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Posts de dezembro 2008

Melhores de 2008

18 de dezembro de 2008 13

Carlos André Moreira, em comentário de um post anterior aqui neste mesmo espaço, fez uma minilista com seus preferidos de 2008, mas lamentou não ter visto muita coisa nos cinemas este ano. Ele desfalca a série de listas elaboradas pelos cinéfilos aqui do jornal, que segue abaixo, em ordem alfabética.

A lamentar, além da ausência do editor do blog Mundo Livro, o fato de as listas estarem restritas a 10 títulos. Eu, por exemplo, lamento ter de excluir Onde os Fracos Não Têm Vez, Zona do Crime, Meu Irmão É Filho Único, entre outros.

Um dos bons filmes do ano que não figura em nenhuma lista abaixo é Não Estou Lá - e não porque o esquecemos, mas porque 2008 foi um ano em que muitos bons filmes estrearam em Porto Alegre. Outros: Gomorra, Vicky Cristina Barcelona, Lemon TreeLinha de Passe, Na Natureza SelvagemA Família Savage...

O Escafandro e a Borboleta, Ensaio Sobre a Cegueira, Serras da Desordem e Pan-Cinema Permanente alguns são exemplos de longas que - quase, ou não - passaram despercebidos na retrospectiva publicada no Segundo Caderno de ZH de hoje. Pelo mesmo motivo - o ano, apesar do atraso na chegada dos filmes a Porto Alegre, foi realmente bem interessante em termos de estréias na cidade.

Uma última observação: Jogo de Cena só não está na lista do jornal porque foi incluído em seleção idêntica no ano passado, por conta da aclamadora estréia no Festival de Gramado de 2007.

Bom, às listas:

Daniel Feix:
>A Vida dos Outros (Florian Henckel von Donnersmarck, Alemanha)
>Do Outro Lado (Fatih Akin, Alemanha/Turquia)
>Luz Silenciosa (Carlos Reygadas, México/Alemanha/Holanda/França)
>Sangue Negro (Paul Thomas Anderson, EUA)
>Queime Depois de Ler (Ethan e Joel Coen, EUA)
>4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias (Cristian Mungiu, Romênia)
>Senhores do Crime (David Cronenberg, Canadá/EUA)
>A Questão Humana (Nicolas Klotz, França)
>O Banheiro do Papa (Enrique Fernández e César Charlone, Uruguai/Brasil/França)
>Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Sidney Lumet, EUA/Inglaterra)

Marcelo Perrone:
>Do Outro Lado
>A Vida dos Outros
>O Banheiro do Papa
>Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto
>Onde os Fracos Não Têm Vez (Ethan e Joel Coen, EUA)
>Zona do Crime (Rodrigo Plá, México)
>Luz Silenciosa
>Paranoid Park (Gus Van Sant, EUA)
>4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
>Senhores do Crime

Roger Lerina:
>Queime Depois de Ler
>O Segredo do Grão (Abdel Keniche, França)
>Luz Silenciosa
>Sangue Negro
>4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
>Batman - O Cavaleiro das Trevas (Chritopher Nolan, EUA)
>Onde os Fracos Não Têm Vez
>O Banheiro do Papa
>Ensaio Sobre a Cegueira (Fernando Meirelles, Canadá/Brasil/Japão)
>Do Outro Lado 

Ticiano Osório:
>A Vida dos Outros
>Juno (Jason Reitman, EUA)
>4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias
>Jogo de Cena
>O Banheiro do Papa
>Longe Dela (Sarah Polley, EUA)
>O Escafandro e a Borboleta (Julian Schnabel, França/EUA)
>Ensaio Sobre a Cegueira
>Batman - O Cavaleiro das Trevas
>[Rec] (Jaume Balagueró e Paco Plaza, EUA)

Postado por Daniel Feix

Daldry, Berlim

15 de dezembro de 2008 2

O que mais chama a atenção nas indicações ao Globo de Ouro, ao menos para mim, é a presença de autores de cinema, com a pompa que a expressão merece.

Irmãos Coen, Woody Allen, Danny Boyle, David Fincher, Stephen Daldry - todos estão entre os concorrentes anunciados na semana passada. Os Coen e Allen estão consagrados, Boyle e Fincher são cultuados em determinadas fatias do público. Quero falar um pouquinho de Daldry (foto).


Britânico, 47 anos, ele trabalhou como diretor de teatro ao longo de vários anos, tendo recebido diversos prêmios nos palcos da Europa e dos Estados Unidos. Estreou no cinema em 1998 com o curta Eight, sobre um garoto apaixonado por futebol, indicado ao Bafta da categoria naquele ano. Dois anos depois, Billy Eliot, seu primeiro longa, belo filme, falaria do mesmo tema do título anterior: as aspirações juvenis de um menino sufocado pelos valores conservadores da família e da sociedade em que vive.

A história de Billy Eliot tem muito a ver com a de seu protagonista, Jamie Bell, um aspirante a dançarino que Daldry conheceu logo após realizar Eight. Bell sequer conheceu seu pai, o que motivou o diretor a adotá-lo informalmente - foi como se Daldry estivesse filmando seu próprio filho.

Em 2002, já cooptado por Hollywood, dirigu As Horas, um dos melhores se não o melhor filme americano da temporada, baseado no romance homônimo de Michael Cunningham. Multipremiado (o longa deu diversos troféus a Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep, inclusive um Oscar para a primeira), consagrado como um dos principais nomes entre as revelações do cinema, desde então Daldry pouco apareceu. Voltou a se dedicar ao teatro e a dois grandes projetos de longa-metragem: The Reader e The Amazing Adventures of Kavalier e Clay.

O primeiro demorou a ficar pronto; o segundo vai andar só agora que Daldry "se livrou" do anterior. Ambos, assim como As Horas, são adaptações literárias.

 

 

Confesso que o trailer (acima) de The Reader não me empolgou muito, mas o longa, estrelado por Kate Winslet e Ralph Fiennes, é um dos mais aguardados dos últimos meses em Hollywood - fato corroborado não só pelas indicações ao Globo de Ouro, mas também pela seleção para o Festival de Berlim, que em sua edição 2009 será realizado poucos dias antes do Oscar.

Um dos três mais importantes do planeta, juntamente com Cannes e Veneza, a "Berlinale" é um palco tradicional para o lançamento dos grandes trabalhos autorais do cinema. As Horas já saiu de lá com a muitíssimo comentada divisão do prêmio de melhor atriz para as três protagonistas. The Reader é uma das apostas de seus organizadores para a próxima edição.

Segue a listinha dos primeiros selecionados para o festival, divulgada no final de semana:

The Dust of Time (Grécia), de Theo Angelopoulus, com Irène Jacob, Michel Piccoli e Willem Dafoe
Forever Enthralled (China), de Chen Kaige
The Messenger (EUA), de Oren Moverman, com Ben Foster e Woody Harrelson
>
London River Algeria (França/Argélia), de Rachid Bouchareb
>
Mammoth (Suécia), de Lukas Moodysson, com Gael García Bernal e Vanessa Williams
>
The Private Lives of Pippa Lee (EUA), de Rebecca Miller, com Robin Wright Penn, Alan Arkin, Keanu Reeves, Maria Bello, Julianne Moore e Winona Ryder
>
A Pantera Cor de Rosa 2 (EUA), de Harald Zwart, com Steve Martin, Jean Reno, Emily Mortimer e Andy Garcia

Este último provavelmente estará em exibição fora de concurso, talvez abrindo o fstival, quem sabe em première mundial. Outros filmes em competição devem ser anunciados nas próximas semanas.

A Berlinale 2009 será realizada entre 5 e 15 de fevereiro. O Oscar está marcado para o dia 22, ou seja, para o domingo seguinte ao encerramento do festival alemão. O anúncio dos indicados à estatueta da premiação da Academia Norte-americana de Cinema está marcado para 22 de janeiro.

Postado por Daniel Feix

Prévia do Oscar?

11 de dezembro de 2008 1

Todo mundo diz que o Globo de Ouro, cujos indicados da edição 2009 foram anunciados no final da manhã desta quinta, é um parâmetro para se tentar prever o que pode acontecer com o Oscar. Mas até que ponto isso é verdade?

Pensando nisso, trabalhamos hoje pela manhã num histórico das últimas edições das premiações, visualizando onde realmente houve coincidência nas premiações. O Marcelo Perrone chegou a fazer uma lista com todos os 30 principais vencedores nos últimos 10 anos - os 10 melhores filmes do Oscar e os 10 melhores filmes nas duas categorias do Globo de Ouro (drama e musical/comédia).

Por razões da edição, o quadro acabou não saindo no jornal desta sexta. Por isso resolvemos publicá-lo aqui. Como você pode ver abaixo, de fato, a premiação da crítica internacional em Hollywood vinha sendo um prévia certeira - o vencedor da premiação da Academia Norte-Americana de Cinema, entre 1999 e 2004, portanto, nos seis primeiros dos 10 anos listados, coincidia com uma das duas principais categorias do Globo de Ouro. Coincidia. Nos últimos quatro anos, ou seja, de 2005 para cá, a história foi bem diferente.

É possível que o grande vencedor do Oscar seja um dos dez indicados nas categorias Melhor Filme - Drama e Melhor Filme - Comédia/Musical anunciados hoje. Mas não é nada certo que os dois vencedores em cada uma dessas categorias devem receber o prêmio da Academia - ao contrário.

No Segundo Caderno desta sexta há a lista resumida dos indicados, com a previsão de estréia no Brasil - é claro, para aqueles que ainda não chegaram por aqui - e as dicas daqueles que já saíram em DVD no país. Se clicar aqui você pode dar uma olhada na lista completa (que inclui os indicados nas categorias de televisão).

Abaixo vai a lista comparativa dos últimos 10 anos:

2008
Oscar: Onde os Fracos Não Tem Vez
Globo de Ouro/Drama: Desejo e Reparação
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Sweeney Todd

2007
Oscar: Os Infiltrados
Globo de Ouro/Drama: Babel
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Dreamgirls

2006
Oscar: Crash
Globo de Ouro/Drama: Brokeback Mountain
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Johnny & June

2005
Oscar: Menina de Ouro
Globo de Ouro/Drama: O Aviador
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Sideways

2004
Oscar: O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei
Globo de Ouro/Drama: O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Encontros e Desencontros

2003
Oscar: Chicago
Globo de Ouro/Drama: As Horas
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Chicago

2002
Oscar: Uma Mente Brilhante
Globo de Ouro/Drama: Uma Mente Brilhante
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Moulin Rouge

2001
Oscar: Gladiador
Globo de Ouro/Drama: Gladiador
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Quase Famosos

2000
Oscar: Beleza Americana
Globo de Ouro/Drama: Beleza Americana
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Toy Story 2

1999
Oscar: Shakespeare Apaixonado
Globo de Ouro/Drama: O Resgate do Soldado Ryan
Globo de Ouro/Musical-Comédia: Shakespeare Apaixonado

Postado por Daniel Feix

Espiritualidade laica

11 de dezembro de 2008 0

(texto publicado no Segundo Caderno desta quinta)

Luz Silenciosa, o terceiro longa do diretor mexicano Carlos Reygadas, é austero e introspectivo como seus personagens, integrantes de uma pequena comunidade menonita do interior mexicano; essa severidade, porém, acompanha-se de uma densidade existencial e de um atavismo poético que impregna tanto os protagonistas quanto o próprio filme - ambigüidade que o título Luz Silenciosa sintetiza apropriadamente.

Reygadas constrói sua narrativa exatamente em função dessa tentativa de conjugar contradições, que se desdobram a partir da oposição fundante de Luz Silenciosa: o homem pode viver em comunhão espiritual com a natureza, alheio às demandas do progresso e às aflições da carne? O primeiro plano do filme mostra um céu noturno; um movimento nos traz à terra, onde acompanhamos um lento amanhecer no campo; em seguida, surge na tela uma família em torno à mesa, rezando antes do café da manhã, cujo silêncio só é quebrado pelo som de um relógio de parede. O lento alvorecer e o inexorável tique-taque: já de saída, Luz Silenciosa sinaliza que seu ritmo vagaroso esconde uma urgência que não consegue ser abafada.

Essa angústia é a do triângulo amoroso vivido pelo pai de família Johan (Cornelio Wall), que lamenta trair a mulher Esther (Miriam Toews) com Marianne (Maria Pankratz), mas não consegue também deixar a amante. Em outro aparente paradoxo, Reygadas registra esse drama que lembra os filmes do sueco Ingmar Bergman não em preto-e-branco, mas com cores exuberantes, em cenas rigorosamente bem-construídas. Se as palavras muitas vezes calam (não há qualquer informação sobre onde se passa a história, por exemplo), as imagens são eloqüentes: o banho familiar em águas paradas, a colheitadeira de aspecto amedrontador, o rosto sofrido de Marianne durante o sexo - a tensão subjaz em cada cena. Na metade do filme, Marianne decreta pesarosa: "A paz é mais forte do que o amor". Reygadas, porém, aposta na redenção e põe fé que a vontade humana é capaz até de um milagre como o do final do filme - o que aproxima Luz Silenciosa da espiritualidade laica da obra de cineastas como Robert Bresson, Carl Dreyer e Andrei Tarkóvski.

Postado por Roger Lerina

7º Festival Varilux

10 de dezembro de 2008 1

O Segundo Caderno desta quinta traz algumas informações sobre o 7º Festival Varilux de Cinema Francês, em cartaz até o dia 18 no Guion Center, em Porto Alegre. Se você é cinéfilo, recomendo uma olhada na - boa - programação, que é composta de alguns títulos recentes produzidos na França. É preciso organização para ver os sete longas selecionados pelos organizadores - o curador é o cineasta gaúcho radicado no Rio André Sturm. A grade completa está no hagah, no site da rede Guion e no site oficial do festival.

Abaixo, os trailers - com a desculpa antecipada pela falta de legendas em alguns deles, pois foi difícil encontrá-los em português ou, ao menos, em inglês, língua universal da internet. Não vou perder o novo filme do Honoré, ótimo diretor, nem a chance de ver um Godard e um Resnais, para mim, inéditos. Dos demais, vi e recomendo Atrizes, belo trabalho autoral da Valeria Bruni Tedeschi - mais que Felix e Lola (não sou muito fã do Patrice Leconte).

O primeiro trailer é o de Elogio ao Amor, de Jean-Luc Godard:

Agora, Dois em Um, de Bruno Lavaine e Nicolas Charlet:

15 Anos e Meio, de François Desagnat e Thomas Sorriaux:

A Bela Junie, de Christophe Honoré:

Beijo na Boca, Não, de Alain Resnais:

Felix e Lola, de Patrice Leconte:

E, por fim, de Atrizes, de Valeria Bruni Tedeschi:

 

Postado por Daniel Feix

"Gomorra", o melhor da Europa em 2008

07 de dezembro de 2008 1


O longa italiano Gomorra foi o grande vencedor da premiação da Academia de Cinema Europeu, que realizou sua cerimônia anual neste sábado, em Copenhague (Dinamarca). Adaptação do livro homônimo que fez o jornalista Roberto Saviano ser jurado de morte pela Camorra, a máfia napolitana - por conta das revelações que fez dos bastidores da organização criminosa-, Gomorra teve sessão de pré-estréia na Capital neste sábado e entre em cartaz no dia 19. O filme levou ao todo cinco prêmios, incluindo os de melhor diretor (Matteo Garrone) e melhor ator (Toni Servillo, que venceu também por sua soberba atuação em Il Divo).

Sobre Gomorra, é interessante dizer que quem espera ver um filme de gângster nos moldes tradicionais vai estranhar bastante o filme de Garrone. Primeiro, não existe uma história ou linha narrativa únicas. Com registro próximo do documental, de forma seca e direta, o longa apresenta cinco subtramas que mostram diferentes extratos do modo de operação da Camorra, do menino pobre recrutado nas ruas ao empresário corrupto que manipula licitações e sindicatos. Falado em dieleto, com muitos atores não-profissionais, Gomorra é como um convite ao expectador para que se acompanhe de perto a rotina da organização criminosa. Essa viagem não traz aquele tipo de ação estilizada e frenética comum ao gênero, tampouco personagens carismáticos que estimulem empatia. Sua contundência está justamente no retrato da rotina de aparente banalidade que alimenta e move essa rede de violência, que está social e culturalmente entranhada na comunidade napolitana. 

Confira os principais vencedores da Academia de Cinema Europeu.

Melhor filme: Gomorra

Melhor diretor: Matteo Garrone, por Gomorra

Melhor ator: Toni Servillo, por Gomorra e Il Divo

Melhor atriz: Kristin Scott Thomas, por Il y a Longtemps que Je T`aime

Melhor documentário: René, de Helena Trestikova (República Checa)

Melhor roteiro: Gomorra

Melhor fotografia: Gomorra

Prêmio honorífico pela carreira: Judi Dench, atriz

Prêmio honorífico pela contribuição ao cinema mundial: Lars voa Tirar, Thomas Vinterberg, Soren Kragh Jacobsen e Kristian Levring, diretores dinamarqueses que criaram o movimento estético Dogma 95

Prêmio da Crítica: O Segredo do Grão, de Abdellatif Kechiche

Prêmio do público: Harry Potter e a Ordem da Fênix, de David Yates

 

 

Postado por Marcelo Perrone

O chefão em sua plenitude

06 de dezembro de 2008 1

Todos prestam reverência a Don Corleone, magnífica representação de Marlon Brando

Depois de muito vai-não-vai, finalmente coloquei a mão na nova edição da caixa de O Poderoso Chefão, que traz as cópias restauradas dos dois primeiros filmes, a versão remasterizada do terceiro e mais um disco de extras inéditos. Como eu, quem tem o box anterior pode se perguntar: vale o investimento? Sinto muito, mas vale cada centavo – ao contrário de outras reedições, “director’s cut” e “versões definitivas” que, quase sempre, são caça-níqueis de cinéfilos apaixonados.
A nova caixa está disponível em três versões - uma só com os filmes, outra com mais o DVD de extras e uma terceira que traz ainda baralho e fichas para um carteado de pôquer no clima Grande Famiglia. A versão restaurada traz uma significativa melhoria na imagem, resultado de um meticuloso processo de recuperação dos negativos originais das partes 1 e 2, que estavam bastante deteriorados pelo excesso de exibições e cópias (e esses negativos foram a matriz da edição anterior em DVD). Percebe-agora mais claramente nuances da bela fotografia de Gordon Willis, como a paleta de cores puxando para o tom dourado e o preto de alto contraste nas cenas de interiores.
Como destaca o autor da obra-prima, Francis Ford Coppola, quem nunca assistiu aos filmes da trilogia no cinema à época do lançamento não pode dizer que os viu de fato. Somente agora, com as restaurações, com a melhor qualidade da reprodução pelo suporte digital e com televisores de tela grande em widescreen pode-se saborear essa obra-prima em sua plenitude. Você só conhece o filme pela exibição dublada na TV? Viu uma vez em VHS numa tela pequena? Parabéns, é um felizardo que ainda tem a chance de sentir pela primeira vez, próximo das condições ideais, uma das mais prazerosas experiências já proporcionadas pelo cinema.
Os extras inéditos são dos mais interessantes. Destaque para um documentário que fala da importância de O Poderoso Chefão para a cultura pop. Nele se tem uma divertida amostra das inúmeras citações a cenas e personagens da trilogia em filmes, seriados e comerciais, como Os Simpsons e Família Soprano. Pode-se ver ainda como foi o processo de restauração, um monte de personalidades reproduzindo falas e cenas antológicas e o velho impasse que divide admiradores como se fosse um Gre-Nal: qual é a melhor, a parte 1 ou a parte 2? Também se tem novas abordagens de bastidores e da conturbada produção do primeiro filme, que, por pouco, não saiu, mitologia que todo o fã conhece de cor mas nunca vai se cansar de rever.

Postado por Marcelo Perrone

Faça você mesmo

06 de dezembro de 2008 1

Se você já leu isso em outro lugar do site, não custa repetir já que a idéia, achamos nós, é bem bacana. No dia 19 de dezembro, estréia nos cinemas Rebobine, Por Favor, comédia estrelada por Jack Black. O filme tem como protagonistas dois funcionários de um pequena locadora de vídeo que, sem querer, desmagnetizam as fitas do acervo. Sem filmes para oferecer aos clientes, decidem eles mesmos fazer versões caseiras de grandes sucessos, como Robocop e 2001 — Uma Odisséia no Espaço. O resultado é tão tosco e divertido que as produções da dupla se tornam muito populares.
Para entrar no clima, ZH Online abre espaço para você mostrar sua criatividade e prestar homenagem a seu filme favorito. Use a imaginação, pegue uma câmera (vale qualquer uma, até a do celular) e envie seu trabalho com, no máximo, dois minutos de duração. Para fazer isso, acesse o endereço www.zerohora.com/videos e, na última opção do menu à esquerda, clique em "envie seu vídeo". É necessário fazer um cadastro.

O Segundo Caderno da próxima sexta-feira irá divulgar alguns desses pequenos grandes clássicos.

Confira abaixo um trailer do filme:

 

Postado por Marcelo Perrone

Melhores do ano

02 de dezembro de 2008 4

Reta final de 2008 e começam as eleições de melhores filmes da temporada. O jornal britânico Times não se mixou e fez logo uma lista com cem títulos, incluindo o brasileiro Linha de Passe, de Walter Salles. A lista (veja aqui)é bastante generosa no perfil das produções, vai dos blockbusters Batman – Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro aos documentários O Advogado do Terror e Um Táxi para a Escuridão, passando pelos musicais americanos High School Musical 3 e Mamma Mia! e longas premiados nos grandes festivais, como o romeno 4 meses, 3 semanas, 2 dias (é de 2007, mas estreou por lá, como aqui, em 2008), além de várias produções ainda inéditas no Brasil.

Mesmo em listas muito amplas dá para fazer o que é melhor nestas ocasiões: cornetear as omissões e apontar que diabos aquele filme ruim faz ali no meio. Em breve, vamos eleger aqui neste blog os nossos melhores do ano.

A lista do Times está em ordem alfabética e clicando em cada título pode-se ver a cotação em estrelinhas e um comentário sobre o mesmo. Pinçamos alguns filmes que já passaram por aqui e que também estão entre os nossos favoritos. Aproveite e nos mande a sua lista dos 10 mais de 2008.

Batman - O Cavaleiro das Trevas

Sangue Negro

4 meses, 3 semanas, 2 dias

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto

Queime Depois de Ler

O Escafandro e a Borboleta

Juno

Do Outro Lado

Kung Fu Panda

Zona do Crime

Linha de Passe

Três Vezes Amor

Meu Irmão é Filho Único

Onde os Fracos Não Têm Vez

Caos Calmo

No Vale das Sombras

Persépolis

Rolling Stones - Shine a Light

Em Busca da Vida

Um Táxi Para a Escuridão

O Advogado do Terror

Vicky Cristina Barcelona

Wall-E

XXY

Postado por Marcelo Perrone