não tem planos de deixar a residência, já que é protegida por um contrato de viager — documento comum na França que garante ao proprietário do imóvel permanecer nele até o fim da vida, mesmo depois de tê-lo vendido.

Mathias logo deixa transparecer sua arrogância de americano marrento em terras francesas, e fica possesso com o fato de não poder chutar as antigas moradoras da mansão, fazer fortuna com a venda do imóvel e ir embora da cidade que não lhe traz boas lembranças. Mas há ainda mais um detalhe quanto ao contrato viager: o comprador (Mathias, nesse caso) tem que pagar uma espécie de aluguel ao vendedor até que ele morra. Assim, soam muito engraçadas cenas como a do brinde entre Mathias e a velhinha de 92 anos, que deseja “saúde e vida longa” com um sorriso irônico nos lábios. Piadinhas sutis e saborosas como essa ditam o ritmo inicial de Minha Querida Dama.

Falido, Mathias decide bisbilhotar nas velharias guardadas na mansão com o intuito de vender algo em brechós e antiquários. É assim que ele encontra uma fotografia que dará outro rumo à história. Mesmo com um ritmo inicial leve, o filme demora um pouco até engrenar de vez na trama que realmente interessa. Antes da importante descoberta de Mathias, o espectador acredita que o roteiro vai se resumir a narrar as dificuldades de uma convivência forçada entre pessoas de personalidades muito diferentes (algo nada original, convenhamos). Parece que a forte carga dramática do longa estava apenas esperando para dar as caras definitivamente. Na segunda metade do longa, as atuações do trio protagonista passam a ser o ponto alto (Kevin Kline é o destaque) e a história toca em temas ríspidos como depressão, arrependimento e limites morais.

Apesar dos belíssimos cenários parisienses à disposição, o diretor elege o interior da mansão e suas luzes amareladas para dar o tom dos momentos derradeiros da história. A escolha está relacionada ao passeio pelo interior conflitante dos próprios personagens. Amparado em diálogos intensos — com doses certeiras de humor negro —, o filme também tem várias frases de efeito. E a principal delas é de Samuel Beckett, só para deixar o leitor com vontade de ir ao cinema.

>> O filme fica em cartaz até o dia 25 de outubro, com sessões quintas e sextas, às 19h30min, e sábados e domingos, às 20h. Ingressos a R$ 10 e R$ 5 (estudantes e idosos). A duração é de 107 minutos e a classificação 12 anos.

Cidade natal

24 de setembro de 2015 0
Crédito: Sabujo Filmes, Divulgação

Crédito: Sabujo Filmes, Divulgação

Dois filmes produzidos na Serra terão exibições nas cidades onde foram gravados esta semana. O documentário Tormenta ganha sessões em Vacaria, cidade natal da artista plástica Vera Tormenta (foto), personagem principal da produção dirigida por Lucas Costanzi. Sessões às 19h e às 21h desta sexta e sábado, na Casa do Povo. Ingressos a R$ 15, à venda na Relojoaria Ziegler.

Já o último longa de Jorge Furtado, Real Beleza, será finalmente mostrado em Garibaldi, que serviu de cenário para boa parte das filmagens. Sessão gratuita nesta terça-feira (dia29/09), às 19h, na Câmara de Indústria e Comércio (CIC).

"Prova de Coragem" em Brasília

21 de setembro de 2015 0
Crédito: M. Schmiedt Produções

Crédito: M. Schmiedt Produções

O sábado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi marcado pelas vaias ao cineasta Cláudio Assis (Amarelo Manga) na apresentação de seu novo filme, Big Jato. A reação do público remete a um episódio ocorrido em agosto, quando Assis teria atrapalhado um debate sobre o filme Que Horas Ela Volta? no Rio de Janeiro proferindo comentários machistas. Apesar do mal estar na estreia, o longa baseado no romance homônimo do maravilhoso Chico Sá foi aplaudido.

Depois do “bafão” no fim de semana, a segunda-feira marca a estreia em terras brasileiras de outra adaptação literária nas telonas. Prova de Coragem, dirigido por Roberto Gervitz (Feliz Ano Velho), é baseado no romance Mãos de Cavalo, de Daniel Galera. Estrelado por Mariana Ximenes e Armando Babaioff, o filme teve cenas gravadas aqui na região, no Salto Ventoso, em Farroupilha. A estreia oficial foi em Montreal, em agosto.

Dá uma olhadinha no teaser aqui embaixo:

Nova (ou nem tanto) roupagem

20 de agosto de 2015 0

A animação O Pequeno Príncipe entrou em pré-estreia nos cinemas de Caxias no último fim de semana, mas só agora chega oficialmente à programação das salas. Eu chorei rios (mas não sou muito parâmetro nesse aspecto), hehe. O filme está bem bonito, principalmente nas cenas que recriam a história do livro.

Crédito: Paris Filmes

Crédito: Paris Filmes

Apenas um narrador sem rosto no clássico da literatura O Pequeno Príncipe, o aviador agora é um velho que, além dos cabelos e barba brancos, carrega valiosos ensinamentos que um dia aprendeu ao lado de um viajante nascido num asteroide. Esse aviador serve de elo condutor entre a antiga história escrita por Antoine de Saint-Exupéry (em 1943) e a nova versão cinematográfica assinada pelo diretor Mark Osborne que entra oficialmente na programação dos cinemas de Caxias esta quinta. A animação carrega a mão na carga emocional e promete agradar crianças e adultos — assim como o próprio livro que referencia.

O velho aviador é agora vizinho de uma recém-chegada garotinha, que se muda com a mãe na tentativa de ingressar numa concorrida instituição escolar da cidade. O filme traça um paralelo muito interessante entre a vida da menina e a do aviador. Enquanto a pequena está inserida num ambiente totalmente controlado pela mãe (apaixonada por planilhas e cronogramas de horários), o idoso vive numa bolha colorida e lúdica. Na casa da garota, e em todas as outras da vizinhança, até as árvores têm formato pré-determinado: quadrado. O velho cultiva flores, guarda objetos antigos e, claro, gosta de contemplar as estrelas para não esquecer de um tal B612.

A amizade entre os dois é impulsionada justamente pela curiosidade da menina em saber mais sobre a história do Pequeno Príncipe. É aí que entram os momentos mais belos do longa, visualmente falando. Ao contrário da tradicional técnica de animação em 3D utilizada na história da criança com o velho, as partes que fazem referência direta ao livro foram feitas em stop-motion. O trabalho que mistura texturas como papéis e tecidos na criação dos cenários ficou tão bonito que, cada vez que o príncipe aparece na tela, causa 50 tipos de suspiros no espectador. Numa forma de manter a aura clássica do livro, o diretor decidiu manter o visual do príncipe tal qual as conhecidas aquarelas do próprio Saint-Exupery. Esse cuidado minucioso com a imagem universal do personagem é um dos maiores acertos do longa.

O texto traz uma síntese dos principais ensinamentos do príncipe, agora sendo absorvidos e colocados em prática pela garotinha. As frases de efeito que todos conhecem (“o essencial é invisível aos olhos” ou “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”) são inseridas de maneiras doces. O roteiro vai além e “imagina” o príncipe crescido, trabalhando numa cidade tomada pela automaticidade. Foi a forma encontrada por Osborne para tocar numa importante questão do livro: a “adultização” do mundo.

Além de se emocionar com os ensinamentos do longa (é inevitável), prepare-se para se apaixonar pela recriação da raposa, que tem papel importante no livro e no filme. O bichinho aparece tanto no mundo da menina, quanto no do príncipe, ambos em versões irresistíveis. A trilha sonora é outra doçura, totalmente conectada com o clima do filme. Ah, e não saia da sala logo que o “the end” aparecer. O diretor preparou uma referência (bem rápida) para os fãs do livro em meio aos créditos finais.

Estreia nesta segunda

14 de agosto de 2015 0

Talvez não dê para enxergar muito bem, mas a foto abaixo tem pelo menos dois elementos importantes do filme Ego Sum!. Estão ali a espada, crucial para um dos personagens da trama, e o balde, muito utilizado durante as gravações para limpar o sangue falso que sujava o piso da Igreja São Pelegrino, locação do média-metragem.

Ficou curioso? Pois a sessão de estreia da produção dirigida por Waner Biazus está marcada para as 20h desta segunda, na própria Igreja São Pelegrino. A sessão integra as comemorações do centenário do pintor Aldo Locatelli, lembrado na terça.

Crédito: Michella Biazus

Crédito: Michella Biazus

Dia de "Real Beleza"

06 de agosto de 2015 2

Estreia nesta quinta o novo filme de Jorge Furtado, com cenas gravadas em Garibaldi. Real Beleza está em cartaz no GNC e Cinépolis.

Crédito: Fabio Rebelo

Crédito: Fabio Rebelo

O título é Real Beleza, e no enredo há aspirantes a modelo e um fotógrafo de moda. Mas, longe do que possa parecer logo de cara, a beleza não é tratada com obviedades no novo filme de Jorge Furtado. O tema assume papel fundamental na história, e se projeta em diferentes e tocantes formatos. Ao espectador cabe o delicioso exercício de encontrar esses pequenos exemplares de sublimação envoltos num drama romântico competente.

Furtado lembra que Saneamento Básico (2007), seu último longa de ficção, terminava justamente com uma frase de Dostoiévski contendo a deixa perfeita para o filme que chega nesta quinta aos cinemas: “a beleza salvará o mundo”. Longe da comédia, seu ambiente mais confortável, o diretor porto-alegrense busca agora novos elementos dramáticos para construir um filme calcado na maturidade dos diálogos — e dos silêncios.

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A história acompanha o fotógrafo João (Vladimir Brichta), que viaja ao Rio Grande do Sul buscando um novo rosto capaz de “salvar” sua carreira decadente como fotógrafo de moda. Ele encontra na adolescente Maria (vivida pela estreante Vitória Strada) o perfil de modelo que procurava, e logo se depara com a beleza inesperada da mãe da garota, Anita (Adriana Esteves, em delicada atuação). João aguarda o pai da menina, Pedro (Francisco Cuoco), voltar de viagem para tentar convencê-lo de que a carreira de modelo é a mais acertada para Maria. Enquanto espera, acaba se envolvendo com Anita.

O roteiro se aproxima um pouco de As Pontes de Madison (dirigido e estrelado por Clint Eastwood em 1995), por conta do fotógrafo da cidade grande que se encanta pela dona de casa e pelos cenários do interior. Mas Real Beleza transcende o foco da paixão fugaz entre um casal para criar um triângulo onde cabem temas mais universais (a certeza da finitude é apenas um deles). Furtado se afasta dos enredos espetaculares — como de O Homem que Copiava ou Saneamento Básico — para se debruçar sobre uma história aparentemente simples, com narrativa mais lenta e suave.

O roteiro envolve os personagens em amostras de beleza que vão da música (clássica) à literatura (poesia). Outra esperteza da história é colocar o personagem de Francisco Cuoco na condição de um homem praticamente cego. Enquanto João sobrevive justamente do olhar clínico de fotógrafo, Pedro está num processo inverso, de guardar apenas na memória toda as belezas que já viu ou sentiu. Adriana Esteves mostra interpretação competente, longe de qualquer exagero ou afetação. Há ainda um nu frontal completamente corajoso por parte dela e do filme.

Real Beleza usa a metáfora da busca pelo que é bonito — aliás, tão emergente nos nossos dias — para conduzir o espectador ao prazer da descoberta, seja passeando por uma foto de Cartier-Bresson ou por um poema de Fernando Pessoa.

Em Garibaldi: As cenas ambientadas na casa onde João e Anita vivem um rápido romance foram gravadas em Três Coroas. Já as sequências que mostram a cidade onde o fotógrafo está hospedado foram todas captadas em Garibaldi. A escola mostrada no filme também é na cidade. Ivane Favero, secretária de Turismo e presidente da film commission de Garibaldi, inclusive aparece numa das cenas de Maria em sala de aula. O público daqui também vai reconhecer a bela ponte de ferro que liga os munícipios de Canela e São Francisco de Paula, no Passo do Inferno. As gravações por aqui ocorreram em 2013.