
Como você já deve ter lido por aí, está começando nesta quarta-feira o 61º Festival de Cannes. Mais importante mostra de cinema do mundo, Cannes forma com Berlim e Veneza a trinca dos grandes festivais do planeta, ao mesmo tempo um palco nobre do cinema de autor e uma vitrine de alguns dos grandes projetos da indústria cinematográfica internacional.
Como você provavelmente também já sabe, o filme escolhido para abrir o evento é Ensaio sobre a Cegueira, produção baseada no best-seller do Nobel José Saramago que foi dirigida por Fernando Meirelles. Mesmo que Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, seja uma co-produção entre vários países (assim como Cegueira, por sinal), pode-se dizer que o Brasil tem dois concorrentes à Palma de Ouro, o prêmio máximo de Cannes.
O fato não é inédito, como você pode ler no texto do Marcelo Perrone publicado no Segundo Caderno desta quarta e como também já pôde conferir alguns posts atrás. Mas é raro. E demonstra um momento bastante singular da cinematografia nacional: nossos filmes recentes chamaram tanto a atenção que levaram seus diretores a serem escolhidos para liderar alguns desses grandes projetos da indústria internacional. Além, é claro, de referendar a qualidade do atual cinema brasileiro (nunca é demais lembrar que Tropa de Elite saiu com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, no início deste ano).
As discussões que Cannes provoca são inúmeras. Se você lê em inglês, recomendo esta matéria do jornal britânico The Independent, que aponta uma crise de identidade no festival, e esta compilação, do também britânico The Guardian, com um pequeno perfil e fotos de todos os 22 diretores que disputam a Palma de Ouro. A Folha de S.Paulo, neste texto aqui, aproveitou a “homenagem” que a organização fará à edição de 1968, “a edição que não terminou”, para relembrar o momento em que, exatos 40 anos atrás, Jean-Luc Godard e François Truffaut, entre outros, invadiram a sala de projeção e impediram o prosseguimento do evento.
A mim chama a atenção a disposição de Cannes de fazer com que 2008 seja histórico. Acho impressionante a listagem dos 22 concorrentes ao prêmio máximo do festival. Há os novos Wim Wenders, Clint Eastwood, Lucrecia Martel, Atom Egoyan, entre outros, a estréia do roteirista Charlie Kaufmann na direção, o filme do Steven Soderbergh sobre Che Guevara, enfim, uma seleção de filmes pra lá de promissora.
Confere:
> Ensaio Sobre a Cegueira - Fernando Meirelles (Brasil)
> Linha de Passe - Walter Salles, Daniela Thomas (Brasil)
> Che - Steven Soderbergh (EUA)
> Entre les Murs (Entre as Paredes) - Laurent Cantet (França)
> Two Lovers - James Gray (EUA)
> Uc Maymun (Três Macacos) - Nuri Bilge Ceylan (Turquia)
> Le Silence de Lorna (O Silêncio de Lorna) - Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica)
> Un Conte de Noel (Um Conto de Natal) - Arnaud Desplechin (França)
> The Changeling (A Troca) - Clint Eastwood (EUA)
> Adoration (Adoração) - Atom Egoyan (Canadá/Egito)
> Waltz with Bashir (Valsa com Bashir) - Ari Folman (Israel)
> La Frontiere de L%27aube (A Fronteira do Amanhecer) - Philippe Garrel (França)
> Gomorra - Matteo Garrone (Itália)
> 24 City - Jia Zhangke (China)
> Synecdoche, New York - Charlie Kaufmann (EUA)
> My Magic (Minha Magia) - Eric Khoo (Cingapura)
> La Mujer sin Cabeza - Lucrecia Martel (Argentina)
> Serbis - Brillante Mendoza (Filipinas)
> Delta - Kornel Mundruczo (Hungria)
> Il Divo - Paolo Sorrentino (Itália)
> Leonera - Pablo Trapero (Argentina)
> The Palermo Shooting (A Filmagem em Palermo) - Wim Wenders (Alemanha)
Postado por Daniel Feix