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Posts do dia 4 outubro 2007

Lost in Translation (Puuuuutz!)

04 de outubro de 2007 5

A turma que batiza os filmes estrangeiros no Brasil não se acomoda e sempre tenta se superar na falta de noção. Nesta sexta, entram em cartaz mais dois  títulos esdrúxulos. The Ugly Duckling and Me!, o original que faz referência à fabula do Patinho Feio, virou…. Putz! A Coisa Tá Feia. Já Metal: A Headbanger’s Journey ficou redundante como Metal: Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal – menos mal que não inventaram A Jornada dos Metaleiros, termo, aliás, que um verdadeiro headbanger tem pavor.

Títulos brasileiros se equivocam até quando ficam em cima do muro. Lembrei de uns que colocaram um penduricalho nacional sobre o original (nunca vi ninguém se referir a esses filmes pelo nome em português):

Blow-up – Depois Daquele Beijo

Blade Runner – O Caçador de Andróides

Arizona Dream – Um Sonho Americano

Barton Fink – Delírios de Hollywood

Basquiat – Traços de uma Vida

Boogie Nights – Prazer Sem Limites

Minority Report – A Nova Lei

 

Piores são os que saem amarrados a sua tradução literal:

Taxi Driver – Motorista de Táxi

Ponto Final – Match Point

Pretty Baby – Menina Bonita

Blue Sky – Céu Azul

 

Os que patinam na redundância:

O Galinho Chicken Little e O Pequeno Stuart Little

 

Tem o vamos trocar tudo:

O Abilolado Endoidou, comédia com Peter Sellers (I Love You, Alice B. Toklas!)

Assim é que Elas Gostam, nome de pornochanchada para um filme estrelado por Henri Fonda (The Male Animal)

 Uma Rua Chamada Pecado, que não é ruim, mas por que trocar Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire), nome pelo qual a peça de Tennessee Williams é conhecido?

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, para o singelo Annie Hall

Daunbailó, estúpido aportuguesamento de Down by Law

 Encontros e Desencontros (tem pencas desse nome) para Lost in Translation.

 

E os que parecem melhorar o original:

 Assim Caminha a Humanidade tem mais estofo que Giant

 Onde Começa o Inferno soa mais épico que Rio Bravo

 Juventude Transviada tem tanto a ver com sua época quanto Rebel Without a Case

Suplício de uma Saudade parece romântico como Love Is a Many-Splendored Thing

Os exemplos são infinitos. Quais são os seus favoritos?

Postado por Marcelo Perrone

ALEXANDER KLUGE NA SALA P. F. GASTAL

04 de outubro de 2007 0

Instituto Goethe/Divulgação
A partir de terça-feira que vem, dia 09/10, vai rolar na Sala P. F. Gastal uma baita retrospectiva de filmes do cineasta alemão Alexander Kluge. Apesar de não ser muito conhecido por aqui, Kluge é um nome fundamental na cultura fílmica na Europa da segunda metade do século 20, um dos pais do Novo Cinema Alemão – ao lado de cineastas como Werner Herzog, Wim Wenders, Rainer Werner Fassbinder e Edgar Reitz.

Dá uma parada na correria pra ler o release abaixo, que explica quem é Kluge e informa quais filmes dele e quando eles serão exibidos. Mais informações sobre Kluge você encontra aqui.

ALEXANDER KLUGE – RETROSPECTIVA

Praticamente nenhum outro artista ou intelectual na Alemanha impulsiona de forma tão intensa o cinema, a TV e a literatura quanto Alexander Kluge, há várias décadas. Ele foi um dos fundadores do Novo Cinema Alemão, há 20 anos enriquece a TV comercial com extraordinários programas de cunho cultural em nichos específicos e é visto regularmente na função de cronista-narrador ou como teórico, procurando sempre entrelaçar estas formas de apresentação. Cineasta e escritor multipremiado, Kluge destaca-se também como produtor de TV e entrevistador.

Detentor do Leão de Prata em 1966, por Despedida de Ontem, o Leão de Ouro em 1968, por Artistas na Cúpula do Circo: Perplexos, e de um segundo Leão de Ouro em 1982, pelo conjunto de sua obra, Kluge acaba de ser novamente homenageado pelo Festival de Cinema de Veneza, que neste ano, tal como o cineasta, completou 75 anos. A convite do Festival, o cineasta produziu e apresentou a série “75 Anos de Cinema”, em seis programas de 100 minutos, para o qual reuniu material em grande parte inédito e filmes-minuto, formato desenvolvido pelo próprio Kluge para a TV. Nesses filmes, em parte rodados nos anos 60, no Lido, Kluge condensou as relações entre cinema, artes plásticas, música e ópera “de forma admiravelmente elegante e soberana”, segundo Marco Müller, diretor do Festival. Durante a permanência em Veneza, Kluge foi entrevistado por Bruno Fischli, ex-diretor do Goethe-Institut São Paulo e atual diretor do Departamento de Artes da Central do Goethe-Institut em Munique. A entrevista – %22Alexander Kluge: o Quinto Ato. Uma Conversa com Bruno Fischli%22 -, realizada especialmente para a retrospectiva em São Paulo, será exibida no domingo, 14/10, às 18:30h.

Kluge completou 75 anos em fevereiro passado. Em comemoração à data, o Goethe-Institut, numa iniciativa conjunta com a Edição Filmmuseum/Museu de Cinema de Munique, planejou uma edição em DVD com a obra completa do cineasta. A primeira parte do projeto, já finalizada, traz, em 16 DVDs, a obra de Kluge para o cinema, com 57 longas, curtas e filmes-minuto, num total de pouco mais de 34 horas de projeção. Este patrimônio fílmico, legendado em português, estará disponível na Filmoteca do Goethe-Institut São Paulo para empréstimo a instituições. A segunda parte, uma volumosa coletânea dos trabalhos realizados para a TV, será produzida em breve.

     09/10 (terça-feira)

     

     16h – A Patriota (Die Patriotin) de Alexander Kluge. Alemanha,1979, 16mm, 121min, 16 anos. Com Alfred Edel, Wolf Hanne, Hans Heckel.      

     Legendas em português.  121min.

O filme é uma reflexão crítica e ao mesmo tempo divertida sobre a história alemã, mostrada por meio de uma sucessão de fragmentos.

A professora de história Gabi Teichert (Hannelore Hoger) busca as raízes da História alemã. É preciso descobri-la, se não quisermos ser mortos por ela. De modo condizente com sua profissão, Gabi Teichert é uma combatente coerente em favor da formação e do esclarecimento. No congresso do Partido Social-Democrata (SPD), no Dia da Penitência na Alemanha e no feriado do Advento, envolvida com o cotidiano do magistério e ávida por mudanças em sua vida pessoal: em busca de uma República pela qual valha a pena se engajar.

       18h30 – Trabalho Ocasional de Uma Escrava (Gelegenheitsarbeit einer Sklavin) de Alexander Kluge. Alemanha, 1973, 91min, 16mm, 16 anos. Com Alexandra Kluge, Franz Bronski, Suliva Gartamann. Legendas em espanhol.

Roswita Bronski é casada, tem três filhos e dirige uma agência clandestina de aborto.

Quando o lugar é fechado pela polícia, ela deixa o ramo e começa a fazer agitação   política na fábrica onde seu marido trabalha.


     20h30 – Despedida de Ontem (Abschied von Gestern) de Alexander Kluge. Alemanha,1966. Com Alexandra Kluge, Gunther Mack, Hans Korte. Legendas em espanhol. 79min.

     Judia foge da Alemanha Oriental em busca de uma sociedade onde possa viver livremente. Logo perceberá que no mundo capitalista a vida não será muito melhor. Ficará submetida a uma ditadura não menos cruel, a econômica, e ela é pobre.      


     10/10 (quarta-feira)  

    16h – O Poder dos Sentimentos (Die Macht der Gefühle) de Alexander Kluge. Alemanha, 1983, 16mm, 120min, 16 anos. Com Hannelore Hoger, Alexandra Kluge, Edgar Boehlke. Legendas em português . 120%27.


Em mais de 20 pequenas histórias, Kluge mostra o poder e o efeito dos sentimentos  e sua organização através da razão, utilizando para isso sua típica colagem de imagens e sons. 


       18h30 – O Ataque do Presente no Resto do Tempo (Der Angriff der Gegenwart auf Die Ubrige Zeit) de Alexander Kluge. Alemanha, 1985, 16mm, 113 min, 16 anos. Com Jutta Hoffmann , Armin Mueller-Stahl, Michael Rehberg.  Legendas em português. 113%27.

Em 1939, em Varsóvia, um casal de zeladores protege o patrimônio da história do cinema polonês em estúdios vazios e sua filha se entrega a um soldado alemão. Um cineasta fica cego durante uma filmagem, mas a produção não para por conta do contrato.

 

     20h30 –   Ferdinand, o Forte (Der Starke Ferdinand) de Alexander Kluge.  Alemanha, 1976, 97min, 16 anos. Com Joachim Hackthal, Gert Günther , Erich Kleiber. Legendas em português. 97%27.

O patético chefe de segurança de uma fábrica é obcecado em proteger sua instituição de ataques de grupos, como a Facção do Exército Vermelho (RAF). Sua paranóia e seus métodos não são bem aceitos pela companhia. 


11/10 (quinta-feira)

     16h – O Candidato (Der Kanditat) de Alexander Kluge. Alemanha, 1980. Legendas em português. 129min. Cópia em DVD.

Documentário. Uma análise crítica da candidatura de Franz-Josef Strauss pelo partido CSU, para a chancelaria alemã.

     18h30 – No Perigo e na Penúria, o Meio Termo Leva à Morte (In Gefahr und grösster Not bringt der Mittelweg den Tod) de Alexander Kluge. Alemanha, 1974. Com Dagmar Bödderich, Jutta Winkelmann, Norbertg Kentrup. Legendas em português. 90%27.

O filme apresenta quatro linhas paralelas de ação – uma agente da Alemanha Oriental está em missão de espionagem e realiza pesquisa pouco ortodoxa; uma prostituta rouba seus clientes; a luta por moradias em Frankfurt; o mundo através de reportagens de TV sobre atualidades e cenas do carnaval da cidade.

 

     20h30 – Os Artistas na Cúpula do Circo: Perplexos (Die Artisten in the Zirkuskuppel: Ratlos) de Alexander Kluge. Alemanha, 1967. Com Hannelore Hoger, Sigi Graue, Alfred Edel. Legendas em espanhol. 104min.

A dona de um circo resolve reorganizá-lo com um sentido renovador, para apresentar a vida dos animais. Seu plano não dá certo, por falta de público. Apela então para apresentações na televisão.

12/10 (sexta-feira)

     16h – O Poder dos Sentimentos (Die Macht der Gefühle) de Alexander Kluge. Alemanha, 1983, 16mm, 120min, 16 anos. Com Hannelore Hoger, Alexandra Kluge, Edgar Boehlke. Legendas em português. 120%27.

Em mais de 20 pequenas histórias, Kluge mostra o poder e o efeito dos sentimentos  e sua organização através da razão, utilizando para isso sua típica colagem de imagens e sons.

     18h30 – A Indomável Leni Peikert (Die Unbezähmbare Leni Peikert) de Alexander Kluge. Alemanha, 1969. Com Hannelore Hoger, Alfred Edel. 60min. Complemento – Amor Cego – Conversa com Jean-Luc Godard (Blinde Liebe – Gespräch mit Jean-Luc Godard) de Alexander Kluge. Alemanha, 2001. 24min. Legendas em português. Cópias em DVD.

Novos empreendimentos da dona de circo Leni Peickert. A artista em fúria luta por espaço na programação da tv.     

     20h30 – Despedida de Ontem (Abschied von Gestern) de Alexander Kluge. Alemanha,1966. Com Alexandra Kluge, Gunther Mack, Hans Korte. Legendas em espanhol. 79min.

Judia foge da Alemanha Oriental em busca de uma sociedade onde possa viver livremente. Logo perceberá que no mundo capitalista a vida não será muito melhor. Ficará submetida a uma ditadura não menos cruel, a econômica, e ela é pobre.


13/10 (Sábado)

     16h – Guerra e Paz (Krieg unt Frieden) de Alexander Kluge. Alemanha,1982. Com Jürgen Prochnow, Günther kaufmann, Manfred Zapatka. Legendas em português. 123min. Cópia em DVD.

Grupo dirige projeto ligado ao rearmamento.

     18h 30 – O Grande Caos (Der Grosse Verhau) 1970. Com Vinzenz Sterr, Maria Sterr, Sigi Grave. Legendas em português. 86min. Cópia em DVD.

Em 2034 o espaço está administrado por corporações gananciosas e submerso em burocracia. Dois astronautas, não muito espertos, vão levando a vida através de procedimentos nebulosos e não muito honestos.

     20h30 – Notícias Variadas (Vermischte Nachrichten) de Alexander Kluge. Alemanha, 1986. Com Norbert Blüm, Marita Breuer, Claudia Buckler. 103min. Legendas em português. Cópia em DVD.

Mulher ouve e conta algumas histórias, como do soldado perdido em Stalingrado, da convenção militar européia, da visita de Helmut Schmidt a Erich Honecker, do atendente e da senhora negra, entre outras.

14/10 (domingo)

     16h – A Patriota (Die Patriotin) de Alexander Kluge . Alemanha,1979, 16mm, 121min, 16 anos. Com Alfred Edel, Wolf Hanne, Hans Heckel. Legendas em português.  121min.

O filme é uma reflexão crítica e ao mesmo tempo divertida sobre a história alemã, mostrada por meio de uma sucessão de fragmentos.

A professora de história Gabi Teichert (Hannelore Hoger) busca as raízes da História alemã. É preciso descobri-la, se não quisermos ser mortos por ela. De modo condizente com sua profissão, Gabi Teichert é uma combatente coerente em favor da formação e do esclarecimento. No congresso do Partido Social-Democrata (SPD), no Dia da Penitência na Alemanha e no feriado do Advento, envolvida com o cotidiano do magistério e ávida por mudanças em sua vida pessoal: em busca de uma República pela qual valha a pena se engajar.

       18h30 – Curtas metragens dirigidos por Alexander Kluge e uma entrevista concedida pelo diretor a Bruno Fischli, durante o último Festival de Cinema de Veneza:

     Brutalidade em Pedra (Brutalität in Stein, 1960, 35 mm, p&b, 12 min, 16 anos). Produção, roteiro, direção: Alexander Kluge, Peter Schamoni

Primeiro filme de Kluge realizado em colaboração com Peter Schamoni, procura estabelecer paralelos entre a arquitetura e a visão de mundo nazista. Com recursos limitados, porém expressivos, mostra como as construções se tornam aos poucos monumentais.

%22A película traz não só informações de interesse e esclarecimentos sobre a história da cultura alemã, mas é também um documento das primeiras tendências de renovação do cinema do pós-guerra da Alemanha Ocidental.%22 (Ulrich Gregor)

  Professor em transformação ( Lehrer im Wandel, 1962/63, 35 mm, p&b, 11 min, 16 anos).Produção, roteiro, edição, direção: Alexander Kluge.

A partir de três exemplos concretos, Kluge ilustra uma %22Educação sem perspectivas%22 (intertítulo). Inicialmente, aborda a vida de Adolf Reichwein, que havia sido professor e funcionário do ministério prussiano. Sob o regime nazista, ele se retira para uma escola de aldeia, onde existe uma única classe, e lá desenvolve um modelo pedagógico. Em 1944 é enforcado. Friedrich Rühl, outro pedagogo apaixonado, acreditava no poder da educação. Em 1944 é obrigado a liderar um grupo de alunos na frente de batalha, na qual apenas quatro sobrevivem. Margit M. era adepta da chamada reforma escolar geral. Ela não acreditava ser capaz de dar aulas %22sob o domínio do partido%22. Depois, mesmo assim, assume um cargo pedagógico na Alemanha Oriental e é despedida por %22teimosia pedagógica%22.

     Retrato de quem deu certo (Porträt einer Bewährung, 1964, 35 mm, p&b, 10 min, 16 anos). Produção: Kairos-Film .Roteiro e direção: Alexander Kluge

Relata a história do ex-guarda policial Karl Müller-Seegeberg, um oportunista que serviu a seis governos e %22sempre se deu bem%22. Uma construção típica de Kluge, que pretende mostrar como uma virtude levada às últimas conseqüências paralisa todas as outras qualidades.

      Sra. Blackburn ( Frau Blackburn, geb. 5. Jan. 1872, wird gefilmt, 1967, 35 mm, p&b, 14 min, 16 anos). Produção: Kairos-Film. Câmera: Thomas Mauch. Edição: Beate Mainka-Jellinghaus.Roteiro e direção: Alexander Kluge

O primeiro filme de Kluge sobre um membro de sua própria família. A Sra. Blackburn, de 95 anos de idade, é sua avó. Kluge a leva a fazer relatos e a improvisar e também introduz uma pequena ação narrativa (sobre a venda de brincos).

     Bombeiro (Feuerlöscher E. A. Winterstein , 1968, 35 mm, p&b, 11 min, 16 anos). Produção: Kairos-Film. Câmera: Edgar Reitz, Thomas Mauch. Edição: Beate Mainka-Jellinghaus. Roteiro e direção: Alexander Kluge.

Um filme aparentemente confuso, composto de material oriundo de documentários e sobras de filmes de ação ( Despedida de ontem). Fogos de artifício da arte da associação e da montagem. É importante por ser o primeiro filme de Kluge em que aparece a figura do bombeiro, o tipo ideal de Kluge, que deve apagar o fogo da política e da História. 
 


     Documentário Alexander Kluge: o 5º ato. Uma conversa com Bruno Fischli
(2007,colorido,DVD,28min.

Legendas em português).
Produção: Goethe Institut
Filmes e trechos de filmes de Alexander Kluge
Som: Michael Kurz
Câmera: Thomas Willke
Montagem: Annette Rupp

Entrevista com Alexander Kluge realizada por Bruno Fischli no Festival de Veneza de 2007 especialmente para a mostra Alexander Kluge: o quinto ato.

     20h30 – No Perigo e na Penúria, o Meio Termo Leva à Morte No Perigo e na Penúria, o Meio Termo Leva à Morte (In Gefahr und grösster Not bringt der Mittelweg den Tod) de Alexander Kluge. Alemanha, 1974. Com Dagmar Bödderich, Jutta Winkelmann, Norbert Kentrup. Legendas em português. 90%27.

O filme apresenta quatro linhas paralelas de ação – uma agente da Alemanha Oriental está em missão de espionagem e realiza pesquisa pouco ortodoxa; uma prostituta rouba seus clientes; a luta por moradias em Frankfurt; o mundo através de reportagens de TV sobre atualidades e cenas do carnaval da cidade.

Postado por Roger Lerina

Pra Frente Brasil

04 de outubro de 2007 0

Michel Joelsas é o protagonista/Buena Vista
Titular da coluna Bola Dividida e vizinho do Segundo Caderno, o Mário Marcos de Souza passa muito tempo dentro do cinema e promete aparecer de vez em quando por aqui. Aproveitando que O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias voltou a cartaz (no Cinemark), como representante do Brasil na briga por uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro, o Mario Marcos mandou seu primeiro texto. 

 

Se você não viu O Ano em que Meus Pais Saíram de férias quando ele foi exibido em Porto Alegre, não perca a chance agora. A partir de sexta-feira, no embalo da indicação para tentar representar o Brasil no Oscar, O Ano… volta a cartaz. É um dos grandes filmes da temporada, um dos melhores da nova produção do cinema nacional. Você vai vibrar com a história, passada nos tumultuados tempos da ditadura, e de quebra ajudará a corrigir uma injustiça que tem incomodado admiradores da obra de Cao Hamburger – a de que o filme foi indicado por ter características que agradam à Academia de Hollywood. Não foi por isso.

A indicação, superando o favoritismo repentino de Tropa de Elite, se deveu às qualidades do filme de Hamburger, a uma história comovente, a personagens que fazem rir e chorar, e por mostrar com riqueza de detalhes as dificuldades de quem viveu naquela época. Tão difícil que até o ato de torcer pela Seleção causava dor e constrangimento. A gente vibrava quase com vergonha, ficava constrangido de festejar as vitórias daquele time excepcional de Pelé porque tudo isso parecia uma rendição aos generais da ditadura - isso até Jairzinho, Pelé e Tostão marcarem seus gols, claro. Aí, esquecia-se por alguns momentos das perseguições e da censura para vibrar com a seleção. Não deixe de ir ao cinema. Você fará uma comovente viagem no tempo.

Postado por Mario Marcos de de Souza

As Leis de Família

04 de outubro de 2007 0

Daniel Hendler e o menino Eloy Burman/Imovision
 

O Daniel Feix, ex-editor da revista Aplauso, é nosso novo colega aqui no Segundo Caderno. Mal chegou e já estréia na Primeira Fila comentando o filme argentino As Leis de Família. Para quem não leu o que ele escrevou na edição desta quinta, aí vai:   

 

Mesmo que Daniel Burman tenha surgido em meio a uma das gerações mais destacadas e diversificadas do cinema latino-americano, a da chamada nueva onda, o diretor argentino de 34 anos constitui um caso não muito comum hoje em dia: o daqueles cineastas que, como o norte-americano Hal Hartley e o francês Robert Guédiguian, tratam de temas complexos, importantes e até graves de uma maneira discreta, delicada, sutil _ e ainda assim conseguem ser tão ou mais enfáticos do que muitos que optam por propostas mais ambiciosas. Tanto em As Leis de Família, em cartaz em Porto Alegre, quanto em Esperando o Messias (2000) e O Abraço Partido (2004), seus outros filmes lançados no Brasil, o registro é o da crônica cotidiana. O protagonista é sempre vivido pelo ator Daniel Hendler, chama-se Ariel e tem alguns traços de personalidade invariáveis - vivencia de maneira ativa a sua religiosidade judaica, mantém certa distância afetiva das pessoas com as quais convive etc. O caráter autobiográfico da trilogia é explícito, apesar do jogo ficcional proposto por Burman, que altera o sobrenome do personagem principal a cada produção: antes houve o dia-a-dia no bairro portenho Once (onde o diretor viveu sua infância e adolescência), agora há a relação ambígua com o pai (presente mas não tão próximo) e também a menção ao nascimento de seu primeiro filho (o que aconteceu com Burman durante a realização de O Abraço Partido e sucede com o Ariel de As Leis de Família, com a criança inclusive sendo interpretada pelo filho do diretor). Diferentemente do Antoine Doinel de François Truffaut, no entanto, os conflitos propostos pelo argentino com o seu alter ego não se concentram sobretudo nas relações amorosas. Aqui, o foco principal é a família. Mas nada que lembre um Felicidade, de Todd Solondz, ou um Festa de Família, de Thomaz Vinterberg _ embora aspectos da relação entre pai e filho sejam absolutamente problemáticos. Burman prefere o detalhe, a insinuação. Mais que isso, em vez de afirmações categóricas ou inflexíveis, busca as contradições desta relação. Também vai da comédia ao melodrama com incrível facilidade _ o que permite concluir que se trata no mínimo de um realizador já bem próximo de desenvolver um estilo próprio, isso também um caso não tão comum hoje em dia. Passados 12 anos do lançamento de Histórias Breves, compilação com os curtas-metragens de estréia de Burman, Lucrecia Martel, Pablo Trapero e outros seis diretores argentinos que se convencionou chamar de marco inicial do novo cinema do país vizinho, pode-se dizer que a nueva onda está mais que afirmada, caminhando para não ser apenas mais um entre tantos ciclos passageiros, tão comuns às cinematografias periféricas como as da América Latina.

Postado por Daniel Feix