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Posts de maio 2009

Lego no cinema?

28 de maio de 2009 0

Não, ainda não fizeram um filme sobre o Lego ou um longa metragem produzido totalmente em Lego. Ou, se fizeram, não divulgaram e estão perdendo a maior barbada, já que quase tudo o que é feito com as pecinhas coloridas ganha atenção imediata. E não é de hoje, claro.

Desde que foi criado, o brinquedo é sucesso em qualquer aspecto. No que toca o cinema, foi utilizado de todas as formas. Desde recriação de posteres, como estes do Speckybooy...

... passando pelo clássico Em Busca do Cálice Sagrado, da trupe do Monty Phyton, que refez uma das cenas e incluiu ela no DVD de extras do filme...

... sem esquecer das simpáticas produções caseiras, como esta que refez um dos trailers do filme Batman - O Cavaleiro das Trevas...


... até o Brickfilms, dedicado a criação de filmes feitos a partir dos tijolinhos psicodélicos. O site ensina passo-a-passo como fazer seu próprio curta-metragem em stop motion, e postá-lo apenas por diversão ou competindo com outros. Tem uma infinidade de adaptações, algumas, inclusive, bem melhores que as originais...

Postado por Gustavo Brigatti

10 anos da P.F. Gastal - veja os filmes!

25 de maio de 2009 2

Este post é ao mesmo tempo um registro, uma homenagem e uma dica.

O registro é o dos 10 anos da Sala P.F. Gastal, um dos espaços, como a gente falou na edição impressa da ZH de hoje, mais empenhados em exibir aos cinéfilos porto-alegrenses o que há de melhor no cinema autoral atual. A homenagem é nossa, da equipe do jornal, à toda a turma que trabalha na P.F., liderada pelo Marcus Mello, programador, e pelo Bernardo de Souza, coordenador de cinema e fotografia da secretaria municipal da Cultura da cidade, que mantém o espaço.

A dica é a mostra de filmes que a sala inaugura a partir de hoje, e cujo serviço completo está aqui, no blog da P.F. (que aliás é um espaço bem legal de interatividade entre o público e os responsáveis pela programação).

A equipe de ZH viu três das quatro produções selecionadas - e recomenda todas, especialmente as internacionais, Hunger, de Steve McQueen, e Afterschool, de Antonio Campos, dois títulos muitíssimo interessantes e que talvez não poderão ser vistos nos cinemas da Capital em outra oportunidade.

Sobre Afterschool, por sinal, já havíamos falado em outro post antes de vermos o filme. Post este que pode ser acessado aqui. Abaixo, os trailers:

 

 

 

 

 

Postado por Daniel Feix

Nazi chineleação

24 de maio de 2009 0

Tá, nazistas sempre foram uma fonte inesgotável de inspiração para todo tipo de arte. Mas carecia ao cinema alguma irreverência no trato com Hitler e seus asseclas. Bom, essa falha começou a ser corrigida agora, com Quentin Tarantino e o aguardado Inglorious Basterds.

O filme, que bota Brad Pitt a frente de um comando de caça a nazistas em plena França ocupada durante a Segunda Guerra, dividiu opiniões em Cannes, semana passada, quando foi exibido pela primeira vez. No Brasil, o filme tem lançamento marcado para o final de outubro.


Mas Tarantino não está sozinho no que parece ser uma onda de coincidentes produções que colocam os seguidores da suástica em contextos, no mínimo, pouco ortodoxos.

Um deste é o recém-lançado (lá fora) Dead Snow, produção norueguesa que conta a história de um grupo de estudantes que, durante férias nas montanhas geladas do país, se deparam com zumbis de oficiais nazistas ainda sedentos de sangue _ e, neste caso, cérebros também.


Mas zumbis nazistas ainda é pouco perto da premissa da animação Iron Sky. O longa, que ainda está em fase de produção na Finlândia (o frio não deve fazer bem pra essa galera, só pode ser...), trata de uma invasão espacial nazista. Explica-se: perto de perder a guerra, uma leva de cabeças do III Reich fugiu para a Lua, e lá ficou arquitetando uma revanche de proporções... alienígenas!

Lembrando que não é de agora que Tarantino pega emprestada a estética nazista para se exercitar. Um dos trailers falsos do ainda-não-lançado-no-Brasil Death Proof era exatamente Werewolf Women of the SS.

Postado por Gustavo Brigatti

Você está pronto para o jogo?

10 de maio de 2009 1

Mark Neveldine e Brian Taylor são dois doentes. Mas não é hora (ainda) de falar sobre eles. Basta saber que saiu de suas cabeças _ e pelas suas mãos foi executado _ o cult Adrenalina (Crank, 2006), que lançou Jason Statham como herói de ação definitivo e acaba de ganhar uma continuação _ que deverá receber suas merecidas linhas de análise no momento apropriado (normalmente conhecido como "o dia que for lançado oficialmente", tipo em setembro segundo o IMDB).

Mas é Gamer, o outro longa da dupla (por sinal gravado junto com Crank 2 mas que, por razões totalmente compreensíveis por quem já viu o novo capítulo da saga de Chev Chelios), quem certamente fará mais barulho. Estrelado por Gerard Butler, a fita acaba de ganhar seu primeiro trailer oficial, que pode ser assistido abaixo:


Ainda sem título em português ou previsão de lançamento no Brasil _ nos EUA deverá chegar às telonas apenas no segundo semetre _ o filme mistura elementos do universo cyberpunk, espetacularização da violência, distopia futurista, tecnologia a serviço do controle de mentes e corpos e a onipresença da indústria do entretenimento como elemento aglutinador. Boa parte destas idéias, inclusive, foram apresentadas em O Sobrevivente (The Running Man, 1987), dirigido por Paul Michael Glaser e baseado num livro do (cada vez mais palha) Stephen King.

A história se passa num futuro onde jogos de videogame do gênero shooter saíram da telinha e tornaram-se a última palavra em diversão. Tudo graças a uma nova tecnologia, patrocinada por um bilionário do entretenimento (Michael C. Hall), permite que pessoas de verdade sejam controladas em combates igualmente reais. As partidas são transmitidas ao vivo para o mundo todo, transformando seus participantes _ dentro e fora da tela _ em celebridades instantâneas.

Nesse novo Coliseu, o jogador mais famoso é Simon (Logan Lerman), enquanto sua "versão virtual" é vivida por Kable (Butler). Evidentemente que este não está nada contente com sua situação e prentende, de uma forma ou de outra, sair do jogo e acertar as contas com quem o colocou nele.

Pelo trailer é possível ver que uma inevitável pulsão romântica _ misturada com seu desejo de vingança _ move o herói. É onde Neveldine e Taylor podem botar tudo a perder. E eles podem. Ah, podem.

Postado por Gustavo Brigatti

O que Che poderia ter sido

04 de maio de 2009 13

Colin Ferrell em

Essa eu não sabia, fiquei sabendo vendo Guerrilha, ou Che - Parte 2, ainda sem previsão de estreia no Brasil - a parte um está em cartaz, e creio que todo mundo, como eu, esperava bem mais do épico de Steven Soderbergh. Bom, o que me chamou a atenção foi o nome de Terrence Malick nos créditos de Guerrilha, como co-autor do roteiro - em O Argentino seu nome não aparece e, curiosamente, ele não está creditado na ficha técnica do filme disponível no site referencial IMDb.
Malick esteve à frente do projeto desde o início ao lado do ator Benício Del Toro, mas o seu vagoroso ritmo de trabalho, somado à pressão dos produtores para tocar a empreitada de uma vez, o fez pular fora do barco e se dedicar a O Novo Mundo (2005), ambientado à época da colonização britânica na América, com referência à fábula da índia Pocahontas. E quem conhece a sazonal trajetória desse mítico cineasta tem razão para sonhar alto saber o quão perto a saga do mito Che Guevara esteve de suas mãos.
Malick, que ele lançou apenas quatro filmes em 32 anos,havia mostrado no belo Além da Linha Vermelha (1998), primeiro longa que lançou em 20 anos, a sua sensível habilidade para espelhar questões existenciais e humanistas das mais profundas em situações de violência e conflito - o longa se passa durante o embate entre americanos e japoneses no Pacífico, no curso da  II Guerra. Percebe-se que Soderbergh, especialmente em Guerrilha, tenta, timidamente, emular o cinema de Malick, em particular na maneira como filma as cenas de introspecção de Che nas selvas bolivianas - é uma caracaterística de Malick fazer da natureza uma personagem com tanta relevância e força na narrativa quanto seus protagonistas.
Malick, quem sabe, poderia sublinhar melhor elementos tão presentes na inflamada trajetória de Che Guevara entre a ação e a reflexão, que Soderbergh tangencia com seu olhar distanciado, em cima do muro, em que pese sua boa intenção, sua coragem em lançar o filme em espanhol, o que lhe fechou portas do mercado americano, o excelente elenco e o apuro técnico. Mas aí entramos no sempre pantanoso território do "e se...".
Soderbergh fez do seu filme um tributo morno, quase frio. Não fez um filme ruim, longe disso. Só não conseguiu fazê-lo à altura da expectativa que um projeto dessa magnitude sugeria.

Postado por Marcelo Perrone

Pequena Scarlett

02 de maio de 2009 1

Vejam que gracinha a Scarlett Johansson,uma das preferidas da turma aqui,antes da fama, aos nove anos, em um teste de vídeo.

Postado por Marcelo Perrone

Tati, Hitchcock, Almodóvar

01 de maio de 2009 0

Nem sei se é do interesse de algum dos milhões de leitores do Primeira Fila, mas resolvi compartilhar. Vou falar de três momentos cinematográficos dos últimos 20 dias, mais ou menos, tempo em que passei viajando por algumas cidades da Europa, longe de ZH, longe deste tão estimado blog. São três das boas recordações do período, como se pode ler a seguir.

 

A melhor compra de toda a viagem, em Londres, foi a de uma caixa de DVDs gigantesca de Hitchcock. Gigantesca porque são 14 longas-metragens (ponha nessa lista todos os melhores filmes do mestre, como Um Corpo que Cai, Os Pássaros, Janela Indiscreta, Frenesi, Psicose, O Homem que Sabia Demais etc.) e um documentário extra sobre sua obra. Ou seja, 15 discos. O box custava originalmente algo como 100 Pounds. Mas estava à venda por 20 Pounds na HMV. Na verdade, depois de feita a compra, vasculhei a internet e descobri que a mesma caixa está em promoção em diversas outras lojas, e pode inclusive ser comprada online por preços muito parecidos com o que paguei. Ainda assim, achei uma barbada. (Aliás, já que falo em DVDs comprados no Exterior, uma lembrança: para assistir, no aparelho de casa, a um disco produzido em outra zona que não a do Brasil, é preciso que esse aparelho esteja preparado para isso. Mas é bem simples "prepará-lo", abri-lo para que rode DVDs de todas as zonas. Uma assistência técnica autorizada faz isso rapidamente, e sem cobrar muito caro - anos atrás, paguei R$ 20 pelo serviço.)

 

A melhor sessão de cinema, em Madri, foi a de Los Abrazos Rotos, novo longa de Almodóvar. A crítica está bem dividida, mas eu gostei. Não tem aquela - maravilhosa - overdose de emoção de um Fale com Ela ou de um Volver, mas isso não é necessariamente ruim, embora muitos não tenham entendido dessa forma. É que se trata de um filme um tanto mais cerebral, que lida com a ironia, por exemplo, como Almodóvar fazia com mais frequência em seus tempos de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. A história é complexa, tem vaivéns no tempo e diversos personagens, mas vou tentar resumi-la: um escritor e roteirista (Lluís Homar) vive com o trauma de um acidente de carro sofrido ao lado da mulher de sua vida (Penélope Cruz). Cego desde o episódio, ele decidiu esquecer completamente o passado, adotando inclusive um pseudônimo para sua nova produção intelectual. É um filme pretensioso, recheado de simbologias e variações de gênero, que aborda temas como amor, traição, culpa, medo, abuso de poder... Exige um pouco de paciência do espectador, mas vale a pena. Nem precisa ser um grande fã do realizador espanhol para entrar na sua onda - o Almodóvar maduro é um narrador muito mais hábil do que aquele realizador irregular de 20 e tantos anos atrás.

 

A melhor imersão na obra de alguém, digamos assim, foi proporcionada pela Cinemateca Francesa, em Paris. É que por lá está rolando, desde o início de abril, uma grande retrospectiva de Jacques Tati. Eu disse grande retrospectiva. De um realizador francês cuja obra é cheia de signos visuais interessantes. Na Cinemateca Francesa. Em Paris. A programação é realmente impressionante: há uma mostra completa com absolutamente todos os seus filmes projetados em película, todos restaurados, mais um ciclo de conferências com todos os maiores especialistas em sua obra, mais uma mostra paralela com 30 longas referenciados ou que serviram de referência para o universo de Tati, de Godard a David Lynch, mais uma "exposição cenografada" que inclui desde objetos pessoais do realizador até cenas excluídas de seus filmes, passando por cartazes, fotografias, maquetes etc., entre diversas outras atividades pontuais que estão sendo realizadas quase que semanalmente até... agosto! E isso sem falar nos muitos souvenirs sobre Tati à venda na lojinha da Cinemateca. Enfim, um dossiê completo. Mesmo. Já usei o adjetivo, mas vou usar de novo: impressionante.

Postado por Daniel Feix