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Posts de novembro 2007

O melhor filme é o do melhor diretor

30 de novembro de 2007 3

Júlio Bressane

Não sei quanto a vocês, mas eu, mesmo sem ter visto os filmes, achei estranha a premiação do 40º Festival de Brasília. E isso que não acredito, como tanta gente, que a pulverização dos troféus seja sempre um problema, signifique que o júri foi excessivamente político ou medroso. O que às vezes me parece injustificável é a divisão dos dois prêmios mais importantes, o de Melhor Filme e o de Melhor Diretor. Às vezes.

Quando em 2001 Gladiador ganhou o Oscar de Melhor Filme e Ridley Scott perdeu a estatueta de Melhor Diretor para Steven Soderberg, por Traffic, até deu para entender. Embora eu não goste de nenhum dos dois filmes, e ache que o trabalho do Soderberg às vezes é supervalorizado, sendo Traffic o melhor exemplo disso, a divisão fez sentido: Gladiador é uma produção grandiosa, toda bem acabada, com a cara do principal prêmio da Academia americana, e Traffic é uma proposta pessoal do diretor, mais ousada, que combina mais com uma lembrança que não envolva a produção como um todo. Outro exemplo: também faria sentido se em 1994 Forrest Gump recebesse apenas o Oscar de Melhor Filme, deixando o de Melhor Diretor para Tarantino, por Pulp Fiction. E ainda outro, mais próximo de nós: O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, dividiu os principais Kikitos do Festival de Gramado de 2002 com o mexicano A Perdição dos Homens, de Arturo Ripstein. Este último acabou levando os dois prêmios mais importantes, mas seria perfeitamente compreensível, pelo perfil dos dois filmes, o primeiro uma produção impecável e o segundo esteticamente mais ousado, se ficasse apenas com o de Melhor Diretor, deixando o troféu de Melhor Filme para o grande sucesso argentino.

Tudo isso para dizer que, numa observação à distância, faria mais sentido se Júlio Bressane ganhasse o prêmio de Melhor Diretor e, para a alegria geral de quem estava no festival, Chega de Saudade, da Laís Bodanzky, levasse o de Melhor Filme. No mínimo isso. Porque, quando se concede um troféu de Melhor Filme para uma produção como a Cleópatra de Bressane, me parece incabível não conceder junto o de Melhor Diretor. Como pode Bressane, com um projeto tão pessoal, tão arriscado, tão %22de autor%22, fazer um filme melhor que o de Laís e não ser o melhor diretor? E como pode Laís não ter feito o melhor filme mas ter sido a melhor diretora, na comparação com Bressane?

De longe, parece algo completamente sem cabimento. De longe. Porque, na verdade, o que nos resta é aguardar a chegada dos filmes para poder falar melhor. Especialmente Cleópatra, tão aplaudido no Festival de Veneza, tão vaiado no de Brasília. Se for como Filme de Amor, o anterior do Bressane, maravilhoso. Agora, se for como o penúltimo dele, Dias de Nietzsche em Turim

Postado por Daniel Feix

Jessica em Paris

30 de novembro de 2007 0

Cécile de France, a adorável protagonista/Divulgação
Sem os cortes necessários quando se escreve demais e como o espaço aqui é de borracha, segue o comentário sobre o longa francês Um Lugar na Platéia publicado quinta no Segundo Caderno.

 

Tem filmes que são como aquelas músicas que a gente acha que não gosta mas se surpreende batendo o pé e assobiando a melodia. A comédia romântica Um Lugar na Platéia (Fauteils d%27Orchestre, França, 2005), forçando a analogia, passa uma impressão parecida no primeiro contato. Mas diante do déjà vu despertado pelo enredo açucarado e parecido com tantos outros, percebe-se que são interessantes os desvios tomados pela diretora Danièle Thompson para driblar os clichês rumo ao final feliz no qual por tradição desemboca o gênero.

Depois das andanças do rato gourmet de Ratatouille e dos personagens do episódico Paris, Te Amo, Um Lugar na Platéia também delimita seu cenário no mapa da capital francesa. A localização aqui é mais precisa, entre alguns quarteirões na Avenida Montaigne, que risca uma das regiões mais badaladas de Paris. Ali desembarca Jessica (Cécile De France) jovem interiorana que tenta conseguir um emprego no exclusivo Hotel Ritz, por recomendação da avó, senhora obcecada pela boa vida e pelo luxo que lhe aconselha: quando não se pode pertencer ao clube dos ricos, que se conviva entre eles. Jessica, porém, tem de se contentar com a vaga de garçonete em um bar.

Próximo de um teatro, de uma sala de concertos e de uma galeria de arte, o lugar é ponto de encontro de uma série de personagens infelizes que diante de Jessica, como se ela fosse uma fada facilitadora de desejos e transformações, estão em vias de tomar decisões que mudarão suas vidas. A atriz temperamental Catherine (Valérie Lemercier), entediada com os papéis populares na TV e no teatro tenta se vender mulher certa para estrelar a cinebiografia de Simone de Beauvoir. O renomado pianista Jean-François (Albert Dupontel), farto do fraque e da liturgia dos grandes concertos, deseja tocar o que bem entende em palcos menos solenes. E o colecionador de arte Jacques (Claude Brasseur), já se posicionando para o fim vida, decide leiloar seu valioso acervo e acertar as desavenças com o filho.

Danièle Thompson, roteirista do sucesso A Rainha Margot e diretora de filmes como Três Irmãs, primeiro sugere fazer de Um Lugar na Platéia um filme-coral à Robert Altman, com suas pequenas histórias que andam em paralelo rumo aos desfechos redentores. Mas o interesse da cineasta, e seu grande acerto, é erguer uma ponte entre a chamada grande arte e aquele espectador comum, espelhado em Jessica, o leigo que, pela sensibilidade, pureza e interesse, se deixa arrebatar por uma melodia, por uma escultura ou por uma grande interpretação. Enxerida e deslumbrada com o universo que descortina, Jessica, encarnação contemporânea de Poliana, é vivida com muita graça por Cécile, que lembra, também no visual, a doçura de Audrey Hepburn em seus tempos de Cinderela em Paris. E quando tudo enfim se encaixa e o alto astral toma conta da Avenida Montaigne, é capaz de até o espectador mais empedernido se surpreender batendo o pé e sorrindo de canto. Às vezes isso é mais bacana do que racionalizar se gostou ou não gostou.

Por Marcelo Perrone

 

 

 

 

 

Postado por Marcelo Perrone

Time de bruxos escalado

29 de novembro de 2007 1

 Aos ansiosos fãs dos bruxos juvenis. A Warner anuncia oficialmente o elenco de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto filme da saga do jovem bruxo, que estreía em 21 de novembro de 2008. Além do trio principal – Daniel Radcliffe (Harry Potter), Rupert Grint (Rony Weasley) e Emma Watson (Hermione Granger)  –  e de atores dos filmes anteriores, como Ralph Fiennes (Lorde Voldemort) e Michael Gambon (Alvo Dumbledore), a produção terá a participação de dois novos nomes no elenco adulto.

São eles Jim Broadbent, como o professor de Poções Horácio Slughorn,  e  Helen McCrory, no papel de Narcisa Malfoy, mãe de Draco Malfoy e irmã da maligna Belatriz Lestrange. No elenco infantil, alguns novatos fazem suas estréias no cinema. Jessie Cave vive Lilá Brown, a futura namorada de Rony Weasley. Hero Fiennes Tiffin interpreta o personagem Tom Riddle aos 11 anos, enquanto Frank Dillane será Riddle na adolescência, a caminho de se tornar o perverso Lorde Voldemort. Quem dirige o longa é David Yates, de Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, enquanto Harry inicia o sexto ano letivo em Hogwarts, Lorde Voldemort espalha destruição por toda a Inglaterra e a pressão para derrotá-lo torna-se cada vez mais forte. Usando um antigo livro de poções que pertenceu ao Príncipe Mestiço, Harry aprofunda seus conhecimentos de magia e prepara-se para a batalha. Antes, porém, ele precisa ajudar Dumbledore a descobrir o segredo da cruzada de Voldemort para conseguir a eternidade.

Postado por Marcelo Perrone

Fome, fasma e f...

29 de novembro de 2007 1


A partir desta sexta-feira, dia 30/12, rolam as primeiras sessões especiais de 3 Efes, longa-metragem que o diretor Carlos Gerbase vai lançar de forma revolucionária: o filme terá estréia nacional no dia 7 de dezembro, com exibições simultâneas em quatro mídias diferentes - internet, cinema, TV e DVD. Antes, no dia 5, tem festa de lançamento no bar Ocidente, com direito a show da Músicas Intermináveis para Viagem (M.i.p.V), banda literalmente viajandona responsável pela trilha sonora de 3 Efes.

A idéia do filme nasceu de uma teoria do professor de cinema Aníbal Damasceno Ferreira, segundo a qual a humanidade tem três apetites fundamentais: sexo, fome e fasma (palavra de origem que significa simulacro, representação). A partir daí, Gerbase criou uma história protagonizada por um elenco de jovens atores gaúchos como Cris Kessler e Felipe de Paula (o casal na foto).

Que tal alimentar-se de sexo, fome e fasma no cinema como convidado blog Primeira Fila e da coluna Contracapa de Zero Hora? Então clica aqui e filosofa: %22Quais são os três maiores apetites da humanidade na sua opinião?%22. As seis teorias mais bacanas levam kits com camiseta, camisinha (sexo, lembra?), adesivo e dois ingressos.

Postado por Roger Lerina

Crimes de autor, lição de mestre

28 de novembro de 2007 0

Dominique Pinon e Fanny Ardant, ótimos em cena/Digulgação
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Homem e mulher se apaixonam. A frase, genérica e imprecisa na tentativa de resumir enredos em tijolinhos da programação de cinema e TV, costuma ser exata para os filmes do francês Claude Lelouch. Como seu mais recente, Crimes de Autor (Roman de Gare), que segue em cartaz na Capital, sinal de boa receptividade – filmes com esse perfil, se não emplacam e geram boca a boca, costumam vazar em uma, duas semanas. Suspense policial clássico, com pistas e identidades falsas, reviravoltas, mistérios e o tradicional “quem matou?”, Crimes de Autor também não deixa de ser, em sua essência, um romance que segue as convenções do gênero até o final feliz.

Críticos, sobretudo, os  franceses torcem o nariz para Lelouch, não apenas porque ele faz filmes ruins – e bons, como muitos outros cineastas. A aclamação internacional com a Palma de Ouro e os dois Oscar (filme estrangeiro e roteiro original) de Um Homem e uma Mulher (1966), em pleno nascimento da nouvelle vague, turma da qual ele não pertencia, fez Lelouch receber o rótulo de “comercial”, perfil desabonador ao ser espelhado na proposta “autoral” do movimento emergente apadrinhado pelos Cahiers du Cinema – mais ou menos o que aconteceu no Brasil com Anselmo Duarte, que levou a Palma de Ouro em Cannes com O Pagador de Promessas (1962) e nunca foi digerido pelo pessoal do cinema novo. Lelouch ainda teve mais um grande êxito com Retratos da Vida (1981), filme que fez do Bolero de Ravel um hit e dele, em certa época, o cineasta preferido da França.

Bom, pelo que parece até a parte mais sisuda da crítica francesa reconheceu as qualidades de Crimes de Autor. Com justiça. É bastante interessante a maneira com que Lelouch estrutura sua trama e manipula a percepção do espectador sobre os protagonistas, em especial diante de Pierre (ou Louis?), interpretado com generosa amplitude de registros pelo ótimo Dominique Pinon. Quem é ele, afinal? É o serial killer que escapou da prisão e tem por hábito fazer truques de mágicas paras suas vítimas juvenis? É o professor que desapareceu de casa deixando mulher e filhos desamparados? É o verdadeiro autor dos livros policiais de sucesso assinados pela vaidosa Judith Ralitzer (Fanny Ardant)?

Lelouch, 70 anos, mostra vitalidade, inspiração e dá uma grande volta por cima, visto que seu longa anterior, A Coragem de Amar (2005), que aliás estréia nesta sexta por aqui, foi malhado sem dó e fracassou também nas bilheterias. Lelouch resolve sua trama de forma recombolesca, verdade, mas é interessante como seu passeio por gêneros diversos ao longo da narrativa chegue no fim do caminho ao seu ponto de parada preferido: homem e mulher se apaixonam.

Postado por Marcelo Perrone

Premiados do Flõ

27 de novembro de 2007 0

Foram anunciados os vencedores da terceira edição do Festival do Livre Olhar, o Flõ 2007, evento que reuniu em Porto Alegre ao longo da semana passada uma generosa mostra da produção audiovisual independente do Brasil, com trabalhos nos mais variados gêneros, duração e suportes de captação.

Ciber Espaço (Júri online): Blood Brothers, de Maurício Fröhlich (Dois Irmãos-RS

Prêmio Imersão: Subjetivo, de Erasmo Alcântara (Goiânia-GO)

Prêmio Sonidos: Porcos Não Olham para o Céu, de Daniel Marvel (Gravataí-RS)

Prêmio Sujeira: O que Será da TV Digital?, de Adriana Veloso, Marcelo Reis e Richardson Pontone (Belo Horizonte – MG)

Prêmio Ousadia e Risco: Vídeo Terrorismo, de Vinicius Cabral (Belo Horizonte – MG)

Prêmio Contribuição: Noturna, Felipe Vernizzi (Caraguatatuba-SP)

Prêmio Inovação: Lula à Doré, de Rafael Schiliting (Florianópolis-SC)

Prêmio Filme de Aluno: Um Filme Chamado Sfincter, de Zeca Brito (Porto Alegre – RS)

Prêmio do Júri Popular: Kilmair, de Marcio Schenato (Caxias do Sul-RS)

Prêmio Especial do Júri: O Filme do Filme Roubado do Roubo da Loja de Filmes, de Marcelo Yuka, Júlio, Pecly e Paulo Silva (Rio de Janeiro -RJ); Galápagos, de Fernando Secco (Niterói-RJ), Eternau, de Gustavo Jahn (Florianópolis – SC), Clack Boom, de Bruno Graziano (São Paulo -SP)

Postado por Marcelo Perrone

A peste na Espanha

26 de novembro de 2007 0

Rafael Figueiredo dirigiu

Rafael Figueiredo levou o prêmio de melhor diretor pelo curta-metragem A Peste de Janice, sábado, na 33ª edição do Festival do Cinema Iberoamericano de Huelva, na Espanha.

Outros brazucas também foram premiados. O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger, ganhou o Prêmio Especial do Júri, enquanto Leonardo Medeiros foi escolhido o melhor ator pelo filme Não por Acaso.

Enrique Fernández e César Charlone (meio-brasileiro, meio-uruguaio), receberam o prêmio de melhor roteiro original por O Banheiro do Papa, co-produção entre Uruguai, Brasil e França.

Os longas-metragens premiados

* Melhor Filme: Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas (México/França/Holanda)

* Prêmio Especial do Júri: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger (Brasil)

* Melhor Filme de Estréia: Maldeamores, de Carlos Ruiz y Mariem Pérez (Porto Rico/Reino Unido)

* Melhor Direção: Carlos Reygadas, por Luz Silenciosa (México/França/Holanda)

* Melhor Ator: Leonardo Medeiros, por Não por Acaso (Brasil)

* Melhor Atriz: Sofía Gala, por El Resultado del Amor, de Eliseo Subiela (Argentina)

* Melhor Roteiro Original: Enrique Fernández e César Charlone, por O Banheiro do Papa (Uruguai/Brasil/França)

* Melhor Fotografia: Paula Grandío, por La León, de Santiago Otheguy (Argentina)

 

Os curtas premiados

* Melhor Curta: Juanito Bajo el Naranjo, de Juan Carlos Villamizar (Colômbia)

* Melhor Direção: Rafael Figuereido, por A Peste da Janice (Brasil)

* Melhor Roteiro: Ana Paulina por Una Muerte Menor (México)

Postado por Marcelo Mugnol

40 anos em 10 curtas

26 de novembro de 2007 1

Jofre Soares protagoniza

Só pra variar o Festival de Brasília faz tudo o que sonha vossa vã filosofia. Ou ainda: mais uma lição de Brasília para Gramado.

Na 40ª edição, Brasília lança o DVD Festival de Brasília: 40 Anos em 10 Curtas, contendo os 10 melhores curtas-metragens exibidos no festival. Lógico, é a lista dos 10 curtas que os curadores, o cineasta Vladimir Carvalho, o jornalista Sérgio Moriconi e o coordenador geral do Festival, Fernando Adolfo, acreditam ser a melhor seleta da sua história. E com certeza vai ter muuuuita gente reclamando a falta deste ou daquele.

O certo é que o DVD é um documento importante e que acaba por registrar não só diferentes fases do curta-metragismo, bem como a trajetória do Festival de Brasília. O projeto conta com o apoio do Fundo Nacional de Cultura do MinC, viabilizando a produção de 1,2 mil DVDs, que serão distribuídos gratuitamente em todo o país.

FILMES DO DVD

DÉCADA DE 60

* Blá… Blá… Blá…, de Andréa Tonacci. Ficção, p/b, 30min, SP, 1968

A João Guimarães Rosa, de Roberto Santos. Documentário, p/b, 14min, SP, 1969

DÉCADA DE 70

* Simitério do Adão e Eva, de Carlos Augusto Calil. Documentário, cor e p/b, 19min, SP, 1975

* Brinquedo Popular do Nordeste, de Pedro Jorge de Castro. Documentário, cor, 25min, DF, 1977

DÉCADA DE 80

* Meow, de Marcos Magalhães. Animação, cor, 8min, RJ, 1981

* Porta de Fogo, de Edgard Navarro. Ficção, cor, 27min, BA, 1985

DÉCADA DE 90

* Maracatu, Maracatus, de Marcelo Gomes. Documentário/ficção, cor, 14min, PE, 1995

* Mr. Abrakadabra!, de José Araripe Jr. Ficção, p/b,13min, BA, 1996

DÉCADA DE 2000

* Rua da Amargura, de Rafael Conde Ficcão, cor, 15min, MG, 2003

* Rap, O Canto da Ceilândia, de Adirley Queiroz. Documentário, cor, 15min, DF, 2005

 

Vai lá no site do projeto!

Postado por Marcelo Mugnol

Brazucas em Havana

26 de novembro de 2007 1


Saiu a lista dos filmes selecionados para o 29º Festival del Nuevo Cine Latinoamericano de Havana, que rola entre os dias 4 e 12 de dezembro, em Cuba. E tem gaúcho na lista: Wood & Stock: Sexo, Orégano & Rock%27n%27Roll, de Otto Guerra, concorre no concurso de animação. O curta em 16 mm Terra Prometida, de Guilherme de Castro, é outro representante do RS na competição, na disputa de ficção da categoria.

Na principal categoria, Longas de Ficção, o Brasil entra com seis filmes. Até o Cobrador: In God We Trust, de Paul Leduc, co-produção entre Espanha, Argentina, Grã Bretanha e Brasil, entrou na vaguinha brazuca.CONCURSO DE FICÇÃO:

* A Via Láctea (Lina Chamie)

* Baixio das Bestas (Cláudio Assis)

* Cobrador: In God We Trust (Paul Leduc) Espanha, Argentina, Grã Bretanha, Brasil

* Deserto Feliz (Paulo Caldas)

* O Ano em que meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburger)

* O Cheiro do Ralo (Heitor Dhalia)

CONCURSO DE PRIMEIRO E SEGUNDO FILMES (ÓPERAS PRIMAS):

* A Casa de Alice (Chico Teixeira)

* A Ilha da Morte (Wolney Oliveira)

* Mutum (Sandra Kogut)

* O Grão (Petrus Cariry)

* Querô (Carlos Cortez)

CONCURSO DE DOCUMENTÁRIOS:

* Acidente (Cao Guimarães, Pablo Lobato)

* Câmara Viajante (Joe Pimentel)

* Descaminhos (Marília Rocha, Luiz Felipe Fernandes, Alexandre Baxter, João Flávio Flores, Maria de Fátima Augusto, Leandro HBL, Armando Mendz e Cristiano Abud)

* Filipe (Margarita Hernandez)

* Jardim Ângela (Evaldo Mocarzel)

* Saba (Thereza Menezes, Gregório Graziosi)

* Santiago (João Moreira Salles)

* Stela do Patrocínio – A Mulher que Falava Coisas (Márcio de Andrade)

CONCURSO DE ANIMAÇÃO:

* Calango! (Alexandre Camargo)

* Crisálidas (Fernando Mendes)

* Dominós (Daniel Schorr)

* Engoleduaservilhas (Marcelo Marao)

* Garoto Cósmico (Alê Abreu)

* Mercúrio (Sávio Leite)

* Na Corda Bamba (Marcos Buccini)

* Vida Maria (Márcio Ramos)

* Wood & Stock: Sexo, Orégano & Rock%27n%27Roll (Otto Guerra)

CONCURSO DE FICÇÃO (CURTA E MÉDIA-METRAGEM):

* Alguma Coisa Assim (Esmir Filho)

* O.D. – Overdose Digital (Marcos DeBrito)

* Outono (Pablo Lobato)

* Quando o Tempo Cair (Selton Mello)

* Terra Prometida (Guilherme Castro)

* Trecho (Clarissa Campolina, Helvécio Marins Jr.)

* Um Ramo (Juliana Rojas, Marco Dutra)

CONCURSO DE ROTEIROS INÉDITOS:

* Amor, Água y Az Car, Gabriella Mancini

* Cupuaçu, Iana Cossoy Paro

* O Filho da Puta, Carla Guimarães de Andrade

PANORAMA LATINO-AMERICANO (FORA DE CONCURSO):

* Achados e Perdidos (José Joffily)

* Batismo de Sangue (Helvécio Ratton)

SEÇÃO INFORMATIVA (DOCUMENTÁRIOS FORA DE CONCURSO):

* À Margem do Concreto (Evaldo Mocarzel)

* Cartola (Lírio Ferreira, Hilton Lacerda)

* Construção (Cristiano Burlan)

* Elevado 3.5 (Paulo Pastorelo, Maíra Santi Buhler, João Sodré)

* Fabricando Tom Zé (Décio Matos Jr.)

* O Desafio de Zezão (Patrícia Cornils)

* O Rngenho de Zé Lins (Vladimir Carvalho)

* O Homem da Árvore (Paula Mercedes)

* O Homem-Livro (Anna Azevedo)

* Oficina Perdiz (Marcelo Diaz)

* Três Irmãos de Sangue (Ângela Patrícia Reiniger)

* Um Dia, um Circo (Marcelo Laffitte)

* América Minada (Vinícius Souza, Maria Eugênia Sá)

FORA DE CONCURSO:

* Tabaco (Renata Silva Meirelles Teixeira)

 

Confira a seleção completa do Festival de Havana aqui.

Postado por Marcelo Mugnol

Os Donos da Noite

25 de novembro de 2007 0

Joquin Phoenix e Eva Mendes no filme de James Gray

Com um pequeno atraso, aí vai o texto publicado na versão impressa do Primeira Fila, quinta-feira passada:

No Festival de Cannes deste ano, questionou-se o que o terceiro filme de James Gray, que entrou em cartaz em Porto Alegre no fim de semana passado, estaria fazendo na disputa pela Palma de Ouro. Norte-americano, o diretor de Fuga para Odessa (1994) e Caminho sem Volta (2000) usa a estrutura dos grandes estúdios, é adepto de um estilo dito clássico e tem uma gramática freqüentemente chamada de acadêmica. Costuma não agradar a quem espera roteiros surpreendentes como os de Charlie Kaufman, seqüências e planos inusitados como os de Tarantino ou um visual contemporâneo como o de Wes Anderson. Em vez de referências européias ou de cultuados filmes B, busca inspiração em filmes policiais da Hollywood dos velhos tempos, em cineastas como Don Siegel e Robert Aldrich, no Scorsese de Os Bons Companheiros (1990) e no Coppola da trilogia O Poderoso Chefão (1972, 1974 e 1990). Ruim? Só para quem não gosta de cinema.

Os Donos da Noite é ambientado na Nova York pré-Rudolph Giuliani do final dos anos 80, marcada pela violência entre gangues e pelas disputas pelos pontos de tráfico - não por coincidência, o contexto em que Gray nasceu e foi criado. Traz Joaquin Phoenix num papel ambíguo: gerente de uma boate dominada pela máfia russa, ele precisa esconder a verdadeira identidade - é filho do chefe (Robert Duvall) e irmão do subchefe (Mark Wahlberg) da divisão policial de combate ao crime organizado. Está, portanto, no centro dos conflitos - e isso, devido em grande parte à atuação impecável do protagonista, é o ponto forte do filme: seu dilema existencial lembra o de um Michael Corleone, embora esteja mais próximo daquele vivido por Leonardo Di Caprio em Os Infiltrados (2006).

A despeito do virtuosismo técnico e de toda a mobilização que envolveu cenas como a da perseguição automobilística em meio à tempestade, com Os Donos da Noite Gray se firma como um dos destaques das gerações mais recentes de diretores que, em vez da verborragia e do espalhafato, preferem provocar os sentidos do espectador com um cinema mais tradicional - mas na medida certa para aquilo a que se propõe.

Postado por Daniel Feix

Chéri Charlotte

24 de novembro de 2007 1

Charlotte Gainsbourg em /Pandora Filmes
Ela não tem o enorme talento musical do pai, o compositor e cantor francês Serge Gainsbourg, e puxou parte generosa da imensa beleza da mãe, a modelo e atriz inglesa Jane Birkin. Mistura genética das mais equilibradas, a charmosa Charlotte Gainsbourg seguiu os passos de ambos e emplacou uma consistente carreira no cinema, estrelando bons filmes, e na música, curtindo no momento seu auge com o espetacular álbum 5.55, lançado no Brasil - a voz sussurrada, à la Serge, apoiada pelo excelente duo francês Air, arrebata em um dos mais belos discos da música pop dos últimos anos.

Nas locadoras, ela pode ser vista em filmes como Lemming e 21 Gramas. Mas o melhor é ver Charlotte na tela grande, em A Noiva Perfeita, simpática comédia em cartaz no Festival Varilux de Cinema Francês que o Guion Center exibe até quinta-feira. No longa de Eric Lartigan, Charlotte mostra versatilidade nos registros cômicos e dramáticos, como a garota que para faturar uma grana extra aceita bancar a namorada de aluguel de um solteirão.

O Festival Varilux, aliás, apresenta sete filmes, seis deles inéditos em Porto Alegre (leia mais aqui).

De brinde, confere aqui o clipe de The Songs that we Sing, uma das canções do disco 5.55.

Postado por Marcelo Perrone

Tropeiro

22 de novembro de 2007 2

E dê-lhe gaita, seu Adelar!/Daniela Xu

Adelar Bertussi, 73 anos, completa 60 de carreira em 2008. De presente, o músico de São Jorge da Mulada, na Criúva, vai ganhar um documentário sobre a sua vida e obra. O filme, em fase de pré-produção, será realizado pela produtora caxiense Spaghetti, com direção de Lissandro Stallivieri. O projeto, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, está em fase de captação de recursos.

As gravações de Adelar Bertussi – O Tropeiro da Música Gaúcha, ocorrem de janeiro a março. O roteiro privilegia a carreira de Adelar e conta como se deu sua formação musical a partir da convivência com o avô, também músico, e do pai, que chegou a ser maestro de orquestra. E vai revelar como Adelar e o irmão Honeyde alcançaram o sucesso com a dupla Irmãos Bertussi.

Postado por Marcelo Mugnol

Pela estrada afora

21 de novembro de 2007 0

O diretor brasileiro Walter Salles escreveu um interessante artigo para a revista dominical do jornal The New York Times sobre os road movies, em que comenta a gênese e a evolução e cita obras representativas do gênero – que se no passado significava o desejo da transgressão, da busca pela liberdade, passou a refletir também as andanças provocadas por crise políticas e econômicas mundo afora.

Salles prepara a adaptação de On The Road, o clássico %22pé na estrada%22 da literatura beat, de Jack Kerouac, com lançamento previsto para 2009. No texto, o diretor diz se interessar cada vez mais pelo estreitamento dos limites entre ficção e documentário, fala de filmes como o brasileiro Iracema - Uma Transa Amazônica, do seu Diários de Motocicleta e de trabalhos de colegas como o italiano Michelangelo Antonioni (Profissão: Repórter) e Abbas Kiarostami (Dez).

Salles lembra ainda uma viagem de carro que fez com o escritor Lawrence Ferlinghetti, outro símbolo da literatura beat, que lhe disse: %22Sabe, nos anos 50 ainda existia um país a ser mapeado. A gente não sabia o que iria encontrar no fim da estrada. Hoje tudo mudou. Com a TV, não existe mais esse %22mais além%27%22. Veja AQUI o texto na íntegra (em inglês).

Postado por Marcelo Perrone

Velhos são fracos? Fracos são velhos?

19 de novembro de 2007 0

Javier Bardem, de peruca e cara de mau/Europa Filmes/DVG
Admirador confesso da obra do grande poeta americano da violência contemporânea, Cormack McCarthy (não confundir com Carson McCullers, por favor), eu vinha acompanhando com algum interesse a notícia de que os irmãos Coen estavam adaptando para o cinema um dos romances do autor de 73 anos, um renovador do gênero literário do western e um dos narradores mais poderosos da moderna literatura produzida nos Estados Unidos. O livro No Country for Old Men ganhou no ano passado uma edição pelo selo Alfaguara, da editora Objetiva, com o título de Onde os Velhos não Têm Vez, uma tradução, feita pela escritora Adriana Lisboa, bastante aceitável para o nome original da obra.

O livro é seco como a planície desértica da América, e conta a jornada de sangue e violência de um jovem veterano do Vietnã, Llwelyn Moss. Em certa caçada no deserto texano, Moss esbarra num comboio de traficantes de drogas dizimados em alguma violenta rixa. Junto à caminhonete na qual se encontram os corpos, Moss encontra uma maleta com dois milhões de dólares e resolve passar a mão na gaita, já que seus supostos donos cravejados de bala não devem mais sentir falta. Uma decisão que o colocará em conflito com o xerife encarregado caso e com um assassino profissional psicótico, Anton Chigurh (que eu saiba é esse o personagem de Javier Bardem no filme dos Coen), mandado atrás do dinheiro pelos seus ilegítimos donos, bem vivos, ao contrário dos capangas que ficaram no meio do deserto.

Mas eu vinha acompanhando, como disse antes, e as notícias sobre a adaptação dos Coen e sabia, portanto, que já tem até trailers rodando por aí, alguns disponíveis no YouTube. Pois ontem, num breve passeio ao cinema do shopping João Pessoa, observo dentre os cartazes que anunciam as promoções recentes que o filme já tem cartaz nacional (e estréia marcada para 15 de fevereiro), mas seu nome foi mudado para Onde os Fracos Não Têm Vez, o que não me parece fazer o menor sentido. Fraco em inglês, %22weak%22, não é um sinônimo aceitável para %22velho%22, nem tem o mesmo sentido.

Considerando que a Organização Mundial de Saúde define %22idoso%22 como alguém a partir de 60, pode-se dizer do brucutu Arnold Schwarzenegger, 60 anos completos em julho, que é velho, mas não que é fraco. Assim como o homem-esqueleto do filme Nacho Libre não parece ter muito mais de 30 anos, mas é fraco. O que me leva a perguntar: será que mudaram de nome porque levaram medo que Onde os Velhos não Têm Vez ferisse de alguma forma o Estatuto do Idoso?

Postado por Carlos André Moreira

Os Simpsons - Os Filmes

18 de novembro de 2007 0

Homer e Jack iluminados e furiosos /Reprodução
 

Dica para um dia chuvoso. Quem é fã dos Simpsons sabe que o genial seriado costuma fazer referências aos clássicos do cinema. Confere AQUI uma compilação desses momentos que anda circulando pela rede, garimpada pelo site The Adventures of Accordion Guy in the 21st Century. Tem reprodução quadro a quadro de seqüências de O Iluminado, Psicose, Intriga Internacional e até do Karate Kid. As atualizações são constantes, com links para as mais recentes.  

Postado por Marcelo Perrone