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Posts com a tag "oscar 2015"

"Ida" estreia na Ulysses Geremia

17 de março de 2015 2

A salvadora Sala de Cinema Ulysses Geremia estreia nesta quinta o premiado filme polonês Ida, vencedor do Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Mais que tudo, o longa é um deleite aos olhos. Eu escrevi sobre…

Crédito: Zeta Filmes

Crédito: Zeta Filmes

Poesia sem cor

Trata de fé e religião, com uma jovem prestes a confirmar votos para se tornar freira. Também trata das devastadoras consequências da Segunda Guerra Mundial, com ênfase no massacre ocorrido na Polônia. Mas não são essas as temáticas responsáveis por guardar a maior força do premiado longa Ida — estreia desta quinta-feira na Sala Ulysses Geremia (Luiz Antunes, 312). A produção polonesa, vencedora do Oscar 2015 de Melhor Filme em Língua Estrangeira, se sustenta pelo visual preto e branco comovente e pela ênfase da trama ao elemento humano. Com duas mulheres antagônicas como personagens centrais, a obra do diretor Pawel Pawlikowski alterna com talento suavidade e aspereza (essa em doses maiores, é bom avisar).

O silêncio é uma característica importante da personagem título vivida pela atriz estreante Agata Trzebuchowska. Nas primeiras cenas do filme, a jovem noviça que acredita se chamar Anna aparece em sua rotina de convento sufocantemente introspectiva, se vista com olhos dos nossos dias. Num dos takes bem iniciais, as noviças carregam uma grande estátua de Jesus e abre-se a deixa para uma analogia emblemática. É o peso da fé que Anna vai aprender a medir mais adiante.

A trama começa a se desenvolver assim que a jovem descobre que, antes de realizar seus votos para tornar-se freira, precisa passar uns dias com sua única familiar viva, uma mulher que nunca quis conhecê-la antes. Ao entrar em contato com a tia Wanda (vivida com entrega por Agata Kulesza), a garota encarna uma busca calada por sua própria história. A tia aparenta experimentar intensidade em tudo que a sobrinha não conhece. Wanda relaciona-se com vários homens, bebe, fuma e questiona autoridades. O encontro entre as duas começa torto, mas o laço de sangue vai falar mais alto.

Quando Anna descobre que, na verdade, se chama Ida e é filha de judeus, o longa se transforma numa espécie de roadmovie emoldurado em beleza e drama. Tia e sobrinha protagonizam a partir daí a construção cruel — e ao mesmo tempo cativante — de uma memória delas mesmas. Nesse percurso, a noviça também encontrará suas primeiras tentações, ao som de John Coltrane.

Quase não há movimentos de câmera em Ida. Cada cena é pensada e desenhada como uma fotografia. Há lentidão em boa parte delas, para o deleite do espectador. O uso sensível da linguagem P&B transforma em poesia estética, por exemplo, simples pés que dançam num piso quadriculado. O enquadramento das personagens também é interessante. Pawlikowski quase nunca centraliza os rostos. Ida e Wanda surgem às beiradas do quadro, e os cinzas que compõem as cenas passam uma sensação quase esmagadora de melancolia. A câmera estática só desestabiliza no final, tremulando enquanto acompanha Ida em suas escolhas definitivas.

Sobre "A Teoria de Tudo"

25 de fevereiro de 2015 0

Sobre A Teoria de Tudo, que chega a Caxias nesta quinta-feira..

A equação mais difícil

“E o cérebro?”, pergunta Stephen Hawking ao médico, imediatamente depois de descobrir que é portador de uma doença degenerativa que vai limitar seus movimentos. A perspectiva dava conta de que o então doutorando da universidade de Cambridge iria morrer em até dois anos. Se essa previsão, felizmente, deu errado; outra foi seguida à risca: “seu cérebro não será afetado”, responde o médico à Hawking. O diálogo, que ocorre na primeira meia hora do filme A Teoria de Tudo, justifica o frisson em torno da atuação de Eddie Redmayne no papel do cientista mundialmente reconhecido. O ator baseia grande parte de seu trabalho focando mais o cérebro brilhante do que o corpo debilitado, desafio que lhe rendeu a estatueta de Melhor Ator no Oscar do último domingo (ele também venceu o Globo de Ouro na mesma categoria).

O filme estreia em Caxias nesta quinta abordando a situação do físico num pano de fundo quase tão complexo quanto às equações de astrofísica: o casamento. O longa, dirigido por James Marsh, tem roteiro baseado no livro Viajando para o Infinito: Minha Vida com Stephen escrito pela primeira esposa de Hawking, Jane Wilde. No filme, a personagem é tão importante quanto o conhecido cientista, e reverbera a máxima de que sempre há uma grande mulher por trás de um grande homem. Isso torna igualmente justa a indicação a Melhor Atriz para Felicity Jones, intérprete de Jane.

O longa parte justamente do momento em que o casal se conhece, ele com aquele jeitão desengonçado de nerd, ela toda animada com os estudos em poesia medieval espanhola. O casal tinha tudo a ver, não fosse a sequente descoberta da doença de Hawking a abalar os planos. É a partir daí que Jane assume protagonismo tal qual Hawking. A mocinha que parecia frágil cresce aos olhos do espectador ao decidir casar com o amado mesmo com a chance de perdê-lo em pouco tempo. Eles permaneceram juntos por 25 anos, tempo que A Teoria de Tudo comprime em duas horas de filme.

Redmayne confere empatia a seu Stephen Hawking, mesmo sem poder utilizar recursos básicos como a fala e os trejeitos em grande parte do filme. A comunicação que trava pelos olhos é um trunfo do ator. Jane, que no início do casamento parecia obstinada a acompanhar o marido pelas estradas mais tortuosas, começa a sentir o peso do fardo depois da consagração de Hawking como físico e de ter tido três filhos com ele. Sim, esse é um fato não tão conhecido sobre a vida do cientista, mesmo sem movimentar o corpo, ele conseguiu ser pai por três vezes. Detalhes íntimos do matrimônio ficam restritos a apenas uma piadinha de Hawking com um amigo (“certas partes do corpo são automáticas”). Talvez por respeito aos biografados _ que estão vivos e chegaram a acompanhar gravações do filme — A Teoria de Tudo carrega alguns pudores com relação à vida em casal.

Interessados em descobrir detalhes sobre a complexa mente do gênio podem ficar um pouco decepcionados com A Teoria de Tudo, que prioriza a visão feminina e a simbólica equação da vida a dois como fio condutor.

"Birdman" em Caxias

24 de fevereiro de 2015 0

Viva!! Antes tarde do que mais tarde…. Depois de conquistar quatro dos principais prêmios do Oscar no último domingo, o GNC se mexeu e exibe Birdman em Caxias a partir desta quinta.

Nas asas da ironia

Os quatro troféus do Oscar que Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) conquistou no último domingo garantiram que ele chegasse a Caxias, mesmo um mês depois da estreia nacional. Mas não baseie sua ida ao cinema nesses quatro troféus — que, diga-se de passagem, estão entre os mais importantes da premiação: melhor filme, diretor, roteiro original e fotografia — sem antes saber que tal consagração foi uma das maiores ousadias da Academia nos últimos anos. Ao deparar com um Michael Keaton conversando sozinho, de cuecas, em posição de lótus e flutuando — sim, flutuando no ar — num claustrofóbico quartinho logo na cena de abertura, você se dará conta de que o longa do mexicano Alejandro González Iñárritu pode ser tudo, menos convencional como já foram os vencedores de Oscar no passado. Se o filme te conquistar de cara, não irá decepcionar. Mas, se tudo parecer uma loucura sem propósito, dificilmente vai te convencer. Assim é Birdman: ame-o ou odeie-o.

Na história, Keaton (que perdeu a estatueta de melhor ator para Eddie Redmayne) vive Riggan Thomson, um ator em crise que tenta reconquistar a fama do passado ao mesmo tempo que deseja se afirmar como artista sério, atuando e dirigindo uma peça na Broadway. Ao lado dele, uma filha recém saída da reabilitação (Emma Stone), um colega de cena cheio de vaidade (Edward Norton, em atuação memorável ao nível Clube da Luta), um produtor sincero (Zach Galifianakis, o inesquecível gordinho de Se Beber Não Case), e outros doidos. A acidez do roteiro fica por conta da crítica explícita à indústria cultural, principalmente americana. Na história, Thomson ficou famoso ao interpretar um super-herói (o tal Birdman), persona que atormenta sua mente da mesma forma que outros super-heróis atormentam a engrenagem do cinema contemporâneo — são sempre deles as maiores bilheterias ao redor do mundo e os roteiristas de Birdman parecem bem irritados com isso. Mas um humor negro e muito ácido dá tona à narrativa, e por isso ela é atraente.

Não bastasse o conteúdo combativo do longa, o diretor Iñárritu (dos ótimos 21 Gramas e Biutiful) ainda é ousado no formato, transformando Birdman num grande plano-sequência _ é claro que existem cortes, mas eles passam batido aos olhos menos atentos. A câmera é inquieta como a mente do protagonista, e o acompanha freneticamente por corredores apertados e nada glamourosos do teatro. Ao mesmo tempo que parece simples, é uma experiência visual das mais interessantes. A trilha sonora — como se um baterista estivesse eternamente aquecendo seu instrumento — provoca o mesmo estranhamento que ver Michael Keaton flutuando de cuecas. Justamente por isso é perfeita.

A tensão da pré-estreia do espetáculo, a briga de egos, a preocupação com as críticas, a imagem projetada na internet e até o amor em tempos individualistas estão em Birdman. O melhor sobre o melhor filme do ano é que ele pensa sobre sua época. E pensa de forma divertida.

Ainda do Oscar

23 de fevereiro de 2015 0

Ainda do Oscar, duvido quem não tenha se emocionado com a execução de Glory, por John Legend & Common. Foi merecidíssima a vitória da dupla na categoria canção origloryginal, pelo importante filme Selma…

Melhor ainda foi o discurso libertários dos músicos ao receber o prêmio.

— Nina Simone disse que é dever do artista mostrar os tempos em que vivemos. Selma pode ter sido há 50 anos, mas é agora porque a luta por justiça é agora. O direito ao voto pelos quais eles lutaram, hoje, agora, estão sendo comprometidos. Vivemos no país com a maior população carcerária do mundo. Existem mais homens negros presos do que escravos na época da escravidão — apontou Legend.

A qualidade do vídeo não está das melhores, mas serve para dar uma ideia a quem não assistiu.

Oscar dos discursos inflamados

23 de fevereiro de 2015 0
Crédito: Fox Filmes

Crédito: Fox Filmes

Foi um Oscar de discursos, de importantes recados, de microfones sendo usados para defender ideais, não somente para abrigar vozes infladas de orgulho e soberba. E talvez a mais importante mensagem com relação à edição 87 da premiação tenha sido justamente escolher como principal vencedor uma obra que coloca o dedo na cara da indústria cinematográfica, uma espécie de panfleto reflexivo sobre o que é e como consumimos arte hoje. Birdman levou os prêmios mais importantes da noite: melhor filme, diretor, roteiro original e fotografia. O longa narra a história de um ator que tenta retomar o sucesso do passado, quando interpretou um super-herói. Ironicamente, o roteiro critica o universo do blockbuster americano.
Alejandro González Iñárritu foi o segundo mexicano a ganhar o Oscar de melhor diretor consecutivamente (ano passado a estatueta foi para Alfonso Cuarón, por Gravidade) e fez um discurso a favor da arte:

— Ego perde competições, porque para ganhar alguém tem que perder. Mas o paradoxo é que a arte verdadeira, a verdadeira expressão individual e todo o trabalho desses companheiros cineastas incríveis não pode ser comparado, não pode ser rotulado, não pode ser derrotado, porque eles existem e nosso trabalho só será julgado, como sempre, pelo tempo.

Mesmo com os discursos reflexivos de Iñárritu, ficou no ar um sentimento de injustiça com relação a Boyhood. Indicado em oito categorias, o longa de Richard Linklater levou apenas um Oscar. Acreditava-se que o filme conquistaria pelo menos um entre os principais troféus (roteiro, diretor ou filme), concedidos a Birdman. Levando em conta a sensibilidade da narrativa e a forma inovadora com que a história foi filmada — tendo o tempo como um de seus personagens —, Boyhood realmente merecia mais respaldo da Academia.

Única premiada pelo filme como melhor atriz coadjuvante, Patricia Arquette foi quem abriu os discursos humanistas da noite, inflamando a plateia feminina (Meryl Streep vibrou tanto que virou meme nas redes sociais).

— Está na hora de termos salários iguais de uma vez por todas e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos — disse Patricia.

Os demais atores premiados — sem novidades, já que vinham colecionando estatuetas de premiações anteriores — também lembraram de minorias. A melhor atriz, Julianne Moore, falou das pessoas com Alzheimer, e o melhor ator, Eddie Redmayne, dos pacientes com esclerose lateral amiotrófica, ambos inspirados por seus personagens em Para Sempre Alice e A Teoria de Tudo, respectivamente.

Mesmo com as tiradas engraçadas do apresentador Neil Patrick Harris (a recriação da cena da cueca, de Birdman, foi impagável), esse foi um Oscar sério, de palavras sérias. Os músicos John Legend e Common arrancaram lágrimas da plateia com sua interpretação de Glory (do filme Selma), escolhida com justiça a melhor canção original. Parafraseando Nina Simone, John Legend acabou dando o tom da noite em seu discurso: “é o dever de um artista refletir o tempo em que vive”.

VEJA A LISTA COMPLETA DE PREMIADOS

Veja todos os ganhadores do Oscar 2015:
Melhor filme: “Birdman”
Melhor diretor: Alejandro González Iñárritu, “Birdman”
Melhor ator: Eddie Redmayne, “A Teoria de Tudo”
Melhor atriz: Julianne Moore, “Para Sempre Alice”
Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons, “Whiplash – Em Busca da Perfeição”
Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette, “Boyhood – Da Infância à Juventude”
Melhor roteiro original: “Birdman”
Melhor roteiro adaptado: “O Jogo da Imitação”
Melhor animação: “Operação Big Hero”
Melhor filme estrangeiro: “Ida”, da Polônia
Melhor documentário: “Citizenfour”
Melhor edição: “Whiplash – Em Busca da Perfeição”
Melhor fotografia: “Birdman”
Melhor direção de arte: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhores efeitos visuais: “Interestelar”
Melhor edição de som: “Sniper Americano”
Melhor mixagem de som: “Whiplash – Em Busca da Perfeição”
Melhor figurino: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhor cabelo e maquiagem: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhor trilha sonora original: “O Grande Hotel Budapeste”
Melhor canção original: “Glory”, do filme “Selma”
Melhor curta-metragem: “The Phone Call”
Melhor curta-metragem de animação: “O Banquete”
Melhor curta-metragem de documentário: “Crisis Hotline: Veterans Press 1″

Sobre os indicados a melhor filme

22 de fevereiro de 2015 0
Crédito: FOX Filmes

Crédito: FOX Filmes

O Oscar chega a sua 87ª edição neste domingo e com oito longas concorrendo na categoria principal — um a menos do que no ano passado. Apenas três dos candidatos a levar a estatueta de Melhor Filme passaram pelos cinemas de Caxias do Sul, apesar de todos terem estreado no Brasil. Ano passado, os títulos que chegaram por aqui vieram com atraso, depois da premiação. Que vergonha né…

Bom, seguem breves considerações a respeito de cada um dos concorrente a melhor filme, além de informações sobre as categorias de ator, atriz, direção e roteiro.

Bom Oscar a todos!

 

O GRANDE HOTEL BUDAPESTE
O longa de Wes Anderson carrega “grande” no nome e na forma. É impossível não se impressionar com takes muito coloridos, com belas composições que envolvem arquitetura, design, fotografia, moda, etc; da mesma forma que não dá para sair ileso das peculiaridades de cada um dos personagens um tanto bizarrinhos (a cara do diretor) do longa. Apesar do elenco cheio de estrelas (Ralph Fiennes, Adrien Brody, Willem Dafoe, Tilda Swinton), O Grande Hotel é favorito a abocanhar categorias mais técnicas, como design de produção, figurino, maquiagem e afins. Trata-se de uma aventura envolvente ao melhor estilo mocinhos e vilões, porém empacotada num visual de tirar o fôlego.
Outras indicações: diretor (Wes Anderson), roteiro original, fotografia, edição, design de produção, figurino, maquiagem e cabelo e trilha sonora
Em Caxias: o filme foi ignorado por GNC e Cinépolis em 2014, quando estreou. O UCS Cinema resgatou-o em duas sessões na semana passada, ambas com grande procura de público.

BOYHOOD
Vencedor do Globo de Ouro na categoria Drama, Boyhood carrega a mão na sensibilidade para falar da passagem do tempo. O aspecto mais inovador com relação à obra de Richard Linklater é ter filmado o mesmo elenco durante 12 anos, condensando em quase três horas de filme uma reflexão visual sobre o banal, o ordinário, ou seja, a vida de todos nós. É um filme para degustar com calma, observando grandes atuações (Ethan Hawke e Patricia Arquette estão ótimos) e se deixando levar pela proposta minuciosa do diretor. Merece a estatueta pela mescla de ousadia na forma com a poesia no conteúdo.
Outras indicações: diretor (Richard Linklater), ator coadjuvante (Ethan Hawke), atriz coadjuvante (Patricia Arquette), roteiro original, edição
Em Caxias: chegou em Caxias em dezembro, com um mês de atraso e somente no GNC

BIRDMAN
Junto com O Grande Hotel Budapeste, Birdman carrega o maior número de indicações neste Oscar: nove. O longa de Alejandro Gonzáles Iñárritu tem um valioso potencial crítico em seu roteiro, colocando o dedo na ferida da indústria cinematográfica “blockbusteriana”. Na história, um ator ex-intérprete de super-herói tenta reencontrar o sucesso. Com atuações memoráveis de Michael Keaton e Edward Norton, ambos super cotados para levar estatuetas, o longa também surpreende visualmente investindo no plano sequência como regra (ainda que não levada à risca) de montagem. É um tapinha na cara bem contemporâneo, que versa com inteligência e humor sobre redes sociais, celebridades, egos e, claro, arte.
Outras indicações: diretor (Alejandro Gonzáles Iñárritu), ator (Michael Keaton), ator coadjuvante (Edward Norton), atriz coadjuvante (Emma Stone), roteiro original, fotografia, edição de som e mixagem de som
Em Caxias: estreou no Brasil em 29 de janeiro — não há previsão para chegar em Caxias

O JOGO DA IMITAÇÃO
O maior trunfo aqui é revelar um personagem real antes pouco conhecido do grande público — salvo os viciados em History Channel. Apesar da infinidade de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, o britânico Alan Turing ainda habitava uma espécie de sombra face a grandes figuras do período. O filme dirigido por Morten Tyldum mostra o feito desse matemático brilhante em desvendar o código de comunicação usado pelos nazistas. Mas o mais interessante nem é isso, e sim adentrar o universo pessoal de Turing, compartilhando de seus dramas. A reflexão sobre violência que o filme propõe também é muito interessante.
Outras indicações: diretor (Morten Tyldum), ator (Benedict Cumberbatch), atriz coadjuvante (Keira Knightley), roteiro adaptado, edição, design de produção e trilha sonora
Em Caxias: o único entre os concorrente ao Oscar de Melhor Filme que está em cartaz em Caxias atualmente, no GNC e Cinépolis

SELMA – UMA LUTA PELA IGUALDADE
Selma é sobre a marcha histórica encabeçada pelo ativista Martin Luther King em luta pelos direitos dos negros ao voto, em 1965. Mas é em pequenas salas, gabinetes de políticos, auditórios e igrejas que a história se desenvolve, geralmente sob belas iluminações em tons quentes. É um filme de diálogos e discursos — e vale destacar a boa performance do protagonista David Oyelowo. O tema conduzido pela diretora Ava DuVernay é importantíssimo, mas parece pouco provável que a academia repita o prêmio para um filme com temática semelhante a do vencedor do ano passado, 12 Anos de Escravidão. Tem mais chance com Glory, bela canção original que fecha o filme.
Outras indicações: canção
Em Caxias: estreou no Brasil no dia 5 de fevereiro — não há previsão para chegar em Caxias

A TEORIA DE TUDO
Não espere uma grande viagem pela mente de um de um dos cientistas mais importantes e conhecidos da atualidade. Claro, ainda é Stephen Hawking o grande personagem do filme, mas o roteiro convencional prioriza o ponto de vista da primeira esposa dele, Janel Wilde, já que se baseia no livro de sua autoria. Apesar de ser um pouco chapa branca ao retratar personagens vivos, é mesmo assim envolvente e vale pela transformação que a doença degenerativa de Hawking provoca na vida do casal. A direção é de James Marsh.
Outras indicações: ator (Eddie Redmayne), atriz (Felicity Jones), roteiro adaptado e trilha sonora
Em Caxias: estreou no Brasil no dia 29 de janeiro — não há previsão para chegar em Caxias

WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO
Começa com um garoto meio antipático obstinado em se tornar o melhor baterista de jazz de sua época. Aí ele encontra um professor carrasco e, aos poucos, o longa do jovem diretor Damien Chazelle toma rumos inesperados e revela a provavelmente mais visceral das tramas concorrentes ao Oscar. A música é elemento dos mais importantes _ será baita injustiça se Whiplash não levar algum prêmio de som —, mas há uma carga de tensão que não deixa o espectador relaxar, mesmo com os ouvidos embalados pela beleza do jazz.
Outras indicações: ator coadjuvante (JK Simmons), roteiro adaptado, edição e mixagem de som
Em Caxias: estreou no Brasil no dia 8 de janeiro — não há previsão para chegar em Caxias

SNIPER AMERICANO
Mais recente incursão do gigante Clint Eastwood na direção, o filme foca atenções na vida do soldado Chris Kyle, que matou pelo menos 150 pessoas durante a Guerra do Iraque. Considerado um herói nos EUA, o personagem ganha a telona potencializado pelo talento de Bradley Cooper. Porém, num contexto político, Sniper é quase tão simplista quanto os faroestes recheados de americanos bonzinhos e índios vilões. Sobra patriotismo, o que prejudica outros bons aspectos com relação ao longa, porém, não o tira a chance de ser premiado com o Oscar (lembram de Guerra ao Terror?).
Outras indicações: ator (Bradley Cooper), roteiro adaptado, edição, edição de som e mixagem de som
Em Caxias: estreou no Brasil na última quinta-feira — não há previsão para chegar em Caxias

ATORES/ATRIZES
É claro que os prêmios que antecedem o Oscar dão um panorama do que deve acontecer na festa deste domingo, mesmo assim, sempre pode rolar aqueles azarões inesperados. Na categoria Melhor Ator, isso é mais fácil de acontecer, tendo em vista a disputa acirrada entre cachorros grandes. O favorito ainda é Eddie Redmayne e sua transformação física (a academia adora isso!) para viver o físico Stephen Hawking. Porém, a campanha a favor do jovem pode ter ficado estremecida com a estreia do fraco O Destino de Júpiter, sobre o qual a atuação de Redmayne tem recebido duras críticas. Por outro lado, temos Benedict Cumberbatch, que fez um trabalho espetacular em O Jogo da Imitação, Bradley Cooper, em sua terceira indicação ao Oscar consecutiva, além de Michael Keaton (arrasando em Birdman) e Steve Carell (outro que impressiona pela transformação física).

Já na categoria Melhor Atriz, é improvável que alguém tire o prêmio de Julianne Moore e seu sensível trabalho no filme Para Sempre Alice. Ela vive uma professora de 50 que descobre estar com Alzheimer. Vale lembrar que essa é a quarta vez que Julianne concorre.
Enquanto na escolha de Melhor Ator apenas um dos indicados está num filme que não concorre ao prêmio de Melhor Filme _ Steve Carell por Foxcatcher _ na categoria Melhor Atriz ocorre o oposto. Apenas Felicity Jones concorre por um filme que também está entre os melhores do ano: A Teoria de Tudo. As demais atuações foram reconhecidas por filmes não tão badalados, como o próprio Para Sempre Alice, Dois Dias, Uma Noite (com Marion Cotillard), Garota Exemplar (com Rosamund Pike) e Livre (com Reese Witherspoon).

DIREÇÃO
Não é muito comum que o prêmio de Melhor Filme, sempre o último a ser apresentado, seja entregue para a mesma obra que já ganhou a estatueta de Melhor Diretor. Num ano com tantos filmes bons concorrendo então, isso de fato não deve acontecer. Os mais cotados para receberem o prêmio são Alejandro Gonzáles Iñárritu (por Birdman) e Richard Linklater (por Boyhood). O mexicano recebeu apenas o prêmio do Sindicato dos Diretores, enquanto que o americano já levou Globo de Ouro, Critc’s Choice e Bafta. Talvez essa seja uma pista, mas não dá para esquecer que ainda temos o minuciosos trabalho de Wes Anderson frente O grande hotel Budapeste.

ROTEIRO ORIGINAL
Wes Anderson, em parceria com Hugo Guinness, pode abocanhar o prêmio pelo divertido roteiro de O Grande Hotel Budapeste. Mesmo assim, a disputa maior deve ficar, novamente, entre Birdman e Boyhood. O primeiro é mais ousado e engraçado, o segundo é mais reflexivo e poético. Os outros concorrentes são E. Max Frye e Dan Futterman (por Foxcatcher) e Dan Gilroy (por O Abutre).

ACOMPANHE
* O que: Oscar 2015
* Onde: diretamente do Dolby Theatre de Los Angeles
* Apresentação: Neil Patrick Harris (conhecido pela série How I Met Your Mother)
* Na tevê: a premiação será exibida por três canais neste domingo. A partir das 19h30min, o E! apresenta o Red Carpet. No TNT, a função da chegada das celebridades começa às 20h30min e a cerimônia às 22h. Na TV aberta, o Oscar será transmitido pela RBS TV após Big Brother Brasil. A apresentação será comandada por Maria Beltrão, com comentários do jornalista Artur Xexéo e do ator Lázaro Ramos

Vejam 'O Jogo da Imitação'

28 de janeiro de 2015 3

Gostei muito de O Jogo da Imitação, que está concorrendo a oito prêmios no Oscar 2015. Já assistiu? Está em cartaz em Caxias em pré-estreia.

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Entre códigos

Concorrente de A Teoria de Tudo — filme sobre o físico Stephen Hawking, que ainda não estreou por aqui — na disputa por quatros troféus do Oscar, o longa O Jogo da Imitação carrega outra similaridade com o primeiro título: retrata a história real de uma mente brilhante. Dirigido por Morten Tyldum, o drama em cartaz em Caxias do Sul deve surpreender espectadores, seja pelo impacto de sua trama, seja pela atuação sensível de Benedict Cumberbatch. O ator está no mínimo sensacional na pele de Alan Turing, matemático inglês contratado para decifrar os códigos de comunicação utilizados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Mas se Hawking é um personagem super popular e reconhecido mundialmente por suas ideias, O Jogo da Imitação ganha um ponto a seu favor por jogar luzes num protagonista praticamente desconhecido do grande público (pelo menos o brasileiro). Isso também abre as possibilidades para a construção da persona Turing, que ocorre sem pressa na telona. De início, o espectador se depara com um matemático arrogante e cheio de si, mas aos poucos vai descobrindo facetas cada vez mais humanas e dramáticas. Dono de um raciocínio quase impraticável até para os colegas que o acompanhavam na missão de decodificar a comunicação nazista, o matemático criou uma máquina capaz de obter êxito na missão ultra secreta. Mas, depois do grande feito, não colheu os louros exatamente. Solitário, suicidou-se aos 41 anos.

A construção da Inglaterra durante a Segunda Guerra é outro ponto positivo do filme, com carros, casas, bicicletas, uniformes, tudo impecável. A máquina criada por Turing, protótipo do que hoje conhecemos por computador, é um capítulo à parte. Visível no cartaz do filme, a imponente engenhoca deve ter dado um trabalhão para os responsáveis pela cenografia, mas valeu a pena. É incrível vê-la em funcionamento. O filme também passeia pelas décadas de 1920, com um Turing adolescente descobrindo o amor, e 1950, com o protagonista depressivo e vítima de um tratamento assustador aplicado em homossexuais no Reino Unido do passado, a castração química.

O longa ainda carrega passagens mais leves, que dão movimento à história. Craque da criptografia, Turing era incapaz de entender os códigos humanos (sobretudo os femininos), usados no dia a dia. Isso motiva cenas interessantes.

Pode ser pela inteligência assustadoramente engenhosa, pela contribuição real que deixou à história (estima-se que a máquina criada por ele tenha abreviado a guerra em pelo menos dois anos, além de ter poupado milhões de vidas), ou mesmo pela atuação emocionante de Cumberbatch; fato é que o espectador sai do cinema ao mínimo feliz por ter descoberto um personagem tão rico. Se era para prestar uma homenagear póstuma a Alan Turing, o O Jogo da Imitação mostra-se muito mais adequado do que o perdão real (pela condenação por homossexualidade) concedido pela rainha Elisabete II, no tardio 2013.

As oito indicações do filme ao Oscar
Filme
Ator (Benedict Cumberbatch)
Diretor (Morten Tyldum)
Roteiro adaptado
Trilha sonora
Atriz coadjuvante (Keira Knightley)
Edição
Design de produção