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Posts do dia 12 outubro 2007

Ainda parece um transe

12 de outubro de 2007 2


por MARCELO MUGNOL

Paulo Autran (1922-2007) amou o teatro como poucos, menosprezou a televisão e fez menos cinema do que desejou. Sua estréia ocorreu na Vera Cruz, com Veneno e Apassionata, ambos de 1952. Na carreira atuou em cerca de 20 filmes. Seu mais recente é El Pasado, de Hector Babenco. O filme abre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, dia 18.

Quem viu Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, não esquece de um sem fim de cenas impressionantes e delirantes. Nem por isso, Paulo Autran se perdeu nessa profusão de desejos vertiginosos. Ele interpreta o Senador Porfírio Diaz, um tecnocrata que apoiou o presidente da República d%27Eldorado. E lógico, prepara o terreno para suceder o %22amigo%22.

Autran externaliza a ira daquele Glauber em transe, como poucos. Seja dentro da igreja, envolto pelas imagens sacras, seja no alto de um morro tremulando uma bandeira, em meio a uma forte ventania. Autran dizia que Terra em Transe era um dos melhores filmes da história do cinema brasileiro. Não à toa, era uma linguagem que se aproximava do teatro.

Da cinematografia recente, destacam-se A Máquina (2005), de João Falcão, e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006), de Cao Hambuger. Em A Máquina, Autran parece buscar uma certa inspiração naquele transe de Glauber. O texto é voraz, o movimento de câmera impressionante, e Autran, como de costume, deixou a sua marca. O filme não seria o mesmo sem ele.

Em O Ano, escolhido para concorrer a uma vaga no Oscar de melhor filme estrangeiro, o ator faz apenas uma pontinha. Interpreta o avô do menino Mauro. Não há a eloquência, nem a sombra do transe de Glauber. E nem precisa. Em poucos minutos Autran nos conquista com aquele aura do avô que todo mundo idealiza. A morte do personagem é mais do que mis en scène. Reveja O Ano e perceba o quanto dolorosa é a ida daquele avô. Ainda parece um transe. Mas é morte.

Postado por Marcelo Mugnol

Grande Paulo Autran

12 de outubro de 2007 1

Paulo Autran e Gael García Bernal em /Christiana Carvalho/ DVG
Foi confirmada há pouco a morte de Paulo Autran, grande ator com trabalhos memoráveis no cinema nacional, entre eles o papel do líder político conservador Porfírio Diaz no aclamado Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. Recentemente, Autran fez participações em A Máquina, de João Falcão, e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburguer.

Seu último trabalho no cinema foi em O Passado, filme de Hector Babenco que será exibido na próxima semana na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – a estréia nos cinemas está prevista para o próximo dia 26. Seu personagem, Professor Pousièrre, é um conferencista francês que tem uma palestra traduzida pelo protagonista, Rimini, vivido pelo mexicano Gael García Bernal.

Postado por Marcelo Perrone

César Charlone reza por Blindness

12 de outubro de 2007 1

Mi Señor, haga con que la película tenga éxito.../Enio Berwanger/Divulgação

Porto-alegrense que já trabalhou em Los Angeles, radicado há um tempão em São Paulo, o fotógrafo e diretor de fotografia Enio Berwanger já fotografou personalidades como o cineasta Walter Hugo Khouri, o escritor Sidney Sheldon e o ator Paulo Autran para revistas da Editora Abril. Atualmente, Berwanger dedica-se exclusivamente à direção de fotografia para filmes publicitários, documentários e longas de ficção. Passa lá no site dele pra dar uma olhada nos trabalhos legais do fotógrafo

Pois o gaúcho acompanhou por alguns dias as filmagens de Blindness em São Paulo. Amigo do diretor de fotografia uruguaio César Charlone - que está trabalhando no novo longa de Fernando Meirelles -, Berwanger clicou o colega descansando em uma das locações paulistanas da produção, na semana passada, dentro da Igreja da Consolação. Olha só que legal o retrato aí em cima.

- O César estava sozinho num canto da igreja, concentrado em estudar os movimentos de câmera que havia ensaiado com uma pequena câmera e passado para o computador - disse Berwanger para o Primeira Fila.

O diretor de fotografia Charlone, aliás, estreou tri bem como realizador e roteirista com o longa El Baño del Papa (2005), excelente filme sobre um episódio verídico passado em uma cidadezinha uruguaia durante uma visita do papa João Paulo II em 1988. Co-dirigido por Enrique Fernández, El Baño... participou da disputa oficial do Festival de Cannes e levou cinco prêmios no último Festival de Gramado: Prêmio do Júri Popular e da Crítica de Melhor Filme Latino, Melhor Ator (o excelente César Troncoso), Melhor Atriz (Virginia Méndez) e Melhor Roteiro - todos na competição latina.

Dá só uma olhada aqui no trailer do filme:

 

Postado por Roger Lerina

Proibido Proibir vence em Bogotá

12 de outubro de 2007 0

Maria Flor, Caio Blat e Alexandre Rodrigues /Mais Filmes

Recado da colega Caroline Torma, que está em viagem pela Colômbia:

O longa brasileiro Proibido Proibir, de Jorge Durán, foi o ganhador da mostra internacional da 24ª edição do Festival de Cinema de Bogotá, encerrado na noite desta quinta na capital colombiana. Proibido Proibir tem no elenco Caio Blat, Maria Flor e Alexandre Rodrigues e conta a história de três amigos universitários que protagonizam um triângulo amoroso. A trama se passa no Rio de Janeiro e revela o cotidiano de violência da cidade.
Outro filme brasileiro também era favorito ao prêmio. Mutum, da diretora Sandra Kogut, baseado na obra de Guimarães Rosa, venceu recentemente o Festival do Rio e, embora não tenha saído premiado de Bogotá, tem recebido elogios da crítica por onde é exibido, como nos festivais de Cannes e Toronto.

A produção colombiana Satanás, escolhida para representar o país na disputa por uma vaga no Oscar de filme estrangeiro, tinha a preferência do público local. Ainda sem previsão de estréia no Brasil, o filme se passa em Bogotá e conta a história de um veterano da Guerra do Vietnã.

Postado por Marcelo Perrone