Logo após a conquista do Urso de Ouro no Festival de Berlim com Tropa de Elite, o cinema brasileiro garante presença no 61º Festival de Cannes, a mais prestigiada mostra competitiva internacional, que se realiza de 14 a 25 de maio na França. Anunciado hoje entre os 19 concorrentes à Palma de Ouro - um 20º longa será confirmado em breve-, Linha de Passe é dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas. A última vez que o Brasil participou da disputa principal em Cannes foi em 2004, com Diários de Motocicleta, do próprio Salles.
Fora de competição o Brasil terá na mostra paralela Um Certo Olhar, a segunda mais importante do festival, dois representantes: Afterschool, primeiro longa do brasileiro-americano Antonio Campos, e A Festa da Menina Morta, estréia na direção do ator Matheus Nachtergaele. Na Mostra Cinefondation emplacamos o curta O Som e o Resto, do carioca André Lavaquial.
Walter Salles e Daniela Thomas retomam parceria iniciada no longa Terra Estrangeira (1996) e que também rendeu o curta Loin du 16ème, do filme coletivo Paris, Te Amo (2006). Linha de Passe tem como personagens quatro irmãos e uma mãe grávida que compartilham o drama da ausência do pai. O destaque do elenco formado por jovens atores é Vinícius de Oliveira, que interpreta o irmão que tenta vencer na vida como jogador de futebol. Ele foi revelado ainda menino por Salles em Central do Brasil (1998). Hoje com 22 anos, Vinícius preferiu seguir carreira atrás das câmeras e estuda cinema - sua única presença em filme antes havia sido uma ponta em Abril Despedaçado (2001), de Salles.
Além do filme brasileiro, o cinema sul-americano terá outros dois concorrentes à Palma de Ouro: La Mujer sin Cabeza, de Lucrecia Martel, e Leonera, de Pablo Trapero, filme produzido por Salles. A seleção deste ano reúne ainda nomes como o alemão Wim Wenders (The Palermo Shooting), os americanos Steven Soderbergh (Che), Clint Eastwood (Changeling) e os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (Le Silence de Lorna).
Por e-mail, de Los Angeles, Salles comentou a indicação, a sua, e a do amigo Trapero:
%22Linha de passe%22 é um filme com jovens atores que fazem sua estréia no cinema e uma equipe técnica também muito jovem. É a eles que Daniela e eu devemos e dedicamos essa seleção em Cannes- e à Fátima Toledo, que fez um trabalho de preparação primoroso do elenco. Para um filme que se quer pequeno como %22Linha%22, a Seleção na Mostra Competitiva já é um prêmio, independente do resultado final. Como terminamos a montagem há pouco tempo e tivemos problemas no corte de negativo, estávamos planejando ter o filme pronto em junho. Agora vamos ter que correr para ver se ele fica pronto para o Festival, em final de maio. Uma possibilidade é a de fazer a projeção em digital, com uma mixagem temporária. Quanto à seleção na mesma Mostra Competitiva de %22Leonera%22, de Pablo Trapero, não poderíamos estar mais felizes. É o terceiro filme de Pablo que co-produzimos. Além de ser um amigo próximo, Pablo é um dos melhores autores da sua geração, um cineasta de uma rara inteligência e integridade. Ninguém merece esse reconhecimento mais do que ele.%22
A lista abaixo mostra que não será moleza faturar essa Palma de Ouro. Mais adiante, se sobrar tempo, voltaremos para comentar alguns desses filmes e dar outras informações e pitacos sobre o festival.
Concorrentes à Palma de Ouro
The Palermo Shooting, de Wim Wenders (Alemanha)
La Mujer sin Cabeza, de Lucrecia Martel (Argentina)
Leonera, de Pablo Trapero (Argentina)
Le Silence de Lorna, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica)
Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas (Brasil)
Adoration, de Atom Egoyan (Canadá)
24 City, de Jia Zhangke (China)
My Magic, de Eric Khoo (Cingapura)
Changeling, de Clint Eastwood (EUA)
Che, de Steven Soderbergh (EUA)
Synechdoche New York, de Charlie Kaufman (EUA)
Serbis, de Brillante Mendoza (Filipinas)
La Frontiere de L%27Aube, de Philippe Garrel (França)
Un Conte de Noel, de Arnaud Desplechin (França)
Delta, de Kornel Mundruczo (Hungria)
Waltz with Bashir, de Ari Folman (Israel)
Gomorra, de Matteo Garrone (Itália)
Il Divo, de Paolo Sorrentino (Itália)
Uc Maymunm, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)
Postado por Marcelo Perrone