
Nesta segunda-feira, a capa do Segundo Caderno traz uma matéria sobre a adaptação para o cinema de O Dobro de Cinco, história em quadrinhos policial do escritor e desenhista Lourenço Mutarelli, autor que deixou de brilhar apenas no underground por conta do sucesso recente do filme baseado em seu romance O Cheiro do Ralo. Quer saber mais? Leia o jornal amanhã, no papel ou em www.zerohora.com
Pois no papo com o cineasta gaúcho Dennison Ramalho, diretor de O Dobro de Cinco – na verdade ele nasceu em São Paulo, mas é daqueles que leva o Rio Grande no peito –, ele adiantou uma série de novidades sobre outro projeto seu que deve chegar aos cinemas em 2008. Baita projeto, diga-se. Quem conhece o Dennison sabe que ele adora e é pós-doutorado em filmes de terror, e é um dos raros cineastas brasileiros a investir no gênero – é autor dos premiados curtas Nocturnu (1999), filme de vampiro que ele fez aqui no Estado antes de se bandear de vez para São Paulo, onde vive há nove anos, e do sangrento Amor só de Mãe (2003). Por conta dessa paixão, Denison ficou amigo de José Mojica Marins, o grande e único Zé do Caixão, e se tornou seu pupilo.
- Nossa amizade começou quando ele veio a Porto Alegre para uma homenagem e pedi para dar uma olhada no Nocturnu,que eu estava montando e não conseguia encontrar uma final. Ele deu umas dicas e pronto. Ficou perfeito - lembra Dennison.
Resumindo, ao se mudar para São Paulo a amizade virou parceria. Foi Dennison, junto o produtor Paulo Sacramento (diretor do ótimo documentário O Prisioneiro da Grade Ferro) quem botou pilha para Mojica ressucitar o Zé do Caixão e filmar Encarnação do Demônio, longa que finalmente fecha a trilogia iniciada em 1964 com À Meia-Noite Levarei sua Alma, seguido por Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967) - clássicos que fizeram a fama do Zé do Caixão mundo a afora. Mas Mojica achava que o personagem tinha de ser adaptado para o mundo contemporâneo, e aí Dennison entrou na jogada como roteirista.
- O Mojica sempre estreve na frente do seu tempo e disse que não podia ficar pra atrás agora, numa era em que o terror abusa dos efeitos especias e da tecnologia. Ele trabalhava no roteiro desde os anos 60. Pequei uma quinta versão, dos anos 80 e trabalhei com ele outras nove, até chegarmos à versão final. Eu me atrevo a dizer que Encarnação do Demônio vai chocar o mundo. Dennison, que trabalhou também como diretor assistente do mestre, diz que o filme não é para platéia sensíveis, tampouco para os adolescentes acostumados com psicopatas marcarados e espíritos vingativos.
Encarnação do Demônio, cuja trama dá seguimento à saga de Zé do Caixão para encontrar a parceira ideal para gerar seu filho endiabrado, é bastante explícito nas cenas de violência, sexo e horror subrenatural. Realizado com orçamento e recursos técnicos antes impensáveis para o cinema artesanal e em mutirão praticado por Mojica, Encarnação do Demônio terá distribuição nacional e internacional da Fox – em fase de finalização da trilha, o longa deve ser lançado no final do ano.
Postado por Marcelo Perrone



