Passou meio despercebida por Porto Alegre a produção israelense Exuberante Deserto (2006), título original Adama Meshuga%27at, em inglês Sweet Mud. Mas o filme, o primeiro do diretor Dror Shaul a ganhar o circuito internacional, ainda está em cartaz no Aeroguion. E vale o ingresso.
Trata-se de um retrato de um kibutz (comunidades agrícolas muito comuns em Israel até os anos 80) pelos olhos de um menino de 12 anos, que está a uma temporada de completar o Bar Mitzvah (momento simbólico em que os jovens se tornam responsáveis por seus atos). Um retrato bastante crítico: Shaul vê a aldeia como um espaço a tolher as individualidades e a sufocar seus habitantes em nome de seus ideais coletivos - a mãe do protagonista, principalmente, mas também ele próprio, são vítimas de violência nesse sentido.
O diretor nasceu e foi criado num kibutz, o que faz relevar seu testemunho sobre a experiência representada por esse estilo de vida. Mas sua opinião é polêmica: vai de encontro aos relatos mais comuns sobre essas comunidades.
Aí está a grande questão que envolve o filme, e que o levou a sair premiado do Sundance Festival, a mais tradicional vitrine do cinema independente: se do ponto de vista formal Exuberante Deserto é bastante tradicional, acadêmico mesmo, a exposição a que o diretor se submete indica que se está diante de um filme marcadamente autoral e, no mínimo, corajoso.
O que o faz um bom filme, concorde-se ou não com seus argumentos e com o próprio debate que ele suscita, são os inúmeros momentos bonitos da aventura do protagonista, culminando com a cena final, em que ele e uma amiga cruzam os campos às voltas do kibutz de bicicleta, como quem tem pressa em encontrar o futuro, a despeito do que aconteceu no passado.
Abaixo, uma das cenas iniciais, seguida do trailer de Exuberante Deserto.
Postado por Daniel Feix












