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Posts do dia 15 outubro 2007

Pampa estranho pampa que certa feita escondia Blau

15 de outubro de 2007 1

André Costantin/Divulgação

Por Marcelo Mugnol

Se Blau Nunes anda divagando pampa afora, ninguém sabe. Nem mesmo André Costantin, documentarista caxiense que recém lançou Blau Nunes, O Vaqueano, seu segundo filme selecionado pelo prêmio DOC TV. O documentário será exibido hoje e amanhã, às 20h, na Sala de Cinema Ulysses Geremia (Centro de Cultura Ordovás, em Caxias). A entrada é franca.

Blau Nunes, O Vaqueano poderia ser só uma tentativa de personificar essa mítica figura que ninguém sabe se existiu ou foi só um espectro de Simões Lopes Neto. Só isso bastaria. No entanto, Costantin vai mais além. Aproxima dois distantes universos. Aproxima as contradições daquele passado poético e lendário de Lopes Neto (ou seria Blau Nunes?) com o tempo atual, e estabelece um diálogo com esse gaúcho estranho, que mesmo à cavalo parece léguas distante do pampa.

Blau é retratado nesse descampado. Solito. Crava o pé na pedra, acomoda o cotovelo no joelho, a mão no queixo, e olha ao longe, procurando uma pista qualquer do sentido do gaúcho. Um ator interpreta Blau, que interpreta o pampa sob a luz de Simões Lopes Neto, que é revisto por Costantin na voz de Vitor Ramil. É inquieta e reveladora a construção dessas múltiplas vozes. Mais delirante ainda é o diálogo entre duas fortes e determinantes imagens:

1) daquele pampa dos raios de sol atravessando as densas nuvens, de Blau,

2) da Pelotas (terra que parece perdida no tempo) chuvosa e serena, de Ramil.

A primeira, é recriada por Costantin. É aquela densa imagem do pampa que não precisaria ser filmada, porque todos, que de alguma forma, tiveram um mínimo contanto com a cultura gaúcha, têm impregnada na retina. O horizonte sem fim, enquadrando nos limites do céu nebuloso, acima, e da grama verde, abaixo. O gaúcho valente, guerreiro e truculento, ou o gaúcho apaixonado, acolhedor e honrado, só existe na memória de Blau. E passa a reencarnar na memória do espectador quando Costantin nos revela Blau nesse descampado do pampa do passado.

A segunda imagem nasce do olhar de Costantin pelo nosso tempo, seja da Pelotas (perdida no tempo) ou de Porto Alegre (mais veloz do que o próprio tempo). Começa por Pelotas, seguindo Ramil e sua estética que vem impregnada no tênis (não nas botas de couro) e arrasta-se pela América Latina. Entre as poças d%27água na calçada, Ramil narra um certo desconforto, tenta reatar a lucidez perdida em alguma estância. Mas é mais poesia do que verborragia. É a imagem desse novo tempo, rápida, abrupta, câmera inquieta na mão, enquadramento relapso, passo ligeiro, chuva fina, sem fim.

Transitando entre esses dois cenários, do passado contemplativo, ao futuro vertiginoso, Costantin dá voz às histórias contadas por Blau Nunes (ou seriam documentadas por Simões Lopes Neto?). São colagens de depoimentos de gaúchos de todas as querências pontuadas pelo texto do escritor. Histórias de amor e morte, sem a tresloucada passionalidade de Julio Reny, mas com a veracidade do sangue escorrendo da ponta da faca. Tudo é verdade e ficção ao mesmo instante poético. Mesmo aquele amor conquistado com bravura, pode ser só um delírio de Blau Nunes.

Delírio ou não, Costantin não tem medo de revelar o truque que nos prende ao filme. Não é como chegar ao fim de uma jornada e perceber que não andamos um centímetro sequer. É mais denso e profundo, é dar-se conta da finitude do mito. Nem por isso, do seu completo esquecimento. No entanto, Blau segue, e seguirá eternamente, sendo velado à sombra de algum arranha-céu de alguma cidade desse rincão chamado Rio Grande. E nem mesmo a música de Ramil vai despertá-lo.

Blau Nunes, O Vaqueano. De André Costantin. 52min, 2007.

Co-produção: André Costantin / Transe Imagem / TVE – RS / Fundação Padre Anchieta – TV Cultura

Postado por Marcelo Mugnol

Os caveiras de Hong Kong

15 de outubro de 2007 0

reprodução
Bah, todo mundo quer tirar uma casquinha do sucesso de Tropa de Elite. Adivinhem o nome que ganhou no Brasil Chung Chong Ging Chaat, filme de ação feito em Hong Kong que sai direto em DVD na semana que vem. A produção, anunciada como %22repleta de adrenalina%22, mostra um grupo de policiais que decide roubar criminosos locais para bancar a cirurgia de um parceiro ferido e ameaçado de ficar paralítico. Para investigar quem são os ladrões que roubam ladrões e provocam uma guerra na cidade, entra em cena a tal tropa de elite deles _ %22e assim começa uma caçada alucinante, onde um tropeço pode custar a liberdade ou mesmo a própria vida%22, informa a divulgação.

Postado por Marcelo Perrone

Olho por olho, rabo por rabo

15 de outubro de 2007 0


 

 

Dá pra imaginar uma versão condensada de Kill Bill 1 e 2 juntos, com apenas 30 segundos – e reencenada por coelhinhos? Pois a série de animações na internet Starz Bunnies pega sucessos de bilheteria atuais e clássicos do cinema e transforma em clipes enxutíssimos, protagonizados por simpáticos coelhos desenhados em lugar dos atores.

Além da dupla de filmes de Quentin Tarantino, já foram %22acoelhados%22 filmes como Jogos Mortais, Piratas do Caribe, A Marcha dos Pingüins, Duro de Matar, Cidadão Kane, Alien, Borat, O Segredo de Brokeback Mountain, Casablanca, Clube da Luta, Tubarão, King Kong, Freddy vs Jason, Guerra nas Estrelas, Superman, Rocky, Caçadores da Arca Perdida, Cães de Aluguel

Vai lá no site dos coelhos pra ver a lista completa de paródias. E confere aqui embaixo que sarro ficou a Uma Thurman como coelhinha vingadora:

 

Postado por Roger Lerina

Sempre Orangotangos

15 de outubro de 2007 0

Cartaz do filme /Clube Silêncio/Divulgação

Depois de ser exibido no CineEsquemaNovo (disfarçado com um título falso) e no Festival do Rio (a vera, com o nome de verdade), o filme Ainda Orangotangos vai passar na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O longa dirigido por Gustavo Spolidoro estará na Competição Internacional, que é exclusiva para novos diretores – até terceiro filme.

Na primeira semana, os filmes recebem o voto do público, enquanto na segunda, os 10 títulos mais bem votados são avaliados por um júri internacional. Te liga nos locais e datas em que o filme vai passar em Sampa:

* ESPAÇO UNIBANCO 3: dia 20/10 (sábado), às 23h40min

* UNIBANCO ARTEPLEX 4: dia 23/10 (terça-feira), às 16h10min

* HSBC BELAS ARTES 2: dia 28/10 (domingo), às 22h10min

Antes disso, aqui na Capital, o livro que deu origem ao filme foi relançado pela editora Bertrand, com uma nova capa bem bacana. O escritor Paulo Scott autografou o romance Ainda Orangotangos nesta segunda-feira, 15/10, às 19h, na Palavraria (Rua Vasco da Gama, 165, ao lado da Espaço Vídeo).

Enquanto o filme do Gus não estréia comercialmente, dá pra conferir no YouTube os bastidores e os ensaios do longa – todo rodado como um único e enooooooooorme plano-seqüência pelas ruas de Porto Alegre. Dá uma olhada só nestes vídeos aqui embaixo:

 

 

O site oficial de Ainda Orangotangos traz um monte de informações sobre o filme e sua produção, incluindo esta interessante lista de curiosidades aqui:

* Ainda Orangotangos é o primeiro longa em plano-seqüência feito no Brasil.

* A história começa no metrô, passa pelo Mercado Público, entra em um ônibus, se desenrola em um prédio com 120 apartamentos, vai até um parque, chega em uma festa de 15 anos, entra em um carro…

* Foram dois meses de ensaios e quatro de pré-produção.

* O filme foi dividido em 15 cenas. Os ensaios começaram cena a cena, que foram sendo juntadas aos poucos. Somente nos dois dias anteriores à primeira filmagem é que aconteceram os ensaios gerais.

* Ao longo de uma semana de filmagens, o longa mobilizou cerca de 180 pessoas espalhadas por um perímetro de 15 km na região central de Porto Alegre.

* Em uma das cenas de apartamento, foram utilizados aproximadamente 100 pombos adestrados.

* Apesar de ter sido rodado uma semana antes de o Internacional conquistar o título de Campeão Mundial, no Japão, o longa se passa nos dias seguintes à conquista. Isso porque, na história, vários personagens fazem referência ao título %22há pouco%22 conquistado.

* Foram gravados seis takes, um por dia, e o escolhido foi o segundo, rodado em 8/12/2007.

* O longa ficou pronto seis meses após sua filmagem, dia 14/6/2007.

* Antes da estréia oficial, no Festival do Rio, o filme teve uma sessão secreta no CineEsquemaNovo, dia 28/7/2007, à meia-noite. Naquela ocasião, foi divulgado um filme fictício – porém, as cerca de 50 pessoas que compareceram à sessão assistiram, pela primeira vez publicamente, ao Ainda Orangotangos.

* As imagens foram captadas em uma câmera digital de alta resolução (HVX 200) e gravadas em um HD externo. O equipamento, no total, pesava apenas 6 kg.

* O filme possui um making of também em plano-seqüência, captado por uma câmera operada pelo diretor.

* Na trilha, uma das principais músicas do rock gaúcho: Amigo Punk, em versão tango-milonga-gaudério, é executada por Arthur de Faria e Seu Conjunto.

* Arthur de Faria e Seu Conjunto aparecem em três cenas do filme: Metrô, Mercado e Festa Evangélica – sendo que no Metrô e na Festa eles tocam ao vivo.

* Outro clássico do rock gaúcho é Morte por Tesão, remodelada pelos psychobillies da Damn Laser Vampires.

Postado por Roger Lerina