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Posts de outubro 2008

Filmes da nova onda oriental III

31 de outubro de 2008 0

(acrescentando ao que foi dito no post anterior)

Se você por acaso esteve nas sessões de terça ou quarta-feira na Sala P.F. Gastal, e ficou chateado com os probleminhas de projeção, saiba que nesta quinta eles já estavam todos resolvidos. Mais um ponto pra equipe do Bernardo de Souza e do Marcus Mello, que fez os ajustes assim que foi alertada (digo "mais um" porque é muito louvável que eles estejam fazendo uma mostra tão legal como essa, com filmes tão interessantes e tão difíceis de vermos, em Porto Alegre, no cinema, projetados em 35mm). Então: quem for, no fim de semana, assistir a Three Times ou mesmo a Síndromes e um Século, Millennium Mambo, Mal dos Trópicos ou O Hospedeiro, pode ficar tranqüilo que a projeção será perfeita - diferentemente do que acontecera nos dois primeiros dias da mostra.

Postado por Daniel Feix

Filmes da nova onda oriental II

30 de outubro de 2008 0

Nesta quinta-feira à noite a Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro recebeu aquele que me pareceu ser o melhor público, até aqui, da mostra Ásia: A Nova Onda Oriental. Eu havia acompanhado as duas primeiras sessões noturnas e achei bem mais ou menos a presença de público, em se tratando de filmes tão difíceis de se ver no cinema (me refiro especificamente aos longas do taiwanês Hou Hsiao-hsien e do tailandês Apichatpong Weerasethakul, que afinal são os longas das sessões noturnas desta primeira semana da mostra).

Na quinta, assim, olhando por alto, me pareceu haver pelo menos o dobro dos cerca de 15 heróis que vi presentes na terça e na quarta-feira. No fim de semana, ao que tudo indica, o público aumentará ainda mais. Se não aumentar, será um desperdício do tamanho da população da China: eu já havia gostado de Millennium Mambo, do Hsiao-hsien, mas de Three Times, o outro título do realizador de Flores de Xangai e A Time to Live and a Time to Die, eu gostei ainda mais.

São três episódios sobre relações amorosas em Taiwan, o primeiro se passando em 1966, o segundo, em 1911, e o terceiro, em 2005. Sempre do ponto de vista feminino, focando angústias, inquietações e o próprio desejo de mulheres absolutamente submetidas ao seu contexto - daquele jeito simples, com aquela abordagem delicada como só os orientais sabem fazer.

Three Times
, assim como Millennium Mambo e também Síndromes e um Século e Mal dos Trópicos, estes dois últimos de Weerasethakul (o primeiro é interessantíssimo; o segundo estou louco pra ver), e também O Hospedeiro, de Bong Joon-ho, terão suas últimas sessões entre sábado e domingo. Mal dos Trópicos, lembrando, também será exibido na sessão noturna desta sexta-feira. Semana que vem é a vez de Lady Vingança, de Park Chan-wook, Em Busca da Vida, de Jia Zhang-ke, Dolls, de Takeshi Kitano, e Ninguém Pode Saber, de Hirokazu Kore-eda. Todos os quatro, por assim dizer, filmes menos raros que os de Hsiao-hsien e Weerasethakul.

Então, como diz o Roger Lerina: passa lá, minha filha. Neste fim de semana.

Ó que bacana o trailer de Three Times:

Postado por Daniel Feix

Filmes da nova onda oriental

28 de outubro de 2008 3

Quem é cinéfilo já se deu conta: o ciclo Ásia: A Nova Onda Oriental, em cartaz a partir de hoje na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, é uma oportunidade imperdível de ver alguns dos filmes mais incensados no circuito de festivais nos últimos anos.

São nove longas, sendo quatro deles inéditos. A seleção contempla diretores do Japão, da China, da Coréia do Sul, da Tailândia e de Taiwan, com destaque para nomes como Jia Zhang-ke (considerado o grande autor do cinema chinês contemporâneo), Apichatpong Weerasethakul (que deu notoriedade internacional à produção tailandesa) e Hou Hsiao-hsien (o mais importante diretor de Taiwan atualmente).

Apesar dos prêmios conquistados nos festivais de Cannes, Veneza e Berlim, boa parte desses filmes e realizadores permanecem desconhecidos no Brasil, o que torna essa mostra um dos eventos cinematográficos do ano em Porto Alegre.

Eu já fiz uma agenda à parte para poder acompanhar, se possível, todos os filmes em cartaz. Sugiro que façam o mesmo - não sei se haverá outra oportunidade de ver na sala escura, com uma projeção em 35mm, os títulos abaixo.

Segue, primeiro, a ficha técnica de cada um dos nove longas, enviada pela turma da P.F. Gastal. E, depois, a grade de programação completa.

FICHAS TÉCNICAS

> Dolls (Dolls), de Takeshi Kitano (Japão, 2002, 109 minutos)
Em seu filme mais estilizado, o diretor Takeshi Kitano intercala três histórias de amor extremo no Japão contemporâneo, usando como contraponto o teatro de bonecos Bunraku, uma arte milenar japonesa. Exibição em 35mm.

> Em Busca da Vida (Sanxia Haoren), de Jia Zhang-ke (China/Hong Kong, 2006, 108 minutos)
Em torno da gigantesca represa de Três Gargantas, homem e mulher procuram por seus antigos companheiros, que os haviam abandonado. Exibição em 35mm.

> O Hospedeiro (Gwoemul), de Bong Joon-ho (Coréia do Sul, 2006, 119 minutos)
Monstro sai de um rio e espalha terror nas ruas de Seul. Um sucesso de crítica e público, que levou 14 milhões de espectadores aos cinemas na Coréia do Sul. Exibição em 35mm.

> Lady Vingança (Chinjeolhan Geumjassi), de Park Chan-wook (Coréia do Sul, 2005, 112 minutos)
Uma mulher se entrega como sendo culpada pelo seqüestro e morte de um garoto de seis anos, para impedir que seu namorado seja preso. Condenada a 13 anos de prisão, ela decide se vingar dele quando descobre estar sendo traída. Último capítulo da trilogia sobre vingança dirigida por Park Chan-Wook, formada ainda por Mr. Vingança e Old Boy. Exibição em 35mm.

> Mal dos Trópicos (Sud Pralad), de Apichatpong Weerasethakul (Tailândia/França/Alemanha/Itália, 2004, 120 minutos)
O romance entre um soldado e um trabalhador rural e a misteriosa relação entre um homem e um tigre numa floresta, em filme que consagrou o cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul. Exibição em 35mm.

> Millennium Mambo (Qian Xi Man Po), de Hou Hsiao-hsien (Taiwan, 2001, 119 minutos)
Vicky, uma jovem atraente, envolve-se com dois homens no submundo de Taipei. Exibição em 35mm.

> Ninguém Pode Saber (Dare Mo Shinarai), de Hirokazu Kore-eda (Japão, 2004, 141 minutos)
Na cidade de Tóquio, mulher abandona os quatro filhos à própria sorte em apartamento localizado em prédio que proíbe a presença de famílias numerosas. Exibição em 35mm.

> Síndromes e um Século (Sang Sattawat), de Apichatpong Weerasethakul (Tailândia/França/Áustria, 2006, 105 minutos)
Dois médicos vivem experiências semelhantes na Tailândia, um na área rural e outro na cidade grande. Exibição em 35mm.

> Three Times, de Hou Hsiao-hsien (Taiwan, 2005, 132 minutos)
O mesmo casal de atores vive três diferentes histórias de amor, em três tempos distintos, 1911, 1966 e 2005. Exibição em 35mm.

GRADE DE PROGRAMAÇÃO

Terça-feira, 28 de outubro
17h - O Hospedeiro
19h30min - Millennium Mambo

Quarta-feira, 29 de outubro
17h - O Hospedeiro
19h30min - Síndromes e um Século

Quinta-feira, 30 de outubro
17h - O Hospedeiro
19h30min - Three Times

Sexta-feira, 31 de outubro
17h - O Hospedeiro
19h30min - Mal dos Trópicos

Sábado, 1º de novembro
15h - O Hospedeiro
17h - Mal dos Trópicos
19h30min - Three Times

Domingo, 2 de novembro
15h - O Hospedeiro
17h - Millennium Mambo
19h30min - Síndromes e um Século

Segunda-feira, 3 de novembro
A Sala P.F. Gastal estará fechada

Terça-feira, 4 de novembro
15h - Dolls
17h - Em Busca da Vida
19h30min - Ninguém Pode Saber

Quarta-feira, 5 de novembro
15h - Lady Vingança
17h - Ninguém Pode Saber
19h30min - Em Busca da Vida

Quinta-feira, 6 de novembro
15h - Em Busca da Vida
17h - Dolls
19h30min - Lady Vingança

Sexta-feira, 7 de novembro
15h - Dolls
17h - Ninguém Pode Saber

Sábado, 8 de novembro
15h - Em Busca da Vida
17h - Dolls
19h30min - Ninguém Pode Saber

Domingo, 9 de novembro
15h - Lady Vingança
17h - Ninguém Pode Saber
19h30min - Em Busca da Vida

Postado por Daniel Feix

Lição de cinema

27 de outubro de 2008 0

Ana Maria esteve em Porto Alegre no fim de semana/Fernando Gomes

Segue a íntegra da entrevista com a jornalista Ana Maria Bahiana, publicada no Segundo Caderno desta segunda-feira.

Para quem hoje tem o universo do saber ao alcance de um clique é difícil ter idéia da importância da carioca Ana Maria Bahiana para o jornalismo cultural brasileiro. Escrevendo para os mais importantes jornais e revistas do centro do país a partir do começo da década de 1970, Ana Maria, 57 anos, colocou gerações de jovens em sintonia com efervescentes momentos da música e do comportamento. Em 1987, ela se mudou para Los Angeles, onde acrescentou ao trabalho outra paixão, o cinema.
Como correspondente em Hollywood, a jornalista esteve por 20 anos no epicentro da indústria cinematográfica. O que ela viu, ouviu e aprendeu por lá é compartilhado com os cinéfilos no curso
Como Ver um Filme, que ministrou na Capital neste fim de semana.
Autora do Almanaque dos Anos 70, sucesso editorial que alavancou a onda de celebração memorialista pop no Brasil, Ana Maria se lançou como roteirista e produtora de cinema no longa 1972 (2006), filme com traços autobiográficos dirigido por seu ex-marido, o também jornalista José Emílio Rondeau.
No momento passando mais tempo no Brasil do que nos EUA, Ana Maria segue alimentando seu
blog de cinema e tocando novos projetos literários, como a versão impressa de seu curso e a tradução brasileira de Easy Riders, Raging Bulls, sobre o cinema americano dos anos 1970, época que revelou nomes como Coppola, Scorsese e Spielberg — ambos com lançamento previsto para o ano que vem.
Em entrevista a Zero Hora, a jornalista fala da experiência em Hollywood e do cinema brasileiro.

Zero Hora — Como é fazer a cobertura de cinema no principal centro de produção mundial?

Ana Maria Bahiana — Você é jogado no olho do furacão. É decifra-me ou devoro-te. Quem vai cobrir aquilo tem de entender do assunto. Isso me levou a estudar muito, a fazer cursos, a conversar com profissionais, a ficar perguntando no set de filmagem. Eu tive de entender de finanças, produção, assuntos legais. Era a oportunidade de ver as coisas acontecendo e, seis meses depois, ver o resultado na tela. Comandei o escritório da Screen International, uma  revista "trade", da indústria, que durante os grandes festivais tem edição diária. 

Zero Hora — Você é uma das pioneiras no jornalismo cultural brasileiro, na área musical. Como foi essa migração para o cinema?

Ana Maria — Sempre gostei das duas coisas. Mas na época em que comecei no jornalismo, a música era uma coisa muito forte mas não tinha cobertura da mídia brasileira, por isso me dedicaque mais área musical. Comecei a trabalhar com cinema em 1987, quando fui enviada pela editora Abrir para Los Angeles, para ser correpondente em Hollywood, onde fiquei por 20 anos. Ali comecei a fazer cobertura de música para a revista Bizz e de cinema para a revista Set. 

ZH — De volta ao Brasil, como você vê a produção nacional?

Ana Maria —  A noção de que Hollywood ainda é um nucleozinho lá na Califórnia é errada. A indústria agora é internacional, o dinheiro circula por todos os cantos, produz filmes em todos os continentes. O Brasil tem que se elevar ao nível desse diálogo. Temos técnicos capazes, atores e diretores excelentes. Mas temos que trazer nossa estrutura de cinema para um padrão internacional. Não temos indústria, temos um artesanato.

ZH — Mas como se elevar a esse padrão internacional?

Ana Maria — O cinema brasileiro tem dependências crônicas que atrapalham esse processo. Essa dependência do incentivo fiscal é nociva. O pessoal lá fora não compreende muito esse negócio de disputar concursos, editais. Temos de ser mais agressivos na formação de platéia, pensar no nosso ponto fraco, que é o planejamento, do desenvolvimento do roteiro à adequação financeira do projeto. O filme tem de sair do papel pensado. É uma etapa custosa, mas custa menos do que fazer o filme, levá-lo ao cinema e ver que ele não funciona. Outro dia tive um almoço com uma passoa importante do setor, que me falou dos fundos que estão sendo criados para produção, para construção de salas.Perguntei: "Por que você não cria um fundo para desenvolvimento de roteiro?". E essa pessoa olhou para mim com cara de ponto de interrogação. Estamos levando para público projeto que não estão prontos.

ZH — Como se ensina alguém a ver um filme?

Ana Maria — O curso é uma bula, um guia de instruções. Explico como é o processo de criação do filme, o que é o roteiro, o que faz diretor, quais são as ferramentas pelas quais o filme conta a história e dialoga com o espectador. O objetivo é criar uma platéia inteligente, que sai da passividade do tipo "li no jornal que é bom", mas depois fica vendo um negócio que não entende ou que não gosta, percebe que perdeu duas horas de sua vida. Numa segunda parte do curso, que espero trazer para Porto Alegre também, mostro como essas ferramentas tomam forma nos diferentes gêneros.

ZH — Fala-se que ir ao cinema é um hábito condenado à extinção, diante das novas tecnologias que oferecem diferentes maneiras de se assistir a um filme, de outras formas de entretenimento, da pirataria. Mas já se disse isso outras vezes, quando surgiu a televisão e, depois, o videocassete. Essa condenação não é um exagero?

Ana Maria — Tenho muito cuidado como as palavras nunca e sempre. O ser humano é absolutamente viciado na experiência da narrativa, seja o xamã contando um mito em volta da fogueira, um bardo recitando poema épico ou diante de um filme na sala escura do cinema. Temos necessidade disso, é parte da nossa fiação neurológica. Acho que o hábito de ver um filme ao lado de outras pessoas, principalmente um filme visualmente estimulante, vai continuar por bastante tempo.

ZH — O atual modelo de exibição, com grandes complexos concentrados em grandes cidades, se volta cada vez vais para os filmes comerciais? 

Ana Maria —  A crise que existe atualmente no cinema atinge a distribuição do filme que não é blockbuster, ou seja de dois terços da produção cinematográfica. É uma situação que, temo, vai piorar com essa crise financeira. Até há pouco, a indústria seguia um sistema colocado em ação nos anos 1970, que se solidificou nos 1990 e funcionava bem. Tinha o filme arrasa quarteirão, o filme comercial médio e uma série de filmes com orçamento mínimo. O mesmo estúdio que fazia a A Múmia distribuía um filme autoral chinês. Isso está diminuindo cada vez mais.

ZH — A indústria do cinema já passou por várias crises e sempre se adaptada. A bilheteria já não é mais o único parâmetro para avaliar o sucesso de um blockbuster, que fatura com o DVD, na TV e com uma cada vez maior série de produtos licenciados.

Ana Maria — Mas tem as duas faces da história. Isso torna o filme desprovido de poder. O filme deixa de ser um fim em si mesmo e se torna um gerador de outros produtos. O filme mais autoral, que não é para vender pipoca, é muito prejudicado com esse modelo.

ZH — Alguns executivos de Hollywood apostam que a volta do cinema em três dimensões vai revigorar a indústria. Você concorda? 

Ana Maria — Eles têm de fazer essa zorra toda para vender o peixe e ganhar dinheiro. Não sou assim tão entusiasta do 3D. Esse querer ser igual à realidade pode ser até frustrante. Existe algo na retirada do realismo da imagem que é interessante. É o prazer que você tem de ver um filme em preto-e-branco. A experiência do cinema é um curto-circuito com a experiência dos sonhos. E nem todos os sonhos são coloridos e tridimensionais. Pelo menos não os meus.

ZH — O crítico ainda  tem o poder de determinar o sucesso ou fracasso de um filme?

Ana Maria — O crítico é crítico para o filme pequeno. De um certo nível em diante, o papel do crítico é completamente irrelevante.

ZH — Você tem um  fez o roteiro e produziu o longa 1972. É uma ambição sua, depois de falar sobre cinema, fazer cinema?

Ana —  Sim. Mas não tenho intenção de dirigir, que é talento específico que eu não tenho. Sou atráida pela história, pela narrrataiva. Quero ser a pessoa que conduz a história, como roteirista e e produtora.

ZH — Qual o tipo de filme que mais lhe atrai?

Ana Maria — Os mais variados possíveis, do mais pipoca ao mais cabeça. Gosto de cinema bem feito, em que sinto a inteligêcia do diretor em ação, e essa inteligência pode estar tanto a serviço de um blockbuster quanto de uma obra abstrata. O filme que mais que encantou recentemente foi um checo, I Served the King of England, inédito no Brasil, que é maravilhoso, difícil até de definir.

 

 

Postado por Marcelo Perrone

Filmes estrangeiros no Oscar

23 de outubro de 2008 0

A partir desta sexta, então, o público brasileiro pode assistir nos cinemas ao filme selecionado para representar o país na corrida do Oscar 2009.

Deixa eu aproveitar a estréia de Última Parada 174, o 18º longa de Bruno Barreto, que por sinal ainda não vi, para dar uns pitacos que julgo ser relevantes.

No total, 67 países indicaram representantes para aquela que é - é bom que isso fique ressaltado -, para os norte-americanos, a categoria menos importante da premiação da sua academia de cinema.

Grande coisa que o número seja recorde: diferentemente dos anos anteriores, quando uma comissão formada pela academia fazia uma pré-seleção com 9 filmes, em 2009 essa comissão selecionará apenas 6 longas.

Os outros 3 títulos que vão completar a lista dos pré-selecionados serão indicados por outra comissão, formada justamente para "corrigir" algumas possíveis distorções.

Uma delas: a não-indicação de Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, por parte do Brasil. Caso essa segunda comissão julgue que uma produção como Linha de Passe deva estar entre os nove, mesmo que ela não tenha estado entre as 67 indicações de cada país, Linha de Passe lá estará.

É o mesmo caso de dois filmes argentinos que acabaram ficando de fora da corrida, ambos colocados em segundo e terceiro lugares na votação da comissão que indica o representante do país vizinho: Ninho Vazio, o novo Daniel Burman, e A Mulher sem Cabeça, o novo Lucrécia Martel. Não vi o segundo, mas vi o primeiro, e asseguro que é tão bom - embora bem diferente - quanto o escolhido, Leonera, de Pablo Trapero, que também já assisti e que, garanto, é um belíssimo filme.

É dos nove pré-selecionados que saem os cinco finalistas - escolhidos por uma terceira comissão nomeada pela academia dos EUA.

A lista completinha dos 67 que disputam seis vagas entre as nove destinadas aos pré-selecionados (!) vai abaixo. Com um destaque especial para aqueles que, pelo que tem se falado após pré-estréias, exibições em festivais internacionais etc., são os filmes que mais chamaram a atenção até aqui: Gomorra (de Matteo Garrone, Itália) e Entre les Murs (de Laurent Cantet, França).

Afeganistão: Opium War, de Siddiq Barmak
África do Sul: Jerusalema, de Ralph Ziman
Albânia: The Sorrow of Mrs. Schneider, de Piro Milkani and Eno Milkani
Alemanha: Der Baader Meinhof Komplex, de Uli Edel
Argélia: Masquerades, de Lyes Salem
Argentina: Leonera, de Pablo Trapero
Áustria: Revanche, de Gotz Spielmann
Azerbajão: Fortress, de Shamil Nacafzada
Bangladesh: Aha!, de Enamul Karim Nirjhar
Bélgica: Eldorado, de Bouli Lanners
Bósnia: Snow (Snijeg), de Aida Begic
Brasil: Última Parada 174, de Bruno Barreto
Bulgária: Zift, de Javor Gardev
Canadá: The Necessities of Life, de Benoit Pilon
Cazaquistão: Tulpan, de Sergey Dvortsevoy
Chile: Tony Manero, de Pablo Larrain
China: Dream Weavers - Beijing 2008, de Gun Yu
Cingapura: My Magic, de Eric Khoo
Colômbia: Dog Eat Dog (Perro Come Perro), de Carlos Moreno
Coréia do Sul: Crossing (Keurosing), de Kim Tae-gyun
Croácia: No One`s Son (Niciji Sin), de Arsen A. Ostojic
Dinamarca: Worlds Apart (To Verdener), de Niels Arden Oplev
Egito: The Island (El Gezira), de Sherif Arafa
Eslováquia: Blind Loves (Slepe lasky), de Juraj Lehotsky
Eslovênia: Rooster`s Breakfast (Petelinji Zajtrk), de Marko Nabersnik
Espanha: The Blind Sunflowers, de Jose Luis Cuerda
Estônia: I Was Here (Mina Olin Siin. Esimene Arest), de Rene Vilbre
Filipinas: Ploning, de Dante Nico Garcia
Finlândia: The Home of Dark Butterflies (Tummien Perhosten Koti), de Dome Karukoski
França: The Class (Entre les Murs), de Laurent Cantet
Geórgia: Mediator, de Dito Tsintsadze
Grécia: Correction (Diorthosi), de Thanos Anastopoulos
Holanda: Dunya and Desie, de Dana Nechustan
Hong Kong: Painted Skin (Wa Pei), de Donnie Yen
Hungria: Iska`s Journey, de Csaba Bollok
Islândia: White Night Wedding (Bruoguminn), de Baltasar Kormakur
Índia: Stars on Earth (Taare Zameen Par), de Aamir Khan
Irã: The Song of Sparrows, de Majid Majidi
Israel: Waltz With Bashir, de Ari Folman
Itália: Gomorra, de Matteo Garrone
Japão: Departures (Okuribito), de Yojiro Takita
Jordânia: Captain Abu Raed, de Amin Matalqa
Quirquistão: Blue Heavens (Tengri), de Marie Jaoul de Poncheville
Letônia: Defenders of Riga (Rigas Sargi), de Aigars Grauba
Líbano: Under the Bombs, de Philippe Aractingi
Lituânia: Loss (Nereikalingi zmones), de Maris Martinsons
Luxemburgo: Nuits d`Arabie, de Paul Kieffer
Macedônia: I`m From Titov Veles (Jas Sum Od Titov Veles), de Teona Strugar Mitevska
México: Arrancame la Vida, de Roberto Sneider
Morrocos: Goodbye Mothers, de Mohamed Ismail
Noruega: O`Horten, de Bent Hamer
Palestina: Salt of This Sea (Milh Hadha al-Bahr), de Annemarie Jacir
Polônia: Tricks (Sztuczki), de Andrzej Jakimowski
Portugal: Our Beloved Month of August (Aquele Querido Mês de Agosto), de Miguel Gomes
Reino Unido: Hope Eternal, de Karl Francis
República Checa: Karamazovs (Karamazovi), de Petr Zelenka
Romênia: The Rest Is Silence, de Nae Caranfil
Rússia: Mermaid (Rusalka), de Anna Melikyan
Sérvia: The Tour (Turneja), de Goran Markovic
Suécia: Everlasting Moments, de Jan Troell
Suíça: The Friend, de Micha Lewinsky
Tailândia: Love of Siam (Rak haeng Siam), de Chookiat Sakveerakul
Taiwan: Cape No. 7, de Wei Te-sheng
Turquia: Three Monkeys (Uc Maymun), de Nuri Bilge Ceylan
Ucrânia: Illusion of Fear, de Aleksandr Kiriyenko
Uruguai: Kill Them All (Matar a Todos), de Esteban Schroeder
Venezuela: The Color of Fame (El Tinte de la Fama), de Alejandro Bellame Palacios

Postado por Daniel Feix

Entrevista com Bruno Barreto

23 de outubro de 2008 0

Bruno Barreto (de pé) dirige Michel Gomes e Gabriela Luiz/Paula Prandini/Divulgação

Realizador do maior sucesso de bilheteria do cinema brasileiro de todos os tempos - Dona Flor e seus Dois Maridos (1978) foi visto por mais de 12 milhões de espectadores -, Bruno Barreto chega a seu 18º longa-metragem com Última Parada 174, filme que entra em cartaz em todo o Brasil nesta sexta-feira (24/10).

Morando em São Paulo e confessando-se atualmente distante de Hollywood - onde rodou o belo drama Atos de Amor (1995), mas também a desastrada comédia Voando Alto (2003), filme em que não teve o corte final -, Barreto recriou em ficção uma tragédia brasileira real: "Muitas vezes, uma abordagem ficcional dos fatos pode ajudar a tentar organizar um pouco a realidade e, dessa forma, começar a entendê-la".


Na entrevista na seguir, concedida no lançamento de Última Parada 174 no Festival do Rio, Barreto, 53 anos, fala sobre a produção do filme, do protagonista do seqüestro do ônibus no Rio televisionado para todo o país e de sua carreira.

Pergunta - Por que você quis filmar essa história?
Bruno Barreto - Quis saber quem era essa mulher que quis adotar um delinqüente e colocá-lo na casa dela. Depois, a expressão dela no Jornal Nacional segurando uma rosa vermelha ao lado do coveiro e do caixão do Sandro me convenceu que ela não estava enterrando um filho adotivo, mas um filho verdadeiro. O José Padilha então me contou a história dela e disse que só isso já rendia um documentário à parte. Fiquei tão impactado com essa história que pensei que só uma versão ficcional poderia começar a responder todas as perguntas que eu tenho. Quando eu procurei o Bráulio (Mantovani, roteirista do filme), eu já tinha bem claro que queria contar a história de uma mãe que perde o filho e de um filho que perde a mãe. Quis investigar as diferentes motivações das pessoas envolvidas nessa história. O ônibus 174 é apenas o clímax da história que eu queria contar. O filme não é sobre a violência no Rio de Janeiro, é sobre as conseqüências da violência.

Pergunta - Você teve contato com as verdadeiras pessoas envolvidas nessa história?
Barreto -
Fiz questão de não ter nenhum contato. Não queria ficar escravo da realidade. A única pessoa com quem tive contato foi a Elza, a mãe adotiva do Sandro.

Pergunta - O filme redime de alguma maneira o Sandro?
Barreto -
Essa não foi minha intenção em momento nenhum. Nossa intenção sempre foi mostrar todos os lados da história. Acho que todos nós perdemos naquele episódio. A Geisa (Firmo Gonçalves, refém) e o Sandro morreram, mas todos nós morremos um pouco também. É uma tristeza para a humanidade aquilo que aconteceu.

Pergunta - Por que você escolheu o Bráulio Mantovani para roteirizar Última Parada 174?
Barreto -
O roteiro de Última Parada 174 ficou pronto muito antes do roteiro de Tropa de Elite, demorou cinco anos pra ser feito, foi o filme mais difícil de conseguir financiamento da minha carreira. Do Bráulio, só tinha visto antes o Cidade de Deus, e achei brilhante o trabalho complexo dele. Tem uma cena no Cidade de Deus que eu adoro e me fez chamar o Bráulio: aquela em que o Zé Pequeno não consegue pegar mulher no baile funk. Poxa, ele faz a gente sentir pena daquele personagem terrível!

Pergunta - Quais são suas expectativas quanto à possibilidade do filme ser indicado ao Oscar?
Barreto -
Não esperava por isso, tinha apenas esperanças. Fiquei contente, porque a escolha de Última Parada 174 para representar o Brasil na disputa de uma vaga para o Oscar de filme estrangeiro não foi influenciada por bilheterias ou críticas. Ele foi julgado pelo que o filme é. O filme tem um viés humano muito forte, e a Academia (de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood) gosta disso, de se emocionar no cinema. Agora, se o filme realmente for indicado, temos o trabalho de dar visibilidade pra ele.

Pergunta - Você acha que a massiva presença da televisão no Brasil prejudica o cinema nacional?
Barreto -
Acho que a televisão só ajudou o cinema, criando uma dramaturgia brasileira, o que é muito saudável. A TV criou para o brasileiro o hábito de se ver na tela, falando em português, ainda que às vezes essa imagem seja distorcida. Não vejo a TV como concorrência ao cinema. O DVD, sim, é uma concorrência.

Pergunta - Você disse que teve dificuldades para levantar o orçamento do filme, mesmo sendo um realizador internacionalmente conhecido e oriundo de uma família de produtores consagrados.
Barreto -
É difícil para um filme brasileiro falado em português levantar dinheiro lá fora. Eu consegui 400 mil euros no Exterior, o que é excepcional. No Brasil, Última Parada 174 foi eliminado de três editais da Petrobrás. Apenas metade do orçamento total (R$ 8 milhões) teve incentivo. Talvez por preconceito, pela idéia de que "é Barreto, já levou demais"... É o que eu ouço falar, mas não perco muito tempo com isso. Prefiro fazer do que reclamar.

Pergunta - Você já dirigiu filmes dos mais variados gêneros, tanto no Brasil quanto no Exterior. Qual seria a marca autoral do seu trabalho?
Barreto -
Os dois filmes meus que mais gosto são Romance da Empregada e Atos de Amor. Sou um autor versátil, sempre admirei a cinematografia americana de diretores polivalentes como Howard Hawks e John Huston. A marca dos meus filmes é o comportamento humano. Não sou um autor exibicionista. Meu trabalho é bom quando ele não é notado.

 

Assita ao trailer de Última Parada 174:

Ouça a íntegra da entrevista com o cineasta Bruno Barreto e o roteirista Bráulio Mantovani

Postado por Roger Lerina

O verdadeiro padre voador

21 de outubro de 2008 1

Nossos leitores são poucos mas são bons. Ao ler o post abaixo, o Adriano de Oliveira, do site Cine Revista, lembrou que o primeiro filme dirigido pelo genial Stanley Kubrick foi The Flying Padre, em 1951. Nesse curta, Kubrick, aos 23 anos, acompanha por dois dias o trabalho do padre Fred Stadtmuller, que cruzava o Novo México pilotando seu monomotor para realizar serviços de caridade e ministrar missas e funerais. Repare que, da fotografia aos enquadramentos, Kubrick já ensaiava a brilhante carreira que viria a consolidar poucos anos depois em filmes como O Grande Golpe (1956) e Glória Feita de Sangue (1957). Assista aqui The Flying Padre:

 

Postado por Marcelo Perrone

Não, não é (ainda) o filme do padre voador

20 de outubro de 2008 1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um desavisado que olhar rapidamente o cartaz do novo desenho da Pixar/Disney pode achar que nosso padre voador terá sua tragicômica aventura levada às telas. Mas ainda não chegou a vez do brasileiro virar personagem de cinema. O cartaz é para promover Up, desenho animado em 3D que estréia só em maio de 2009, dirigido por Pete Docter (de Monstros S.A.). O filme é anunciado como uma "animação para a terceira idade", já que seu herói é um simpático velhinho que viaja com sua casa carregada por balões coloridos. Confira as primeiras imagens.

Postado por Marcelo Perrone

Os premiados do CineEsquemaNovo 2008

18 de outubro de 2008 0

Foram entregues há pouco, na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, os prêmios aos vencedores da quinta edição do CineEsquemaNovo - Festival de Cinema de Porto Alegre.


O Fim da Picada

O trash erudito e bem-humorado O Fim da Picada (SP), de Christian Saghaard, surpreendeu e levou o principal troféu, enquanto os documentários Pan-Cinema Permanente (SP), de Carlos Nader sobre Waly Salomão, e Anabazys (RJ), de Paloma Rocha e Joel Pizzini sobre Glauber Rocha, os dois melhores filmes entre os seis longas-metragens concorrentes, tiveram de se contentar com prêmios secundários. Pan-Cinema, além de um prêmio especial do júri oficial, levou o prêmio do júri popular com uma pontuação recorde desde a primeira edição do CEN - na média dos votos dos espectadores, ficou com mais de 4,7 sobre 5. Já Anabazys foi lembrado com um valoroso troféu de experimentação pelo impecável exercício de montagem de imagens de arquivo.


Anabazys

Espuma e Osso (CE), de Ticiano Monteiro e Guto Parente, foi considerado o melhor título da mostra de curtas e médias-metragens.
Três gaúchos foram lembrados: a animação A Cozinha Maravilhosa, de Juliano Reina, levou o prêmio do júri popular entre os curtas e médias, A Céu Aberto, de Alexandre Kumpinski, da PUCRS, levou o segundo lugar entre os títulos produzidos em escolas de cinema, e Luiz Carlos Coelho (artista plástico, que depois da participação no elenco do longa Cão Sem Dono, de Beto Brant, quando fez o papel de porteiro do prédio do protagonista, lançou-se como realizador no CEN 2008) foi o escolhido para o já tradicional troféu especial concedido pelos organizadores do festival.


Espuma e Osso

A cerimônia foi enxuta e informal, como é marca do evento - "a nós interessa mais o que está na tela, e não o burburinho em sua volta", anunciou, no palco, em meio à entrega dos troféus, o jornalista Alisson Avila, organizador do CEN ao lado do cineasta Gustavo Spolidoro e das produtoras Jaqueline Beltrame e Morgana Rissinger.
Programada para iniciar às 22h, a função só começou quando o relógio já marcava 23h15min. Tudo por conta do atraso na montagem dos clipes com trechos dos filmes laureados - o último vencedor, do prêmio de melhor longa pelo júri popular, Pan-Cinema Permanente, só pôde ser conhecido após a sessão da tarde desta sexta-feira no Cine Santander, encerrada por volta das 19h.


Pan-Cinema Permanente

A empolgação dos premiados, no entanto, compensou a espera.
- Era tudo o que eu queria ganhar. Meus vídeos já levaram prêmios na área de artes visuais, mas o que eu sempre quis foi esse troféu do CEN - vibrou, emocionado, o mineiro Dellani Lama, ao receber um dos prêmios técnicos de experimentação entregues ao seu curta Ko.
As categorias de premiação, por sinal, são um caso à parte. Esqueça os "caretas" "melhor ator", "melhor direção de arte" ou "melhor trilha sonora" - no festival porto-alegrense, além de premiar as "melhores experimentações", os jurados têm liberdade para criar categorias diferentes ou simplesmente excluir alguma daquelas que foram previsamente definidas pela organização. Este ano, por exemplo, o júri oficial decidiu não entregar o sempre simpático troféu de "melhor atuação, performance ou personagem do festival", oferecendo em seu lugar mais um troféu técnico.


Ko

Confira, abaixo, a lista completa dos premiados. Mais sobre eles você poderá ler no Segundo Caderno desta segunda-feira.

MELHOR LONGA-METRAGEM – JÚRI OFICIAL
O Fim da Picada, de Christian Saghaard (SP)
(80min – 2008 / Captação: 35 mm)
Comentário do Júri: “Filme demência que exorciza seus demônios, sem limites de tempo e de espaço. Um filme de Saci”.

MELHOR CURTA OU MÉDIA-METRAGEM - JÚRI OFICIAL
Espuma e Osso, de Ticiano Monteiro e Guto Parente (CE)
(20min – 2007 / Captação: Sony Z1 - 29.97fps - DV 720x480)
Comentário do Júri: “A melancolia do Mickey Mouse em dois tempos”.

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI (CURTA, MÉDIA OU LONGA) - JÚRI OFICIAL
Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader (SP)
(83min – 2008 / Captação: HDV Z1 1080i, 24ps; EX1 Cannon DV; Hi8; Super 8)
Comentário do Júri: “A vida é sonho. Sailormoon, faz de mim um instrumento do teu prazer”.

MELHOR LONGA - PRÊMIO DO JÚRI POPULAR
Pan-Cinema Permanente, de Carlos Nader (SP)
(83min – 2008 / Captação: HDV Z1 1080i, 24ps; EX1 Cannon DV; Hi8; Super 8)
Média: 4,704 / 5,0

MELHOR CURTA - PRÊMIO DO JÚRI POPULAR - 1º LUGAR
A Cozinha Maravilhosa, de Juliano Reina (RS)
(6min40 - 2007 / Captação: animação digital)
Nota média: 4,247 / 5,0

MELHOR CURTA - PRÊMIO DO JÚRI POPULAR - 2º LUGAR
Povo Lindo, Povo Inteligente, de Sérgio Gagliardi (SP)
(50min – 2008 / Captação: Panasonic HVX200-29,97fps-480-mini DV-4:3)
Nota média: 4,182 / 5,0

MELHOR EXPERIMENTAÇÃO: MONTAGEM - JÚRI OFICIAL
Anabazys, de Paloma Rocha e Joel Pizzini (RJ)
(98min – 2007 / Captação: miniDV - câmera digital; 35 mm - formato final)
Comentário do Júri: “Experiência espacial e histórica: com coreografia de Pizzini e Paloma, dupla de montadores tira Glauber para dançar”.

MELHOR EXPERIMENTAÇÃO: COMPOSIÇÃO - JÚRI OFICIAL
Ko, de Dellani Lima (MG)
(5min – 2008 / Captação: Avi, Mpeg, Quicktime)
Comentário do Júri: “A tela que se faz eólica mínima luz”.
e
Ocidente, de Leonardo Sette (PE)
(7min – 2007 / Captação: Sony hc7 - HDV - PAL - 25fps - 16:9)
Comentário do Juri: “Janelas possíveis, companhias para viagem”.

MELHOR EXPERIMENTAÇÃO: DISPOSITIVO - JÚRI OFICIAL
Sábado à Noite, de Ivo Lopes Araújo (CE)
(62min – 2007 / Captação: HDV;Beta SP; DVD)
Comentário do Júri: “Aproximar-se do pássaro, não para capturá-lo, não para vê-lo voar, mas para dele se aproximar. Pare pra pensar, pense muito bem, olhe que esse dia já vem”.

MELHOR LONGA - PRÊMIO DA NOVA CRÍTICA
(Júri formado por alunos da Oficina de Crítica Cinematográfica)
O Fim da Picada, de Christian Saghaard (SP)
(80min – 2008 / Captação: 35 mm)
Justificativa: “Pela preocupação em trabalhar com as várias possibilidades proporcionadas pela linguagem cinematográfica, o que vem ao encontro da proposta do CineEsquemaNovo; além de dialogar com influências como o Cinema Marginal dentro de uma preocupação social”.

MOSTRA SALA DE AULA (FILMES DE ESCOLAS DE CINEMA) - 1º LUGAR
(Júri formado por espectadores das salas universitárias)
Táxi para o Devaneio, de Eder Augusto, Ansgar Ahlers e Dirk Manthey (SP/Alemanha)
(12min – 2007 / Captação: miniDV / Associação Cultural Kinoforum)
Média: 4,461 / 5,0

MOSTRA SALA DE AULA (FILMES DE ESCOLAS DE CINEMA) - 2º LUGAR
(Júri formado por espectadores das salas universitárias)
A Céu Aberto, de Alexandre Kumpinski (RS)
(7min25 – 2008 / Captação: Panasonic PVGS320 - 30fps - 720/480 - 16:9 / PUC-RS)
Média: 4,178 / 5,0


A Cozinha Maravilhosa

Postado por Daniel Feix

Música e cinema, prato irresistível

15 de outubro de 2008 2

A passagem de Reflexos da Inocência pela Capital é discreta, mas se você é daqueles apaixonados por cinema e música pop - e sabe bem o poder arrebatador que pode ter essa combinação - não deixe de ver. O filme inglês (Flashbacks of a Fool, no original) é o primeiro de Baillie Walsh, diretor de videoclipes de bandas como Massive Attack, New Order e Oasis. Amigo de Daniel Craig, que atua e, com a grana que ganha como James Bond, produz o longa, Walsh presta um grande tributo ao espectador com gosto especial por tramas que: a) evoquem boas lembranças; b) são embaladas por uma trilha sonora garimpada em prateleira de respeito.

Mas diferentemente de produções que fazem um recorte de época com várias canções representativas, Reflexos da Inocência é marcado por apenas uma, If There is Something, do grupo britânico Roxy Music, nome de ponta do glam rock, capitaneado por Bryan Ferry. A faixa 3 do álbum homônimo, o primeiro da banda, lançado em 1972, surge em dois momentos-chave do filme, reproduzidos abaixo. E são duas cenas sublimes, que se impõem sobre eventuais entraves narrativos e uma ou outra concessão melodramática. Por isso, ao menos para mim, a impressão que permanece ao fim da sessão é a de ter visto um grande filme.

Na primeira cena, o personagem de Craig quando jovem (Harry Eden) está pela primeira vez  lado a lado com sua paixão de juventude, Ruth (a graciosa Felicity Jones), ele vestido e maquiado como Brian Ferry. No segundo, a cena final, das mais emocionantes, quando a situação mais ou menos se repete décadas depois - o enredo é sobre um ator decadente de Hollywood que é levado a se confrontar com as lembranças, felizes e trágicas,de sua adolescência vivida em uma cidadezinha do litoral inglês. 

DICA: Se você ainda não assistiu ao filme mas pretende, melhor não clicar. Quem não vai ver, ou quem já viu, siga adiante.  

Postado por Marcelo Perrone

Sobre a crise de idéias no cinema nacional

14 de outubro de 2008 0

Um dos relatos interessantes do Festival do Rio, que terminou semana passada, é o que a Ivonete Pinto, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, a ACCIRS, publicou no site da entidade com o título "Crise de idéias no cinema nacional" (clique aqui para ler). Na condição de integrante do júri da crítica internacional, Ivonete viu todos os filmes da Première Brasil e da Première Latina. E constatou: entre os títulos brasileiros, foram poucas as boas surpresas do festival.

Pois é justamente apostando no que pode haver de boas surpresas e, sobretudo, de novas idéias no cinema brasileiro que os organizadores do CineEsquemaNovo fizeram a seleção de filmes do evento porto-alegrense. Em cartaz na Capital até sexta-feira desta semana, o CEN 2008 pode apresentar um conjunto de produções talvez tão ou mais irregular que os outros tantos festivais do país - mas a aposta na invenção formal e na evolução da linguagem do cinema é o que não falta nas sessões do Cine Santander e da Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro.

Um dos destaques das mostras competitivas, o longa Pan-Cinema Permanente, que o diretor Carlos Nader filmou a partir da vida e da obra do poeta Waly Salomão, passa na quinta-feira à noite, com reprise na sexta à tarde (confira a programação no site oficial do CEN). Trata-se de um dos mais interessantes documentários biográficos dos últimos tempos - totalmente merecedor do prêmio de melhor filme na última edição do festival internacional de documentários É Tudo Verdade. É criativo, é poético, chega ao sublime em diversas seqüências, especialmente naquelas em que Nader filmou Salomão em sua privacidade (os dois foram amigos pessoais).

Já avisei a Ivonete: não perca.

Postado por Daniel Feix

Chororô no cinema

14 de outubro de 2008 1

O jornal britânico Daily Mail encomendeu uma pesquisa para saber quais os filmes que mais levam espectadores às lágrimas. O campeão, lógico, é um clássico da choradeira com tema universal, atemporal e que faz desabar espectadores de todas as idades há várias gerações: Bambi, o desenho da Disney, com a inesquecível cena em que a mãe do veadinho é morta por caçadores. Confira os cinco primeiros colocados: 

Veja a lista completa aqui.

 

Bambi (1942) 
Ghost - Do Outro Lado da Vida (1990) 
O Rei Leão (1994) 
E.T. - O Extraterrestre (1982) 
Titanic (1997)

Quer ver a cena da morte da mãe do Bambi? Tem certeza? Então pega o lenço.

Postado por Marcelo Perrone

À flor da pele

12 de outubro de 2008 0

Pedro Cardoso voltou ao assunto. Depois de toda a polêmica por conta de seu manifesto contra a nudez no cinema e na televisão,  para ele um fetichismo gratuito de diretores e roteiristas que beira a pornografia, o ator comentou a repercussão do caso em um novo post no blog Todo Mundo Tem Problemas Sexuais – título do filme que ele estrela e produz, com direção de Domingo Oliveira. Agora, Cardoso comenta, entre outros adendos e quejandos, críticas recebidas do cineasta Walter Lima Jr., que teria se sentido atingido por tabela pelo tal manifesto. Ocorre que Cardoso ganhou o apoio de Cláudia Abreu, que por sua vez, disse ter passado “recentemente” por um situação constrangedora com nudez. A carapuça serviu em Walter, diretor do longa Os Desafinados, que mostra a atriz peladona. Em resumo, o diretor disse que na hora Cláudia não reclamou de nada e que as tais cenas estavam dentro do contexto no qual se passa o filme, final dos anos 60, apogeu da liberdade sexual, liberação de costumes, etc.

Se você está boiando neste assunto, dá uma olhada nos textos do Pedro Cardoso no blog lincado aí em cima (se não rolar, sei lá por que cargas, digite http://todomundotemproblemassexuais.zip.net/index.html) e leia o Segundo Caderno desta segunda.

E quem também meteu sua colher na discussão foi o cineasta Jorge Furtado, com um muito interessante e esclarecedor comentário em seu blog no site da Casa de Cinema. Reproduzo abaixo o texto, com a autorização dele.

Meus (Jorge Furtado) comentários:

Concordo com quase tudo que o Pedro escreve. Ele exagera um pouco, mas exagerar é da profissão do escritor. E seus motivos para exagerar são mais do que nobres.

O texto do Pedro tem observações brilhantes, como a que atenta para o fato de a nudez não combinar com a comédia. Acho que ele tem razão. Não consigo lembrar de cenas engraçadas com personagens inteiramente nus, no teatro ou no cinema. Mesmo quando não é erótica – e o que dá tesão não é engraçado - a nudez é sempre comovente e o que nos comove nos impede de rir.

Já a "quase nudez" pode ser hilária, como em "Um Peixe Chamado Wanda", espetacular comédia escrita por John Cleese e dirigida pelo veterano Charles Crichton. Há uma cena de quase-nudez de John Cleese, contracenando com Jamie Lee Curtis. No roteiro, a nudez era dela que, recém casada, recusou-se a fazer a cena e sugeriu, como recomenda o Pedro, que ele, Cleese, ficasse nu. Como John Cleese é um artista e não um oportunista, topou na hora. A nudez de alguém era essencial para a cena funcionar, muitas vezes é.

(No documentário que acompanha o filme no DVD, Cleese diz que contou ao produtor que o roteiro escrito por ele tinha uma cena de sexo com ele e Jamie Lee Curtis onde ele ficava nu. O produtor ficou muito feliz e deu a ele um milhão. De ienes.)

Pedro tem razão noutra coisa: muito raramente é fundamental para a cena que os atores apareçam nus no filme, quase todas as cenas de sexo e nudez são estratégias de marketing associada a alguma perversão, apelo fácil ao mínimo denominador comum que são nossos instintos de reprodução - e de morte, e por isso a violência compete com o sexo como atrativo da pior dramaturgia. Mas a surpresa, o deslumbramento, o pânico, o constrangimento, a atração, todos os efeitos que a nudez pode provocar sobre nós (e sobre os personagens), podem ser representadas pela dramaturgia. E, se podem, devem.

A humilhante nudez de Cybill Shepherd sobre o trampolim de "A Última sessão de cinema", a nudez caseira de Julianne Moore em "Short Cuts", fazem parte de cenas que estão longe de serem eróticas. E há também uma infinidade de grandes cenas eróticas não pornográficas, basta lembrar de "Último Tango em Paris", "Império dos Sentidos" ou dos filmes de Almodóvar.

Acho que o Pedro exagera também quando diz que "diante da irredutível realidade da nudez de seu corpo, o ator não consegue produzir a ilusão do personagem". Talvez alguns atores consigam. A câmera é capaz de perceber a alma do ator, a ilusão do personagem pode ser criada num big close. Lembrei da montagem de "Macunaíma" feita pelo Antunes Filho, uma das melhores peças que vi na vida, cheio de personagens feitos por atores nus. Lembrei da Regina Casé nua no Asdrúbal, do Mateus Nachtergaele nu no "Livro de Jó" ("Satisfeita, Iolanda?"), de montes de atores nus que criaram, pelo menos para mim, a ilusão de personagens.

Outra coisa: tem gente que não se importa nem um pouco em andar nu pelo estúdio ou pelas locações, gente que não se importa e até gosta de aparecer nu na internet, na televisão, no cinema e no teatro. Alguns são atores.

No que o Pedro tem mais razão é em reclamar da invasão, esta sim, sempre pornográfica, da vida privada dos atores e homens públicos. Revistas e jornais que perseguem pessoas pela rua para fotografá-las sem autorização, programas de televisão que expõem pessoas comuns à humilhação das pegadinhas mais cretinas com o único objetivo de ganhar alguns pontos de audiência e, com isso, alguns trocados, deveriam ser indiciados criminalmente, condenados a pagar tantas e tão vultosas indenizações que tornassem desvantajoso o modo de vida desta gente que, como se sabe, consiste em lucrar com a própria pobreza de espírito.

Postado por Marcelo Perrone

Astros sem ação

10 de outubro de 2008 1

De Niro e Pacino mereciam um filme melhor/Califórnia Filmes

Marcelo Perrone

Nas primeiras cenas em que aparecem lado a lado, como os tiras veteranos que protagonizam As Duas Faces da Lei, Robert De Niro e Al Pacino treinam pontaria e se mostram certeiros. Já o filme, em cartaz a partir de hoje, erra feio o alvo e expõe esses dois gigantes do cinema a um trabalho menor em suas carreiras.

Era grande a expectativa sobre as As Duas Faces da Lei (Righteous Kill, EUA, 2008), em especial pela escalação de De Niro e Pacino, que até então só haviam contracenado em Fogo Contra Fogo (1995), ótimo policial assinado por Michael Mann _ no clássico O Poderoso Chefão 2 os atores vivem pai e filho, mas em épocas diferentes. Aqui, interpretam detetives de Nova York que trabalham em parceria há mais de 30 anos, conhecidos como Turk (De Niro) e Rooter (Al Pacino). Eles investigam assassinatos cometidos por um serial killer que elimina criminosos impunes e deixa como pista poemas justificando por que estes mereceram ser justiçados à bala. Os corpos vão se empilhando à medida que as evidências apontam que: 1) um policial é o autor das execuções; 2) este policial pode ser Turk ou Rooter.

Se o enredo _ tira durão bancando juiz e carrasco _ é manjado, o roteiro de Russell Gewirtz e a direção de John Avnet mostram ser possível piorá-lo. Tanto na narrativa frouxa quanto nos cacoetes visuais, As Duas Faces da Lei assume a aparência desses seriados policiais de segunda linha que abundam nos canais por assinatura. Avnet foi revelado no melodrama Tomates Verdes Fritos (1991) e assinou também dramas como Íntimo e Pessoal (1996). Seu pouco tato para tramas de suspense e ação já havia sido demonstrado em 88 Minutos (2007), trama em tempo real estrelada por Pacino.

Agora, o diretor atira seus dois excelente atores em uma série de situações desconexas, às quais tenta costurar com as muletas tradicionais dos realizadores pouco inspirados: narração em off, flashbacks e o gran finale com a reviravolta que diz "não era nada disso que você estava pensando" _ clichês que, nest caso, não passam de truques óbvios para sacudir o espectador sonolento.

Afora o prazer que resta das poucas cenas em que Pacino e De Niro justificam a esperada parceria (será que eles de deram conta no set que o negócio não ir rolar?), praticamente na reta final do longa, e dos bons momentos que um e outro consegue ter isoladamente, As Duas Faces da Lei, voltando à analogia televisiva, parece um seriado do qual se acompanha um capítulo esporadicamente: sabemos do que se trata, mas o que vemos, sem saber o que se passou entre um episódio e outro, é confuso demais e interessante de menos para garantir a fidelidade da audiência.

Postado por Marcelo Perrone

A vingança das loiras

10 de outubro de 2008 0

Anna Faris, engraçada e tuuuuudo a ver/Sony

Roger Lerina

A Casa das Coelhinhas tem pinta de comédia adolescente de gosto duvidoso, mistura de A Vingança dos Nerds e Legalmente Loira: depois de ser despejada da Mansão Playboy, modelo sem-teto e sem noção vai parar na casa de um grupo de universitárias esquisitonas.

Mas o filme estrelado pela divertida Anna Faris consegue ser bastante original brincando com o estereótipo da loira burra e gostosa.

A comédia de Fred Wolf funciona graças a sua protagonista: o talento humorístico, a simpatia e, claro, o corpo perfeito da atriz de Todo Mundo em Pânico contribuem para que o público se encante com a graciosa estupidez da modelo. Em A Casa das Coelhinhas, Shelley (Anna Faris) leva uma vida desencanada de festas e futilidades na Mansão Playboy até o dia em que é expulsa do local por estar "velha demais" - a garota completou apenas 27 anos, mas isso corresponde a 59 em "anos de coelhinha"... O filme conta com a participação de Hugh Hefner, o empresário de 82 anos criador da célebre revista masculina, interpretando a si próprio.

Em busca de uma nova "família", Shelley acaba parando em uma pequena irmandade universitária de garotas-problema, que não são aceitas pelos colegas de campus. Com o auxílio da coelhinha, as meninas tentam recuperar a auto-estima e evitar que sua casa seja confiscada pela universidade por falta de afiliadas. Ao mesmo tempo, Shelley vai descobrir que seus seios siliconados e microshorts não conseguem resolver todos os problemas.

A atriz Anna Farris foi a capa de setembro da versão americana da Playboy e teria convencido os produtores a bancarem A Casa das Coelhinhas porque ia às reuniões vestida como sua personagem. Bendita estratégia, que nos possibilitou rir no cinema dos comentários malucos de Shelley como "Os olhos são os mamilos do rosto".

Postado por Roger Lerina