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Posts de julho 2009

A magnífica ode ao pessimismo de Woody Allen

22 de julho de 2009 1

Pessimistas são, indiscutivelmente, os seres mais felizes que habitam a Terra. Cerca de 50 deles não tiveram outra reação a não ser aplaudir emocionados, ao final da exibição de Whatever Works, o novo longa de Woody Allen, na noite da última segunda-feira no MK2 Quais de Loire, em Paris. Os outros dois terços da sala ficaram quietos, sem entender. Só o pessimismo por convicção conecta o personagem vivido por Larry David ao público. O filme termina com David encarando a plateia e exigindo um retorno. Casais de namorados em um primeiro encontro certamente abortaram o jantar conseguinte após observar a reação do parceiro diante da cena. Se ele(a), olhando nos olhos do velho rabujento e maldito, aplaudiu, bem, então é melhor nem pedirmos o menu, babe… Muitos voltaram para cara a sós na festiva noite de 13 de julho, véspera de feriado na capital francesa.

Culpa de Woody e seu Boris Yellnikoff, um velho problemático e neurótico que o diretor sacou do bolso para simplesmente substituí-lo no papel que habitualmente ele mesmo encarna. O filme pode ser resumido da seguinte forma: Boris é o tipo de cara que aposta na derrota – e sempre vence. Paradoxalmente, é o personagem com menor potencial para o sofrimento dentre todos que Allen apresenta ao longo do filme. Voltemos à Terra: Whatever Works (sem tradução para o francês, mas Tudo Pode Dar Certo, em tradução duvidosa para o português) também arranca aplausos porque significa a volta de Woody Allen ao seu bom padrão, após o questionável Vicky, Christina, Barcelona.

Os estereótipos existem, mas desta vez a serviço do humor, sem a pretensão de explicar os personagens centrais, como no longa anterior. É dessa forma que a bela Evan Rachel Wood interpreta a burra e ingênua lolita Melody, surgindo na vida do velho para virá-la de cabeça para baixo. É também como um arquétipo divertido que surge sua mãe, a senhora que depois de décadas de vida tradicional descobre a arte e a vida sexual em Nova York. Melody entra na história para ser, aparentemente, o centro dela, e se revela apenas uma passagem para o velho Boris divagar sobre a vida. Divagações longas, que, desta vez, subsituem os tradicionais offs explicativos de Woody Allen. Tudo foi parar na boca do magnífico Larry David, que inicia e encerra o longa com dois monólogos de tirar o folêgo, falando diretamente com o espectador, olhos nos olhos, sobre o que Schopenhauer definira como o que realmente importa na vida: o amor, as mulheres e a morte.

O papel de parede de Whatever Works não poderia ser mais simples: Nova York, suas calçadas e apartamentos, ambiente perfeito para que o diretor volte a apostar em diálogos longos e divertidos, quase teatrais. É assim na longa sequência na sala da casa do improvável casal quando a mãe, Marietta, surge de repente para descobrir a filha casada com um velho maniático. É assim quando o interiorano pai de Melody chega à cidade grande, toma um porre e conhece o primeiro exemplar homossexual de sua vida, ao qual pergunta:

- Mas homossexuais não estão fora do reino de Deus?

Ao que se segue o diálogo:

- Deus é gay.

- Mas ele criou o mundo, as árvores, os rios, as montanhas…

- Então, não está vendo? É um decorador!

É um humor interessante, mas pessimisista, o que permeia Whatever Works. É distante das mágoas que o personagem principal enfrenta a desilusão amorosa, encarando-a como simplesmente o andar natural das coisas. "Uma hora a felicidade tem que acabar", define Boris Yellnikoff, um quase-vencedor do prêmio Nobel de Fisica que tenta o suicídio semanalmente – sempre em vão. E é sem dúvida ele o mais feliz dos personagens da história: o único que sabe do fracasso iminente, logo, o único que está realmente pronto para celebrar a derrota. Todos os outros apaixonados, Melody, sua mãe, seu pai, os amigos de Boris e os amantes que vão surgindo ao longo do filme, todos eles estão fadados à desilução aterradora. Boris vai rir de todos, um a um, inclusive dos casais que sentaram nas poltronas do MK2 Quais de Loire.

O retorno a Nova York fez bem, muito bem a Woody Allen. E certamente a todos os felizes pessimistas espalhados pelo mundo.

O trailer:

Postado por Gabriel Brust, de Paris

Smolianoff e os 142 falsários

18 de julho de 2009 1

Você assistiu a Os Falsários? Se não, as novas oportunidades são o DVD, que a Europa Filmes planeja lançar em outubro, e, talvez antes disso, alguma sessão das próximas semanas na Casa de Cultura Mario Quintana. É que a Cinemateca Paulo Amorim está esperando a cessão de uma cópia por parte da distribuidora Europa para recolocar este belíssimo longa, para mim um dos melhores do ano, em cartaz em Porto Alegre.

O longa austríaco dirigido por Stefan Ruzowitzky e vencedor do Oscar de filme estrangeiro de 2008 conta a história da Operação Bernhard (1942 a 1945), até hoje lembrada como a maior ação de falsificação de dinheiro da história, posta em prática pelos nazistas na II Guerra. A operação tinha como mão-de-obra 142 artistas judeus, sendo o seu líder Salomon “Sally” Smolianoff, que nasceu em 1897, na Ucrânia, e morreu em 1976, em... Porto Alegre.

A edição impressa de ZH deste domingo (19 de julho) conta o que consegui apurar da trajetória de Smolianoff, sujeito que tem uma das histórias pessoais mais incríveis de que já ouvi falar, a partir de longas pesquisas e também depoimentos de gente que trabalhou em seu ateliê desde a década de 1950, quando ele aqui chegou depois de passar por Turquia, Itália, Uruguai...

E este blog disponibiliza, abaixo, o trailer oficial de Os Falsários e também o textinho que fiz quando da estreia do filme em Porto Alegre, na primeira sexta-feira do mês passado (5 de junho).

Como você pode ler abaixo, o filme só foi exibido em uma única sala da cidade, com uma única cópia. Muito pouco para suas inúmeras qualidades.

 

Consciências em guerra

(texto publicado em ZH em 5 de junho)

Nem parece verdade, tamanha a quantidade e a variedade existente de filmes sobre a II Guerra, mas um dos mais novos exemplares do gênero diz algo original sobre o conflito. O austríaco-alemão Os Falsários, que estreia hoje no Unibanco Arteplex 8, é triste como grande parte dos longas sobre o tema. Também segue muitos preceitos do cinema acadêmico que sobretudo Hollywood não abre mão quando se tratam de produções de época. Conta, como tantos outros títulos, uma lição de sobrevivência em meio à tragédia do Holocausto. Mas fala de ética nos campos de concentração explorando nuanças do comportamento humano que poucos conseguiram explorar até hoje.

Só aí já está uma boa justificativa para que o longa, dirigido por Stefan Ruzowitzky (de Anatomia, thriller com Franka Potente), derrubasse a concorrência do polonês Katyn, de Andrzej Wajda, outro belo mas inferior filme sobre a II Guerra, na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro de 2008. As credenciais de Os Falsários, no entanto, vão além: o roteiro é conciso e cheio de insinuações, todas as interpretações exploram com consistência as inúmeras matizes de cada personagem, há originalidade da trilha sonora, que contém obras-primas do tango (Mano a Mano) e da música de câmara (Liszt, Bach), aos figurinos de soldados nazistas e prisioneiros judeus.

Baseada em uma história real, trama recria a Operação Bernhard, como ficou conhecida a ação alemã de falsificação de dólares e libras esterlinas - que visava ao mesmo tempo financiar a guerra e provocar o caos econômico nos países inimigos. A manobra era elaborada pela inteligência alemã, mas sua execução dependia dos serviços do "maior falsificador do mundo", o judeu Salomon “Sally” Smolianoff, que no filme teve o sobrenome modificado para Sorowitsch e que é interpretado pelo austríaco Karl Markovics.

Detido pelas tropas SS, Sally é escalado para comandar um grupo de 142 prisioneiros, todos com habilidades semelhantes, que têm acesso a alguns "privilégios" - um banho coletivo de chuveiro por semana, camas minimamente confortáveis e entretenimento com uma mesa de pingue-pongue, por exemplo. Enquanto ouvem os maus-tratos aos outros judeus através das paredes do campo de concentração, o grupo se debate: caso sua empreitada obtenha sucesso, estarão ajudando o inimigo a ganhar a guerra; caso se neguem a trabalhar, podem estar assinando a sua própria sentença de morte.

“Prefiro morrer amanhã do que ser fuzilado agora”, diz lá pelas tantas um dos personagens, ao se negar a fazer parte de um boicote organizado por outro prisioneiro, Adolf Burger (August Diehl, outro destaque do elenco). Muitos outros dilemas morais desenvolvem-se a partir daí, quase sempre opondo interesses pessoais a coletivos - conflito acentuado pela personalidade de Sally, um artista plástico apresentado antes da guerra como cínico bon-vivant mas que apesar disso é elevado à condição de líder do grupo, e pela situação em que ele se encontra: além de deter o conhecimento que é ao mesmo tempo capaz de libertá-lo e de condená-lo, o homem é tratado por seus algozes ora como escória, ora como sua última esperança.

Os Falsários é baseado num livro de memórias. Que não foi escrito pelo protagonista, mas por Burger - que por sua condição igualmente ambígua, hesitante entre a rebeldia e a subserviência, contra Sally e contra os alemães, traz à história um olhar ainda mais enigmático. Certo ou errado? Mocinhos ou bandidos? Ruzowitzky deixou essas dualidades primárias tão para trás quanto uma verdadeira obra de arte tem a obrigação de fazer.

Postado por Daniel Feix

Paixão ao som dos Smiths

15 de julho de 2009 0

Tem estreia prevista para novembro no Brasil o mais recente possível fenômeno indie paparicado pela crítica americana. (500) Days of Summer traz a lindinha Zooey Deschanel como a Summer do título, garota que acredita ser o verdadeiro amor uma quimera, algo tão possível para ela quanto voar no trenó do Papai Noel.

Claro que a guria vai cruzar com um carinha que é o seu oposto, sujeito romântico na mais clássica definição do termo. Sabe como os dois se conhecem? No elevador, quando ela puxa assunto ao identificar a canção que sai dos fones de  ouvido dele: There Is a Light That Never Goes Out, belo clássico dos Smiths.

- I Love The Smiths - diz ela, murmurando um pedacinho da letra cantada por Morrissey .

O filme dirigido pelo novato Marc Webb passou pelo Festival de Sundance e entra em cartaz nesta sexta nos EUA, respaldado por avaliações superlativas. Resenhas destacam o frescor e a inventividade da narrativa não-linear e o drible criativo nos clichês das comédias românticas combinando, vejam só, referências à cultura pop oitentista, ao grandes musicais e ao cinema de nomes como Woody Allen, Fellini e... Ingmar Bergman (!?). Que tal?

Dá só uma olhada nos dois trailers de (500) Days of Summer que circulam por aí.

Postado por Marcelo Perrone

Os filmes do 37º Festival de Gramado

14 de julho de 2009 1

O novo documentário de Fernando Solanas, os filmes que levaram o Urso de Ouro e um Urso de Prata no último Festival Berlim - tem coisa muito interessante na mostra de longas estrangeiros do 37º Festival de Cinema de Gramado. Entre os longas nacionais estão dois gaúchos, a mais recente produção assinada pelo diretor de Estômago, dois documentários, sendo um sobre Cildo Meirelles, e o primeiro longa dirigido pela atriz Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla e musa do Cinema Marginal entre os anos 1960 e 1970.

O anúncio dos filmes que integram as quatro mostras competitivas de Gramado 2009 - longas nacionais, longas estrangeiros, curtas brasileiros e curtas gaúchos - foi feito hoje. Confira, abaixo, a lista completa dos concorrentes. E amanhã, quarta-feira, no Segundo Caderno de ZH, mais detalhes dos longas em competição.

Ah, sim, a lista dos homenageados: o ator Reginaldo Faria receberá o troféu Oscarito, o diretor e roteirista Ruy Guerra, o Kikito de Cristal, e os veteranos gaúchos Itacyr Rossi, produtor, e Ivo Czamansky, fotógrafo, serão os homenageados especiais do festival. O Troféu Eduardo Abelim, depois da negativa do cineasta paulista Beto Brant - que agradeceu a lembrança, mas, numa atitude realmente grandiosa, se disse muito novo para receber uma homenagem "por sua obra" -, ainda não tem destinatário definido.

O Festival de Gramado será realizado entre 9 e 15 de agosto próximos.

Longas Nacionais:

.Canção de Baal, de Helena Ignez
.Cildo
, de Carlos Moura
.Corpos Celestes, de Marcos Jorge e Fernando Severo
.Corumbiara, de Vincent Carelli
.Em Teu Nome, de Paulo Nascimento
.Quase um Tango, de Sérgio Silva

Longas Estrangeiros:

.Gigante, de Adrián Biniez (Uruguai)
.La Teta Asustada, de Claudia Llosa (Peru)
.Lluvia, de Paula Hernandez (Argentina)
.La Próxima Estación, de Fernando Solanas (Argentina)
.Nochebuena, de Maria Camila Loboguerrero (Colômbia)

Curtas Nacionais:

.O Troco, de André Rolim (São Paulo/SP)
.Josué e o Pé de Macaxeira, de Diogo Veigas (Rio de Janeiro/RJ)
.O Teu Sorriso, de Pedro Freire (Rio de Janeiro/RJ)
.Teresa, de Paula Szutan e Renata Terra (São Paulo/SP)
.Pra Inglês Ver, de Vitor Granado e Robson Dias (Rio de Janeiro/RJ)
.Em Terra de Cego, de João Boltshauser (Rio de Janeiro/RJ)
.Doce Amargo, de Rafael Primot (São Paulo/SP)
.Ernesto no País do Futebol, de André Queiroz e Thaís Bologna (São Paulo/SP)
.Não me Deixe em Casa, de Daniel Aragão (Recife/PE)
.A Invasão do Alegrete, de Diego Müller (Santa Cruz do Sul/RS)
.Olhos de Ressaca, de Petra Costa (Rio de Janeiro/RJ)
.Quiropterofobia, de Fernando Mantelli (Porto Alegre/RS)

Mostra Gaúcha de Curtas-Metragens:

.Enciclopédia, de Bruno Gularte Barreto
.Livros no Quintal, de Vinicius Cruxem
.Mapa-Múndi, de Pedro Zimmermann
.De Volta ao Quarto 666, de Gustavo Spolidoro
.Quiropterofobia, de Fernando Mantelli
.Jogo do Osso, de Henrique de Freitas Lima
.Segura na Mão de Deus, de Elisa Simczak Treuherz e William Linhaes
.Sobre um Dia Qualquer, de Leonardo Remor
.Groelândia, de Rafael Figueiredo
.Fogo, de Hique Montanari
.Aos Pés, de Zeca Brito
.A Princesa e o Violinista, de Guto Bozzetti
.Do Mesmo Lado do Muro, de Bruno Carvalho
.A Invasão do Alegrete, de Diego Müller
.Palavra Roubada, de Mirela Kruel

Filmes que serão exibidos fora de competição:

.El viaje de Avelino, de Francis Estrada (Argentina)
.Em Quadro, de Luiz Antônio Pilar (Brasil)
.Garapa, de José Padilha (Brasil)
.Inalmama, Sagrada e Profana, de Eduardo López Zavala (Bolívia/Venezuela)
.Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro (Brasil)
.Ruas da Amargura, de Ruy Simões (Portugal)
.Tudo isto me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno (Brasil/Venezuela)
.
Palavra Encantada, de Helena Solberg (Brasil)
.Só Dez por Cento É Mentira, de Pedro Cezar (Brasil)
.A Geração 65, de Luci Alcântara (Brasil)
.A Árvore da Música, de Otávio Juliano (Brasil)
.Um Homem de Moral, de Ricardo Dias (Brasil)

Postado por Daniel Feix

Os reparos à nouvelle vague

14 de julho de 2009 0

Nesta celebração aos 50 anos da nouvelle vague, feita com o olhar distanciado e sob perspectiva histórica da sua importância e legado na história do cinema, o balanço é bastante positivo. Mas como terá sido a recepção ao movimento no calor da hora?

Por acaso, cruzei com alguns textos que estão nos extras de uma antiga edição em DVD de Os Incompreendidos. Diante de uma nova versão do clássico de François Truffaut, fui dar uma checada na anterior antes de passá-la adiante e nem lembrava desse detalhe. São textos assinados por diretores à época já consagrados, que viam a nouvele vague de fora - além de reflexões dos próprios criadores que estavam no olho do furacão, como Truffaut e Godard. São trechos de depoimentos, na maioria deles, a Cahiers du Cinéma, publicação guia dos realizadores franceses. Confira alguns:

Em (O Ano Passado em) Marienbad eu fui obrigado a ficar até o fim. Eu dizia: “Pagou dois dólares, então fica”. Mas é o pior cinema que existe, porque maça. Resnais é um grande maçador. Se você tirar a intriga, se tirar a interpretação dos atores, e ainda por cima começar a falar de você próprio de maneira monótona e contínua, isso já não é cinema. Em Os Incomprendidos havia coisas interessantes, mas não percebi a razão de ser do filme. É puro Zola. Billy Wilder e eu dizemos que isso tudo é UFA 1930. A câmera bêbada, mesmo quando Ophuls a utilizava em La Ronde, já era um truque velho.
William Wyler, 1963
- em 1959 ele havia lançado o grande épico Ben-Hur

Não acredito nem por um momento nesta forma de trabalhar. (...) Não quero opor a nouvelle vague aos filmes russos, mas não posso deixar de reparar na vacuidade dos filmes franceses. Para mim são o tema e a temática o essencial, e é a eles que a forma deve se submeter, e não o contrário . (...) Creio que os filmes franceses especulam sobre o efeito tóxico do choque. Mas qualquer profissional de cinema pode ver quão grosseiros são os seus processos.
Ingmar Bergman, 1961 - em 1959 ele estava prestes a lançar A Fonte da Donzela

Tenho simpatia pela nouvelle vague francesa (...) Ainda não vi Shadows, de John Cassavetes, nem a outros filmes nova-iorquinos. É a era, incontestavelmente, a que pertence o futuro. Mas é preciso não esquecer que fazer filmes de baixo custo é uma vantagem na medida em que o público e a crítica estão mais inclinados a perdoar as inabilidades. E fazer um primeiro filme é também uma vantagem. E essa vantagens não voltam a reunir-se. (...) É preciso dizer que a construção dramática não é o forte da nouvelle vague. O que não impede que, de maneira geral, eu seja partidário de todos os filmes experimentais, já que sem experiência não há progresso.
Otto Preminger, 1961 - em 1959 ele havia lançado Anatomia de um Crime

Obs.: A referência de Preminger à obra seminal de Cassavetes é interessante, pois o realizador americano havia lançado Shadows no final de 1959. O filme espelhava do outro lado do Atlântico os princípios estéticos e narrativos da nouvelle vague, mas o fato de Cassavetes despontar como único autor de relêvancia naquele instante e local não caracterizou a existência de um movimento.

O sonho da nouvelle vague, que ela nuna realizará, é rodar Spartacus em Hollywood, com 10 milhões de dólares. A mim não incomoda fazer pequenos filmes baratos, mas há pessoas, como Demy, que são muito infelizes. Acreditou-se sempre que nouvelle vague era o filme barato contra o filme caro. De maneira nenhuma. É simplesmente o bom filme contra o mau filme.
Jean-Luc Godard, 1962

O erro da nouvelle vage foi ter abandonado os jornais; era preciso produzir e continuar jornalista. (...)  O drama da nouvelle vague é terem perdido Bazin, é terem perdido Truffaut,  “o seu crítico” .
Henri Langlois, fundador da Cinemateca Francesa, 1962

 

 

Postado por Marcelo Perrone

Filme de tudo

10 de julho de 2009 7

Hollywood está em crise criativa não é de agora. Manja aquela greve de roteiristas que ameaçava parar a mais lucrativa indústria de cinema do mundo? Besteira. Se tivessem um mínimo de visão, os capos de Los Angeles teriam demitido todo mundo sem qualquer prejuízo.

Me diga, estimado leitor, há quanto tempo você não assiste a um bom filme com roteiro original? De arrasa-quarteirões a filmes independentes, parece que nada surge que não de idéias tiradas de livros, desenhos animados, gibis, jogos de videogame, brinquedos, mitos ou lendas. Isso sem falar nos remakes e continuações.

Mas quando se achava que não havia de onde tirar mais nada, eis que surge isso:


Sim, um filme baseado no pacote de programas Office, da Microsoft. Dá pra acreditar?

Claro que não. Ainda não foi desta vez. Trata-se apenas de um viral da versão 2010 do pacote. Mas é tão bem feito e divertido, superior a tanta adaptação capenga já feita e que está por vir, que não custa nada imaginar, pra daqui a alguns anos, um Photoshop: The Movie.

Postado por Gustavo Brigatti

Ecos da nouvelle vague

10 de julho de 2009 0

Nesses tempos de celebração aos 50 anos da nouvelle vague, vale relembrar ecos do movimento francês na obra de cineastas como o americano Hal Hartley, empenhado discípulo que despontou como um promissor autor no começo dos anos 1990 - gosto muito de seus primeiros filmes, mas reconheço que ele perdeu o pique inicial. Em Simples Desejo (1992), Hartley pagou tributo a Jean-Luc Godard de forma explícita na cena de dança dos protagonistas, que emula uma sequência de Bande à Part (1964) e a garota com visual à Anna Karina. Hartley, a propósito, nasceu em 1959, junto com a nouvelle vague. Confira o original e sua releitura ao som do Sonic Youth (Kool Thing).


Widescreen versus tela cheia

07 de julho de 2009 4

Uma colega alugou e viu O Desprezo (Le Mépris, 1963) e, maravilhada com o clássico de Godard, puxou o assunto do almoço de ontem. Mas não ficamos restritos ao filme propriamente dito. Fomos aos extras.

É que, além de pôsteres, fotos, trailer, uma apresentação de um pesquisador inglês e dois documentários raros sobre bastidores (!), o DVD lançado pela Universal tem um clipe com alguns trechos do filme comparando a versão original em cinemascope (equivalente ao widescreen, com a imagem horizontalizada) e a versão lançada em VHS (cortada nos dois lados, quase quadrada).

Um blog da Folha de S.Paulo/Uol fez o favor de disponibilizar este clipe aos internautas. Dá uma olhada abaixo. E se você, como eu, viu o filme no videocassete, fique sabendo o que perdeu.

A imagem completa é a do formato original, as faixas transparentes nas laterais são o que foi cortado na "adaptação" ao formato do vídeo caseiro.

 

Que tal a Brigitte Bardot mais, digamos, completa?

Postado por Daniel Feix

Inglourious Basterds #2

06 de julho de 2009 0

Começou a circular um novo trailer do filme do Quentin Tarantino. Embora Bastardos Inglórios tenha lançamento previsto para outubro no Brasil, é bom ficar com o pé atrás. O longa anterior do diretor, Death Proof, também chegou a ganhar título nacional, À Prova de Morte, mas ficou inédito comercialmente por aqui - o que, aliás, já foi tema de vários posts nossos.   

Depois da exibição em Cannes, de onde o austríaco Christoph Waltz saiu com o prêmio de melhor ator, Tarantino resolveu fazer ajustes na montagem do filme, que, segundo ele, ainda não estava em sua versão final - e que teve uma recepção bem mais ou menos da crítica. Não se sabe se isso vai atrasar o lançamento internacional, mas o fato de ter Brad Pitt em cena deve garantir que Bastardos Inglórios chegue por essas bandas.

Postado por Marcelo Perrone

A nova onda na Redenção

01 de julho de 2009 0

Sequencia final de

São filmes que cinéfilos de todas as idades não se cansam de rever. Mais: fazem estes invejar os que ainda estão por ter o primeiro contato com a obra de mestres como Alain Resnais, François Truffaut e Jean-Luc Godard. São nomes de frente da nouvelle vague, a nova onda que se formou há exatos 50 anos na França para escrever um dos capítulos mais importantes da história do cinema. O encontro com eles e outros grandes diretores tem como palco uma grande mostra que entra em cartaz hoje na Sala Redenção (Campus Central da UFRGS), com entrada franca.

Sob o título Nouvelle Vague: Uma Câmera na Mão e uma Ideia na Cabeça, a mostra vai exibir durante todo o mês de julho 25 títulos, entre clássicos seminais do movimento e longas assinados por realizadores que ainda estão na ativa, como Resnais e Claude Chabrol. O filme que abre o ciclo, com sessão hoje, às 19h, é também aquele que foi um dos primeiros a levantar o estandarte da nouvelle vague: Os Incompreendidos (1959), que apresentou o talento do então crítico François Truffaut, consagrado com o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes daquele ano.

Traffaut era um dos criadores que se insurgiram, primeiro nos textos e depois atrás da câmera, contra a estagnação do cinema francês à época, simbolizada por filmes acadêmicos e presos a convenções estéticas e narrativas da dramaturgia clássica, com forte influência do cinemão americano.

Costuma se associar a nouvelle vague, sobretudo, à roupagem estética daqueles filmes ambientados nas ruas de Paris, registrados com câmera portátil, som direto e orçamento curto, que colocavam em primeiro plano a inquietação daquela juventude que brotou no pós-guerra e ensaiava a grande revolução comportamental no embalo do rock’n’roll. Mas o próprio Truffaut destacava que nouvelle vague foi um termo imposto à revelia da turma, formada por diretores que tinham diferentes propostas. De fato, nem todos militavam na crítica, que tinha como farol a publicação Cahiers du Cinéma. A ambição estética radical de Alain Resnais em Hiroshima, meu Amor, também de 1959, era diferente da de Truffaut. Os filmes de Chabrol nada tinham a ver com os de Louis Malle.

E não ter se prendido a dogmas e fórmulas que não os limites da liberdade criativa foi o que fez a nouvelle vague ser tão diversa e influente. De sua linha de produção saíram tanto sucessos de bilheteria quanto filmes experimentais, romances e manifestos políticos. Ecos do movimento foram absorvidos de diferentes formas, perto e longe do epicentro, como no Free Cinema da Inglaterra e no Cinema Novo do Brasil.

A mostra é um iniciativa do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS em parceria com a Aliança Francesa, e tem curadoria de Tânia Cardoso e Christophe Benest. Hoje, a sessão de Os Incompreendidos contará com a presença do professor de cinema e montador Milton do Prado, que comentará o filme, a importância e o legado da nouvelle vague.

 Truffaut ganha mostra exclusiva em outubro

Todos os filmes da mostra sobre a nouvelle vague serão exibidos em DVD. Embora sejam títulos que estão ao alcance de todos nas locadoras, a chance de assisti-los na tela grande e, principalmente, agrupados sob o mesmo recorte temático é rara – e a qualidade da projeção, já que muitos longas   tiveram cópias restauradas para o lançamento em DVD, é bastante aceitável, muito melhor que antigos ciclos em película com cópias ruins e incompletas.

Truffaut está representado apenas por Os Incompreendidos, obra com traços autobiográficos que acompanha o menino Antoine Doinel em sua insurgência contra a família, a escola e o reformatório no qual é internado -   o diretor seguiria os passos do personagem e seu intérprete, Jean-Pierre Léaud, até a maturidade em outros quatro longas. Truffaut vai ganhar sua própria retrospectiva na Sala Redenção em outubro, em razão dos 25 anos de sua morte. A mostra traz obras de Louis Malle, Jacques Rivette, Eric Rohmer, Alain Resnais e Jean-Luc Godard.

 

 Veja a programação completa (material distribuído pela Sala Redenção):

 Os incompreendidos (França, 1959, 99 min) de François Truffaut

01 de julho – 19h

02 de julho - 16h

 Cultuado como a obra-prima da carreira do cineasta francês François Truffaut, o filme Os Incompeendidos (1959), marcou a estréia do jovem e irriquieto diretor , que, ao retratar a saga vivida nas ruas de Paris, por um garoto de 12 ou 13 anos, Antoine Doinel, interpretado por Jean -Pierre Léaud, acabou por criar uma obra autobiográfica. Desprezado e odiado pela mãe e ignorado pelo padrastro, o personagem de Jean- Pierre Léaud (Antoine Doinel) vive de forma realista o drama da rejeição e da inadequação. A obra-prima de François Truffaut marca definitivamente a cinematografia francesa e mundial pela linguagem vibrante, envolvente e telúrica.

 

Ascensor para o cadafalso (França, 1957, 88 min) de Louis Malle

02 de julho – 19h

03 de julho – 16h

Florence ama Julien Tavernier e não ao seu marido, Simon Carala, homem rico e totalmente dedicado a seus negócios. Os amantes planejam o crime perfeito: Julien cria um álibi incontestável, assassina Simon Carala e faz seu ato criminoso parecer um suicídio. Mas, o destino intervém e Julien fica preso dentro do elevador – e o porteiro desliga a chave da corrente elétrica. Enquanto tenta escapar do interior do elevador, um casal de namorados rouba seu carro e mata dois turistas alemães. A partir daí, Julien é procurado pelo homicídio que não cometeu. Será ele condenado? Mais um belo filme, bem no estilo do mestre Louis Malle, perfeito em cada take. Com o toque e o charme do cinema francês.

 

Zazie no metrô (França, 1960, 89 min) de Louis Malle

03 de julho – 19h

04 de julho – 16h

Zazie dans Le Metrô é uma adaptação do romance homônimo do poeta e escritor francês Raymond Queneau. Louis Malle dirige esta comédia leve e divertida e ao mesmo tempo satírica do modo de vida parisiense da época. Zazie, uma garota do interior da França, tem a chance de conhecer Paris pela primeira vez, passando dois dias na capital francesa. Hospedada na casa de seu pouco convencional tio Gabriel, Zazie cultiva um sonho: andar de metrô, mas uma greve dos metroviários frusta seu plano. No táxi, de Charles, um amigo de seu tio, ela inicia seu contato (e suas aventuras) pela cidade-luz.

 

Lacombe Lucien (França, Alemanha e Itália, 1974, 137 min) de Louis Malle

04 de julho – 19h

06 de julho – 16h

Em junho de 1944, durante a II Guerra Mundial, os aliados desembarcam na Normandia, numa cidadezinha do sudoeste da França. Lucien, um rapaz de dezessete anos, trabalha num asilo de idosos e passa por vários dissabores; ao visitar sua cidade natal é rejeitado pela família e também não é aceito pela Resistência. Ao retornar à cidade onde mora, o pneu de sua bicicleta fura e, como chegara na hora do toque de recolher, Lucien é preso pelos auxiliares franceses da polícia alemã. Com o tempo, ele se torna colaborador da Gestapo, e assim, adquire certo padrão de vida. É apresentado ao alfaiate judeu Albert Horn e se apaixona por sua filha, France. Aos poucos se torna íntimo, e, justamente no dia em que vai pedir a moça em casamento, Albert se entrega à Gestapo. Durante uma batida policial, France e sua avó são presas, mas Lucien mata os soldados alemães e refugia-se com ela numa fazenda abandonada. Depois de alguns meses de felicidade vivendo como camponeses, Lucien é preso pela Resistência. Com um final surpreendente, e inédito no mercado latino, mais uma obra-prima do mestre Malle.

 

Adeus meninos (França, 1987, 103 min) de Louis Malle

06 de julho – 19h

07 de julho – 16h

 

França, inverno de 1944. Julien Quentin (Gaspard Manesse) é um garoto de 12 anos que frequenta o colégio Sr. Jean-de-la-Croix, que enfrenta grandes dificuldades devido a 2ª Guerra Mundial. Lá ele se torna o melhor amigo de Jean Bonnett (Raphael Fejto), um introvertido colega de classe que Julien posteriormente descobre ser judeu. A tragédia chega à escola quando a Gestapo invade o local, prendendo Jean, outros dois alunos e ainda o padre responsável pelo colégio.

 

Quem sabe? (França e Alemanha, 2001, 147 min) de Jacques Rivette

07 de julho – 19h

08 de julho – 19h

 

Neste filme do veterano Jacques Rivette, todos os personagens têm algo em comum: são inteligentes, espertos e cultos. Camille (Jeanne Balibar) é uma atriz de uma companhia de teatro italiana que está em Paris para apresentar a peça Come Tu Mi Vuoi, de Pirandello. Seu namorado, Ugo (Sergio Castellitto) é o diretor do grupo e o protagonista da peça. A viagem, no entanto, é fachada para outros propósitos: Camille vai encontrar seu ex, Pierre (Sergio Castellitto), um professor de Filosofia; Ugo está à procura de uma suposta peça perdida de Goldoni. Durante suas pesquisas, o ator é ajudado por pela bela Do (Hélène de Fougerolles), por quem se apaixona. Não bastando todo o quiproquó, o meio-irmão de Do, o dramaturgo Arthur (Bruno Todeschini), rouba um caro anel da esposa de Pierre, Sonia (Marianne Basler).

 

Quem matou Leda (França e Itália, 1959, 110 min) de Claude Chabrol

09 de julho – 16h

13 de julho – 16h

 

Este é o terceiro filme de Chabrol, e seu debute no thriller psicológico, gênero também de seus dois próximos filmes: Les Bonnes Femmes e L“Enfer. Usando com perícia os flashbacks e vinhetas, Chabrol cria um pertubador enredo de infidelidade, obsessão e assassinato num vinhedo em Provença. O negociante Henri Marcoux tem um caso amoroso com uma bela e jovem vizinha, bem debaixo do nariz da sua esposa Thérèse. A linda filha de Henri, ao conhecer o húngaro fica apaixonada, enquanto o filho voyeur de Henri começa a ter liberdades com a amante do pai. Com o amadurecimento das paixões na família, deslumbra-se uma tragédia. Obra-prima no gênero.

 

Uma garota dividida em dois (França e Alemanha, 2007, 115 min) de Claude Chabrol

09 de julho – 19h

10 de julho – 16h

Gabrielle Aurore Deneige (Ludivine Sagnier) tem 25 anos e vive em Lyon com sua mãe Marie (Marie Bunel), que a criou sozinha, cercada por muitos livros. Inteligente e charmosa, Gabrielle trabalha no canal de televisão a cabo local. Um dia ela conhece o grande escritor Charles Saint-Denis (François Berléand), durante o evento de promoção do novo livro dele. Homem bem-apessoado e reconhecido, ele não encontra dificuldades em seduzir a jovem, apesar de ser casado e de ser trinta anos mais velho. Aos poucos, no entanto, percebe que se apaixonou profundamente e que terá que disputar seu amor com Paul (Benoît Magimel), um jovem milionário e desequilibrado.

A teia de chocolate (França, 2000, 96 min) de Claude Chabrol

10 de julho – 19h

11 de julho – 16h

A Teia de Chocolate é uma interessante combinação de maldade, brincadeira e paixão, oculta sob a superfície calma e rica da burguesia suíça. Milka Muller (Isabelle Hupert, melhor atriz no Festival de Montreal) é a diretora geral da empresa Chocolate Muller e vive na Suíça com seu marido André Polonski - um prestigiado pianista -, e Guillaume, filho do primeiro casamento de André. Jeanne Pollet é uma jovem pianista que ainda não começou seus estudos no conservatório e que um dia descobre que, quando nasceu, esteve a ponto de ser trocada no hospital por Guillaume. Decidida a desvendar os mistérios que envolvem sua origem, ela visita André e eles se entendem em pouco, graças ao amor que ambos têm pela música. Pequenos gestos, porém, chamam a atenção da jovem para o que ela suspeita ser um comportamento estranho em Mika. O resultado desta trama é nada menos que brilhante.

 

A dama de honra (França, Alemanha e Itália, 2004, 111 min) de Claude Chabrol

11 de julho – 19h

 

O bom moço Philippe vive com a mãe, que é cabeleireira, e as duas irmãs, Sophie, a irmã mais velha que vai casar–se, e Patrícia, a mais nova, é uma típica rebelde. No casamento da irmã, Philippe conhece Senta, uma das damas de honra, prima do noivo. Naquele mesmo dia, os dois iniciam um romance, envolvente. Senta transporta o convencional Philippe para seu insano, fantasioso e instável universo. Mas será que ela mente quando, com um sorriso, sugere que para provar o amor é preciso matar? O premiado cineasta Claude Chabrol (Mulheres Diabólicas), com um grande elenco, transforma a adaptação do romance homônimo da inglesa Ruth Rendell num suspense romântico, irônico e perturbador sobre as profundezas da natureza humana.

 

A carreira de Suzanne (França, 1963, 54 min) de Eric Rohmer

13 de julho – 19h

14 de julho – 16h

Bertrand e Guillaume são universitários de Paris. Bertrand não gosta do jeito rude que o amigo trata sua namorada, Suzanne, uma garota muito inocente. Além disso, desconfia que ela está interessada nele. Porém, ele é apaixonado por Sophie, que o despreza.

 

Conto de outono (França, 1998, 110 min) de Eric Rohmer

14 de julho – 19h

A viúva Magali (Béatrice Romand), de 45 anos, é uma produtora de vinho no sul da França. Isabelle (Marie Rivière), sua melhor amiga, resolve encontrar um novo marido para Magali: põe anúncio num jornal local e até encontra Gérald (Alain Lisbolt), um homem decente. No casamento da filha de Isabelle, Magali conhece Gérald. Mas o problema é que na mesma ocasião ela também conhece Étienne (Didier Sandre), um outro homem.

 

Pauline na praia (França, 1983, 94 min) de Eric Rohmer

15 de julho – 19h

16 de julho – 16h

Pauline (Amanda Langlet) tem 15 anos e vai passar as férias de outono com Marion (Arielle Dombasle), sua prima mais velha. Elas vão para a costa francesa do Atlântico, onde Marion reencontra um velho amigo, Pierre (Pascal Greggory). Apesar do interesse dele, Marion prefere ficar com o aventureiro Henri (Féodor Atkine), apesar de saber que o relacionamento deles não tem futuro. Paralelamente Pauline mantém um romance com o adolescente Sylvain (Simon de la Brosse). Até que Henri decide usar Sylvain para se livrar de um problema que teve com Marion, o que atrapalha seu namoro com Pauline.

 

O raio verde (França, 1986, 94 min) de Eric Rohmer

16 de julho – 19h

17 de julho – 16h

Marie Rivière (também roteirista do filme) é Delphine, uma secretária que mora em Paris. Duas semanas antes de tirar férias, a companhia de viagem onde ela trabalha fecha. Sem ter o que fazer e sem muitos amigos, ela tenta uma série de passeios insólitos para tentar passar o tempo, mas o destino final sempre acaba sendo a capital francesa. Leão de Ouro de Melhor Filme no Festival de Veneza de 1986.

 

O amigo da minha amiga (França, 1987, 103 min) de Eric Rohmer

17 de julho – 19h

18 de julho – 16h

Blanche (Emmanuelle Chaulet) é uma jovem balconista, que fica amiga de Lea (Sophie Renoir), uma técnica de computação. Lea está namorando Fabien (Eric Viellard), mas Blanche no momento não está com alguém. Até que ela conhece Alexandre (François-Eric Gendron), um belo engenheiro por quem se apaixona de imediato. Porém, quando Lea rompe com Fabien, ele começa a demonstrar um forte interesse por Blanche.

 

Conto de primavera (França, 1992, 110 min) de Eric Rohmer

18 de julho – 19h

20 de julho – 16h

 

Jeanne (Anne Teyssèdre) é uma professora de filosofia um tanto temperamental, mas de espírito aberto. Seu noivo está viajando e ela não quer ficar no apartamento dele. Como alugou seu próprio apartamento para um primo, ela termina aceitando o convite de Natasha (Florence Darel), uma estudante de música que conheceu numa festa, para dormir na sua casa. Ela se instala no quarto de Igor (Hugues Quester), o pai de Natasha, que por sua vez passa todas as noites com a namorada. Natasha conta a Jeanne a história do sumiço de seu colar e da suspeita de que a namorada do pai o tenha roubado. Mais tarde todos se encontram num jantar, na casa de campo de Igor, onde confusões serão desbaratadas e suspeitas esclarecidas.

 

Acossado (França, 1959, 86 min) de Jean-Luc Godard

20 de julho – 19h

21 de julho – 16h

Em seu filme de estréia, Godard desconsiderou as formas convencionais e inovou a arte cinematográfica. Em uma narrativa fragmentada, apresenta Michel Poiccaard (Jean-Paul Belmondo), um típico ladrão parisiense e admirador de Humprey Bogart.
Ao longo da trama ele se envolve com a jovem norte-americana Patrícia (Jean Seberg), que o ajudará a escapar da polícia. Um filme de perseguição espirituoso, romântico e inovador, e que abriu as portas para a nouvelle vague. Com roteiro de François Truffaut, Acossado é uma obra-prima da cinematografia francesa.

 

Carmen de Godard (Suíça, 1983, 80 min) de Jean-Luc Godard

21 de julho – 19h

23 de julho – 16h

 

Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza, em 1983, Carmen de Godard, o eterno enfant terrible do cinema francês, é sobre um grupo de jovens assaltantes que pretendem roubar um banco, no começo da década de 80, para financiar a produção de um filme. Carmen, vivida pela belíssima holandesa Maruschka Detmers, é um dos assaltantes. No decorrer da história, ela acaba se envolvendo com Joseph, um dos guardas que fazem a segurança do banco. O tio dela, um cineasta recluso, é interpretado pelo próprio Godard. O romance dos dois acaba justificando longas cenas de nudez, usadas por Godard como um belo exercício de uso da imagem. Paralelamente, Godard conta a história de um quarteto de instrumentistas que estão ensaiando uma peça de Beethoven. Carmen de Godard na verdade é uma história sobre os conflitos da juventude na década de 80, sobre a interação entre o cinema e os recursos financeiros, além de um belíssimo ensaio sobre o corpo humano - quer esteja ele tocando instrumentos, fazendo amor ou violência.

 

 

Banda à parte (França, 1964, 97 min) de Jean-Luc Godard

23 de julho – 19h

24 de julho – 16h

 

É para gente como Godard que existe o cinema: para que possam expressar toda a sua criatividade e genialidade. Godard é ainda um dos grandes responsáveis pelo cinema contemporâneo como o conhecemos, depois de encabeçar a Nouvelle Vague. Este é o mais acessível filme do diretor, com sequências antológicas (o filme de Godard para quem não gosta de Godard), mas não é por isso que deixa de ser uma das suas melhores pérolas. Nele, Godard mantém de forma simples e eficaz as suas principais características e da nouvelle vague - levando a experimentação ao extremo apenas num momento: a mítica cena do (literal) minuto de silêncio, que influenciou a cena do don’t be so square de Uma Thurman em Pulp Fiction, ou desconstruindo a linearidade narrativa com o recurso a um narrador onipresente. Nele desenha-se um triângulo amoroso, cúmplice. Indiscutivelmente: obra de arte no sentido mais amplo da palavra.

 

Viver a vida (França, 1962, 80 min) de Jean-Luc Godard

24 de julho – 19h

27 de julho – 16h

 

Um relato episódico da curta vida de uma jovem prostituta (Anna Karina), Viver a Vida é a primeira das obra-primas de Jean-Luc Godard, na maturidade. Como em toda sua obra, este filme é supremamente analítico e supremamente sensual, conseguindo uma beleza austera e gelada. Os primeiros pontos de referência são a rigorosa espiritualidade de cineastas como Carl Theodor Dreyer e Robert Bresson, e o paraíso perdido do cinema mudo. Ambos se juntam de maneira marcante quando a heroína (Anna Karina) antevê o seu futuro martírio ao visionar o clássico mudo de Dreyer, O Martírio de Joana D’Arc.

 

A chinesa (França, 1967, 96 min) de Jean-Luc Godard

27 de julho – 19h

28 de julho – 16h

Paris, verão de 1967. Alguns tentavam aplicar os princípios que romperam com a burguesia da URSS e dos partidos comunistas ocidentais em nome de Mao Tse Tung. Imersos no pensamento de Mao e em literatura comunista, um grupo de estudantes franceses começa a questionar a sua posição no mundo e as possibilidades de o mudar, mesmo que isso signifique considerar o terrorismo como uma via possível. Em A Chinesa, por exemplo, muitos tentam ver no filme um pastiche ou a glorificação dos personagens marxistas-leninistas que se enfurnam durante as férias num apartamento burguês para aprender a fazer a revolução maoísta na França. Caso notório de tentar ressignificar conteúdos ao invés de tentar ver o que lá está: os personagens de A Chinesa, jovens em processo de encontrar seu lugar no mundo, tateiam no escuro à procura de verdades, mas o que Godard filma é justamente a verdade dessa procura. Intrigante obra-prima.

 

 

Ano passado em Marienbad (França e Itália, 1961, 94 min) de Alain Resnais

28 de julho – 19h

30 de julho – 16h

Ambientado em um hotel europeu, este filme tem três personagens principais: (1) o Narrador, que faz voice-over do filme; (2) a Mulher, por quem o Narrador é obcecado; e (3) o Outro Homem, com quem a Mulher veio para o hotel. O Narrador fala repetidamente para a Mulher, que eles passaram o ano anterior juntos e implora que ela parta com ele. A Mulher se mantém dizendo que desconhece o que ele está falando, mas seu comportamento demonstra o contrário. Enquanto isso, a presença do outro Homem no Hotel, complica a vida da Mulher e do Narrador. Este filme, não delineia os personagens nem tem argumento com tradicionalmente conhecemos, mas é considerado um filme intelectualmente e emocionalmente engajado. Em primeiro plano, o filme nos dá consciência: das nossas próprias confusões emocionais, nossos anseios conflitantes e das nossas recordações nebulosas. E um filme interativo, cada um que assistir tirará o seu próprio conceito. Seu lançamento em Cannes, causou furor na imprensa e na crítica mundial, fato este que foi encarado com extrema naturalidade pelo diretor. Experimental e único. Fantástico!

 

 Hiroshima meu amor (França, 1959, 90 min) de Alain Resnais

29 de julho – 19h

Participando de um filme sobre a paz, em Hiroshima, nos anos 50, atriz francesa passa a noite com um arquiteto japonês. Tudo isso, traz lembranças de sua juventude, na cidade de Nevers, durante a Segunda Guerra Mundial. Período, no qual foi perseguida, quando se apaixonou por um soldado alemão. História de difícil compreensão, criada para um público específico. baseada nas crônicas de Marguerite Duras, que também escreveu o roteiro e os diálogos. A fotografia em tons de cinza de Sacha Vierny, e a música romântica de Giovanni Fusco e George Delerue, realçam o realismo póético das belas imagens deste filme de Resnais. Foi um dos filmes que mais influenciaram os jovens intelectuais, engajados politicamente, nos anos 60. Belíssimo filme anti-guerra. Obra-prima inquestionável.

 

 

Amores parisienses (França, 1997, 120 min) de Alain Resnais

30 de julho – 19h

31 de julho – 16h

 

Vários personagens e seus problemas cotidianos têm seus destinos cruzados pelas ruas de Paris. A executiva Odile (Sabine Azéma) despede um funcionário que acabara de contratar para dar uma oportunidade para o irmão de Nicolas (Jean-Pierre Bacri), seu ex-namorado. Já Nicolas é hipocondríaco e não consegue se decidir qual apartamento deve alugar, por mais que o corretor de imóveis Simon (André Dussollier) lhe apresente opções interessantes. Enquanto isso, Camille (Agnès Jaoui), irmã de Odile, descobre que passou vários anos de sua vida pesquisando sobre um assunto que não interessa a ninguém. Ao mesmo tempo, se apaixona por Marc (Lambert Wilson), o patrão de Simon. Por meio de mal-entendidos, Alain Resnais cria situações ora cômicas, ora dramáticas.

 

Medos privados em lugares públicos (França e Itália, 2006, 120 min) de Alain Resnais

31 de julho – 19h

 Vários personagens, apresentados de forma individual, mas cada um deles mantendo uma interconexão com os demais, interagem e têm suas vidas entrelaçadas e seus compromissos misturados. Os desejos secretos de cada um são expressos em situações inesperadas e inusitadas, numa história enganosamente simples e sorrateiramente construída. A locação principal é Bercy, uma área de Paris que foi grandemente renovada e modernizada. Baseado no livro "Private Fears in Public Places", de Alan Ayckbourn.

 

 

 

Postado por Marcelo Perrone