Como mostrou o Segundo Caderno desta quinta, o cineasta porto-alegrense Gustavo Spolidoro estréia amanhã seu Ainda Orangotangos, o primeiro longa-metragem feito no Brasil a partir de um plano-seqüência, ou seja, com uma tomada única sem cortes. Ao longo de 81 minutos, Spolidoro percorre 15 quilômetros da Capital mostrando breves histórias que se intercruzam. A complexa operação técnica e logística mobilizou mais de 180 pessoas, que dividiram funções precisas e detalhadamente ensaiadas. Foram seis tentativas de fazer o plano. Três deram certo. A melhor, registrada em 8 de dezembro de 2006, é a que está nas telas. Eu acompanhei uma das que valeram e guardo a experiência como uma das mais excitantes que já testemunhei em um set de filmagem. Detalhe: não bastasse a dificuldade da empreitada, Spolidoro promoveu ainda uma revolução no conceito de plano-seqüência, já que a ação de seu filme não se passa em tempo real. Lá pelo meio ele encena o pesadelo de uma personagem – o que exigiu uma espetacular montagem de cenário em ritmo de pit stop (uma sala foi decorada em apenas um minuto) – e uma passagem de tempo que avança a narrativa da manhã para a noite.
Como homenagem ao Spolidoro e equipe, segue uma galeria com três clássicos planos-seqüência do cinema - já fizemos uma grande lista por aqui tempos atrás, por razão que não lembro, mas é o tipo de coisa que ninguém se cansa de ver.
O assunto já foi tema de um especial no site Daily Film Dose. Confira já a enorme lista deles aqui, ilustrada (alguns links não funcionam mais, mas o YouTube resolve).
Ah, dá uma espiada no site de Ainda Orangotangos, tem muita coisa interessante lá.
Aos filmes:
A Marca da Maldade (1958), de Orson Welles
O Jogador (1992), de Robert Altman
Profissão: Repórter (1974), de Michelangelo Antonioni
Postado por Marcelo Perrone



