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Posts de outubro 2007

Capitão Nascimento tira mulher pelada da VIP

30 de outubro de 2007 1

Revista VIP/Divulgação

Bá, Tropa de Elite é um fenômeno mesmo. O filme - que já foi visto já foi visto por 1.639.348, segundo o boletim da Filme B - inspirou uma edição especial da revista VIP sobre as tropas de elite policias que existem no mundo. A edição, que chega hoje às bancas de todo o Brasil, foi batizada de Tropas de Elite e fala, claro, do filme dirigido por José Padilha e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a força especial da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

A publicação mostra quem são os integrantes do Bope, como são selecionados e treinados, quais as armas e os equipamentos, quais as operações mais arriscadas realizadas pelo grupo. Além disso, mostra o funcionamento de outras forças especiais, aqui e lá fora, como a paulista Rota, o gaúcho BOE e o mineiro Gate, e as internacionais Swat (Estados Unidos), GSG 9 (Alemanha), CO19 (Inglaterra) e Yamam (Israel).

A edição especial Tropas de Elite tem 64 páginas e será vendida a R$ 7,99.

Postado por Roger Lerina

É ruim, mas é bom

29 de outubro de 2007 1

Tarantino de olho podre e Rodriguez no set/Europa Filmes/Divulgação

Só pra variar, enviei o texto para a capa do Segundo caderno desta segunda-feira, 29/10, com o dobro do tamanho do espaço da página - logo, quase metade do meu texto original foi cortado na edição...

Então, se você quiser me dar uma segunda chance pra ver se o meu texto realmente faz algum sentido, dá uma lida aqui na íntegra do meu comentário a respeito do projeto Grindhouse, da dupla Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

Por Roger Lerina

Enviado Especial/São Paulo

Entre os cerca de 400 filmes em exibição na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, dois títulos mobilizaram a atenção dos festivaleiros não pela relevância do tema, pela raridade do país do origem ou pelo sucesso de bilheteria.

%22À Prova de Morte%22 e %22Planeta Terror%22 têm lotado as sessões porque mostram ataques de zumbis nojentos, perseguições de carangas envenenadas, gostosonas de shortinho e uma dançarina go-go com um pernão de matar o velho.

A razão dessa expectativa está nos nomes por trás desses filmes: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, diretores declaradamente fãs de produções comerciais de baixo orçamento dos anos 60 e 70, os chamados %22exploitations%22 (%22de exploração%22), cujos códigos e características são constantemente citados nas filmografias de ambos. A dupla de realizadores decidiu juntar-se outra vez em %22Grindhouse%22 - a colaboração entre Tarantino e Rodriguez vem desde que o primeiro apadrinhou a estréia do amigo com o ótimo %22El Mariachi%22 (1992). O projeto homenagearia os cinemas americanos que exibiam antigamente sessões duplas de filmes B, entremeadas com a projeção de trailers. A idéia era replicar a experiência da época: Tarantino rodou %22À Prova de Fogo%22 e Rodriguez filmou %22Planeta Terror%22, longas distintos interligados por trailers de filmes fictícios - que foram dirigidos por nomes como Eli Roth (da série %22O Albergue%22) e o roqueiro Rob Zombie.

A proposta, porém, não colou nos Estados Unidos, fracassando quando estreou em abril. O jeito encontrado pela produtora foi dividir as mais de três horas de %22Grindhouse%22 em dois filmes para o lançamento internacional, estragando a brincadeira original - mas acrescentando mais tempo de duração, permitindo a Tarantino, por exemplo, adicionar uma ótima dança erótica inexistente na primeira versão. %22À Prova de Morte%22 deve entrar em cartaz no Brasil apenas em 21 de março de 2008; já %22Planeta Terror%22, cuja estréia estava marcada para a próxima sexta-feira, foi adiado para uma nova data ainda não divulgada. Mais do que apenas celebrar o cinema de entretenimento, a dobradinha de filmes cultua um modo de produção cinematográfica cuja precariedade e baixa expectativa de retorno comercial permitia a diretores mais ambiciosos arriscarem ser criativos com relativa liberdade. Para lembrar apenas alguns desses casos: os americanos Francis Ford Coppola, George Lucas e Brian de Palma começaram dirigindo fitas de terror e policiais de quinta categoria, o italiano Sergio Leone notabilizou-se com os %22spaghetti western%22, o brasileiro Carlos Reichenbach exercitou-se na pornochanchada, Steven Spielberg surgiu com o filme de perseguição %22Encurralado%22 (1971).

O tributo de Tarantino é justamente para o subgênero %22filme de perseguição de carros%22. Citando explicitamente clássicos como %22Corrida Contra o Destino%22 (1971), %22À Prova de Morte%22 acompanha os passos de Stuntman Mike (Kurt Russell, perfeito no papel), um dublê maníaco que adora matar garotas bonitas com seu carrão especial. O clímax do filme, obviamente uma corrida maluca de automóveis, talvez seja a mais empolgante seqüência do tipo jamais filmada, com destaque para a temerária performance de Zoe Bell - dublê de verdade que impressionou Tarantino encarnando Uma Thurman nas cenas de ação dos dois %22volumes%22 de %22Kill Bill%22. Mas o mais bacana de %22À Prova de Morte%22 são as conversas entre as várias personagens femininas, espécie de versão para mulheres daqueles papos sem propósito entre homens dos filmes anteriores do diretor, que revelam às vezes mais a respeito dos protagonistas do que fariam diálogos pretensamente densos.

Já o filme de zumbis %22Planeta Terror%22 homenageia o gênero com uma trama típica, ambientada em uma cidadezinha texana infectada por um gás que transforma todos em mortos-vivos carniceiros. Rodriguez adiciona um toque político à história na figura do comandante militar (Bruce Willis) e sua tropa - que inclui um estuprador interpretado por Tarantino cujo pinto literalmente vira mingau, em uma das cenas mais bizarras e engraçadas do filme. A galeria de personagens esquisitos tem ainda um mocinho latino baixote, um excêntrico casal de médicos, um xerife durão (Michael Biehn, de %22O Exterminador do Futuro%22) e uma dançarina cuja perna arrancada é absurdamente substituída por uma metralhadora (Rose McGowan, que também está no elenco de %22À Prova de Morte%22). Para além do mero pastiche, %22À Prova de Morte%22 e %22Planeta Terror%22 revisitam com sincero entusiasmo e mesmo carinho o mundo dos filmes trash, evocado em aspectos como direção de arte (os longas parecem que foram rodados na década de 70), fotografia, movimentos de câmera, montagem, trilha sonora e mesmo nos %22defeitos especiais%22 - riscos na imagem, som abafado, erros de continuidade e até avisos de %22rolo faltando%22.

 

 

Postado por Roger Lerina

O sentido do amor

29 de outubro de 2007 2

Banco de Dados

por MARCELO MUGNOL

O senhor que é homofóbico e não consegue imaginar o amor entre dois homens, não assista ao filme Felizes Juntos. Porque se depois dos primeiros minutos o senhor suspeitar que esse universo lhe é mais próximo do que pensava, vai sair por aí culpando o cineasta chinês Wong Kar-Wai. E o pobre diretor não tem culpa de nada. Ele vive do ofício de contar histórias de amor. Sem pudor, porque assim são as verdadeiras histórias de amor.

Felizes Juntos faz parte da Coleção Lume, organizada pela empresa maranhense Lume Filmes, que pretende lançar dois DVDs por mês de filmes contemporâneos, sucessos de crítica nos cinemas do Brasil, mas ainda inéditos em DVD. O filme chinês é o terceiro da coleção, que tem ainda Felicidade (1998), de Todd Solondz, Na Companhia de Homens (1997), de Neil LaBute, e Reconstrução de um Amor (2003), de Christoffer Boe.

A trama de Felizes Juntos é simples e nada original. É centrada em dois homossexuais, Yui-Fai (Tony Leung Chiu-Wai) e Po-Wing (Leslie Cheung), que viajam de Hong Kong a Buenos Aires à procura das Cataratas do Iguaçu, uma espécie de quimera para uma nova vida. Até aí, nada de incomum, porque tem uma penca de filmes parecidos. O grande lance do filme é a maneira como Kar-Wai desenvolve a história. O nome do filme, Felizes Juntos, é, na verdade, uma armadilha para o espectador, que pode ficar ansioso em ver Fai e Po felizes e juntos.

E é justamente a inconstância, a incomunicabilidade e os encontros arredios que jogam com o sentimento do espectador. Mais ainda porque os movimentos de câmera, os cortes das cenas, a alternância fugaz de música (ora Piazzolla, ora Zappa) e silêncio reforçam essa relação fragmentada e incompleta de Fai e Po. Porque no final de tudo, mais do que um filme de amor, Felizes Juntos trata do sentido do amor na vida de cada um dos personagens.

Felizes Juntos, de Wong Kar-Wai

Coleção Lume, drama, 93min, 1997.

Postado por Marcelo Mugnol

Michael Cimino, 11 anos depois

28 de outubro de 2007 2

Fracassos e escândalos que arruinam carreiras acompanham desde sempre a mitologia do cinema, de Hollywood em especial. Ao assistir na Mostra Internacional de São Paulo ao filme coletivo Cada um com seu Cinema, projeto apresentado agora em 2007 para homenagear os 60 anos do Festival de Cannes, vi que entre os 35 cineastas convocados - entre craques como David Cronenberg, irmãos Dardenne, irmãos Coen, Manoel de Oliveira, Alejandro González Iñárritu, Ken Loach, Walter Salles, Gus Van Sant, Lars von Trier, Wim Wenders e Wong Kar-Wai - estava Michael Cimino, protagonista de um desses retumbantes fiascos, tão grande que praticamente encerrou sua carreira.

Quem é ele? Um breve retrospecto. Cimino pertence à turma chamada %22os moleques%22, os jovens cineastas americanos que no começo dos anos 70 difundiram a Nova Hollywood à frente de projetos mais autorais e em sintonia com a %22crua realidade da ruas%22 _ entre eles, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese e outros que não necessariamente rejeitavam os dogmas do espetáculo e do entretenimento, caso de Steven Spielberg e George Lucas.

Cimino ganhou o Oscar de melhor filme e direção com O Franco Atirador (1978), um contundente drama sobre os efeitos da Guerra do Vietnã em um grupo de amigos. O sucesso lhe deu carta branca para seu projeto seguinte, com o qual cavou sua sepultura. Cimino, que já tinha fama de marrento e temperamental, decidiu realizar o faroeste intimista O Portal do Paraíso (1980), um épico com quase quatro horas de duração no qual torrou R$ 40 milhões (500% a mais do orçamento previsto). Além da aposta em um gênero à época escanteado, Cimino mostrou no set excentricidades como erguer, desmontar e reerguer enormes cenários - para mudar centímetros na composição de um plano - e demitir e contratar gente conforme o humor do dia.

A luz vermelha acendeu, e os produtores meteram o pé na sala de montagem, que, reza à lenda, era vigiada por guardas armados contratados por Cimino. Enfim, lançaram o filme com 149min. O resultado nas bilheterias americanas foi catastrófico: apenas US$ 3,4 milhões. Assim, Cimino, entrou para a história como o homem que levou à falência a United Artists, mítica companhia fundada em 1919 por Charles Chaplin, D. W. Griffith, Mary Pickford e Douglas Fairbanks. Depois disso, ele fez só mais quatro filmes até 1996, entre eles O Ano do Dragão e O Siciliano, sempre com rédea curta.

Cada um com seu Cinema tem como tema comum a relação do espectador com o cinema (o filme e a sala de projeção). Em seu episódio, No Translation Needed, Cimino encena um diretor genioso às voltas com a gravação do videoclipe de um grupo de salsa. Em três minutos, ele, 11 anos depois, trata com sarcasmo e anarquismo a indústria e a arte que lhe viraram as costas.

Procurando pelo nome original (Chacun son Cinéma), encontra-se vários desses curtas no YouTube. Mas não achei esse do Cimino. Continuo tentando. Se alguém achar antes, manda bala. Aqui estão os curtas de Walter Salles, A 8944 Km de Cannes, estrelado pela divertida dupla de cantadores Caju e Castanha, e de Wong Kar-Wai, I Travelled 9000 Km to Give it to You, com o inconfundível apuro visual do realizador chinês.

Postado por Marcelo Perrone

Sobre livros e filmes

27 de outubro de 2007 2

O Carlos André, bravo comandante do bom blog literário Mundo Livro, já começou a correria anual da Feira do Livro. Com a estréia no cinemas de O Passado, adaptação do Hector Babenco para o romance homônimo do argentino Alan Pauls, o Carlos colocou ali trechos do livro e promoveu uma enquete sobre as melhores adaptações de livros já feitas. Dá uma olhada.

O curioso das listas é que sempre fica muita coisa boa de fora. Nessa, a Cláudia Laitano fez uma observação pertinente: é o gosto cinéfilo ou literário que pesa mais na hora de eleger os favoritos? Sem dúvida, O Poderoso Chefão, um dos meus, é uma obra muito maior que o romance do Mario Puzo. Mas a regra é clara e mantenho o voto.

Aí, lembrei de uns filmes que se equiparam, pra mim, ao texto literário. A lista é enorme (nem considerei versões de Shakespeare, que, a rigor, pertence à turma do teatro). Concordo com os que estão na lista da Cláudia. Para ficar nos recentes, cito dois: O Despertar de uma Paixão, bela leitura de O Véu Pintado, do W. Somerset Maugham, e O Jardineiro Fiel, do Fernando Meirelles, a partir da obra Jonh Le Carré.

E ainda tem as cinesséries O Senhor dos Anéis e Harry Potter. Ah, e um dois-em-um bem pessoal. Gosto dos livros da S.E Hilton e dos dois pequenos grandes filmes que o Coppola fez deles em 1983: Vidas de Rumo (que, aliás, está pra ganhar a %22versão do diretor%22) e Rumble Fish (ou O Selvagem da Motocicleta, como o batizaram por aqui). 

Postado por Marcelo Perrone

Superbad - É Hoje

26 de outubro de 2007 0


(O texto abaixo é o da versão impressa do Primeira Fila desta semana. Foi publicado na quinta-feira no Segundo Caderno e é sobre o filme Superbad - É Hoje)

 

 

Garotos desesperados traçam estratégias para perder a virgindade antes que as aulas do ensino médio terminem – e a faculdade comece. Como se vê, a sinopse de Superbad – É Hoje é literalmente a mesma da maioria das comédias adolescentes norte-americanas que abundam nas salas de cinema, há mais de duas décadas, na carona de filmes como Porky’s (Bob Clark, 1982), A Vingança dos Nerds (Jeff Kanew, 1984), Curtindo a Vida Adoidado (John Hughes, 1986), entre outros. E, o que é ainda menos promissor: não tem nada de diferente daquilo que o gênero apresentou de pior nestes anos todos – ou seja, é uma sinopse igual à de diversas produções que apostam exclusivamente em piadas escatológicas e na absoluta falta de sensibilidade dos jovens que retratam.

Mas o filme assinado pelos mesmos autores de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos (Jude Apatow, Greg Mottola, Seth Rogen e Evan Goldberg, todos se revezando nas funções de diretor, produtor e roteirista) é exatamente o oposto do padrão ao qual Hollywood nos deixou acostumados. Primeiro porque Superbad – É Hoje traz de volta às comédias teen a ironia e o humor mais refinado, embora ainda escrachado, que faz de seus protagonistas sujeitos muito mais reais e cativantes aos olhos do espectador que já passou da puberdade. Segundo porque, em vez de estereótipos, o que se apresenta na tela são personagens mais complexos e situações mais verossimilhantes – a ponto de um dos adolescentes representar o alter ego de um dos realizadores (Apatow, apontado pela crítica americana como grande revelação do cinema dos Estados Unidos).

E em terceiro, e fundamentalmente, porque a sinopse-clichê não passa de um ponto de partida – quase um despiste. Muito antes de ser um filme sobre a iniciação sexual juvenil, Superbad – É Hoje é um filme sobre o quanto é duro crescer e se separar dos maiores companheiros da escola. Diferentemente das outras produções recentes do gênero, não são exatamente as conquistas e as bebedeiras que estão em pauta, mas sim as parcerias estabelecidas durante esse processo. Tem coisa mais marcante nessa fase da vida do que as amizades?

Soma-se a isso um domínio completo da linguagem clássica do humor americano – e o resultado é não apenas o mais bem-sucedido filme de Apatow e companhia (também responsáveis pelas séries televisivas Freaks and Geeks e Undeclaired), mas a própria volta das comédias adolescentes a um nível de qualidade que só existiu há cerca de 20 anos.

Já estava mais do que na hora.

 

Postado por Daniel Feix

Em um minuto cabe muito

24 de outubro de 2007 0

Considerado o maior festival de vídeo da América Latina (já exibiu 10 mil trabalhos desde 1991), e um dos precursores no formato online (videomakers de 40 países já mandaram seus filmes), o Festival do Minuto mudou no início de 2007. Deixou de ser um evento pontual para se tornar permanente: no início de cada mês, novos temas são lançados pela curadoria – e os melhores vídeos sobre estes temas, que são enviados por qualquer pessoa que quiser participar via internet e exibidos no site do evento, são premiados ao final de 30 dias. É claro: os trabalhos não podem ter mais do que um minuto, como já fica claro desde o enunciado do festival. A novidade de outubro é a participação gaúcha, mais especificamente da diretora Cláudia Barbisan.

A videomaker enviou de uma só vez dez vídeos, registrando cenas comuns do dia-a-dia e praticando diversos exercícios de edição e fotografia. Um deles, Pai Macaco Cachorro Veado, que mostra o pai de Cláudia brincando com um cachorro da família, acabou incluído entre os três vencedores na categoria Tema do Mês (de setembro) – os outros dois são Café?, de Fábio Ragonha (de Limeira/SP), e AIS, de Carolina Kzan (Rio de Janeiro/RJ).

O Festival do Minuto também entrega, todos os meses, o prêmio de Melhor Filme segundo o voto do público (em setembro, o vencedor foi A Capital dos Mortos, de Rodrigo Luiz Martins, de Brasília/DF). E, ainda, o Melhor Filme segundo a curadoria (O Tempo, de Wilson Inácio, de Cambé/PR), um destaque na categoria Tema Livre (Ato Falho, Diogo Diniz, Goiânia/GO), outro na categoria Animação (Ponto de Ônibus, Frederico Duba, Curitiba/PR) e ainda algumas menções honrosas, que neste mês incluem Faixa, de Michel Wahrmann (São Paulo/SP), e outro gaúcho, A Edição Embrutece os Homens, de Carlos Francisco Py Velloso Filho (de Porto Alegre).

Vale a pena dar uma passada no site do Festival do Minuto e conferir não apenas estes filmes, mas os de outros meses e anos. A rigidez do formato e o limite de tempo impõem restrições que tornam cada produção um verdadeiro desafio. Os resultados são bem díspares, mas, em meio a uma grande quantidade de filmes, há alguns bem interessantes.

Segue a sinopse e o link direto para cada um dos últimos vencedores.

Pai Macaco Cachorro Veado, de Claudia Barbisian (Porto Alegre/RS). Interação entre um homem e um cachorro.

Café?, de Fábio Ragonha (Limeira/SP). Uma cafeteira que voa e interage com o ator.

AIS, de Carolina Kzan (Rio de Janeiro/RJ). Brinca com o bombardeio de imagens que rotineiramente se recebe.

A Capital dos Mortos, de Rodrigo Luiz Martins (Brasília/DF). Brasília sendo invadida por zumbis.

O Tempo, de Wilson Inácio (Cambé/PR). Seqüência de imagens centradas nos antigos discos de vinil.

Ato Falho, de Diogo Diniz (Goiânia/GO). Atos e atitudes equivocadas, que ocorrem quando alguém revela algo que deveria ser omitido.

Ponto de Ônibus, de Frederico Duba (Curitiba/PR). Trabalha com a temática da comunicação, ressaltando a dificuldade enfrentada por pessoas tímidas.

Faixa, de Michel Wahrmann (São Paulo/SP). Uma faixa de tempo em um tempo de faixas.

A Edição Embrutece os Homens, de Carlos Francisco Py Velloso Filho (Porto Alegre/RS). O que pode acontecer em uma ilha de edição com muito tempo livre.

Postado por Daniel Feix

Morra de susto na Winkie`s

22 de outubro de 2007 0

Você sabe que o ano está chegando ao fim quando começam a pipocar listas e mais listas. Essa é ótima e chega indicada pela Grazi, titular da coluna/blog Remix. O site gringo especilizado em cultura pop Retrocrush promoveu uma votação para escolher as 100 mais assustadoras cenas do cinema de todos os tempos. Interessante é que a lista traz algumas obras que não se enquadram exatamente no gênero terror/suspense. E, mais bacana ainda, basta um clique no título do filme para conferir a respectiva cena.

Entre clássicos, cults e pérolas trash, o primeiro lugar pode parecer uma surpresa, mas garanto que até quem já sabe como termina esse papo na lanchonete Winkie%27s em Cidade dos Sonhos, do David Lynch, sente a espinha gelar. Na seqüência, aparentemente sem conexão com a trama (que trama? quem garante que não tem?), um sujeito apavorado descreve a outro um pesadelo recorrente ambientado na Winkie%27s quando... Ah, melhor ver logo aqui e conferir os outros 99 momentos medonhos no Retrocrush.

 

 

Postado por Marcelo Perrone

Que segredo você esconderia no fundo do mar?

22 de outubro de 2007 0

Okna Produções/Divulgação

Na última sexta-feira, dia 19/10, o filme argentino O Fundo do Mar (2003) estreou nacionalmente aqui em Porto Alegre, no Guion Center 3. Vencedor de diversos prêmios internacionais, o drama de suspense tem como tema o ciúme e os conflitos de um jovem casal, e é protagonizado por Daniel Hendler (foto) - ator uruguaio que tem se destacado em filmes argentinos como As Leis de Família (2006), também em cartaz na Capital.

Tá a fim de conferir mais esse título do cinema feito na Argentina, como convidado do blog Primeira Fila e da coluna Contracapa, de Zero Hora? Então clica aqui e mergulha: %22Que segredo você esconderia no fundo do mar?%22.

As 15 melhores respostas levam dois convites cada para assistir a O Fundo do Mar.

 

Na trama de O Fundo do Mar, Toledo (Hendler), estudante de arquitetura, tem sua rotina marcada pelo ciúme - não consegue se concentrar no trabalho ou nos estudos, preocupado com o que pode estar fazendo sua namorada, Ana (Dolores Fonzi). Certo dia, ele chega em casa e a encontra estranha e nervosa. Depois de uma discussão, ela sai do quarto para fazer um chá e ele descobre que seu pior pesadelo tornou-se realidade: debaixo da cama, há um sapato masculino que não lhe pertence. A partir daí, o rapaz inicia uma perseguição ao possível amante de Ana, para desvendar quem ele é e onde a conheceu. A busca incessante o leva a enfrentar a sua própria identidade.

O Fundo do Mar foi eleito o melhor filme ibero-americano, no Festival Internacional de Mar del Plata (2003), além de ganhar o prêmio de público e uma menção honrosa da imprensa no mesmo evento. No Festival de Lleida de Cinema Latino-Americano, na Espanha (2004), levou os prêmios de melhor primeira obra e melhor ator. Entre várias outras distinções, destaca-se o French Critic%27s Discovery, no Toulouse Latin America Film Festival, na França (2004).

Szifrón - que, além da direção, assina o roteiro do filme - é considerado uma das revelações mais promissoras do atual panorama de realização audiovisual da Argentina. Consagrado como roteirista e diretor com o seriado Los Simuladores, transmitido pela Telefé, canal argentino de televisão, Szifrón também trabalhou em muitos projetos cinematográficos e publicitários, entre eles Un Mundo de Sensaciones (2001), Peor Es Nada (2001), Por ese Palpitar (2000) e Los Últimos Días (1999).

Postado por Roger Lerina

El rei do pedaço

22 de outubro de 2007 0

Gael não tem sossego com a mulherada /Christiana Carvalho / Warner
Acontece quando a gente escreve mais do que cabe na página . Por falta de espaço e excesso de texto, a capa do Segundo Caderno de hoje, sobre o fime O Passado e seu protagonista, Gael García Bernal, ficou beeeem resumida. A quem interessar possa, segue o texto na íntegra.

 

Na troca do português pelo espanhol, de São Paulo por Buenos Aires, ficou com Gael García Bernal o papel de bendito fruto entre as mulheres desesperadas que em torno dele gravitam em O Passado. A entrada em cena do mexicano no filme de Hector Babenco é creditada àquelas conjunções que colocam no colo dos bons atores os grandes personagens.

Quando planejou filmar no Brasil a adaptação do romance O Passado, do escritor argentino Alan Pauls, Babenco tinha em mente Rodrigo Santoro. Mas ao mesmo tempo em que Santoro ficou inacessível por seu compromisso como seriado americano Lost, o diretor se deu conta de que o filme não iria funcionar em português e chamou Gael.

 - A ambientação do livro é muito portenha, e percebi que o filme falava o tempo todo em castelhano - diz Babenco. São personagens mais próximos do temperamento passional do argentino do que do brasileiro.

O Passado foi o destaque da abertura da Mostra Internacional de São Paulo, quinta passada, e pelo que se viu no final de semana, Babenco acertou em convocar aquele que é hoje, aos 28 anos, o mais bem-sucedido ator latino-americano no cinema internacional. E teve sorte de Gael ter uma brecha na preenchida agenda. Prova do carisma do mexicano é o assédio que sofreu na maratona de promoção de O Passado no evento. Gael, mirradinho que é, praticamente sumia dentro do cerco de jornalistas e fãs.

Gael interpreta Rímini, um jovem tradutor que enfrenta uma crise emocional e existencial por conta dos vínculos que cria com três mulheres: Sofia (Analía Couceyro), a primeira namorada, com quem ficou 12 anos e acaba de romper, Vera (Moro Anghileri), modelo com quem vai morar, e Carmen (Ana Celentano), colega de trabalho por quem se apaixona. Sem jamais aceitar separação, Sofia passa os anos seguintes infernizando a vida de Rimini e o leva à ruína física e profissional, enquanto as outras duas também protagonizam crises e destemperos movidos a ciúme. Manifestações de amor e ódio alternam-se à velocidade de um beijo estalado e imprimem ao filme, que tem o registro do melodrama clássico, pitadas de suspense e humor.

 - Por isso filmei em Buenos Aires. É como um tango, tem paixão, ciúme, separação, volta, morte - explica Babenco, que prefere ser chamado de brasileiro nascido na Argentina, onde viveu 17 de seus 61 anos.

Gael tem rodado o mundo e falado várias línguas em cena. Mas sempre, destaca, buscando projetos que lhe entusiasmem. Além de O Passado, ele tem em exibição na Mostra de SP Sonhando Acordado, dirigido pelo francês Michel Gondry (de Brilho Eterno de mente Mente sem Lembranças) e Déficit, que também marca a estréia do ator como diretor e executivo, à frente da produtora que abriu como amigo Diego Luna, seu companheiro de cena no longa E Sua Mãe Também (2001).

Mas o prestígio que aumenta a cada filme não tem nada a ver com associá-lo ao time de jovens astros de Hollywood, como alguém chegou citar na entrevista coletiva (veja trechos abaixo):

- Hollywood, eu? Que nada! O mais perto que cheguei de Hollywood foi quando filmei Babel em Tijuana, que fica a três horas de carro.

O Passado estréia no Brasil na próxima sexta e traz a última participação de Paulo Autran no cinema, numa ponta como um conferencista francês. Babenco, que teve seu longa anterior, Carandiru, visto por 4,6 milhões de espectadores, tem expectativa mais modestas para esse.

- Sei que não é um filme paras as massas, não é Carandiru nem Tropa de Elite. Mas gostaria que os brasileiros dedicassem a ele o mesmo carinho que têm pelos filmes do Almodóvar - brinca.

Trechos da entrevista com o ator Gael García Bernal

Revelado em produções mexicanas que ganharam o mundo, como Amores Brutos (2000) e E Sua Mãe Também (2001), Gael Carcía Bernal hoje escolhe com quem o onde trabalhar. Seus personagems falam espanhol, inglês e francês e estrelam tramas de diferentes gêneros, dos politicamente engajados aos dramas românticos.

Com o cinema brasileiro de viés internacional Gael tem uma relação especial. Encarnou o jovem Ernesto Guevara antes de virar Che em Diários da Motocicleta, de Walter Salles, filma Ensaio Sobre a Cegueira com Fernando Meirelles e estréia, sexta que vem, à frente de O Passado, de Hector Babenco, tema da breve entrevista a seguir:

Pergunta - Você tem rodado filmes em difrentes países, em difrentes idiomas e também estréia como diretor. O que lhe atraiu em O Passado?

Gael García Bernal - Primeiro, aceitei porque admiro muito o Hector Babenco desde o dia que vi Pixote, filme que me marcou muito. Outra razão foi filmar na Argentina, país que considero minha segunda pátria. E também por ser uma história de compreensão universal.

Pergunta - Como foi construir um personagem que passa por tantas transformações ao longo da trama, físicas e emocionais?

Gael - O processo de preparação às vezes se dá com prazo curto. Em O Passado pude trabalhar pelo menos um mês com o Hector antes de filmar. Mas a principal diferença que vejo em relação a meus papéis anteriores é que nesse, pela primeira vez, eu, que não tenho filhos, interpreto um pai. Foi uma experiência interessante.

Pergunta - Muitas mulheres enxergam no filme uma leitura machista, misógina, pelo fato de seu personagem, além se se relacionar com três mulheres, manter uma postura um tanto superior e impassível diante dos destemperos e das crises delas. Você concorda?

Gael - Não creio que o filme defenda a virtude de um %22boludo%22 (risos) . Vejo o Rímini mais como um autista emocional. É ao mesmo tempo herói e anti-herói, um homem que caiu em um rio que se move rápido e forte e é tragado por ele. É um personagem inocente, embora seja rotulado como %22boludo%22.

 

 

Postado por marcelo Perrone

Lelouch dirige (mesmo) clipe do Snow Patrol

21 de outubro de 2007 1

Câmera foi fixada na frente do Mercedes/lesfilms13.com/reprodução
A abertura da Mostra Internacional de São Paulo, quinta passada, tinha programada a exibição de O Passado, longa de Hector Babenco protagonizado por Gael García Bernal. Mas antes, como surpresa, foi projetado o curta C%27Était un Rendez-Vous, realizado pelo cineasta francês Claude Lelouch em 1976, %22sem trucagem alguma%22, destacou o próprio ao subir ao palco para apresentar o filme. 

O curta é um plano-seqüência de nove minutos com um carro percorrendo as ruas de Paris em alta velocidade, ignorando qualquer sinalização. Em 2007, o grupo Snow Patrol usou o filme para o videoclipe da canção Open Your Eyes - confira a versão original e o clipe logo abaixo.

O curioso é que só em 2006 Lelouch confirmou que é ele mesmo quem está ao volante de um Mercedes, que chega em alguns trechos a atingir 200km/h - como o diretor até então nunca havia comentado sobre a filmagem, muita gente suspeitava ser o piloto um profissional da  Fórmula 1. A arrojada seqüência, que serviu para testar um novo equipamento estabilizador de câmera, fez Lelouch parar na cadeia por algumas horas.

- Cumprimento a todos os cineastas presentes nesse grande evento. Quanto mais suas belas imagens se espalham, mais bonito fica o mundo - agradeceu Lelouch, presente na Mostra de SP para uma retrospectiva de seus filmes, incluindo clássicos como Um Homem, Uma Mulher e Retratos da Vida, além de exibir o mais recente, Crimes de Autor.

 

 

Postado por Marcelo Perrone

O Passado abre Mostra de SP

19 de outubro de 2007 0

Gael García Bernal e Analía Couceyro em /Warner/Divulgação
Como o colega espanhol Pedro Almodóvar, Hector Babenco está cada vez mais apaixonadado por suas mulheres. Ontem à noite, dia 18/10, ao apresentar na abertura da Mostra Internacional de São Paulo o seu novo longa, O Passado, o diretor brasileiro nascido na Argentina - é assim que ele acha melhor, em vez de argentino naturalizado/radicado etc. - fez uma emocionada declaração de amor às mulheres de sua vida:

 - Minha mãe foi a primeira mulher que amei. Depois amei muitas mulheres, e a idade me permite a decência de dizer isso, que não me amaram o suficiente. Fiz esse filme para as mulheres.

Babenco lembrou que foi durante as visitas semanais que fazia à mãe enferma em Buenos Aires, anos atrás, que cruzou com o livro El Pasado, do jornalista e escritor Alan Pauls. Gostou muito e, como conhecia Pauls de uma entrevista que concedera a ele para o jornal Página 12, conveceu o autor a vender os direitos de adaptação.

- Pensei em fazer o filme no Brasil, mas logo percebi que ele falava castelhano, sua genética era argentina - explica Babenco.

Num primeiro momento, o diretor tentou Rodrigo Santoro para o papel protagonista. Como o ator brasileiro estava enrolado com o seriado Lost, o diretor, já convencido de que rodaria na Argentina e em espanhol, convidou o mexicano Gael García Bernal para o papel de Rímini. Em O Passado, Rímini é um tradutor que tem três mulheres passionais gravitando em sua volta: Sofia (Analía Couceyro), paixão de adolescência de quem acaba de separar, Vera (Moro Anghileri), modelo com quem passa a viver, e Carmen (Ana Celentano), colega de trabalho por quem se apaixona.

O motor do filme é Sofia, o destaque do trio de boas atrizes argentinas. Sem aceitar a separação - %22amores não se separam, se abandonam%22, %22separação também faz parte de uma relação%22 são os mantras dela -, Sofia dedica os anos seguintes a infernizar a vida de Rímini, como um fantasma que prende com pesados grilhões ao passado que ela insiste em manter vivo. O longa estréia no Brasil na próxima sexta-feira, dia 26/10.

O Passado tem um pequeno trecho rodado em São Paulo, que marca o último trabalho de Paulo Autran no cinema. O grande ator, que morreu na semana passada, vive um excêntrico conferencista francês que concede uma palestra traduzida por Rímini e Carmen (tem uma foto dessa cena em um post mais abaixo). 

- Era um personagem que não existia no filme, mas o Paulo me disse que não pode faltar personagem para um bom ator. Que falta ele nos faz - disse Babenco, seguido de calorosos apalusos da platéia.

Grande estrela da noite, o baixinho Gael parecia estranhar o gritedo da mulherada e o assédio da imprensa. Falou quase nada e tirou fotos com seu celular do monte de fotógrafos e câmeras de TV que o cercaram. Depois, na festa, ficou em uma área de acesso restrito. Hoje, 19/10, Gael participaria da entrevista coletiva da equipe de O Passado. Ele veio à mostra também para apresentar outro filme que estrela, Sonhando Acordado, de Michel Gondry, e mostrar sua estréia como diretor, em Déficit

Falando em correria, fico aqui só até amanhã e peguei ingressos para 10 filmes. Se tudo der certo hoje com o horários das entrevistas (arrã que vai...), consgigo ver uns quatro, inclusive o Control (veja mais abaixo o comentário do Roger Lerina, que viu o filme no Festival do Rio). Mesmo deixando de fora alguns que já vi (À Prova de Morte, do Tarantino, Sonhando Acordado, do Michel Gondry, Jogo de Cena, do Eduardo Coutinho, A Voz dos Outros, alemão ganhador do Oscar de filme estrageiro, o documentário O Assassinato do Presidente e Império dos Sonhos, do David Lynch, entre eles), sobrou uma montão de coisa interessante. Queria ver o I%27m Not There, aquele sobre o Bob Dylan, Across the Universe, com trilha toda dos Beatles, Into the Wild, do Sean Penn, Redacted, do Brian de Palma, Paranoid Park, do Gus van Sant...

Postado por Marcelo Perrone

É dez, né?

18 de outubro de 2007 0

Só em 2009, viu?/Ipanema Produções/Divulgação
Dennison Ramalho, cineasta gaúcho radicado em São Paulo, prepara sua estréia em longa-metragem com O Dobro de Cinco, adaptação de uma graphic novel do cultuado artista gráfico paulista Lourenço Mutarelli - que há pouco teve transformado em filme seu livro O Cheiro do Ralo. O projeto, previsto para 2009, conta com um outro gaúcho na equipe, o designer e ilustrador Rafael Grampá, que assina o desenho de produção - o cara que cuida do visual do filme, que aliás promete ser bastante fiel aos quadrinhos, como adianta o cartaz aí em cima.

O protagonista é Diomedes, um detetive fracassado que se mete em um intrincado caso para descobrir onde foi parar Enigmo, mágico que transformava água em vinho. A jornada do tira, interpretado pelo ator Cacá Carvalho (o cara armado na foto), se dá em meio ao ambiente de um circo decrépito, transformado em um hospício burlesco.

Completam a ficha técnica de O Dobro de Cinco o diretor de fotografia Ricardo Della Rosa e os produtores Paulo Schmidt, Tadeu Jungle e Rodrigo Teixeira. A idéia inicial era realizar um longa de animação, mas Grampá convenceu os parceiros de que era possível manter o conceito visual de Mutarelli em live action - como o pessoal do meio chama filme com gente de verdade.

Mutarelli tomou gosto por atuar diante da câmera e, a exemplo de Cheiro do Ralo, tem um papel no novo longa: Hermes, o cliente que contrata Diomedes para achar o mágico desaparecido.

Postado por Roger Lerina

Identidade na beira da estrada

18 de outubro de 2007 0

Birol Ünel e Asia Argento estão em

Comentário publicado nesta quinta-feira, 18/10, na versão impressa do Primeira Fila, em Zero Hora:

Por Roger Lerina

Tony Gatlif é um artista que deitou raízes na errância. Pode parecer paradoxal, mas o realizador francês nascido na Argélia e de origem cigana escolheu o pendor pela impermanência que traz no sangue como a recorrente chave de leitura de seus filmes. O mais recente deles, Transylvania (2006), revisita os temas centrais da obra do diretor: a questão da identidade cultural e pessoal, a marginalização social, a errância simultaneamente vista como sina e destino escolhido. Como no título anterior de Gatlif, Exílios (2004), o longa atualmente em cartaz na Capital acompanha as andanças de um casal à deriva no mundo, que descobre ao fim - como em todo filme de estrada - que caminhar é mais importante do que chegar.

Se em filmes de Gatlif como Exílios e o belíssimo documentário sobre música e cultura cigana Latcho Drom (1993) os aspectos culturais e políticos da instabilidade na vida ocupavam o primeiro plano, em Transylvania a falta da sensação de pertencimento surge mais como opção existencial dos protagonistas do que como imposição social. Uma jovem italiana (Asia Argento, filha do cineasta Dario Argento) viaja da França até o coração da Romênia em busca do namorado, o músico Milo (vivido pelo rockstar italiano Marco Castoldi), de quem está grávida de dois meses. Acompanhada de uma amiga e uma intérprete, Zingarina (algo como %22Ciganinha%22, em italiano) encontra o amante no meio de um festival popular em um vilarejo da Transilvânia - mas Milo, que alegadamente teria sido deportado da França, na verdade fugiu da garota. Rejeitada e em choque, Zingarina decide voltar para casa com Marie (Amira Casar). Porém, no meio do caminho, Zingarina abandona a companheira na estrada e, vestida como uma cigana, passa a vagar pelo interior romeno até encontrar Tchangalo (Birol Ünel, em um papel que lembra sua atuação no filme alemão Contra a Parede). Como ela, o homem que vive de comprar e vender jóias e antigüidades pelas cidades é um espírito livre e solitário - e a associação entre os dois, que começa com uma carona, vira relacionamento amoroso.

Como sempre nos filmes de Gatlif, Transylvania é ilustrado pela exuberante e sensual cultura cigana - não por acaso, cores e sons também onipresentes na filmografia do diretor bósnio Emir Kusturica, igualmente seduzido por esse modo de vida tão na contramão do cotidiano burguês, sedentário e normatizado ocidental. Não há Conde Drácula nessa Transilvânia - o misto de fascínio e temor que o nome dessa região desperta, no entanto, serve bem a propósito de indicação do anseio que anima os personagens. Flanando entre vozes que falam em romeno, inglês, francês, italiano, húngaro e russo, Zingarina e Tchangalo optam pela identidade cigana, abraçando a incerteza e fazendo do eterno movimento seu porto seguro. Visão romântica e errática da existência que Gatlif explicita desde o início - a primeira imagem de Transylvania é uma paisagem vista de dentro de um carro em alta velocidade - e que celebra com as duas cenas imaginadas no filme por Zingarina e Tchangalo, cujos desfechos, se tivessem se tornado realidade, teriam mudado totalmente o destino do casal.

Postado por Roger Lerina

Donnie Darko, conhece ele?

16 de outubro de 2007 1

Jake Gyllenhaal, Jena Malone e Frank, o coelho/Reprodução
Muito antes dos náufragos de Lost, e bem depois do David Lynch, Donnie Darko fundiu a cuca de muita gente. Sabe quem é ele?

Donnie Darko é um filme de 2001, escrito e dirigido pelo estreante Richard Kelly. Foi bem recebido no circuito de festivais indies, mas passou batido pelos cinemas americanos na época – nunca estreou no Brasil. Pouco a pouco, foi descoberto em DVD e virou fenômeno graças à internet, cultuado por pencas de fãs que se jogaram a decifrar mensagens e enigmas ocultos na trama e a cruzar os universos paralelos sugeridos, para tentar desatar o nó de um desfecho que nada fecha.

 Cruzei de novo com esse filme no balaio de DVDs do supermercado, por nem vale dizer quanto a menos do que paguei anos atrás, na pilha de um amigo que o recomendou empolgadíssimo. A história, ambientada nos anos 80 numa cidadezinha americana, tem como protagonista Donnie Darko, vivido pelo então aspirante Jake Gyllenhall. Ele é um adolescente um tanto esquisitão por, entre outras coisas, conviver com Frank, um coelho gigante do mal que lhe informa o dia, a hora, os minutos e os segundos exatos que faltam para fim do mundo. Com um pé dentro e outro fora da casinha, Donnie vai tocando sua vida, achando que os problemas com a família, a escola e as garotas são café pequeno diante do Big Bang que se aproxima.

O longa é produzido por Drew Barrymore, que faz uma ponta como professora da escola, e tem uma trilha sonora muito bacana, com hits da Balonê tipo The Killing Moon (Echo & The Bunnymen), Notorious (Duran Duran), Head Over Hills (Tears For Fears), Love Will Tear Us Apart (Joy Division), Under the Milky Way (The Church) e Stay (Oingo Boingo).

Confira abaixo o trailer e algumas cenas embaladas por essas jóias do pop oitentista. Não consegui achar a arrebatadora abertura com The Killing Moon. Mas como sou muito fã dos Bunnymen vai uma clipe dela com cenas do filme - ah, existe uma versão do diretor em DVD, com cenas a mais e o tradicional catatau de extras. 

 

Head Over Heals

The Killing Moon

 

 

Postado por Marcelo Perrrone