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Posts de novembro 2008

E os pássaros?

27 de novembro de 2008 0

O clássico de Alfred Hitchcock Os Pássaros foi alvo de uma “intervenção” do artista plástico holandês Martijn Hendriks. Na obra que batizou de Give us Today our Daily Terror, ele apagou digitalmente as furiosas criaturas aladas que ataca moradores de uma pequena cidade litorânea. A trabalheira toda resultou em imagens visualmente muito interessantes que, segundo Hendriks, ilustram o terror cotidiano diante do desconhecido.

Confira uma das seqüências. No YouTube se acha as outras.

 

Postado por Marcelo Perrone

Queime Depois de Ler

26 de novembro de 2008 4

Filmaço, esse de Ethan e Joel Coen, que estréia nesta sexta-feira no Brasil – e, desta vez, também em Porto Alegre. Na minha opinião se trata de um dos melhores de toda a carreira deles, como se pode ler no Segundo Caderno desta quinta.

Eis o trailer:

 

Saindo um pouco de Queime Depois de Ler especificamente e falando mais sobre o momento que os irmãos cineastas estão vivendo: o filme estreou nos Estados Unidos em setembro, pouco depois da première mundial no último Festival de Veneza. Faturou US$ 19,1 milhões no primeiro fim de semana em cartaz naquele país, assumindo o posto de título mais visto à época - um recorde para a dupla.

A arrecadação total do longa nos EUA, até aqui de US$ 59 milhões, só não é maior que a de Onde os Fracos Não Têm Vez – que ainda assim atingiu a soma de US$ 74 milhões apenas após voltar a cartaz consagrado com os principais prêmios da academia norte-americana. Ainda assim, e mesmo que sejam números não tão expressivos se comparados aos maiores blockbusters, reiterando o que está no Segundo Caderno desta quinta, não significa que Ethan e Joel poderiam redirecionar as suas carreiras. Muito pelo contrário.

Seu novo projeto, A Serious Man (ainda sem título em português), também vai apostar no humor negro. A produção, filmada entre setembro e outubro e que já está em fase de pós-produção, terá Michael Stuhlbarg e Richard Kind como protagonistas. Quem? Stuhlbarg já concorreu a um prêmio Tony mas tem experiência restrita a participações em séries como Lei & Ordem. Kind já pôde ser visto nas séries de tevê Scrubs e Spin City e nos filmes O Agente da Estação e Confissões de uma Mente Perigosa. Ambos são atores procedentes dos teatros da Broadway.

Olha que legal o que andei lendo por aí sobre o filme: a história está centrada na figura de Larry (Stuhlbarg), um professor de Física que vê a mulher trocá-lo por um colega de maior sucesso e passa então a conviver mais proximamente com o irmão desempregado que está dormindo no sofá de sua casa (Kind). Tudo isso em 1967, num universo em que Jefferson Airplane é o sucesso a tocar no rádio e F-Troop, a passar na televisão…

A Serious Man foi concebido e roteirizado enquanto a dupla ainda trabalhava em Queime Depois de Ler – da mesma Maneira que Queime fora concebido simultaneamente à realização de Onde os Fracos Não Têm Vez.

- O fato de um desses filmes vir depois do outro está mais ligado a timing do que a uma busca por trilhar um caminho específico de narrativa - explicou Joel, à época do lançamento de Queime Depois de Ler nos EUA.

O que quer dizer que não se sabe exatamente o que pode surgir quando se trata da obra dos Coen. Ou o contrário - mesmo sem pensar um passo após o outro, mas cada trabalho isoladamente, Ethan e Joel estão construindo, no mínimo, uma das obras mais coerentes e consistentes do cinema norte-americano contemporâneo.

Ó a dupla aí (Ethan está de chapéu; Joel é o mais cabeludo):

Agora de volta a Queime Depois de Ler.

Seguem alguns comentários de atores e diretores do filme, distribuídos no kit enviado à imprensa com informações sobre o longa que pode ser visto a partir desta sexta na Capital (corra aos cinemas que vale a pena, e muito).

>>> “O filme fala de pessoas de meia-idade passando por crises profissionais, pessoais e sexuais que esbarram em assuntos de segurança nacional. É isso que o torna `uma trama de Washington` (onde se passa o enredo).  A história diz respeito à CIA e ao mundo das academias de ginástica, e do que acontece quando esses dois mundos se cruzam e colidem. Namoros pela internet também estão na mistura.”
JOEL COEN

>>> “Em primeiro lugar, os Coen sabem como fazer filmes. Em segundo, eles não são controladores. Sabem o que querem em cada frame – como será filmado, como será editado -, então não perdem tempo, tudo ocorre incrivelmente rápido.”
JOHN MALKOVICH

>>> “Sempre tento operar os setos dos filmes que dirijo da forma como Ethan e Joel fazem. O estilo deles é tranqüilo. Eles permitem que você experimente algumas idéias próprias, sempre, mas a forma como vêem aquilo é a forma como deve rolar porque eles têm um plano muito específico. Nunca os vi fazendo ensaios ou algo assim.”
GEORGE CLOONEY

>>> “Na minha primeira cena do roteiro, a descrição dizia: `Close no traseiro de uma mulher. Pálido. Nu. De meia-idade`. Por que alguém continuaria a ler? Por que alguém consideraria pegar este trabalho? Porque se trata de Ethan e Joel, com quem venho trabalhando há mais de 20 anos. O primeiro filme deles (Gosto de Sangue, de 1984) foi meu primeiro filme. Não sei porque eles me colocam para fazer essas coisas. Mas sempre vale a pena.”
FRANCES MCDORMAND

>>> “Esperei muito por um papel em um filme dos Coen. Não achei que seria o papel de um imbecil, de um cabeça-oca viciado em Gatorade, chiclete e iPod. Mas ao menos ele tem um bom coração”.
BRAD PITT

>>> “Apesar do cenário de Washington, esse filme trata de pessoas terrivelmente burras fazendo burrices que envolvem sexo e outras coisas. O que torna tudo ainda mais interessante é que os personagens não são políticos. Esse roteiro me fez vibrar quando o li. É tão insano… Eu simplesmente embarquei nele.”
GEORGE CLOONEY

>>> “Vemos tragédias sobre pessoas de meia-idade, assim como comédias, mas não vemos muito essa combinação. Esse filme é hilário, mas há também uma tristeza nos personagens.”
FRANCES MCDORMAND

Postado por Daniel Feix

Pan-Cinema sem permanência garantida

21 de novembro de 2008 1

Veja o trailer abaixo e me diga: dá ou não dá vontade de ver Pan-Cinema Permanente?

Mas é preciso correr.

O documentário de longa-metragem do paulista Carlos Nader sobre o baiano Waly Salomão está em cartaz em alguns – poucos – cinemas brasileiros, em horários restritos e com permanência incerta nos próximos dias.

Apesar de ser um filme absolutamente espetacular, como já falamos algumas vezes no Segundo Caderno de ZH.

Postado por Daniel Feix

Vicky, Cristina, Maria Elena, Juan Antonio

20 de novembro de 2008 2

É um deleite visual, uma das comédias mais divertidas que Woddy Allen lançou nos últimos tempos, um dos filmes mais legais de 2008, a melhor bilheteria na semana de estréia entre todos os longas do diretor lançados no Brasil…

Se você continua bobeando e ainda não viu Vicky Cristina Bracelona, aí vai mais uma tentação: uma belíssima galeria de fotos de Vicky (Rebeca Hall), Cristina (Scarlett Johansson), Maria Elena (Penelope Cruz), Juan Antonio (Javier Bardem) e outros personagens menos destacados na trama que só não foram traçados pelo miúra puro-sangue (*) interpretado por Bardem por falta de tempo – o filme tem “apenas” pouco mais de uma hora e meia de duração.

>>> Clique aqui e confira.

(*) Piada interna.

Postado por Daniel Feix

Nervos de aço

19 de novembro de 2008 2

Já na lista dos melhores filmes do ano, o longa espanhol  [REC] é exemplo de bom cinema realizado de forma simples, eficiente e barata. Em um primeiro momento, a narrativa pelo ponto de vista da câmera empunhada por um protagonista leva à comparação com A Bluxa de Blair, que lançou e consagrou o formato no horror moderno. Mas o filme dos diretores Jaume Balagueró e Paco Plaza, produzido em 2007, se mostra muitíssimo mais interessante do que qualquer outro que já investiu no formato, inclusive A Bruxa de Blair e o recente Cloverfield, longa americano realizado posteriormente.

[REC] é um filme tecnicamente impecável e recomendado para quem tem nervos de aço, aprecia o gênero do horror e, sobretudo, acredida que cinema é (ou deveria ser) arte para quem entende do riscado. À garotada – e veteranos, por que não – hoje diante das facilidades do suporte digital e produzindo muita coisa ruim a rodo: prestem atenção na lição dos espanhóis, independentemente do gosto pelo gênero, pois do que falamos aqui é de competência para criar uma boa história, realizá-la de forma inventiva e torná-la extremamente atraente para a platéia.

Ah, para quem não sabe: a trama tem como protagonistas uma repórter de TV de Barcelona e seu câmera, que vão acompanhar a noite de trabalho de um grupamento de bombeiros. Ao atenderem um ocorrência que parecia de rotina…

Confere o trailer abaixo para sentir o clima. Logo em seguida tem um trailer fake, com cenas que não estão no filme e com trechos da reação apavorada do publico em uma sessão.

Postado por Marcelo Perrone

No aquecimento para o Oscar

18 de novembro de 2008 0

Leo e Kate se reencontram depois do Titanic/Divulgação

Geralmente por essa época já começam a pipocar as listas de favoritos do Oscar. Estranhou que até agora não se falou muito no assunto? É porque em 2008 a estréia de grande maioria do filmes ”oscarizáveis” ficou concentrada nas semanas que antecedem o Natal. Nos EUA. Reparem que a lista traz vários nomes que costumam figurar nas indicações

O épico romântico Austrália, de Baz Luhrmann, reúne Hugh Jackman e Nicole Kidman, estrela do diretor no musical Moulin Rouge. O novo longa do excelente David Fincher (de Zodíaco), The Curious Case of Benjamin Button, é estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, atriz com lugar cativo na festa. Kate Winslet, outra habitué, estrela duas produções: The Reader, de Stephen Daldry (autor As Horas, que valeu o Oscar de melhor atriz a Nicole Kidman), e Revolutionary Road, de Sam Mendes (de Beleza Americana), este o filme que traz de volta  o casal do multioscarizado Titanic, Kate e Leonardo DiCaprio. Ron Howard (de Uma Mente Brilhante) apresenta Frost/Nixon, sobre a histórica entrevista do jornalista David Frost com o ex-presidente Richard Nixon.

Entre essas produções inéditas, a que está investindo mais forte no marketing pré-Oscar é Operação Valquíria, de Bryan Singer, com Tom Cruise no papel do oficial nazista que tentou matar Adolf Hitler. Mas, segundo alguns críticos, o filme como qual Cruise pretendia retomar seu posto de grande astro tem como ponto fraco justamente o desempenho do ator, avaliado como pouco convincente e caricato. A lista de indicados será anunciada em 22 de janeiro. A 81ª edição da cerimônia do Oscar está marcada para 22 de fevereiro.

Entre os filmes já conhecidos, não se pode subestimar a presença de um convidado habitual da festa como Clint Eastwood, que dirige Angelina Jolie em A Troca. Apesar da torcida, será uma surpresa se o desenho animado Wall-E for indicado a melhor filme — feito obtido apenas por A Bela e a Fera. Já Batman — Cavaleiro das Trevas está com boas possibilidades de ganhar indicações nas principais categorias, pois, além de ser um sucesso de bilheteria com aval da crítica, carrega a expectativa por um reconhecimento póstumo ao trabalho do ator Heath Ledger, assombroso como o Coringa. Seria a oportunidade para a Academia retomar o chamado Pop Oscar, com fez recentemente com O Senhor do Anéis — O Retorno do Rei, vencedor de 11 estatuetas. Esse tipo de opção desagrada os cinéfilos (brindados em 2008 com a disputa entre Sangue Negro e Onde os Fracos não Têm Vez), mas cede ao gosto médio e tem grande impacto na audiência da TV — e esse índice está diretamente ligado ao faturamento comercial da transmissão.

Aproveitando, muitos desses filmes já têm títulos em português e data de estréia no Brasil. Confira:

O Curioso Caso de Benjamin Button – 16 de janeiro

Austrália – 23 de janeiro

Apenas um Sonho (Revolutionary Road) – 30 de janeiro

A Troca – 6 de fevereiro

Operação Valquíria – 13 de fevereiro

Frost/Nixon – 20 de fevereiro


Postado por Marcelo Perrone

A a Z das adaptações literárias

15 de novembro de 2008 0

Duas semanas editando o caderno da Feira do Livro de Porto Alegre encartado diariamente em ZH e o que eu fiz de mais divertido nesse trabalho foi… uma brincadeira muito legal envolvendo cinema.

É que publicamos no suplemento uma série intitulada AZ – dos contos, das HQs, dos livros-reportagem, dos poemas, das adaptações cinematográficas. Esta última fiz com muito prazer, puxando pela memória filmes que adoro e consultando sites de referência, em casa, numa manhã em que o Centro Velho se iluminava de sol e um clima deliciosamente ameno, tomando um mate bem amargo e bem quente, ao lado de dois gatos felizes por poderem lagartear com a minha presença.

Antes de voltar à labuta no dia-a-dia do cinema e do Segundo Caderno (minha dica da semana é o longa italiano Caos Calmo, que vi ontem e é excelente, pena que está em cartaz apenas no Aeroguion), e como precisei dar uma cortadinha no texto que saiu no Caderno da Feira, se não me engano, da última quinta, compartilho com vocês a relação como a havia escrito originalmente:

a:  ANTONIONI, Michelangelo. Dirigiu Blow Up, provavelmente a melhor das adaptações de Julio Cortázar.

b:  BERTOLUCCI, Bernardo. Dirigiu A Estratégia da Aranha, provavelmente a melhor das adaptações de Jorge Luis Borges.

c:  CAIN, James, e CHANDLER, Raymond. O primeiro escreveu o romance original e o segundo, o roteiro da adaptação dirigida por Billy Wilder. O título em questão é a obra-prima dos filmes noir Pacto de Sangue.

d:  DAVID Lean, um especialista – levou às telas, entre outros, Charles Dickens, HG Wells, Boris Pasternak e Pierre Boulle.

e:  ÉLUARD, Paul. Aconteceu de uns poemas seus (do livro Capitale de La Douleur) originarem um muito interessante longa de ficção científica de Jean-Luc Gordard (Alphaville).

f:  FAHRENHEIT 451º é a temperatura a que um livro deve ser submetido para pegar fogo – e o título do romance de Ray Bradburry transformado num excelente filme por François Truffaut.

g:  GRACILIANO Ramos, autor dos livros que deram origem aos dois melhores trabalhos do diretor Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas e Memórias do Cárcere).

h:  HORAS, As. Belo filme de Stephen Daldry a partir do romance que Michael Cunningham escreveu a partir de outro romance de Virginia Woolf.

i:  “ISTO que você vai ver deveria se chamar Os Filhos de Marx e da Coca-Cola” – é como os créditos iniciais anunciam Masculino, Feminino, filme que Jean-Luc Godard concebeu a partir das histórias de Guy de Maupassant.

j:  JABOR, Arnaldo. Seu Toda Nudez Será Castigada é considerado por muitos a melhor transposição de Nelson Rodrigues para o cinema.

k:  KUBRICK, Stanley. Só o mais obscuro de seus 12 longas lançados no Brasil (A Morte Passou por Perto) não é adaptação literária. É consenso que todos, exceto talvez apenas Lolita (transposição de Wladimir Nabokov), são superiores aos textos originais.

l:  LA ROCHELLE, Pierre Drieu. Foi esse memorialista francês que escreveu Le Feu Follet, o texto a partir do qual Loius Malle dirigiu aquela que para mim é a sua obra-prima, 30 Anos Esta Noite.

m:  M – O Vampiro de Düsseldorf, clássico que Fritz Lang filmou a partir de uma história publicada na imprensa alemã por Egon Jacobson.

n:  NASSAR, Raduan. 100% de seus (dois) livros foram adaptados, sendo 50% deles (Lavoura Arcaica) de maneira brilhante.

o:  ORSON Welles – para além de Cidadão Kane, levou às telas Othelo, Hamlet, Moby Dick, Dom Quixote e O Processo de Kafka.

p:  PODEROSO Chefão, O. Um dos casos mais notáveis em que a transposição, de Francis Ford Coppola, é mais interessante que a obra original, de Mario Puzo.

q:  QUEM Tem Medo de Virginia Woolf?, primeiro grande filme de Mike Nichols, dirigido a partir da obra de Edward Albee.

r:  RAN, título do Rei Lear shakespeareano adaptado por Akira Kurosawa – o cineasta oriental que mais buscou inspiração nas obras clássicas da literatura ocidental.

s:  SCHLÖNDORFF, Volker. Só ele e Raoul Ruiz (com o alemão mais elogiado do que o chileno) levaram partes de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, ao cinema.

t:  TENNESSEE Williams – De Repente num Domingo, Gata em Teto de Zinco Quente, Um Bonde Chamado Desejo, Vidas em Fuga… Só bons filmes.

u:  URBINO, Fermina, protagonista de O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García-Márquez, recentemente adaptado por Mike Newell, sobre o célebre amor do passado: “Florentino Ariza não é humano. É uma sombra”.

v:  VISCONTI, Lucchino. Dava para falar mais, mas fiquemos “só” com suas transposições de O Leopardo de Lampedusa e Morte em Veneza de Thomas Mann.

y:  YVETTE Biro: a responsável pela adaptação de A Jangada de Pedra, único outro longa adaptado do único Nobel de língua portuguesa, José Saramago, além de Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles.

x:  X, Malcom, filme de Spike Lee baseado na autobiografia do líder negro – um dos raros filmes baseados em autobiografias e bem-sucedidos.

w:  WRIGHT, Joe. Representante da nova geração de cineastas britânicos que não deixa morrer a tradição do país de lançar adaptações dos grandes romances – já dirigiu Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação.

z:  ZONA do Crime. Filme mexicano, um dos melhores de 2008 a estrear em Porto Alegre, que o diretor Rodrigo Plá transpôs dos contos de sua mulher Laura Santullo. Dica: já está disponível em DVD.

Postado por Daniel Feix

Apichatpong Weerasethakul - os trailers

14 de novembro de 2008 0

Síndromes e um Século (2006):

Mal dos Trópicos (2004):

Eternamente Sua (2002):

Postado por Daniel Feix

Nova onda oriental IV - Apichatpong Weerasethakul

12 de novembro de 2008 0

Se você é daqueles poucos felizes cinéfilos que não perderam a chance de ver dois dos mais recentes filmes de Apichatpong Weerasethakul – e foram poucos mesmo, inexplicavelmente, provando que Porto Alegre não é uma cidade cinéfila -, deve estar até agora refletindo sobre o que viu. Eu estou. Que cinema foi aquele?

Síndromes e Um Século (2006, foto acima), esquisito até no título, não me pegou de primeira. Fiquei confuso diante daquele quebra-cabeças concebido pelo realizador – só fui descobrir depois – a partir da realidade profissional de seus pais, dois médicos que têm em comum a profissão mas que a vivenciam, ou a vivenciaram, em contextos e de maneiras diferentes. Alguns planos estão entre os mais interessantes que vi no cinema nos últimos tempos, são esteticamente bonitos e ao mesmo tempo estranhos, exploram a percepção do espectador utilizando sons e cores de modo às vezes nada menos que hipnótico. Pareceu-me curioso, mas, inicialmente, pouco funcional. Bobagem.

Mal dos Trópicos (2004, foto abaixo) é que – me fazendo lembrar o que dizia o mestre Armindo Trevisan, o maior especialista em cultura oriental que conheço, que dizia que devemos nos purificar, nos livrar das nossas convicções ocidentais para tentar entender a arte do Oriente – me converteu por completo. Este filme é dividido em duas partes, que do ponto de vista narrativo são independentes entre si, mas que se tornam plenas de sentido se vistas em conjunto. A primeira, que conta a paixão entre um soldado e outro jovem tailandês, é relativamente linear. A nós, ocidentais, serve como uma porta de entrada ao universo “diferente” de Weerasethakul. Na segunda, digamos assim, o bicho pega.

Trata-se de um mergulho na selva do país, contado como se se estivesse transmitindo uma lenda ou uma simples história oral do lugar. Weerasethakul mimetiza pesadelos do personagem principal, o homem a mergulhar na selva, que incluem figuras humanas e um gigantesco tigre das matas, transformando o que se vê na tela num exercício de realismo fantástico à mesma medida enigmático e fascinante. Sua imersão na floresta escura é pontuada por sons, silêncios e expressões faciais absolutamente perturbadores.

Já se passaram mais de dez dias que assisti a ambos os filmes, e ainda não sei exatamente que conclusões mais precisas tirar. Mas a impressão que tenho é de que estive diante de duas das produções mais significativas dos últimos tempos, difíceis de decifrar pela distância cultural a que me encontro, inquietantes pelas provocações estéticas a que fui submetido. A impressão que tenho é de que estive diante de um dos raros realizadores que consegue, de fato, apontar novos caminhos para o cinema.

Pena que não dá, ao menos neste momento, para rever esses filmes. Pena que não há como ver Eternamente Sua (2002), o outro dos seus títulos conhecidos mundialmente. Mas vou atrás. Vou tentar. E aí voltar ao assunto, por certo.

(acima, Apichatpong Weerasethakul no set de Mal dos Trópicos)

Postado por Daniel Feix

A casa dos números

06 de novembro de 2008 1

Voltando ao cinema brasileiro e tocando em um assunto para falar de outro. Saíram os números do Projeta Brasil, aquele dia (segunda passada) em que a rede Cineamark exibe só filme nacional em suas 363 salas no Brasil. Casa da Mãe Joana foi o longa mais visto, com 26.502 espectadores, na frente de Guerra dos Rocha (17.238), Meu Nome Não é Johnny (11.533), Era Uma Vez… (10.890) e Ensaio Sobre a Cegueira (10.263). Desde 19 de setembro em cartaz, Casa da Mãe Joana já foi visto por mais de 480 mil espectadores.

Esses  480 mil reprentam um número bom ou ruim? Depende. Espelhado no quadro geral do cinema brasileiro, é ótimo. Perde apenas, no ranking 2008 do Filme B, para Meu Nome não É Johnny (2,1 milhões), Ensaio Sobre a Cegueira — que do orçamento ao marketing, fora o elenco,  não é bem um modelo de filme brasileiro, mas vá lá (757,2 mil) e Era uma Vez… (552,1 mil). Com tem sido tendência nos últimos anos, existe um abismo entre o  filme que figura no topo e os demais. No ano passado foi Tropa de Elite, e antes figuraram muito acima na lista títulos como 2 Filhos de Francisco, Se Eu Fosse Você Cazuza, Carandiru e Cidade de Deus.

Mas se for analisado o potencial de público que Casa da Mãe Joana poderia ter em outros tempos, é regular. Hugo Carvana, o diretor, estimava 1 milhão de espectadores e agora diz que vai comemorar  se chegar a 600 mil. O desempenho do filme, uma comédia escrachada em clima de pornochanchada e Zorra Total, ilustra uma das questões citadas no post anterior, a concentração das salas em shoppings centers, que traz de arrasto preços mais salgados de ingresso. Segundo a distribuidora Imagem, as sessões mais cheias são as de segunda a quarta, que têm o menor valor de ingresso.

Uma produção com um claro perfil de cinema popular como Casa da Mãe Joana é a que mais se ressente da extinção dos cinemas de calçada, dos circuitos de bairros e periferias e das pequenas e médias cidades do Interior. Seu público não é o que freqüenta shopping. É se se imaginar o potencial que esse filme teria na calçada da Rua da Praia de outrora, com um cartazão da Juliana Paes de lingerie, exuberante como nunca, chamando para dentro do cinema.

Postado por Marcelo Perrone

Gaúcho gosta de cinema nacional?

04 de novembro de 2008 19

Juliana Paes no sucesso de público Casa da Mãe Joana/Imagem Filmes

Para escrever a matéria do Segundo Caderno da última segunda sobre as sessões de filmes brasileiros a R$ 2 na rede Cinemark, conversei com o Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B, portal especializado no mercado cinematográfico e principal fonte dados para analisar o setor no Brasil.

O gancho, mais da entrevista do que da reportagem, foi prospectar se tem respaldo a afirmação genérica, de muitos cineastas e produtores, de que gaúcho não gosta de cinema brasileiro. Existe, de fato, assim comprovam os números, uma performance mais modesta da produção nacional por aqui. Por aqui entenda-se a Região Sul, com Santa Catarina e Paraná juntos. Como explicou Paulo Sérgio, esse é um território a ser desbravado por cineastas e produtores, como foi no passado São Paulo, Estado que delimitava, para baixo, uma zona de sombra para os filmes brasileiros - ou os filmes cariocas como de dizia décadas atrás, já que o Rio era o grande centro de produção no país.

Mas, puxando pela parte que nos toca, são muitos os fatores e as variáveis que devem ser colocados na balança antes de se garantir que gaúcho não gosta de cinema nacional. É certo que não se trata de preconceito. Fosse assim, sucessos como Cidade de Deus, Carandiru, Cazuza, 2 Filhos de Francisco, Tropa de Elite e Meu Nome Não É Johnny não emplacariam aqui também.

Rejeição a filmes “de favela”, “de violência”, “de gente pobre”? Pouco provável, diante da lista de obras com esse perfil que tiveram boa bilheteria no Estado. Rejeição a culturas e realidades diferentes? Tampouco, vide o alto ibope local das muitas novelas ambientadas no Nordeste.

Paulo Sérgio, que também é cineasta, acredita que existe, sim, uma maior resistência dos gaúchos ao filme nacional. E ainda provoca.

- Gaúcho não gosta nem de filme gaúcho – afirma, lembrando que Houve um Vez Dois Verões, estréia em longa de Jorge Furtado, só se tornou um pequeno grande sucesso ao ser adotado pela platéia carioca.

Por aqui, a gente acrescenta um outro exemplo intrigante: Cão sem Dono, belo filme de Beto Brant rodado em Porto Alegre, com elenco e equipe locais, teve um desempenho pífio na cidade. E, reconheça-se, filmes gaúchos, como o santo de casa, não costumam se sair muito melhor aqui do que em outros lugares.

Alguns dos mais fortes argumentos que Paulo Sérgio aponta, porém, não têm relação direta com um imaginário bloqueio cultural farroupilha. Vejamos alguns:

- Janela de lançamento e promoção: devido ao alto custo de cópias, filmes que não têm condições de abastecer um mercado extenso como o brasileiro, a grande maioria, priorizam a Região Sudeste, centro do país. Todo o investimento em mídia é feito ali. Quando a estréia por aqui não demora tanto pode restar um efeito residual da promoção de lançamento. Se custa muito a chegar, o filme é simplesmente jogado no circuito. Se o longa foi bem recebido ainda gera uma expectativa. Mas, se foi mal, chega praticamente morto.

- A divulgação no centro do país, com presença do elenco e do diretor (quando conhecidos) atacando em várias frentes na mídia ajuda bastante. Isso raramente ocorre em outras regiões.

- Títulos da Globo Filmes ganham mais promoção nas cidades em que a Globo é responsável única pela programação e pelos espaços comercais. Aqui no Estado, por exemplo, onde a RBS TV é uma afiliada com forte produção de conteúdo local, essa ação é mais tímida.

 A essas acrescento outras:

- O filme pode ser mesmo ruim, ao contrário do que pensam seus criadores.

- Diante dos números pífios do quadro geral do cinema brasileiro, os números magros do Sul costumam ser proporcionais aos de outros Estados, no sucesso e no fiasco. Antônia e Encarnação do Demônio são exemplos de fracassos de bilheteria uniformes em todo o país.

- Voltando ao tema da janela. Relegando o Sul para lançamento “quando der”, corre-se o risco de o filme chegar na hora errada. É o caso recente de Maré – Nossa História de Amor, que demorou e chegou quando estava em cartaz um filme muito parecido, Era uma Vez… – ambos na linha Romeu e Julieta no morro. Maré, lançado quase secretamente, não ficou nem uma semana em cartaz. Culpa do gaúcho chato?

- Exceções que contrariam a suposta regra. Nome Próprio, dentro de sua pretensão de filme pequeno, teve ótimo desempenho em Porto Alegre, segundo o diretor Murilo Salles. Casa da Mãe Joana se segura há várias semanas em cartaz com performance dentro da proporção nacional, segundo informa a distribuidora Imagem Filmes.

Bom, é um tema que para seguir adiante carece de análises mais rigorosas dos profissionais do ramo. E nem entramos na questão do espaço destinado ao cinema nacional no mercado dominado por Hollywood. Culpa nossa não fazermos mais filmes para dialogar com o público? Culpa de um mercado exibidor equivocado que canibaliza o produto nacional? Culpa das leis de incentivo que alimentam cineastas burocratas mais atentos ao próprio bolso? Culpa dos cinemas de shoppings e das platéias cada vez mais adolescentes? Culpa dos americanos imperialistas? Culpa do sistema? Do Celso Roth?

Mas vamos arriscar uma pesquisa prática e nada científica.

Gaúcho gosta de cinema nacional? Sim? Não? Por quê?

Postado por Marcelo Perrone

Mais um 3D

01 de novembro de 2008 0

Conforme antecipamos tempos atrás, o complexo do Cinemark naquele shopping novo que está sendo erguido ali no Cristal vai ter uma sala digital 3D. A inauguração é no dia 21 de novembro. Será a segunda da Capital, depois do Unibanco Arteplex.

A novidade é interessante menos pelos 3D em si, já que a oferta de títulos no sistema ainda será por algum tempo aquém da demanda, e mais por estar começando, aqui também, o processo de digitalização da indústria cinematográfica, de ponta a ponta (da produção à exibição), que ,segundo especalistas, deve se consumar em cerca de 10 anos. 

Postado por Marcelo Perrone