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Fronteiras diluídas

04 de setembro de 2009 0

Já se falou, aqui neste blog, aqui neste jornal e em outros espaços, que o CineEsquemanovo (CEN) – Festival de Cinema de Porto Alegre tem demonstrado bem claramente o estreitamento das relações entre o cinema e as artes visuais. Isso graças a uma linha curatorial arejada, que privilegia propostas estéticas diferenciadas.

É bem fácil de entender essa aproximação: a ideia original do CEN sempre foi olhar todos os suportes de realização cinematográfica sem preconceitos, o que naturalmente abriu espaço para o vídeo, que por suas próprias limitações plásticas impõe em forma de desafio aos cineastas uma certa inventividade formal – usar uma daquelas câmeras de vídeo digital para fazer um filme “novela das oito” não rola, né?

O caminho, assim, fica aberto para filmes sejam classificados como videoarte – e vice-versa. Não à toa, diversos trabalhos já exibidos no CEN - e inclusive premiados com os principais troféus do festival – também percorreram o circuito de arte. Que por sua vez também vive um momento de expansão, já tendo incorporado a própria linguagem do cinema em parte de sua produção.

Um exemplo bem palpável de como essas fronteiras andam diluídas: um dos melhores, se não o melhor filme exibido em Porto Alegre este ano, que motivou o Segundo Caderno aqui da ZH a fazer uma capa sobre ele, apesar de só ter passado em duas ou três sessões numa mostra especial da Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, foi Hunger. Primeiro – assim chamado – filme do artista plástico inglês Steve McQueen, esse trabalho perturbador é centrado na figura de um ativista do IRA preso na Irlanda do Norte na década de 1980. Ganhou o Camera d`Or, troféu concedido ao melhor longa da mostra de diretores estreantes, no Festival de Cannes de 2008. Não é pouca coisa, muito pelo contrário.

Pois aqui no Sul – e este é o objetivo deste post - o CineEsquemaNovo já se tornou mais que um exemplo desses intercâmbios entre as linguagens, por assim dizer. Tornou-se, na verdade, a principal vitrine para quem trabalha com esse intercâmbio – entre aquelas vitrines do circuito cinematográfico.

E, veja você a coincidência, na semana em que o festival porto-alegrense anunciou os títulos concorrentes da edição 2009, que será realizado de 17 a 24 de outubro, foi aberta na cidade uma – ao que tudo indica interessantíssima – mostra coletiva de vídeo intitulada Infiltração.

É, como já disse, uma mostra de vídeo. Ou, se levarmos em conta as classificações tradicionais, uma mostra de artes visuais. Mas que apresenta entre seus trabalhos selecionados vídeos – ou seriam curtas, ou os dois? – de vários videomakers – ou seriam cineastas, ou artistas visuais? - que são figuras carimbadas da programação do CEN.

O Gustavo Spolidoro, cineasta e curador do festival, foi quem alertou: nada menos que oito realizadores presentes em Infiltração têm alguma relação com o CEN. Aí vai um copy + paste da lista que ele enviou:

Luiz Roque: parceiro desde o primeiro CEN, criador do troféu do festival;
Cris Lenhardt: já teve filmes concorrendo no CEN e tem este ano seu curta Sentinela na mostra competitiva;
Kika Nicolela: participou de três edições do festival, sendo premiada no primeiro CEN;
Marcelo Gobatto: fez sessão paralela no CEN 2007;
Dirnei Prates: participou de três festivais e foi premiado em um;
Nelton Pellenz: participou de uma edição e foi premiado;
Marcellvs: participou de dois CEN e num deles levou o premio principal, de melhor curta do evento;
Lucas Bambozzi: teve trabalhos em mostras especiais do festival.

Vou usar aqui a mesma frase que usei acima ao falar do Steve McQueen: não é pouca coisa, muito pelo contrário.

Abaixo, um trailer de Hunger - a dica é que há mais coisa desse filme nos YouTubes da vida – e, em seguida, o serviço dos dois eventos, a mostra Infiltração e o CEN 2009.

 

Infiltração

Mostra coletiva de videoarte realizada em quatro espaços de Porto Alegre: Galeria do Dmae (de segunda a sexta, das 8h às 17h30min), porão do Paço Municipal (de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 18h, e no sábado, das 13h às 17h), Centro Municipal de Cultura (diariamente, das 9h às 21h) e Usina do Gasômetro (de terça a domingo, das 10h às 21h). Até 11 de setembro, dia em que serão exibidos todos os filmes no Gasômetro.

CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre

De 17 a 24 de outubro, em três salas de cinema do centro da cidade: Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, Cine Santander e CineBancários, além de mostras paralelas e universitárias em outras regiões. Mostras competitivas com 22 curtas brasileiros e estrangeiros e quatro longas nacionais selecionados entre quase 800 títulos inscritos.

Postado por Daniel Feix

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