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Posts de janeiro 2009

Oscar e Charles

31 de janeiro de 2009 0

A lista de injustiçados pelo Oscar, sabemos, é enorme e traz no alto o nome de Charles Chaplin, o inglês que ajudou, como criador e ator, a fazer com que o cinema deixasse de ser atração de feira para conquistar o mundo com o status de  grande arte. Para corrigir essas vergonhas, entregam de vez em quando o Oscar honorário. Chaplin ganhou o seu em 1972, em um dos momentos mais emocionantes da história da cerimônia, como você pode ver clicando AQUI (a imagem disponível no YouTube, por razões legais, não pode ser incorporada em outros sites).

Um ano depois, Chaplin ganharia um Oscar pela música de Luzes da Ribalta,filme de 1952 lançado em Los Angeles apenas em 1972. Chaplin há havia recebido uma outra estatueta de consolação em 1929, pelo conjunto de seu trabalho em O Circo (1928). Esnobado pela Academia, o gênio nunca abriu mão de suas convicções políticas humanistas, o que o levou a ser carimbado como um indesejável comunista – perseguição que, somada a imbróglios legais em sua vida pessoal, o fez abandonar os EUA em 1952. Voltaria a Hollywood somente 20 anos depois, para receber a estatueta. Chaplin morreu na Suíça, em 25 de dezembro de 1977, aos 88 anos.

Postado por Marcelo Perrone

Oscar e Marlon

29 de janeiro de 2009 0

Falando em Oscar, o YouTube (onde mais?) é um precioso arquivo para garimpar cerimônias passadas. Como essa, de 1955, que deu a Marlon Brando o prêmio de melhor ator por seu desempenho em Sindicato de Ladrões (1954) – uma das oito estatuetas recebidas pelo filme de Elia Kazan, incluindo melhor filme e direção – reparem no modelito da Bette Davis anunciando o colega.

Já na segunda vez que Brando foi premiado, por O Poderoso Chefão (1972), o astro deu o bolo e mandou em seu lugar para receber o Oscar, na festa realizada em 1973, a índia Sacheen Littlefeather, para protestar contra a disciminação de Hollywood aos nativos americanos. Mais tarde foi revelado que a tal índia , na verdade, era uma atriz de origem mexicana chamada Maria Cruz.
Acho que por determinação da Academia, estes vídeos não podem ser incorporados (“embebedados”) em outros sites. Mas dá para assisti-los clicando nos anos abaixo:

1955
1973

Postado por Marcelo Perrone

O Curioso Caso de Forrest Gump

29 de janeiro de 2009 0

Você já deve visto, lido e ouvido que O Curioso Caso de Benjamin Button “lembra” um pouco Forrest Gump, um tanto pelo fato de o roteirista, Eric Roth, ser o mesmo. Pois não é que o espirituoso site americano Funny or Die fez o teste e comprovou: é o mesmo filme. A sacanagem, além de muito bem feita, ficou bem divertida.

Postado por Marcelo Perrone

Reagende, por favor

29 de janeiro de 2009 1

Alguns posts atrás mostramos um calendário com as estreias dos concorrentes ao Oscar. De fato, estava meio esquisito o lançamento no dia 6 de fevereiro de um punhado desses títulos. As distribuidoras se deram conta que a concorrência ia ser braba e estão reagendando as estreias. Confira:

O Lutador, pelo qual Mickey Rourke concorre ao Oscar de melhor ator, já havia passado para o dia 13.

Milk, com Sean Penn, também na briga pela estatueta de melhor ator, ficou para o dia 20.

Gran Torino, do grande Clint Eastwood, belo filme esquecido pelo Oscar, foi jogado para mais longe, 20 de março, depois de Quem Quer Ser um Milionário?, que chega em 6 de março.

Estão mantidas para 6 de fevereiro, por enquanto, as estreias de Dúvida e O Leitor.

Postado por Marcelo Perrone

Bigodinho à Tarantino

28 de janeiro de 2009 2

Brad Pitt caça nazistas em /Reprodução


Repararam no bigodinho que o Brad Pitt anda exibindo nas festas de premiações pré-Oscar? Faz parte do visual de seu personagem no novo filme de Quentin Tarantino, Inglorious Basterds, cotado para ter première mundial no Festival de Cannes, em maio. Os fãs do cineasta americano já estão salivando, e o que se sabe do filme é de fato animador, literalmente. Ambientado na II Guerra, acompanha a missão de um esquadrão de elite do exército americano formado por militares judeus enviado à França ocupada para caçar e eliminar nazistas, com os requintes de crueldade à Tarantino. Pitt vive o tenente Aldo Raine, um dos líderes do esquadrão vingativo.

O elenco de Inglorious Basterds, aliás, é uma salada das mais inusitadas – que se não desandar tem tudo para ser saborosa: vai dos veteraníssimos Rod Taylor e Cloris Leachman à jovem Léa Seydoux, nova musa do cinema francês (aguardem A Bela Junie para ver essa gracinha), passando por representantes dos cinemas alemão (Daniel Brühl e Diane Kruger) e chinês (Meggie Cheung, a diva de Wong Kar Wai), além dos comediantes Mike Myers (em baixa há tempos) e B.J. Novak (em alta com o seriado The Office), mais narração de Samuel L. Jackson.

Quando o projeto foi anunciado, Tarantino falou que prestaria uma homenagem ao diretor italiano de filmes B Enzo G. Castellari, que tem como trabalho mais conhecido o faroeste espaguete Keoma (1976), com Franco Nero. Castellari cometeu em 1978 um filme de guerra chamado Quel Maledetto Treno Blindato – Inglorious Bastards em inglês e no Brasil batizado como O Expresso Blindado da SS Nazista. Isso fez muita gente achar que se tratava de uma refilmagem, mas é mesmo uma obra original de Tarantino, como sempre recheada com o melhor e o pior das referências alheias pinçadas por sua vasta cultura pop e cinéfila.

Abaixo, uma amostra do longa italiano. Sinopse: na II Guerra, militares aliados seguem para a corte marcial em um trem que é atacado pelos alemães e durante a fuga são perseguidos tanto por ex-companheiros quanto por nazistas. Esse material faz parte da promoção da edição especial em DVD lançada no ano passado, que traz nos extras um bate-papo entre Tarantino e Castellari.  Reparem que ele explica ao empolgado italiano que não faz bem um remake (será por isso a troca do A pelo E no Basterds do título em inglês?).

PS.: Enquanto isso, nem sinal por aqui de À Prova de Morte (Dead Proof), o longa anterior de Tarantino, que já foi tema deste blog em outras ocasiões (veja aqui) – se não rolar, sei lá por que cargas, digite “À Prova de Morte” no campo de pesquisa ao lado.

Segundo a distribuidora Europa Filmes, não existe sequer previsão de lançamento em DVD – lógico que o fãs do Tarantino já viram e reviram o filme, mas nem o temor de um fracasso de bilheteria justifica esse descaso, ainda mais com tantas bombas estreando semanalmente em salas desertas.

Postado por Marcelo Perrone

Na trilha da Índia

23 de janeiro de 2009 0


Dica musical para o fim de semana. Já circula na rede a trilha sonora de Slumdog Millionaire – ou, por aqui, Quem Quer Ser Um Milionário?. Quem assina a trilha é o compositor indiano Allah Rakha (ou A.R.) Rahman, que levou um merecido Globo de Ouro pelo trabalho, mas quem brilha é a britânica M.I.A. Nascida em Londres, a cantora faz um trabalho que combina eletrônica, reggae, ragga e dubs variados com influências multiculturais – sua família é do Sri Lanka. M.I.A ficou conhecida no Brasil pelas parcerias que fez com funkeiros cariocas – ela foi uma das atrações do Tim Festival de 2005.

A trilha de Slumdog Millionaire tem tudo para ser tão pop quanto o filme, a exemplo da dobradinha de outro longa de Danny Boyle, Trainspotting (1996). O tempero indiano em dubs pra lá de pulsantes traz canções tanto para cair na estrada quanto nas pistas das festas mais antenadas. Esqueça a trilha hindi-farofa para turista ver da novela e vá atrás dessa, com selo de qualidade garantido na origem.

Dicas de faixas: as duas versões de Paper Planes, Ringa Riga, Jai Ho e O… Saya, as duas últimas, por sinal, indicadas ao Oscar – como será que a caretice da festa vai reagir à execução ao vivo de músicas que não cheiram a naftalina, como de costume?

Postado por Marcelo Perrone

5 x 5 e... Marisa

22 de janeiro de 2009 0

Marisa Tomei em
Definidos os indicados ao Oscar sem maiores surpresas – eu não estava entre os que apostavam em Batman – O Cavaleiro das Trevas na lista de melhor filme, apesar de gostar do mesmo -, está aberta a bolsa de apostas. Mas como ainda nos falta ver O Leitor, vamos começar a dar nossos chutes em breve. Eu acreditava em O Lutador entre os cinco, mas creio que a indicação de Mickey Rourke a melhor ator fica agora mais fortalecida, já que também Darren Aronofsky ficou de fora entre os diretores. A briga no principal prêmio de interpretação é das mais equilibradas: Sean Penn achou o tom exato de seu personagem gay em Milk, e Frank Langella surpreende e emociona como o acuado Richard Nixon em Frost/Nixon.

Aliás, depois de duas premiações os cinco indicados a melhor filme voltam a fechar com a lista de melhor direção, o que satisfaz quem acredita que se o filme é bom é porque o diretor trabalhou bem. A lista de agora é só ver abaixo. Em 2006 concorreram Paul Haggis e Crash, Ang Lee e O Segredo de Brokeback Mountain, Steven Spileberg e Munique, George Clooney e Boa Noite e Boa Sorte, e Bennett Miller e Capote. Naquela ocasião, valeu a diplomacia e foi uma estatueta para cada lado: Crash e Ang Lee.

Bom, na verdade esse post que se alongou era uma desculpa para colocar a foto da Marisa Tomei, que concorre como atriz coadjuvante por O Lutador – ela é uma go-go girl que empresta o ombro amigo – e outras partes do corpão – ao derrotado personagem de Rourke. A exemplo do que fez em Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, Marisa brilha em tempo integral em seus poucos instantes diante da câmera, combinando talento dramático com a beleza e a sensualidade que parecem mais evidentes agora, aos 44 anos, do que no início da carreira que ela recolocou nos trilhos. Marisa já ganhou o Oscar da categoria, com Meu Primo Vinny, e foi indicada por Entre Quatro Paredes. Mas vai ser difícil bater Penélope Cruz, exuberante e divertida  em Vicky Cristina Barcelona.

Postado por Marcelo Perrone

Os indicados ao Oscar 2009

22 de janeiro de 2009 3

MELHOR FILME
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (em cartaz em Porto Alegre e em Florianópolis)
“Quem Quer Ser um Milionário?” (estreia em março, sem dia definido)
“Milk” (estreia em 6 de fevereiro)
“O Leitor” (estreia em 6 de fevereiro)
“Frost/Nixon” (estreia em 20 de fevereiro)

MELHOR DIRETOR
David Fincher (“O Curioso Caso de Benjamin Button”)
Danny Boyle (“Quem Quer Ser um Milionário?”)
Gus Van Sant (“Milk”)
Stephen Daldry (“O Leitor”)
Ron Howard (“Frost/Nixon”)

MELHOR ATRIZ
Angelina Jolie (“A Troca”, de Clint Eastwood)
Anne Hathaway (“O Casamento de Rachel”, de Jonathan Demme)
Melissa Leo (“Rio Congelado”, de Courtney Hunt)
Meryl Streep (“Dúvida”, de John Patrick Shaley)
Kate Winslet (“O Leitor”)

MELHOR ATOR
Frank Langella (“Frost/Nixon”)
Sean Penn (“Milk”)
Brad Pitt (“O Curioso Caso de Benjamin Button”)
Mickey Rourke (“O Lutador”, de Darren Aronofsky)
Richard Jenkins (“The Visitor”, de Thomas McCarthy)

ATRIZ COADJUVANTE
Penélope Cruz (“Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen)
Taraji P. Henson (“O Curioso Caso de Benjamin Button”)
Amy Adams (“Dúvida”)
Viola Davis (“Dúvida”)
Marisa Tomei (“O Lutador”)

ATOR COADJUVANTE
Heath Ledger (“Batman - O Cavaleiro das Trevas”, de Christopher Nolan)
Josh Brolin (“Milk”)
Robert Downey Jr. (“Trovão Tropical”, de Ben Stiller)
Philip Seymour Hoffman (“Dúvida”)
Michael Shannon (“Foi Apenas um Sonho”, de Sam Mendes)

ROTEIRO ORIGINAL
“Wall-E”, de Andrew Stanton (Andrew Stanton e Pete Docter)
“Milk” (Dustin Lance Black)
“Na Mira do Chefe”, de Martin McDonagh (Martin McDonagh)
“Simplesmente Feliz”, de Mike Leigh (Mike Leigh)
“Rio Congelado” (Courtney Hunt)

ROTEIRO ADAPTADO
“Frost/Nixon” (Peter Morgan)
“O Leitor” (David Hare)
“Dúvida” (John Patrick Stanley)
“Quem Quer Ser um Milionário?” (Simon Beaufoy)
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Eric Roth e Robin Swicord)

FOTOGRAFIA
“A Troca” (Tom Stern)
“Batman - O Cavaleiro das Trevas” (Wally Pfister)
“O Leitor” (Roger Deakins e Chris Menges)
“Quem Quer Ser um Milionário?” (Anthony Dod Mantle)
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Claudio Miranda)

MONTAGEM
“Batman - O Cavaleiro das Trevas” (Lee Smith)
“Frost/Nixon” (Daniel P. Hanley e Mike Hill)
“Milk” (Elliot Graham)
“Quem Quer Ser um Milionário?” (Chris Dickens)
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Angus Wall e Kirk Baxter)

DIREÇÃO DE ARTE
“A Duquesa”, de Saul Dibb (Michael Carlin e Rebecca Alleway)
“Foi Apenas um Sonho” (Kristi Zea e Debra Schutt)
“A Troca” (James Murakami e Gary Fettis)
“Batman - O Cavaleiro das Trevas” (Nathan Crowley e Peter Lando)
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Donald Burt e Victor Zolfo)

TRILHA SONORA
“Wall-E” (Thomas Newman)
“Defiance” (James Howard)
“Milk” (Danny Elfman)
“Quem Quer Ser um Milionário” (A.R. Rahrman)
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Alexandre Desplat)

MÚSICA
“Jai Ho”, de MIA e A.R. Rahman (“Quem Quer Ser um Milionário”)
“O Saya”, de MIA e A.R. Rahman (“Quem Quer Ser um Milionário”)
“Down to Earth”, de Peter Gabriel e Thomas Newman (“Wall-E”)

MAQUIAGEM
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Greg Cannom)
“Batman - O Cavaleiro das Trevas” (John Caglione Jr. e Conor O`Sullivan)
“Hellboy II”, de Guillermo del Toro (Mike Elizalde e Thomas Floutz)

FIGURINO
“Australia”, de Baz Luhrmann (Catherine Martin)
“A Duquesa” (Micheal O`Connor)
“Milk” (Danny Glicker)
“Foi Apenas um Sonho” (Albert Wolsky)
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Jacqueline West)

SOM
“O Curioso Caso de Benjamin Button”
“Quem Quer Ser um Milionário?”
“Wall-E”
“Batman - O Cavaleiro das Trevas”
“O Procurado”, de Timur Bekmambetov

EFEITOS SONOROS
“Batman - O Cavaleiro das Trevas”
“Quem Quer Ser um Milionário?”
“Wall-E”
“O Procurado”
“Iron Man”, de Jon Favreau

EFEITOS VISUAIS
“Iron Man”
“Batman - O Cavaleiro das Trevas”
“O Curioso Caso de Benjamin Button”

FILME ESTRANGEIRO
“Entre Paredes”, de Laurent Cantet (França)
“Revanche”, de Götz Spielman (Áustria)
“Okuribito”, de Iojiro Takita (Japão)
“Der Baader Meinhof Komplex”, de Uli Edel (Alemanha)
“Valsa com Bashir”, de Ari Folman (Israel)

Postado por Daniel Feix

A estratégia do choro

21 de janeiro de 2009 0

 

Divulgação/Fox

Uma reportagem assinada pelos colegas Patrícia Rocha e Marcelo Perrone (um dos titulares desde Primeira Fila) e publicada nesta quinta-feira na capa e na central do Segundo Caderno investiga os mecanismos de que o cinema lança mão para fazer o espectador se comover às lágrimas quando está assistindo a um filme. O gancho é o filme-programado-para-as-garotas-dizerem-uóóóóóo! Marley & Eu, baseado no best-seller de John Grogan e com Jennifer Aniston e Owen Wilson no elenco.

Uma das muitas fontes consultadas pela Patrícia para essa pauta foi o jornalista e pesquisador Stuart Walton, autor do livro Uma História das Emoções, publicado aqui no Brasil pela Record em 2007, e sobre o qual, se tiverem curiosidade, vocês podem ler mais neste post do blog de literatura deste que vos fala, o Mundo Livro.

Stuart Walton respondeu a três perguntas por e-mail. Como a íntegra da entrevista não pôde ser usada nas páginas do jornal, partilhamos com os leitores Primeira Fila:


Entrevista: Stuart Walton, historiador
No livro
Uma História das Emoções, o historiador e crítico cultural inglês Stuart Walton partiu de obras de artistas e filósofos do passado, como Beethoven e Schopenhauer, e até de elementos do universo pop, para examinar e contextualizar sentimentos como tristeza, felicidade, desgosto, medo e raiva e suas implicações. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Walton se detém a analisar o que há por trás dos filmes que levam às lágrimas no cinema.

Zero Hora — Qual o significado cultural de filmes que fazem as pessoas chorarem? Sentimos eventualmente a necessidade de experimentar dor e tristeza, ao menos aquela dor passageira e potencialmente inofensiva?
Stuart Walton —
Basicamente, se não sentimos dor, também não reconhecemos os momentos prazerosos. Muito da felicidade deriva do alívio de um período de infelicidade, que é o significado cultural por trás dos filmes trágicos e emocionais. Nós também necessitamos criar esses estados de desespero artificial como forma de suportar o desespero real, quando ele vem — um fenômeno atestado pelo grau em que, hoje, todos falam a linguagem dos roteiros de cinema em situações que pedem uma resposta emocional. Até no plano mais banal, isto se reflete no quase universal hábito entre britânicos de encerrar todas as conversas ao telefone com as palavras “Bye. Love you”.

ZH —  Além de méritos técnicos ou criativos, uma das razões para o sucesso de bilheteria de melodramas como Marley &Eu junto ao público seria justamente a possibilidade de dar vazão às lágrimas e experimentar uma pequena catarse no cinema?
Walton —
Essa ainda é uma verdade, e tem sido assim desde que isso foi primeiro sugerido por Aristóteles nos tempos do teatro grego clássico. Existe um elemento catártico em presenciar eventos trágicos retratados esteticamente. A maioria dos filmes de Hollywood e das novelas ainda mobiliza essa resposta. Por contraste, as lágrimas que derramamos e a dor que sentimos em tragédias reais — como a recusa do governo de Mianmar em permitir a ajuda humanitária depois da devastação causada por um ciclone e o conflito em Gaza — não serão aliviadas tão facilmente.

ZH — As pessoas estão mais propensas a chorar no cinema, compartilhando aquele momento com outros espectadores, do que em outras situações emocionantes que experimentam sozinhos, como ao ouvir uma música triste ou ler um livro tocante?
Walton —
É verdade que a resposta emocional pode ser solidariamente transmitida, como os filósofos sentimentais europeus do século 18 insistiam. Mas eu acredito que há outro tipo de articulação emocional que se expressa apenas na solidão, e que é em parte experimentada porque não haverá testemunhas. O filósofo alemão do século 19 Arthur Schopenhauer declara que todas expressões de luto são solidárias em essência. A respeito disso, é possível que, em um cinema cheio de pessoas chorando a morte de Leonardo DiCaprio em Titanic, cada membro da audiência esteja reagindo à cena individualmente. Pessoalmente, eu tendo a demonstrar menos as minhas emoções se perceber que todo mundo está se emocionando da mesma forma.

Postado por Carlos André Moreira

Antonio who?

20 de janeiro de 2009 0

O sujeito aí da foto é o Antonio Campos. Ele é cineasta e tem 25 anos. Nasceu em Nova York, filho de uma mãe de ascendência italiana e de um pai brasileiro – o jornalista Lucas Mendes, apresentador do programa de tevê Manhattan Connection. Realizador de alguns poucos curtas-metragens, ele estreou no longa em 2008, com Afterschool, filme apresentado na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes.

Afterschool ainda não tem distribuidora e por isso não estreou comercialmente sequer nos Estados Unidos, onde foi realizado. Mas tem uma sinopse pra lá de promissora: com seu celular, um garoto filma sem querer a morte trágica de duas irmãs no prestigiado internato onde estuda; o que as imagens revelam, e o uso que será feito delas, acaba por prejudicar o ambiente na instituição.

O filme tem chamado a atenção de parte da crítica, que o tem definido como um legítimo representante da “geração You Tube”. No mês passado, foi indicado a melhor título de diretor estreante no Independent Spirit Awards; este mês, teve anunciada sua exibição em uma mostra paralela do próximo Festival de Berlim.

O que mais chama a atenção, no entanto, e que motiva este post: Antonio Campos foi apontado na seleção dos “10 diretores para se prestar atenção” que a revista Variety publica todo início de temporada. Ele e, entre outros, o italiano Matteo Garrone, diretor de Gomorra. Ano passado, quem figurou na lista foi José Padilha, em grande parte pelo sucesso de Tropa de Elite em Berlim.

Aguardemos, pois, mais notícias de Afterschool e de Antonio Campos. Seguem uma descrição do filme pelo seu próprio autor, uma materiazinha de tevê em italiano sobre ele (sorry, foi o que encontrei) e um trailer do curiosíssimo Buy It Now – Virgin for Sale, um dos curtas de Campos. E, a seguir, o texto em inglês sobre o jovem realizador publicado pela Variety.

 

 

 

 

Antonio Campos admits that anyone who watches “Afterschool”, which premiered in Cannes` Un Certain Regard section last year, might assume that his intensely visual and disturbing film involving a 10th-grader armed with a video camera is autobiographical. “It is, in a way,” Campos says, “but I wasn`t in a video class nor did I ever discover two girls dead of drug overdoses like he does.”

The film is the writer-director`s long-gestating response to the emotions and experiences he had in the aftermath of Sept. 11 during his senior year in high school, which began with the death of a friend`s father in one of the Twin Towers and ended with another friend dying in a freak accident in Amsterdam.

“It was weird struggling with ideas of mortality at that age, but while they felt close, at the same time I was disconnected. I think that I reinterpreted this in film terms by capturing emotions, but with a certain visual distance on events,” he says.

With a Brazilian-born journalist father who encouraged the family to watch foreign and indie films and an Italian-American mother whose taste tended toward classical Hollywood, Campos thinks he received “the perfect balance of tastes and influences.” At 13, he told everyone he was 16 in order to make the cutoff for the New York Film Academy`s teen program, where he wrote his first short film, “Puberty.”

The budding helmer`s string of 14 shorts was capped with his formally inventive “Buy It Now”, which premiered in CineVegas in 2005 and won best short in Cannes` Cinefondation contest, earning Campos a coveted scholarship to the French festival`s annual artists` residence program.

“Tony started making films when most of us were riding skateboards,” says producing partner and fellow director Sean Durkin, who (with Campos and producer Josh Mond), formed Borderline Films soon after the trio met at NYU`s Tisch School of Arts. “I think that`s why he has such a strong artistic voice at an early age.”

Mond adds, “Tony has an honesty as a director and collaborator that most people can`t come close to, and he can express it.”

After serving as producer on Durkin`s first feature, provisionally titled “Martha Marcy May Marlene” and now in pre-production, Campos plans to shoot his next film, “Momma,” about a boy and his mother, near the end of 2009.

Postado por Daniel Feix

Tigre, dragão, capoeira e dendê

20 de janeiro de 2009 1

Eu ainda não tinha ouvido falar desse Besouro até receber um link para dar uma conferida no YouTube. Bom, vem a ser um filme brasileiro que investe em um gênero raro por aqui: a aventura de ação, pelo jeito realizada sem as restrições orçamentárias de costume. O longa de João Daniel Tikhomiroff, diretor de publicidade multipremiado em Cannes, conta a historia real de Besouro Mangangá, capoeirista baiano do começo do século 20 que virou lenda por sua destreza e bravura e pela fama de ter o “corpo fechado”.

Com apoio da Globo Filmes e da Disney, Besouro foi rodado na Bahia e tem na sua equipe técnica dois experientes profissionais, o chinês Huen Chiu-Ku, responsável pelas cenas e coreografias de lutas de filmes como O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, e Kill Bill, de Quentin Tarantino, e o diretor de fotografia equatoriano Enrique Chediak, de Extermínio 2, entre outros.

Dá uma olhada neste filme promocional, com narração em inglês, já que é para apresentar o projeto no Exterior. Veja mais detalhes no Blog do Besouro.

Postado por Marcelo Perrone

Estamos fora, de novo

13 de janeiro de 2009 4

Última Parada: 174 está fora da disputa do Oscar de filme estrangeiro. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou esta tarde os nove longas pré-selecionados – os cinco finalistas serão conhecidos no próximo dia 22, junto com os demais candidatos às estatuetas.

Se a presença do filme do brasileiro Bruno Barreto era incerta ou, melhor, pouco provável, causou surpresa a ausência do italiano Gomorra, que já era apontado até como favorito – mais ou menos o mesmo que ocorreu no ano passado com a animação francesa Persépolis.

Assim, está aberto o caminho para a animação israelense Valsa com Bashir (ver post abaixo), de Ari Folman, vencedor do Globo de Ouro na categoria. Além deste, estão no páreo outros títulos badalados, como dois vencedores do Festival de Cannes, o francês Entre os Muros, ganhador da Palma de Ouro, e o turco 3 Monkeys, que deu a Nuri Bilge Ceylan o troféu de melhor diretor.

Confira os nove pré-selecionados:

The Baader Meinhof Complex, de Uli Edel (Alemanha)
Revanche, de Gotz Spielmann (Áustria)
The Necessities of Life, de Benoit Pilon (Canadá)
Entre os Muros, de Laurent Cantet (França)
Valsa com Bashir, de Ari Folman (Israel)
Departures, de Yojiro Takita (Japão)
Arráncame La Vida, de Roberto Sneider (México)
Everlasting Moments, de Jan Troell (Suécia)
3 Monkeys, de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)

Postado por Marcelo Perrone

Os favoritos da crítica rumo ao Oscar

13 de janeiro de 2009 1

Se o Globo de Ouro já deu uma idéia de quem pode figurar nas indicações ao Oscar, a serem anunciadas no próximo dia 22, outras premiações ajudam a passar o pente fino nas listas.

O site IMDb traz uma prancheta atualizada com os vencedores das principais associações de críticos dos Estados Unidos. Veja AQUI. Dá pra ver, por exemplo, que Sean Penn e Mickey Rourke devem protagonizar a briga pela estatueta de melhor ator – mas o bom e velho Clint Eastwood foi o eleito da prestigiada National Board of Review.

Nas próximas semanas estarão no site também as premiações das associações de diretores, atores, roteiristas e produtores. 

Postado por Marcelo Perrone

A valsa e o Oscar

12 de janeiro de 2009 0

Animação israelense aborda Guerra do Líbano nos anos 80

Falando em Globo de Ouro, está prevista para 10 de abril a estreia no Brasil do longa israelense Waltz with Bashir, o vencedor, domingo, da categoria filme em língua estrangeira – o italiano Gomorra era apontado como favorito.

Indicado por Israel a disputar uma vaga no Oscar da categoria, Waltz with Bashir, de Ari Folman, traz algumas semelhanças com o longa francês Persépolis. A exemplo deste, é um desenho animado inspirado nas memórias da juventude de seu autor diante de um período de conflito armado e transformações políticas - no caso de Persépolis, a revolução fundamentalista de 1979 no Irã e, em Waltz with Bashir, a Guerra do Líbano na década de 1980, reconstituída por Folman a partir de fragmentos de lembranças suas e de ex-companheiros do exército israelense.

Em seu discurso ao receber o Globo de Ouro, o cineasta evitou comentar diretamente o conflito em curso na Faixa de Gaza, dizendo ter esperança de que um dia imagens de batalhas fossem vistas somente em videogames.

Bom, resta saber agora se a Academia de Hollywood vai repetir com Waltz with Bashir a mesma confusão que fez no ano passado com Persépolis. Ao não credenciar o longa francês ao Oscar de filme estrangeiro (nada contra, é do jogo), arrumou uma vaga para ele entre os indicados em animação, concorrendo com Tá dando Onda e Ratatouille, o vencedor.

Repetir o mico seria jogar agora o longa israelense para competir com Wall-E e Kung Fu Panda. Não teria cabimento. A animação de Waltz with Bashir é mais um recurso de linguagem do que uma incursão no gênero propriamente dito. E isso não tem nada a ver com distinção entre temática “séria” e entretenimento para a garotada, visto que Wall-E , por exemplo, é uma obra-prima para todas as idades que oferece ao mesmo tempo um leitura densa e divertida.

Confira o trailer de Waltz with Bashir:

Postado por marcelo Perrone

Eles estão chegando

12 de janeiro de 2009 2


Os cinéfilos que aguardam ansiosos a chegada ao Brasil dos filmes que figuram nas principais premiações da temporada podem ir se animando. Sexta agora já estréia O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, filme que acabou esquecido na festa de ontem do Globo de Ouro. Pelo papel do um homem que nasce com 80 anos e começa rejuvenescer até morrer, Brad Pitt mantém as esperanças de ser indicado ao Oscar. No dia 30, chega Foi apenas um Sonho, de Sam Mendes. Kate Winslet garantiu seu Globo de Ouro e ruma como favorita ao Oscar. Já seu parceiro de cena, Leonardo DiCaprio, ficou de mãos abanando _ embora ele esteja muito bem neste drama sobre um casal dos anos 50 que vive uma crise em meio à frustração por sonhos deixados para trás.

Curiosamente, a sensação indie da vez, Slumdog Millionaire, o grande vencedor do Globo de Ouro, ficou só para março, informa a distribuidora Europa Filmes.

Mas anote na agenda. A sexta-feira gorda será em 6 de fevereiro. Neste dia estão agendadas as estreias (em Porto Alegre também, rezemos) dos seguintes filmes:

Dúvida, drama em que o diretor estreante John Patrick Shanley dirige seu próprio texto teatral, com os sempre excelentes Meryl Streep (indicada ao Globo de Ouro pelo papel) e Philip Seymour Hoffman - ela como uma freira que denuncia o padre vivido por ele pelo abuso sexual de um menino negro. Ah, e tem ainda a gracinha Amy Adams (a princesa ruiva de Encantada).

Gran Torino, do cada vez melhor Clint Eastwood. Já viram o excelente A Troca? Pois nesse o mestre acerta outra vez a mão, também como ator. Ele interpreta um veterano de guerra viúvo levado a agir como xerife do bairro barra pesada em que vive. Combina o Eastwood durão dos velhos tempos com um olhar melancólico sobre a velhice, a solidão e a degradação moral da sociedade contemporânea. 

Milk – A Voz da Igualdade, de Gus Van Sant, com Sean Penn. Reunião de dois nomes reverenciados do cinema autoral. Penn, quando acerta o tom, é um ator excepcional. É o caso deste longa biográfico em que vive Harvey Milk, militante gay que deu início a uma polêmica e histórica carreira política na cidade de San Francisco dos anos 1970.

The Reader, de Stephen Daldry. O diretor de Billy Elliot e As Horas conta com Kate Winslet e Ralph Fiennes neste drama romântico ambientado nas cinzas ainda quentes da II Guerra. Kate ganhou o Globo de Ouro de atriz coadjuvante.

O Lutador. Depois do visceral e estiloso Réquiem para um Sonho, Darren Aronofsky escorregou no romantismo de autoajuda com A Fonte. Em sua volta por cima o diretor ressuscita a carreira de Mickey Rourke, o ex-galã dos anos 80 que mesmo sem ser um grande ator viveu momentos marcantes em obras como O Selvagem da Motocicleta, O Ano do Dragão, 9 e meia Semanas de Amor e Coração Satânico. Depois de anos dedicado ao boxe e com a vida pessoal no fundo do poço e do copo, Rourke ressurge como Randy “The Ram”, decadente astro de luta livre dos anos 80 que agora toca sua vidinha besta “white trash” em meio às lembranças dos dias de glória, ao interesse em uma dançarina (Marisa Tomei) e à busca pelo entendimento com a filha que mal conhece (Evan Rachel Wood). O filme ganhou o prestigado Leão de Ouro em Veneza, e Rourke, depois do Globo de Ouro no domingo, segue bem no páreo para o Oscar. O tom autobiogáfico que o ator empresta ao personagem torna o longa ainda mais interessante e comovente.

Postado por Marcelo Perrone