"G1 elege os melhores filmes sobre amor a três."
Leio esta chamada e imediatamente penso que o pessoal do referido site ficou, como eu, comovido com Amantes (Two Lovers, EUA, 2008), o sensacional longa de James Gray que estreou no fim de semana no Brasil. E que resolveu partir da sua temática para listar títulos semelhantes.
Que nada, o "gancho" para a publicação da tal lista é Os Normais 2 (de José Alvarenga Jr, Brasil, 2009), outro título em cartaz desde o final de semana.
Mesmo assim, me animei e resolvi republicar a lista do G1 abaixo, porém ampliando-a, na verdade aumentando de 10 para 20 a conta de filmes de "amor a três". E o fiz levando muito mais em conta a semelhança desses filmes com Amantes, que afinal de contas é entre esses dois aquele que tem algo a dizer.
Na verdade vários longas me vieram à cabeça, alguns deles de forte carga política, o que só reforça uma ideia que não me sai do pensamento desde que assisti ao brilhante trabalho de direção de Gray e de atuação de seu protagonista, Joaquin Phoenix: quem disse que um filme de amor não pode ser um filme político?
As 20 produções são imensamente diferentes entre si, como não poderiam deixar de ser em se tratando de uma temática tão ampla e cheia de possibilidades narrativas, estéticas, autorais etc. As 10 primeiras foram listadas pelo do G1. As 10 seguintes são os meus acréscimos.
Leia e pitaqueie, se você quiser compartilhando com os demais leitores as suas lembranças (são tantos os filmes que falam do assunto...).
A lista do G1:

Jules e Jim - Uma Mulher para Dois (1962), de François Truffaut
Catherine (Jeanne Moreau), Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre) são os vértices do triângulo amoroso mais célebre do cinema francês. Clássico da Nouvelle Vague, o romance de Truffaut conta a história da amizade incondicional entre o alemão Jules e o francês Jim, que resiste até mesmo ao fato de eles lutarem em lados opostos na Primeira Guerra. Mas não aos encantos de Catherine, moça cheia de personalidade, que enchem de cor - e angústias - a vida dos rapazes.

Dona Flor e seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto
Se Catherine, Jules e Jim formam o mais famoso "casal de três" do cinema francês, cabe a Dona Flor, Vadinho e Teodoro desempenharem esta função no Brasil. Adaptação do romance de Jorge Amado, o filme de Bruno Barreto traz Sônia Braga no papel da cozinheira dividida entre o casamento tranquilo com o farmacêutico Teodoro (Mauro Mendonça), e o fantasma de seu primeiro marido, Vadinho (José Wilker), que em vida foi melhor amante para Flor, mas que a fazia sofrer com sua rotina de farras e jogatinas. Como só ela vê o espírito do falecido, são várias as cenas em que os personagens dividem o leito.

Os Sonhadores (2003), de Bernando Bertolucci
Em plena agitação juvenil na Paris de 1968, o estudante americano Matthew (Michael Pitt) conhece os gêmeos franceses Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel). Em comum, os três tem paixão por filmes clássicos e passam a desenvolver jogos psicológicos a partir deles. Os irmãos mantêm ainda uma relação incestuosa, que causa repúdio, mas ao mesmo tempo atrai Matthew. O filme traz as belas - e polêmicas - cenas típicas dos longas de Bertolucci. Em Os Sonhadores, sua assinatura fica evidente no momento em que Isabelle perde a virgindade com Matthew no chão da cozinha, sob o olhar do irmão.

Três Formas de Amar (1994), de Andrew Fleming
Por uma confusão burocrática, a estudante Alex (Lara Flynn Boyle) é mandada para o alojamento masculino da universidade. Lá, ela é obrigada a dividir o dormitório com Eddy (Josh Charles) e Stuart (Stephen Baldwin). A jovem logo se apaixona por Eddy, rapaz sensível e inteligente, que tem dúvidas se deve ter sua primeira transa com uma mulher ou com um homem. Já Stuart, fanfarrão e mulherengo, só pensa em levar Alex para a cama. Em meio a essa tensão sexual, o trio desenvolve uma saborosa amizade. Três Formas de Amar traz diálogos espertos, próprios da linguagem moderninha que Fleming desenvolveu em seus filmes jovens nos anos 1990, como Jovens Bruxas e Todas as Garotas do Presidente.

Cidade Baixa (2005), de Sergio Machado
Houve quem afirmasse que Cidade Baixa era um "Jules e Jim do Recôncavo Baiano". Mas está bem longe de ter a doçura do clássico francês a história de amor marginal entre a prostituta Karina (Alice Braga) e os pescadores Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura), toda marcada pela miséria e pelo machismo. Assim como no filme de Truffaut, os rapazes se consideram mais que amigos: são irmãos que se defendem dos perigos da vida. Mas tudo muda quando passam a disputar Karina, num sentimento que beira a obsessão. Diferentemente de Jules e Jim, não é a garota quem rege os destinos dos homens, dominados por um sentimento de veneração. Para Naldinho e Deco o que está em disputa não é o coração de Karina, mas sim quem será o dono daquela mulher.
Caramuru - A Invenção do Brasil (2001), de Guel Arraes
O filme é inspirado na minissérie da TV Globo que conta em tom de comédia os "bastidores" da descoberta do Brasil. Diogo (Selton Mello) é um pintor português que é deportado do país como punição por ter roubado os mapas de Pedro Álvares Cabral. No meio do oceano, sua embarcação sofre um naufrágio, e o rapaz consegue escapar da morte nadando até terra firme. Ele vai parar no Brasil, onde conhece as índias Paraguaçu (Camila Pitanga) e Moema (Deborah Secco). Livre de convenções, o trio vive uma história marcada pela inocência e a busca do prazer.

E sua Mãe Também (2001), de Alfonso Cuarón
O "roadie movie" do diretor mexicano é considerado ícone do cinema latino-americano atual e traz pela primeira vez como protagonistas os então iniciantes Gael García Bernal e Diego Luna. Quando suas namoradas vão passar uma temporada na Itália, os adolescentes Julio (Gael) e Tenoch (Luna) ficam entediados e resolvem partir para uma viagem de carro pela zona rural do México. Eles têm a companhia de Luisa (Maribel Verdú), mulher mais velha e desiludida com o amor. No trajeto, passam por experiências - sexuais, inclusive - que marcam sua transição para a maturidade.

Vicky Cristina Barcelona (2008), de Woody Allen
Scarlett Johansson, a atual musa de Allen, foi colocada em um triângulo amoroso com Penélope Cruz e Javier Bardem, nesta comédia que tem a cidade espanhola como cenário. Sua personagem, Cristina, sofre de "insatisfação crônica" com a falta de um rumo na vida. Tudo muda quando ela conhece o pintor Juan Antonio (Bardem), que vive uma problemática relação com Maria Elena (Penélope). Para apimentar ainda mais a situação, Vicky (Rebecca Hall) - a melhor amiga de Cristina - ameaça transformar o triângulo em um quadrilátero amoroso.

Canções de Amor (2007), de Christophe Honoré
Outro exemplo da obsessão do cinema francês com os relacionamentos a três - e da "aptidão" do ator Loius Garrel para papeis do tipo -, Canções de Amor conta a história de Julie, seu namorado Ismael e a amiga Alice. Misturando desejo e amizade, o trio faz praticamente tudo junto, inclusive dividir a mesma cama, até que um desfecho trágico muda o equilíbrio na relação. Dirigido por Honoré, o longa é costurado pelas tais canções de amor compostas por seu antigo parceiro de trilhas Alex Beaupain. O filme venceu o prêmio César - o Oscar do cinema francês - graças à música de Beaupain.

Os Normais 2 - A Noite mais Maluca de Todas (2009), de José Alvarenga Jr.
Rui (Luis Fernando Guimaraes) e Vani (Fernanda Torres) estão em crise na relação. Pelas contas dela, transam somente 40 vezes por ano. Para que o relacionamento não apague de vez, Vani propõe que eles realizem uma antiga fantasia de Rui: um ménage à trois. O casal, então, passa uma noite toda indo atrás de mulheres que topem ir para a cama com eles. Nesse segundo longa adaptado da série de TV, as convidadas para dividir o leito - e as cenas engraçadas - com a dupla são Claudia Raia, Alinne Morais e Drica Moraes.
Os meus acréscimos:

Perdas e Danos (1992), de Louis Malle
Stephen Fleming (Jeremy Irons) é um dos líderes do parlamento inglês. Homem de reputação intocável, ele no entanto se apaixona por Anna (Juliette Binoche), linda mulher que... é a noiva do filho dele. Um dos tantos títulos polêmicos dirigidos pelo francês Malle sobre as relações amorosas, o filme tornou-se conhecido pela ótima dosagem de suspense e, sobretudo, pela intensidade de algumas cenas de sexo. Em meio à tórrida relação do casal está o jovem Martin (Rupert Graves), que completa o trio de protagonistas - e o trágico triângulo amoroso - do longa.

A Paixão de Ana (1969), de Ingmar Bergman
Uma das tantas obras-primas de Bergman, o filme é centrado na formação de um casal (Max Von Sydow e Liv Ullmann), ele um homem solitário que vive em uma ilha e ela uma jovem que acaba de perder marido e filha num acidente. Em alguns momentos ensaia-se um triângulo com a amiga da mulher (Bibi Andersson), mas o grande lance do longa é o embaralhamento proposto pelo genial cineasta sueco: tanto o atual namorado quanto o ex-marido chamam-se Andrew, entre outras coincidências. O quanto as relações amorosas se repetem aos nossos olhos? Esta é só uma das questões abordadas por Bergman neste grande filme.

As Duas Inglesas e o Amor (1971), de François Truffaut
Outra bela adaptação de Trauffaut da obra de Henri Pierre Roché (também autor do romance que deu origem a Jules e Jim), este filme, um tanto menos badalado que o anterior, retrata o triângulo formado pelo francês Claude (Jean-Pierre Léaud) com as britâncias Anne (Kika Markham) e Muriel (Stacy Tendeter). Amigo da primeira, ele vai ao País de Gales conhecer a família dela - é quando depara com a segunda, por quem logo se vê encantado, dando início a uma conturbada relação que inclui paixão, ciúmes e também disputas.

A Primeira Noite de um Homem (1967), de Mike Nichols
Clássico de Hollywood do então promissor diretor Nichols, eternizado pela canção Mrs. Robinson, de Simon & Garfunkel. Conta a história de um jovem de 21 anos (Dustin Hoffman) que retorna para casa após se formar na faculdade. Em meio às indecisões quanto ao seu futuro, ele se divide entre duas mulheres, que são uma mãe (Anne Bancroft) e a sua filha (Katherine Ross). Com a primeira, que é amiga de sua família, teve um caso passageiro. A segunda é a garota por quem está interessado agora.

A Outra (2008), de Justin Chadwick
Este é um dos maiores exemplos do desperdício que Hollywood nos apresenta frequentemente: muitos recursos disponíveis, técnicos do mais alto gabarito, grandes atores, todos os tipos de apelo para atrair o público e... um filme medroso, mal dirigido, feito no piloto automático, com cenas de sexo mais frias que as da novela das seis. A história, no entanto, é a de um dos triângulos amorosos mais clássicos da história universal: o envolvimento do rei Henrique VIII (Eric Bana) com as irmãs Bolena (Natalie Portman e Scarlett Johansson) durante a dinastia dos Tudor, na Grã-Bretanha do século 15.

Uma Mulher É uma Mulher (1961), de Jean-Luc Godard
Talvez a maior das declarações de amor à atriz e musa nouvellevaguiana Anna Karina, à época mulher de Godard, esta "comédia musical neorrealista", assim definida com humor pelo diretor francês, retrata um triângulo amoroso entre uma stripper (Karina), seu amante (Jean-Claude Brialy) e seu amigo (Jean-Paul Belmondo). A protagonista é uma dançarina que quer ter um filho. Diante da negativa do primeiro, recorre ao segundo - e descobre que ele sempre foi apaixonado por ela, o que vai desencadear uma série de novos eventos, exibidos com rara beleza e inventividade pelo grande realizador.

A Bela Junie (2008), de Christophe Honoré
A Junie do título (em português) é interpretada pela bela Léa Seydoux, sósia de Anna Karina. A personagem chega a uma nova escola no interior da França, para onde leva seus mistérios e encantos. Chama a atenção sobretudo de um jovem aluno (Grégoire Leprince-Ringuet), com quem firma namoro, e do professor Nemours (Louis Garrel, de novo ele), que desenvolve verdadeira obsessão por ela. A tensão sexual está impregnada em vários núcleos dramáticos da escola, mas é essa dança de Junie entre os dois homens, ambos apaixonados por ela, que orienta o desenvolvimento do drama.
Uma Garota Dividida em Dois (2007), de Claude Chabrol
Gabrielle (Ludivine Sagnier) é a mulher do título. Ela está entre o amor de Charles (François Berléand), um premiado escritor de meia-idade, experiente, sábio, bem-resolvido, e Paul (Benoît Magimel), jovem, emasculado, um playboy inseguro. Um dos filmes mais recentes do veterano diretor francês, Uma Garota Divida em Dois é uma crônica social recheada de ironias e sarcasmo - não apenas por meio da palavra, mas da própria imagem, como é usual na sua filmografia -, em que Chabrol comenta as castrações e as liberdades pequeno-burguesas em torno da sexualidade.

Proposta Indecente (1993), de Adrian Lyne
Está tudo bem com os noivos David (Woody Harrelson) e Diana (Demi Moore) até que o rico empresário John (Robert Redford) oferece US$ 1 milhão por uma noite de amor com ela - o que resolveria todos os problemas financeiros do casal. A história é bem previsível, sobretudo no que diz respeito ao inferno que vira a relação a dois desde que o terceiro elemento se infiltra entre eles - e dali não quer sair -, mas isso não impediu o filme de se tornar um verdadeiro fenômeno de popularidade na década de 1990.

Amantes (2008), de James Gray
Quarto filme do diretor norte-americano, traz Joaquin Phoenix (em atuação histórica) como um jovem adulto dividido entre o amor incondicional da morena Sandra (Vinessa Shaw), amiga de sua família judia, e os encantos da loira instável Michelle (Gwyneth Paltrow), que é apaixonada por um homem casado. Bipolar com tendências suicidas, Leonard, o protagonista, oscila entre o conforto oferecido por uma relação e a emoção representada pela outra. O longa está em cartaz no país - é um dos títulos do ano a chegar ao circuito.
Postado por Daniel Feix





