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Berlim 2008

15 de dezembro de 2007 3

Day-Lewis: grande concorrente para Wagner Moura
Exatos dez anos depois da vitória triunfal de Central do Brasil, de Walter Saller Jr., o Brasil volta ao Festival de Berlim, que ao lado de Cannes e Veneza fecha a trinca dos mais importantes festivais de cinema do planeta. O anúncio da inclusão de Tropa de Elite na primeira leva de concorrentes (foram anunciadas oito produções, normalmente concorrem cerca de 20), em primeiro lugar explica por que o filme de José Padilha não vai mais concorrer em Sundance, como havia sido anunciado previamente: fará muito melhor à campanha internacional de Tropa uma premiére mundial na Berlinale do que no evento independente dos EUA, por mais cool que seja estar em Sundance.

Padilha acertou ao privilegiar Berlim. As chances de fazer história erguendo o Urso de Ouro, no entanto, talvez não sejam lá muito grandes. Ainda é cedo para fazer qualquer tipo de previsão, mas já há dois indícios de que a competição será dura para o filme brasileiro.

O primeiro é a presença de Constantín Costa-Gavras como presidente do júri que vai distribuir os troféus. Apesar de ter uma carreira marcada essencialmente por filmes políticos como Estado de Sítio (1973) e Missing - Desaparecido (1981), entre muitos outros, o cineasta grego não tem o gosto muito afeito a produções com cenas de violência mais explícitas - ele já declarou não ter gostado de Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, por exemplo. E, sobretudo, acredito eu, Costa-Gavras não deverá ver com empolgação a transformação de um personagem como Capitão Nascimento em verdadeiro herói, como ocorre, sim, em Tropa de Elite, e como ocorre por que os autores do filme assim quiseram.

O segundo indício é a presença de Sangue Negro (There Will Be Blood), pelo menos para mim um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos. Já li que é uma espécie de filme da maturidade de Paul Thomas Anderson (de Magnolia e Boogie Nights). Também já li que é a melhor interpretação de Daniel Day-Lewis, um dos grandes atores de sua geração. Já li que até favorito ao Oscar Sangue Negro é. Em se tratando de P.T. Anderson, que não costuma fazer filmes clássicos, acadêmicos, aqueles que agradam à Academia americana, isso significa, talvez, quem sabe, que ele realmente tenha dado um passo adiante na sua já para lá de promissora carreira - um dos grandes méritos de Sangue Negro, ao que tudo indica, seja a capacidade de agradar a todos os tipos de público.

De qualquer forma, a simples exibição em Berlim já fará um bem gigantesco à Tropa de Elite. A exposição que o filme de José Padilha terá e os debates que ele deve originar certamente transformarão a disputa pelo Urso de Ouro em algo secundário. Só o fato de estar nessa vitrine já é uma baita vitória para o filme estrelado por Wagner Moura. Não vejo como Tropa de Elite, pelas suas qualidades e pelas discussões que provoca, não sair badaladíssimo de Berlim.

O festival começa no dia 7 de fevereiro. A lista completa dos concorrentes deve sair até o final de dezembro.

Postado por Daniel Feix

Comentários (3)

  • Cláudia Ferreira diz: 15 de dezembro de 2007

    Que bom!
    Eu amei Tropa de Elite!!!

  • Breno Soares diz: 16 de dezembro de 2007

    Acho triste que num país com dimensões continentais, um filme meramente regional que faz apologia explícita a violência policial, receba tantos elogios justamente de sua maior vítima, a sociedade. Que pena!

  • Vagner diz: 15 de dezembro de 2007

    Só corrigindo: Ano passado o Brasil também participou do Festival de Berlim com o filme "O ano em que meus pais saíram de férias". ok?

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