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Posts do dia 4 janeiro 2008

Clássico do pensamento universal

04 de janeiro de 2008 0

Monty Python: seis gênios do humor/reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É o encontro que separa os homens dos meninos na escola do pensamento universal. O time da Alemanha entra em campo com o consagrado 4-2-4, liderado por Schopenhauer e um elenco dos sonhos: Leibniz no gol, Kant e Hegel na zaga, o ataque incisivo formado por Nietzsche, Heidegger e Wittgenstein e, articulando no meio-campo, uma jovem e habilidosa promessa, Beckenbauer, que mandou para o banco Marx, ídolo da torcida.

Já o experiente escrete da Grécia revela a invejável boa forma do veterano Heráclito. É um time que tem um eixo respeitável: Platão na gol, Sófocles de central, Aristóteles como líbero e Sócrates, o goleador da toga 9. Começa a decisão da Copa do Mundo dos Filósofos, com arbitragem à altura da importância da peleja histórica: Confúcio no apito e São Tomás de Aquino e Santo Agostinho nas bandeirinhas.

A partida segue morna, com os dois times se estudando, ninguém querendo arriscar, até que…Heureca! Arquimedes pega a bola no círculo central, avança em tabelinha com Sócrates e cruza da direita para o pensador-matador, sempre ele, mandar de cabeça para o fundo da cidadela alemã. O time germânico surpreende ao deixar de lado a razão e partir para cima do juiz. %22A realidade é apenas um a priori acessório à ética antinaturalista%22, berra Hegel . Kant chega peitando: %22 Ontologicamente, o gol só existe na imaginação%22. Marx, que substituiu o apático Wittgenstein no segundo tempo, é mais ponderado: %22Pô, o Sócrates tava impedido!%22.

Essa impagável partida é um dos mais célebres esquetes do grupo humorístico britânico Monty Python e faz parte do DVD Ao Vivo no Hollywood Bowl, lançado pela Sony – veja resenha no Segundo Caderno de hoje. Esse quadro, lógico, não é encenado ao vivo, mas exibido num telão, assim como a olimpíada de esporte bizarros, tipo corrida para obstáculos para pessoas que pensam ser galinhas e maratona para quem sofre de incontinência urinária. Se você não conhece o genial trabalho do sexteto que inventou uma linguagem própria e até hoje influente de fazer humor, tsc, tsc, tsc. Aos fãs, o lançamento amplia a coleção Monty Python, que já tem os longas Em Busca do Cálice Sagrado, A Vida de Brian (agora com nova edição, cheia de extras) e O Sentido da Vida. E a Sony anuncia o lançamento para fevereiro da primeira temporada do Flying Circus, o fundamental programa que o Monty Python estrelou na BBC entre 1969 e 1974.

Postado por Marcelo Perrone

O fim no auge

04 de janeiro de 2008 0

Markku Peltola (1957-2008)
2008 mal começou e já contabilizamos duas perdas marcantes no cinema europeu. E, o que é ainda pior, duas perdas das quais se falou muito pouco – menos do que Markku Peltola e Ion Fiscuteanu mereciam, pela qualidade do seu trabalho e pela surpresa que suas mortes provocaram.

O primeiro, finlandês, morreu jovem, no auge da carreira, poucos anos após protagonizar O Homem sem Passado (2002), filme dirigido por Aki Kaurismaki que para mim é uma das obras-primas desta década. Aos 50 anos, Peltola já havia trabalhado em outros filmes do mesmo diretor, como Nuvens Passageiras, de 1996, e em algumas das produções de maior sucesso de seu país, mas só se tornou conhecido internacionalmente com O Homem sem Passado, que saiu premiado do Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2003. O DVD está nas locadoras. Se você ainda não viu, a minha dica é: corra.

A morte de Peltola lembra a de Ulrich Mühe, protagonista do alemão A Vida dos Outros (2006), de Florian Henkel von Donnerstein, em julho de 2007. Mühe tinha 54 anos e, como o ator finlandês, um tumor maligno que não pôde ser vencido. Também como Peltola, Mühe tinha acabado de protagonizar seu filme mais conhecido, aquele que poderia definitivamente alçar sua carreira à esfera internacional. Ainda não vi A Vida dos Outros, mas não perderei tempo: o filme está em pré-estréia este final de semana nos cinemas de Porto Alegre, e deve entrar em cartaz muito em breve na cidade. Quem viu recomenda com entusiasmo.

Já o romeno Fiscuteanu, embora tenha morrido ainda no final de 2007, e aos 69 anos, ou seja, não tão novo quanto Peltola, viveu apenas os dois anos seguintes ao lançamento seu filme mais conhecido, A Morte do Senhor Lazarescu (2005), de Cristi Puiu, no qual ele interpreta o… Senhor Lazarescu. Se você é cinéfilo, sabe que a Romênia, pelos prêmios que tem faturado nos festivais internacionais, é a cinematografia européia da vez. Pois a produção que inaugurou essa %22nova onda%22, a que chamou a atenção da crítica e dos distribuidores, quando foi exibida em Cannes, de onde saiu igualmente premiada, foi justamente A Morte do Senhor Lazarescu. Este, no entanto, infelizmente, ainda não apareceu em DVD por aqui.

Postado por Daniel Feix