O Segundo Caderno de Zero Hora traz nesta segunda-feira um balanço sobre a temporada 2010 do cinema. Em destaque, não apenas os bons filmes que passaram pela Capital. Também lembramos fenômenos de público, fracassos, frustrações, joias que quase ninguém viu e outros fatos relevantes. Como prometido no papel, aqui seguem as listas individuais com os 10 mais da editoria de cinema.
Importante lembrar: a escolha foi feita apenas entre os filmes que foram exibidos no circuito comercial de Porto Alegre. Não levamos em conta os títulos que assistimos em mostras, festivais ou que foram lançados em outras capitais - e que ficaram inéditos por aqui, mesmo que tenham saído posteriormente em DVD. Esse critério deixou alguns bons filmes de fora, mas entendemos que é o mais justo para compartilhar nossas escolhas com as dos leitores, que podem assim discordar, concordar, acrescentar, enfim, toda aquela saudável troca de ideias que listas como essas estimulam. Leia as nossas e mande a sua.
Daniel Feix
1. Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, Brasil)
Drama potencializado pela força documental de suas imagens, a maioria de beleza plástica inusual, toca direto na emoção do espectador ao falar sobre uma história de desamor e desassistência no sertão nordestino.
2. Vincere (Marco Bellocchio, Itália/França)
Ópera trágica e inventiva sobre o abuso de poder na Itália fascista, é o ponto mais alto da carreira de um dos grandes autores do tradicional cinema político daquele país.
3. O Profeta (Jacques Audiard, França/Itália)
A obra-prima da gênese do crime organizado na Europa multiétnica atual - com algumas das sequências de violência mais impressionantes produzidas nas últimas décadas.
4. A Fita Branca (Michael Haneke, Alemanha/Áustria/França)
Perturbadora história de repressão infantil que é, ao mesmo tempo, um estudo sobre a fundação do nazismo e um ensaio sobre as origens mais remotas do mal institucionalizado.
5. À Prova de Morte (Quentin Tarantino, EUA)
O melhor pior filme do mundo. Tarantino trabalha apenas sobre fetiches e clichês do cinema dito menor, mas o que oferece ao espectador é um deleite cinematográfico digno de ser chamado de grande arte.
6. Um Homem que Grita (Mahamat-Saleh Haroun, Chade/França/Bélgica)
Um dos melhores e mais surpreendentes exemplares, em toda a cinematografia contemporânea, de abordagem dos grandes problemas sociais com as controversas inquietações pessoais de quem é tocado por eles.
7. Toy Story 3 (Lee Unkrich, EUA)
A sensibilidade e a excelência técnica (não apenas visual) dos dois primeiros filmes da série acrescidos de um tom melancólico na medida certa, que emociona espectadores de todas as idades e vivências as mais diversas.
8. Mary & Max (Adam Elliot, Austrália)
Tratado tocante da solidão e do isolamento no mundo contemporâneo, em que a técnica da animação moldada em três dimensões está a serviço da expressividade e do próprio desajuste social de seus personagens.
9. Abutres (Pablo Trapero, Argentina)
Trapero embaralha o bem e o mal de maneira engenhosa neste que é um de seus melhores longas, em exibição em sessões de pré-estreia desde novembro em Porto Alegre.
10. Tropa de Elite 2 (José Padilha, Brasil)
O barulho em torno do filme, assim como a sua incrível aceitação popular, estão à altura de suas qualidades narrativas, de seu virtuosismo técnico e de seu corajoso engajamento - que só o engrandece dramaticamente.
Marcelo Perrone
Vincere, de Marco Bellocchio (Itália)
Ao tirar de cena o ator dar lugar ao Mussolini real dos cinejornais, um gigante bufo que inibe sua representação na ficção, Bellocchio faz uma de suas tantas jogadas de mestre neste vigoroso filme.
O Profeta, de Jacques Audiard (França)
Hábil costura de filme de gângster, drama prisional e painel do preconceito étnico que tensiona a Europa contemporânea.
Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (Brasil)
Ao estimular os olhos, com a beleza de suas imagens impuras, os ouvidos, na sensibilidade da narração de sua dolorida história de amor, e o coração, na lembrança dos encontros, perdas e desvios que temos no caminho da vida, proporciona uma experiência sensorial rara.
À Prova de Morte, de Quentin Tarantino (EUA)
Tarantino é como um melhor amigo que sabe traduzir em grandes filmes os bons papos cinematográficos que varam noites na mesa do bar. A cada obra sabemos o que esperar, mas ele nunca decepciona ao surpreender e nos deixar de queixo caído.
Tropa de Elite 2, de José Padilha (Brasil)
Falam muito dos recordes, do retrato do Brasil real, desfiam teses políticas e sociológicas, mas parecem esquecer o fundamental: o filme é bom. Ação de primeira, thriller político com estofo, grande desempenho do elenco e excelência técnica coroam o excelente trabalho de José Padilha e equipe, bem-sucedido das filmagens à estratégia de lançamento.
Mary & Max, de Adam Elliot (Austrália)
Extrema competência ao realizar uma animação que consegue ser ao mesmo tempo sombria, no tom depressivo com que que aborda temas como solidão, preconceito, doença e morte, e iluminada, por seu humor peculiar e sua celebração à amizade como antídoto aos inevitáveis males da vida. Como mais ou mesmo diz a epígrafe: se deus nos dá a família que temos, os amigos nós podemos escolher.
Toy Story 3, de Lee Unkrich (EUA)
Tornar irrelevante ser visto ou não em 3D atesta a competência da Pixar/Disney em deixar a excelência técnica sempre à sombra da qualidade de suas histórias. Quem já teve um brinquedo favorito ou quem já separou de alguém que ama, ou seja, toda criança e todo adulto, vai encontrar razões para se divertir e se emocionar.
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella (Argentina)
Melodrama, policial, suspense, thriller político. Vários gêneros costurados com habilidade de ourives em uma narrativa que a cada instante surpreende ao tomar um caminho inesperado. O tão falado plano sequência é uma saborosa cereja no bolo.
Os Famosos e Os Duendes da Morte, de Esmir Filho (Brasil)
A aguardada estréia em longa-metragem do jovem diretor que mostrava ter olhar diferenciado sobre o universo adolescente confirmou um talento emergente do cinema nacional. Os possíveis riscos da narrativa não-linear e do elenco amador se traduziram numa obra esteticamente ousada e cheia de frescor sobre as dores e angústias que convivem com o prazer de ser jovem.
A Fita Branca, de Michael Haneke (Alemanha)
A ilação com a origem do nazismo é pertinente e estimulada pela ambientação e pelo contexto histórico, mas reduz o objetivo maior de Haneke: mostrar que o mal está sempre presente e na iminência de mostrar sua força, em qualquer tempo e lugar, basta a sociedade baixar a guarda.
Roger Lerina
1) A Fita Branca (Michael Haneke, Alemanha/Áustria/França)
A gênese do nazismo em uma perturbadora parábola perversa, rodada em preto e branco e ambientada em uma pequena comunidade alemã às vésperas da I Guerra.
2) Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, Brasil)
Embaralhando ficção e documentário, o filme comove tanto como diário íntimo de um homem de coração partido quanto como retrato do desassistido povão nordestino.
3) Vincere (Marco Bellocchio, Itália/França)
A paixão da amante de Mussolini narrada com exuberância em tom de ópera trágica.
4) Um Doce Olhar (Semih Kaplanoglu, Turquia)
Belo poema pastoral sobre a perda da inocência pelos olhos de um garoto no interior da Turquia.
5) O Profeta (Jacques Audiard, França/Itália)
A impressionante educação marginal de um jovem de origem árabe em uma prisão francesa, de pequeno meliante a chefão do crime.
6) Tropa de Elite 2 (José Padilha, Brasil)
Nessa segunda parte, a trama aprofunda as implicações político-sociais da questão da segurança no país e joga o policial anti-herói Nascimento em uma rede de corrupção mafiosa que remete ao filme italiano Gomorra.
7) O Escritor Fantasma (Roman Polanski)
Como já fizera antes em filmes como Chinatown (1974), o cineasta polonês demonstra mais uma vez maestria dirigindo um filme de gênero nesse thriller político-policial.
Os Famosos e os Duendes da Morte (Esmir Filho, Brasil)
Os questionamentos e impasses da adolescência narrados com uma sensibilidade e uma inventividade raras no cinema brasileiro.
9) Toy Story 3 (Lee Unkrich, EUA)
A Pixar segue provando que, mais importante do que a técnica, o que faz a diferença em um desenho animado é a inteligência do roteiro, seja qual for a dimensão do filme.
10) O Segredo dos seus Olhos (Juan José Campanella, Argentina)
Mais uma expressão da competência narrativa do cinema argentino contemporâneo, acrescida desta vez de um plano-sequência virtuoso de tirar o fôlego.
Ticiano Osório
Em ordem de preferência:
1) O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella
Tudo o que faz do cinema argentino motivo de inveja para os brasileiros. De brinde, um dos mais embasbacantes planos-sequência da história.
2) A Estrada, de John Hillcoat
Nunca a angústia foi tão prazerosa quanto nesta adaptação do romance apocalíptico de Cormac McCarthy.
3) Vincere, de Marco Bellocchio
A loucura e a volúpia do poder retratadas em um tom operístico na medida certa.
4) Mary & Max, de Adam Elliot
Trabalho de ourivesaria, tanto na animação com massinha quanto na afiada mistura de humor e melancolia.
5) A Origem, de Christopher Nolan
Outra vez, Nolan consegue fazer um suspense de entretenimento que também convida a refletir sobre temas nem um pouco rasteiros, como a construção da memória.
6) Toy Story 3, de Lee Unkrich
Tudo o que faz da Pixar motivo de inveja para outros estúdios de animação.
7) Tropa de Elite 2, de José Padilha
Não é um policial, mas sim um dos mais contundentes filmes políticos do Brasil.
O Profeta, de Jacques Audiard
O longa francês é digno dos melhores filmes de prisão que os americanos já fizeram (a saber, Fuga de Alcatraz, Brubaker e Um Sonho de Liberdade).
9) A Fita Branca, de Michael Haneke
A gênese do mal em um sublime preto e branco.
10) O Escritor Fantasma, de Roman Polanski, e Zona Verde, de Paul Greengrass
Dois eletrizantes thrillers políticos sobre assuntos do nosso tempo.
1. Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, Brasil)
Drama potencializado pela força documental de suas imagens, a maioria de beleza plástica inusual, toca direto na emoção do espectador ao falar sobre uma história de desamor e desassistência no sertão nordestino.
2. Vincere (Marco Bellocchio, Itália/França)
Ópera trágica e inventiva sobre o abuso de poder na Itália fascista, é o ponto mais alto da carreira de um dos grandes autores do tradicional cinema político daquele país.
3. O Profeta (Jacques Audiard, França/Itália)
A obra-prima da gênese do crime organizado na Europa multiétnica atual - com algumas das sequências de violência mais impressionantes produzidas nas últimas décadas.
4. A Fita Branca (Michael Haneke, Alemanha/Áustria/França)
Perturbadora história de repressão infantil que é, ao mesmo tempo, um estudo sobre a fundação do nazismo e um ensaio sobre as origens mais remotas do mal institucionalizado.
5. À Prova de Morte (Quentin Tarantino, EUA)
O melhor pior filme do mundo. Tarantino trabalha apenas sobre fetiches e clichês do cinema dito menor, mas o que oferece ao espectador é um deleite cinematográfico digno de ser chamado de grande arte.
6. Um Homem que Grita (Mahamat-Saleh Haroun, Chade/França/Bélgica)
Um dos melhores e mais surpreendentes exemplares, em toda a cinematografia contemporânea, de abordagem dos grandes problemas sociais com as controversas inquietações pessoais de quem é tocado por eles.
7. Toy Story 3 (Lee Unkrich, EUA)
A sensibilidade e a excelência técnica (não apenas visual) dos dois primeiros filmes da série acrescidos de um tom melancólico na medida certa, que emociona espectadores de todas as idades e vivências as mais diversas.
8. Mary & Max (Adam Eliott, Austrália)
Tratado tocante da solidão e do isolamento no mundo contemporâneo, em que a técnica da animação moldada em três dimensões está a serviço da expressividade e do próprio desajuste social de seus personagens.
9. Abutres (Pablo Trapero, Argentina)
Trapero embaralha o bem e o mal de maneira engenhosa neste que é um de seus melhores longas, em exibição em sessões de pré-estreia desde novembro em Porto Alegre.
10. Tropa de Elite 2 (José Padilha, Brasil)
O barulho em torno do filme, assim como a sua incrível aceitação popular, estão à altura de suas qualidades narrativas, de seu virtuosismo técnico e de seu corajoso engajamento - que só o engrandece dramaticamente.
Marcelo Perrone
1) Vincere, de Marco Bellocchio
Fazer o ator sair de cena para dar lugar ao Mussolini real dos cinejornais, personagem bufo que inibe sua representação na ficção, é uma das tantas jogadas de mestre de Bellochio neste vigoroso filme.
2) O Profeta, de Jacques Audiard
Hábil costura de filme de gângster, drama prisional e painel do preconceito étnico que tensiona a Europa contemporânea.
3) Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes
Filme que ao estimular os olhos, com a beleza de suas imagens impuras, os ouvidos, na sensibilidade da narração de sua dolorida história de amor, e o coração, na lembrança dos encontros, perdas e desvios que temos no caminho da vida, proporciona uma experiência sensorial rara.
4) À Prova de Morte, de Quentin Tarantino
Tarantino é como um melhor amigo que sabe traduzir em grandes filmes os bons papos cinematográficos que varam noites na mesa do bar. A cada obra sabemos o que esperar, mas ele nunca decepciona ao surpreender e nos deixar de queixo caído.
5) Tropa de Elite 2, de José Padilha
Se fala tanto em recordes, em retrato do Brasil real, desfiam-se teses políticas e sociológicas, mas parecem esquecer o fundamental: o filme é bom mesmo. Ação de primeira, thriller político com estofo, grande desempenho do elenco e excelência técnica coroam o excelente trabalho de José Padilha e equipe, bem-sucedido das filmagens à estratégia de lançamento.
6) Mary & Max, de Adam Eliott
Extrema competência ao realizar uma animação que consegue ser ao mesmo tempo sombria, no tom depressivo com que que aborda temas como solidão, preconceito, doença e morte, e iluminada, por seu humor peculiar e sua celebração à amizade como antídoto aos inevitáveis males da vida. Como mais ou mesmo diz a epígrafe, se deus nos dá a família que temos, os amigos nós podemos escolher.
7) A Fita Branca, de Michael Haneke
A ilação com a origem do nazismo é pertinente e estimulada pelo contexto histórico do filme, mas reduz o objetivo maior de Haneke: mostrar que o mal está sempre na iminência de germinar, em qualquer tempo e lugar, basta a sociedade baixar a guarda.
Toy Story 3, de Lee Unkrich
Tornar irrelevante ser visto ou não em 3D atesta a competência da Pixar/Disney em deixar a excelência técnica sempre à sombra da qualidade de suas histórias. Quem já teve um brinquedo favorito ou quem já separou de alguém que ama, ou seja, toda criança e todo adulto, vai encontrar razões para se divertir e se emocionar.
9) O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella
Melodrama, policial, suspense, thriller político. Vários gêneros costurados com habilidade de ourives em uma narrativa que a cada instante surpreende ao tomar um caminho inesperado. O tão falado plano sequência é uma saborosa cereja no bolo.
10) Os Famosos e Os Duendes da Morte, de Esmir Filho
A aguardada estréia em longa-metragem do jovem diretor que mostrava ter olhar diferenciado sobre o universo adolescente confirmou um talento emergente do cinema nacional. Os possíveis riscos da narrativa não-linear e do elenco amador se traduziram numa narrativa esteticamente ousada e cheio de frescor sobre as dores e angústias que convivem com o prazer de ser jovem.
Roger Lerina
1) "A Fita Branca" (Michael Haneke, Alemanha/Áustria/França) - A gênese do nazismo em uma perturbadora parábola perversa, rodada em preto e branco e ambientada em uma pequena comunidade alemã às vésperas da I Guerra.
2) "Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo" (Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, Brasil) - Embaralhando ficção e documentário, o filme comove tanto como diário íntimo de um homem de coração partido quanto como retrato do desassistido povão nordestino.
3) "Vincere" (Marco Bellocchio, Itália/França) - A paixão da amante de Mussolini narrada com exuberância em tom de ópera trágica.
4) "Um Doce Olhar" (Semih Kaplanoglu, Turquia) – Belo poema pastoral sobre a perda da inocência pelos olhos de um garoto no interior da Turquia.
5) “O Profeta” (Jacques Audiard, França/Itália) – A impressionante educação marginal de um jovem de origem árabe em uma prisão francesa, de pequeno meliante a chefão do crime.
6) “Tropa de Elite 2” (José Padilha, Brasil) – Nessa segunda parte, a trama aprofunda as implicações político-sociais da questão da segurança no país e joga o policial anti-herói Nascimento em uma rede de corrupção mafiosa que remete ao filme italiano “Gomorra”.
7) “O Escritor Fantasma” (Roman Polanski) – Como já fizera antes em filmes como “Chinatown” (1974), o cineasta polonês demonstra mais uma vez maestria dirigindo um filme de gênero nesse thriller político-policial.
“Os Famosos e os Duendes da Morte” (Esmir Filho, Brasil) – Os questionamentos e impasses da adolescência narrados com uma sensibilidade e uma inventividade raras no cinema brasileiro.
9) “Toy Story 3” (Lee Unkrich, EUA) – A Pixar segue provando que, mais importante do que a técnica, o que faz a diferença em um desenho animado é a inteligência do roteiro, seja qual for a dimensão do filme.
10) “O Segredo dos seus Olhos” (Juan José Campanella, Argentina) – Mais uma expressão da competência narrativa do cinema argentino contemporâneo, acrescida desta vez de um plano-sequência virtuoso de tirar o fôlego.
Ticiano Osório
Em ordem de preferência:
1) O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella _ Tudo o que faz do cinema argentino motivo de inveja para os brasileiros. De brinde, um dos mais embasbacantes planos-sequência da história.
2) A Estrada, de John Hillcoat _ Nunca a angústia foi tão prazerosa quanto nesta adaptação do romance apocalíptico de Cormac McCarthy.
3) Vincere, de Marco Bellocchio _ A loucura e a volúpia do poder retratadas em um tom operístico na medida certa.
4) Mary & Max, de Adam Elliott _ Trabalho de ourivesaria, tanto na animação com massinha quanto na afiada mistura de humor e melancolia.
5) A Origem, de Christopher Nolan _ Outra vez, Nolan consegue fazer um suspense de entretenimento que também convida a refletir sobre temas nem um pouco rasteiros, como a construção da memória.
6) Toy Story 3, de Lee Unkrich _ Tudo o que faz da Pixar motivo de inveja para outros estúdios de animação.
7) Tropa de Elite 2, de José Padilha _ Não é um policial, mas sim um dos mais contundentes filmes políticos do Brasil.
O Profeta, de Jacques Audiard _ O longa francês é digno dos melhores filmes de prisão que os americanos já fizeram (a saber, Fugindo de Alcatraz, Brubaker e Um Sonho de Liberdade).
9) A Fita Branca, de Michael Haneke _ A gênese do mal em um sublime preto e branco.
10) O Escritor Fantasma, de Roman Polanski, e Zona Verde, de Paul Greengrass _ Dois eletrizantes thrillers políticos sobre assuntos do nosso tempo.





