Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts do dia 19 setembro 2008

Quem te viu quem te vê, Kassovitz

19 de setembro de 2008 0

Por Marcelo Perrone

Prestígio, fama e fortuna não são desejos excludentes no mundo do cinema. Mas o francês Mathieu Kassovitz parece pensar diferente. Só isso explica sua assinatura em Missão Babilônia, aventura futurista que estréia hoje nos cinemas, típico filme condenado ao esquecimento ainda durante a sessão.

Kassovitz despontou em 1995 com O Ódio, aclamado filme que lhe valeu importantes prêmios, como o de melhor direção no Festival de Cannes _ o longa espelha no cotidiano de um grupo de amigos a multirracial periferia de Paris em ebulição, enredo que se mostrou visionário diante da conflagração social que emergiria na ruas da França anos depois. Ainda em seu país, ele realizou os elogiados policiais Assassinos (1997) e Rios Vermelhos (2000). Mesmo antes de se lançar como diretor, Kassovitz se mostrou um excelente ator, como pode ser conferido em Amém, o polêmico filme de Costa-Gavras (2002) que joga luz nas nebulosas relações da igreja católica com o nazismo.

Mas aí Kassovitz ouviu o canto das sereias em Hollywood e deu de cara com o rochedo. Primeiro com Na Companhia do Medo, terror psicológico estrelado por Halle Berry _ mistureba de todos os clichês recentes do gênero “eu vejo pessoas mortas”. E agora com este Missão Babilônia, com o astro fortão Vin Diesel. Este vive um mercenário contratado para levar uma misteriosa garota (Mélanie Thierry) de um convento da Mongólia até Nova York. Ocorre que a jovem é uma cria de laboratório vista como santa _ por ser grávida e ainda ser virgem. Dotada de superpoderes mediúnicos, a imaculada é disputada tanto pela líder uma influente seita quanto pelo cientista que a criou.

Lógico que um enredo estapafúrdio desses só chega ao final pulando buracos no roteiro e torrando milhões em efeitos especiais. É mais um exemplar daquelas superproduções americanas que tentam reciclar os mais gastos clichês do gênero com um verniz, digamos, autoral a cargo de um cineasta europeu. Só que o reboco “mais fino” – leia-sa cafonices como montagem picotada, câmera trepidante, fotografia noir, recursos que nas cenas de ação mais confundem que mostram – torna mais ainda mais evidente a pretensão e mais ruidoso o tombo. E Kassovitz não cai sozinho. Leva com ele atores do calibre de Gérard Deperdieu e Charlotte Rampling, como vilões pra lá de caricatos, em papéis que atores com eles devem topar apenas pela amizade e para garantir uma poupança mais gorda na aposentadoria.

Postado por Marcelo Perrone