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Posts de janeiro 2011

As promessas de fevereiro

31 de janeiro de 2011 5

A partir de agora, sempre que houver virada de mês vamos antecipar aqui neste blog quais são as estreias mais esperadas dos 30 dias seguintes nos cinemas brasileiros.

Tomamos por base as estreias nacionais - o que não significa automaticamente que se tratem de estreias em Porto Alegre. Às vezes, e isso tem sido cada vez mais frequente, um filme estreia primeiro no Rio e em São Paulo, às vezes nessas duas cidades e em algumas outras também, e só depois chega aos cinemas aqui do Sul.

Sendo assim, antes de antever as promessas de fevereiro, convém lembrar que também estão para estrear em Porto Alegre filmes muito aguardados por aqui que já ganharam o circuito nas capitais paulista e carioca - e que, por isso, não figuram na lista abaixo. É o caso, por exemplo, de:

> Tio Bonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas, aclamado filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes;

> Um Lugar Qualquer, quarto longa de Sofia Coppola, Urso de Ouro em Veneza;

> A Última Estação, de Michael Hoffman, coprodução Alemanha/Grã-Bretanha sobre os últimos dias do escritor Leon Tolstói, que rendeu indicações ao Oscar de Christopher Plummer e Helen Mirren no ano passado;

> Lixo Extraordinário, documentário britânico-brasileiro de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley sobre o artista plástico Vik Muniz que está indicado ao Oscar da categoria.

Além destes, eis as promessas de fevereiro:


Cisne Negro, de Darren Aronofsky (EUA)

Excelente filme de horror psicológico do diretor de O Lutador e Réquiem para um Sonho sobre os fantasmas de uma bailarina em sua disputa pelo papel principal numa montagem de Cisne Negro. Pode dar o Oscar a Natalie Portman. Estreia no Brasil no dia 4 de fevereiro (em Porto Alegre quase certamente também).


O Vencedor, de David O. Russell (EUA)

Favorito nas categorias de ator e atriz coadjuvante (Christian Bale, em performance impressionante, e Melissa Leo), o filme estrelado por Mark Wahlberg conta a trajetória verídica do boxeador Micky Ward, que percorreu difícil trajetória até chegar ao título de campeão mundial. Seu irmão (Bale) é um ex-lutador viciado em crack. Estreia no país em 4 de fevereiro (Porto Alegre incluída, muito provavelmente).


Santuário, de Alister Grierson (EUA)

James Cameron, que é o produtor executivo deste filme, afirmou que aqui a tecnologia 3D é ainda mais avançada do que aquela vista em Avatar, o que aumentou a curiosidade em torno do projeto. Trata-se de um "suspense de natureza" sobre um grupo de aventureiros e mergulhadores que encara uma ameaça vinda das profundezas de uma caverna. Estreia nacional em 4 de fevereiro (pelo tamanho da produção, tem chance de chegar simultaneamente em Porto Alegre).


Bravura Indômita, de Ethan e Joel Coen (EUA)

Refilmagem do clássico western de Henry Hattaway de 1968 que deu ao ator John Wayne seu único Oscar. Aqui Jeff Bridges interpreta um xerife beberrão que ajuda uma jovem a procurar o assassino de seu pai. Novo longa dos diretores de filmaços como Fargo e Onde os Fracos Não Têm Vez, foi bastante elogiado nos EUA, onde vem fazendo ótima bilheteria. Estreia no Brasil em 11 de fevereiro (em princípio também em Porto Alegre).


O Discurso do Rei, de Tom Hooper (Reino Unido/Austrália)

Favorito ao Bafta, o principal prêmio do cinema britânico, tornou-se favorito também ao Oscar após vencer os prêmios dos sindicatos dos produtores, dos diretores e dos atores de Hollywood. Colin Firth, principal candidato à estatueta de melhor ator, interpreta o rei George VI, que é vítima de gagueira nervosa e precisa conduzir a Inglaterra à guerra contra os alemães. Estreia no país em 11 de fevereiro (em Porto Alegre já ganhou as primeiras sessões de pré-estreia).


127 Horas, de Danny Boyle (EUA)

Primeiro filme de Boyle (de Trainspotting) depois do Oscar com Quem Quer Ser um Milionário?, impressionou muita gente pela crueza da história real do alpinista que teve seu antebraço direito preso durante quase cinco dias sob uma pedra durante uma escalada em Utah, em 2003. James Franco, o protagonista, é candidato ao Oscar. Chega ao país em 18 de fevereiro (nada definido sobre Porto Alegre por enquanto).


Besouro Verde, de Michel Gondry (EUA)

O cultuado diretor de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças aqui assina o filme que ele próprio definiu como sendo o seu "projeto mais comercial". Trata-se de uma adaptação (em 3D) das aventuras do super-herói da TV Besouro Verde (interpretado por Seth Rogen, de Ligeiramente Grávidos) e seu ajudante Kato. Não foi lá muito bem recebido pela crítica nos EUA. Estreia no Brasil em 18 de fevereiro (nada confirmado sobre Porto Alegre).


Trabalho Interno, de Charles Ferguson (EUA)

Documentário impressionante pelo didatismo e pela riqueza de detalhes com que explica a grande crise econômica de 2008. Com narração de Matt Damon, é favorito ao Oscar de documentário, categoria na qual concorre com Lixo Extraordinário. Imperdível. Estreia no Brasil em 18 de fevereiro (pelo tamanho diminuto da produção, deve chegar a Porto Alegre apenas num segundo momento).


Bruna Surfistinha, O Filme, de Marcus Baldini (Brasil)

Aposto em multidões no cinema para ver Deborah Secco na cinebiografia da menina de classe média paulistana que decide ser garota de programa usando o nome Bruna Surfistinha. Veja o trailer e tente discordar. Estreia nacional em 25 de fevereiro (Porto Alegre certamente incluída na lista das cidades a receber o filme a partir desta data).


Sobre Homens e Deuses, de Xavier Beauvois (França)

Filme que impressionou a todos no Festival de Cannes (ficou com Grand Prix, prêmio que só perde em importância para a Palma de Ouro), aborda o multiculturalismo a partir da convivência de monges com a população muçulmana em uma vila, convivência esta que é abalada após o massacre de um grupo de estrangeiros. Estreia no Brasil em 25 de fevereiro (em Porto Alegre dificilmente não fica para um segundo momento).

A polêmica Sofia Coppola

28 de janeiro de 2011 2

Na 34ª Mostra de São Paulo, no final do ano passado, já foi mais ou menos assim: houve quem amou o filme e quem se irritou com o amor dos outros por Um Lugar Qualquer (Somewhere), o quarto longa de Sofia Coppola, que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Agora, com a estreia no Rio e em São Paulo (aqui em Porto Alegre teremos de esperar até não sei exatamente quando para vê-lo em cartaz no circuito), as discussões voltaram.

Sinceramente: não acho que o encanto de Um Lugar Qualquer seja exatamente este aqui, posto por Rodrigo Fonseca (de O Globo), mas gosto muito mais do filme que Eduardo Escorel (da Piauí), que publicou esta contestação ao texto de Fonseca. Sou fã do longa resumida e essencialmente devido ao talento da diretora para incorporar na sua forma as questões levantadas pela sua dramaturgia (que não são poucas nem simples), o que resulta em sequências memoráveis como a do lanche no saguão do hotel, a da visita à Itália e, sobretudo, aquela em que se vê pai e filha na piscina, ao som de Strokes.

Sequência esta última da qual se tirou a imagem do cartaz do filme (no alto deste post).

O curioso é que Um Lugar Qualquer já havia passado por Veneza de maneira polêmica.

Quando ganhou o prêmio máximo do festival mais antigo do mundo, um dos três maiores do cinema ao lado de Cannes e Berlim, os detratores do filme lembraram que Sofia foi namorada de Quentin Tarantino, que era o presidente do júri. Levaram o debate para o lado pessoal, ignorando as evidentes qualidades da produção.

Enfim. Dê uma olhada no trailer. Vou me limitar a dizer que é um belíssimo filme e que merece ser visto, por todo e qualquer tipo de público.

Cinema colaborativo ao vivo

27 de janeiro de 2011 1

Maior vitrine do cinema independente dos EUA, aquele produzido à margem dos grandes estúdios, o Festival de Sundance reserva para esta quinta-feira (27) um de seus momentos mais aguardados da edição 2011 - que começou no dia 20 e será encerrada no domingo em Park City (Utah).

Trata-se da exibição do longa colaborativo Life in a Day, que tem direção do escocês Kevin McDonald (de Intrigas de Estado, produção de 2009 estrelada por Russell Crowe e Ben Affleck) e produção executiva de Ridley Scott (aquele mesmo de Blade Runner e Gladiador). O filme foi todo produzido via YouTube, onde será exibido às 14h do Brasil (clique aqui para acessar o canal).

Como diz o título ("a vida num dia"), Life in a Day mostra a vida de pessoas comuns que se dispuseram a atender ao chamado de McDonald e enviar vídeos documentado o que fizeram em um determinado dia de julho do ano passado. No total, o realizador recebeu 4,5 mil horas de material, enviados por mais de 80 mil pessoas. Condensou tudo em um filme de 90 minutos, que traz "uma visão honesta e inspiradora do nosso mundo", conforme apresentação do projeto no YouTube.

Life in a Day foi selecionado para a programação oficial de Sundance na edição em que uma das principais diretrizes do festival foi a exibição de filmes via internet (confira no site oficial do evento). Mesmo atendendo apenas a uma audiência virtual, o festival não se furtou a promover debates entre os cineastas e o público. No caso deste filme, haverá uma entrevista do diretor logo após a exibição do filme, no mesmo site - que possui apresentação em diversas línguas, entre elas o português.

Um filme colaborativo - está aí algo contraditório quando se trata de cinema autoral, já que há a autoria presumida de diversas pessoas, diluindo-se o caráter pessoal da produção? Não. Na verdade, depende muito da abordagem, do tratamento que se dá à linguagem etc. Pelo tamanho do projeto de McDonald (25 milhões de acessos antes da exibição), e pela legitimidade que Sundance dá a ele (selecionando-o para a sua programação oficial), vale a pena dar uma conferida.

Lembrando que o festival está em alta: dois dos 10 longas indicados ao Oscar de melhor filme saíram de Sundance - Inverno da Alma e Minhas Mães e Meu Pai. Pode não ser mais aquele centro de difusão de inventividade formal que já representou noutros tempos. Mas é a mesma vitrine de sempre.

Seguem dois teasers como aperitivo de A Life in a Day:


Duas outras faces de John Herbert

26 de janeiro de 2011 2

O ator e diretor que morreu nesta quarta-feira (26), aos 81 anos, era um rosto conhecido da televisão, sobretudo pelos seus papéis nas novelas globais.

Mas o trabalho de John Herbert tinha pelo menos outras duas faces, pouco conhecidas do público atualmente: ele esteve em alguns filmes importantes, um deles clássico do cinema nacional (O Caso dos Irmãos Naves, de Luís Sérgio Person, lançado em 1967), e foi uma figura marcante das pornochanchadas brasileiras dos anos 1970 e 1980.

Abaixo, dois momentos de Herbert. Em primeiríssimo plano, na abertura de Cleo e Daniel, filme de 1970 adaptado do romance de Roberto Freire, e atrás das câmeras, dirigindo Christiane Torloni em cena, digamos, despudorada de Ariella, seu primeiro longa como diretor. Curta:

Bate-papo sobre os indicados

26 de janeiro de 2011 2

Surpresas? Apostas? Favoritos?

A lista do Oscar 2011 com alguns rápidos comentários nossos:

O Brasil no Oscar 2011

25 de janeiro de 2011 5

Não deixa de ser uma vitória do cinema nacional a indicação de Lixo Extraordinário, o longa britânico-brasileiro sobre o artista plástico paulista Vik Muniz, que concorre ao Oscar de melhor documentário.

Trata-se de um filme rodado inteiramente no Brasil, que põe em evidência a produção artística brasileira e é assinado por dois realizadores brasileiros - em parceria com a inglesa radicada nos Estados Unidos Lucy Walker.

São eles João Jardim, realizador que já dirigira, entre outros, o muito interessante Janela da Alma (2001), e Karen Harley, montadora de algumas das melhores produções brasileiras dos últimos tempos, entre elas Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo (2009), A Festa da Menina Morta (2008), Baixio das Bestas (2006) e Cinema, Aspirinas e Urubus (2005).

Mas que filme é esse? Lixo Extraordinário foi rodado ao longo de três anos. A narrativa acompanha Vik Muniz em sua viagem do bairro nova-iorquino do Brooklin, onde ele mora, até o Jardim Gramacho - lixão localizado na periferia do Rio de Janeiro e visto em outro documentário brasileiro, Estamira (2004), de Marcos Prado.

Lá, o artista se aproxima de um grupo de catadores e recebe deles objetos que, depois, vai usar como matéria-prima para a sua arte. A relação que se estabelece entre eles é o foco do longa, que tem chances de levar a estatueta mas que, de cara, parece menos favorito do que ao menos um concorrente: Trabalho Interno (Inside Job), um filmaço do norte-americano Charles Ferguson que explica em detalhes como se deu a grande crise econômica de 2008 - tudo o que Michael Moore queria fazer em Capitalismo, uma História de Amor (2009), mas não foi bem-sucedido.

Lixo Extraordinário acabou de estrear no Rio e em São Paulo e não tem previsão de chegada a Porto Alegre. O trailer está lá no alto do post. Abaixo, fotos dos trabalhos desenvolvidos por Vik Muniz no Jardim Gramacho:

Os indicados e os favoritos

25 de janeiro de 2011 6

Não houve grandes surpresas nas indicações ao Oscar 2011, anunciadas há pouco.

A Rede Social (foto acima) e O Discurso do Rei (abaixo), este último o campeão de indicações (com 12), devem polarizar a disputa pelo prêmio máximo da indústria de Hollywood. O primeiro, dirigido por David Fincher e espécie de barbada do ano, foi eleito o melhor filme da temporada para todas as associações de críticos dos EUA. Para se ter uma ideia, atingiu a média 9,5 sobre 10 no site Metacritic, que compila as resenhas de toda a imprensa norte-americanca.

O segundo, produção britânica dirigida pelo jovem Tom Hooper (o mesmo de Maldito Futebol Clube, que saiu por aqui apenas em DVD no ano passado), já pintava como principal opositor do longa sobre a criação do Facebook. Tornou-se definitivamente candidato à consagração com a vitória, obtida no fim de semana, na premiação da Associação dos Produtores de Hollywood - principal sindicato dos técnicos cinematográficos dos EUA e, hoje, talvez o mais fiel termômetro entre os prêmios prévios do Oscar.

Será que vai dar David Fincher ou a surpresa britânica? Se Fincher vencer, vai ser no mínimo curioso: parecia que o diretor dos cultuados Clube da Luta, Seven e Zodíaco chegaria ao grande prêmio em 2009, com O Curioso Caso de Benjamin Button, seu filme mais, digamos, comercial. Parecia. Ele não só perdeu àquela ocasião para a surpresa do ano Quem Quer Ser um Milionário?, de Danny Boyle, como pode vencer justamente com seu filme seguinte, que marca a sua volta a um cinema mais, por assim definir, autoral.

Toy Story 3 e A Origem não devem sair sem prêmios, Colin Firth e Natalie Portman são os mais cotados nas categorias de interpretação. De resto, incluindo as categorias de roteiro original e adaptado, ao menos antes das estreias no Brasil de Cisne Negro, Bravura Indômita e O Vencedor, parece difícil antecipar algo.

Eis os principais indicados, lembrando que pelo segundo ano consecutivo os concorrentes ao prêmio de melhor filme não são mais cinco, e sim 10:

Melhor filme
A Rede Social, de David Fincher
O Discurso do Rei, de Tom Hooper
Cisne Negro, de Darren Aronofsky
Toy Story 3, de Lee Unkrich
A Origem, de Christopher Nolan
Minhas Mães e Meu Pai, de Lisa Cholodenko
Bravura Indômita, de Ethan e Joel Coen
127 Horas, de Danny Boyle
O Vencedor, de David O. Russell
Inverno da Alma, de Debra Grenik

Melhor diretor
Darren Aronofsky, por Cisne Negro
Ethan e Joel Coen, por Bravura Indômita
David Fincher, por A Rede Social
Tom Hooper, por O Discurso do Rei
David O. Russell, por O Vencedor

Melhor ator
Javier Bardem, por Biutiful
Jeff Bridges, por Bravura Indômita
Jesse Eisenberg, por A Rede Social
Colin Firth, por O Discurso do Rei
James Franco, por 127 Horas

Melhor atriz
Annette Bening, por Minhas Mães e Meu Pai
Nicole Kidman, por Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence, por Inverno da Alma
Natalie Portman, por Cisne Negro
Michelle Williams, por Blue Valentine

Melhor ator coadjuvante
Christian Bale, por O Vencedor
Geoffrey Rush, por O Discurso do Rei
Mark Ruffalo, por Minhas Mães e Meu Pai
Jeremy Renner, por Atração Perigosa
John Hawkes, por Inverno da Alma

Melhor atriz coadjuvante
Melissa Leo, por O Vencedor
Helena Bonham Carter, por O Discurso do Rei
Hailee Steinfeld, por Bravura Indômita
Amy Adams, por O Vencedor
Jacki Weaver, por Reino Animal

Melhor roteiro original
Another Year: Mike Leigh
O Vencedor: Scott Silver, Paul Tamasy e Eric Johnson
A Origem: Christopher Nolan
Minhas Mães e Meu Pai: Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg
O Discurso do Rei: David Seidler

Melhor roteiro adaptado
127 Horas: Danny Boyle, Simon Beaufoy
Toy Story 3: Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich
Bravura Indômita: Joel Coen e Ethan Coen
Inverno da Alma: Debra Granik e Anne Rosellini
A Rede Social: Aaron Sorkin

Melhor animação
Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

Melhor filme estrangeiro
Biutiful, de Alejandro González Iñárritu (México)
Dente Canino, de Giorgos Lanthimos (Grécia)
Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier (Dinamarca)
Incêndios, de Denis Villeneuve (Canadá)
Fora da Lei, de Rachid Bouchareb (Argélia)

Melhor fotografia
Cisne Negro
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Bravura Indômita

Melhor montagem
127 Horas
Cisne Negro
O Vencedor
O Discurso do Rei
A Rede Social

Melhor direção de arte
Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita

Melhor figurino
Alice no País das Maravilhas
Io Sono l'Amore
O Discurso do Rei
The Tempest
Bravura Indômita

Melhor maquiagem
Minha Versão para o Amor
Caminho da Liberdade
O Lobisomem

Melhor trilha sonora
127 Horas
Como Treinar o seu Dragão
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social

Melhor música original
If I Rise, do filme 127 Horas: A.R. Rahman, Rollo Armstrong e Dido
Coming Home, do filme Country Strong: Bob DiPiero, Tom Douglas, Hillary Lindsey e Troy Verges
I See the Light, do filme Enrolados: Alan Menken e Glenn Slater
We Belong Together, do filme Toy Story 3: Randy Newman

Melhor edição de som
A Origem
O Discurso do Rei
Salt
A Rede Social
Bravura Indômita

Melhores efeitos sonoros
A Origem
Toy Story 3
Tron: O Legado
Bravura Indômita
Incontrolável

Melhores efeitos visuais
Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
Além da Vida
A Origem
Homem de Ferro 2

Melhor documentário
Exit Through the Gift Shop, de Banksy
GasLand, de Josh Fox
Trabalho Interno, de Charles Ferguson
Restrepo, de Tim Hetherington e Sebastian Junger
Lixo Extraordinário, de Lucy Walker

Melhor curta ficcional
The Confession
The Crush
God of Love
Na Wewe
Wish 143

Melhor curta documentário
Killing in the Name
Poster Girl
Strangers No More
Sun Come Up
The Warriors of Qiugang

Melhor curta de animação
Dia & Noite
The Gruffalo
Let's Pollute
The Lost Thing
Madagascar, Carnet de Voyage

Quais serão os indicados?

24 de janeiro de 2011 1

É amanhã (25) o anúncio dos indicados ao Oscar 2011.

A Rede Social é a barbada do ano, mas O Discurso do Rei e Cisne Negro correm por fora, assim como A Origem e Toy Story 3, estes dois últimos candidatos à vitória respectivamente em categorias técnicas de efeitos sonoros e visuais e melhor animação.

Se confirmada a indicação dos favoritos, o principal prêmio do cinema vai dar seguimento a uma tendência de renovação e juvenilização dos filmes e cineastas premiados, como você pode conferir na conversa do vídeo abaixo.

Os indicados serão divulgados às 11h30min (horário de Brasília), e a cerimônia de premiação dos eleitos será realizada no dia 27 de fevereiro.

Dá uma olhada nas nossas apostas:




Dois estrangeiros favoritos do Oscar

19 de janeiro de 2011 4

Saiu a lista dos nove filmes pré-indicados ao Oscar de melhor longa estrangeiro.

Ficaram de fora algumas possíveis surpresas, entre elas o tailandês Tio Boonmee, que Pode Recordar Vidas Passadas, do queridinho da crítica Apichatpong Weerasethakul (que estreia no Rio e em São Paulo esta semana e, em Porto Alegre, no início de fevereiro).

Com isso, o favoritismo recai com mais força sobre dois filmes: o dinamarquês Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier (estreia no Brasil em 4 de março), e principalmente o mexicano Biutiful (foto abaixo), de Alejandro González Iñárritu (estreia nesta sexta-feira, 21 de janeiro, em todo o país, inclusive Porto Alegre).

Um Mundo Melhor ganhou o Globo de Ouro da categoria e vem sendo muito elogiado nos EUA, mercado no qual tradicionalmente os longas estrangeiros encontram dificuldades de penetração. Já Biutiful conta com mais uma atuação espetacular de Javier Bardem, ele que ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes por este papel de um pai de família à beira da morte que tenta deixar as coisas ajustadas em casa em meio a dificuldades financeiras numa Barcelona que nada tem a ver com a dos seus mais conhecidos cartões postais (leia mais sobre o filme na ZH impressa desta sexta).

Lembrando: Susanne Bier é uma das poucas remanescentes do Dogma 95, diretora de Brothers (2004) e, em Hollywood, do drama Coisas que Perdemos pelo Caminho (2007); Iñárritu é o festejado realizador por trás de Babel (2006), 21 Gramas (2003) e Amores Brutos (2000).

Lembrando também: a categoria de filme estrangeiro é tradicionalmente uma das mais afeitas a surpresas, como foi no ano passado, quando o argentino O Segredo dos seus Olhos bateu o alemão A Fita Branca e o francês O Profeta. Falando nos hermanos: Abutres, o escolhido da Argentina para a corrida do Oscar deste ano, ficou de fora, assim como o brasileiro Lula, o Filho do Brasil, o nosso representante na disputa.

A lista completa dos indicados ao Oscar 2011 sai na próxima terça-feira, dia 25.

Seguem os nove pré-indicados e, abaixo, o trailer de Biutiful. Os filmes que têm título em português são aqueles que já garantiram distribuição no Brasil:

Biutiful, de Alejandro Iñárritu (México)
Tambien la Lluvia, de Iciar Bollain (Espanha)
Fora da Lei, de Rachid Bouchareb (Argélia)
Incendies, de Denis Villeneuve (Canadá)
Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier (Dinamarca)
Dogtooth, de Yorgos Lanthimos (Grécia)
Confessions, de Tetsuya Nakashima (Japão)
Life, Above All, de Oliver Schmitz (África do Sul)
Simple Simon, de Andreas Ohman (Suécia)

Melhores da década

04 de janeiro de 2011 1

Na onda dos melhores do ano, e da segunda leva dos destaques da década - a primeira rolou na virada de 2009 para 2010, lembram? -, resolvi fazer a minha lista dos filmes mais marcantes destes 10 primeiros anos do século 21.

É algo pessoal, como se pode notar pelas frases abaixo. Não poderia ser diferente: optei por escolher títulos que considero objetivamente os mais significativos do ponto de vista autoral e, por assim dizer, histórico, sem no entanto ignorar que seu impacto tem um caráter inegavelmente subjetivo. Podem ter mexido mais comigo do que com outros espectadores.

Para quem não os viu, garanto: tratam-se de filmes absolutamente imperdíveis. Sem ordem de preferência, voilà:


Em Busca da Vida, de Jia Zhang-ke
(China/Hong Kong, 2006)

São poucos os realizadores que dominam tão bem a linguagem cinematográfica como Zhang-ke. Em Busca da Vida é um dos melhores exemplos de seu talento para ficcionalizar o real - pôr a realidade a serviço do sonho, dar uma dimensão mágica ao cotidiano mais banal. Socialmente engajado e ao mesmo tempo sublime como a grande arte.

 

Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul
(Tailândia/França, 2004)

Magia é o que não falta ao cinema de Weerasethakul. Mal dos Trópicos propõe uma ponte entre as mais fantásticas histórias orais populares e o cotidiano pacato dos responsáveis pela sua permanência ao longo do tempo. A hipnótica metade final do filme é figura obrigatória em qualquer lista dos melhores momentos da produção artística do século 21.


Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho
(Brasil, 2007)

O ápice da pesquisa de linguagem que constitui a obra deste que é um dos maiores cineastas brasileiros de todos os tempos. Coutinho foi da ficção ao documentário e aqui chegou a um nível de difícil definição em meio a essa dualidade. Ao pôr em xeque a representação, a falsidade das emoções, a chamada suspensão da descrença, alcançou a essência da arte dramática. Genial.


Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas
(México/França, 2007)

O instinto e as vontades individuais colidem com a crenças tradicionais e o apego às instituições, ao mesmo tempo em que o novo é barrado pelo velho numa comunidade isolada do interior. Emulando Bergman, Dreyer e Bresson, o cinema belo e contemplativo de Reygadas contrapõe fé e razão, expressão e repressão com uma felicidade raríssima no cenário atual.


Amor à Flor da Pele, de Wong Kar Wai
(Hong Kong/França, 2000)

Um dos mais tocantes filmes sobre a impossibilidade - e a inescapabilidade - do amor no mundo contemporâneo. O díptico composto com o pretensioso 2046 - Os Segredos do Amor, lançado por Kar Wai quatro anos depois, é uma parábola do movimento de desilusão do homem diante da incapacidade de realização plena nos relacionamentos amorosos.


Cidade dos Sonhos, de David Lynch
(EUA/França, 2001)

O filme que levou o cinema ao limite da contradição sonho-realidade e da dialética trama-subtrama, conduzindo as sensações do espectador a um nível de complexidade poucas vezes alcançado - com tamanha eficiência. O filme que antecipou a paranoia norte-americana pós-11 de setembro. A obra-prima de David Lynch.


Dogville, de Lars Von Trier
(Dinamarca/Espanha/Reino Unido, 2003)

A mais imaginativa, profunda e eficiente das provocações do polêmico diretor dinamarquês. Alegoria da gênese do mal na sociedade - assim definida devido à crueza da composição visual, com seu cenário minimalista e não realista -, induz o espectador a repelir, e depois compactuar, com a mais cruel violência entre os homens.


Tokyo Sonata, de Kiyoshi Kurosawa
(Japão/Holanda/Hong Kong, 2008)

Além de um dos mais cruéis - e instigantes - retratos da desintegração familiar em meio à unificação cultural e econômica do mundo globalizado, narra a formação torta, e por isso mesmo verossímil, do artista que tem algo a dizer sobre esse estado de coisas. Incompreensível o desconhecimento ocidental da obra deste grande cineasta japonês.


Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola
(2003, EUA/Japão)
Um dos mais sensíveis e delicados ensaios sobre a solidão das metrópoles. Incorpora na sua forma - no primoroso roteiro cheio de elipses, na escolha dos cenários, na composição visual poluída porém realista - todo o vazio existencial de seus personagens. A melhor trilha sonora de seu tempo e o mais belo papel da maior estrela do cinema atual (Scarlett Johansson).


Vincere, de Marco Bellocchio
(Itália/França, 2009)
Ópera trágica e inventiva sobre o abuso de poder na Itália fascista, é o ponto mais alto da carreira de um grande autor do tradicional cinema político daquele país - lançada décadas após o auge do gênero, num contexto em que, em âmbito local, o tema se mostra atualíssimo. Uma aula de montagem, direção de cena, construção de personagens... Uma aula de cinema.