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Posts de agosto 2009

Amantes - amor a três

31 de agosto de 2009 3

“G1 elege os melhores filmes sobre amor a três.”

Leio esta chamada e imediatamente penso que o pessoal do referido site ficou, como eu, comovido com Amantes (Two Lovers, EUA, 2008), o sensacional longa de James Gray que estreou no fim de semana no Brasil. E que resolveu partir da sua temática para listar títulos semelhantes.

Que nada, o “gancho” para a publicação da tal lista é Os Normais 2 (de José Alvarenga Jr, Brasil, 2009), outro título em cartaz desde o final de semana.

Mesmo assim, me animei e resolvi republicar a lista do G1 abaixo, porém ampliando-a, na verdade aumentando de 10 para 20 a conta de filmes de “amor a três”. E o fiz levando muito mais em conta a semelhança desses filmes com Amantes, que afinal de contas é entre esses dois aquele que tem algo a dizer.

Na verdade vários longas me vieram à cabeça, alguns deles de forte carga política, o que só reforça uma ideia que não me sai do pensamento desde que assisti ao brilhante trabalho de direção de Gray e de atuação de seu protagonista, Joaquin Phoenix: quem disse que um filme de amor não pode ser um filme político?

As 20 produções são imensamente diferentes entre si, como não poderiam deixar de ser em se tratando de uma temática tão ampla e cheia de possibilidades narrativas, estéticas, autorais etc. As 10 primeiras foram listadas pelo do G1. As 10 seguintes são os meus acréscimos.

Leia e pitaqueie, se você quiser compartilhando com os demais leitores as suas lembranças (são tantos os filmes que falam do assunto…).

 

A lista do G1:

Jules e Jim - Uma Mulher para Dois (1962), de François Truffaut

Catherine (Jeanne Moreau), Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre) são os vértices do triângulo amoroso mais célebre do cinema francês. Clássico da Nouvelle Vague, o romance de Truffaut conta a história da amizade incondicional entre o alemão Jules e o francês Jim, que resiste até mesmo ao fato de eles lutarem em lados opostos na Primeira Guerra. Mas não aos encantos de Catherine, moça cheia de personalidade, que enchem de cor - e angústias - a vida dos rapazes.

Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto

Se Catherine, Jules e Jim formam o mais famoso “casal de três” do cinema francês, cabe a Dona Flor, Vadinho e Teodoro desempenharem esta função no Brasil. Adaptação do romance de Jorge Amado, o filme de Bruno Barreto traz Sônia Braga no papel da cozinheira dividida entre o casamento tranquilo com o farmacêutico Teodoro (Mauro Mendonça), e o fantasma de seu primeiro marido, Vadinho (José Wilker), que em vida foi melhor amante para Flor, mas que a fazia sofrer com sua rotina de farras e jogatinas. Como só ela vê o espírito do falecido, são várias as cenas em que os personagens dividem o leito.

Os Sonhadores (2003), de Bernando Bertolucci

Em plena agitação juvenil na Paris de 1968, o estudante americano Matthew (Michael Pitt) conhece os gêmeos franceses Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel). Em comum, os três tem paixão por filmes clássicos e passam a desenvolver jogos psicológicos a partir deles. Os irmãos mantêm ainda uma relação incestuosa, que causa repúdio, mas ao mesmo tempo atrai Matthew. O filme traz as belas - e polêmicas - cenas típicas dos longas de Bertolucci. Em Os Sonhadores, sua assinatura fica evidente no momento em que Isabelle perde a virgindade com Matthew no chão da cozinha, sob o olhar do irmão.

Três Formas de Amar (1994), de Andrew Fleming

Por uma confusão burocrática, a estudante Alex (Lara Flynn Boyle) é mandada para o alojamento masculino da universidade. Lá, ela é obrigada a dividir o dormitório com Eddy (Josh Charles) e Stuart (Stephen Baldwin). A jovem logo se apaixona por Eddy, rapaz sensível e inteligente, que tem dúvidas se deve ter sua primeira transa com uma mulher ou com um homem. Já Stuart, fanfarrão e mulherengo, só pensa em levar Alex para a cama. Em meio a essa tensão sexual, o trio desenvolve uma saborosa amizade. Três Formas de Amar traz diálogos espertos, próprios da linguagem moderninha que Fleming desenvolveu em seus filmes jovens nos anos 1990, como Jovens Bruxas e Todas as Garotas do Presidente.

Cidade Baixa (2005), de Sergio Machado

Houve quem afirmasse que Cidade Baixa era um “Jules e Jim do Recôncavo Baiano”. Mas está bem longe de ter a doçura do clássico francês a história de amor marginal entre a prostituta Karina (Alice Braga) e os pescadores Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura), toda marcada pela miséria e pelo machismo. Assim como no filme de Truffaut, os rapazes se consideram mais que amigos: são irmãos que se defendem dos perigos da vida. Mas tudo muda quando passam a disputar Karina, num sentimento que beira a obsessão. Diferentemente de Jules e Jim, não é a garota quem rege os destinos dos homens, dominados por um sentimento de veneração. Para Naldinho e Deco o que está em disputa não é o coração de Karina, mas sim quem será o dono daquela mulher.

Caramuru - A Invenção do Brasil (2001), de Guel Arraes

O filme é inspirado na minissérie da TV Globo que conta em tom de comédia os “bastidores” da descoberta do Brasil. Diogo (Selton Mello) é um pintor português que é deportado do país como punição por ter roubado os mapas de Pedro Álvares Cabral. No meio do oceano, sua embarcação sofre um naufrágio, e o rapaz consegue escapar da morte nadando até terra firme. Ele vai parar no Brasil, onde conhece as índias Paraguaçu (Camila Pitanga) e Moema (Deborah Secco). Livre de convenções, o trio vive uma história marcada pela inocência e a busca do prazer.

E sua Mãe Também (2001), de Alfonso Cuarón

O “roadie movie” do diretor mexicano é considerado ícone do cinema latino-americano atual e traz pela primeira vez como protagonistas os então iniciantes Gael García Bernal e Diego Luna. Quando suas namoradas vão passar uma temporada na Itália, os adolescentes Julio (Gael) e Tenoch (Luna) ficam entediados e resolvem partir para uma viagem de carro pela zona rural do México. Eles têm a companhia de Luisa (Maribel Verdú), mulher mais velha e desiludida com o amor. No trajeto, passam por experiências - sexuais, inclusive - que marcam sua transição para a maturidade.

Vicky Cristina Barcelona (2008), de Woody Allen

Scarlett Johansson, a atual musa de Allen, foi colocada em um triângulo amoroso com Penélope Cruz e Javier Bardem, nesta comédia que tem a cidade espanhola como cenário. Sua personagem, Cristina, sofre de “insatisfação crônica” com a falta de um rumo na vida. Tudo muda quando ela conhece o pintor Juan Antonio (Bardem), que vive uma problemática relação com Maria Elena (Penélope). Para apimentar ainda mais a situação, Vicky (Rebecca Hall) - a melhor amiga de Cristina - ameaça transformar o triângulo em um quadrilátero amoroso.

Canções de Amor (2007), de Christophe Honoré

Outro exemplo da obsessão do cinema francês com os relacionamentos a três - e da “aptidão” do ator Loius Garrel para papeis do tipo -, Canções de Amor conta a história de Julie, seu namorado Ismael e a amiga Alice. Misturando desejo e amizade, o trio faz praticamente tudo junto, inclusive dividir a mesma cama, até que um desfecho trágico muda o equilíbrio na relação. Dirigido por Honoré, o longa é costurado pelas tais canções de amor compostas por seu antigo parceiro de trilhas Alex Beaupain. O filme venceu o prêmio César - o Oscar do cinema francês – graças à música de Beaupain.

Os Normais 2 - A Noite mais Maluca de Todas (2009), de José Alvarenga Jr.

Rui (Luis Fernando Guimaraes) e Vani (Fernanda Torres) estão em crise na relação. Pelas contas dela, transam somente 40 vezes por ano. Para que o relacionamento não apague de vez, Vani propõe que eles realizem uma antiga fantasia de Rui: um ménage à trois. O casal, então, passa uma noite toda indo atrás de mulheres que topem ir para a cama com eles. Nesse segundo longa adaptado da série de TV, as convidadas para dividir o leito - e as cenas engraçadas – com a dupla são Claudia Raia, Alinne Morais e Drica Moraes.

 

Os meus acréscimos:

Perdas e Danos (1992), de Louis Malle

Stephen Fleming (Jeremy Irons) é um dos líderes do parlamento inglês. Homem de reputação intocável, ele no entanto se apaixona por Anna (Juliette Binoche), linda mulher que… é a noiva do filho dele. Um dos tantos títulos polêmicos dirigidos pelo francês Malle sobre as relações amorosas, o filme tornou-se conhecido pela ótima dosagem de suspense e, sobretudo, pela intensidade de algumas cenas de sexo. Em meio à tórrida relação do casal está o jovem Martin (Rupert Graves), que completa o trio de protagonistas - e o trágico triângulo amoroso - do longa.

A Paixão de Ana (1969), de Ingmar Bergman

Uma das tantas obras-primas de Bergman, o filme é centrado na formação de um casal (Max Von Sydow e Liv Ullmann), ele um homem solitário que vive em uma ilha e ela uma jovem que acaba de perder marido e filha num acidente. Em alguns momentos ensaia-se um triângulo com a amiga da mulher (Bibi Andersson), mas o grande lance do longa é o embaralhamento proposto pelo genial cineasta sueco: tanto o atual namorado quanto o ex-marido chamam-se Andrew, entre outras coincidências. O quanto as relações amorosas se repetem aos nossos olhos? Esta é só uma das questões abordadas por Bergman neste grande filme.

As Duas Inglesas e o Amor (1971), de François Truffaut

Outra bela adaptação de Trauffaut da obra de Henri Pierre Roché (também autor do romance que deu origem a Jules e Jim), este filme, um tanto menos badalado que o anterior, retrata o triângulo formado pelo francês Claude (Jean-Pierre Léaud) com as britâncias Anne (Kika Markham) e Muriel (Stacy Tendeter). Amigo da primeira, ele vai ao País de Gales conhecer a família dela - é quando depara com a segunda, por quem logo se vê encantado, dando início a uma conturbada relação que inclui paixão, ciúmes e também disputas.

A Primeira Noite de um Homem (1967), de Mike Nichols

Clássico de Hollywood do então promissor diretor Nichols, eternizado pela canção Mrs. Robinson, de Simon & Garfunkel. Conta a história de um jovem de 21 anos (Dustin Hoffman) que retorna para casa após se formar na faculdade. Em meio às indecisões quanto ao seu futuro, ele se divide entre duas mulheres, que são uma mãe (Anne Bancroft) e a sua filha (Katherine Ross). Com a primeira, que é amiga de sua família, teve um caso passageiro. A segunda é a garota por quem está interessado agora.

A Outra (2008), de Justin Chadwick

Este é um dos maiores exemplos do desperdício que Hollywood nos apresenta frequentemente: muitos recursos disponíveis, técnicos do mais alto gabarito, grandes atores, todos os tipos de apelo para atrair o público e… um filme medroso, mal dirigido, feito no piloto automático, com cenas de sexo mais frias que as da novela das seis. A história, no entanto, é a de um dos triângulos amorosos mais clássicos da história universal: o envolvimento do rei Henrique VIII (Eric Bana) com as irmãs Bolena (Natalie Portman e Scarlett Johansson) durante a dinastia dos Tudor, na Grã-Bretanha do século 15.

Uma Mulher É uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard

Talvez a maior das declarações de amor à atriz e musa nouvellevaguiana Anna Karina, à época mulher de Godard, esta “comédia musical neorrealista”, assim definida com humor pelo diretor francês, retrata um triângulo amoroso entre uma stripper (Karina), seu amante (Jean-Claude Brialy) e seu amigo (Jean-Paul Belmondo). A protagonista é uma dançarina que quer ter um filho. Diante da negativa do primeiro, recorre ao segundo - e descobre que ele sempre foi apaixonado por ela, o que vai desencadear uma série de novos eventos, exibidos com rara beleza e inventividade pelo grande realizador.

A Bela Junie (2008), de Christophe Honoré

A Junie do título (em português) é interpretada pela bela Léa Seydoux, sósia de Anna Karina. A personagem chega a uma nova escola no interior da França, para onde leva seus mistérios e encantos. Chama a atenção sobretudo de um jovem aluno (Grégoire Leprince-Ringuet), com quem firma namoro, e do professor Nemours (Louis Garrel, de novo ele), que desenvolve verdadeira obsessão por ela. A tensão sexual está impregnada em vários núcleos dramáticos da escola, mas é essa dança de Junie entre os dois homens, ambos apaixonados por ela, que orienta o desenvolvimento do drama.

Uma Garota Dividida em Dois (2007), de Claude Chabrol

Gabrielle (Ludivine Sagnier) é a mulher do título. Ela está entre o amor de Charles (François Berléand), um premiado escritor de meia-idade, experiente, sábio, bem-resolvido, e Paul (Benoît Magimel), jovem, emasculado, um playboy inseguro. Um dos filmes mais recentes do veterano diretor francês, Uma Garota Divida em Dois é uma crônica social recheada de ironias e sarcasmo - não apenas por meio da palavra, mas da própria imagem, como é usual na sua filmografia -, em que Chabrol comenta as castrações e as liberdades pequeno-burguesas em torno da sexualidade.

Proposta Indecente (1993), de Adrian Lyne

Está tudo bem com os noivos David (Woody Harrelson) e Diana (Demi Moore) até que o rico empresário John (Robert Redford) oferece US$ 1 milhão por uma noite de amor com ela – o que resolveria todos os problemas financeiros do casal. A história é bem previsível, sobretudo no que diz respeito ao inferno que vira a relação a dois desde que o terceiro elemento se infiltra entre eles – e dali não quer sair -, mas isso não impediu o filme de se tornar um verdadeiro fenômeno de popularidade na década de 1990.

Amantes (2008), de James Gray

Quarto filme do diretor norte-americano, traz Joaquin Phoenix (em atuação histórica) como um jovem adulto dividido entre o amor incondicional da morena Sandra (Vinessa Shaw), amiga de sua família judia, e os encantos da loira instável Michelle (Gwyneth Paltrow), que é apaixonada por um homem casado. Bipolar com tendências suicidas, Leonard, o protagonista, oscila entre o conforto oferecido por uma relação e a emoção representada pela outra. O longa está em cartaz no país - é um dos títulos do ano a chegar ao circuito.

Postado por Daniel Feix

Ainda Gramado

24 de agosto de 2009 2

O site da ACCIRS, a Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, publica quatro textos sobre o há pouco findado 37º Festival de Cinema de Gramado. Aproveito o gancho não apenas para recomendar a leitura dos artigos como também para dar – mais – alguns pitacos sobre o evento, de uma maneira bem geral e em forma de tópicos:

.Mais uma vez, a mostra de longas latino-americanos foi melhor que a de longas brasileiros. É o caso de se exaltar a seleção de ótimos filmes estrangeiros (destaque para La Teta Asustada, Lluvia, La Próxima Estación e principalmente Gigante), mas também de lamentar o nível da competição nacional. Se havia mais de 85 títulos inscritos, e se o ineditismo não era um critério tão importante na escolha dos competidores (Canção de Baal, Corumbiara e Cildo já haviam sido exibidos em outros festivais ou eventos ou mesmo a tevê paga, caso do primeiro), é difícil imaginar que com tantas opções não se pudesse ter concebido uma mostra mais qualificada.

.Não sei de muitos outros longas que estavam inscritos, mas sei, por exemplo, que Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos Oliveira, foi um dos longas preteridos na mostra competitiva de longas nacionais. Outro: Morro do Céu, segundo e ótimo longa de Gustavo Spolidoro. É aliás inexplicável a não seleção deste último, que é gaúcho e que é mais filme que Em Teu Nome e Quase um Tango…, os dois títulos locais selecionados.

.Gigante foi “o” filme de Gramado 2009. Os prêmios de roteiro, ator e da crítica (este por unanimidade), ainda bem, fizeram com que o longa uruguaio de Andrés Biniez não saísse de mãos abanando. Mas ele merecia mais prêmios. O peruano La Teta Asustada, de Claudia Llosa, grande vencedor da mostra de longas internacionais, é belíssimo, comovente, mas menos filme que Gigante. Nenhuma produção exibida no festival conjugou tão bem todos os aspectos da linguagem cinematográfica como esta nova pequena obra-prima do pequeno país vizinho. Com a ausência completa da equipe de La Teta Asustada (principalmente da maravilhosa protagonista Magaly Solier), também coube ao ator de Gigante, o simpático grandalhão Horácio Camandule, o papel de grande figura do festival – entre aqueles que estiveram em Gramado exibindo seus filmes, claro.

.O discurso de Xuxa foi nada menos que patético, e o de Reginaldo Faria, inexplicavelmente rancoroso (leia mais dois posts abaixo). Mas os outros homenageados do festival deram show de civilidade, boa educação e gratidão pela lembrança da parte de um dos maiores eventos do cinema brasileiro. Dira Paes se emocionou, Walter Lima Jr. contou uma bela história de quando descobriu Eduardo Abelin (o cineasta gaúcho que dá nome ao troféu que ele recebeu) e Ruy Guerra, bem, este dispensa maiores comentários, apresentações etc. Além de ser um mestre absoluto, autor de pelo menos um dos maiores filmes produzidos na América Latina em todos os tempos (Os Fuzis), concedeu uma das entrevistas mais interessantes do cinema brasileiro nos últimos tempos (leia mais dois posts abaixo, também).

.Da mesma maneira que a melhor produção não venceu na mostra de longas latino-americanos, pode-se dizer que o grande curta-metragem exibido em Gramado 2009 não levou os principais prêmios do júri oficial. A qualidade da produção carioca O Teu Sorriso, dirigido pelo jovem Pedro Freire e estrelado pelos veteranos Paulo José e Juliana Carneiro da Cunha, não deixa nada a desejar a nenhum título de longa-metragem exibido na mostra competitiva nacional. Embora Teresa, o grande vencedor, e também Olhos de Ressaca e A Invasão do Alegrete, este último gaúcho, dirigido por Diego Müller (de O Cortejo Negro), sejam bons filmes, não havia entre os 12 filmes da mostra competitiva de curtas outro título que se alinhasse, ombro a ombro, ao que o cinema brasileiro produz de melhor atualmente.

.Mas talvez as maiores injustiças da premiação tenham sido cometidas pelo júri oficial de longas brasileiros. Além de alguns prêmios inexplicáveis (trilha sonora para Em Teu Nome, filme que tem coisas boas mas não a música, e roteiro para Quase um Tango…, cujos problemas estão essencialmente localizados na direção de cena e no… roteiro), o quase completo esquecimento de Canção de Baal, o melhor filme da mostra competitiva nacional, só tem uma explicação: os jurados não devem ter entendido a proposta estética radical de Helena Ignez. O que é lamentável. Ao menos o júri da crítica fez justiça: assim como no caso dos curtas (premiando O Teu Sorriso) e longas estrangeiros (premiando Gigante), concedeu, também por unanimidade, o prêmio de melhor longa nacional ao belo exercício de linguagem da veterana atriz e, agora, diretora de cinema (com D maiúsculo).

.De qualquer forma, o saldo de Gramado 2009 só pode ser positivo. Vistas em perspectiva, as últimas edições do festival têm correspondido às esperanças de melhoras das mostras competitivas de longas-metragens, sobretudo a dos brasileiros. Poucos anos atrás Gramado dava a clara impressão de desgaste e falta de força, além de ter se tornado um evento notabilizado quase exclusivamente pela presença maciça de estrelas da televisão e, consequentemente, de turistas. O que faz parte da sua proposta e é fundamental para a sua sobrevivência. Mas que não pode, de jeito nenhum, ser sua única razão de ser. Sob pena de levá-lo a um completo vazio existencial. Hoje, graças à presença também de filmes esteticamente mais ricos, com propostas mais autorais, Gramado dá a clara impressão de ser um evento que se preocupa também com os rumos da linguagem do cinema. Com o que os autores brasileiros e latino-americanos estão pensando e para onde estão levando a produção do país e do continente. É uma notável e saudável evolução.

Postado por Daniel Feix

Rob Zombie (bem) animado. Mas não aqui.

22 de agosto de 2009 0

Manja Rob Zombie, não? Sujeito tão inquieto quanto esquisito, deixou de lado sua competente, respeitável e bem sucedida banda de metal, o White Zombie, para se aventurar no mundo do cinema. E cinema de horror, muito mais extremo que o som que produzia enquanto front leader.

Eu não vi seus dois primeiros filmes, A Casa dos Mil Corpos e Rejeitados Pelo Diabo. Dizem que são muito bons no que se propõe, mas depois dos 23 comecei a declinar de coisas que conflitam com o meu almoço, então deixo pra vocês. Ambos foram lançados no Brasil e podem ser encontrados em DVD ou daquele jeito que vocês bem conhecem.

Fato é que Zombie começou mesmo a ganhar moral em Hollywood quando produziu o remake de Halloween. O primeiro, inclusive, ainda está em cartaz em Porto Alegre. Ele acabou de finalizar o segundo, que deve repetir a boa bilheteria do anterior e dar carta branca para que continue a refilmar a saga de Michael Myers.

Mas com grana no bolso, o que fez Rob? Meteu-se a fazer tosquice. Só que tosquice de primeira linha, como somente os norte-americanos são capazes de fazer. Então, aproveitou sua experiência de trabalhar com nazista que adquiriu com Werewolf Women of the SS _ o trailer falso dentro do projeto Grindhouse, de Quentin Tarantino (www.youtube.com/watch?v=P2mdUG-_Bp4) _ ele criou o espetacular The Haunted World Of El Superbeasto (www.elsuperbeasto.com).

Saca o trailer da sandice:


Rosario Dawson e Sheri Moon Zombie dublando gostosas! O capeta na voz do Paul Giamatti! Nazistas do inferno! Tiroteios com o Danny Trejo! Humor negro! E tanto nos cinemas quanto em DVD, o que é melhor.

Mas quando você vai ver The Haunted World Of El Superbeasto no cinema? Nunca! Jamais! Vai continuar levando o irmãozinho/sobrinho/neto pra ver a Disney/Pixar/Dreamworks te atochar hipocrisia em 3D, que é o máximo de animação séria a que te permitem.

Ou eu tô ficando louco e existe espaço para animação adulta politicamente incorreta por aqui? Quando foi a última vez que viu um desenho animado como esse Superbeasto no cinema? A caixa de comentários é logo abaixo.

Postado por Gustavo Brigatti

Ironias de Gramado

16 de agosto de 2009 2

Estas duas crônicas abaixo, sobre os dois principais homenageados do 37º Festival de Cinema de Gramado – Xuxa recebeu uma homenagem excepcional, à parte -, eu produzi durante a cobertura do evento, que terminou ontem, na Serra. Mas ambas ou foram muito cortadas ou publicadas de maneira um tanto restrita em ZH, em suas versões impressa ou online. Então, como gosto dos textos, especialmente no que eles têm de ironia, posto ambos aqui novamente.

 

A lucidez de Ruy Guerra

Não falta perspicácia ao discurso de Ruy Guerra, veterano cineasta homenageado este ano com o Kikito de Cristal. Com um charuto à mão, muito bom humor e um português de acento moçambicano - seu país de origem -, o diretor da obra-prima cinemanovista Os Fuzis (1964) recebeu os jornalistas pouco antes de se dirigir ao Palácio dos Festivais. Fez a alegria não só dos caçadores de frases de efeito, mas dos cinéfilos mais ávidos por reflexões qualificadas em torno da produção cinematográfica nacional.

- Não fiz todos os filmes que eu quis fazer, mas os filmes que eu fiz eu os fiz porque realmente quis fazer - ele disse, ao fazer um balanço da carreira. - Eu deveria estar rico, passando o dia à beira da piscina, tomando uísque escocês e dirigindo apenas o que encomendassem e que me rendesse muito dinheiro. Mas prefiro o baixo orçamento. Porque ele me dá a liberdade de buscar uma obra autoral em vez de me obrigar a fazer o que as bilheterias determinam quem eu faça. É o artista quem diz o que se deve fazer, não os espectadores.

Depois de Veneno da Madrugada (2004) e principalmente Estorvo (2000), Guerra admite que firmou uma espécie de divórcio com o público.

- Mas porque Veneno foi muito mal lançado, com muito poucas cópias. Nem meus amigos conseguiram vê-lo.

O que não significa que esteja parado, ao contrário. Aos 78 anos, diretor ainda de clássicos como Os Cafajestes (1962) e Ópera do Malandro (1986), ele está escrevendo um romance - que depois quer adaptar para o cinema - e preparando nada menos que três novos longas: Quase Memória, Três por Quatro e O Tempo, A Faca. Mas seu projeto mais ambicioso talvez seja um novo curso superior de formação de cineastas, que irá implantar na Faculdade Darcy Ribeiro, em Fortaleza (CE).

- É preciso formar diretores com conhecimento teórico e prático. Há muita gente, no âmbito da realização e da reflexão, que só tem uma das duas coisas. O que é muito limitante para a construção de uma obra.

Já havia se passado mais de uma hora e meia, com até uma manifestação emocionada de um fã, e aquela que foi de longe a melhor entrevista de Gramado 2009 poderia ir ainda mais longe - se dependesse inclusive da vontade do entrevistado. Mas Ruy Guerra precisava se preparar para subir ao palco do Palácio dos Festivais. Antes de encerrar, no entanto, ainda fez uma declaração de amor ao cinema brasileiro:

- Eu sempre falo, mas, não sei o porquê, nunca publicam: nosso cinema, hoje, é melhor do que o norte-americano. Tudo bem que não temos a qualidade técnica da indústria de Hollywood, mas fazemos reflexões sobre nossa identidade, sobre nossa cultura, de maneira muito mais profunda que os EUA. Talvez ninguém publique porque ache que eu esteja maluco, ou tenha pena de mim. Pensam que é melhor me preservar… Mas eu asseguro: estou feliz e não sou coitadinho.

A ironia também está no DNA dos grandes artistas.

 

As contradições de Reginaldo Faria

Sempre carregada de emoção, a cerimônia de entrega do troféu Oscarito, mais tradicional homenagem prestada pelo Festival de Gramado, também serviu para uma reflexão sobre as políticas de fomento aos filmes brasileiros. Ao receber o prêmio, o ator e diretor Reginaldo Faria criticou as comissões responsáveis pela seleção dos projetos inscritos em editais públicos. Citou as dificuldades pessoais para financiar seus novos trabalhos como exemplo da falta de critérios na distribuição dos recursos e lembrou que, nos anos 1970, a produção nacional era dona de 40% do mercado exibidor.

- Hoje, nos contentamos com 10% - criticou. - Tenho 40 filmes no currículo e não consigo viabilizar meus próximos longas. Mas sou persistente.

Rodeado de fotógrafos e câmeras de TV, Faria desceu do palco do Palácio dos Festivais e caminhou até a sua poltrona na terceira fileira da plateia, imediatamente atrás de onde estava a reportagem de ZH. Recebeu calorosos cumprimentos da mulher Vania, do irmão Roberto e dos três filhos presentes à cerimônia, Marcelo, Régis e Carlos André. Marcelo Faria, que também é ator, foi o mais entusiasmado nos elogios ao discurso do pai.

- Você foi ótimo, como sempre. Só faltou ser mais enfático ao dizer que esses caras que decidem quem fica com a grana do cinema brasileiro não entendem nada de cinema brasileiro. São burocratas, nada mais que isso - falou, abraçado ao velho.

Os familiares e todos os demais convidados do homenageado, que ocupavam mais de uma dezena de lugares na sala, levantaram-se em conjunto em seguida e deixaram o Palácio dos Festivais antes mesmo que o documentário Cildo, o título seguinte da mostra competitiva de longas-metragens, começasse a ser exibido. Por sinal, Reginaldo Faria e seus três filhos, toda a família formada por gente que trabalha em cinema, passaram a semana na Serra e não acompanharam a exibição de nenhum filme em competição em Gramado 2009.

Eles e a Xuxa.

Postado por Daniel Feix

Fatia bem fininho, tá?

16 de agosto de 2009 0

São incontáveis as maneiras de se matar alguém no cinema (no cinema que eu digo é num filme, não na sala, ok?). Dentro desse universo, destaca-se a categoria “cortar”. E corta-se de todas as maneiras, com espadas, armadilhas de arame, facas, pás e chicote.

Os resultados também variam, desde manter sangue e vísceras devidamente alojadas nas partes cortadas até espalhar tudo pra todo lugar. Apenas o silêncio desesperador das vítimas é que não muda, já que a fatiação é sempre rápida e mortal e não dá chance para um mero “ai”.

Este fã de cinema aproveitou a deixa e fez uma montagem com algumas das cenas mais impressionantes da categoria. Saca só:


Mas eu também encontrei uma sequência destruidora, aproveitando a sugestão inicial do vídeo acima. Assista e veja se também não é desesperadora:


Sim, videogames são coisa de gente grande. Não tentem isso em casa, crianças.

Postado por Gustavo Brigatti

Finalmente, o Pacífico

10 de agosto de 2009 3

Boas novas, meninos. Hora de começar a cavar a trincheira para aguardar a chegada da superprodução que promete levar o espectador para dentro de um dos capítulos mais dramáticos da II Guerra Mundial. Estreia em março de 2010, nos EUA, The Pacific, nova minissérie capitaneada por Steven Spielberg e Tom Hanks.   

E essa dupla cumpre o que promete, sabe bem quem acompanhou a espetacular minissérie Band of Brothers – a caixinha de DVDs se encontra por aí a preços bem camaradas. Agora, eles trocam a campanha militar contra os nazistas na Europa pelos combates diante dos japoneses nas ilhas do Pacífico.

The Pacific, ainda sem data para chegar ao Brasil, segue o mesmo formato de Band of Brothers: dez capítulos, hiper-realismo,elenco sem nomes muito conhecidos e consultoria  de ex-combatentes e historiadores. A história relembra os passos de um grupo de marines nas sangrentas campanhas de Iwo Jima, Okinawa e Guadalcanal, entre outros palcos da reta final da II Guerra.

Confira o trailer de The Pacific e comece a contagem regressiva para o desembarque.

Postado por Marcelo Perrone

Ponte aérea Cotiporã - Locarno

10 de agosto de 2009 0

Esmir Filho e o ator gaúcho Henrique Larre no set do longa em Cotiporã/Ricardo Wolffenbüttel
A expectativa era ver Os Famosos e os Duendes da Morte no Festival de Gramado. Mas a tão aguardada estreia em longa do jovem diretor paulista Esmir Filho, tantas vezes premiado na Serra com seus curtas (Saliva e Alguma Coisa Assim) ficou para o Festival de Locarno, que rola até sábado na Suíça.
Considerado um dos mais promissores cineastas de sua geração, tanto por sua habilidade em dialogar com o público jovem quanto por sua gramática narrativa e visual arrojada, Esmir rodou Os Famosos e os Duendes da Morte no interior gaúcho, no ano passado, em cidades como Cotiporã e Lajeado. Em cena, estão retratados os adolescentes que, não importa onde vivam, nas grande metrópoles ou em cidadedezinhas periféricas – caso dos protagonistas do filme -, estão sempre plugados no mundo virtual com identidades conhecidas por nicknames.
Baseado no livro homônimo do escritor gaúcho Ismael Caneppele, o filme conta a
história de um menino que tenta aplacar o frio e a solidão de uma cidade pequena no sul do Brasil por meio da internet. A amizade virtual do “menino sem nome” com a “garota sem pernas” vira uma viagem de mistério quando a jovem morre,
restando apenas sua vida virtual.
Os Famosos e os Duendes da Morte é estrelado pelo alegretense Henrique
Larré, 18 anos, escolhido para o papel pela internet. Toda a seleção de elenco, aliás, foi feita assim, um procedimento o mais fiel possível ao universo retratado por Esmir, que montou acampamento no Estado durante a fase de pré-produção.
Ao todo, o diretor entrevistou 400 guris e gurias, selecionou 40 para uma oficina e três para os principais papéis da trama – além de Larré, também trabalham no longa Tuane Eggers, 18 anos, de Lajeado, e Samuel Reginatto, 16 anos, de Taquara.

Confira nos links lá no pé do post, os pdfs da páginas de Zero Hora com matérias sobre as  filmagens no Estado.
Abaixo, o trailer de Os Famosos e os Duendes da Morte e uma matéria com os bastidores das filmagens produzida pela TV Univates.

Zero Hora acompanhou as filmagens

Zero Hora acompanhou as filmagens

Postado por Marcelo Perrone

John Hughes

08 de agosto de 2009 1

Na correria toda dos últimos dias nem deu para fazer o devido registro à morte do diretor John Hughes, sujeito que soube, como poucos, dar cara e voz aos adolescentes no cinema. Algumas cenas marcantes de seus filmes, para compensar a economia de palavras: Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco e A Garota de Rosa Shocking (este como roteirista e produtor)

 

Postado por Marcelo Perrone

Seguindo os passos de Fellini

03 de agosto de 2009 0

Sony Pictures, Divulgação

Com estreia prevista para novembro, nos EUA, o musical Nine já é um das grandes apostas para o Oscar 2010. O filme já chama a atenção porque poucas vezes se viu reunido numa única produção um time com tantos ganhadores da estatueta – eu, agora, não me lembro de outro com tantos. Só no elenco são seis: Daniel Day-Lewis (com Meu Pé Esquerdo e Sangue Negro) Nicole Kidman (As Horas), Marion Cotillard (Piaf), a veterana Sophia Loren (Duas Mulheres), Judi Dench (Shakespeare Apaixonado, como coadjuvante) e Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona, como coadjuvante).

O filme do diretor Rob Marshall (de Chicago, vencedor do Oscar de melhor filme em 2003) é uma adaptação do clássico 8 1/2, de Federico Fellini. Na verdade, uma adaptação do musical da Broadway homônimo encenado pela primeira vez em 1982. Daniel Day-Lewis revive o cineasta em crise existencial Guido, imortalizado no cinema por Marcello Mastroianni e que nos palcos teve já teve como intérpretes Raul Julia e Antonio Banderas.

O projeto de  levar Nine ao cinema circula há tempos por Hollywood. Antes de o papel de Guido parar com Daniel Day-Lewis, era Javier Bardem quem ensaiava os passos no set. Mas o ator espanhol, alegando estafa, pulou fora. Antes mesmo de Bardem, o personagem chegou a ser cogitado para George Clooney, Johnny Depp e o próprio Banderas.

Entre as atrizes, a dança de nomes também foi grande. A vaga que ficou com Nicole Kidman esteve nas mãos de Catherine Zeta-Jones – Demi Moore e Juliette Binoche também foram testadas para o papel. O mesmo se deu com as personagens de Marion Cotillard (que substituiu Katie Holmes), Penélope Cruz (Renée Zellweger) e Kate Hudson (Anne Hathaway e Sienna Miller).

Confira abaixo trailer de Nine ou AQUI para ver em tela ampliada

 

Postado por Marcelo Perrone

Cineasta gaúcho em Hollywood

01 de agosto de 2009 0

Radicado em Nova York desde 1994, Renato Falcão (foto), 45 anos, volta e meia dá um pulo no Brasil – mais especificamente em Porto Alegre – para fotografar algum longa-metragem. Ou mesmo dirigir, caso de A Festa de Margarete (2002). Em Enquanto a Noite Não Chega (2009) ele aparece nos créditos como correalizador, ao lado de Beto Souza, embora não tenha feito a direção de cena; fez, além da fotografia, o complexo trabalho de montagem, a partir do qual o filme ganhou nova cara.

De passagem por São Paulo para conferir a histórica pré-estreia de Enquanto a Noite Não Chega, que marcou a primeira exibição de um longa em 4K em mais de uma cidade simultaneamente (leia mais sobre isso no Segundo Caderno deste sábado), Falcão conversou com a reportagem de ZH. Revelou, entre outras coisas, que está envolvido na produção de Rio, o novo desenho animado do brasileiro Carlos Saldanha.

- Vou fazer a fotografia do filme – disse. – Como se trata de uma animação, vai ser um trabalho diferente. Vou ser uma espécie de consultor que vai auxiliar a distribuição de luzes e sombras, por exemplo.

Não sabe que projeto é esse chamado Rio nem quem é Carlos Saldanha? Primeiro, o filme: trata-se de uma crônica da cidade que é nada menos que uma das apostas da Fox para 2011. Agora, o diretor: carioca, 41 anos, um dos principais nomes da animação em Hollywood, já foi indicado ao Oscar e é responsável pelos três filmes da série A Era do Gelo – incluindo este que está em cartaz nos cinemas e que tem quebrado recordes de bilheteria no Brasil.

- Essas produções obviamente têm um cuidado muito grande com a imagem – observa Falcão. – Mas fui chamado porque, apesar disso, nenhuma delas teve um diretor de fotografia na equipe. Vou fazer um trabalho de auxílio e aperfeiçoamento.

Fotógrafo de formação, Falcão também tem trabalhado na produção de longas brasileiros que têm cenas rodadas nos EUA – como Dois Perdidos numa Noite Suja (de José Joffily, 2002) e Os Desafinados (de Walter Lima Jr., 2008). Mas é com Rio que ele tem tudo para fazer a carreira dar seu maior salto.

Confira, abaixo, um trecho de uma entrevista, concedida ao canal a cabo Telecine, em que Saldanha explica o que será o filme e adianta o perfil dos profissionais que integram a equipe de produção – logo depois de falar sobre a possibilidade de uma nova sequência de A Era do Gelo.

 

Postado por Daniel Feix