Nesta quinta sai no Segundo Caderno (capa e central) a retrospectiva dos filmes e fatos cinematográficos relevantes de 2007, avaliação coletiva que sempre corre – e assume – o risco de deixar algo bom de fora. Como complemento ao nosso balanção, adiantamos aqui nossas listas pessoais (os 10 mais com 11 ou 12), algumas sem ordem de preferência, com a sempre valiosa contribuição do Carlos André Moreira, titular do blog literário Mundo Livro. Noves fora, o suspense policial Zodíaco, a dobradinha da II Guerra A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima, o visceral Tropa de Elite e o transgressor Santiago podem cantar vitória.
Carlos André Moreira
Os meus, com justificativa mas sem ordem. Ah, sim, lembrem-se de que eu não sou um cinéfilo e sim um cara que vai às vezes ao cinema.
Apocalypto - Fale-se de Mel Gibson o que quiser, mas ele sempre consegue imaginar maneiras cinematograficamente impactantes de matar, decapitar, torturar ou flagelar alguém em cena.
Zodíaco - Filme sobre serial killer no qual o serial killer não é pego e ainda assim mantém a tensão e o interesse, e com um trabalho de boas interpretações de Jake Gyllenhaal e do ressuscitado Robert Downey Jr.
Saneamento Básico, o Filme - Este está aqui mais porque eu achava que tinha de ter um nacional, e este foi o melhor que vi este ano. Jorge Furtado faz uma comédia sobre cinema que tem graça. Já é o bastante.
Quebra de Confiança - Eu ia botar O Bom Pastor, mas me lembrei deste que também é um thriller de espionagem em agências federais e que tem um ritmo mais vigoroso.
O Despertar de Uma Paixão - Título ridículo para um bom filme, com uma Naomi Watts linda como sempre.
Sunshine: Alerta Solar - Tirando o fato de que levar ogivas nucleares para o sol parece a idéia mais estúpida da história do cinema, o filme é muito bacana. Para lembrar que ficção científica não precisa ser arminha laser e espadinha brilhante.
Mais Estranho que a Ficção - Minha memória de histórias metalingüísticas no cinema é traumática, já que achei Adaptação horrível, mas esta tem originalidade, uma boa história e Maggie Gyllenhaal.
Cartas de Iwo Jima e A Conquista da Honra - Vou considerar os dois em separado, embora sejam complementares. Clint Eastwood faz dois necessários filmes com jeitão antiquado sobre valores antiquados, como honra, coragem e responsabilidade.
300 - O Roger vai me matar por esta, mas num ano em que Homem-Aranha 3 foi uma decepção, sobrou para o fã de quadrinhos berrar: %22This is Spaaarta!%22
Daniel Feix
SANTIAGO - João Moreira Salles investiga seus próprios métodos e suas próprias escolhas: poucas vezes o cinema brasileiro foi tão autoral e tão profundo na manipulação da linguagem documental.
TROPA DE ELITE - José Padilha fez o filme mais contundente sobre o Brasil de hoje desde Cidade de Deus.
TARNATION - Um mergulho na vida de um personagem (no caso, o próprio diretor, Jonathan Caouette) como o cinema poucas vezes viu.
VIAGEM A DARJEELING - Wes Anderson se livra dos maneirismos e nos apresenta um filme ao mesmo tempo delicado e cheio de vitalidade.
A CONQUISTA DA HONRA/CARTAS DE IWO JIMA - A visão de Clint Eastwood sobre valores como heroísmo e patriotismo é absolutamente única;
MARIA ANTONIETA - O tom pop e contemporâneo adotado por Sofia Coppola foi o mais adequado possível para a cinebiografia da rainha francesa
CARTOLA - Um dos melhores inícios de filme do cinema brasileiro. Com sua visão extremamente pessoal sobre o personagem, Lirio Ferreira multiplica o interesse naturalmente despertado por ele.
AS LEIS DE FAMÍLIA - O melhor filme de Daniel Burman, um dos diretores latino-americanos mais promissores de sua geração.
ZODÍACO - O bom do thriller de suspense de David Fincher não é o fato de ele ser cheio de detalhes, mas sim o fato de que todos esses detalhes fazem sentido e são elementos importantes para a trama.
CÃO SEM DONO - Beto Brant consegue transformar os poucos recursos de produção e de seu elenco em uma experiência cinematográfica marcante.
Marcelo Perrone
A Conquista da Honra / Cartas de Iwo Jima – Clint Eastwood reflete um filme no outro e mostra que estilhaços de guerra abatem não apenas os que lutam no front.
O Ultimato Bourne – O thriller de espionagem tem no registro quase documental de Paul Greengrass sua mais inventiva leitura no cinema contemporâneo.
Ratatouille – Quando o mundo do desenho animado parecia sem graça e repetitivo, Brad Bird revigorou o alto padrão da inimitável Pixar num filme com cheiro e gosto.
Zodíaco – David Fincher constrói uma trama policial que prescinde de ação e torna a solução de mistério secundária diante obsessão que move e corrói seus ricos personagens.
Tropa de Elite – Polêmicas sociais e mercadológicas de lado, o Brasil mostra que sabe fazer filme de ação e apresenta um personagem desde já clássico graças a um grande ator.
Santiago – Pode-se entrar no documentário de João Moreira Salles por diversas portas, sob impacto tanto da técnica quanto da narrativa inovadoras, guiado tanto por um audacioso cineasta quanto por um personagem tão excepcional que a melhor ficção não conseguiria desenhar.
C.R.A.Z.Y. – Famílias disfuncionais pipocam a toda hora no cinema, mas Jean-Marc Vallé tira leite de pedra com uma trama peculiar sobre intolerância e respeito às diferenças, embalada por uma espetacular trilha sonora.
Maria Antonieta – A rainha da França, nessa inventiva releitura pop, se junta às jovens heroínas de Sofia Coppola que compartilham o desconforto diante do ambiente opressor, seja no subúrbio americano, em Tóquio ou no palácio de Versailles.
O Despertar de uma Paixão – Sob aparecência do cinemão romântico dos bons tempos, destaca dois grandes atores (Edward Norton e Naomi Watts) em ardorosa entrega a seus personagens. De John Curran.
O Hospedeiro - Ficção científica, terror, melodrama e humor pastelão. Improvável e criativa mistura de gêneros que deu liga graças à habilidade do sul-coreano Bong Joon-ho.
Na reserva: Conduta de Risco – Estréia e já entra na lista dos melhores de 2007. O novato diretor Tony Gilroy, além da trama envolvente de lavra própria, obtém um trabalho coletivo do elenco em nível que poucas vezes se vê.
Roger Lerina
1) Tropa de Elite - Thriller empolgante sob um ponto de vista inédito no cinema brasileiro
2) Lady Vingança - Perturbador desfecho da trilogia da vingança do coreano Park Chan-wook
3) Inferno - O bósnio Danis Tanovic mantém vivos os dilemas morais do mestre polonês Krzysztof Kieslowski
4) Amantes Constantes - O francês Philippe Garrel filma a ressaca existencial deixada pelo Maio de 68
5) O Hospedeiro - O coreano Bong Joon-ho provou ser possível juntar terror, humor, drama e política em um mesmo filme
6) Zodíaco - No curioso policial de David Fincher, a obsessão não é exclusividade do serial killer
7) Ventos da Liberdade - O vigoroso trabalho do inglês Ken Loach segue sendo uma ave rara no cinema engajado contemporâneo
A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima - Clint Eastwood emociona com seu díptico sobre a verdadeira essência do heroísmo, do patriotismo e da amizade
9) Maria Antonieta - Sofia Coppola ousa com um perfil alienado e entediado da rainha francesa teen
10) Santiago - João Moreira Salles segue os passos do mestre Eduardo Coutinho e vira a mesa do documentário nesta obra auto-expiativa
Ticiano Osório
Uma vez que são 12 meses no ano, que num dia de 24 horas daria para ver 12 filmes, que são 12 os condenados e 12 os cavaleiros da Távola Redonda, resolvi montar uma lista com os 12 melhores filmes do ano. Quer dizer, fui forçado a, em um ano tão rico em bom cinema. É uma lista mais emotiva do que crítica, ou seja: valeu mais o quanto o filme me deixou empolgado, tenso, triste, felicíssimo, intrigado, mesmerizado, e menos o que o tempo dirá deles _ quase nenhum há de se tornar um clássico, mas aqui estão a minha dúzia de 2007 (sem ordem de preferência):
1) Borat, de Larry Charles
2) Perfume, de Tom Tykwer
3) C.R.A.Z.Y., de Jean-Marc Vallé
4) No Vale das Sombras, de Paul Haggis
5) Os Simpsons, de David Silverman
6) Babel, de Alejandro González Iñárritu
7) O Passado, de Hector Babenco
Tropa de Elite, de José Padilha
9) Conduta de Risco, de Tony Gilroy
10) Santiago, de João Moreira Salles
11) Apocalypto, de Mel Gibson
12) Pecados Íntimos, de Todd Field
Postado por Marcelo Perrone