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Posts de setembro 2008

Parada dura

29 de setembro de 2008 2

Cerca de cem longas devem passar pela peneira que vai selecionar apenas cinco para disputar o Oscar de filme estrangeiro. A dureza para Última Parada: 174, representante brasileiro na briga começa já na disputa com os vizinhos. Neste fim de semana, a Argentina escolheu seu filme: Leonera, o novo de Pablo Trapero, que integrou a mostra competitiva do Festival de Cannes. O Daniel Feix já viu em Buenos Aires e confirma que é mais um grande trabalho de Trapero. Leonera, um drama penitenciário, conta com dois brasileiros nos créditos: Rodrigo Santoro no elenco e Walter Salles na produção, com sua Videofilmes. Para se ter um idéia do alto nível da seleção argentina, ficaram para trás na corrida as mais recentes produções de Daniel Burman e Lucrécia Martel.

A Colômbia já havia eleito seu representante há algumas semanas, Perro Come Perro, filme que saiu do Festival de Gramado com vários Kikitos, elogios da crítica e aclamação do público. O longa de Carlos Moreno, sobre uma violenta saga de vingança entre criminosos, repetiu em seu país uma trajetória parecida com a de Tropa de Elite por aqui: gerou polêmica, foi campeão de bilheteria e se tornou, graças à pirataria, um grande sucesso antes mesmo de estrear nos cinemas. O filme é muito bom, com forte apelo pop, do esmero técnico à encenação do banho de sangue, que combina Tarantino – mas sem o pastiche habitual dos genéricos – com brujeria pesada. Ou seja, é universal sem abrir mão da sua identidade cultural.

Fora do continente, o Brasil terá como adversários, entre outros, mais três integrantes da mostra principal do Festival de Cannes: o francês Entre Les Murs, grande vencedor da Palma de Ouro, o italiano Gomorra, ganhador do Grande Prêmio do Júri, e a animação israelense Waltz with Bashir. Também está na briga o alemão Der Baader Meinhof Komplex, com a trajetória de líderes do grupo terrorista Facção Exército Vermelho, que agiu na então Alemanha Ocidental no começo dos anos 70. 

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anuncia os concorrentes aos Oscar em 22 de janeiro de 2009. A cerimônia será realizada em 22 de fevereiro.

Postado por Marcelo Perrone

Janelas abertas para mudanças

26 de setembro de 2008 2

Jean-Claude Bernardet/Diego Vara
Decano da crítica cinematográfica nacional, o pesquisador franco-brasileiro Jean-Claude Bernardet é – talvez a maior – referência da reflexão sobre o cinema brasileiro. Autor de, entre outros, Cineastas e Imagens do Povo, principal livro sobre o documentário do país, lançado em 1985 e relançado em edição ampliada em 2003, Bernardet é professor aposentado da USP, roteirista, romancista e também ator. Na semana passada, esteve em Porto Alegre para apresentar o curso e a mostra Em Torno de Cinema e Janelas. O projeto foi o ponto de partida para um bate-papo à mesma medida erudito e confessional, realizado no Cine Santander. Uma edição compacta da conversa está no Segundo Caderno de ZH da segunda-feira - abaixo, a íntegra da entrevista.

Zero Hora - Por que o senhor montou um curso e uma mostra de filmes com base em produções que tratam, objetiva ou metaforicamente, de "janelas"?
Jean-Claude Bernardet -
Quando se fala em programação das salas de cinema, mesmo as salas do circuito alternativo, fala-se normalmente em mostras cujos filmes foram agrupados pelo país de procedência ou pelo seu autor - ou ator. A questão que coloco, primeiramemente, é que é preciso abrir os horizontes, pensar em novas categorias. Agrupar filmes pelas suas temáticas, ou ainda, e principalmente, pela sua forma, nos permitiria pensar de um jeito muito interessante a produção cinematográfica. O tema das janelas, por ser amplo, dá uma liberdade muito grande de associação - e, por isso, nos permite aproximar filmes que outras categorias não permitiriam, nos dá a possibilidade de relacionar produções que talvez de outra maneira não poderiam ser relacionadas. As janelas são um tema muito freqüente, há muito tempo, na pintura. Por que seriam estranhas como um tema de cinema - que é uma arte também visual? Talvez um pouco por conta da nossa falta de hábito de fazer associações como essas.

ZH - Discutir forma no cinema nacional, hoje, é algo pertinente. Em entrevista recente a ZH, o cineasta Júlio Bressane disse que a maneira como os autores pensam cada elemento da linguagem, atualmente, é cada vez mais rasa.
Bernardet -
Para você ter uma idéia: trabalhando nas oficinas do DOC TV (programa do governo federal e da TV Cultura de fomento à produção independente), só no ano passado e em 2008, analisei se não me engano 26 roteiros de documentários. Nenhum deles, sem exceção, revelou qualquer tipo de pensamento audiovisual por parte de seus autores. Analisei projetos embasados em excelentes pesquisas, textos muito convincentes etc. Mas nada que representasse uma idéia de cinema. Todos os autores tinham seus temas, mas estavam muito longe de ter filmes sobre eles. Não chegamos ao ponto de entender, ainda, que uma série de informações escritas dá um livro - não um filme. Hoje é aceito que existe um pensamento musical que não é expressável em outra linguagem. Em termos de cinema, esse pensamento pode existir, mas é desconhecido de parte dos realizadores. Fala-se em analfabetismo textual, em analfabetismo até da área de matemática, por exemplo. Pois eu acho que existe também um analfabetismo audiovisual.

ZH - O senhor constata esse analfabetismo audiovisual também em quem faz ou se propõe a fazer cinema?
Bernardet -
O termo talvez seja um pouco forte demais, mas acho que sim. O que acontece é que o realizador não pode organizar seu pensamento a partir das informações sobre o tema de seu filme. Ele precisa, isso sim, organizar seu pensamento a partir da linguagem do cinema. Ele não deve pensar verbalmente, mas cinematograficamente. O tema interessa menos em um filme do que a maneira como ele é abordado - é isso que me parece não ser inteiramente compreendido.

ZH - Analisando a questão por outro lado, filmes que investem prioritariamente na forma parecem ter público cada vez mais restrito.
Bernardet -
Quando as pessoas em geral conversam sobre cinema, elas falam sobre o quê? Sobre o enredo. Quase sempre. A forma na maioria das vezes passa despercebida pelo público. O resultado é que um filme radical - como Five, do Abbas Kiarostami (2003), por exemplo - passa por incompreendido para muita gente que freqüenta as salas de cinema, e a obra de seu autor evolui em direção a galerias, museus e outros espaços de arte que não são voltados a histórias contadas das maneiras mais tradicionais.

ZH - O senhor já disse, em outras ocasiões, que existe uma espécie de obsessão documental no cinema brasileiro nos últimos tempos. Muitos filmes são feitos aproveitando aspectos do real - não que sejam necessariamente documentários. A que se deve isso?
Bernardet -
Mais que isso: existe hoje não só uma obsessão pelo real, mas por transformar o real em espetáculo. Mais ainda: há um movimento no sentido de o sujeito se autotransformar em espetáculo. É notório que há uma crise do homem contemporâneo - ele não sabe ao certo onde está e para onde vai. Uma das conseqüências dessa crise é o sujeito se construir como personagem de ficção, é fazer uma "auto-ficção". Isso que estou dizendo pode parecer maluquice, mas não é. Não é nem novo - Meu Tio da América (1980), longa de Alain Resnais, toca exatamente nessa questão. Fiz um filme recentemente com o (diretor) Kiko Goifman intitulado FilmeFobia (2007) que radicaliza tanto essa discussão que simplesmente torna impossível a sua classificação como ficção ou documentário. Justamente por isso, é um trabalho que traz reflexões muito interessantes e aponta caminhos realmente novos para o cinema nacional.

ZH - E Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho, não propõe uma discussão semelhante? Se você fizesse uma terceira edição de Cineastas e Imagens do Povo, acrescentando análises de filmes novos, como fez com a segunda edição, Jogo de Cena estaria incluído? Que outros filmes estariam?
Bernardet -
Sim, Jogo de Cena e também Santiago (de João Moreira Salles, 2007). São os filmes que, essencialmente, trazem coisas novas dentro da idéia de "auto-ficção". Mas Jogo de Cena vai mais longe. O filme é a prova de que o pensamento filosófico pode ser expressado pela linguagem do cinema. A partir do momento em que a Andréa Beltrão repete uma frase dita segundos antes por outra pessoa em frente à câmera de Coutinho, se estabelece algo muito interessante: o discurso não pertence mais ao corpo falante, ele se autonomizou. Isso é muito próximo de Resnais. Ou de Lacan, quando ele diz: "Isso fala". O corte da entrevistada anterior para a Andréa Beltrão é filosofia pura - por meio de elementos da linguagem de cinema. Quer dizer: Coutinho está dizendo que filosofia não se faz apenas através do verbo, mas do audiovisual. Isso é impressionante. O documentário brasileiro está indo cada vez mais longe.

ZH - Por que, na sua opinião, o cinema brasileiro não consegue estabelecer uma relação mais consistente com o público?
Bernardet -
Estou com um problema de deficiência visual, que é progressivo e que está me impedindo de ver parte dos filmes mais recentes. Mas acredito que a explicação para a distância entre a produção nacional e o público passa por um fenômeno mais antigo. Nas décadas de 1950 e 1960, por exemplo, existia uma produção reconhecida pela crítica mas, ao mesmo tempo, havia títulos que mantinham o diálogo com o grande público. Foi assim nos anos seguintes, até que, lá pelas tantas, esse diálogo parou de se estabelecer. E não simplesmente porque o (ex-presidente Fernando) Collor assinou o fim da Embrafilme - esse fim estava anunciado, já era previsível durante a gestão do (ex-ministro da Cultura do governo José Sarney) Celso Furtado. Quando, após um intervalo de tempo, a produção nacional direcionada ao grande público voltou, ela passou a ser exibida apenas no dito circuito alternativo. Ela só encontrou espaço nesse circuito. Desde os anos 1990, são raras as produções nacionais que alçam vôos mais altos. Portanto, quer queiram ou não os realizadores, eles estão trabalhando para o espectador mais intelectualizado. O público menos exigente é o do circuito dos shoppings - e esse está afastado da produção nacional desde que ela sumiu, dos anos 1980 até o governo Collor.

ZH - Esse sistema influencia a produção propriamente dita?
Bernardet -
Sem dúvida - mesmo que subjetivamente. Mas há outra questão importante aí: o financiamento. O cinema brasileiro é quase que inteiramente bancado pelas leis de incentivo fiscal. Com bons captadores, um filme se paga na produção, sem depender do mercado - e, por conseqüência, do público. O fato de um filme ser visto ou não faz nenhuma diferença para o estabelecimento de uma indústria de produção, digamos assim. Mas isso não é novo - o (cineasta Hector) Babenco criticava essa não-dependência do mercado 30 anos atrás. Dialogar com o público é, em outras palavras, mais um desejo, quase egocêntrico, do que uma necessidade do cinema brasileiro.

ZH - O senhor é daqueles que acredita que, enquanto não se mudar o sistema de financiamento com base na renúncia fiscal, não há jeito de os filmes nacionais ocuparem uma fatia maior do mercado?
Bernardet -
Sim. E também acredito que a Ancine (Agência Nacional do Cinema, ligada ao Ministério da Cultura) começa a pensar dessa mesma forma. Por que, isso está cada vez mais evidente, jamais vamos chegar a uma estrutura de produção cinematográfica com as coisas postas do jeito que estão. O sistema brasileiro é único no mundo - ele inclusive já foi descoberto pelos produtores estrangeiros, que chegaram e estão pleiteando o dinheiro renunciado do país, por meio de co-produções internacionais. Mas veja bem: não defendo o fim das leis de incentivo à cultura. Se o Estado se retirar do financiamento da produção, será a morte do cinema nacional. Deve-se pensar, e a Ancine, me parece, está fazendo esse raciocínio, em uma lenta transição para um sistema misto de financiamento, mais complexo, em que o Estado investe dinheiro e é reembolsado através de diversos mecanismos que devem envolver, por exemplo, a televisão. (Celso) Furtado compreendeu que esse era o caminho ideal, por isso implantou uma política que levou a Embrafilme ao fim. Só que fez isso de uma forma muito autoritária e sem se dar conta de que a classe cinematográfica era forte o suficiente para resistir a atitudes assim drásticas. Ele estava de certa forma certo, mas agiu politicamente errado.

ZH - Onde as novas mídias - ou não tão novas, como a tevê - entram nessa idéia do que seria um novo sistema nacional de produção de filmes?
Bernardet -
Olha, você está me fazendo perguntas muito pertinentes, mas as quais eu tenho dificuldades de responder. Estou realmente com a visão limitada, o que tem feito com que eu simplesmente deixe de ver filmes importantes. Já não uso mais internet sem que a ajuda de outra pessoa - e isso inclui o You Tube. Não vejo a tela do celular e estou alheio a objetos de tela portátil, como MP4 player. Quer dizer: sei que há transformações bem importantes que podem ser vislumbradas, mas, para mim, é difícil responder essa pergunta. Sei, por exemplo, que a montagem é um dos aspectos técnicos que mudou radicalmente nos últimos anos. E, também, que se começa a pensar em distribuição de filmes via satélite. São coisas importantes dentro do sistema, que sem dúvida têm impacto na produção. Mas, mais do que apenas detectar esse impacto, eu não consigo mais fazer.

ZH - Deve ser duro para alguém que ama o cinema e trabalha tanto por ele.
Bernardet -
Duro, não - está sendo catastrófico. Num debate no Cine Santander, dentro do curso (Em Torno de Cinema e Janelas, realizado na semana passada), ouvi comentários da Ana Luíza (Azevedo, diretora gaúcha) sobre aspectos de um filme que eu literalmente não vi. Quer dizer, assistimos ao mesmo filme, mas eu não enxerguei coisas que ela enxergou. Eu não deixei de ler. Porque, em casa, tenho uma luz especial, uso lupa, e as letras não têm significado visual, não preciso fruí-las como faço com as imagens de um filme. Mas os filmes... Enfim, é uma catástrofe para mim.

Postado por Daniel Feix

A invasão da tropa

24 de setembro de 2008 1

Voltamos ao Tropa de Elite em sua carreira internacional.

Reparem que o trailer para a Espanha (abaixo) é o mesmo que circula agora nos EUA - que, aliás, não foi veiculado apenas na Inglaterra, como sugeriu um leitor no post anterior. Além da cena em preto-e-branco que não existe na versão brasileira, o trailer, que apresenta o Rio como "la ciudad mas peligrosa del mundo", resume o enredo à relação dos dois aspiras e esquece o capitão Nascimento. Também enfatizam o parentesco com Cidade de Deus, pelo tema e pela assinatura do roteirista indicado ao Oscar Bráulio Mantovani.

José Padilha já andou dizendo que está de mãos amarradas nesta divulgação internacional, pois ela pertence ao grupo americano Weinstein (que vendeu Cidade de Deus lá fora). Mas ainda não vi ele reclamando, ao menos, do que estão fazendo com seu filme. Na boa, e reclararam da visita dos Simpsons por aqui.

Veja mais em:

http://www.brasilelite.com

 

 

Postado por Marcelo Perrone

Michael Moore em campanha

23 de setembro de 2008 1

Para quem admira e para quem detesta mas não deixa de ver seus filmes, Michael Moore lançou nesta terça-feira seu novo documentário, Slacker Uprising. Também conhecido como Captain Mike Across America, o longa é o reforço de Moore à campanha do democrata Barack Obama à presidência dos EUA - o diretor percorre os mais importantes Estados americanos discursando tanto a favor de Obama quanto contra o republicano John McCain, represantante do governo Bush na corrida.

Mas foi um lançamento peculiar. O filme foi oferecido para downlod gratuito no site http://slackeruprising.com, mas apenas para quem mora nos EUA e no Canadá. Não adianta bancar o esperto, pois mesmo que você faça o cadastro e receba um e-mail do próprio Moore com o link para baixar o doc., logo em seguida vem um "sorry" explicando, com uma educada carraspana, o que já estava explicado antes (o IP da máquina entrega o local de origem do interessado). A essas alturas, porém, o filme já deve estar disponível por outras fontes na rede. Saiu lá fora hoje também o DVD, a US$ 9,95. No site dá ver o trailer.

Postado por Marcelo Perrone

Elite Squad

22 de setembro de 2008 10

Filme mais visto, pirateado e (bem e mal) falado no Brasil nos último anos, Tropa de Elite estreou este final de semana nos EUA. A crítica americana, que em sua maioria já havia reprovado o filme de José Padilha quando da conquista do Urso de Ouro no Festival de Berlim, caiu de pau, como se pode acompanhar pela compilação de algumas resenhas pelo site Metacritic. O agora chamado Elite Squad largou com nota baixa, 33, dos 100 pontos possíveis. O New York Times detonou, falando que o filme pinta um quadro feio e incoerente do Brasil com abuso de tortura, sangue e violência. Curiosamente, a New York Magazine puxa a média um tiquinho pra cima não só elogiando como comparando Tropa de Elite com o clássico  Operação França (???). Mas o público que freqüenta o Metacritic gostou, deu nota 9,3 sobre 10.

Sei que que a discussão sobre Tropa de Elite, para nós é mais que velha. Na verdade, o assunto volta aqui para falar do trailer que vende o filme para os gringos. Além de chamar o Rio de "cidade mais violenta do mundo", mostra uma cena que não existe no longa, ou se existe não fez parte da versão exibida no Brasil. Reparem que logo no início, o narrador (de quinta categoria) refere-se aos aspiras Neto e Matias como dois amigos que cresceram juntos, com imagens dos dois quando crianças brincando com armas na rua. De onde será que tiraram essa?

 

Postado por Marcelo Perrone

Quem te viu quem te vê, Kassovitz

19 de setembro de 2008 0

Por Marcelo Perrone

Prestígio, fama e fortuna não são desejos excludentes no mundo do cinema. Mas o francês Mathieu Kassovitz parece pensar diferente. Só isso explica sua assinatura em Missão Babilônia, aventura futurista que estréia hoje nos cinemas, típico filme condenado ao esquecimento ainda durante a sessão.

Kassovitz despontou em 1995 com O Ódio, aclamado filme que lhe valeu importantes prêmios, como o de melhor direção no Festival de Cannes _ o longa espelha no cotidiano de um grupo de amigos a multirracial periferia de Paris em ebulição, enredo que se mostrou visionário diante da conflagração social que emergiria na ruas da França anos depois. Ainda em seu país, ele realizou os elogiados policiais Assassinos (1997) e Rios Vermelhos (2000). Mesmo antes de se lançar como diretor, Kassovitz se mostrou um excelente ator, como pode ser conferido em Amém, o polêmico filme de Costa-Gavras (2002) que joga luz nas nebulosas relações da igreja católica com o nazismo.

Mas aí Kassovitz ouviu o canto das sereias em Hollywood e deu de cara com o rochedo. Primeiro com Na Companhia do Medo, terror psicológico estrelado por Halle Berry _ mistureba de todos os clichês recentes do gênero "eu vejo pessoas mortas". E agora com este Missão Babilônia, com o astro fortão Vin Diesel. Este vive um mercenário contratado para levar uma misteriosa garota (Mélanie Thierry) de um convento da Mongólia até Nova York. Ocorre que a jovem é uma cria de laboratório vista como santa _ por ser grávida e ainda ser virgem. Dotada de superpoderes mediúnicos, a imaculada é disputada tanto pela líder uma influente seita quanto pelo cientista que a criou.

Lógico que um enredo estapafúrdio desses só chega ao final pulando buracos no roteiro e torrando milhões em efeitos especiais. É mais um exemplar daquelas superproduções americanas que tentam reciclar os mais gastos clichês do gênero com um verniz, digamos, autoral a cargo de um cineasta europeu. Só que o reboco "mais fino" - leia-sa cafonices como montagem picotada, câmera trepidante, fotografia noir, recursos que nas cenas de ação mais confundem que mostram - torna mais ainda mais evidente a pretensão e mais ruidoso o tombo. E Kassovitz não cai sozinho. Leva com ele atores do calibre de Gérard Deperdieu e Charlotte Rampling, como vilões pra lá de caricatos, em papéis que atores com eles devem topar apenas pela amizade e para garantir uma poupança mais gorda na aposentadoria.

Postado por Marcelo Perrone

Lá vamos nós, outra vez (2)

16 de setembro de 2008 0

Adendos ao post abaixo.

Última Parada:174, tecnicamente, estreou no Brasil, mas, oficialmente, não. Ocorre que para se credenciar à disputa pela vaga, o filme precisava, segundo regulamento do MinC, ter sido lançado comercialmente entre outubro de 2007 e  setembro de 2008. Assim, o longa foi colocado, na sexta passada, em cartaz num cinema de Jundiaí, interior paulista, onde fica até esta quinta e sai de cena. O característico jeitinho foi a estratégia usada também por Tropa de Elite no ano passado - que não levou a indicação.

Bruno Barreto já concorreu ao Oscar de filme estrangeiro em 1998, com o drama político O que É Isso Companheiro?, que perdeu para o holandês Caráter.Seu trânsito em Hollywood começou no começo dos anos 1990, época em que teve início seu relacionamento com Amy Irving, ex de Steven Spielberg, com quem Barreto ficou até 2005. Nos EUA, ele realizou, entre outros filmes, Voando Alto, com Gwyneth Paltrow (2003), mas sua carreira não chegou a decolar. Sempre interessante lembrar: com apenas 21 anos, Bruno dirigiu Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), até hoje o maior sucesso de público do cinema brasileiro, com 10,7 milhões de espectadores, recorde que deverá ser eterno.

Postado por Marcelo Perrone

Lá vamos nós, outra vez

16 de setembro de 2008 1

Curiosa essa escolha de Última Parada: 174 para representar o Brasil na disputa por uma vaga entre os cinco concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro - seria o primeiro do país. Começa por ser um filme ainda inédito por aqui. Sua primeira exibição no Brasil será no dia 25 agora, na abertura do Festival do Rio. Para quem não sabe, o longa de Bruno Barreto leva para o universo da ficção a história real que já havia inspirado José Padilha no documentário Ônibus 174 - o trágico desfecho de um seqüestro ocorrido no Rio de Janeiro, que culminou na morte de uma refém e do seqüestrador, com foco na trajetória de miséria e violência de Sandro Nascimento, o marginal.

A escolha, para mim, é uma nova tentativa de forçar a mão no perfil de produção miséria/violência consagrado por Cidade de Deus e que hoje é uma espécie de clichê temático do cinema nacional no Exterior - como recentemente lembrou Murilo Salles, autor de Nome Próprio, é esse tipo de filme que as curadorias dos festivais internacionais querem ver e que boa parcela dos cineastas nacionais se empenha em oferecer.

Só para lembrar, no ano passado a indicação do filme brasileiro elegeu o drama O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, e foi a maior gritaria porque muitos achavam que o fenômeno Tropa de Elite é que tinha reais chances reais de ficar entre os cinco escolhido pela Academia de Hollywood. O nome de Bruno Barreto - que assim como seu pai, o produtor Luiz Carlos Barreto, é uma figura com trânsito lá fora -, sem dúvida, vai ajudar a intensa campanha de "vender" Última Parada: 174 em Hollywood.

Concorriam à indicação pelo Brasil um total de 14 filmes, entre eles Meu Nome não É Johnny, de Mauro Lima, campeão de bilheteria nacional de 2008, A Casa de Alice, de Chico Teixeira, Era uma Vez..., de Breno Silveira, Estômago, de Marcos Jorge, O Passado, de Hector Babenco, e Os Desafinados, de Walter Lima Júnior.

A propósito, antes de começar mais uma vez aquela irritante torcida em clima Copa do Mundo: o Brasil só concorreu ao Oscar de filme estrangeiro quatro vezes, a última em 1999, com Central do Brasil, de Walter Salles, que perdeu para o italiano A Vida é Bela.  

Postado por Marcelo Perrone

O gosto dos outros

15 de setembro de 2008 0

O Segundo Caderno caderno desta segunda apresenta em duas páginas uma iniciava bem interessante chamada MovieMobz, que vem a ser a possibilidade de o espectador, via internet, mobilizar outros para promover a sessão de um filme. São mais de 400 títulos que podem ser votados, com destaque para os clássicos e os inéditos (na Capital ou no Brasil). Por aqui, as salas parceiras são o Unibanco Arteplex e o Arcoíris Rua da Praia. Assim que um filme ganhar de  20 a 30 votos, dependendo da sala, a sessão está garantida.

O que me chamou a atenção foi o filme que lidera a lista de pedidos para realizar em Porto Alegre a primeira sessão do MovieMobz : é a animação francesa Persópolis. O filme entrou em cartaz na cidade e já voltou em mostras especiais. Por que razão, então, os cinéfilos locais estão votando nele e não nos muitos títulos inéditos que estão ali, como o novo do George A. Romero, Diário dos Mortos, ou o polêmico documentário O Advogado do Terror

Postado por Marcelo Perrone

Questão de poder

13 de setembro de 2008 1

O quanto há de ridículo no mundo corporativo – seus discursos, contradições e neuroses – tem sido explorado com engenho na tiras do Dilbert, de Scott Adams (diariamente no Informe Econômico de ZH) ou no seriado de TV The Office (engraçadíssimo, sem perder, no fundo, uma nota melancólica). Para além do ridículo, o que há de tristemente humano na gestão de grandes empresas é o que dá o mote para o filme A Questão Humana.

Produção francesa dirigida por Nicolas Klotz, realizador pouco visto no Brasil, o longa acompanha o percurso de um homem em desoladora descoberta. Mathieu Amalric (que apareceu há pouco em O Escafandro e a Borboleta) interpreta o psicólogo que, na filial francesa de uma importante firma alemã, está encarregado tanto de selecionar jovens executivos para cargos promissores quanto de fiscalizar os níveis de competitividade, produção e sanidade dos já contratados – até que recebe de um vice-presidente a missão de diagnosticar o próprio presidente da empresa, o qual, segundo pessoas próximas, estaria perdendo a razão. Nessa empreitada, aceita não sem conflitos, o protagonista perde ele próprio o equilíbrio emocional.

Nessas alturas, a narrativa já se desenvolve em um clima que remete a Caché, uma das produções mais impressionantes de 2005. Se lá o que entrava em jogo (desavisadamente, como se o filme fosse sobre outra coisa) era a mal resolvida questão dos franceses com suas ex-colônias, aqui o que desestabiliza são os fantasmas da II Guerra. Entre jogos de poder, emergem a culpa alemã, a culpa francesa, a memória daqueles tristes tempos, a frieza da ação dos carrascos dos campos de concentração (e de seus colaboradores). O que A Questão Humana sugere é que a sanha produtiva tão cara aos tempos de hoje, a busca pelos melhores, pelos mais capazes, pelos mais eficientes, tem tudo a ver com a eugenia nazista – a ciência do homem posta em movimento contra o próprio homem.

 

Eduardo Veras

 

Postado por Eduardo Veras

As brumas de Darabont

13 de setembro de 2008 2

Pessoas desesperadas em fuga pelas ruas de Manhattan, enquanto sobre elas avança a nuvem de entulho das Torres Gêmeas, tornaram-se uma imagem simbólica de um temor contemporâneo que o cinema explora com freqüência cada vez maior. Por conta disso, nunca se desgastou tanto a expressão “metáfora” para associar ao clima de tensão permanente do mundo – vá lá, dos Estados Unidos – filmes que expõem seus personagens a situações-limite provocadas por uma repentina e desconhecida ameaça.
O Nevoeiro reforça a safra que há pouco teve como representante destacado Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan, cineasta que investiu nesta temática de dupla leitura também em filmes como Sinais (2003) e A Vila (2006). O diferencial mais evidente de O Nevoeiro é que o longa se presta, sim, a esse espelhamento com medos recentes. Mas suas referências principais estão lá nas produções classe B dos anos 1950, quando a paranóia dos americanos dizia respeito a ataques fulminantes e ardilosos de soviéticos e alienígenas.
Dirigido por Frank Darabont, O Nevoeiro adapta um conto do escritor Stephen King publicado em 1985 no livro Tripulação de Esqueletos. O cenário é uma cidadezinha do interior dos EUA atingida por uma violenta tempestade. Mas em vez da bonança, chega sobre o lugarejo uma densa neblina que, além de misteriosa, se revela mortal, pois nela se escondem criaturas com apetite por carne humana. Pego de surpresa pela cerração, um grupo de moradores fica confinado em um supermercado. A possibilidade de sair dali é barrada pelos gritos desesperados dos que estão sendo abatidos do lado de fora.
Ali dentro se desenrola o que O Nevoeiro tem de mais interessante e assustador. Pioneiros cercados por índios nos velhos faroestes, jovens temendo o serial killer que ronda a casa, zumbis do mestre George A. Romero forçando as portas de um shopping para devorar o que resta da humanidade. Se esta representação de enrascadas coletivas é tema recorrente no cinema, assim como fazer do pequeno e heterogêneo grupo em perigo um microcosmo social, a missão do bom cineasta é tratar bem estas convenções.
A tensão no supermercado se estabelece em dois fronts: o temor comum ao que se passa do lado de fora e a temperatura interna que esquenta com discordâncias, preconceitos e ressentimentos, elementos que também vão revelar monstros e provocar baixas. Dois personagens antagônicos se destacam. David (Thomas Jane) é um desenhista que está ali com o filho pequeno e se mostra o mais sensato líder na busca pela salvação. Miss Carmody (Marcia Gay Harden) é uma fanática religiosa que vê na situação um castigo bíblico. Para Carmody, salvação tem outro sentido. E o progresso de sua pregação histérica e solitária até ela formar um robótico rebanho é referência bastante explícita ao poder político da religião – carapuça que serve tanto aos carolas conservadores do cinturão bíblico americano que votam em George W. Bush quanto aos fundamentalistas muçulmanos que apóiam a Al-Qaeda.
Paradoxalmente, O Nevoeiro, depois de ganhar a atenção do espectador com sua progressiva escalada de suspense, perde um pouco do gás à medida que torna mais explícita a ameaça oculta nas brumas. Não apenas por colocar em cena uma galeria de bichos medonhos, mas também por esboçar uma explicação para toda aquela tragédia. Talvez seja a fatia do bolo que cabe às platéias mais jovens que são hoje maioria nas salas, deslumbradas por efeitos especiais e pouco receptivas a tramas que não venham pré-mastigadas.
Darabont faz com O Nevoeiro seu terceiro longa originado na obra de Stephen King – depois de Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de Um Milagre (1999). A intimidade com o universo do autor permitiu ao diretor uma interessante subversão ao conto original, e que funciona como antídoto ao anticlímax. Ao criar seu próprio desfecho, surpreendente e corajoso, Darabont dá a impressão de querer voltar atrás na opção de agradar às grandes platéias. Pela reação de parte do público no cinema, percebe-se que ele conseguiu.

  

Marcelo Perrone

 

Postado por Marcelo Perrone

Tri rapidamente pelas ruas de Porto

11 de setembro de 2008 1

O vídeo abaixo é só para quem já viu Ainda Orangotangos, o longa de estréia de Gustavo Spolidoro, que está em cartaz em Porto Alegre. Sério mesmo: se você não viu o filme e pretende vê-lo, não dê play no vídeo abaixo. É uma brincadeirinha, mas contém spoiler, digamos assim.

Postado por Daniel Feix

Olho no 3D

10 de setembro de 2008 3

Já foi ver o U2 em 3D no Unibanco Arteplex? Bacana, né? O show é manjado, mas a percepção de estar no palco e na platéia é plena e vae o ingresso. O efeito, porém, empolga mais em um filme como Viagem ao Centro da Terra, um pouco menos ruim na versão 3D do que na projeção convencional que vinha sendo exibida na Capital. No show, mesmo para os fãs da banda, lá pelas tantas o efeito pode ficar um pouco repetitivo.

Cheguei a pegar uma das outras voltas dos filmes em três dimensões, no comecinho dos anos 80. Mas foi brabo. Na época, com havia sido antanho, só pintavam filmes de quinta categoria, como um Tubarão, não o do Spielberg, claro, e um da série Sexta-Feira 13 de morrer de rir de tão ruim. E o efeito 3D com o velho óculos de papelão era bem falcatrua.

Bom, agora é diferente. Justifica a empolgação de Hollywood, que prepara uma fornada de produções no formato para os próximos anos, incluindo Toy Story 3 (eba!), a saga Guerra nas Estrelas (George Lucas insiste em espremer a série além do bagaço) e, a cereja do bolo, Avatar, ficção científica que marcará em 2009 a volta de James Cameron, 12 anos depois de Titanic, o filme que mais faturou na história do cinema.

Dessa vez, o 3D não será uma moda passageira, tamanho é o investimento que vem sendo feito, em tecnologia e em filmes para sustentá-la. Mas também não é salvação da lavoura para conter os estragos da pirataria e da maciça fuga de público - embora se volte exclusivamente para os blockusters que sustentam a indústria cinematográfica. Esse sensação de mais real que realidade proporcionada pelo 3D, dizem os especialistas, em menos de 10 anos estará disponível nos home theaters - nos videogames, o 3D de ponta não é novidade há tempos.

Até lá, aproveite. Aliás, aqui vão dicas para quem planeja conferir o tal novo 3D:

 

1) Diferentemente das projeções normais, próximo da tela é o melhor lugar para sentar, de preferência entre a terceira e a sexta fileira e bem no centro. Mas esse sistema do Arteplex, o Dolby 3D, top de linha no mundo, garante a diversão de qualquer posição na sala.

2) Se a lente dos óculos 3D tiver umas manchinhas, é só passar a camiseta. Às vezes sobra uns resíduos do processo de esterilização.

3) Sem problemas se você já usa óculos, é só colocar os outros por cima.

4) Mas se você tem problemas de visão em um dos olhos, o efeito será prejudicado. O nome "científico" do 3D é estereoscopia. Ou seja, precisa de duas fontes de recepção para funcionar (transmitir ao cérebro a sensação 3D). Faça um teste durante o filme. Sem os óculos fica tudo borrado. Fechando um dos olhos a imagem será de uma projeção comum (grosso modo, na tela estão duas imagens sobrepostas, uma direcionada para cada olho, que são "lidas" pelas lentes, cada qual com um tratamento especial).

5) Nem precisaria dizer isso, mas nem pense e levar os óculos do cinema como recordação. Além de ser roubo, eles têm um alarme. 

6) Falando em óculos, não tema pela higiene. O cinema informa que, após a sessão, todos entram numa máquina especial que os lava e esteriliza.

7) E se contente em só ver filme dublados. Não existe e nem deverá existir tão cedo, pelos custos, legendas em 3D. 

Postado por Marcelo Perrone

O cinema perde sua voz

03 de setembro de 2008 0

Aaron Farley, divulgação
Setembro começa com uma notícia trágica para o cinema. No dia 1º, o voice-over actor mais conhecido do planeta, Don Lafontaine, sucumbiu diante de um pneumotórax, aos 68 anos de idade. Os trailers já estão de luto.

Mesmo que não reconheça o nome, você já ouviu Don LaFontaine. Você já se assustou, divertiu e apavorou com coisas que ele disse. Talvez até já tenha ido ao cinema por causa de sua voz. Grave e belamente rouca, com precisas alterações de impostação - dramática, espirituosa ou aflita. Ele é responsável pela locução de mais de 5 mil trailers de filmes, incluindo Exterminador do Futuro, Indiana Jones e Batman.

Don LaFontaine era o locutor de filmes mais bem pago do mundo. Ele mesmo garantia: esse mercado de poucas e poderosas vozes gera milhões de dólares. Assim, quando precisava sair para gravar sua participação, Don só andava de limusine, guiada por motorista particular. Como não gostava muito de deixar sua enorme residência, usufruía de estúdio dentro de casa. A maioria de seus trabalhos fazia ali, perto da filha e da esposa. (No site oficial, há uma nota das duas, em que lamentam o falecimento e agradecem o apoio dos fãs.)

A Voz de Deus, O Rei dos Trailers, Senhor Voz e Garganta de Trovão eram alguns de seus apelidos. Na indústria do cinema, todos o conhecem. Quem não podia pagar o suficiente contratava alguém cujo trabalho certamente tivera influência das cordas vocais e das idéias do mestre. Don foi o responsável pela criação da estrutura básica dos roteiros dos trailers que se vêem hoje em dia. A expressão “In a world where…”, que se escuta no início de diversos trailers famosos, por exemplo, foi cunhada por ele. Don explica: “É para mostrar que estamos transportando o espectador para uma dimensão diferente”.

Os brasileiros provavelmente nunca viram a figura. Já os norte-americanos o descobriram em um comercial da Geico, de anos atrás, em que ele fazia paródia de si mesmo. Isso despertou, em muita gente, a vontade de trabalhar nesse ramo. O resultado está no YouTube: pessoas, com microfone em punho, impostando a voz e esforçando-se ao máximo para recriar o clima sonoro de um trailer.

Mas é difícil. Ashton Smith, a voz do trailer de Homem-Aranha, descreve com habilidade o que Don LaFontaine representa para o mundo do cinema: "Quando você morre, a voz que você ouve não é a de Don. É a de Deus, tentando imitar Don”. Pela visão de Smith, é possível imaginar que Deus tenha contratado um bom professor particular.

De acordo com o site IMDB, um dos trailers preferidos de Don é Sexta-Feira 13:

Postado por Gustavo Heldt