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Posts do dia 31 março 2008

Exuberante deserto

31 de março de 2008 0

Passou meio despercebida por Porto Alegre a produção israelense Exuberante Deserto (2006), título original Adama Meshuga%27at, em inglês Sweet Mud. Mas o filme, o primeiro do diretor Dror Shaul a ganhar o circuito internacional, ainda está em cartaz no Aeroguion. E vale o ingresso.

Trata-se de um retrato de um kibutz (comunidades agrícolas muito comuns em Israel até os anos 80) pelos olhos de um menino de 12 anos, que está a uma temporada de completar o Bar Mitzvah (momento simbólico em que os jovens se tornam responsáveis por seus atos). Um retrato bastante crítico: Shaul vê a aldeia como um espaço a tolher as individualidades e a sufocar seus habitantes em nome de seus ideais coletivos - a mãe do protagonista, principalmente, mas também ele próprio, são vítimas de violência nesse sentido.

O diretor nasceu e foi criado num kibutz, o que faz relevar seu testemunho sobre a experiência representada por esse estilo de vida. Mas sua opinião é polêmica: vai de encontro aos relatos mais comuns sobre essas comunidades.

Aí está a grande questão que envolve o filme, e que o levou a sair premiado do Sundance Festival, a mais tradicional vitrine do cinema independente: se do ponto de vista formal Exuberante Deserto é bastante tradicional, acadêmico mesmo, a exposição a que o diretor se submete indica que se está diante de um filme marcadamente autoral e, no mínimo, corajoso.

O que o faz um bom filme, concorde-se ou não com seus argumentos e com o próprio debate que ele suscita, são os inúmeros momentos bonitos da aventura do protagonista, culminando com a cena final, em que ele e uma amiga cruzam os campos às voltas do kibutz de bicicleta, como quem tem pressa em encontrar o futuro, a despeito do que aconteceu no passado.

Abaixo, uma das cenas iniciais, seguida do trailer de Exuberante Deserto.

Postado por Daniel Feix

Mais um pouquinho de 3D

31 de março de 2008 0

Continuando a falar do cinema em 3D, tema de reportagem no Segundo Caderno de hoje. Segundo o gaúcho Ricardo Difini Leite, presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas, a grande discussão para fazer o 3D pegar começa por definir quem paga o alto custo da migração do sistema analógico para o digital. O 3D nem é tão caro assim diante dos mais de R$ 400 mil necessários hoje no Brasil para digitalizar uma sala com os padrões exigidos pela indústria americana. E Difini diz que só 500 das 2,1 salas do Brasil têm condições físicas e técnicas de serem adaptadas para o digital.

Mesmo nos EUA, como está lá no Segundo Caderno (veja aqui outros links da reportagem: 1 e 2), o processo é incipiente, mas ao menos se discute o rateio dos custos de implantação entre produtores, distribuidores e exibidores, algo que aqui ainda não chegou - e tem a alta carga tributaria do leão brasileiro, que morde cerca de 70% do valor do equipamento. Aqui o custo é todo do exibidor. Chegou-se à conclusão que só migrar para o sistema digital não basta. Em termos práticos, para o espectador, uma projeção digital em alta resolução é idêntica a uma boa projeção em 35mm. A vantagem do sistema digital está nos bastidores, com redução de custos operacionais como transporte e armazenagem de milhares de latas de filme, conservação das cópias, etc. Envia-se o arquivo criptografado com o filme para o servidor do cinema e pronto.

Apesar do começo lento, Difini crê que o Brasil, por ser um grande mercado, se resolver logo os impasses burocráticos, possa ter até o fim de 2009 60 salas digitalizadas, número que poderia chegar a 100 em 2010 e a 500, em 2013. Hoje o Brasil tem apenas cinco, duas no Rio, duas em São Paulo e uma em Florianópolis.

- Digo que o cinema é a sétima arte porque tem sete vidas - brinca Difini.

Assim como Marcelo Bertini, presidente do Cinemark, Difini, um dos sócios da rede GNC, não abre o jogo sobre Porto Alegre ganhar salas digitais em breve. As duas redes vão instalar novas salas aqui até o fim do ano, o Cinemark em um novo shopping na Zona Sul e o GNC, no Iguatemi. Por questões estratégicas, afirmam, isso será decidido “mais adiante”.

Importante lembrar uma coisa nesse papo sobre sala de cinema digital. Não confunda com as exibições que cinemas como o Arteplex costumam fazer. O digital “quente” usa um sistema de projeção em altíssima resolução chamado 2K (com compressão jpeg), padronizado por Hollywood. Esse do Arteplex tem qualidade inferior (1.3, em mpeg) e parte de um projetor originalmente destinado para exibição de comerciais. Em telas pequenas como a da sala 8, fica aceitável, ainda mais se o “filme” for captado em vídeo. Mas na tela grande da sala 1, por exemplo, fica aquela imagem lavada muito a desejar. Como não é o padronizado pelos grandes estúdios, nesse digital só passa filmes brasileiros, europeus e americanos independentes.

Postado por Marcelo Perrone