Cisne Negro vale mesmo cinco estrelas? E Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas?
Três não é pouco para Bravura Indômita, um filme dos irmãos Coen, e O Discurso do Rei, o campeão de indicações ao Oscar?
Poucas vezes desde que cheguei à redação de Zero Hora percebi o debate das cotações tão acirrado. Entre os leitores e entre nós, a equipe que cobre cinema no jornal. Antes de publicá-las aqui, as perguntas acima nós nos fizemos conforme os filmes foram chegando ao circuito.
Tio Boonmee pode ser o mais difícil entre os títulos citados. Mas é também o melhor. As diferenças de percepção diante de um filme como este são naturais e esperadas. Surpresa mesmo é a distância, cada vez maior, entre uma percepção e outra. Entre o que pensa o crítico e o que pensa aquela fatia do público que está fechada às produções que fogem do padrão. Inácio Araújo, da Folha de SP, aborda o assunto de um jeito muito interessante neste post de seu blog.
Hoje vi O Ritual, longa de terror no qual Anthony Hopkins interpreta um padre exorcista. O filme que entra em cartaz nesta sexta (11) em Porto Alegre é ruim e foi achincalhado pela crítica nos Estados Unidos. Mas estreou em primeiro lugar no ranking dos mais vistos naquele país. Não é estranho?
Sobre Cisne Negro. Gosto do filme do Aronofsky, mas, entre os quatro responsáveis pelas cotações publicadas em ZH, fui aquele que menos se empolgou com ele. Em outras palavras, aquele que não compactuou com a avaliação máxima atribuída a ele. Por mim, quatro estrelas seria uma cotação mais adequada.
Parece-me igualmente estranho, no entanto, desgostar do longa estrelado por Natalie Portman a ponto de sugerir que as cinco estrelas são absurdas. Por mais subjetiva que seja a apreciação de uma obra de arte, há parâmetros objetivos segundo os quais se pode determinar se seus autores foram bem-sucedidos. Mal Aronofsky não foi. Mesmo.
Algo a considerar: se os próprios críticos divergem sobre um filme, não seria este um sinal de que a distância entre uma percepção e outra é absolutamente normal, ainda que se trate de uma distância bastante grande, radical? A tal publicação de dois textos, um de alguém festejando determinada obra e outro de alguém contestando-a, ambos lado a lado numa página de jornal - exatamente como a Folha fez com relação a Cisne Negro -, ajudam a entender que, sim, a variedade de opiniões é muito usual mesmo quando se dá dentro de um mesmo, digamos, nicho de espectadores.
Pensando bem, há quanto tempo ZH não faz isso? Não, Cisne Negro não é o caso para se retomar esta prática por aqui.
Deixemos para quando as divergências forem mais significativas. Para quando nos colocarmos no espelho novamente e surgirem conclusões um tanto mais precisas.





