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Resnais e Demy (2)

07 de abril de 2009 0


continuando...


Alain Resnais


Muitos críticos que não conseguiram classificar Hiroshima meu Amor (1959) à época de seu lançamento afirmaram que Resnais reescreveu com seu primeiro longa a linguagem cinematográfica. Ao diretor sempre interessou romper no cinema com a dramaturgia herdada da literatura e do teatro, embaralhando para o espectador a percepção de tempo, espaço e memória, criando assim uma experiência única que transforma o cinema em arte única.

Essa experiência foi ainda mais radical em O Ano Passado em Marienbad (1961), filme-enigma intransponível a quem procura decifrá-lo com as ferramentas convencionais. Com o tempo, a obra de Resnais, sempre associada à arte de vanguarda, ficou restrita aos cinemas de arte e ao circuito de festivais a partir dos anos 80.

A recente produção do cineasta mostra que ele, embora não persiga mais o rigor experimentalista dos primeiros anos, não arrefeceu seu vigor narrativo e seu peculiar interesse pelo descompasso entre o homem e o tempo.

 

Não deixe de ver – O impactante curta documental Noite e Nevoeiro, de 1955, expõe os horrores do Holocausto na II Guerra. Contrapondo imagens coloridas de campos de concentração desativados com registros de arquivo em preto-e-branco do genocídio em massa, Resnais, mais do que revelar as atrocidades, lança um grito de alerta para que fatos como essa história não se repetissem. Outro título imperdível é Hiroshima meu Amor. Homem (Eiji Okada) e mulher (Emmanuelle Riva) se encontram na cidade japonesa de Hiroshima, ainda em reconstrução após a devastação da bomba atômica. Cada um carrega marcas pessoais da tragédia, que se embaralham no que vivenciam no presente e nas lembranças que trazem do passado.

Preste atenção – A montagem é um dos recursos mais impressionantes do cinema de Alain Resnais. O diretor fragmenta a narrativa que poderia ser perfeitamente mostrada de maneira convencional e a reconstrói para enfatizar seu olhar peculiar sobre os efeitos do tempo e da memória nas trajetórias de seus protagonistas.

OS FILMES (Informações do Cine Santander)

 

MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS

Cœurs, 2006, 35 mm, cor, 120 min, 14 anos

História de seis pessoas que vivem no mesmo bairro em Paris e têm suas vidas alteradas pelo destino.

Veneza 2006: direção + atriz (Morante). César 2006: indicado direção + roteiro adaptado + fotografia + figurino + montagem + música + direção de arte + som.

 

AMORES PARISIENSES

On connaît la chanson, 1997, 35 mm, cor, 120 min, 12 anos

Vários personagens e seus problemas cotidianos têm seus destinos cruzados pelas ruas de Paris. A executiva Odile despede um funcionário que acabara de contratar para dar uma oportunidade para o irmão de Nicolas, seu ex-namorado. Já Nicolas é hipocondríaco e não consegue decidir qual apartamento alugar, por mais que o corretor de imóveis Simon lhe apresente opções interessantes. Enquanto isso, Camille, irmã de Odile, descobre que passou vários anos de sua vida pesquisando sobre um assunto que não interessa a ninguém. Ao mesmo tempo, se apaixona por Marc, o patrão de Simon.

César 1997: melhor filme + roteiro + ator (Dussollier) + ator coadjuvante (Bacri) + atriz coadjuvante (Jaoui) + montagem + som. Prêmio Louis Delluc 1997: melhor filme. Berlim 1998: seleção.

 

HIROSHIMA MEU AMOR

Hiroshima mon amour, 1959, 35 mm, pb, 90 min, exibições em DVD, 16 anos

Em 1959, jovem francesa passa a noite com arquiteto japonês, em Hiroshima, onde ela participa de um filme sobre a paz. Ele a faz lembrar de seu primeiro amor, um soldado alemão que conheceu em Nevers, na França, no final da Segunda Guerra.

Cannes 1959: seleção. Oscar 1960: indicado roteiro original. NY Film Critics Circle 1960: melhor filme estrangeiro.

 

O ANO PASSADO EM MARIENBAD

L'année dernière à Marienbad, 1961, 35 mm, pb, 94 min, 16 anos

Num imenso e luxuoso palácio barroco, transformado em hotel (e em labirinto espaço-temporal), entre corredores, salões decorados e estátuas, um estranho tenta convencer uma mulher casada a fugir consigo. Ele diz conhecê-la. Diz que foram amantes. Entretanto, parece difícil fazê-la lembrar de que tiveram um caso (ou que não tiveram) no ano passado, em Marienbad – ou seria Frederiksbad?

Veneza 1961: melhor filme (Leão de Ouro). Oscar 1962: indicado roteiro original.

 

MURIEL OU O TEMPO DE UM RETORNO

Muriel or Le temps d'un retour, 1963, 35 mm, cor, 112 min, 12 anos

História de um grupo de pessoas na cidade de Boulogne, no início da década de 1960. Uma viúva e seu jovem enteado, ambos às voltas com difíceis lembranças que lhes perturbam o passado. Um antigo amor da juventude volta à vida da mulher e espanta o tédio de sua existência. Já o rapaz é assombrado por memórias de uma atrocidade que testemunhou durante a guerra da Argélia, quando uma jovem chamada Muriel foi torturada até a morte.

 

STAVISKY

1974, 35 mm, cor, 120 min, 14 anos

Enquanto Trotski obtém asilo político em território francês, o industrial e escroque Serge Alexandre, na pele de Stavisky, com seu charme e talento irresistíveis, consegue estar sempre cercado de muitos amigos, dentre eles, membros influentes da elite industrial e política francesa do começo dos anos 30. Mas quando seu grande golpe, envolvendo milhões de francos, é exposto, o resultado é um escândalo que quase leva a uma guerra civil.

 

 

MEU TIO DA AMÉRICA

Mon oncle d'Amérique, 1980, 35 mm, cor-pb, 125 min, 12 anos

Os destinos cruzados de três personagens sob o olhar de uma quarta cobaia: o biólogo Henri Laborit, que explica sua própria teoria sobre como o ambiente interfere na formação da personalidade dos seres humanos. Mas desta vez, ao invés de ratos de laboratório, os objetos de investigação são dois homens e uma mulher, de cidades, origens sociais e famílias diferentes, cujas vidas são acompanhadas desde a infância até a fase adulta.

Cannes 1980: Grande prêmio do júri + FIPRESCI. César 1980: indicado melhor filme + direção + roteiro + atriz (Garcia) + fotografia + direção de arte. Oscar 1980: indicado roteiro original. NY Film Critics Circle 1980: melhor filme estrangeiro. David di Donatello 1980-1981: roteiro de filme estrangeiro.

 

Documentários 1

 

GUERNICA

1950, 16 mm ampliado para 35 mm, pb, 13 min, 16 anos

O bombardeamento da cidade de Guernica pela aviação nazista, em favor de Franco, é evocado através do afresco de Picasso (de 1937) e de outras de suas obras.

 

AS ESTÁTUAS TAMBÉM MORREM

Les statues meurent aussi, 1953, 35 mm, pb, 29 min, 16 anos

Um documentário sobre a arte negra torna-se um panfleto anti-colonialista e anti-racista. Neste potente poema, ritmado pelas formas das estátuas africanas, expõe-se a opressão e a destruição de uma arte e de um povo por outro povo.

Prêmio Jean Vigo 1954: melhor curta.

 

NOITE E NEVOEIRO

Nuit et brouillard, 1955, 16 mm ampliado para 35 mm, cor-pb, 32 min, 16 anos

Imagens coloridas dos campos de concentração abandonados e filmes de arquivos em preto e branco. Texto do escritor Jean Cayrol, um ex-prisioneiro do campo de Orianemburgo.

Prêmio Jean Vigo 1956: melhor curta.

 

Documentários 2

 

TODA A MEMÓRIA DO MUNDO

Toute la mémoire du monde, 1956, 35 mm, pb, 21 min, exibições em DVD, 14 anos

 

Nas entranhas da Biblioteca Nacional, quem sabe qual será, amanhã, o testemunho mais confiável de nossa civilização? De corredor em corredor, de livro em livro, desdobra-se o labirinto.

 

O CANTO DO ESTIRENO

Le chant du styrène, 1958, 35 mm, cor, 19 min, exibições em DVD, 14 anos

Documentário sobre a fabricação da matéria plástica, com narração em versos alexandrinos e em cinemascope.

Veneza 1958: prêmio Mercúrio de Ouro.

 

Documentário sobre Resnais

 

ABORDANDO ALAIN RESNAIS, UM REVOLUCIONÁRIO DISCRETO

Une approche d'Alain Resnais, révolutionnaire discret

1980, Betacam, 59 min, cor, exibições em vídeo, 12 anos

Retrato de Alain Resnais até Meu tio da América, com trechos de seus filmes e os testemunhos dos roteiristas e dos que o conheceram nos anos 1940 e 1950, como Jean Mitry, seu professor no IDHEC - Institut des Hautes Etudes Cinématographiques. Resnais nasceu em Vannes, Morbihan, Bretagne, França, em 3 de junho de 1922.

PROGRAMAÇÃO

7 a 12 de abril

 

16h45              Amores parisienses  Alain Resnais

19h00              Medos privados em lugares públicos  Alain Resnais

 

14 a 17 de abril

14h30              Amores parisienses  Alain Resnais

16h45              Medos privados em lugares públicos  Alain Resnais

19h00              Amores parisienses  Alain Resnais

 

18 de abril

14h30              Medos privados em lugares públicos  Alain Resnais

 

19 de abril

14h30              Amores parisienses  Alain Resnais

 

21 de abril

14h30              Stavisky

16h45              Muriel ou O tempo de um retorno

19h00              Hiroshima meu amor Le Rendez-vous Cinéma avec Enéas de Souza

 

22 e 23 de abril

15h00              O ano passado em Marienbad

16h50              Stavisky

19h00              Muriel ou O tempo de um retorno

 

24 e 25 de abril

15h00              O ano passado em Marienbad

17h30              Abordando Alain Resnais  Michel Leclerc

19h00              Meu tio da América

 

26 de abril

15h00              Hiroshima meu amor

17h30              Documentários 1

19h00              Stavisky

 

28 e 29 de abril

15h00              Hiroshima meu amor

16h45              Meu tio da América

19h00              O ano passado em Marienbad

 

30 de abril

14h30              Stavisky

16h45              Muriel ou O tempo de um retorno

19h00              Meu tio da América Cineclube Projeto com Claudia Laitano

 

1º e 2 de maio

15h00              Muriel ou O tempo de um retorno

17h30              Documentários 2

19h00              Hiroshima meu amor

 

3 de maio

15h00              Meu tio da América

17h30              Documentários 1  

19h00              Stavisky

 

Postado por Marcelo Perrone e Roger Lerina

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