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Posts de fevereiro 2008

A coisa tá russa

28 de fevereiro de 2008 0

Pede pra sair, ô, cossaco!/PlayArte/Divulgação
Um dos grandes títulos em cartaz na cinelândia porto-alegrense é o policial Senhores do Crime, dirigido pelo canadense David Cronenberg. O tenso suspense é ambientado no seio da máfia russa em Londres e é protagonizado por Viggo Mortensen (foto). O papel de guarda-costas de chefões do crime rendeu neste ano ao ótimo ator americano indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro.

Tá a fim de ver o novo filme do perturbado Cronenberg, realizador do igualmente brutal Marcas da Violência? Então participa da promoção bolada pelo blog Primeira Fila e pela coluna Contracapa, da Zero Hora: é só clicar aqui e responder %22Como o capitão Nascimento enfrentaria a máfia russa?%22. As 20 respostas mais criativas levam um par de ingressos para assistir a Senhores do Crime.

Postado por Roger Lerina

Por que os Coen venceram

26 de fevereiro de 2008 2

Martin Scorsese e os irmãos Joel e Ethan Coen, de Onde os Fracos Não Têm Vez/AP
Quando Martin Scorsese entregou o troféu de melhor direção para Joel, 53 anos, e Ethan Coen, 50, que em seguida subiriam novamente ao palco do Kodak Theatre para a consagração final de Onde os Fracos não Têm Vez, confirmava-se uma discreta porém perceptível mudança que vem se fazendo notar, gradativamente, nas últimas premiações do Oscar.

Diferentemente do veterano diretor de Os Infiltrados – Scorsese precisou esperar até os 65 anos para levar para casa a estatueta de melhor filme, no ano passado – as cultuados irmãos receberam-na no auge de sua criatividade, com um filme que pode não ser o seu melhor (posto que talvez seja ocupado por Fargo, de 1996), mas que é um dos mais representativos de seu estilo de filmar.

Não haveria injustiça na escolha da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood - poucas vezes, nos últimos anos, se viu uma disputa tão acirrada na principal categoria do Oscar, sem que qualquer um dos concorrentes se sobressaísse em relação aos demais. Embora muito diferentes entre si, os cinco indicados a filme do ano são todos muito parecidos em suas virtudes - estão ancorados em ótimos roteiros, destacam-se por interpretações no mínimo corretas e, fundamentalmente, são filmes com a marca pessoal de seus autores.

É aí que está a novidade. Se até recentemente os pouco mais de 6 mil integrantes do colegiado responsável por distribuir as estatuetas preferiam a linguagem tradicional, acadêmica, de produções como Forrest Gump (que derrotou Pulp Fiction em 1994), Shakespeare Apaixonado (que bateu Além da Linha Vermelha em 1999) ou Gladiador (em detrimento de Traffic, em 2001), nos últimos anos o troféu de melhor filme tem sido entregue ou a velhos mestres, como o próprio Scorsese e Clint Eastwood (vencedor em 2005 por Menina de Ouro), ou aos cineastas que têm construído algumas das obras autorais mais significativas de Hollywood nos últimos tempos.

São exemplos, além dos Coen, os vencedores de 2005 (Paul Haggis, por Crash) e 2004 (Peter Jackson, por O Senhor dos Anéis, filme que é muito mais do que um blockbuster, como os mais apressados podem pensar). E, ainda, o outro favorito da noite de domingo, Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, 37 anos e já uma filmografia plenamente consolidada.

A tese que emplaca entre os analistas aponta a juvenilização da Academia como uma possível responsável pela mudança - o que se confirma na reverência aos grandes ícones do cinema que são Scorsese e Eastwood.

Joel e Ethan, com seus característicos policiais ambientados no meio-oeste americano, sempre filmados num registro que varia entre o drama e o humor, podem provocar estranheza nas platéias mais afeitas aos blockbusters.

Mas, a Academia parece dizer, mesmo para quem acha Titanic o maior filme de todos os tempos, vale a pena abrir a cabeça.

Leia mais sobre o Oscar 2008 no Segundo Caderno da Zero Hora de hoje.

A seguir, a lista completa dos premiados:

Melhor filme: Onde os Fracos Não Têm Vez
Diretor: Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Ator: Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)
Atriz: Marion Cotillard (Piaf - Um Hino ao Amor)
Atriz coadjuvante: Tilda Swinton (Conduta de Risco)
Ator coadjuvante: Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Roteiro original: Diablo Cody (Juno)
Roteiro adaptado: Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Fotografia: Robert Elswitt (Sangue Negro)
Montagem: Christopher Rouse (O Ultimato Bourne)
Direção de arte: Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo (Sweeney Todd - O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet)
Figurino: Alexandra Byrne (Elizabeth - A Era do Ouro)
Maquiagem: Didier Lavergne e Jan Archibald (Piaf - Um Hino ao Amor)
Canção original: Falling Slowly, de Glen Hansard e Markéta Irglová (Once)
Trilha sonora: Dario Marianelli (Desejo e Reparação)
Som: O Ultimato Bourne
Edição de som: O Ultimato Bourne
Efeitos visuais: A Bússola de Ouro
Longa-metragem de animação: Ratatouille
Filme em língua estrangeira: Os Falsários, de Stefan Ruzowitzky (Áustria)
Documentário em longa: Taxi to the Dark Side, de Alex Gibney e Eva Orner
Curta de animação: Pedro e o Lobo, de Suzie Templeton e Hugh Welchman
Curta de ficção: Le Mozart des Pickpockets, de Philippe Pollet-Villard
Documentário de curta-metragem: Freeheld, de Cynthia Wade e Vanessa Roth

Postado por Daniel Feix

Chat do Oscar chato

25 de fevereiro de 2008 0

Ainda que somos dois pra carregar esse monte de estátuas.../EFE
Concordou com a entrega dos Oscar de melhor filme e direção para os irmãos Joel e Ethan Coen por Onde os Fracos Não Têm Vez? Achou que o Daniel Day-Lewis merecia mesmo o prêmio de melhor ator por Sangue Negro? Foi injustiça não premiarem a gracinha Ellen Page, de Juno, como melhor atriz? Está inconformado com o Oscar de edição de som? Dormiu durante a mais soporífera edição da festa nos últimos anos?

Então entra no chat comigo às 14h desta segunda-feira aqui no clicRBS pra desabafar, tirar as dúvidas e comentar os premiados com a estatueta dourada, tá?

Leia na íntegra o chat

Postado por Roger Lerina

O ano de Day-Lewis e Bardem

23 de fevereiro de 2008 1

Tommy Lee Jones: genial em No Vale das Sombras, mas este Oscar não deve ficar com ele
Se na categoria melhor atriz a disputa está parelha, com Cate Blanchett e Julie Christie levando um certo favoritismo mas com Ellen Page, Marion Cottilard e Laura Linney com totais condições de levar a estatueta, na categoria melhor ator parece pouco provável que Daniel Day-Lewis não ganhe seu segundo Oscar – o primeiro foi por Meu Pé Esquerdo, no longínquo 1989.

A atuação do genial intérprete de 50 anos que já se destacou em filmes de Martin Scorsese (A Idade da Inocência e Gangues de Nova York), n%27O Último dos Moicanos de Michael Mann e em filmes de Jim Sheridan (além de Meu Pé Esquerdo, ele protagonizou Em Nome do Pai), foi saudada como %22a melhor do século%22 por diversos críticos e levou absolutamente todos os prêmios prévios – que, como já se disse em post anterior, representam a Academia norte-americana, em última instância.

Não se pode deixar de ressaltar, no entanto, as performances absolutamente irretocáveis que levaram Viggo Mortensen, Johnny Depp, Tommy Lee Jones e George Clooney à indicação na categoria. Mortensen deu continuidade a uma das parcerias mais profícuas do cinema recente com o diretor David Cronenberg – ele já havia feito com brilhantismo Marcas da Violência, e agora está ainda melhor no papel ambíguo de um mordomo, ou mafioso, ou agente policial infiltrado (só vendo para saber) no crime organizado russo que habita as ruas de Londres. O filme, aliás, é o maior injustiçado do Oscar – deveria estar ao menos entre os cinco concorrentes à principal estatueta em disputa.

Outro injustiçado é No Vale das Sombras, de Paul Haggis, melhor filme entre os vários sobre a guerra do Iraque que foram lançados recentemente. O veterano Tommy Lee Jones atingiu um nível de interpretação raro neste filme tocante – aquele em que o ator ganha o corpo do personagem de tal forma que parece que nenhum outro, em nenhuma circunstância, poderia fazer melhor. No nível de Jones, dos atores vivos, só Clint Eastwood, Robert de Niro, Jack Nicholson e Al Pacino. E alguns mais jovens chegando, sobretudo… Daniel Day-Lewis.

Johnny Depp ganhou, com o barbeiro Sweeney Todd, um dos papéis de sua vida. E George Clooney encarou com maestria o brilhante Michael Clayton construído por Tony Gilroy no filme que em português virou Conduta de Risco. Ainda assim, se Mortensen e Jones já seriam grandes surpresas, esses dois seriam outras ainda maiores. Não devem vencer.

Aqui ainda vale lembrar outras interpretações dignas de premiação que acabaram ficando de fora das indicações: a de Denzel Washington em O Gângster e a de Christian Bale em O Sobrevivente são talvez as duas melhores de suas carreiras, o que por si só já significa muito. Mereciam ser lembrados, também.

Na categoria ator coadjuvante, também parece evidente apontar que chegou a hora de Javier Bardem. Aliás, entre todos os prêmios do Oscar, não há outros que apresentem tanto favoritismo quanto os de interpretação masculina. Também entre as atrizes a estatueta de coadjuvante parece parelha, com novamente Cate Blanchett assumindo um certo favoritismo, desta vez ao lado de Tilda Swinton, de Conduta de Risco, e Saoirse Ronan, de Desejo e Reparação. O prêmio para Ruby Dee, de O Gângster, seria incompreensível – ela mal aparece no filme – somente justificado como uma homenagem à atriz que já leva quase 90 anos de idade.

Conduta de Risco, por sinal, é o único filme dos cinco que concorrem à principal estatueta, a emplacar mais de uma indicação por interpretação. O excelente Tom Wilkinson concorre a ator coadjuvante com, além de Bardem, Casey Affleck, por O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, que já passou em todos os lugares do planeta menos em Porto Alegre, com Philip Seymour Hoffman, de Charlie Wilson%27s War, novo filme do veterano Mike Nichols muitíssimo elogiado lá fora mas ainda inédito por aqui, e com Hal Holbrook, de Into de Wild, outro filme que o escriba aqui não pôde ver – por enquanto.

De qualquer maneira, só Wilkinson já teria totais condições de tirar o prêmio de Bardem – mas não deve fazê-lo porque o assassino criado pelo ator espanhol para a produção dirigida por Joel e Ethan Coen que aparece como favorita ao prêmio de melhor filme tem sido considerado um dos personagens mais marcantes da história recente do cinema. Com toda a razão – não é toda hora que se vê uma construção de personagem tão bem-sucedida como esta.

Não esqueça: o Oscar é amanhã à noite, nos canais Globo (depois do Big Brother) e TNT (às 22h30min).

Postado por Daniel Feix

Juno não é mulher de Zeus

22 de fevereiro de 2008 0

Azarão na disputa ao Oscar, a excelente comédia dramática Juno concorre em quatro categorias: melhor filme, direção (Jason Reitman), atriz (Ellen Page) e roteiro original (Diablo Cody). Clica na imagem aqui embaixo da fofíssima Page e seu namorado nerd Paulie pra escutar meu comentário sobre o filme.

Postado por Roger Lerina

Meu reino por Cate Blanchett

22 de fevereiro de 2008 1

Não, eu não sou o David Bowie na fase Ziggy Stardust.../Paramount/ Divulgação
Uma das maiores atrizes da atualidade, a australiana Cate Blanchett (foto) é o grande destaque do filme Elizabeth - A Era de Ouro. A talentosa estrela literalmente leva nas costas o longa de Shekhar Kapur e pode levar seu segundo Oscar neste domingo - Cate já tem uma estatueta de melhor coadjuvante por O Aviador (2004). Aliás, a bela tem chance de papar dois troféus na mesma noite: Cate também concorre ao Oscar na categoria de atriz coadjuvante por sua impressionante atuação em Não Estou Lá, em que encarna o cantor e compositor Bob Dylan.

Ainda não viu como a moça se saiu na pele da rainha inglesa pela segunda vez - a primeira foi em Elizabeth (1998)? Então participa desta promoção que o blog Primeira Fila e a Contracapa estão fazendo com Elizabeth - A Era de Ouro: clica aqui e justifica %22Por que você acha que Cate Blanchett merece o Oscar?%22. A melhor resposta leva dois convites para o filme e um kit temático que inclui um bracelete prateado e um pôster exclusivo. Outras nove respostas inspiradas vão ganhar ingressos.

Postado por Roger Lerina

Dois favoritos, três zebras

22 de fevereiro de 2008 0

Joel e Ethan Coen no set de Onde os Fracos não Têm Vez
Poucas vezes, nos últimos anos, se viu uma disputa pela estatueta de melhor filme tão acirrada como essa do Oscar de 2008. Não há, entre os cinco indicados, qualquer título que se sobressaia dos demais. Também se pode dizer, sobre a lista dos finalistas, que se tratam de cinco filmes muito diferentes entre si. Ainda assim, dois despontam com as maiores chances de triunfo.

São eles Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, e Onde os Fracos não Têm Vez, de Joel e Ethan Coen. Ambos foram os campeões de indicações (oito cada) e venceram quase todos os prêmios prévios, o que dá um indício de sua aceitação perante a crítica e as associações de profissionais e especialistas norte-americanos – a Academia, em última instância.

O que há de interessante nesse favoritismo é que tanto Sangue Negro quanto Onde os Fracos são filmes autorais, o primeiro crítico à ganância escondida por trás do sonho americano e o segundo uma narrativa cheia de lacunas realizada em um registro que varia entre o humorístico e o dramático que pode parecer estranho às platéias mais afeitas ao cinema tradicional. A Academia já foi relativamente ousada em outros anos - com Crash, de Paul Haggis, grande vencedor em 2006, por exemplo -, mas não é toda a hora que se vislumbram dois possíveis ganhadores tão, digamos, não-acadêmicos.

Desejo e Reparação, embora tenha vencido o Globo de Ouro e seja uma adaptação à altura do romance de Ian McEwan, sequer foi indicado na categoria melhor diretor. Conduta de Risco, estréia muitíssimo interessante do roteirista Tony Gilroy na direção, não figurou em nenhuma lista prévia como filme do ano. E Juno, a despeito da larga simpatia que tem conquistado em todo o mundo, é um filme independente e sem qualquer lobby de produtoras.

Seriam, inegavelmente, três surpresas.

Pessoalmente, o meu filme hollywoodiano da temporada talvez fosse Senhores do Crime, de David Cronenberg, que, coincidentemente – e ironicamente, afinal, foi ignorado na principal categoria do Oscar - estréia hoje em Porto Alegre. Mas o filme da Academia norte-americana, se não houver surpresas, será Sangue Negro ou Onde os Fracos não Têm Vez.

O diacho é que as maiores surpresas acontecem justamente em anos de disputa parelha, como… 2008.

Será?

A cerimônia de entrega das estatuetas acontece domingo, às 22h30min (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pelo canal a cabo TNT. A TV Globo abre a sua transmissão após o Big Brother Brasil.

Postado por Daniel Feix

O melhor do Festival de Verão

21 de fevereiro de 2008 0

O excelente Mutum abre hoje o evento e terá outras três sessões em Porto Alegre
Muito legal a programação do 4º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional, né? Se você não sabe do que estou falando, clica aqui e dá uma olhada na matéria de capa do Segundo Caderno da ZH de hoje, sobre o evento – aqui ainda tem um texto sobre Mutum, longa de Sandra Kogut baseado em Guimarães Rosa que abre o festival, em sessão para convidados, hoje à noite, na Usina do Gasômetro.

Sei que a época é de Oscar e de um monte de estréias legais no circuito convencional – amanhã mesmo chega aos cinemas de Porto Alegre o excelente Senhores do Crime, do David Cronenberg, por exemplo, que recomendo com todo o entusiasmo do mundo. Mas vale muito a pena dar uma olhadinha bem cuidadosa na programação do festival e, a partir daí, se organizar para não perder alguns filmes. Embora interessantes, muitos deles devem demorar para entrar na programação das nossas salas. Embora muito bons, outros talvez nunca voltem para ser vistos em sessões diárias regulares por aqui.

Mutum é certamente um dos melhores títulos em exibição. Jogo de Cena, o aclamado filme do mestre Eduardo Coutinho que rompe os limites entre documentário e ficção, idem. Sou fã confesso de Lars von Trier, mas não recomendo com o mesmo entusiasmo o seu O Grande Chefe, comédia pretensiosa e na minha opinião não tão bem-sucedida que também integra a programação do festival.

Outro que me decepcionou foi A Via Láctea, premiado filme da diretora Lina Chamie que foi o último de Alice Braga antes de atriz contracenar com Will Smith em Eu Sou a Lenda e entrar para a galeria das 10 maiores promessas femininas de Hollywood para 2008 segundo a revista Variety. A maioria das demais produções a serem exibidas ainda são um mistério para mim – mas por pouco tempo.

Minha lista de filmes a serem vistos inclui o chinês Em Busca da Vida, de Jia Zhang-Ke, que levou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2006, a controvertida cinebiografia de Cleópatra assinada pelo diretor Julio Bressane e protagonizada por Alessandra Negrini, que levou altas vaias ao receber o prêmio de melhor filme no último Festival de Brasília, Angel, novo filme do francês François Ozon (de 8 Mulheres), A Casa de Alice, de Chico Teixeira, que rendeu o prêmio de melhor atriz para Carla Ribas no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, Armênia, mais recente produção dirigida pelo marselhense Robert Guédiguian (de A Cidade Está Tranqüila), Cada um com seu Cinema, filme coletivo assinado por 35 dos melhores diretores da atualidade em homenagem aos 60 anos do Festival de Cannes (comemorados em 2006), e, ufa, será que dá tempo de ver tudo?, Luz Silenciosa, do mexicano Carlos Reygadas, que levou o Prêmio do Júri na mostra Um Certo Olhar, em Cannes 2007.

Tem ainda alguns elogiados documentários brasileiros, filmes independentes norte-americanos, uns indianos, outros africanos e mais alguns argentinos que, pelo que pudemos ver pela regularíssima produção recente daquele país, têm garantia de qualidade – um deles, Buenos Aires 100km, de Juan Pablo Meza, filme claramente inspirado em Os Incompreendidos, o mais autobiográfico dos filmes de François Truffaut, vi e também recomendo com entusiasmo.

A programação completa pode ser acessada aqui.

Postado por Daniel Feix

O Brasil em Berlim, Cannes e Veneza

18 de fevereiro de 2008 0

Mauricio do Valle como o lendário Antônio das Mortes de Glauber Rocha

O Urso de Ouro de Tropa de Elite foi, como você já leu por aí, o segundo trazido para o Brasil em toda a história do Festival de Berlim – o primeiro quem ganhou foi Central do Brasil, de Walter Salles Jr., em 1998. Mas o país já fez bonito em outras edições dos principais festivais de cinema do mundo - Cannes e Veneza, que formam com Berlim a trinca das mais importantes mostras de cinema do planeta, entre eles.

Abaixo vai, de barbada, uma compilaçãozinha com os principais prêmios obtidos pelo cinema brasileiro nesses três festivais. Lembrando que, além dos dois Ursos de Ouro, para Central do Brasil e Tropa de Elite, o outro prêmio máximo conquistado pelo nosso cinema foi a surpreendente Palma de Ouro em Cannes, em 1962, para O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte. Surpreendente porque se trata de um filme considerado acadêmico e muito menos comentado do que as produções históricas e contundentes acerca da história do Brasil lançadas àquela época, dentro do movimento que ficaria conhecido como Cinema Novo – como a obra-prima Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, que competiu em Cannes dois anos depois.

O Leão de Ouro concedido em Veneza segue sendo a principal ausência na galeria de troféus da cinematografia brasileira.

 

Veneza

  • Em 1953, o longa Sinhá Moça levou um Prêmio Especial do Júri para Tom Payne, ator argentino radicado no Brasil que dirigiu este filme juntamente com Oswaldo Sampaio.
  • Em 1981, o clássico Eles não Usam Black Tie, de León Hirszman, ganhou o Grande Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Federalção Internacional dos Críticos de Cinema.

Cannes

  • Em 1953, O Cangaceiro, de Lima Barreto, trouxe para casa o troféu de melhor filme de aventura.
  • Em 1962, o maior prêmio do cinema brasileiro até então: a Palma de Ouro para O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte.
  • Em 1969, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, que dá prosseguimento à saga dos personagens da obra-prima Deus e o Diabo na Terra do Sol, sobretudo do lendário Antônio das Mortes, deu o prêmio de melhor diretor para Glauber Rocha.
  • Em 1977, outro prêmio para Glauber: Di, um inventivo documentário sobre o enterro de Di Cavalcanti, ganhou como melhor curta-metragem.
  • Em 1986, Fernanda Torres foi eleita a melhor atriz do festival por Eu Sei que Vou de Amar, de Arnaldo Jabor, em que contracena com Thales Pan Chacon.

Berlim

  • Em 1965, Os Fuzis, filme referencial do período mais interessante do cinema novo, ganhou o Urso de Prata para a direção de Ruy Guerra.
  • Em 1973, Toda Nudez Será Castigada, para muitos a melhor adaptação de Nelson Rodrigues no cinema, levou um prêmio especial do júri.
  • Em 1978, A Queda, de Ruy Guerra e Nelson Xavier, trouxe outro prêmio especial do júri para o Brasil.
  • Em 1986, Marcélia Cartaxo ganhou o Urso de Prata de melhor atriz por A Hora da Estrela, adaptação de Clarice Lispector dirigida por Suzana Amaral.
  • Em 1987, outro prêmio de melhor atriz, desta vez para Ana Beatriz Nogueira, por Vera, de Sérgio Segall Toledo.
  • Em 1990, prêmio para o gaúcho Ilha das Flores, de Jorge Furtado, aclamado o melhor curta do festival.
  • Em 1998, Urso de Ouro para Central do Brasil, de Walter Salles Jr., e também o Urso de Prata de melhor atriz para a protagonista Fernanda Montenegro.
  • Em 2008, Urso de Ouro para Tropa de Elite, de José Padilha.

Postado por Daniel Feix

Tropa de Elite lá fora

18 de fevereiro de 2008 1

José Padilha com o Urso de Ouro/AP
O debate em torno de Tropa de Elite no Brasil se repetiu lá fora, após a espécie de première internacional do filme, no Festival de Berlim. Não tinha como ser diferente: são os códigos utilizados pelo diretor José Padilha que levam à heroicização do protagonista. Somado isso ao carisma de Wagner Moura, que tortura com cara de bom moço e parece antes uma vítima do sistema do que propriamente um vilão, tem-se a sensação evidente de que se está exaltando a sua figura, mesmo que seus métodos sejam no mínimo questionáveis.

Daí a chamar o filme de fascista, no entanto, vai um eito. A crítica européia e norte-americana em geral parece ter entendido assim.

A revista Variety e o jornal Le Monde, que desqualificaram Tropa de Elite, taxando-o de ultradireitista, foram na verdade exceções. Proporcionalmente, representam o que representaram aqueles poucos analistas brasileiros que preferiram ignorar as virtudes da produção em nome dessa avaliação rasa e precipitada. A maioria aprovou e, mais que isso, se sentiu instigada a debater o tema. O júri presidido por Constantín Costa-Gavras, o mais latino-americano de todos os cineastas gregos, tratou de tirar qualquer dúvida: Tropa de Elite merece muito mais louros que tomates.

Vai ser interessante, de qualquer forma, acompanhar as discussões que devem se seguir às estréias do filme no circuito comercial dos outros países, e que têm tudo para culminar com indicações ao Oscar 2009. E, sobretudo, acompanhar o que Padilha vai dizer lá fora – na coletiva de imprensa em Berlim o diretor foi notavelmente mais solto do que nas entrevistas que deu no Brasil, chegando a afirmar, por exemplo, ser a favor da legalização das drogas como a única saída possível para um improvável fim da guerra do tráfico retratada no filme.

O primeiro país a ver Tropa de Elite é a Argentina, onde a estréia está prevista para 2 de abril. Nos EUA o filme deve chegar em maio.

Aqui um aperitivo: a entrevista de Padilha ao jornal espanhol El País.

Postado por Daniel Feix

Assista aos curtas do Oscar

15 de fevereiro de 2008 0

Belga Tanghi Argentini é um dos indicados
Um clique aqui e você pode assistir, online, aos cinco filmes que concorrem ao Oscar de melhor curta-metragem de 2008.

Como diz o autor da compilação, os curtas costumam ser uma categoria obscura da premiação – freqüentemente com as estatuetas entregues antes mesmo do início da transmissão da cerimônia pela tevê aberta no Brasil, coisa que deve se repetir este ano, pois a Globo planeja abrir os trabalhos apenas depois do episódio do domingo do Big Brother Brasil, ou seja, lá pelas 23h45min.

Mas é no mínimo curioso conferir quais curtas foram selecionados pela Academia americana, considerada excessivamente conservadora, no formato que mais possibilita a experimentação e a ousadia formal no cinema. Concorrem um filme belga, um francês, um dinamarquês, outro italiano e outro norte-americano – este último baseado em conto de Elmore Leonard, o mesmo autor de 3:10 To Yuma, que se transformou no faroeste de longa-metragem Os Indomáveis, Com Christian Bale e Russell Crowe, uma das estréias desta semana nos cinemas de Porto Alegre.

A entrega do Oscar 2008 acontece na semana que vem, dia 24, e terá trasmissão da cerimônia na íntegra, pelo canal pago TNT, a partir das 22h30min.

Postado por Daniel Feix

Verdades verdadeiras

11 de fevereiro de 2008 0

Waldick Soriano no filme de Patrícia Pillar
Foram divulgados há pouco os filmes nacionais que integram a seleção oficial do 13º É Tudo Verdade, o principal festival latino-americano de documentários, que será realizado entre 26 de março e 6 de abril simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, e depois segue em itinerância por outras capitais brasileiras - as datas de exibição das produções em Porto Alegre ainda não foram confirmadas.

Trinta filmes nacionais serão exibidos. Entre os destaques estão longas-metragens sobre Caetano Veloso, Waly Salomão, João Saldanha, Wilson Simonal, Antonio Callado, Paulo Gracindo e Waldick Soriano, este último dirigido pela atriz Patrícia Pillar. Mais uma vez, não houve gaúcho selecionado nem para a mostra de curtas-metrangens.

Mais uma vez porque, embora o Rio Grande do Sul tenha razoável tradição na produção de filmes não-ficcionais (afirmada pela imensa quantidade de cinejornais produzidos sobretudo nos anos 50 e 60), e tenha lançado recentemente algumas preciosidades no gênero (como O Cárcere e a Rua e A Invenção da Infância, ambos de Liliana Sulzbach), tem-se tornado freqüente a ausência de produções locais nos festivais nacionais. Mesmo em se tratando de curtas: já tem algum tempo que os pernambucanos, os mineiros e os brasilienses emplacam bem mais filmes que os gaúchos nas seleções de mostras como a de Recife, Brasília e Fortaleza, além das de Rio e São Paulo.

O É Tudo Verdade exibe também uma quantidade significativa de filmes internacionais, que serão anunciados nos próximos dias. Os vencedores do festival recebem o prêmio CPFL Energia, no valor de R$ 100 mil, o maior entre os festivais brasileiros de cinema.

Postado por Daniel Feix

Grandes momentos do cinema

08 de fevereiro de 2008 0

Gigantes do ringue: De Niro e Scorsese/United Artists
O tempo anda curto para visitas mais constantes. Queria até complementar o que escrevi sobre Onde os Fracos não Têm Vez na versão impressa, nesta quinta. Cada vez que penso no filme surge uma nova forma de encará-lo. Bom, fica pra depois das férias. Estou com o livro do Cormac McCarthy na mão e depois da leitura deve render algo.

Mas a passada por aqui, inspirada pela estréia do documentário do Martin Scorsese com os Rolling Stones em Berlim, é para destacar a primeira das muitas grandes cenas de Touro Indomável, um dos meu filmes favoritos de um dos meus diretores favoritos estrelado por um dos meus atores favoritos, Robert De Niro. O quanto? Hum, cabem todos na contagem de uma mão.  

O filme é tão, mas tão bom que a primeira cena genial é já a de abertura, na rolagem dos créditos. Aproveita e olha o DVD duplo que saiu em 2005 para comemorar os 25 deste clássico. Cheio de extras, é uma aula de bom cinema. A montadora do Scorsese, Thelma Shoonmaker, por exemplo, descrevendo seus macetes e explicando os truques de edição de som, o diretor de fotografia, Michael Chapman, falando do registro em preto-e-branco, as diferentes composições de ringue de acordo com a luta, etc. 

O boxe é o mais cinematográfico dos esportes, e Scorsese conseguiu traduzir toda a fúria e o drama que pode existir sobre um ringue – e fora dele – de forma épica e definitiva ao encenar a saga real do furioso Jake La Motta. Ah, a trilha é Cavalleria Rusticana: Intermezzo, por Pietro Mascagni.

Postado por Marcelo Perrone

A Espiã e as atrocidades sem fim

04 de fevereiro de 2008 1

Carice van Houten vive cantora judia/Europa Filmes
Ainda em pré-estréia em Porto Alegre, o que mais me chamou a atenção em A Espiã, último filme do holandês Paul Verhoeven, mais do que o excelente suspense, é uma frase da protagonista. A cantora judia Rachel Stein, que se esconde sob o nome de Ellis de Vries (a bela Carice van Houten), lá pelas tantas diz algo como %22Será que isso nunca vai ter fim?%22. O cenário é a II Guerra Mundial e o %22não vai ter fim%22 a persegue mesmo depois da guerra, quando ela se prepara para um novo embate, num kibutz de Israel.

Eu já pensava nisso ao assistir, recentemente, a outros dois filmes que têm guerras como pano de fundo: Desejo e Reparação (a mesma II Guerra) e A Vida dos Outros (a Guerra Fria) – o oficial alemão por quem Ellis de Vries se apaixona em sua missão de espiã da Resistência holandesa, aliás, é o mesmo protagonista de Vida dos Outros (o bonitão Sebastian Koch). Os três filmes lembram atrocidades que se repetem. Será que isso nunca vai ter fim é uma pergunta que eu me faço sempre… Por que o ser humano não aprende com isso? Por que a ficção quase documental de filmes como A Espiã não move as pessoas a dizerem %22nunca mais%22?

Postado por Rosane Tremea

Para ver em feriado ou antes que as férias acabem

04 de fevereiro de 2008 0

Audrey vivendo dias de Cinderela em Paris  /Divulgação
Filme atemporal, perfeito para ver em feriados e dias chuvosos deste verão: Cinderela em Paris. É um clássico perfeito. Qual adjetivo usar senão perfeito para a mistura dos seguintes elementos: o talento de Audrey Hepburn e Fred Astaire, a música de Gershwin, a alta-costura e a cidade de Paris como cenário? Tudo para encher os olhos. As cenas da sessão de fotos com monumentos parisienses de pano de fundo, as roupas clássicas e a graça de Audrey no papel da atendente de livraria que vira top model são geniais. Na passarela, aliás, num filme de 50 anos atrás, Jo Stockton (a personagem de Audrey) dá uma lição e tanto em muitas über models que andam trançando as pernas por aí em semanas de moda. Cinderela em Paris ainda é um ícone para fashionistas e diversão certa para cinéfilos em geral.

Confira Audrey e Kay Thompson em On How To Be Lovely, um dos muitos trechos deliciosos do clássico dirigido pelo mestre Stanley Donen.

Postado por Rosane Tremea