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Posts de março 2009

Eu não aguento mais

30 de março de 2009 8

A capa do Segundo Caderno de hoje traz a reportagem do Gustavo Brigatti sobre pessoas que, pelas mais diversas e justas razões, largam um filme pelo meio e lamentam aqueles preciosos minutos de vida perdidos diante da tela.

Confesso que sou daqueles que resistem até o fim, mesmo diante da maior bomba. Largo de lado um livro que não me prende nas primeiras páginas, pulo de faixa quando a música não bate bem nos ouvidos, mas, sei lá por que, com filmes – e peças de teatro -, mesmo diante do desconforto, eu aguento até o fim. No máximo, desligo o cérebro para pensar em outras coisas ou tirar um cochlilo. Resisto a pretensiosas chatices, a comédias sem graça, a aventuras modorrrentas, a violência de virar o estômago, a romances broxantes… 

A regra é clara: se nos primeiros 20/30minutos você não estiver dentro do filme, e gostando do que vê, é pouco provável que a viagem ficará agradável a ponto de se embarcar nela. Já no DVD, como também tenho de ver muita coisa ruim por dever de ofício, costumo ir apertando o FF ou ir direto para os minutos finais.

E você, é dos que aguentam firme o suplício ou picam a mula antes de ficar se revirando na cadeira? Quais filmes já lhe fizeram dizer “Eu não aguento mais, fui” ?

 

Para estimular a participação de vocês, segue o relato do nosso chapa Ticiano Osório, que não aguentou até o fim The Spirit - O Filme.

 

“Saí no meio de The Spirit. E não fui só eu – antes, houve uma verdadeira debandada. Quem estava no Cinesystem na última terça, na sessão das 19h45min, pode confirmar.

Mas minha confissão ganha peso não só porque sou um dos sujeitos que escrevem sobre cinema em ZH, mas sobretudo porque quem já me leu o suficiente sabe o quanto sou fã de super-heróis. E, em The Spirit, eu estava diante de dois autores geniais, o finado Will Eisner, criador do detetive mascarado nos anos 1940, e Frank Miller, “o” autor americano da década de 1980.

Mas, com 20, 25 minutos de filme, o impulso de levantar da cadeira tornou-se irresistível. Me aborreci tremendamente com o excesso de violência, a atuação ridícula do Samuel L. Jackson, a estética repetida de Sin City (do qual eu gosto muito) – enfim, o total desvirtuamento do espírito das HQs de Eisner. Na verdade, essa adaptação não tinha mesmo como dar certo. Miller, nos últimos tempos, vem pesando a mão em suas histórias – nem parece o cara daquela memorável fase do Demolidor - , enquanto The Spirit, o gibi, era de um lirismo só.

Uma dica: procure assistir ao curta em preto-e-branco Geraldo Voador. O diretor Bruno Vianna transportou para as favelas cariocas uma das mais tocantes aventuras do personagem. E conseguiu ser, ao mesmo tempo, mais ousado e mais fiel do que Miller.

   

Postado por Marcelo Perrone

Meia estrela

26 de março de 2009 5

Há um bordão usado por toda a equipe de cultura e variedades de ZH quando alguém levanta um assunto absolutamente irrelevante. “Importantíssimo para a editoria de cinema”, diz-se na redação, para ironizar o infeliz que estiver propondo tal assunto.

Vou me abster de comentar a origem da brincadeira – até porque o episódio não tem graça - para ir direto ao ponto: o Segundo Caderno desta sexta-feira inaugura algo que, bem, é definitivamente importantíssimo para a editoria de cinema.

Falo da meia estrela que passará a vigorar nas cotações dos filmes em cartaz – e também em quaisquer outras avaliações que o suplemento publicar, daqui para a frente, abordando produções de cinema, livros, discos, peças de teatro etc.

Quem vê de fora não sabe como vinha sendo árduo, até aqui, decidir se um filme ficaria com duas ou três estrelas quando na verdade, depois de muitas conversas, debates intensos, acalorados, intermináveis, chegamos à conclusão que ele valia exatamente, precisamente 2,5…

Queime Depois de Ler, dos irmãos Coen, e Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle, por exemplo, agora sairão no roteiro de cinema de ZH acompanhados de meia estrela a menos – o Milk de Gus Van Sant, em compensação, sairá com meia a mais.

Talvez fique até mais difícil decidir as cotações daqui para a frente. Nossa sensação neste exato momento, no entanto, é de regozijo. É de que o futuro pode ser melhor do que o passado. Enfim. O que importa, no final das contas, é que se trata de algo importantíssimo para a editoria de cinema.

Postado por Daniel Feix

Annie Leibovitz no set

24 de março de 2009 0


A edição de março da revista americana Vanity Fair apresentou o ensaio que a célebre fotógrafa Annie Leibovitz fez com protagonistas e diretores de alguns dos filmes mais badalados da temporada.

As fotos já circularam bastante, mas aqui vai o making of das sessões com Mickey Rourke e Darren Aronofsky (O Lutador), Dev Patel e Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário?), Nicole Kidman e Baz Luhrmann (Austrália) e Kate Winslet e o maridão Sam Mendes (Foi Apenas um Sonho).

Postado por Marcelo Perrone

Que seja um lugar marcado pela educação

22 de março de 2009 2

Quem acha que já viu de tudo em termos de “polêmicas” que volta e meia brotam naquele fértil cantinho provinciano de Porto Alegre, essa agora, em torno do lugares marcados nos cinemas, é de lascar. Dá uma olhada no blog ZH Zona Sul para ficar por dentro e ver como o tema mobilizou mais de uma centena de comentários – além de render uma matéria na ZH de papel de sábado e outra no Segundo Caderno desta segunda.

Ingresso com lugar marcado no cinema, sistema disponível nos novos complexos das redes Cinemark (no BarraShopping) e do GNC (no Iguatemi), é um adicional para o conforto do espectador. E pelo que se vê nas reclamações de quem não aprovou a novidade, é menos um problema do sistema e mais um estranhamento do público diante da opção de escolher o lugar ideal na tela colorida – prática que, tanto para os funcionários dos cinemas quanto para o consumidor, se por vezes ainda possa implicar em tempo a mais na fila, deve ser azeitada até virar rotina. (parênteses: tem gente que chega na bilheteria em cima da hora, sem saber ao que quer assistir, fica perguntando sobre opções, horários,descontos, etc, sem contar que deixa para procurar a carteira só depois de o bilheteiro dizer o valor. Aí é dose). E quem não gostar da novidade, convenhamos, a cidade tem dezenas de outras salas com o sistema tradicional.

 

Por prazer e dever profissional vou ao cinema da Capital com assiduidade em variados dias da semana. Ainda não tive nenhum problema nessas salas com lugar marcado. Acho que o sistema tem uma grande vantagem: permitir que se entre na sala mais próximo de o filme começar, sem precisar encarar filas (longas no caso de títulos concorridos) e sem aturar 15 minutos de comerciais.

Mas prefiro o sistema convencional. A razão principal, além do hábito, é poder mudar de lugar quando: 1) um gigante sentar bem na poltrona da frente (e eles sempre escolhem ficar diante da nossa); 2) fugir para longe de chatos que conversam e de gente que gosta de comer e beber na sala, compartilhando conosco  ruídos e cheiros de sua inoportuna refeição. Quem já passou por esses inconvenientes sabe bem como é um alívio ter uma alternativa de fuga da barbárie.

 

Não sei quanto a vocês, mas acho muito mais relevante uma cruzada contra a crescente falta de educação dentro da sala escura. Prefiro encarar fila do que compartilhar um prazer com gente sem a menor noção de civilidade, que se comporta dentro do cinema como se estivesse numa mesa de bar, conversando, falando ao celular, comendo, bebendo, circulando… Com lugar marcado ou não, essa horda parece cada vez mais numerosa.

Postado por Marcelo Perrone

Smoking e óculos 3D

21 de março de 2009 0

     Aqui, neste blog, já havíamos falado da coincidência em outubro passado (clique aqui e leia o post): o próximo projeto da Disney/Pixar conta a história de um velhinho que resolve fazer uma longa viagem carregado por balões coloridos – mais ou menos como aconteceu no afamado caso do padre brasileiro, ano passado, com a diferença de que no cinema, provavelmente, o desfecho do episódio seja menos trágico.
     Pois Up, título do filme, que está anunciado para estrear no circuito norte-americano no dia 29 de maio e, no brasileiro, em 4 de setembro, vai fazer história. O longa, que terá a direção de Peter Docter (diretor de Monstros S.A. e roteirista de Toy Story e Wall-E), foi anunciado esta semana como o filme de abertura do Festival de Cannes 2009, que será realizado a partir de 13 de maio.
     Será a primeira vez que uma animação em 3D (sim, o filme será lançado em 3D) abrirá um dos grandes festivais de cinema do mundo, tradicional palco para o cinema autoral e para as cinematografias, digamos, alternativas.
     Como nem sempre o longa de abertura do evento concorre ao prêmio principal, no caso a Palma de Ouro, outras produções de Hollywood já deram início à programação desses festivais. A novidade é que se trata de um desenho animado, e em 3D – o que significa que o figurino de astros e estrelas, nessas ocasiões smokings e vestidos glamourosos, terá de ser complementado com uma peça extra obrigatória, o óculos especial para ver os filmes em 3D.
     Aqui, o trailer de Up:

Postado por Daniel Feix

Paêbirú!

16 de março de 2009 0

Aqui vão mais algumas informações e dois vídeos que dão uma ideia um pouquinho melhor do documentário Nas Paredes da Pedra Encantada, que o Cristiano Bastos e o Leonardo Bomfim estão montando em Porto Alegre.

O filme - se você leu a capa do Segundo Caderno da ZH de hoje sabe do que se trata – vai resgatar o processo de criação do disco Paêbirú, que os então jovens Zé Ramalho e Lula Côrtes lançaram em 1974.

Trata-se, segundo Bastos e Bomfim, do vinil mais caro do país, avaliado em cerca de R$ 4 mil - só existem 300 cópias do LP original; o restante foi perdido depois da grande enchente que inundou o Recife em 1975.

O nome do álbum faz alusão a uma pedreira localizada entre a capital pernambucana e João Pessoa (PB), por onde passava uma trilha indígena pré-histórica que, conforme os arqueólogos, ligava o litoral brasileiro às montanhas peruanas habitadas pelos Incas (“paêbirú” é uma corruptela de “apé biru”, ou, “caminho do Peru”).

Pois bem. Aos vídeos.

Primeiro, o teaser do filme, com o Lula Côrtes (figuraça!) fazendo às vezes de guia da equipe na expedição pelo sertão paraibano:

 

 

E, agora, um raro momento em que Zé Ramalho e o próprio Lula Côrtes aparecem tocando juntos à época. Os dois e o Alceu Valença, numa performance inspiradíssima da espetacular Vou Danado pra Catende, de Valença, em 1975 (da esquerda para a direita, na linha de frente da banda, Zé, Alceu e Lula):

 

 

Tem mais dados sobre Nas Paredes da Pedra Encantada no blog sobre o filme, mantido por Bastos e Bomfim (acesse clicando aqui).

E, também, no blog pessoal do Cristiano Bastos (clique aqui), onde ele compila as reportagens que saíram sobre o filme e sobre o disco, inclusive a – excelente - que ele próprio escreveu sobre a viagem de Paêbirú para a Rolling Stone.

Pela amostra que se tem, e pelo que vi na mesa de montagem, o filme tem tudo para ficar beeem interessante. É esperar e conferir.

Postado por Daniel Feix

Os destaques do Festival de Verão de Cinema

11 de março de 2009 1

Cena de 3 Macacos/Imovision, Divulgação

A quinta edição do Festival de Verão do RS de Cinema Internacional está maior e melhor, com 120 filmes de diferentes países que estarão se revezando em cinco pontos de Capital, a partir desta sexta-feira: Casa de Cultura Mario Quintana, Sala. P.F. Gastal, Cine Santander, CineBancários e Unibanco Arteplex. Dar conta da extensa programação exige sacrifício e planejamento - e aceitar a dura realidade de saber que, entre as agradáveis surpresas, muita coisa boa vai ficar de fora e certas escolhas podem se revelar uma frustrante perda de tempo e dinheiro. Faz parte.

Listamos abaixo alguns títulos que podem valer o ingresso, entre os já vistos por nós em outros festivais e alguns recomendados a partir de resenhas favoráveis. Quem quiser uma opção mais radical, buscando filmes que dificilmente chegarão ao circuito brasileiro, pode optar pelas mostras temáticas dedicadas às cinematografias da África e de países como Finlândia, Canadá e Portugal - além de seções dedicadas à produção contemporânea da França, da Argentina e da Alemanha.

Essa programação (com dias, locais e horários das sessões), além das atrações paralelas, como sessões comentadas e workshops gratuitos, pode ser acompanhada aqui ou no site oficial do festival. Maiores informações pelo telefone (51) 3019-4881.

Foto: Imovision, Divulgação

3 Macacos (Turquia/França/Itália, 2008, 109`). Filme ganhador do prêmio de melhor direção em Cannes, para Nuri Bilge Ceylan. O título faz referência à imagem-símbolo dos três macacos que nada falam, ouvem e escutam. Um político atropela e mata uma pessoa, sem prestar socorro. Para evitar um escândalo, convence seu motorista a assumir o crime, em troca de uma recompensa em dinheiro e a garantia do sustento da mulher e filho deste - conexão essa que dá início a um processo de desintegração moral dos envolvidos.

 

Foto: Bananeira Filmes, Divulgação

 

A Festa da Menina Morta (Brasil, 2008, 115`). Promissora estreia na direção do grande ator Matheus Nachtergaele, carregada de som e fúria e com um pé no sagrado e outro no profano. O filme, que teve première em Cannes, provocou polêmica por conta de uma cena de sexo entre os personagens de Jackson Antunes e Daniel de Oliveira, que vivem pai e filho. Oliveira é Santinho, jovem perturbado com fama de milagreiro que é adorado em uma pequena comunidade ribeirinha da região Amazônica. As atuações viscerais do elenco, que segue uma rigorosa marcação cênica - imposta pelo DNA teatral do realizador -, se destacam junto à belíssima fotografia de Lula Carvalho, premiado no Festival de Gramado, assim como a arrebatadora interpretação de Daniel de Oliveira.

 

Foto: Paris Filmes, Divulgação

 

A Garota Ideal (Lars and the Real Girl, EUA, 2007, 106`). Família disfuncional e personagens esquisitos se tornaram clichês recorrentes do cinema independente americano. Em sua estreia na direção, Craig Gillespie tenta sair do lugar-comum ao encenar a relação obsessiva de um rapaz introvertido (Ryan Gosling) com uma boneca inflável. Tão bizarro como ele tratar o ser de borracha como sua namorada real, com direito a paixão, brigas e crises, é sua família e amigos aceitarem o “namoro” com resignada naturalidade.

 

Foto: Imovision, Divulgação

A Princesa de Nebraska (The Princess of Nebraska, EUA, 2008, 77`). O diretor chinês Wayne Wang, nascido em Hong Kong, ficou conhecido no circuito internacional com Cortina de Fumaça, filme que realizou em parceria com o escritor americano Paul Auster. A Princesa de Nebraska mostra a saga de uma jovem nascida nos EUA que vai viver na China, onde se envolve em uma série de conflitos e desencontros afetivos e amorosos.

Anabazys (Brasil, 2007, 142`). Documentário que acompanha os bastidores da realização e da recepção ao filme A Idade da Terra (1980), obra-testamento de Glauber Rocha. A persona genial, inquieta, polêmica e contraditória do cineasta baiano é radiografada por Paloma Rocha, sua filha, e Joel Pizzini em um tributo iluminado no qual o guia é próprio Glauber, renascido em preciosas e raras imagens de arquivo.

Belowars (Brasil, 2008, 71`). Um dos raros longas de animação produzidos no Brasil. Destaque do Granimado em 2008, o filme do paranaense Paulo Munhoz (de BRichos) também foi o único longa brasileiro em competição no último AnimaMundi. Adaptação do romance infantil Guerra Dentro da Gente, do poeta Paulo Leminski, Belowars tem como protagonista um menino que sonha em se tornar guerreiro.

Contratempo (Brasil, 2008, 91`). A atriz Malu Mader estreia na direção (em parceria com  Mini Kerti) mostrando nesse documentário a trajetória de 13 jovens de comunidades carentes que participam de projetos sociais ligados à música.

 

Foto: Disney, Divulgação

Dúvida (Doubt, EUA, 2008, 104). A estréia na direção do dramaturgo americano John Patrick Shanley conta com um vigoroso trabalho dos atores - foram quatro indicações ao Oscar nas categorias de interpretação, e mais uma pelo roteiro adaptado de sua própria peça. Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman protagonizam - melhor, travam um duelo de soberbas atuações - a trama sobre freira que acusa padre de abusar sexualmente de uma menino negro.

Mamonas, o Doc ( Brasil, 2008, 120`). Grande fenômeno pop do Brasil na era pré-internet, o performático e irreverente grupo paulista Mamonas Assassinas teve uma trajetória meteórica e fugaz. O longa de Cláudio Khans conta essa história desde a formação da banda até o acidente aéreo que comoveu o Brasil, em 1996.

Mil Anos de Orações (EUA/China, 2008, 83`). Mais recente filme de Wayne Wang. Acompanha a convivência entre uma chinesa que vive num subúrbio dos EUA e seu pai, um comunista conservador recém-chegado da China que estranha  o “american way of life”. O choque familar é o mote para o diretor abordar, em escala macro, o choque cultural e político entre as grandes potências do Ocidente e do Oriente.

 

Foto: Divulgação

Aquele Querido Mês de Agosto (Portugal, 2008, 150`). O longa do português Miguel Gomes combina de forma engenhosa e sofisticada ficção (a jornada de pai, filha e primo músicos que se apresentam pelo interior de Portugal) e documentário (a interação da equipe e atores com a população local), resultando em um estimulante desafio às percepções do espectador sobre o que é espontâneo e o que é encenado.

O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (Brasil, 1969, 95`). Cópia restaurada do clássico de Glauber Rocha, no qual ele retoma a poética e delirante saga de Antonio das Mortes (de Deus e o Diabo na Terra do Sol), agora diante de um cangaceiro que diz ser a reencarnação de Lampião.

One Eye Red (Suécia, 2007, 88`). Daniel Wallentin assina uma livre adaptação para O Apanhador no Campo de Centeio, a obra-prima literária de J. D Salinger - não assumida e sem os devidos créditos, por questões legais, e temperada com temas contemporâneos, como a questão dos imigrantes na Europa. O protagonista é Halim, rapaz integrante da primeira geração de suecos com ascendentes marroquinos, que se lança em aventura escapista para superar a morte de sua mãe.

Se Nada Mais Der Certo (Brasil, 2008, 120`). Em seu novo filme, o brasiliense José Eduardo Belmonte (de A Concepção) volta ao universo dos tipos marginais. Acompanha um jornalista que divide apartamento com uma viciada em drogas e o filho dela. Sem dinheiro, ele se junta a uma figura andrógina e a um taxista para praticar delitos perigosos. No elenco, Cauã Reymond, João Miguel, Milhem Cortaz, Tainá Müller e Leandra Leal.

 

Foto: Divulgação

 

Simplesmente Feliz (Happy-go-lucky, Grã-Bretanha, 2008, 188`). Depois do denso O Segredo de Vera Drake, o inglês Mike Leigh apresenta essa comédia que valeu a sua protagonista, Sally Hawkins, o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim - e uma indicação ao Globo de Ouro. Ela vive uma professora de escola primária que tem como característica uma inabalável visão otimista da vida, chegando a ser irritante em sua felicidade permanente.

Tony Manero (Chile/Brasil, 2008, 99`). O título faz referência ao personagem de John Travolta no clássico Os Embalos de Sábado a Noite. O filme de Pablo Larrain se passa em Santiago do Chile, em 1978, no auge da febre mundial da discoteca, e tem como protagonista um homem obcecado pela idéia de imitar Tony Manero – nem que para isso precise recorrer ao crime em meio ao clima de grande repressão imposto pela ditadura de Augusto Pinochet.
 
Você Nunca Esteve Tão Adorável (Argentina, 2008). A diretora Mausi Martinez estará na Capital apresentando essa rara incursão do cinema argentino contemporâneo no filme de gênero - no caso, o musical. Ambientado em 1955, acompanha uma dona de casa que vive em Buenos Aires e envolve família e amigos em suas fantasias hollywoodianas.

Postado por Marcelo Perrone

Dez anos sem Kubrick

08 de março de 2009 4

Os 10 anos de aniversário da morte de Stanley Kubrick, completados ontem, 7 de março, foram menos lembrados do que poderiam ter sido. Pelo menos a explicação para isso é, vá lá, aceitável: como nasceu em 26 de julho de 1928 (em Nova York), o grande cineasta foi bastante homenageado, com as honras que merece, no ano passado – quando completaram-se 80 anos de seu nascimento.

Na verdade, o diretor de 2001 – Uma Odisseia no Espaço (longa ao qual a foto acima faz referência), entre outras obras-primas, vem sendo sistematicamente lembrado com DVDs, boxes com seus filmes, exposições de objetos, ciclos nos cinemas e livros que se propõem a debater suas ideias e a ressaltar seu legado. Parece que, quanto mais se discute Kubrick, mais evidente fica a sua importância. Quanto mais o tempo passa, mais claro está que se trata de um dos maiores gênios do cinema.

Exemplo da abundância de homenagens é o já citado 2001, que completou 40 anos em 2008: só no Brasil, por ocasião dessa efeméride, saíram pelo menos um livro e uma nova edição do filme em DVD, desta vez um disco duplo, recheado de extras que incluem reportagens, entrevistas, making of, análises etc.

Entre os seus grandes filmes, além de 2001, estão Dr. Fantástico, Laranja Mecânica, O Grande Golpe, Spartacus, Glória Feita de Sangue, O Iluminado, Nascido para Matar

Chega a ser difícil falar da filmografia de Kubrick lembrando algum insucesso. Extremamente perfeccionista, ele realizou apenas 13 longas-metragens conhecidos. Todos estão disponíveis em DVD no Brasil, vários em mais de uma edição. Fear and Desire, que seria o décimo quarto, na verdade o seu primeiro longa, era renegado pelo próprio cineasta, que chegou a confiscar suas cópias tempos após seu lançamento.

Esse ato, que data da primeira metade dos anos 1950, já dava um indício da personalidade de Kubrick. Durante boa parte da vida, o realizador morou na Inglaterra, em uma propriedade afastada das grandes cidades, não exatamente recluso, mas no mínimo distante dos holofotes. Próximo tão somente de familiares e de parceiros de trabalho, mergulhado em sua própria erudição – perceptível em cada sequência de seus filmes -, acabou desenvolvendo uma metodologia, um estilo único de filmar, que incluía invencionices tecnológicas e o domínio absoluto de todos os aspectos técnicos das produções que dirigiu.

Invencionices tecnológicas? Pois é. Duas elas: o steady cam que permitiu acompanhar o menino de O Iluminado andando de triciclo pelos corredores do hotel e a câmera vintage ultrasensível que possibilitou literalmente filmar à luz de velas em Barry Lindon – naquela que já foi eleita a melhor fotografia da história do cinema.

O que me parece mais impressionante em Kubrick é que toda essa fé nas possibilidades da técnica estava à serviço de filmes extremamente pessimistas. Em alguns deles, como 2001, Dr. Fantástico e Laranja Mecânica, três obras-primas absolutas, é a própria tecnologia que leva à destruição do homem.

Enfim. Se você quiser saber mais sobre o seu processo criativo, dê uma olhada em Stanley Kubrick: Uma Vida em Imagens, documentário lançado em 2001 por seu amigo e colaborador Jan Harlan. Neste filme, as histórias da realização dos longas de Kubrick são contadas por amigos e parceiros chegados do mestre, ou seja, por quem conviveu intimamente com ele, aí incluídos familiares e a única mulher com quem ele casou.

O vídeo abaixo, uma rápida compilação de depoimentos de seus colaboradores, nem chega perto disso – na verdade, é apenas um trecho de um programa que a BBC exibiu quando do lançamento de De Olhos Bem Fechados, seu último longa, em 1999. Mas já dá uma ideia da forma com que Kubrick trabalhava. Está em inglês, sem legendas – sorry, é o que temos para o momento. Confere.

 

 

Postado por Daniel Feix

Ranking dos fenômenos de público

04 de março de 2009 0

Se Eu Fosse Você 2 ultrapassou 2 Filhos de Francisco em número de ingressos vendidos nos cinemas. Em apenas nove semanas de exibição. O longa de Daniel Filho é não só o maior sucesso de público da chamada retomada da produção (desde a primeira metade dos anos 90), mas o quinto filme nacional mais visto (nos cinemas!) em todos os tempos. O de Breno Silveira, agora, é o sexto.

Será que a refilmagem de O Menino da Porteira, de Jeremias Moreira, pode chegar perto disso? É o que imagina seu autor, que lança o filme nesta sexta-feira em 270 salas do Brasil - 10% do total existente no país. Independentemente de conseguir ou não, o que se anuncia é um ano excepcional do ponto de vista da relação entre público e longas nacionais no país.

Como está prometido no Segundo Caderno desta quinta-feira, a gente disponibiliza abaixo o ranking dos filmes nacionais mais vistos de todos os tempos, com seus respectivos públicos (em milhões de espectadores). Quer dizer, não de todos os tempos, mas de 1970 para cá, quando os dados dos borderôs são – um pouco – mais confiáveis. A fonte é a Agência Nacional do Cinema.

1. Dona Flor e Seus Dois Maridos (Bruno Barreto, 1976): 10,7 milhões;
2. A Dama do Lotação (Neville de Almeida, 1978): 6,5 milhões;
3. O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (J.B. Tanko, 1977); 5,7 milhões;
4. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (Hector Babenco, 1977): 5,4 milhões;
5. Se Eu Fosse Você 2 (Daniel Filho, 2008): 5,3 milhões;
6. 2 Filhos de Francisco (Breno Silveira, 2005): 5,3 milhões;
7. Os Saltimbancos Trapalhões (J.B. Tanko, 1981): 5,2 milhões;
8. Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Adriano Stuart, 1978): 5 milhões
9. Os Trapalhões na Serra Pelada (J.B. Tanko, 1982): 5 milhões;
10. O Cinderelo Trapalhão (Adriano Stuart, 1979): 5 milhões;
11. O Casamento dos Trapalhões (José Alvarenga Jr., 1988): 4,7 milhões;
12. Coisas Eróticas (Rafaelli Rossi e L. Callachio, 1982): 4,7 milhões;
13. Carandiru (Hector Babenco, 2003): 4,6 milhões;
14. Os Vagabundos Trapalhões (J.B. Tanko, 1982): 4,6 milhões;
15. O Trapalhão no Planeta dos Macacos (J.B. Tanko, 1976): 4,5 milhões;
16. Simbad, o Marujo Trapalhão (J.B. Tanko, 1976): 4,4 milhões;
17. O Rei e os Trapalhões (Adriano Stuart, 1980): 4,2 milhões;
18. Os Mosqueteiros Trapalhões (Adriano Stuart, 1981): 4,2 milhões;
19. O Incrível Monstro Trapalhão (Adriano Stuart, 1981): 4,2 milhões;
20. Lua de Cristal (Tizuka Yamazaki, 1990), 4,1 milhões;
21. A Princesa Xuxa e os Trapalhões (José Alvarenga Jr., 1989): 4 milhões;
22. O Cangaceiro Trapalhão (Daniel Filho, 1983): 3,8 milhões;
23. Se Eu Fosse Você (Daniel Filho, 2006): 3,6 milhões;
24. Os Trapalhões e o Rei do Futebol (Carlos Manga, 1986): 3,6 milhões;
25. Jeca Macumbeiro (Pio Zamuner e Mazzaropi, 1975): 3,4 milhões.

Algumas observações para ir um tantinho além desses números. Primeiro: o fato de só estarem sendo considerados filmes lançados a partir de 1970 exclui muitos fenômenos de público – como alguns dos mais populares títulos de Mazzaropi. E exclui também aquela que é indiscutivelmente a campeã de bilheteria entre as produções gaúchas: Coração de Luto, longa inspirado na história do músico Teixeirinha, estrelado pelo próprio e por sua parceira Mari Terezinha, dirigido por Eduardo Llorente, produzido pela Leopoldis Som e lançado em Porto Alegre em 1967.

Segundo: há quem diga que fenômenos populares, como o próprio O Menino da Porteira, o original, de 1976 (que está em 36º nesta lista), tenha sido visto por muito mais do que os 3,1 milhões de espectadores computados no borderô oficial. É que, mesmo após 1970, não se pode dizer que havia o controle total sobre os borderôs dos filmes nacionais. Mesmo que você seja exageradamente jovem, tente imaginar como eram anos 70 em municípios com 20 ou 30 mil habitantes. Sim, naquele tempo cidades desse porte tinham salas de cinema.

Como se pôde notar acima, são poucos os sucessos de crítica que estão entre os filmes brasileiros mais vistos. Uma exceção é justamente o 26º colocado da lista, ou seja, o primeiro após os 25 acima: Eu Te Amo, que o diretor Arnaldo Jabor lançou em 1981 e que fez 3,4 milhões de espectadores.

Abaixo, vai o ranking com as 10 maiores bilheterias entre os filmes lançados no país dos anos 90 para cá, ou seja, depois da retomada da produção nacional:

1. Se Eu Fosse Você 2 (Daniel Filho, 2008): 5,3 milhões;
2. 2 Filhos de Francisco (Breno Silveira, 2005): 5,3 milhões;
3. Carandiru (Hector Babenco, 2003): 4,6 milhões;
4. Se Eu Fosse Você (Daniel Filho, 2006): 3,6 milhões;
5. Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002): 3,3 milhões;
6. Lisbela e o Prisioneiro (Guel Arraes, 2003): 3,1 milhões;
7. Cazuza (Sandra Werneck e Walter Carvalho, 2004): 3 milhões;
8. Olga (Jayme Monjardim, 2004): 3 milhões;
9. Os Normais (José Alvarenga Jr., 2003): 2,9 milhões;
10. Xuxa e os Duendes (Paulo Almeira e Rogério Gomes, 2001): 2,6 milhões.

Postado por Daniel Feix

A farofa do Carneiro

02 de março de 2009 5

Andamos meio sumidos após a correria do Oscar, desfalcados por férias, preguiçosos… Mas enquanto a primeira não engata, que tal relembrar os impagáveis clipes com três das bandas que fazem a cabeça oxigenada de Randy “Carneiro” Robinson, personagem de Mickey Rourke no excelente O Lutador? São grandes hits do metal-farofa oitentista, que foi bom enquanto durou o laquê.  Azar, eu gosto.

PS.:  De Sweet Child O` Mine, clássico do Guns N` Roses, todo mundo lembra.

Accept – Balls to the Wall
Accept – Balls To The Wall (Official Music Video)These bloopers are hilarious

Ratt – Round and Round

Quiet Riot – Bang your Head (Metal Health)

Postado por Marcelo Perrone