Aproveitando a série de relançamentos dos filmes do grande Stanley Kubrick (1928-1999) em DVD, que teve nas edições especiais de 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) e Nascido para Matar (1987) seus dois últimos capítulos, vale lembrar outra das obras-primas do diretor - aquele que talvez seja meu preferido entre seus filmes -, em duas de suas cenas mais marcantes.
Para quem ainda não viu - e não tem idéia do que está perdendo: trata-se de uma comédia de humor negro sobre um ataque nuclear %22acidental%22 sobre a antiga União Soviética comandado por um general norte-americano fora de si, que está convencido de que os comunistas estão poluindo os %22preciosos fluidos corporais%22 da América.
Concebido numa época em que a Guerra Fria e a paranóia que ela provocava estavam no auge, o filme é marcado por um desfile de figuras excêntricas, entre elas um premiê soviético bêbado e um cientista conselheiro do presidente dos EUA que é ex-colaborador dos nazistas - o Dr. Fantástico do título, interpretado pelo excelente comediante Peter Sellers, que aliás dá um show, ou melhor, três, já que, além desse, empresta seu talento a outros dois personagens centrais da trama.
Um desses outros personagens, por sinal, está na primeira cena abaixo, ao lado do próprio Dr. Fantástico - se você não identificar, clique aqui, no link do filme no IMDB, e confira lista dos atores e seus respectivos papéis, entre outras informações preciosas sobre a produção.
No original Dr. Fantástico tem o curioso nome de Dr. Strangelove - Or How Do I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, ou %22como aprendi a parar de me preocupar e amar a bomba%22. Em época de paranóia terrorista, invasões de Iraque e Afeganistão, é um filme que permanece incrivelmente atual - além de uma aula de cinema, em todos os aspectos.
A primeira cena marca a hilária aparição de Dr. Fantástico, chamado pelo presidente dos EUA, Merkin Muffley, e de sua mão direita %22incontrolável%22. A segunda, que reproduz fielmente o interior de um avião B-52, bem, melhor assistir que ela fala por si só.
Pena somente não ter encontrado trechos com legendas em português. Os trejeitos das falas, sobretudo do personagem-título, de fato dificultam a sua compreensão - mas nada que não possa ser solucionado assistindo ao filme, que por sinal está nas melhores locadoras.
Coisa de gênio.
Postado por Daniel Feix



