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Posts de maio 2008

(Mais) Estranhas coincidências

28 de maio de 2008 0

O que vocês estão vendo acima é um dos cartazes de divulgação de Hellboy, The Golden Army, a segunda aventura do personagem criado pelo desenhista que todo desenhista é fã, Mike Mignola. Em vez do mote inicial de "nazistas satanistas merecem morrer" do primeiro filme, temos aqui algo mais parecido com uma invasão do universo de Sandman nas histórias do diabo gente-boa com pedaços de mortadela colonial na cabeça: um grupo de seres místicos do reino da fantasia invade nosso planeta declarando guerra à humanidade.

O líder da invasão é o simpático sujeito aí de cima, chamado Príncipe Nuala, soberano do mundo da fantasia esse que declara guerra ao nosso. Ao ver esse cartaz, bem como um dos novos comerciais de TV divulgados para o filme, não pude deixar de pensar em quatro coisas.

A primeira: Del Toro resolveu fazer o seu filme com sobras do Matrix

A segunda: O desenhista de produção do filme deve ser o mesmo de A Máquina do Tempo, de 2002, com Jeremy Irons no papel do Über-Morlock.

A terceira: o filme trará uma bombástica e até então mantida em surpresa participação especial do roqueiro, malucão, herói do punk e ícone pop, ops, Iggy Pop:

A quarta e última questão era a mais candente...

Por que diabos esse pessoal acha que pintar a cara de alguém de branco imediatamente o torna ameaçador?

Postado por Carlos André Moreira

Pollack era um baita ator

27 de maio de 2008 0

Sidney Pollack em

Sydney Pollack, que morreu ontem em Los Angeles, aos 73 anos, vinha nos últimos tempos se destacacando mais como o excelente ator que era - seus dois últimos filmes como diretor foram o thriller político A Intérprete, com Nicole Kidman e Sean Penn, e o documentário Esboços de Frank Gehry, no qual troca impressões sobre a arte com o amigo e célebre arquiteto Frank Gehry - ambos de 2005.

Pollack parecia sentir enorme prazer em atuar, abrilhantando pequenas participações, como na comédia O Melhor Amigo da Noiva, ainda em cartaz (é o pai do protagonista, vivido por Patrick Dempsey), e papéis de maior destaque, exemplo recente de Conduta de Risco (é o inescrupuloso chefe de George Clooney). A figura imponente de Pollack mostrava-se muito à vontade tanto em comédias quanto nos dramas mais densos, tal sua desenvoltura para encarnar tipos que variavam do sujeito bonachão e romântico ao vilão ardiloso e dissimulado. Ele teve presença marcante em dois filmes assinados por grandes mestres: Maridos e Esposas, de Woody Allen, e De olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick.

A imagem que ilustra este comentário traz Pollack em uma curiosa participação na comédia francesa Um Lugar na Platéia, no papel auto-referente de cineasta americano que planeja realizar uma cinebiografia de Simone de Beauvoir, escolhendo para protagonista uma geniosa diva francesa dos palcos. Todos os filmes citados estão disponíves em DVD.

 

Postado por marcelo perrone

Direto para a locadora

26 de maio de 2008 3

Não sei de vocês repararam que tem sido cada vez mais freqüente filmes chegarem ao Brasil direto em DVD. De maneira geral, isso costumava ocorrer com bombas que os próprios distribuidores avaliavam ser de grande risco para lançar nos cinemas, devido aos custos com cópias, transporte, divulgação, etc.

Mas de tempos para cá, fatores como a redução da chamada janela (intervalos cumpridos para lançamento do filme em cinema, DVD, TV a cabo e TV aberta), devido, entre outros motivos, à pirataria fizeram com que vários títulos ao menos interessantes fossem direto para as locadoras.

Alguns destes esquecidos mais recentes, entre eles um e outro que poderiam ter melhor sorte que tantos que passam batidos pelo circuito de exibição, serão postados aqui, quando o tempo permitir. Como a lista é grende, começamos com dois.

Obs 1.: Não entram na conta filmes lançados no Brasil mas que ficaram inéditos em Porto Alegre.

 

 

Margot e o Casamento. Depois do ótimo A Lula e a Baleia, este novo filme de Noah Baumbach, protagonizado por Nicole Kidman, parecia candidato a ser um dos  queridinhos "indie" da temporada. Mas o diretor deu um tiro no pé ao tentar repetir a mesma fórmula da família disfuncional, agora focada no conflito entre duas irmãs. No entanto, nada, do roteiro à atuação do elenco, parece se encaixar, ou mesmo ter um propósito. A péssima recepção ao filme nos EUA sepultou o lançamento no Brasil. O inedismo nos cinemas daqui surpreende mais pelos nomes envolvidos no longa.

   

O Medo da Verdade. Já esse filme de Ben Affleck - bem melhor diretor que ator - não faria feio nos cinemas, creio eu. É um thriller dos mais eficientes e que cumpre o que se espera do gênero: história envolvente, bom trabalho do elenco, suspense e reviravoltas. Na trama (adaptação do livro de Dennis Lehane, de Sobre Meninos e Lobos, que virou o filme homônimo de Clint Eastwood) , um jovem detetive (Casey Affleck) investiga no bairro onde mora o desaparecimento de uma garotinha. Suas pistas passam por descaso familar e corrupção policial. Os coadjuvantes Ed Harris e Morgan Freeman estão excelentes.

 

Postado por Marcelo Perrone

A desconhecida Sandra faz história

25 de maio de 2008 1

Sandra em Linha de Passe/Daniela Thomas

 Desconhecida ainda mais ilustre depois de hoje, a paulista Sandra Corveloni igualou o feito de Fernanda Torres ao ganhar o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. A rigor, porém, cabe à estreante em longa-metragem Sandra - protagonista de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas - o título de mais importante prêmio de atuação já conquistado pelo cinema brasileiro, pois Fernanda, na edição de 1986, com Eu Sei que Vou te Amar, do Arnaldo Jabor, dividiu a honraria com a alemã Barbara Sukowa, da cinebiografia de Rosa Luxemburgo.

Outras duas atrizes figuram nesta galeria de grandes conquistas internacionais com prêmios recebidos no Festival de Berlim, depois de Cannes a mais importante mostra competitiva do cinema: Fernanda Montenegro, em 1998, por Central do Brasil, de Walter Salles (que lhe valeu também uma indicação ao Oscar), e Marcelia Cartaxo, que em 1986 ganhou como melhor atriz por A Hora da Estrela, de Suzana Amaral, prêmio dividido com a francesa Charlotte Valandrey, de Rouge Bassier.    

Foi em Cannes que o Brasil ganhou o seu mais importante prêmio até hoje: a Palma de Ouro de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, em 1962. Na edição de 1969, Glauber Rocha foi eleito o melhor diretor com O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro.

 

O material que acaba de ser enviado pela Videofilmes, produtora de Linha de Passe, dá mais informações sobre Sandra Corveloni: 

 

 

"Sandra nasceu em São Paulo, em 1965. Formou-se no curso de teatro avançado do TUCA (Teatro da Universidade Católica de São Paulo - Puc-SP). No ano seguinte, entrou para o grupo Tapa, onde, além de atuar, é professora e assistente de direção. Seus principais trabalhos no teatro são “As Viúvas”, de Arthur Azevedo, “Contos de Sedução”, de Guy de Maupassant, e “Órfãos de Jânio”, de Millôr Fernandes. No cinema, atuou nos curtas “Flores Ímpares” (1992), de Sung Sfai, e “Amor” (1993), de José Roberto Torero. Seu próximo projeto no teatro é o espetáculo “Amargo Siciliano”, inspirado em contos de Luigi Pirandello, em que é assistente de direção de Eduardo Tolentino."

Postado por Marcelo Perrone

José Padilha e Beto Brant no Fronteiras

23 de maio de 2008 0

O caderno Cultura deste sábado aborda a presença dos cineastas brasileiros Beto Brant (de Os Matadores, Ação entre Amigos, O Invasor, Crime Delicado e Cão sem Dono) e José Padilha (de Ônibus 174 e Tropa de Elite) no ciclo Fronteiras do Pensamento Copesul Braskem, segunda-feira, às 19h30min, no Salão de Atos da UFRGS (os ingressos estão esgotados). Esta edição do evento vem sendo classificada pelos organizadores como a noite do cinema nacional no Fronteiras 2008.

Bati um papo rápido com ambos sobre o que devem falar na conferência. Abaixo, neste mesmo post, estão dois trechinhos dessas conversas. Se você por acaso for ouvir, atente para a provocação do diretor de Tropa de Elite sobre Bertold Brecht (1858-1956) e o distanciamento do espectador em relação a uma obra de arte.

- Brecht defendia a tese de que o espectador deve ter distanciamento crítico do tema em questão numa obra de arte. O que verifico hoje, no caso do cinema brasileiro, é o contrário: quanto menos afastados estamos do tema, mais debate ele gera - diz. - Os filmes que pegaram o público mais pela emoção do que pela razão, como Tropa de Elite (2007) e também Carandiru (2003) e Cidade de Deus (2002), tornaram-se os mais discutidos dos últimos tempos. Já os mais contemplativos, reflexivos, com um trabalho de montagem menos ágil e, portanto, que permitem um maior distanciamento, ao menos no que diz respeito a pautar o debate público no país, ficaram um pouco para trás.

Conforme se pode ler no Cultura, Padilha confirmou que negocia sua estréia em Hollywood com a Warner, dirigindo uma produção sobre tráfico internacional ambientada na tríplice fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai, e ainda está envolvido em outros três filmes, o documentário Garapa, sobre a fome no Brasil, o drama Nunca Antes na História deste País, sobre corrupção política (co-roteirizado por Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública e co-autor de Elite da Tropa, livro no qual Tropa de Elite foi baseado) e uma co-produção internacional sobre a vida nas prisões, que será filmada na Bolívia. Já Brant, dando prosseguimento a sua prolífica parceria com o escritor Marçal Aquino, terminou o roteiro da adaptação de Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios, que será filmado no Pará e agora está em fase de captação de recursos. Como já ocorrera com Cão sem Dono, a produçãop pode ser co-dirigida por Renato Ciasca.

Abaixo, os dois antecipam o tema e o teor da conferência do Fronteiras na segunda.

Clique aqui e confira a entrevista de José Padilha

Clique aqui e confira a entrevista de Beto Brant

Postado por Daniel Feix

A aula de Tarantino

23 de maio de 2008 0

Em Cannes, cineasta revelou curiosidades sobre seus filmes e métodos

As declarações abaixo são do Quentin Tarantino, o genial diretor de Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Kill Bill, durante a aula magna que foi convidado a dar no Festival de Cannes. A compilação delas, dividida por temas, a gente reproduz aqui do site Uol. Dá uma olhada o quanto deve ter sido legal ter presenciado o tal evento.

 

> A recepção do público

"Antes de dirigir meu primeiro longa, quando participava das oficinas de roteiro do Festival de Sundance, gente importante como Monte Hellman (roteirista) e Stephen Golblatt (fotógrafo) odiavam as minhas idéias, as cenas com planos longos. Diziam: `Essa cena é horrível, e o mais horrível é que você vai mesmo produzi-la`. Eu saía para dar uma volta, refletia, mas continuava gostando. No dia seguinte, apresentava a mesma cena para cineastas como Terry Gilliam, que adorava o que eu tinha escrito, ou Volker Schlondorff, que me chamava de gênio. Desde então, entendi que as pessoas iriam amar ou odiar meus filmes, e era melhor me acostumar com isso."

 

> Cães de Aluguel

"Durante as filmagens de Cães de Aluguel, eu morria de medo de ser demitido pelos produtores. Primeiro, porque era tudo simplesmente muito bom para ser verdade. Segundo, porque nada tinha dado certo até então na minha carreira."

 

> Pulp Fiction

"A cena em que Jules (Samuel Jackson) e Vincent (John Travolta) chegam à casa dos rapazes para ameaçá-los, e Jules comeca uma conversa bizarra sobre hambúrgueres, reúne três das coisas que eu mais gosto de fazer no cinema: um ou mais personagens que dominam a situação dos outros em cena; uma tensão entre os personagens que aumenta até explodir; o trabalho de tornar engraçado algo que em geral não é - se o espectador ri de alguma coisa muito estranha que eu encenei, ele se torna meu cúmplice."

 

> Kill Bill

"Sempre brinquei que esse é o filme que os personagens de meus outros filmes adorariam ver no cinema. Antes, eu tinha dirigido algumas cenas de ação, mas nunca um filme de ação completo, do começo ao fim."

 

> As trilhas sonoras

"Não consigo entender a idéia de terminar um filme, pagar alguém para vê-lo e criar uma trilha que não é sua. Penso a musica antes de tudo, às vezes uma música me dá a idéia de como construir seqüências inteiras. A vantagem do meu método é que trabalho com trilhas já prontas dos maiores compositores do mundo, como Ennio Morricone, Lalo Schiffrin, John Barry, e não tenho nem que lidar com eles."

 

> As influências

"Gosto de muita coisa no cinema americano: Martin Scorsese, Howard Hawks, Samuel Fuller, Robert Aldrich, Sam Peckinpah, George Romero. E uma série de italianos: Sergio Leone em primeiro lugar, e também Mario Bava, Dario Argento. Mas se há alguém que realmente me influenciou, que eu considerava um rock star do cinema, esse alguém era Brian De Palma. Até hoje me sinto inspirado por seus filmes. Pecados de Guerra tem uma cena sublime de violência em que a ternura toma conta sem nos apercebermos. Tento seguir esses exemplos."

 

> A vida antes de dirigir filmes

"É importante dizer que eu sempre fui cinéfilo, mesmo antes de trabalhar em locadora. Contrataram-me justamente porque eu era um expert. Não descobri o cinema somente ao entrar na loja."

 

> Dicas para ser um diretor

"Faca o curso que quiser, leia os livros que quiser, veja os filmes que quiser. Mas não conheço exercício melhor para se tornar um cineasta do que arrumar um equipamento e tentar fazer um filme por conta própria."

"Nunca entendi para que serve um curso de direção ou roteiro. Se você quer ser cineasta, recomendo um bom curso de interpretação. Nos exercícios em grupo, fique responsável pela cena, comece a agir como um diretor. É pelo ponto de vista do ator que a gente constrói o nosso cinema."

Postado por Daniel Feix

Saramago aplaude Meirelles

22 de maio de 2008 2

Caiu no You Tube a reação de José Saramago à adaptação que Fernando Meirelles fez  do livro Ensaio Sobre a Cegueira. O diretor brasileiro promoveu uma sessão privada para o escritor português no sábado passado, em Lisboa. Repare a emoção de ambos ao acender das luzes, principalmente do cineasta. Meirelles sabe bem que essas sessões costumam ter aplausos e elogios protocolares, mas ele percebeu que o encanto e a aprovação de Saramago foram sinceros e respirou aliviado. O cineasta vinha dizendo que a opinião de Saramago lhe importava mais que a dos críticos.

Quem postou a imagem no You Tube foi Quico, filho de Meirelles, que já dá seus primeiros passos como cineasta.

 

Postado por Marcelo Perrone

Lançando uma provocação

21 de maio de 2008 0

 

A capa e as páginas centrais do Segundo Caderno de hoje são dedicadas à matéria assinada por Roger Lerina apresentando o novo filme da série Indiana Jones, que tem a missão de, entre outras coisas, provar que um herói de ação com 60 anos é verossímil e provar, o que é mais difícil, que dá para fazer coisa boa usando o mesmo mote d`O Fantasma, com o Billy Zane, que também já abordava essa tal "caveira de cristal".

Andei conversando com os que esperam o filme ansiosamente. Por se tratarem de três produções nas quais não há relação de continuidade entre uma e outra, não são continuações mas histórias independentes com tramas autônomas, e por isso a trilogia de nosso bom e velho amigo Indy permite que cada fã escolha dentre as três películas a sua favorita.

Este que vos fala, por exemplo, gostou muito do primeiro quando o viu, numa sessão de Supercine quando o Supercine realmente merecia esse nome faz já umas duas décadas – sim, eu não vi no cinema, infelizmente. Não tínhamos videocassete em casa, também, e meu primeiro contato com Indiana Jones, antes até do filme, foi nas histórias em quadrinhos que saíam na revista Superaventuras Marvel, publicação da Abril. A primeira delas era desenhada pelo John Byrne, inclusive.

O segundo filme, O Templo da Perdição eu detestei, um humor sombrio deslocado, um auxiliar mirim irritante que mais parecia o Tatoo da Ilha da Fantasia e uma perseguição de carro interminável – e eu nem cheguei na parte do "controle mental à base de ingestão de sangue".

E aí veio o terceiro filme: a juventude de Indiana, Sean Connery como o pai do herói, guarda-chuvas usados para derrubar aviões, uma história bem bolada, o Santo Graal como mote (numa época em que esse assunto ainda era instigante, despertava curiosidade mas ainda não tinha virado febre graças ao "efeito Dan Brown"). Ah, sim,  e uma química ótima entre os dois astros que emprestaram seu carisma para aquele que é na minha opinião o melhor dos três filmes. O primeiro tem a marca do ineditismo, uma agilidade que muitos depois de Spielberg tentaram imitar mas não chegaram nem perto, mas o terceiro é, para mim, o que reúne as melhores coisas nas doses certas.

Ah, um último comentário. No primeiro, busca-se a Arca da Aliança. No segundo, umas pedras que eu nem lembro mais o nome. No terceiro, o Graal. No quarto agora, a tal caveira de Cristal.

Parece que, a exemplo do que muitos fãs sempre disseram de Star Trek, Indiana Jones está criando um padrão entre seus filmes ímpares e pares. Ímpares: relíquias do misticismo religioso judaico-cristão. Pares: artefatos brilhantes de civilizações exóticas com templos em ruínas no meio da selva.

 

E vocês? Qual a relação de vocês com os primeiros três filmes da saga? Algum preferido? Algum que detestou? A janela de comentários é de vocês.

Postado por Carlos André Moreira

Kill Bill 3 e 4

16 de maio de 2008 5

Beatrix Kiddo, ou A Noiva, vai voltar
Quentin Tarantino confirmou ao desembarcar no Festival de Cannes: os boatos de que filmará a terceira e a quarta versões de Kill Bill são verdadeiros. A continuação da saga de Beatrix Kiddo, ou A Noiva, a personagem interpretada por Uma Thurman, deverá ser rodada na China, conforme o produtor Bennet Walsh havia deixado escapar em entrevistas no Festival de Cinema de Xangai do ano passado. Kill Bill 3, pelo que se especula por aí, trará algo como a vingança de duas mulheres integrantes do bando de Bill (David Carradine) que foram assassinadas pela protagonista, Vernita Green (Vivica A. Fox) e Elle Driver (Daryl Hannah). Já Kill Bill 4, entre outras coisas, deve ser marcado pelo embate entre as filhas de Kiddo e de suas adversárias - além de Vernita Green e Elle Driver, há também O-Ren Ishii (Lucy Liu).

Perguntinha boba (se você não viu os dois primeiros filmes, cuidado: spoiler): como Bill morreu, será que se cogita mudar o nome dos próximos títulos? Ou Kill Bill é uma expressão marcante a ponto de superar esse %22detalhe%22?

Postado por Daniel Feix

Cada um com seu pitaco

15 de maio de 2008 0

Chegam de Cannes compilações de como a crítica recebeu Ensaio Sobre a Cegueira, filme do brasileiro Fernando Meirelles que abriu a disputa pela Palma de Ouro. Quem costuma dar bola para opinião de crítico vai ficar (ainda mais) confuso, tal a discordância com que, curiosamente, destacam as mesmas coisas, ora como mérito, ora como equívoco.

> %22Esperava de Meirelles um filme de arte. Mas não um filme de arte tão provocador%22. Stephen Schaefer, do jornal americano Boston Herald.

> %22Ensaio Sobre a Cegueira parece formar com Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel uma espécie de trilogia sobre o holocausto humano. O primeiro filme mostrava isso nas favelas. O segundo, com a opressão das grandes corporações. Agora, ele mostra os cegos em um local de confinamento que parece um campo de concentração%22. Giovanna Grassi, do jornal italiano Corriere della Sera.

> %22Mesmo com algumas soluções óbvias, esse filme pode ser entendido de vários modos, filosófica e politicamente. Visto como uma espécie de ficção científica apocalíptica, ele fica mais forte. Com uma vantagem: Meirelles controlou os tiques de câmera que trouxe de Cidade de Deus%22. Eurico Barros, do jornal português Diário de Notícias.

> %22O filme não consegue estabelecer o tom angustiante do extraordinário romance distópico de José Saramago, embora o roteiro mantenha fidelidade ao original. A regra se reafirma: grande literatura raramente é traduzida em grande cinema%22. Amir Labaki, da Agência Folha.

> %22Impacto minimizado e excesso estilístico. Raramente atinge a força visceral da prosa de Saramago, que resistiu por muito tempo à idéia de que sua obra de arte fosse adaptada para o cinema. Meirelles provou que os instintos do escritor português estavam infelizmente corretos%22. Justin Chang, da revista americana Variety.

> %22É é um drama com imagens soberbas, alucinantes de colapso urbano. Tem, em seu centro, uma verdadeira espiral de horror, ainda assim, é iluminado com delicadeza e humor. É cinema corajoso, magistral%27%27. Peter Bradshaw, do jornal britânico The Guardian.

> %22Na verdade, só um diretor com a particular combinação de talentos de Meirelles poderia ter levado com êxito à tela a mistura de desespero e esperança do livro%22. Kenneth Turan, do jornal americano Los Angeles Times.

> %22Na adaptação do livro de Saramago para a tela, o diretor brasileiro teve um extraordinário plano visual e consideráveis desafios cinematográficos a vencer. Portanto, há muita coisa aqui para acelerar a pulsação e envolver a mente%27%27. É cinema provocador, mas também previsível: choca, mas não surpreende%27%27. Kirk Honeycutt da revista Hollywood Reporter.

> %22Meirelles parece lutar para encontrar um tom, e Ensaio sobre a Cegueira fatalmente perde tensão antes da escalada para um bizarro sentimentalismo no ato final%22. Fionnuala Halligan, da revista inglesa Screen.

> %22Prometia uma reflexão antes de se estragar numa metáfora de autodestruição%27%27. Dominique Borde, do jornal francês Le Figaro.

> %22Decepcionante. Charme teórico da ambição anunciada nos primeiros minutos de Ensaio sobre a Cegueira se volta rapidamente contra o filme, como se Meirelles só tivesse colocado o bastão tão alto para estar certo de que passaria por baixo dele%22. Olivier Séguret, do diário francês Libération.

> %22Foi a abertura mais deprimente para um festival internacional que eu já vi. Depois da glamurosa esteira rolante de estrelas no ano passado, para comemorar os 60 anos sensacionais de estréias de filmes artísticos, o festival apagou as %27luzes de Natal%27, apertou o cinto e voltou ao austero negócio de mostrar os auto flagelados diretores-autores do futuro. Um choque azedo e inesperado%22. James Christopher, do jornal britânico The Times.

> %22O filme é bastante óbvio em sua apresentação de um universo sórdido e em sua denúncia da manipulação, da miséria e da precariedade da sociedade contemporânea. Além disso, não consegue transmitir os climas e a emoção que levaram o romance original publicado em 1995 pelo ganhador do Prêmio Nobel à consideração mundial. Em vista do medíocre resultado final do filme, o notável autor de O Evangelho Segundo Jesus Cristo tinha razão em temer a adaptação%22. Crítica do jornal argentino La Nación, referindo-se à a antiga relutância de Saramago em ceder os direitos de adaptação do livro.

Postado por Marcelo Perrone

Projeto Raros volta em grande estilo

15 de maio de 2008 0

Richard Widmark no noir Sombras do Mal, de Jules Dassin

A Sala P.F. Gastal retoma nesta sexta-feira as sessões do Raros, tradicional projeto da Usina do Gasômetro dedicado à exibição de filmes inéditos no Brasil ou de difícil circulação no país. A partir de agora, as sessões acontecem a cada duas semanas, sempre às 21h. Para marcar o retorno, um título clássico do cinema noir, Sombras do Mal (Night and the City), de Jules Dassin.

Realizado em 1950, Sombras do Mal tem no elenco Richard Widmark e Gene Tierney, considerado um dos mais belos rostos do período clássico de Hollywood. A sessão tem o caráter de uma dupla homenagem ao diretor Dassin e ao ator Widmark, ambos mortos no final de março. Cineasta americano, Dassin foi obrigado a fugir para a Europa após ser denunciado como comunista nos tribunais macartistas. Lá dirigiu vários filmes célebres, como Rififi (1954), Nunca aos Domingos (1959) e Topkapi (1963), todos estrelados por sua esposa, a atriz grega Melina Mercouri.

Com excepcional fotografia em preto-e-branco, Sombras do Mal está ambientado no universo dos lutadores de box, em Londres, e entrou para a história do cinema como um dos melhores exemplos de representação do submundo nas grandes metrópoles. Até hoje, o filme de Dassin serve de referência para outros cineastas. O caso mais recente é o de David Cronenberg, que buscou inspiração em Sombras do Mal para criar a atmosfera opressiva de Senhores do Crime (Eastern Promises, 2007), ambientado no submundo londrino.

Sombras do Mal será exibido em uma cópia em DVD, com legendas em português. A sessão tem entrada franca. A Usina do Gasômetro fica na Av. Pres. João Goulart, 551, em Porto Alegre.

Abaixo, o trailer:

Postado por Daniel Feix

Primeiro trailer de Vicky Cristina Barcelona

14 de maio de 2008 0


Tá aí o trailer de Vicky Cristina Barcelona, o primeiro Woody Allen rodado na Espanha, depois dos três filmes ingleses do grande diretor (o último deles, O Sonho de Cassandra, segue em cartaz em Porto Alegre). Estrelado por Javier Bardem, Penelope Cruz e Scarlett Johansson, o filme ficou famoso pela expectativa quanto às cenas calientes - que incluiriam, segundo relatos de quem já o viu, beijo entre Penelope e Scarlett e sexo entre os três.

O amasso das duas, para o caso de você ter ficado(a) curioso(a), aparece no trailer abaixo - trata-se da seqüência, pelo que se pode ver, rodada com uma forte filtragem vermelha (como se elas estivessem num laboratório de fotografia). A première mundical será durante o Festival de Cannes.

Postado por Daniel Feix

Cannes promissor

13 de maio de 2008 0

François Truffaut discursa no momento em que Cannes parou, em maio de 1968

Como você já deve ter lido por aí, está começando nesta quarta-feira o 61º Festival de Cannes. Mais importante mostra de cinema do mundo, Cannes forma com Berlim e Veneza a trinca dos grandes festivais do planeta, ao mesmo tempo um palco nobre do cinema de autor e uma vitrine de alguns dos grandes projetos da indústria cinematográfica internacional.

 

Como você provavelmente também já sabe, o filme escolhido para abrir o evento é Ensaio sobre a Cegueira, produção baseada no best-seller do Nobel José Saramago que foi dirigida por Fernando Meirelles. Mesmo que Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, seja uma co-produção entre vários países (assim como Cegueira, por sinal), pode-se dizer que o Brasil tem dois concorrentes à Palma de Ouro, o prêmio máximo de Cannes.

 

O fato não é inédito, como você pode ler no texto do Marcelo Perrone publicado no Segundo Caderno desta quarta e como também já pôde conferir alguns posts atrás. Mas é raro. E demonstra um momento bastante singular da cinematografia nacional: nossos filmes recentes chamaram tanto a atenção que levaram seus diretores a serem escolhidos para liderar alguns desses grandes projetos da indústria internacional. Além, é claro, de referendar a qualidade do atual cinema brasileiro (nunca é demais lembrar que Tropa de Elite saiu com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, no início deste ano).

 

As discussões que Cannes provoca são inúmeras. Se você lê em inglês, recomendo esta matéria do jornal britânico The Independent, que aponta uma crise de identidade no festival, e esta compilação, do também britânico The Guardian, com um pequeno perfil e fotos de todos os 22 diretores que disputam a Palma de Ouro. A Folha de S.Paulo, neste texto aqui, aproveitou a “homenagem” que a organização fará à edição de 1968, “a edição que não terminou”, para relembrar o momento em que, exatos 40 anos atrás, Jean-Luc Godard e François Truffaut, entre outros, invadiram a sala de projeção e impediram o prosseguimento do evento.

 

A mim chama a atenção a disposição de Cannes de fazer com que 2008 seja histórico. Acho impressionante a listagem dos 22 concorrentes ao prêmio máximo do festival. Há os novos Wim Wenders, Clint Eastwood, Lucrecia Martel, Atom Egoyan, entre outros, a estréia do roteirista Charlie Kaufmann na direção, o filme do Steven Soderbergh sobre Che Guevara, enfim, uma seleção de filmes pra lá de promissora.

 

Confere:

 

Ensaio Sobre a Cegueira - Fernando Meirelles (Brasil)

> Linha de Passe - Walter Salles, Daniela Thomas (Brasil)

> Che - Steven Soderbergh (EUA)

> Entre les Murs (Entre as Paredes) - Laurent Cantet (França)

> Two Lovers - James Gray (EUA)

> Uc Maymun (Três Macacos) - Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

> Le Silence de Lorna (O Silêncio de Lorna) - Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica)

> Un Conte de Noel (Um Conto de Natal) - Arnaud Desplechin (França)

> The Changeling (A Troca) - Clint Eastwood (EUA)

> Adoration (Adoração) - Atom Egoyan (Canadá/Egito)

> Waltz with Bashir (Valsa com Bashir) - Ari Folman (Israel)

> La Frontiere de L%27aube (A Fronteira do Amanhecer) - Philippe Garrel (França)

> Gomorra - Matteo Garrone (Itália)

> 24 City - Jia Zhangke (China)

> Synecdoche, New York - Charlie Kaufmann (EUA)

> My Magic (Minha Magia) - Eric Khoo (Cingapura)

> La Mujer sin Cabeza - Lucrecia Martel (Argentina)

> Serbis - Brillante Mendoza (Filipinas)

> Delta - Kornel Mundruczo (Hungria)

> Il Divo - Paolo Sorrentino (Itália)

> Leonera - Pablo Trapero (Argentina)

> The Palermo Shooting (A Filmagem em Palermo) - Wim Wenders (Alemanha)

 

Postado por Daniel Feix

Wong Kar-wai kung fu

13 de maio de 2008 3

Finalmente, depois de várias rodadas de pré-estréias, entra em cartaz nesta sexta em Porto Alegre Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights), do cineasta chinês Wong Kar-wai. É o primeiro filme dele falado em inglês e rodado nos EUA. Outra novidade é a escalação da cantora Norah Jones para o papel protagonista, e ela se sai bem ao lado de bons atores como Jude Law, Natalie Portman, Rachel Weisz e David Strathairn.

Quem admira – mais que isso, cultua - os filmes do diretor vai identificar nesse suas marcas características: amores que se vão, que se reencontram, que se realizam, que se rompem – e como isso aflige seus personagens no presente e nas lembranças  –, as cores berrantes da fotografia e a trilha sonora espetacular. Bom, leia mais sobre o filme na edição desta sexta do Segundo Caderno.

Mas falando em Wong Kar-wai, chega do Festival de Cannes, de amanhã ao dia 25, a informação de que o diretor vai exibir lá uma nova versão de Ashes of Time, filme de 1994 pouco conhecido (nunca lançado no Brasil) e que tem como curiosidade ser uma inusitada incursão de Kar-wai no gênero das artes marciais, o chamado wuxia, uma tradição do cinema chinês e daquele produzido em escala industrial em Hong Kong, onde ele nasceu. Não há previsão, ainda, de Ashes of Time ser lançado por aqui – talvez em DVD, a exemplo dos demais filmes do diretor.

 Ficou curioso? Dá uma espiada nos trailers abaixo e perceba como o estilo de Kar-wai é inconfundível - e o ritmo é bem diferente da pancadaria e gritaria tradicionais.

Postado por Marcelo Perrone

Novo trailer do Batman

10 de maio de 2008 2

Pintou um novo trailer, maior e melhor, do Batman - Cavaleiro das Trevas, que estréia em 18 de julho. Nesse, já tem mais destaque o ator Aaron Eckhart, como Harvey Dent/Duas-Caras, que, dizem, ganhou mais espaço depois da morte de Heath Ledger, o Coringa. O trailer vende bem o filme e deixa alta a expectativa dos fãs do Homem-Morcego. Acho a Maggie Gyllenhaal uma gracinha, mas ela parece meio sem sal para fazer Bruce Wayne esquecer o combate ao crime. No entanto, antes ela que a enjoadinha Katie Holmes, do bom filme anterior do Batman, também do Christopher Nolan. 

 

Postado por Marcelo Perrone