Além dos meus favoritos, das preferências pessoais, a lista a seguir tem alguns palpites para prováveis vencedores da cerimônia que será realizada no domingo.
São, como o termo indica, meros palpites, porém todos têm embasamento - algumas apostas se justificam pelo que indicaram os prêmios prévios, outras pela própria composição da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
Um exemplo é minha crença de que Sean Penn e Meryl Streep são dois favoritos para levar as estatuetas de melhor ator e melhor atriz: foram eles os vencedores das duas categorias no SAG Awards, o prêmio do sindicato dos atores de Hollywood, e entre os 6 mil integrantes da academia há muito mais representantes deste sindicato do que do sindicato dos produtores, dos roteiristas e dos diretores; ou seja, basta que aqueles que votaram no SAG Awards repitam seus votos no Oscar para que Penn e Meryl já saiam na frente de seus concorrentes.
Embora, no caso das categorias de interpretação, existam outros fatores a serem relevados. Um deles: Mickey Rourke e Frank Langella têm aquelas que talvez sejam suas maiores, para não dizer suas únicas chances de ganhar o prêmio. E Kate Winslet finalmente se afirmou como a grande atriz de sua geração. Dar um Oscar a ela, ainda mais que ela ainda não ganhou o seu primeiro, a esta altura, certamente tem uma certa urgência para a academia.
Isso tudo, sem dúvida nenhuma, pesa muito quando se trata de Oscar - e não pesa nada quando se trata de SAG Awards, de eleições de outros sindicatos ou de qualquer premiação concedida pela crítica.
Enfim, chega de delongas. Aí vai:
MELHOR FILME/DIREÇÃO
Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle, que levou todos os prêmios prévios, só não leva o Oscar se os integrantes da academia tiveram um surto de medo na hora de enviar seus votos e preferiram uma atitude mais conservadora. Até alguns anos atrás isso era algo não apenas possível, mas comum - dar prêmio de sindicato para filmes menos caretas é fácil; dar o Oscar, nem tanto. Mas agora que, entre outros exemplos, Onde os Fracos Não Têm Vez faturou no ano passado, a coisa parece ter mudado um pouquinho. Premiar O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, por mais que o filme tenha méritos, seria um retrocesso.
Minhas preferências pessoais seriam Gran Torino, de Clint Eastwood, e O Lutador, de Darren Aronofsky, que mereciam no mínimo ser lembrados. Aliás, Batman - O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, é outro que deveria ter sido indicado - é mais filme do que pelo menos dois dos finalistas. Mas, com Milionário, se o filme de Boyle realmente levar, o Oscar estará em boas mãos.
MELHOR ATOR
Pelos argumentos já expostos, Sean Penn, de Milk, surge como favorito, talvez no mesmo nível que Mickey Rourke. Vou torcer por este último - sua performance em O Lutador, pelo menos para mim, é absolutamente comovente. Agora, analisando friamente, Frank Langella é o cara. Seu trabalho de composição de Richard Nixon em Frost/Nixon é mais cerebral - o que talvez o afaste do Oscar - e, por isso mesmo, mais complexo. Superior.
MELHOR ATRIZ
Aqui estou prejudicado, pois não vi Anne Hathaway em O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme. Ao que tudo indica, no entanto, ela corre por fora - quem desponta com mais chances, também pelos motivos já expostos lá em cima, são Kate Winslet (O Leitor, de Stephen Daldry) e Mery Streep (Dúvida, de John Patrick Shanley). Eu daria o prêmio, e acho que a academia o fará, à primeira. Acho que é a hora de Kate.
ATOR COADJUVANTE
Sou fã da performance de Josh Brolin como o algoz de Harvey Milk no filme de Gus Van Sant, mas aqui não tem pra ninguém. É barbada: Heath Ledger. Seu Coringa em Batman é um dos maiores vilões de todos os tempos. Uma interpretação antológica. Inalcançável. Imaginar que ele levará apenas porque a academia faria uma homenagem póstuma é de uma injustiça do tamanho do lucro que deu o filme de Nolan.
ATRIZ COADJUVANTE
Penélope! Assim como no caso de Mickey Rourke, nesta categoria também não resisto a torcer por alguém - Penélope Cruz. Em Volver, de Pedro Almodóvar, ela já fez meio mundo se dobrar - e queimar a língua -, mas em Vicky Cristina Barcelona a espanhol se superou: o filme muda radicalmente com a sua entrada em cena. Exagerando: Scarlett Johansson até fica meio sem graça... por culpa de Penélope. Também sou fã da performance de Marisa Tomei em O Lutador (o que não é acima da média esse filme?), embora se comente que Taraji P. Henson, a mãe de Benjamin Button, tenha um tantinho mais de chance. Será?
ROTEIRO ORIGINAL
Milk ganhou o prêmio do sindicato dos roteiristas, mas, sinceramente, para quem acabou de fazer Paranoid Park, o diretor Van Sant não poderia ter ousado um pouco mais? Se não o fez, muito se deve ao roteiro. É o favorito, mas não o meu preferido. Rio Congelado e Simplesmente Feliz, que não vi, correm por fora, juntamente com Na Mira do Chefe. Entretanto, não seria surpresa se Wall-E beliscasse algo nesta categoria. Não sei, mas essa animação já levou diversas distinções - talvez no Oscar também saia com algo mais do que o prêmio de melhor animação. Quem sabe não seja roteiro original?
Eu daria o prêmio ao primeiro longa dos irmãos Coen depois da estatueta recebida no ano passado - Queime Depois de Ler, filmaço que por sinal foi completamente ignorado pela academia. Mas acho que uma surpresa como Wall-E, para lembrar que a confecção de um roteiro oferece infinitas possibilidades, seria muito bem-vinda. Agora, quanto a Milk... Sou contra.
ROTEIRO ADAPTADO
Uma das categorias de mais difícil previsão. Meu favorito é Frost/Nixon, de Ron Howard, mas tenho O Leitor na mesma conta. São duas adaptações muito interessantes - revelam visão privilegiada de seus autores sobre as possibilidades da linguagem do cinema, mesmo trabalhando a partir de uma peça teatral, no caso do filme de Howard, e com um best-seller literário, no caso do filme de Daldry. Se no entanto tivesse que apontar uma tendência, pelos prêmios prévios, pela recepção dos integrantes da academia etc., apontaria Quem Quer Ser um Milionário?. O Curioso Caso de Benjamin Button, minha última opção, talvez seja o segundo com mais chances.
OUTRAS CATEGORIAS
Acho que Batman - O Cavaleiro das Trevas e O Curioso Caso de Benjamin Button vão, merecidamente, dividir a maior parte dos prêmios técnicos - montagem e categorias de som para o primeiro, direção de arte e maquiagem para o segundo etc. Mas não me surpreenderia ver A Troca, belo melodrama de época de Clint Eastwood, abocanhando alguma(s) estatueta(s). Talvez apareça um Oscar de montagem para Quem Quer Ser um Milionário? ou Frost/Nixon, uma estatueta de direção de arte para Foi Apenas um Sonho, de Sam Mendes, entre outras surpresas, mas Batman e Benjamin Button têm chances de empilharem distinções justamente nessas categorias.
Com justiça, a melhor animação será Wall-E, apesar da ótima qualidade de Kung Fu Panda e Bolt - Supercão. Já em trilha sonora, as chances maiores são dos dois concorrentes que bisam suas indicações na categoria música: Wall-E e Milionário. Em som, edição de som e efeitos sonoros, a tendência, também com justiça, é que Batman saia premiado.
Porque este ano a festa coincidiu com o Carnaval, no Brasil o Oscar não será transmitido pela tevê aberta. Para quem quiser conferir a cerimônia, a pedida é o canal pago TNT. O tapete vermelho terá cobertura do E!.
Postado por Daniel Feix




