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Posts de fevereiro 2010

Vem aí Toy Story 3

24 de fevereiro de 2010 2

À espera do terceiro filme da série, que tem estreia mundial marcada para as próximas férias de inverno no Brasil - e de verão nos EUA -, a Disney relança a partir desta semana uma das mais belas e importantes animações da história do cinema.

Toy Story (1995) é o primeiro desenho rodado totalmente em computação digital - ou, no mínimo, a primeira experiência do tipo que de fato chegou ao grande público. Também foi o marco inicial da parceria da produtora de Walt Disney com a Pixar, que revolucionou a animação com títulos inteligentes e sensíveis a ponto de encantar tanto o público infantil quanto o adulto.

Em nova ação inédita, a gigante do entretenimento reapresenta tanto o longa original quanto a sua sequência (Toy Story 2, lançado em 1999), ambos agora adaptados para exibição em 3D - tecnologia que será usada no terceiro filme da série. O primeiro estreia no circuito nesta sexta-feira (26/02). O segundo, na semana que vem (05/03).

Os filmes são os mesmos - a sensação de assisti-los em 3D é que deve trazer uma percepção certamente um tantinho diferente. Veja (ou reveja) essas pequenas obras-primas históricas do cinema e prepare-se para Toy Story 3. O novo longa, que tem previsão de estreia no Brasil em 25 de junho, deve trazer a turma do caubói Woody (voz de Tom Hanks) e do patrulheiro do espaço Buzz (Tim Allen) convivendo com uma nova realidade: seu proprietário, Andy, o garoto dono dos brinquedos, cresceu e foi parar na faculdade. E resolveu repassá-los para a caridade. Dê uma olhada abaixo em alguns vídeos sobre o filme já disponíveis.

Primeiro, um pequeno spot da produção - já com versão dublada em português:

Aqui, um dos primeiros trailers disponibilizados, ainda sem legendas ou dublagem em português - veja como o menino Andy mudou em relação aos primeiros filmes:

E aqui outro, parecido em alguns trechos mas mais focado no crescimento do garoto:

Um princípio para o exercício da crítica

23 de fevereiro de 2010 0

A ideia era publicar o texto abaixo junto à reportagem que está na capa do Segundo Caderno desta terça-feira (23), sobre o exercício da crítica de cinema. Trata-se de um excerto de um pequeno artigo escrito pelo crítico da Folha de S.Paulo José Geraldo Couto - que naturalmente autorizou a reprodução.

Acontece que a reportagem cresceu, pois vários grandes cineastas atenderam a minha convocação e deram o seu depoimento acerca da sua relação com a crítica (vale a pena ler, entre outros participam José Eduardo Belmonte, Fernando Meirelles, Beto Brant e Domingos Oliveira, clique aqui e aqui). Assim, o texto acabou ficando exclusivamente para este espaço. É do Zé Geraldo, mas eu gostaria de assinar embaixo:


Diz um antigo provérbio espanhol que não se deve pedir peras ao olmo. (...) Traduzindo, em termos de crítica de cinema: é bobagem cobrar rigor histórico de um
Bastardos Inglórios, ou esperar uma gravidade bergmaniana de um Avatar. Do mesmo modo, não faz sentido acusar um Kiarostami (ou um Manoel de Oliveira) de "falta de ritmo" ou condenar Tim Burton por "inverossimilhança". Quem faz esse tipo de avaliação geralmente tem em mente um modelo, explícito ou oculto, do que deve ser o cinema, ou mesmo um determinado gênero de cinema.

Na crítica mais convencional e massificada, destinada a orientar o grosso do público na selva do entretenimento, geralmente esse modelo pressuposto é o do cinema americano de grande bilheteria, com seus gêneros cristalizados, suas fórmulas comprovadas, seus manuais de roteiro. Mas há também, no outro extremo, quem descarte de antemão, e em bloco, todo o cinema narrativo de grande apelo junto ao público, como se ele fosse um imenso e monolítico aparato de imbecilização das massas. Algumas reações desse tipo puderam ser observadas em relação a Avatar, por exemplo.

(...) Cada filme deve ser visto em sua especificidade. A ele (o filme) deve ser dada a chance de provar sua coerência interna e a eficácia de suas próprias leis e de suas estratégias de conquista do olhar, da sensibilidade e da inteligência do espectador.

É óbvio que os filmes não surgem do nada e pressupõem toda a história do cinema anterior a eles, com a qual dialogam das mais diversas maneiras. Mas essa história, esse acervo de imagens e sua forturna crítica, não podem servir como uma camisa de força, sob pena de coibir ou obscurecer a diferença, a novidade, a surpresa. O cinema comporta ilimitadas possibilidades distintas de expressão. Pelo menos eu acredito nisso.

(...)

Ah, sim: todo esse papo sobre a crítica, seus dilemas, sua relevância, sua forma em si, tudo isso advém do fato de o documentário Crítico estar entrando em cartaz, em três sessões diárias, na Sala P.F Gastal da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre.

O longa do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho (dos ótimos curtas Vinil Verde e Eletrodoméstica), ele próprio um crítico de cinema (do Jornal do Commercio, de Recife), é de 2008. Foi exibido no Festival de Gramado daquele ano, e também no seminário O Estado da Crítica, promovido pela Associação dos Críticos de Cinema do RS (ACCIRS) em 2009. Tem depoimentos de 70 críticos ou cineastas, captados ao longo de quase uma década nos mais diversos festivais - Cannes e Berlim entre eles.

É muito interessante. Ó uma espécie de promo do filme:

Houve uma vez um verão

22 de fevereiro de 2010 0

O letreiro de abertura de (500) Dias com Ela é tão contraditório quanto a história que o filme conta nos 95 minutos seguintes. "O que se verá a seguir é uma ficção. Qualquer semelhança com pessoas reais é pura coincidência. Especialmente você, Jenny Beckman. Bitch", anuncia a inscrição - aqui traduzida para o português até o trecho em que a advertência vira raiva, ou piada, ou as duas coisas.

O longa de Marc Webb - indicado ao Globo de Ouro de melhor comédia ou musical - nasceu para ser um cult geracional porque é, ao mesmo tempo, o retrato de um caso muito particular entre um garoto e uma garota e o retrato de um caso como todos os outros entre os garotos e as garotas contemporâneos à dupla de protagonistas.

No original, o título é (500) Days of Summer. O número entre parênteses brinca com a contagem de dias do relacionamento de Tom (Joseph Gordon-Levitt, também indicado ao Globo de Ouro) e Summer (Zooey Deschanel), da forma com que as datas vão aparecendo na tela. Summer ("verão"), além de fazer referência ao nome da personagem, funciona como um trocadilho com a temporada de sol - e de descobertas e experiências juvenis inesquecíveis.

Desde o início do filme sabe-se que o namoro não vingou: a narrativa tem idas e vindas que põem em sequência, de maneira desordenada porém hábil, acontecimentos dos últimos e dos primeiros entre os 500 dias de Summer. Mas Tom está completamente apaixonado. Como nunca esteve e, ele acredita, jamais estará novamente. Porque ela é perfeita: tem uma beleza misteriosa, uma sensibilidade extraordinária, gosta de The Smiths! Seu defeito é não acreditar no amor.

Como lidar com a mulher inatingível? O diretor estreante Webb e os roteiristas Scott Neustadter e Michael Weber, que dizem ter vivenciado literalmente grande parte do que escreveram, põem seu jovem protagonista a jogar xadrez com a morte, em citação ao clássico de Ingmar Bergman O Sétimo Selo (1957). O fim do verão às vezes parece o fim do mundo, mas - o desafio da irmã dele (Chloe Moretz) e de seus amigos (Geofrey Arend e Matthew Gray Gubler) é fazer Tom entender - pode não ser este o caso.

A sensação de proximidade do espectador com a situação só aumenta com as inúmeras referências ao universo pop, no figurino, no cenário, na trilha sonora - que além de Smiths conta com Regina Spektor, Feist, Clash, Carla Bruni, Belle and Sebastian e a própria Zooey Deschanel, cantora de projetos indie como She & Him. Não perca o filme, não deixe de conhecer o disco. Depois de uma boa campanha no circuito das salas de cinema, ele já está disponível em DVD.

Vai abaixo o trailer original, sem legendas, porque aquele que lançaram no Brasil é infinitamente pior.

Grandes momentos do cinema: o plano-sequência de O Segredo dos seus Olhos

19 de fevereiro de 2010 1

"La Acadé", como canta a torcida no vídeo acima, é um diminutivo de La Academia - codinome do Racing Club de Avellaneda, uma das glórias do futebol argentino e sul-americano. Trata-se de uma reprodução de um jogo da década de 1970, no estádio do portenho Huracán. Trata-se, também, de mais um exemplo a provar que o albiceleste, primeiro argentino campeão do mundo e terceira agremiação mais popular do país vizinho, é o clube preferido dos cineastas argentinos. É o mais referenciado pelos filmes produzidos na Argentina, ao menos nos últimos anos.

A cena tem exatos cinco minutos e foi toda rodada num único plano-sequência, ou seja, sem qualquer corte. Mas, obviamente, com inúmeras trucangens espertas. Foi usada pelos fãs do filme (O Segredo dos seus Olhos) como amostra do virtuosismo do diretor, Juan José Campanella (o mesmo de O Filho da Noiva e Clube da Lua), e, pelos seus detratores, como exemplo de tecnicismo gratuito e desajuste entre sua forma e seu conteúdo.

Sou daqueles que se alinham aos primeiros: O Segredo de seus Olhos é um belo longa cuja súmula é a de um policial daqueles mais simplórios, mas cuja realização transcende qualquer limitação de gênero - é romance, é melodrama, é também uma história cheia de humor e ironias, que lembra Almodóvar em sua imensa capacidade de provocar as mais diversas sensações no espectador ao falar de personagens que buscam acertar contas com o seu passado.

A trama é a de um funcionário de um tribunal penal de Buenos Aires (Ricardo Darín, bom como sempre) que se aposenta e resolve escrever um livro sobre um assassinato cometido 20 e poucos anos antes, o que funciona como um pretexto para ele revirar documentos e reencontrar pessoas daquela época. O Segredo dos seus Olhos está em exibição em Porto Alegre em sessões diárias de pré-estreia até quinta-feira (25) - um dia antes de entrar em cartaz definitivamente no circuito.

O filme ganhou o Goya de melhor filme hispano-americano de 2009 e concorre ao Oscar de melhor longa estrangeiro da temporada. Com cerca de 3 milhões de ingressos vendidos, fez a maior bilheteria de um longa argentino em seu país desde 1983.

Mensageiros do mal

19 de fevereiro de 2010 0

Entre todas as muitas produções de Holywood sobre a Guerra do Iraque, O Mensageiro (2009) é provavelmente a menos ortodoxa. Nem por isso, no entanto, a menos incisiva.

Depois de uma semana inteira de sessões de pré-estreia, o filme entra em cartaz definitivamente em Porto Alegre. É o primeiro longa dirigido por Oren Moverman, autor do excelente roteiro de Não Estou Lá (2007), inspirado no universo musical de Bob Dylan. Por O Mensageiro, que ele escreveu em parceria com o produtor Alessandro Camon, ganhou no ano passado o Urso de Prata do Festival de Berlim - justamente pelo roteiro que, este ano, está indicado ao Oscar.

O fato de se tratar de um filme sobre a guerra não significa que se está diante de um filme do gênero guerra. A trama envolve dois oficiais, o jovem sargento Will (Ben Foster) e seu parceiro mais experiente, o capitão Tony (Woody Harrelson, em grande atuação, indicado ao Oscar de ator coadjuvante), que têm como missão comunicar a morte dos soldados em combate no Iraque a seus familiares nos EUA. Eles estão longe do front - mas vivenciando de perto o horror estampado no rosto de quem acaba de perder um filho, ou um marido, ou mesmo um pai.

O título original combina mais com o longa do que sua tradução no singular. É que The Messenger faz referência à função que aqui é exercida não por um, e sim por dois integrantes do exército norte-americano. Will, embora seja o protagonista, aquele não admite trabalhar com frieza e acaba se envolvendo com as vítimas - sobretudo a jovem viúva Olivia (Samantha Morton) -, ou seja, o personagem sobre o qual recaem os dilemas éticos, não está sozinho. O Mensageiro cresce quando ele e o aparentemente insensível Tony se unem para segurar juntos a barra - e o capitão interpretado por Harrelson toma conta da cena.

Trata-se de um filme com uma abordagem sutil - não há exageros sentimentalistas, longe disso - sobre como a trágica Guerra do Iraque devastou famílias inteiras nos EUA. E também, e fundamentalmente, sobre como pessoas de naturezas tão diferentes reagem, juntas, quando expostas a uma situação-limite.

O trailer, como você pode ver acima, não o vende lá muito bem. Mas o filme é bom.

Preciosa: a surpresa da temporada

18 de fevereiro de 2010 0

Tinham tudo para dar errado - a história de Claireece Precious Jones e o filme que narra a sua jornada de amadurecimento.

Aí surgem em sua vida infernal verdadeiros anjos como aqueles interpretados, no longa, pelos cantores Lenny Kravitz (um enfermeiro) e Mariah Carey (assistente social), um roteirista hábil (Geoffrey Fletcher) e um diretor mais ainda (Lee Daniels). E tudo vira. Precious, em português, Preciosa - Um História de Esperança, é um dos filmes imperdíveis na temporada pré-Oscar.

Indicado a seis categorias, incluindo melhor filme, diretor e atriz (Gabourey Sibide), favorito em roteiro adaptado e provável vencedor em atriz coadjuvante (para a extraordinária comediante Mo'Nique), o longa está em cartaz no circuito. Narra a história real de Precious (Gabourey, estudante de Psicologia que jamais havia atuado no cinema), garota do Harlem de 16 anos obesa, analfabeta, espancada pela mãe (Mo'Nique) e estuprada pelo pai (que não aparece no filme).

Ela já deu à luz uma criança com Síndrome de Down (que nasceu dos abusos dele) e está prestes a parir outra. Obviamente não consegue acompanhar os colegas numa escola normal, por isso é enviada a uma instituição especial - onde, incentivada pelo anjo maior, a professora Rain (Paula Patton), aprende não apenas a ler e a escrever, mas a fazer poesia e a superar traumas que a impediam, por exemplo, de falar com as outras pessoas em determinadas ocasiões.

O grande mérito dos autores - Preciosa é produzido por Oprah Winfrey, que se encantou com a história publicada no livro original de Sapphire, recém-lançado no Brasil - é não cair nas armadilhas do melodrama e das histórias de superação em meio ao caos. Fletcher e Daniels usam e abusam de imagens para ilustrar os sonhos da protagonista e fogem às fórmulas engessadas de construção de roteiro. Recheiam a narrativa de referências, que vão do Barfly (1987) de Barbet Shroeder a Duas Mulheres (1960) de Vittorio De Sica - numa cena aliás antológica em que Precious, vendo o filme na tevê, deixa-se levar pela imaginação até entrar na história e "contracenar" com Sophia Loren. A sequência só não é mais marcante que as imagens finais, uma aula de interpretação da mãe então desesperada vivida por Mo'Nique.

E não se engane: a consagração nos circuitos alternativos e os prêmios conquistados em Sundance, o principal festival do cinema independente, não se deu por conta da linguagem visual modernosa, com sua fotografia cheia de filtros, ou da montagem ágil com seus cacoetes típicos dos filmes publicitários. Preciosa é grande porque conta com esses recursos mas também não abre mão de uma decupagem mais clássica quando ela se faz mais conveniente. Não se curva a normas pré-estabelecidas, ao contrário, reserva efeitos inesperados e viradas surpreendentes.

É um caso em que a forma, mesmo fugindo dos padrões mais conhecidos, só faz valorizar o conteúdo.

Uma cruz para Penélope

12 de fevereiro de 2010 2

Depois de Björk (em Dançando no Escuro), Nicole Kidman (em Dogville) e Charlotte Gainsbourg (em Anticristo), Penélope Cruz é a próxima "musa" do cineasta dinamarquês Lars Von Trier. A atriz espanhola, que acaba de trabalhar com outros mestres como Almodóvar e Woody Allen, vai se juntar a Von Trier - e provavelmente sofrer nas mãos do grande porém difícil cineasta - no longa Melancholia, definido como uma mistura de drama psicológico e filme-catástrofe.

Orçado em US$ 7 milhões, pouquíssimo para uma ficção científica protagonizada por uma estrela internacional, Melancholia trata de um enorme planeta que se aproxima perigosamente na Terra. Ao anunciar a produção, em uma de suas típicas declarações fugazes e provocativas, Von Trier disse apenas que não faria "nada de finais felizes". Segundo o produtor Peter Jensen, o filme será sombrio e vai mostrar "um desastre sob um ponto de vista psicológico".

Melancholia será rodado ainda este ano na Alemanha e na Suécia. Tem lançamento acertado para o Festival de Cannes de 2011, em maio do ano que vem.

Vai dar pé?

A Fita Branca chegou

12 de fevereiro de 2010 0

Confesso que tenho muita curiosidade em saber como A Fita Branca (2009) será recebido a partir de hoje nos cinemas. Além de ser longo (145min.) e todo rodado em preto-e-branco, é um filme difícil, denso, que provoca e incomoda o espectador - mas é uma obra-prima, mais uma do diretor austro-alemão Michael Haneke, de A Professora de Piano (2001) e Caché (2005). Leia mais sobre o longa nos nossos textos publicados em ZH, aqui e aqui. Textos que não são curtos mas que, ainda assim, como a provar a riqueza e a complexidade da produção, deixam de falar de diversos de seus aspectos - a relação da rigidez social com os princípios católicos e seus complexos de culpa, a sua proximidade com a obra de Ingmar Bergman e com outra obra-prima recente, Luz Silenciosa (2007), do mexicano Carlos Reygadas...

Belle Époque britânica

10 de fevereiro de 2010 0

Duas produções da melhor tradição britânica de filmes de época – e que estão entre os principais destaques do circuito neste início de ano –, Chéri e Bons Costumes estão entrando na reta final de sua campanha pelos cinemas de Porto Alegre.

Ambos reconstituem a Inglaterra do início do século 20. Bons Costumes, de Stephan Elliott, é um retrato das dificuldades de aceitação da esposa americana do filho por parte de um casal de aristocratas. Já Chéri, do ótimo diretor Stephen Frears (de Minha Adorável Lavanderia, A Rainha, Alta Fidelidade), narra a história de uma cortesã encarregada de "ensinar" as coisas do universo adulto ao filho de uma colega de profissão. A protagonista é interpretada por ninguém menos que Michelle Pfeifer, que já fora dirigida por Frears em Ligações Perigosas, de 1988. Rupert Friend e Kathy Bates completam a linha de frente do elenco.

O trailer, com legendas em português, está abaixo. Os horários dos cinemas você vê em ZH, na internet e no papel. Grande filme!

Os melhores para a ACCIRS

09 de fevereiro de 2010 0

A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele, e Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, foram eleitos pela Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS) os melhores filmes a estrearem em Porto Alegre em 2009.

O primeiro venceu na categoria longa nacional, enquanto o segundo foi o mais votado pelos pouco mais de 30 associados entre as produçõs estrangeiras. O Destaque Gaúcho - Prêmio Luiz César Cozzatti foi concedido a dois novos espaços exibidores, o CineBancários e o Instituto NT, ambos por consolidarem uma programação que prioriza filmes de qualidade independentemente do seu apelo comercial.

A eleição de A Festa da Menina Morta, que contou com meu voto e, se não cometo alguma indiscrição, com o dos meus colegas de ZH, foi relativamente tranquila. A de Bastardos Inglórios, nem tanto. Muitos filmes foram votados, mas no final o prêmio foi bem dado - ainda que se goste mais de Gran Torino, Valsa com Bashir, Desejo e Perigo ou Entre os Muros da Escola, é impossível não admitir a grandiosidade do trabalho de Tarantino.

Para os filhos e os pais cinéfilos

07 de fevereiro de 2010 5

Dois programas muito, mas muito bacanas para pais e filhos neste fevereiro de férias e muito calor: estão em cartaz as duas incursões ao universo infanto-juvenil promovidas por Wes Anderson e Spike Jonze, dois dos principais cineastas surgidos nos EUA nos últimos anos.

Anderson, realizador conhecido por Os Excêntricos Tenenbaums (2001) e Viagem a Darjeeling (2007), concorre ao Oscar de melhor animação por O Fantástico Sr.Raposo (2009), adaptação da obra de Roald Dahl (o mesmo autor de A Fantástica Fábrica de Chocolate) que conta a história de uma família de raposas cujo pai não consegue viver regradamente, deixando de lado atividades ilícitas como atacar os galinheiros dos fazendeiros da vizinhança. O longa, rodado com a técnica stop-motion, aquela em que cada fotograma é desenhado separadamente, é ao mesmo tempo leve, divertido e uma reflexão bem interessante sobre as relações familiares - o dia a dia das raposas funciona como uma alegoria da rotina de pais e filhos, pois elas agem como se fossem pessoas de verdade, com seus empregos, contas para pagar etc. As vozes são de astros como George Clooney, Meryl Streep e Bill Murray, entre outros.

Já Spike Jonze, o diretor de Adaptação (2002) e Quero Ser John Malkovich (1999), ambos escritos por Charlie Kaufman, agora se uniu ao próprio Maurice Sendak, autor do livro que deu origem ao filme, ao roteirista Dave Eggers e a uma equipe técnica da mais alta capacidade - o fotógrafo Lance Acord, a cantora Karen-O - para adaptar o clássico Where the Wild Things Are, traduzido no Brasil como Onde Vivem os Monstros. Trata-se de uma fábula sobre a imaginação de um menino de nove anos que, num acesso de fúria, resolve fugir da mãe (Catherine Keener) e do namorado dela (Mark Ruffalo), entrando num barco e indo parar numa ilha distante. Lá, ele vira rei de uma comunidade de criaturas grandes, peludas e esquisitas, porém muitíssimo simpáticas, que representam, cada uma, um pouco daquilo que ele é, deseja ser ou não consegue evitar em seu comportamento. É uma jornada de autodescoberta, metáfora de seu próprio crescimento - mas acessível não apenas a adultos, Ao contrário. Veja que vale a pena.

Ó os trailers, com legendas em português (o segundo, de Onde Vivem os Monstros, é genial, com a música Wake Up, que está no disco Funeral, obra-prima da banda canadense Arcade Fire):

Canção do amor demais

05 de fevereiro de 2010 1

Christophe Honoré é um dos mais jovens e um dos mais talentosos realizadores da linha de frente do cinema francês. Ganhou fama e moldou um estilo próprio ao incorporar preceitos da nouvelle vague em projetos sobre os encontros e desencontros dos jovens amantes - filmes como Em Paris (2006), Canções de Amor (2007) e A Bela Junie (2008).

Fez política falando de amor ao adaptar a obra de Madame de Lafayatte quando o presidente Nicolas Sar­kozy sugeriu abolir a sua literatura das escolas francesas. Transformou Louis Garrel em seu Jean-Paul Belmondo, e até uma sósia de Anna Karina ele descobriu - Léa Seydoux, a bela Junie destacada por Tarantino para Bastardos Inglórios (2009) e por Ridley Scott para o ainda inédito Robin Hood, previsto para estrear em 2010.

Seu novo longa vem provar que Honoré é capaz de ser grande trabalhando em registros e contextos diferentes. Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (Non ma Fille, Tu N'Iras Pas Danser, França,  2009), em cartaz em Porto Alegre, é um drama familiar focado na figura de Léna, uma jovem mãe que tinha tudo para ter uma vida estável e feliz - pais atenciosos, filhos exemplares -, mas que de alguma forma se perde em meio ao excesso de zelo a sua volta.

Léna é Chiara Mastroianni (foto abaixo), filha da francesa Catherine Deneuve e do italiano Marcelo Mastroianni. Uma ótima atriz, algo que de fato só havia mostrado, antes deste filme, em outros poucos - como A Carta, de Manoel Oliveira, e Conto de Natal, de Arnaud Desplechin. Em Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar, a trama começa quando a personagem e suas duas crianças tomam o rumo do campo. Não que seja uma viagem de férias como outra qualquer: logo o espectador percebe a sua instabilidade e que, por trás da reunião da família no interior, há uma série de tentativas de ajudá-la a se encontrar, sobretudo de sua mãe (Marie-Christine Barrault) e de sua irmã (Marina Foïs). Elas gostariam, por exemplo, que ela arrumasse um emprego e reatasse com o ex-marido (Jean-Marc Barr).

Mais que nas relações tortas da protagonista com o pai de seus filhos e com o novo amante (interpretado por Garrel), o estilo Honoré aparece nesses impulsos externos que tentam, sem sucesso, alterar o destino dos personagens. Aqui, no entanto, a dança da vida é mais melancólica, sombria que em outros trabalhos do cineasta.

Não só por isso, mas porque a narrativa anda por caminhos inusuais - o mistério sobre o destino de Léna se dissipa numa analogia com uma histó­ria ocorrida num passado distante, espécie de filme dentro do filme -, Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar é o mais arriscado e surpreendente longa de Honoré. Riscos daqueles que só correm os bons autores, surpresas daquelas cujo resultado é dos mais interessantes.

O trailer:

Adendo: em entrevista concedida à Agência Estado, que Zero Hora reproduz em sua edição impressa, Honoré (na foto abaixo) explica que resolveu mudar de ares porque queria reencontrar suas origens. "Não venho de uma família de cinéfilos. Quando dizia que seria cineasta, todos lá em casa respondiam 'Ah, sim', mas esperavam no fundo outra decisão minha, uma profissão de verdade. Meus longas anteriores falavam da minha adaptação a Paris, mas agora eu quis falar de família, de campo", disse. Não, Minha Filha foi rodado na região da Provence, onde o cineasta de 39 anos nasceu e passou a infância.

Além de serem três produções com foco nas relações familiares, há outra semelhança entre o longa de Honoré e outros dois filmes franceses recentes, Conto de Natal, de Arnaud Desplechin, e Horas de Verão, de Olivier Assayas. Afirma o cineasta na mesma entrevista: "É difícil fugir de um tema como esse. Mesmo filmes que não falam da família como laços de sangue mostram outras relações familiares – Exército, escola, tráfico. Não nascemos para levar vidas solitárias. O ideal seria que fossem solidárias. Digamos que trato do que atrai e afasta as pessoas. Em comparação com os longas de Arnaud e Olivier, veja que todos – eles mais explicitamente – tratamos da morte".

Oscar 2010 - os indicados

02 de fevereiro de 2010 1

Campeões de indicações e maiores favoritos ao prêmio, Avatar e Guerra ao Terror concorrem, cada um, em nove categorias no Oscar 2010. Bastardos Inglórios foi indicado a oito categorias e Preciosa e Amor sem Escalas, a sete cada um.

Os concorrentes foram anunciados esta manhã em Los Angeles. A cerimônia de entrega das estatuetas será no dia 7 de março.

Veja abaixo a lista dos indicados nas principais categorias e confira amanhã, na edição impressa de ZH, matéria completa sobre os indicados e o favoritismo de dois filmes tão diferentes quanto o superblockbuster Avatar, que já faturou mais de US$ 2 bilhões nos cinemas, e o "pequeno" Guerra ao Terror, que arrecadou apenas US$ 16 milhões e que, com a conquista de diversos prêmios prévios, passou da condição de azarão a um dos dois principais postulantes ao maior prêmio da indústria do entretenimento.

Os filmes com título em inglês ainda não têm definida a tradução para o português.


Melhor filme

Avatar, de James Cameron
Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow
Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino
Amor sem Escalas, de Jason Reitman
Preciosa, de Lee Daniels
Um Homem Sério, de Ethan e Joel Coen
Up - Altas Aventuras, de Pete Docter e Bob Peterson
Um Sonho Possível, de John Lee Hancock
Educação, de Lone Scherfig
Distrito 9, de Neill Blomkamp

Melhor diretor
Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror)
James Cameron (Avatar)
Lee Daniels (Preciosa)
Jason Reitman (Amor sem Escalas)
Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)

Melhor ator
Jeff Bridges (Crazy Heart)
George Clooney (Amor sem Escalas)
Colin Firth (Direito de Amar)
Morgan Freeman (Invictus)
Jeremy Renner (Guerra ao Terror)

Melhor atriz
Sandra Bullock (Um Sonho Possível)
Helen Mirren (The Last Station)
Carey Mulligan (Educação)
Gabourey Sidibe (Preciosa)
Meryl Streep (Julie & Julia)

Ator coadjuvante
Matt Damon (Invictus)
Woody Harrelson (O Mensageiro)
Christopher Plummer (The Last Station)
Stanley Tucci (Um Olhar do Paraíso)
Christoph Waltz (Bastardos Inglórios)

Atriz coadjuvante
Penélope Cruz (Nine)
Vera Farmiga (Amor Sem Escalas)
Maggie Gyllenhaal (Crazy Heart)
Anna Kendrick (Amor Sem Escalas)
Mo'Nique (Preciosa)

Roteiro original
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
O Mensageiro
Um Homem Sério
Up – Altas Aventuras

Roteiro adaptado
Distrito 9
Educação
In the Loop
Preciosa
Amor Sem Escalas

Fotografia
Avatar
A Fita Branca
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios

Montagem
Avatar
Distrito 9
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Preciosa

Direção de arte
Avatar
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus
Nine
Sherlock Holmes
The Young Victoria

Figurino
O Brilho de uma Paixão
Coco Antes de Chanel
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus
Nine
The Young Victoria
Maquiagem
Il Divo
Star Trek

Música original
Avatar
O Fantástico Sr. Raposo
Guerra ao Terror
Sherlock Holmes
Up – Altas Aventuras

Canção original
The Weary Kind (Crazy Heart)
Loin de Paname (Faubourg 36)
Take It All (Nine)
Down in New Orleans e Almost There (A Princesa e o Sapo)

Som
Avatar
Guerra ao Terror
Star Trek
Up – Altas Aventuras
Bastardos Inglórios

Efeitos sonoros
Avatar
Guerra ao Terror
Bastardos Inglórios
Star Trek
Up – Altas Aventuras

Efeitos visuais
Avatar
Distrito 9
Star Trek

Longa de animação
Coraline
O Fantástico Sr. Raposo
A Princesa e o Sapo
The Secret of Kells
Up – Altas Aventuras

Filme estrangeiro
A Fita Branca, de Michael Haneke (Áustria)
O Profeta, de Jacques Audiard (França)
A Teta Assustada, de Claudia Llosa (Peru)
O Segredo dos seus Olhos, de Juan Jose Campanella (Argentina)
Ajami, de Yaron Shani (Israel)