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Posts de abril 2009

Trate-me texugo

30 de abril de 2009 0

Essa história é velha, mas resume bem o que vem a seguir.

Conta o cineasta brasileiro Bruno Barreto que, certa vez, durante seu casamento com a atriz Amy Irving, estava ele lendo uma história para o enteado dormir. Lá pelo meio do conto, o garoto, filho de Amy com Steven Spielberg, perguntou: "afinal, quem é o mocinho e quem é o bandido dessa história?". No que pensou Barreto: "só podia ser filho do Spielberg, mesmo".

Taí. Maniqueísmo. O grosso da produção de Hollywood _ onde Spielberg reina há décadas e sintetiza boa parte de sua filosofia _ é maniqueísta. Quer dizer, divide diametralmente quem é bom e quem é mau. Não espaço para meio termo. O meio termo significa dúvida. E filmes não se prestam para tal. O cinema feito em Hollywood é, antes de tudo, feito para divertir. Deixa o cérebro na bilheteria e seja feliz.

Nada de errado numa lobotomia de vez em quando. O problema é quando grandes estúdios tentam trabalhar com personagem que são justamente esse delicado meio termo com os quais não estão acostumados a lidar. Personagens que não são nem mocinhos nem bandidos. Nem heróis nem vilões. Personagens que são o... Wolverine.

Heróis têm um moral definida, um código de conduta claro e, por mais propensos que estejam, não fazem nada que não seja heróico. Eles não traem sua natureza. Por isso são heróis. Mas Wolverine não tem nada disso. Sua natureza é a do animal, o ID em estado puro. Quem leu pelo menos uma história do mutante de garras de adamantium sabe que ele não faz nada que não seja de seu interesse. Se, no trajeto, conseguir/puder ajudar os demais, ótimo. Senão, perdeu. Ele segue adiante sem um laivo na consciência.

Mas como colocar isso em película? Não coloca, simples. Pega-se o caracter _ e não o personagem _ é faz-se dele o que for preciso. É o que acontece nesse X-Men Origens: Wolverine. Aquele sujeito com estiletes de metal saltando dos nós dos dedos e de cabelo engraçado é uma criação original dos roteiristas David Benioff e Skip Woods, que o diretor Gavin Hood tratou de filmar. E só.

Não se trata do carcaju sanguinolento e atormentado que conquistou gerações _ nos gibis, desenhos animados e videogames _ por ser justamente uma brutal contraparte ao bom mocismo dominante em seu grupo (no caso, o universo Marvel inteiro). No filme que chega essa semana aos cinemas, Wolverine só falta vestir um hábito e tentar converter seus inimigos com sermões, de tão bunda-mole que aparece. Sequer há hemácias fora do seu habitat natural, para se ter uma idéia.

Nem é preciso perder muito tempo também comentando as bizarras e desnecessárias inserções de outros mutantes, o retrato acabado de que ninguém ali _ do diretor a mocinha do café _ fazia a menor idéia do que estava tratando. Lembrou até o filme de Street Fighter, tamanha falta de conexão com sua origem _ ironia das ironias.

É tanto desencontro de informação, tanta saída absurda para um roteiro que não é mais do que amador, tanta ponta solta enfim, tanto clichê de filme de ação da Sessão da Tarde, que é difícil não pensar que até a excelente performance de Hugh Jackman nos primeiros dois filmes dos X-Men foi apenas sorte. Deveria ter ficado por isso mesmo.

Postado por Gustavo Brigatti

Craques em Cannes

23 de abril de 2009 1

Viram a seleção que vai disputar a Palma de Ouro no Festival de Cannes? O time conta com grandes craques do cinema mundial, entre eles o espanhol Pedro Almodóvar, o dinamarquês Lars Von Trier, o americano Quentin Tarantino, o francês Alain Resnais, o taiwanês Ang Lee, o inglês Ken Loch, o sul-coreano Park Chan-wook e o malaio Tsai Ming-liang. São filmes que vão custar chegar ao Brasil, mais ainda em Porto Alegre, se chegarem - por aqui (Brasil) não pintou nem o filme anterior do Tarantino, o ótimo À Prova de Morte. Por enquanto, sente o clima com alguns trailers.

Los Abraços Rotos, de Pedro Almodóvar
Antichrist, de Lars Von Trier
Inglourious Basterds, de Quentin Tarantino
Taking Woodstock, de Ang Lee
Bak-Jwi,de Park Chan-wook
Looking for Eric, de Ken Loach

Postado por Marcelo Perrone

"Cidade de Deus" é melhor

22 de abril de 2009 0

Informação que vem do portal Filme B: O site Internet Movie Database (www.imdb.com), um dos maiores bancos de dados de cinema na internet, perguntou a seus leitores que filme eles preferiam: Cidade de Deus ou Quem Quer ser um Milionário?. A enquete trouxe de volta a comparação entre os dois filmes, que foi frequente durante o lançamento do longa de Danny Boyle. Cidade de Deus ficou na frente com 37,1% dos votos. Logo atrás, com 33,2%, estava a opção “Não assisti a um ou ambos os filmes”. Quem Quer Ser um Milionário?, vencedor de oito Oscars esse ano, teve 19,6% dos votos. Mais de 14 mil internautas participaram. O resultado completo pode ser conferido clicando aqui.

Postado por Mracelo Perrone

Tocando vidas

22 de abril de 2009 0

Documentário
Conforme o prometido, segue a íntegra da entrevista da Malu Mader, publicada na capa do Segundo Caderno de hoje.

Em 2000, Malu Mader foi convidada para ser madrinha do Villa-Lobinhos, emprestar o rosto famoso na divulgação do então recém-criado projeto que proporciona educação musical para jovens instrumentistas de famílias de baixa renda, no Rio de Janeiro. Ela ficou tão impressionada e emocionada com o que viu e ouviu que ali lhe despertou um antigo desejo, manifestado ocasionalmente nos palpites e bate-papos em sets das telenovelas e filmes: assumir o posto do outro lado da câmera.
Gestado naquele primeiro contato, o documentário
Contratempo veio à luz em 2008, com boa recepção no circuito de mostras e festivais. Malu conseguiu realizá-lo ao lado da diretora Mini Kerti, sócia da Conspiração Filmes, parceira com mais experiência no ofício que lhe emprestou segurança para a empreitada. Em cena, o longa exibe um recorte social do Brasil pelo ponto de vista da arte, no qual a paixão pela música é o ponto de convergência de jovens talentosos que vivem diferentes realidades - para muitos deles, é uma rara oportunidade de driblar um cotidiano de carência e violência.
Contratempo tem sessão de lançamento hoje em Porto Alegre, às 20h, no CineBancários (General Câmara, 424, no Centro), com a presença das diretoras. A sessão tem entrada franca. De amanhã até 3 de maio o filme fica em cartaz em sessões diárias. Nessa entrevista a Zero Hora, Malu Mader comenta o processo de realização do documentário.

ZH - Eduardo Coutinho costuma dizer que tão importante como saber contar histórias é saber ouvir histórias. Como vocês se envolveram com os personagens? É possível manter um distanciamento ou esse envolvimento que permite uma melhor aproximação dos entrevistados?
Malu -
Nosso documentário nasceu  do envolvimento que já tínhamos com a maior parte dos personagens e da vontade de aprofundar esse envolvimento ouvindo com mais tempo e atenção o que eles tinham para contar. Confirmamos portanto a tese do Eduardo Coutinho. Quanto ao distanciamento, foi impossível para mim mantê-lo, e acredito que isso possa ter tanto atrapalhado como também ajudado.

 ZH - O filme é dedicado a um dos músicos, posteriormente assassinado. Como é observar que, entre jovens talentosos mas carentes, projetos como o Villa-Lobinhos pode significar uma oportunidade rara de uma vida afastada da pobreza e até mesmo da marginalidade?
Malu -
Estou ligada a todos eles. É claro que de formas diferentes, alguns são mais receptivos, mais afetivos. Outros mais arredios. Mas procuro saber o que está acontecendo com cada um deles. Tenho esperança nesses projetos e que acredito na arte e no esporte como enfrentamento da realidade dura da vida, não só para adolescentes pobres, mas para todos. O ideal é que estivessem todos estudando juntos e que as escolas públicas já oferecessem tudo isso. Mas nada é simples no Brasil. Os gêmeos violinistas já perderam a bolsa que haviam conquistado nos EUA, por causa da crise. A Raquel (violinista cearense) já está grávida com 17 anos. Para muitos deles, que gostariam de fazer uma faculdade de música, tem sido difícil passar no vestibular por causa da falta de base de ensino. De qualquer forma, tocar bem um instrumento musical é uma riqueza. Num país que rouba sistematicamente toda e qualquer possibilidade de sonho de suas crianças, vê-las tocando Valsa da Dor, do Villa-Lobos é claro que é positivo.

ZH _ Com algumas exceções, Contratempo mostra um drama comum a jovens carentes: a ausência paterna e a figura da mãe guerreira. O documentário Falcão - Meninos do Tráfico mostrou a face trágica dessa fratura familiar. Contratempo é como se apontasse a luz no fim do túnel. Você concorda?
Malu -
Desde a minha adolescência eu já observava isso, mesmo entre meus amigos de classe média. Pais absolutamente ausentes. Praticamente todos. Lembro de valorizar muito o meu pai por sua presença e afeto. Que bom que você falou do Falcão, pois acho que Falcão e Contratempo são duas faces da mesma moeda. Vi algumas imagens de Falcão na televisão antes mesmo de assistir ao  documentário  e pensei imediatamente nos Villa-Lobinhos, de quem eu estava um pouco afastada por problemas de saúde. Em Falcão os meninos se desiludiam bem cedo, por causa da proximidade com o tráfico. No nosso filme eles pressentem um destino programado e lutam para evitá-lo, o que nem sempre é possível, mesmo com a oportunidade oferecida.

ZH - Muitas pessoas se surpreendem com o interesse de jovens brasileiros carentes por música erudita, algo tão distante da realidade deles. Muitos dos personagens do filme também tocam em grupos de samba, chorinho e música pop. Como vocês observaram a relação deles com música de câmara? A maioria quer mesmo seguir nesse gênero ou pensa apenas em ser um bom músico para buscar sustento em outro gênero?
Malu -
Acredito muito no amor deles pela música erudita. Na emoção que sentem tocando e ouvindo esse tipo de música. Alguns talvez gostem mais de outros gêneros.

ZH - Todos os personagens que expõem sua intimidade diante da câmera imaginam que suas histórias são muito importantes. Como é processo de ter de escolher as melhores histórias, sempre sob o risco de deixar alguém de fora, em nome da dinâmica e da proposta do filme?
Malu -
Montagem no documentário é tudo. Principalmente quando se filma em digital. Filmamos muito, o que representa que tivemos que cortar muito, entrevistas inteiras, o que é muito desagradável. O que nos salvou é que na maior parte das vezes, concordamos, Mini, (o montador) Sergio Mekler e eu, em relação a que personagens cortar. E se sua pergunta tem algo a ver com como não magoá-los, nesse caso eu me incumbi da missão de conversar com cada um. Sendo atriz há 25 anos já fui cortada em partes e por inteiro e acho que posso imaginar como é a melhor maneira de ser avisada.

ZH -  Sua idéia inicial era fazer um filme de ficção, com sua sobrinha Erika e um dos músicos do projeto Villa-Lobinhos. Como seria esse filme e por que você desistiu?
Malu -
É que não seria totalmente ficção. Era uma vontade de aproximar o máximo a ficção do documentário, até porque apesar de toda a desenvoltura e carisma do Wagner eu sei que não é assim que a coisa funciona. Mas vamos à história: A Erika seria uma menina que pega sempre ônibus na Gávea para ir ao curso de teatro do Tablado e o Wagner pega o mesmo ônibus para freqüentar o projeto social Villa-Lobinhos, também na Gávea. Ela não quer parecer patricinha e ele, ao contrário, como deseja ascender socialmente, está sempre bem vestido, carrega o estojo do violino com orgulho, até que um dia é abordado violentamente por um policial que cisma com ele no ônibus. Como o policial está à paisana, algumas pessoas se colocam ao lado de nosso herói, indignados com tamanha truculência, mas outras pessoas com medo, acabam se colocando ao lado do policial, que insiste para que ele abra o estojo e prove que aquilo é um instrumento e não uma arma.  Ele poderia não abrir o estojo, e a menina se apaixonaria pela coragem dele, ou tocar o violino,  e a menina se apaixonar pelo talento dele, mas não chegamos a este ponto. Não me lembro bem por que. Alguns projetos não caminham, outros sim.

ZH - Contratempo tem apoio da Videofilmes, da qual João Moreira Salles, um dos maiores documentaristas brasileiros, é sócio. Ele colaborou de alguma forma na concepção autoral do projeto?
Malu -
A principal e definitiva colaboração do João foi ter insistido para que encontrássemos e entrevistássemos o Thiago (jovem viciado em drogas cuja história é uma das mais impactantes do filme). Além disso, ele assistiu a alguns cortes, fez críticas que muitas vezes foram aceitas e observações ouvidas com muita atenção, pois Mini e eu somos profundas admiradoras do trabalho do João.

ZH - Em que momento da sua carreira de atriz surgiu a vontade de passar para o outro lado da câmara, como diretora?
Malu - 
Não sei ao certo. Mas se fiz um curso de roteiro quando estava grávida do meu primeiro filho, e ele vai fazer 14 anos este mês, já tenho vontade de fazer filmes há pelo menos uns 16 anos.

ZH - O documentário, ainda mais no ambiente da música, que você conhece bem, foi uma opção que lhe ofereceu mais segurança para um primeiro trabalho como diretora?
Malu -
Eu não estava segura de nada mas às vezes a gente tem que se lançar.

ZH - Trabalhar em parceria com a Mini Kerti foi uma maneira de se sentir mais segura nesse primeiro projeto como diretora? Como vocês se conheceram? Como dividiram quem faria o que no trabalho. Presumo que para você, um rosto muito conhecido, circular pelas comunidades poderia causar algum tumulto. Isso ocorreu?
Malu -
Isso é evidente. A Mini foi fundamental. Nós já nos conhecíamos. Mas foi a Mariana Roquete Pinto, mulher do Charles Gavin, baterista dos Titãs,  quem me levou ao Projeto Villa Lobinhos, que nos aproximou, quando mais tarde me chamou para uma campanha contra as armas, que a Mini dirigiu. Isso me aproximou da Mini e aproximou a Mini do projeto Villa-Lobinhos. A divisão do trabalho nunca foi conversada mas acabou acontecendo de forma muito natural. Nós escolhemos os personagens, locações, perguntas das entrevistas, conceitos estruturais, absolutamente juntas. Mas no aspecto técnico e tecnológico eu tinha realmente muito a aprender com ela. Eu não sou de causar tumulto. Raras vezes aconteceu na filmagem.

ZH - Quais são seus cineastas favoritos, brasileiros e estrangeiros, e por que razão? Que tipo de cinema você aprecia, que lhe serviu de inspiração?
Malu
- Me deixa escolher filmes ao invés de cineastas até porque outro dia fiz uma lista de filmes e ficaram alguns que eu amo de fora: All About Eve, Lolita, Um lugar ao sol, Touro Indomável, Morangos Silvestres, Paris, Texas, Passageiro Profissão Repórter, Annie Hall, Quanto Mais Quente Melhor, Todas as Mulheres do Mundo, A Falecida, Toda Nudez Será Castigada, Tudo Bem, Cidade de Deus, Central do Brasil, Jogo de Cena, Santiago.

ZH _ Você pretende seguir a carreira de diretora? Quais os seus próximos projetos?
Malu -
Sim. Ainda vou acompanhar Contratempo e continuar escrevendo o roteiro do longa de ficção que pretendo dirigir.

ZH _ O como atriz, que tipo de trabalha a motiva, sabendo que no Brasil a TV ainda é o principal veículo para o intérprete ter visibilidade e ser melhor remunerado?
Malu _
Não é  uma questão de ser melhor remunerada e ter maior visibilidade, é que no meu caso, por exemplo, eu sempre trabalhei com muito amor na televisão. Para mim tanto fazia ser na televisão, no teatro ou no cinema. O que me importava eram os encontros, e foi na televisão que eles se deram. Tive a sorte de trabalhar com pessoas que eu sempre admirei muito e sempre tive plena consciência do enorme valor que esses encontros tinham para mim. Eu nunca fui de bater ponto. Faço televisão como faço cinema ou teatro, querendo aproveitar o processo mais do que os resultados. Por isso talvez tenha sido tão feliz fazendo minisséries e projetos especiais. Mas depois de tantos anos de novelas talvez eu venha me sentindo às vezes meio inadequada, mas o problema é meu. Um bom papel ou bom diálogo, um diretor que eu goste,  uma história emocionante, ou até mesmo o nome de uma personagem podem me motivar .   

Postado por Marcelo Perrone

Pudor é poder

11 de abril de 2009 0

Provavelmente foi um deslize por obra do corretor ortográfico que passou batido pela revisão no calor do baixamento. Ocorre que no texto que escrevi sobre a estreia de A Bela Junie, na edição de sexta do Segundo Caderno, vi depois que no lugar da palavra "pudores" misteriosamente apareceu um "poderes", o que altera o sentido da frase - ou melhor, não dá sentido. Segue então o texto como ele deveria ter saído - e ,de brinde, o trailer legendado desse belíssimo filme francês em cartaz apenas no Guion Center.

Uma garota para dois
"A Bela Junie" relê com frescor a nouvelle vague

Assistir a um filme de Christophe Honoré é como entrar naquelas salas de espelhos que provocam uma interessante experiência visual e embaralham a percepção do espectador. Com A Bela Junie, em cartaz a partir de hoje na Capital, o realizador francês novamente faz um filme contemporâneo cujo reflexo projeta uma ainda fresca nouvelle vague, o revolucionário movimento estético que abriu os olhos do mundo há exatos 50 anos.

Nesses espelhos, Honoré ganha a cara de François Truffaut. Seu ator-fetiche, Louis Garrel, lembra o Jean-Pierre Léaud que Truffaut registrou da infância à maturidade. E a jovem atriz Léa Seydoux reencarna Anna Karina, a grande musa de Jean-Luc Godard. Não é por menos que Honoré, que hoje completa 39 anos, virou o queridinho da Cahiers du Cinéma, publicação que foi o berço da nouvelle vague. Para enquadrar seus filmes, entre eles Em Paris (2006) e Canções de Amor (2007), foi até criada a expressão “neonouvelle vague”.

O grande mérito de Honoré é não ficar, como tantos outros, engessado pela revêrencia ao movimento que injetou frescor no cinema, não apenas pela juventude de seus autores, mas por sacudir as estruturas da linguagem cinematográfica com um naturalismo captado com som direto e câmera na mão pelas ruas de Paris. No tributo de Honoré se percebe uma leitura contemporânea, sem cheiro de mofo.

Em A Bela Junie, o diretor repete pela terceira vez a parceria com Louis Garrel. Mas o destaque nesta produção originalmente realizada para a TV francesa é Léa Seydoux, de 23 anos. Ela vive Junie, linda menina de 16 anos que, após a morte da mãe, troca de colégio e vira a sensação entre os garotos da nova escola. Começa a namorar um deles, o apaixonado Otto (Grégoire Leprince-Ringuet). Mas a guria logo percebe que se sente atraída pelo professor de italiano, Nemours (Garrel), que, por sua vez, não tem pudores para seduzir a jovem aluna. O triângulo amoroso desenhado ganha contornos trágicos, apropriadamente sublinhados pelas canções de cortar os pulsos do bardo inglês Nick Drake.

A encenação se mostra tão envolvente que é uma surpresa saber que a referência de Honoré para esse delicado painel da fase de maior ebulição da adolescência vai além da nouvelle vague. A Bela Junie tem matriz no século 17, em A Princesa de Clèves, romance de Madame de Lafayette que já ganhou versões de, entre outros, o português Manoel de Oliveira, em A Carta (1999).

Postado por Marcelo Perrone

Grandes momentos do cinema

07 de abril de 2009 1

Como estou saindo pra uma viagem de três semanas, nas quais não devo dar as caras por aqui (e pelas páginas de ZH), vou me despedir com estilo - com mais uma inesquecível sequência do cinema.

Mas atenção: Se você não viu o filme, recomendo não dar play no vídeo abaixo - é a sua sequência final. Se você viu, é legal rever pra relembrar o tamanho da obra-prima em questão - embalada pela música do polonês Zbigniew Preisner, são revistos em pouco mais de cinco minutos grande parte dos personagens que desfilaram pela tela na hora e meia anterior.

Falo de A Liberdade É Azul, ou simplesmente Bleu, longa de 1993 que abre a magnífica trilogia das cores de Krzysztof Kieslowski (completada em 1994 com A Igualdade É Branca, ou Blanc, e A Fraternidade É Vermelha, ou Rouge).

Ainda no ano passado, aproveitando uma promoção, comprei a caixa que a Versátil lançou com o - justificado - anúncio de que era a sua "versão definitiva". Mas só fui rever os filmes agora, no fim de semana. Foi um deleite.

Bleu, para mim, neste momento, talvez seja o longa mais belo sobre a impossibilidade - e a inevitabilidade - do amor. Neste momento, é claro. Porque a cada semana vejo ou revejo no mínimo um filme sobre esse tema...

Na semana anterior, por exemplo, revi O Eclipse (L`Eclisse, 1962), outra obra-prima que integra outra trilogia absolutamente espetacular (a da incomunicabilidade do mestre Michelangelo Antonioni). E nesta sexta, ao que parece, estreia em Porto Alegre A Bela Junie (La Belle Personne, 2008), mais recente e mais interessante trabalho de toda a carreira do jovem e talentosíssimo Christophe Honoré.

Ouso dizer que nenhum outro tema inspirou tantos grandes filmes na história do cinema.

Enfim. Viva a França. Passarei por lá nestas três semanas. ;)

 

Postado por Daniel Feix

Resnais e Demy (2)

07 de abril de 2009 0


continuando...


Alain Resnais


Muitos críticos que não conseguiram classificar Hiroshima meu Amor (1959) à época de seu lançamento afirmaram que Resnais reescreveu com seu primeiro longa a linguagem cinematográfica. Ao diretor sempre interessou romper no cinema com a dramaturgia herdada da literatura e do teatro, embaralhando para o espectador a percepção de tempo, espaço e memória, criando assim uma experiência única que transforma o cinema em arte única.

Essa experiência foi ainda mais radical em O Ano Passado em Marienbad (1961), filme-enigma intransponível a quem procura decifrá-lo com as ferramentas convencionais. Com o tempo, a obra de Resnais, sempre associada à arte de vanguarda, ficou restrita aos cinemas de arte e ao circuito de festivais a partir dos anos 80.

A recente produção do cineasta mostra que ele, embora não persiga mais o rigor experimentalista dos primeiros anos, não arrefeceu seu vigor narrativo e seu peculiar interesse pelo descompasso entre o homem e o tempo.

 

Não deixe de ver – O impactante curta documental Noite e Nevoeiro, de 1955, expõe os horrores do Holocausto na II Guerra. Contrapondo imagens coloridas de campos de concentração desativados com registros de arquivo em preto-e-branco do genocídio em massa, Resnais, mais do que revelar as atrocidades, lança um grito de alerta para que fatos como essa história não se repetissem. Outro título imperdível é Hiroshima meu Amor. Homem (Eiji Okada) e mulher (Emmanuelle Riva) se encontram na cidade japonesa de Hiroshima, ainda em reconstrução após a devastação da bomba atômica. Cada um carrega marcas pessoais da tragédia, que se embaralham no que vivenciam no presente e nas lembranças que trazem do passado.

Preste atenção – A montagem é um dos recursos mais impressionantes do cinema de Alain Resnais. O diretor fragmenta a narrativa que poderia ser perfeitamente mostrada de maneira convencional e a reconstrói para enfatizar seu olhar peculiar sobre os efeitos do tempo e da memória nas trajetórias de seus protagonistas.

OS FILMES (Informações do Cine Santander)

 

MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS

Cœurs, 2006, 35 mm, cor, 120 min, 14 anos

História de seis pessoas que vivem no mesmo bairro em Paris e têm suas vidas alteradas pelo destino.

Veneza 2006: direção + atriz (Morante). César 2006: indicado direção + roteiro adaptado + fotografia + figurino + montagem + música + direção de arte + som.

 

AMORES PARISIENSES

On connaît la chanson, 1997, 35 mm, cor, 120 min, 12 anos

Vários personagens e seus problemas cotidianos têm seus destinos cruzados pelas ruas de Paris. A executiva Odile despede um funcionário que acabara de contratar para dar uma oportunidade para o irmão de Nicolas, seu ex-namorado. Já Nicolas é hipocondríaco e não consegue decidir qual apartamento alugar, por mais que o corretor de imóveis Simon lhe apresente opções interessantes. Enquanto isso, Camille, irmã de Odile, descobre que passou vários anos de sua vida pesquisando sobre um assunto que não interessa a ninguém. Ao mesmo tempo, se apaixona por Marc, o patrão de Simon.

César 1997: melhor filme + roteiro + ator (Dussollier) + ator coadjuvante (Bacri) + atriz coadjuvante (Jaoui) + montagem + som. Prêmio Louis Delluc 1997: melhor filme. Berlim 1998: seleção.

 

HIROSHIMA MEU AMOR

Hiroshima mon amour, 1959, 35 mm, pb, 90 min, exibições em DVD, 16 anos

Em 1959, jovem francesa passa a noite com arquiteto japonês, em Hiroshima, onde ela participa de um filme sobre a paz. Ele a faz lembrar de seu primeiro amor, um soldado alemão que conheceu em Nevers, na França, no final da Segunda Guerra.

Cannes 1959: seleção. Oscar 1960: indicado roteiro original. NY Film Critics Circle 1960: melhor filme estrangeiro.

 

O ANO PASSADO EM MARIENBAD

L'année dernière à Marienbad, 1961, 35 mm, pb, 94 min, 16 anos

Num imenso e luxuoso palácio barroco, transformado em hotel (e em labirinto espaço-temporal), entre corredores, salões decorados e estátuas, um estranho tenta convencer uma mulher casada a fugir consigo. Ele diz conhecê-la. Diz que foram amantes. Entretanto, parece difícil fazê-la lembrar de que tiveram um caso (ou que não tiveram) no ano passado, em Marienbad – ou seria Frederiksbad?

Veneza 1961: melhor filme (Leão de Ouro). Oscar 1962: indicado roteiro original.

 

MURIEL OU O TEMPO DE UM RETORNO

Muriel or Le temps d'un retour, 1963, 35 mm, cor, 112 min, 12 anos

História de um grupo de pessoas na cidade de Boulogne, no início da década de 1960. Uma viúva e seu jovem enteado, ambos às voltas com difíceis lembranças que lhes perturbam o passado. Um antigo amor da juventude volta à vida da mulher e espanta o tédio de sua existência. Já o rapaz é assombrado por memórias de uma atrocidade que testemunhou durante a guerra da Argélia, quando uma jovem chamada Muriel foi torturada até a morte.

 

STAVISKY

1974, 35 mm, cor, 120 min, 14 anos

Enquanto Trotski obtém asilo político em território francês, o industrial e escroque Serge Alexandre, na pele de Stavisky, com seu charme e talento irresistíveis, consegue estar sempre cercado de muitos amigos, dentre eles, membros influentes da elite industrial e política francesa do começo dos anos 30. Mas quando seu grande golpe, envolvendo milhões de francos, é exposto, o resultado é um escândalo que quase leva a uma guerra civil.

 

 

MEU TIO DA AMÉRICA

Mon oncle d'Amérique, 1980, 35 mm, cor-pb, 125 min, 12 anos

Os destinos cruzados de três personagens sob o olhar de uma quarta cobaia: o biólogo Henri Laborit, que explica sua própria teoria sobre como o ambiente interfere na formação da personalidade dos seres humanos. Mas desta vez, ao invés de ratos de laboratório, os objetos de investigação são dois homens e uma mulher, de cidades, origens sociais e famílias diferentes, cujas vidas são acompanhadas desde a infância até a fase adulta.

Cannes 1980: Grande prêmio do júri + FIPRESCI. César 1980: indicado melhor filme + direção + roteiro + atriz (Garcia) + fotografia + direção de arte. Oscar 1980: indicado roteiro original. NY Film Critics Circle 1980: melhor filme estrangeiro. David di Donatello 1980-1981: roteiro de filme estrangeiro.

 

Documentários 1

 

GUERNICA

1950, 16 mm ampliado para 35 mm, pb, 13 min, 16 anos

O bombardeamento da cidade de Guernica pela aviação nazista, em favor de Franco, é evocado através do afresco de Picasso (de 1937) e de outras de suas obras.

 

AS ESTÁTUAS TAMBÉM MORREM

Les statues meurent aussi, 1953, 35 mm, pb, 29 min, 16 anos

Um documentário sobre a arte negra torna-se um panfleto anti-colonialista e anti-racista. Neste potente poema, ritmado pelas formas das estátuas africanas, expõe-se a opressão e a destruição de uma arte e de um povo por outro povo.

Prêmio Jean Vigo 1954: melhor curta.

 

NOITE E NEVOEIRO

Nuit et brouillard, 1955, 16 mm ampliado para 35 mm, cor-pb, 32 min, 16 anos

Imagens coloridas dos campos de concentração abandonados e filmes de arquivos em preto e branco. Texto do escritor Jean Cayrol, um ex-prisioneiro do campo de Orianemburgo.

Prêmio Jean Vigo 1956: melhor curta.

 

Documentários 2

 

TODA A MEMÓRIA DO MUNDO

Toute la mémoire du monde, 1956, 35 mm, pb, 21 min, exibições em DVD, 14 anos

 

Nas entranhas da Biblioteca Nacional, quem sabe qual será, amanhã, o testemunho mais confiável de nossa civilização? De corredor em corredor, de livro em livro, desdobra-se o labirinto.

 

O CANTO DO ESTIRENO

Le chant du styrène, 1958, 35 mm, cor, 19 min, exibições em DVD, 14 anos

Documentário sobre a fabricação da matéria plástica, com narração em versos alexandrinos e em cinemascope.

Veneza 1958: prêmio Mercúrio de Ouro.

 

Documentário sobre Resnais

 

ABORDANDO ALAIN RESNAIS, UM REVOLUCIONÁRIO DISCRETO

Une approche d'Alain Resnais, révolutionnaire discret

1980, Betacam, 59 min, cor, exibições em vídeo, 12 anos

Retrato de Alain Resnais até Meu tio da América, com trechos de seus filmes e os testemunhos dos roteiristas e dos que o conheceram nos anos 1940 e 1950, como Jean Mitry, seu professor no IDHEC - Institut des Hautes Etudes Cinématographiques. Resnais nasceu em Vannes, Morbihan, Bretagne, França, em 3 de junho de 1922.

PROGRAMAÇÃO

7 a 12 de abril

 

16h45              Amores parisienses  Alain Resnais

19h00              Medos privados em lugares públicos  Alain Resnais

 

14 a 17 de abril

14h30              Amores parisienses  Alain Resnais

16h45              Medos privados em lugares públicos  Alain Resnais

19h00              Amores parisienses  Alain Resnais

 

18 de abril

14h30              Medos privados em lugares públicos  Alain Resnais

 

19 de abril

14h30              Amores parisienses  Alain Resnais

 

21 de abril

14h30              Stavisky

16h45              Muriel ou O tempo de um retorno

19h00              Hiroshima meu amor Le Rendez-vous Cinéma avec Enéas de Souza

 

22 e 23 de abril

15h00              O ano passado em Marienbad

16h50              Stavisky

19h00              Muriel ou O tempo de um retorno

 

24 e 25 de abril

15h00              O ano passado em Marienbad

17h30              Abordando Alain Resnais  Michel Leclerc

19h00              Meu tio da América

 

26 de abril

15h00              Hiroshima meu amor

17h30              Documentários 1

19h00              Stavisky

 

28 e 29 de abril

15h00              Hiroshima meu amor

16h45              Meu tio da América

19h00              O ano passado em Marienbad

 

30 de abril

14h30              Stavisky

16h45              Muriel ou O tempo de um retorno

19h00              Meu tio da América Cineclube Projeto com Claudia Laitano

 

1º e 2 de maio

15h00              Muriel ou O tempo de um retorno

17h30              Documentários 2

19h00              Hiroshima meu amor

 

3 de maio

15h00              Meu tio da América

17h30              Documentários 1  

19h00              Stavisky

 

Postado por Marcelo Perrone e Roger Lerina

Resnais e Demy (1)

07 de abril de 2009 0

Catherine Deneuve em


Na série de eventos culturais que marcam a celebração do Ano da França no Brasil, calhou de estrearem nesta terça em Porto Alegre duas mostras de cinema imperdíveis, ambas realizadas com apoio da Cinemateca da Embaixada da França.


No Cine Santander, ficam em cartaz até 3 de maio 12 obras do cultuado realizador Alain Resnais, que segue em plena atividade aos 86 anos – um de seus mais recentes filmes, o excelente Medos Privados em Lugares Públicos (2006), é um dos destaques da programação. Já no CineBancários podem ser conferidos até 21 de abril, com entrada franca, quatro longas do diretor Jacques Demy (1931 – 1990).


A seleção dedicada a Resnais faz um recorte significativo de uma carreira que começou nos curtas-metragens documentais e foi consagrada a partir de clássicos como Hiroshima meu Amor (1959) e O Ano Passado em Marienbad (1961). Na programação estão títulos pouco conhecidos do grande público, como Muriel ou O Tempo de Um Retorno (1963) e Stavisky (1974), além do referencial Meu Tio da América (1980).


Se Resnais ficou marcado como autor de filmes "difíceis", nos quais expandiu os limites sensoriais de tempo, espaço e memória, Demy consagrou-se como um diretor à vontade diante dos musicais e dos romances. Além de títulos como A Baía dos Anjos (1962) e Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), a mostra exibe o documentário sobre sua vida Jacquot de Nantes (1991), dirigido pela mulher de Demy, a também cineasta Agnès Varda.


Neste primeiro post,  falamos da mostra de Jacques Demy. 

 

A despeito da irregularidade de sua obra, Jacques Demy é um dos mais inspirados realizadores do cinema francês, um cinéfilo apaixonado que prestou tributos memoráveis a seus mestres e influências com seu trabalho. Herdeiro da tradição do realismo poético dos anos 1930 e 1940 na França, Demy desenvolveu uma filmografia um tanto à margem de seus contemporâneos de nouvelle vague – ainda que fosse casado com um de seus expoentes, a diretora belga Agnès Varda.


Já em seu primeiro longa, Lola (1961), Demy homenageia o mestre Max Ophuls, enquanto em Pele de Asno (1970), a referência assumida é o cineasta e poeta Jean Cocteau. O musical americano também é outra citação fundamental na filmografia do diretor, como em Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e Duas Garotas Românticas (1967).

NÃO DEIXE DE VER – Estrelado por Catherine Deneuve, Os Guarda-Chuvas do Amor é uma ousada experiência cinematográfica, que une tanto a tradição do filme musical americano quanto a crítica social do neo-realismo italiano e da nouvelle vague francesa. Demy coloca toda uma cidade literalmente a cantar nesse romance sobre uma adolescente grávida, filha de pequenos comerciantes, dividida entre o amor por um mecânico que foi servir ao exército na Argélia e a proposta de casamento com um vendedor de diamantes, que se dispõe a criar o bebê que ela espera como se fosse seu. Veja também Jacquot de Nantes (1991), delicada e amorosa crônica sobre a infância de Demy dirigida por sua mulher Agnès Varda.


PRESTE ATENÇÃO – Na fluidez da direção de Demy, que torna naturais mesmo as mais improváveis cenas, como aquelas em que os personagens cantam e dançam em situações cotidianas em seus musicais. Repare também na exuberância das composições de cores em títulos como Os Guarda-Chuvas do Amor.


Os filmes da mostra (com informações do Cinebancários)

1 - A Baia dos Anjos - (La Baie des Anges, França, 1962). Com Jeanne Moreau. Duração 89’.
"Eu quis desmontar e mostrar o mecanismo de uma paixão. Isso poderia ser o álcool e a droga, por exemplo. Não era somente um jogo em si" (JACQUES DEMY).
Jackie é uma parisiense de meia idade que deixa seu marido e filhos para se aventurar no mundo das apostas em Nice, onde estará em jogo não apenas o frenesi das roletas do cassino, mas também o do ciclo da sedução.

2 – Lola (França, 1961). Com Anouk Aimée. Duração 85’.

"Me agradava muito a idéia de fazer algo sobre fidelidade, a fidelidade para lembrar e misturar ali minhas recordações de Nantes" (JACQUES DEMY)
Lola (Anouk Aimée) é uma dançarina de cabaré que espera pelo retorno de Michel (Harden), namorado que há sete anos foi para a América e é pai de seu filho. Ele prometeu voltar somente quando estivesse rico. Durante sua ausência, Lola é cortejada por Roland (Michel), seu amigo de infância, e pelo marinheiro americano Frankie (Scott). Tudo indica que ela acabará escolhendo definitivamente um dos dois, mas seu coração ainda pertence a Michel. O filme é dedicado ao diretor alemão Max Ophüls, que dirigiu diversos dramas e romances.

3 - Os Guarda-chuvas do Amor - (Les Parapluies de Cherbourg, França/Alemanha, 1964). Duração 91’.
“Os Guarda-chuvas` é um filme contra a guerra, contra a ausência e contra tudo aquilo que o odiamos e que destrói a felicidade" (JACQUES DEMY)
Geneviève Emery, cuja mãe possui um comércio de guarda-chuvas, é uma adolescente de 17 anos se vê obrigada a decidir entre esperar por seu amor, um mecânico de 20 anos que foi servir ao exército na Argélia, ou se casar com um comerciante de diamantes, que se propõe a criar o bebê que ela espera como se fosse seu.

4 - Duas Garotas Romãnticas-Les Demoiselles de Rochefort (França, 1967). Duração 91’.
"Queria fazer um filme que despertasse um sentimento de felicidade, que, depois da projeção, o espectador saísse da sala menos triste do que quando tinha entrado" (JACQUES DEMY)
Delphine e Solange são duas irmãs gêmeas encantadoras e espirituosas de 25 anos. Delphine, a loira, dá aulas de de dança et Solange, a ruiva, aulas de música. Elas vivem então da música e sonham ir para Paris e ter uma vida fantasias. Alguns empresários chegam à cidade e passam a frequentar o bar que é da mãe delas. Uma grande feira é promovida e um marinheiro sonhador está à procura da mulher ideal...

5 - Jacquot de Nantes (França, 1991). De Agnès Varda. Duração 118’.
"Esta é a magnífica história do talento de Jacquot, filmado por uma mulher que ele encontrou em 1958 e que desde então compartilhou sua vida".
Era uma vez um menino criado numa oficina mecânica, na qual todos amavam cantar. Era 1939, ele tinha 8 anos e adorava marionetes e operetas. Mais tarde, ele quis fazer cinema, mas seu pai o fez estudar mecânica… Trata-se de Jacques Demy e de suas recordações. O filme é a crônica de seus jovens anos com seu irmãozinho, seus amigos, seus jogos, suas trocas de objetos, a visita da “tia do Rio”, os amores infantis, os primeiros filminhos… É uma infância feliz e uma adolescência obstinada que nos são contadas, apesar dos eventos da guerra e do pós-guerra. É a evocação de uma vocação, filmada pela mulher que Jacquot conheceu em 1958 e que dividiu com ele sua vida desde então.
Seleção oficial do Festival de Cannes 1991 (fora de competição)

Grade de Horários:

Terça-feira 7 de abril:

15h: A Baía dos Anjos
17h: Lola
19h: Os Guarda-Chuvas do Amor

Quarta-feira 8 de abril:
15h: Duas Garotas Românticas
17h: Jacquot de Nantes
19h: A Baía dos Anjos

Quinta-feira 9 de abril:
15h: Lola
17h: Os Guarda-Chuvas do Amor
19h: Duas Garotas Românticas

Sexta-feira 10 de abril:
15h: Jacquot de Nantes
17h: A Baía dos Anjos
19h: Lola

Sábado 11 de abril:
15h: Os Guarda-Chuvas do Amor
17h: Duas Garotas Românticas
19h: Jacquot de Nantes

Domingo 12 de abril:
15h: A Baía dos Anjos
17h: Lola
19h: O s Guarda-Chuvas do Amor

De 14 a 19 de Abril:

Terça-feira 14 de abril:
15h: A Baía dos Anjos
17h: Lola
19h: Os Guarda-Chuvas do Amor

Quarta-feira 15 de abril:
15h: Duas Garotas Românticas
17h: Jacquot de Nantes
19h: A Baía dos Anjos

Quinta-feira 16 de abril:
15h: Lola
17h: Os Guarda-Chuvas do Amor
19h: Duas Garotas Românticas

Sexta-feira 17 de abril:
15h: Jacquot de Nantes
17h: A Baía dos Anjos
19h: Lola

Sábado 18 de abril:
15h: Os Guarda-Chuvas do Amor
17h: Duas Garotas Românticas
19h: Jacquot de Nantes

Domingo 19 de abril:
15h: A Baía dos Anjos
17h: Lola
19h: Os Guarda-Chuvas do Amor

Terça–feira 21 de abril:
15h: Jacquot de Nantes
17h: A Baía dos Anjos
19h: Lola

 

Postado por Marcelo Perrone e Roger Lerina

Jean Charles, o filme

06 de abril de 2009 0

A distribuidora Imagem Filmes liberou hoje o trailer de Jean Charles, longa que estreia em 26 de junho. Como diz o nome, trata-se da reencenação ficcional da trajetória do jovem brasileiro Jean Charles de Menezes, que foi assassinado - mais precisamente, executado - dentro de um trem do metrô de Londres por policiais ingleses que o confundiram com um suspeito de ser terrorista. No papel do protagonista, o diretor Henrique Goldman aposta em um grande chamariz de público do cinema nacional, Selton Mello. Como se trata de um episódio com repercussão internacional, paira a expectativa de que o filme possa ter uma boa carreira no Exterior. A ver.

Postado por Marcelo Perrone

Espia só...

01 de abril de 2009 1

...este vídeo que circula por aí e que traz uma interpretação de Mauricio Carrilho para o Choro Composto em um Bonde, de Octávio Dutra (1884-1937), ilustrada com imagens dos velhos bondinhos que circulavam por Porto Alegre à época da música (por volta da década de 1910).

 

Como você pode ver em reportagem no Segundo Caderno de ZH desta quinta, nesta semana terminaram na cidade as filmagens de um documentário musical de longa-metragem sobre Octávio Dutra. É uma iniciativa louvável sob todos os sentidos. Vai ajudar, por exemplo, a tornar mais conhecida a obra desse grande maestro, compositor e violonista, que, apesar de ser um dos precursores do choro brasileiro e da música popular urbana gaúcha, tem uma obra hoje quase inacessível - basta procurar outra coisa na internet, em YouTubes da vida, para ver o que se encontra além do vídeo acima.

Aguardemos o filme.

P.S.: Espia Só é o título do longa - e de uma das músicas mais conhecidas de Octávio Dutra, como também se pode ler no jornal desta quinta.

P.S.2: Um esclarecimento para o leitor que por ventura não conheça Porto Alegre: Carris é o nome da companhia de transporte público municipal que hoje tem a principal frota de ônibus urbanos da cidade e que, noutros tempos,era responsável pelos bondes que circulavam pelas suas ruas. O selo TV Carris carregado por este vídeo, presumo, tem a ver com um serviço disponibilizado no site da empresa.

Postado por Daniel Feix