Desta vez vamos direto aos filmes que devem chegar ao circuito neste mês, sem repetir informações sobre títulos dos quais já falamos em posts que destacaram as promessas dos meses anteriores e que por alguma razão ainda não estrearam em Porto Alegre (Homens e Deuses, Deixe-me Entrar, Em um Mundo Melhor). Para ler sobre eles (e sobre outros que tiveram a estreia adiada para abril, como Bróder!) é só arrastar o cursor lá para baixo ou para as páginas anteriores deste blog. Lembrando que Poesia, Não me Abandone Jamais e Fora da Lei já entram em pré-estreia na capital gáucha neste fim de semana (2 e 3/04), e que Incêndios é uma das estreias de amanhã (dia 1º).
Ó:
Rio, de Carlos Saldanha
Animação dirigida pelo brasileiro responsável pela série A Era do Gelo, conta a história de um papagaio que tenta viajar dos EUA para o Brasil. Exibição em 3D, com as vozes (no original em inglês) de Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, entre outros. Estreia nacional, com Porto Alegre incluída, em 8 de abril.
Turnê, de Mathieu Amalric
O excelente ator-diretor de A Questão Humana aqui vive o produtor de um show burlesco com dançarinas norte-americanas em turnê pelo interior da França. Prêmio de melhor direção no Festival de Cannes. Exibido no Festival de Verão, tem estreia nacional (ainda não há informações sobre Porto Alegre) em 8 de abril.
Amor?, de João Jardim
Drama do documentarista que codirigiu Lixo Extraordinário e Janela da Alma em que, a la Jogo de Cena e Juízo, atores e atrizes brasileiros consagrados reinterpretam depoimentos de pessoas reais. Também foi exibido no Festival de Verão e tem estreia nacional marcada para 15 de abril. No debate realizado durante o festival, que teve a mediação deste que vos escreve, o diretor afirmou que a estreia em Porto Alegre deve ficar para maio.
Bebês, de Thomas Balmès
Elogiado documentário francês que segue quatro bebês de diversas partes do mundo (Mongólia, Namibia, Estados Unidos e Japão) desde o nascimento até o primeiro ano de vida. Estreia nacional em 15 de abril. Ainda não há confirmações sobre a inclusão ou não de Porto Alegre nas praças que receberão as primeiras cópias.
A Minha Versão do Amor, de Richard J. Lewis
O ótimo ator Paul Giamatti ganhou o Globo de Ouro e foi muito elogiado nos EUA pela performance de um homem que tem a vida pontuada por relacionamentos que não deram certo, inimizades e até, talvez, possivelmente, assassinatos. Comédia romântica com Minnie Driver e Dustin Hoffman. Estreia nacional em 29 de abril.
Depois de Nova York por tantas vezes, Londres e Barcelona, chegou a vez de Paris ser cenário para Woody Allen. O trailer de Midnight in Paris já está circulando e dá uma ideia, com imagens e trilha clichês da Cidade Luz, da trama sobre uma família americana em viagem de negócios pela França, jornada que tem efeito transformador em um casal de noivos.
O elenco conta com os oscarizados Adrien Brody e Marion Cotillard, Michael Sheen, Rachel McAdams e Owen Wilson. Mas a grande atração em cena é a presença da primeira-dama francesa Carla Bruni-Sarkozy, no papel de dona de museu. A première mundial de Midnight in Paris será em maio, na abertura do Festival de Cannes. A estreia no Brasil está prevista para 3 de junho.
Além de um dos principais fotógrafos brasileiros do século 20, Thomaz Frakas, que morreu na sexta-feira aos 86 anos, foi também um nome de referência no cinema brasileiro. Em 1964, ano do golpe militar e da consagração do Cinema Novo no país (as obras-primas Os Fuzis, Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol recém haviam sido lançadas), ele deu início à Caravana Farkas, expedição que conduziu alguns dos grandes nomes da cinematografia nacional à época para filmar o "Brasil profundo", de Norte a Sul, de Leste a Oeste.
Em se tratando de documentários, era o tempo do chamado "modelo sociológico", que tem entre os seus títulos mais conhecidos Viva Cariri!, dirigido por Geraldo Sarno e produzido justamente durante essa grande viagem.
Uma década antes, em 1954, Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha com a chamada Velha Guarda do Samba. As imagens que captou chegaram a ser dadas como perdidas até que o diretor Ricardo Dias as recuperou e lançou, em 2007, o curta Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba. A reprodução deste filme, na íntegra, abaixo, é uma pequena homenagem a Farkas e a tudo o que este grande artista de origem húngara fez pela cultura brasileira.
Além do 7º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional (leia mais sobre ele dois posts abaixo), outra mostra muito legal, embora de perfil bastante diferente, está por ser realizada na capital gaúcha: o CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre. O evento, que também está chegando à sétima edição, anunciou 12 longas-metragens brasileiros concorrentes, que serão exibidos entre 23 e 30 de abril na Sala P.F.Gastal, no CineBancários, no Cine Santander e no Atelier Subterrânea. Quem for vê-los terá a chance de conferir algumas das propostas mais radicais - e interessantes - na investigação da linguagem cinematográfica no país atualmente. Abaixo, o videorrelise com trechos de todos estes longas e, na sequência, algumas palavrinhas sobre cada um deles. Mais abaixo ainda, a lista dos 27 títulos da mostra competitiva de curtas ou médias-metragens. Programação e outras informações? Aqui, no site oficial do CEN.
Os longas selecionados:
> A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande (100min, RJ). Passou nos festivais de Cannes e Roterdã e encerra a trilogia de longas da dupla de jovens realizadores sobre a juventude brasileira contemporânea, que conta também com A Fuga da Mulher Gorila, já exibido em Porto Alegre.
> Álbum de Família, de Wallace Nogueira (70min, BA). Versão estendida, inédita nos cinemas, de uma produção financiada pelo programa DocTV em que o diretor revê o pai após oito anos de separação para um exame das fotografias familiares do passado.
> Baptista Virou Máquina, de Carlos Dowling (60min, PB). Espécie de filme musical composto a partir do disco da banda paraibana de jazz experimental Burro Morto. “Não se engane, não é um longo videoclipe, há narrativa ali”, diz um dos organizadores do CineEsquemaNovo Gustavo Spolidoro.
> Chantal Akerman, de Cá, de Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira (62min, RJ/SP). Uma entrevista com a artista belga, que, inspirada nos seus filmes, apresentada num plano único e com a câmera posicionada distante da entrevistada. Ferreira é jornalista e crítico de cinema, e Beck esteve no CEN 2009 com o muito interessante documentário A Casa de Sandro.
> Desassossego, de Felipe Bragança e Marina Meliande (63min, RJ/SP). Foi exibido no Festival de Roterdã. Trata-se de uma colagem de diversos pequenos filmes que jovens realizadores fizeram a partir de uma carta aleatória. A dupla de realizadores coordenou o projeto e montou o longa, mas não interferiu em cada um de seus fragmentos.
> Ex Isto, de Cao Guimarães (86min, MG/SP). Belo filme de um dos principais cineastas brasileiros revelados nesta década, em que, inspirado em Catatau, de Paulo Leminski, ele se afasta ainda mais do registro documental e se aproxima da ficção. Encerrou o Festival de Gramado 2010, em exibição hors-concours.
> Luz nas Trevas, de Helena Ignez e Ícaro Martins (83min, SP). Prêmio da crítica no Festival de Locarno, foi realizado a partir de originais deixados pelo cineasta Rogério Sganzerla de um filme que marcaria a volta d'O Bandido da Luz Vermelha. Aqui, o lendário personagem do clássico marginal é vivido por Ney Matogrosso que, da cadeia, observa a ascensão do filho no mundo do crime. Segue, com competência, o espírito anárquico do título anterior.
> Luzeiro Volante, de Tavinho Teixeira (65min, PB/CE). Outro filme apresentado pelos organizadores como inédito, é um road movie pelo Brasil “com imagens incríveis do país, a começar pelo belo início na Usina de Itaipu”, garante Spolidoro. Tavinho Teixeira é ator do outro paraibano da mostra, Baptista Virou Máquina.
> Mulher à Tarde, de Affonso Uchoa (82min, MG). Foi exibido pela primeira vez no ano passado na 10ª Mostra do Filme Livre, de onde saiu com o Troféu Livre. Em Tiradentes, este ano, foi premiado pelo júri jovem. Uchoa é videoartista e anuncia seu filme de um jeito conciso: “Três mulheres em uma casa. Por uma tarde”. O título do longa é sensacional.
> O Céu sobre os Ombros, de Sérgio Borges (71min, MG). Eleito o melhor filme no Festival de Brasília, também foi exibido em Roterdã. “Dá um passo adiante com relação às demais propostas de construir ficções a partir de imagens documentais”, define Spolidoro. Como curta-metragista, Borges já tinha uma carreira promissora – foi inclusive premiado em edições anteriores do CEN.
> Os Monstros, de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diógenes e Ricardo Pretti (81min, CE). Mais um filme advindo do coletivo cearense Alumbramento – os quatro atores-diretores são os mesmos do premiado Estrada para Ythaca e, ao que parece, aqui dão prosseguimento à caminhada em que interpretam a si próprios e na qual o destino importa menos do que as descobertas do meio do caminho.
> Pacific, de Marcelo Pedroso (71min, PE). A ideia é ótima: o diretor participa de um grande cruzeiro, faz amigos e, ao final da viagem, recolhe o que estes amigos, ou os tripulantes, filmaram em seus celulares e câmeras particulares. A união de todos esses fragmentos é Pacific.
João Miguel em Ex Isto, de Cao Guimarães
Os curtas selecionados:
> 1976: Lugar Sagrado, de Carlosmagno Rodrigues e Alfonso Pafyeze (5min, MG)
> A Banda dos 7, de Sara Ramo (20min, MG)
> A Felicidade dos Peixes, de Arthur Lins (24min, PB)
> A Janela (ou Vesúvio), de João Toledo (8min, MG)
> As Aventuras de Paulo Bruscky, de Gabriel Mascaro (20, PE)
> As Corujas, de Fred Benevides (20min, CE)
> Balanços e Milkshakes, de Erik Ricco e Fernando Mendes (9min, MG)
> Cachoeira, de Sérgio José de Andrade (13min, AM)
> Caos, de Fábio Baldo (15min, SP)
> Cat Effekt, de Gustavo Jahn e Melissa Dullius (40min, RUS/BRA)
> Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo, de Rodrigo John (7min, RS)
> Como É Bonito o Elefante, de Juruna Mallon e Lucas Barbi (8min, RJ/MG/FRA)
> Dia 1 P.M., de Aly Muritiba (10min, BA)
> Handebol, de Anita Rocha da Silveira (19min, RJ)
> Mens Sana in Corpore Sano, de Juliano Dornelles (21min, PE)
> Meu Avô, o Fagote, de Tatiana Devos Gentile (26min, RJ)
> My Way, de Camilo Cavalcante (6min, PE)
> Náufragos, de Gabriela Amaral Almeida e Matheus Rocha (15min, BA/SP)
> Número Zero, de Cláudia Nunes (22min, GO)
> O Sarcófago, de Daniel Lisboa (19min, BA)
> Orawa, de Felipe Barros (3min, SP)
> Permanências, de Ricardo Alves Júnior (34min, MG)
> Quatorze, de Leonardo Amaral (10min, MG)
> Raimundo dos Queijos, de Victor Furtado (16min, PE)
> Último Retrato, de Abelardo de Carvalho (9min, RJ)
> Walter, de Pedro Henrique Ferreira (24min, RJ)
> Wannabe, de Mauricio Ramos Marques (20min, PR)
Ney Matogrosso em Luz nas Trevas, de Helena Ignes e Ícaro Martins
Elizabeth Taylor (1932 - 2011) é possivelmente a última grande diva da era de ouro de Hollywood - as décadas de 1940 e 1950, com respingos nos já turbulentos 1960, época em que Liz Taylor protagonizou seus maiores filmes.
Dois deles são Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, o genial longa de estreia de Mike Nichols, no qual protagoniza um duelo de arrepiar com Richard Burton, com quem mantinha um casamento turbulento no filme e também na vida real, e Cleópatra, de Joseph L.Mankiewicz, um dos títulos aos quais terá sua imagem eternamente associada.
Abaixo, uma singela homenagem com dois trechos de ambos. Primeiro, a sua entrada triunfante em Roma como a celebre rainha do Egito e, depois, numa das várias sequências que evidenciam o seu show de interpretação no longa de Mankiewicz - num momento em que a tensão apenas está começando a aparecer.
Adendo pós-fechamento corridíssimo da edição impressa do Segundo Caderno de ZH, que virou do avesso com a notícia da morte de Elizabeth Taylor:
Seguem outros dois trechos dos mais aclamados longas protagonizados pela grande atriz. Primeiro, Gata em Teto de Zinco Quente, filmaço - incrivelmente - desaprovado pelo dramaturgo Tenessee Williams, autor do texto original. Neste drama familiar, Liz encarna Maggie, mulher que vive um casamento infeliz com o alcóolatra Brick (Paul Newman), ex-astro do futebol americano que a culpa por seu fracasso profissional. Dá uma olhada na cena abaixo, infelizmente sem legendas em português, e confira o talento da dupla, dois dos rostos mais bonitos da história do cinema.
Na sequência, a famosa cena da dança no melodrama Um Lugar ao Sol, primeiro papel "adulto" de destaque da atriz, depois de ser revelada nos filmes com a cadela Lassie dos anos 1940. Aqui, ela interpreta a garota por quem o personagem de Montgomery Clift, um jovem pobre que ascende socialmente, acaba se apaixonando.
Preste atenção porque a lista não é pequena e está recheada de filmes muito interessantes ou, no mínimo, muitíssimo promissores: Turnê (de Mathiew Amalric), Homens e Deuses (de Xavier Beauvois), Poesia (de Lee Chang-dong), Ricky (de François Ozon), Caminho da Liberdade (de Peter Weir), Em um Mundo Melhor (de Susanne Bier), Fora-da-Lei (de Rachid Bouchareb), Bebês (de Thomas Balmès), Minha Versão para o Amor (de Richard J. Lewis), Incêndios (de Denis Villeneuve) e ainda os brasileiros Amor? (de João Jardim), Diário de uma Busca (de Flávia Castro), Belair (de Bruno Safadi e Noa Bressane), O Gerente (de Paulo César Saraceni), entre outros, integram a lista de longas inéditos no circuito que serão exibidos no Rio Grande do Sul a partir desta quinta-feira (24) no Festival de Verão do RS de Cinema Internacional.
Dei uma ajudinha trabalhando no evento como consultor de curadoria, por isso posso dizer que há outras coisas boas na grade de programação. É o caso de se ficar atento aos roteiros dos jornais e a sites como o do próprio festival ou da Panda Filmes, realizadora da mostra, organizando horários para aproveitar a chance de conferir títulos que ainda não chegaram ao circuito ou, a despeito de suas qualidades, talvez nem consigam cavar o seu espaço nas salas de cinema. São apenas oito dias e dezenas de produções à disposição dos cinéfilos, em salas de Porto Alegre e do Interior - o festival termina no dia 31, portanto, na outra sexta-feira.
A lista completa de filmes a serem exibidos será divulgada hoje. Aqueles que estão citados no primeiro parágrafo deste post já representam uma seleção de alguns que estão entre os mais significativos da grade, ou pelo reconhecimento internacional (há do vencedor do Oscar de filme estrangeiro Em um Mundo Melhor ao Gran Prix de Cannes Homens e Deuses), ou pelo valor afetivo (O Gerente é o trabalho da volta do veterano Saraceni, Diário de um Busca conta a história da procura de uma família por um desaparecido político à época da ditadura em plenas ruas da Capital). Cabe destacar, ainda, a exibição da produção espanhola Lope, dirigida pelo brasileiro Andrucha Waddington, na sessão aberta que vai dar a largada ao festival, quinta à noite, na Casa de Cultura Mario Quintana.
Se você vem acompanhando este blog nos últimos tempos vai lembrar que alguns destes títulos já tiveram aqui divulgados os seus trailers e as suas sinopses, entre outras informações. Um deles, no entanto, ainda não apareceu neste espaço, e é ele que escolho para destacar a seguir: Turnê, drama dirigido pelo grande ator francês Mathiew Amalric (de O Escafandro e a Borboleta, A Questão Humana e até um 007 recente). Eleito o melhor diretor em Cannes 2010, Amalric é também o protagonista de uma história sobre um show burlesco itinerante com garotas norte-americanas que cruza o interior da França e tem como objetivo chegar a Paris. Atuando como produtor do espetáculo, ele recrutou atrizes não-profissionais e até travestis para a trama, o que causou rebuliço no tapete vermelho da Croisette.
Spike Jonze sabe das coisas. Além de bom diretor, já foi casado com Sofia Coppola, estabeleceu parcerias com caras como o roteirista Charlie Kauffman e é fã de Arcade Fire - a banda canadense de post rock responsável, entre outras coisas, por The Suburbs, Disco do Ano no último Grammy e um dos maiores álbuns da história da música universal.
Pois Jonze, que antes já usara músicas da banda em seus projetos (notadamente no longa Onde Vivem os Monstros), está preparando um filme a partir do The Suburbs. Ele se chama Scenes From the Suburbs e será um drama de média-metragem com cerca de 30 minutos de duração.
Dá uma olhada abaixo no trailer, que foi divulgado esta semana, e, na sequência, no clipe da canção The Suburbs, dirigido por Jonze e que, pelo que entendi, funciona como uma espécie de teaser do filme.
Até coisa de três, quatro anos atrás, Duncan Jones era "apenas" o filho de David Bowie. Em 2009, ele lançou o muitíssimo interessante longa-metragem de ficção científica Lunar (disponível em DVD no Brasil) e mostrou que, além de tudo, é um talentoso diretor de cinema. Menos de dois anos se passaram e, às vésperadas de completar 40 anos de idade, ele já tem um novo filme prontinho: Source Code, cuja estreia nos EUA está marcada para 1º de abril.
Bastante elogiado por quem o assistiu em sessões de pré-estreia e com distribuição internacional garantida em diversos países - a estreia no Brasil, com o título de Contra o Tempo, está marcada para 8 de abril -, o filme teve seus cinco primeiros minutos divulgados esta semana via internet. É justamente este o vídeo que você pode conferir abaixo, antes de outras rápidas informações sobre a produção.
Contra o Tempo é um thriller de ação estrelado por Jake Gyllenhall (O Segredo de Brokeback Mountain), Michelle Monaghan (Um Parto de Viagem), Vera Farmiga (Amor sem Escalas) e Jeffrey Wright (A Dama n'Água). Gyllenhall vive o um militar que acorda no corpo de um homem desconhecido e descobre que faz parte de uma missão secreta do governo norte-americano - um projeto intitulado Source Code, que visa a encontrar o terrorista responsável pela explosão de um trem.
A tal explosão aparece no finalzinho destes cinco primeiro minutos, que na verdade flagram o protagonista acordando e descobrindo estar num corpo que não é o seu. Parece um típico filme de ação, mas Lunar já deixava claro que Duncan Jones (foto abaixo, ao lado de Bowie), que aliás é formado em Filosofia e já foi lutador (de luta livre!), tem algo a dizer além de fazer o mais puro e raso entretenimento. Até porque as primeiras resenhas são altamente positivas, eu boto fé.
Quartel do Indaiá, região de Diamantina, Minas Gerais. Dezessete horas de velório, choro, riso, farra, reza, silêncios, tristeza. No cortejo do corpo de João Batista, 120 anos, muita cantoria com os versos dos vissungos, tradição herdada da África. O mestre de cerimônias é o garimpeiro Pedro de Alexina, homem de 80 e tantos anos de idade e um dos últimos conhecedores dos cânticos pronunciados no dialeto banguela. Com uma canequinha esmaltada, ele joga as últimas gotas de cachaça sobre o cadáver já assentado na cova:
- O que você queria taí! Nós não bebeu ela não, a sua taí. Vai e não volta pra me atentar por causa disso, não. Faz a sua viagem em paz.
Terra Deu, Terra Come. Um baita de um documentário - falso documentário, na verdade - dirigido pelo mineiro Rodrigo Siqueira, 37 anos. Como bem definiram respectivamente Eduardo Coutinho e João Moreira Salles, "um filme extraordinário", "uma trapaça maravilhosa". Desta terça-feira (15/03) até o dia 24, em três sessões diárias (15h, 17h e 19h), no Cine Santander (Praça da Alfândega, s/nº, Porto Alegre).
A Fita Branca e Tropa de Elite 2 foram eleitos os melhores filmes de 2010 na votação da ACCIRS, a Associação dos Críticos de Cinema do RS. O primeiro ganhou na categoria estrangeiro, e o segundo, entre as produções nacionais. A eleição só levou em conta longas que estrearam no circuito no Rio Grande do Sul ao longo da temporada - o que quer dizer que aqueles que chegaram aos cinemas em janeiro e fevereiro, ou que saíram direto em DVD ao longo de 2010, ficaram de fora.
Perrone e eu, os dois titulares deste blog, perdemos em ambas as categorias - Vincere, nosso preferido entre os internacionais, foi o vice-campeão (perdeu por oito votos a quatro), enquanto Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo também ficou com a segunda melhor votação entre os brasileiros (perdeu por dez a sete).
Já o Destaque Gaúcho - Prêmio Luiz César Cozzatti foi eleito com a ajuda dos nossos votos: quem ganhou foi Antes que o Mundo Acabe, o primeiro longa de Ana Luiza Azevedo. O detalhe é que pelo mesmo filme Ana e sua equipe também levaram o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, anunciado recentemente.
Esta é o quarto ano em que a ACCIRS premia os melhores da temporada no Estado. Desta vez, 23 críticos, jornalistas, blogueiros ou pesquisadores de cinema filiados à associação foram os responsáveis pela eleição.
Antes que o Mundo Acabe, de Ana Luiza Azevedo: Destaque Gaúcho
Diante das tantas bombas que o dever do ofício nos obriga a ver diariamente, encarar e digerir as quase três horas e meia de duração de A Mãe e a Puta é uma experiência rara e revigorante. Eu conhecia esse clássico de muito ouvir falar (um título desses ajuda, sem dúvida) e pude agora, finalmente, conhecê-lo - o DVD foi lançado em fevereiro pela Lume Filmes. Na Zero Hora desta sexta-feira (11/03) falo sobre o filme, mais propriamente uma apresentação do que uma resenha crítica. Por limitação do espaço, o texto no jornal foi bastante editado. Segue abaixo a versão integral, na qual resisti (não tanto) a colocar novas impressões e informações.
* * *
O título, o tema, a excessiva duração, o tom cínico e amargo com que faz o balanço existencial de uma geração que sonhou alto, a força arrebatadora de suas imagens e diálogos, tudo isso levou A Mãe e a Puta (La Maman et la Putain, França, 1973) a ser um filme pouco visto, por anos restrito ao culto em cinematecas. Seu diretor, Jean Eustache, matou-se com um tiro no coração em Paris, dias antes de completar 43 anos, em 1981, sem ver esta obra-prima emergir como título referencial para novas gerações de cinéfilos e cineastas - Jim Jarmush, por exemplo, dedicou a Eustache seus Flores Partidas (2005), e Richard Linklater listou A Mãe e a Puta como um de seus 10 filmes favoritos. Graças à distribuidora Lume Filmes, essa joia rara ganha lançamento em DVD no Brasil.
A Mãe e a Puta foi lançado com escândalo no Festival de Cannes de 1973, do qual saiu com o Grande Prêmio do Júri, o segundo mais importante do evento, e o troféu da crítica. Mesmo para o liberais padrões de comportamento da época, Eustache, nesse que é seu primeiro longa-metragem de ficção, foi demasiado ousado na encenação de um triângulo amoroso que deságua num ménage à trois e numa profunda catarse emocional de seus personagens.
Embora o personagem central seja o bon vivant Alexandre (Jean-Pierre Léaud), a tensão dramática do filme está sobre duas mulheres que personificam as representações femininas do título: Marie (Bernadette Lafont), a que lhe garante abrigo, sustento e uma relação aberta, e a enfermeira Veronika (Françoise Lebrun), jovem sexualmente promíscua que ele conhece cumprindo sua rotina diária, que é flanar pelos cafés de Paris para ler e exercitar seu poder de sedução.
Eustache precisou de quase três horas e meia para dar conta de um inventário geracional que traz muito de sua própria vida e, dizem, da sua relação com a atriz Françoise Lebrun. Caçula na turma da nouvelle vague, o diretor orbitou o movimento realizando curtas e documentários - também militou na crítica dos Cahiers do Cinéma. Intelectual autodidata, ficou conhecido como artista que impunha sua autonomia autoral sem fazer qualquer tipo de concessão.
A Mãe e a Puta pode ser visto como uma incursão temporã de Eustache nos dogmas da nouvelle vague, uma década após o auge do movimento. A presença do amigo Jean-Pierre Léaud, ator alter ego de François Truffaut, e a câmara 16mm na mão captando imagens em preto e branco nas ruas são elementos visuais que reforçam essa retomada. Mas o que coloca o filme em outro patamar é ele revisitar a nouvelle vague com os filtros do Maio de 1968 e da revolução sexual. No balanço que se faz desses marcos comportamentais, em contraponto com evervescente idealismo que despertaram na juventude anos antes, o sabor é amargo. Em vez de ruptura, impera a resignação, a inércia, o vazio.
Fale-se o tempo todo e sobre tudo, de alta cultura e de obscenidades - como no impressionante e longo monólogo no qual Veronika detalha a compulsão por sexo que lhe traz tanto prazer quanto amargura. Na cena, que muito desconforto provocou nas platéias por sua sua dramaticidade e falta de pudor, Eustache enquadra Françoise como a Joana D'Arc de Carl Dreyer. Sobram ironias para a esquerda - o choro dos estudantes nos cafés em 68 não era efeita da emoção, mas do gás lacrimogêneo - para intelectuais como Jean Paul Sartre, discute-se a criação artística, exalta-se o cinema de mestres como Murnau, Bresson e Leone e a música de Piaf e Offenbach, comenta-se o noticiário dos jornais. A trilha sonora do filme é composta pelas músicas que os personagens escutam em cena, de Marlene Dietrich a Deep Purple, quase sempre na íntegra.
A longa duração de A Mãe e a Puta resulta da decisão de Eustache em impregnar seu filme com a vida real. As cenas duram o tempo que precisam durar. Para crítico e pesquisador francês Georges Sadoul, A Mãe e a Puta foi o último estágio da metamorfose do cinema-verdade. Eustache, lembra Sadoul, dizia que buscava descrever o curso natural dos acontecimentos na dramatização cinematográfica. Nenhum silêncio, nenhuma pausa, nenhum plano esticado ao limite é falta do que dizer. Pelo contrário, soam retumbates. Interessante notar ainda o contraste que Eustache na representação de personagens que se expõem na intimidade, física e verbal, mas quase sempre são fotografados em zonas de sombra. Como diz Alexandre em uma cena, o cinema ensina a viver. É justo supor que a vida ensinou Eustache a fazer filmes.
Juliette Binoche em Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami
Antes dos filmes mais aguardados deste mês, uma rápida passada por títulos que chegaram há pouco ao Brasil (essencialmente, a Rio e São Paulo), porém, continuam inéditos em Porto Alegre. São longas também promissores, mas que não constam na lista abaixo porque sua estreia nacional já ocorreu (embora não nos cinemas do Sul). Listei cinco:
> Poesia, de Lee Chang-dong. Elogiado drama sul-coreano sobre uma senhora excêntrica que entra por acaso num curso de poesia. Melhor roteiro no Festival de Cannes; > A Última Estação, de Michael Hoffman. Coprodução Alemanha/Grã-Bretanha sobre os últimos dias do escritor Leon Tolstói, que rendeu indicações ao Oscar de Christopher Plummer e Helen Mirren em 2010; > A Árvore, de Julie Bertucelli (diretora de Desde que Otar Partiu). Filme francês estrelado por Charlotte Gaisnbourg que acompanha o luto de uma família australiana após a morte de seu patriarca; > Deixe-me Entrar, de Matt Reaves (de Cloverfield - Monstro). Refilmagem norte-americana - surpreendentemente elogiada - do genial longa de vampiros sueco Deixa Ela Entrar (2008). Com Chloe Moretz e Richard Jenkins; > Trabalho Interno, de Charles Ferguson. Documentário vencedor do Oscar que disseca como nenhuma outra produção a crise econômica mundial que estourou em 2008. Tem narração de Matt Damon e estreia confirmada em Porto Alegre nesta sexta (4/3).
Às promessas de março:
Lope, de Andrucha Waddington (Espanha)
Drama espanhol dirigido pelo cineasta brasileiro de Eu Tu Eles e Casa de Areia, tem no elenco os espanhóis Luis Tosar e Pilar López de Ayala e os brasileiros Selton Mello e Sonia Braga. Trata-se de um drama sobre a vida do poeta e dramaturgo daquele país Felix Lope de Vega (Alberto Ammann), que atuou entre os séculos 16 e 17. Estreia nacional em 4 de março (Porto Alegre fica para depois).
Restrepo, de Sebastian Junger e Tim Hetherington (EUA)
Elogiado documentário indicado ao Oscar (concorreu com Lixo Extraordinário e com o grande vencedor Trabalho Interno) que acompanha um ano de um pelotão norte-americano no vale mais perigoso do Afeganistão. Estreia nacional em 4 de março (em Porto Alegre haverá sessões de pré-estreia no dia 5).
Em um Mundo Melhor, de Susanne Bier (Dinamarca)
Drama que venceu o Oscar de filme estrangeiro e é assinado pela remanescente do Dogma 95 que já trabalhou em Hollywood (dirigiu Coisas que Perdemos pelo Caminho). O filme conta a história de um jovem que tenta manter unida a sua família saindo em busca do seu pai, que está desaparecido. Estreia nacional em 11 de março (Porto Alegre, em princípio, não deve estar entre as praças que recebem a primeira leva de cópias).
Jogo de Poder, de Doug Liman (EUA)
O diretor de A Identidade Bourne, que lançou a trilogia, conta aqui a trajetória de Valerie Plame, agente da CIA que teve a sua identidade secreta revelada por um jornalista durante a invasão norte-americana ao Iraque. Com Sean Penn e Naomi Watts. Estreia nacional em 11 de março (pelo tamanho da produção, pode estrear também em Porto Alegre).
Bróder, de Jeferson De (Brasil)
Grande vencedor do Festival de Gramado, o bom longa de estreia do talentoso diretor paulista conta o reencontro de três amigos da periferia de São Paulo (Caio Blat, Jonathan Haagensen e Silvio Guindane) cujas vidas tomaram caminhos muito diferentes. Estreia nacional em 18 de março (não há definição sobre Porto Alegre).
Cópia Fiel, de Abbas Kiarostami (França/Itália/Irã)
Produção francesa, esquisita e muitíssimo interessante, assinada pelo grande cineasta iraniano que deu o prêmio de melhor atriz em Cannes a Juliette Binoche. A história é a do encontro de um escritor inglês com uma jovem francesa. Ele está na Itália para promover um livro e embarca com ela em uma viagem. Estreia nacional em 18 de março (a distribuidora Imovision deve incluir Porto Alegre nesta primeira leva de praças a receberem o filme).
Não me Abandone Jamais, de Mark Romanek (Reino Unido)
Longa inglês sobre um grupo de jovens (entre eles os ótimos Keira Knightley, de Desejo e Reparação, Andrew Garfield, de A Rede Social, e Carey Mulligan, de Educação) que cresce num internato como parte de um projeto que envolve o desenvolvimento de cobaias para doação de órgãos. Grande história baseada em episódios reais do início do século 20 com o selo de qualidade do cinema britânico de época. Estreia nacional em 18 de março.
VIPs, de Toniko Melo (Brasil)
Drama em que Wagner Moura, em uma das melhores atuações de sua carreira, encarna a história real de um farsante que tem como golpe mais famoso ter se passado pelo irmão do dono da empresa aérea Gol durante o Carnaval do Recife. Foi o grande vencedor do Festival do Rio 2010. Estreia nacional em 25 de março.
Homens e Deuses, de Xavier Beauvois (França)
Filme que impressionou a todos no Festival de Cannes (ficou com grande prêmio do júri). Aborda o multiculturalismo a partir da convivência de monges com a população muçulmana em uma vila, convivência esta que é abalada após o massacre de um grupo de estrangeiros. Estrearia no Brasil em fevereiro, mas teve a entrada em cartaz adiada para o dia 25 de março.
Ricky, de François Ozon (França)
Penúltimo filme do cultuado realizador francês (depois de Ricky ele já lançou Potiche). Trata-se de uma comédia fantástica, apontada pela crítica internacional como conto de fadas moderno, sobre o amor liberal entre dois colegas, do qual surge uma criança que a sinopse entrega como "extraordinária". Estreia nacional em 25 de março (não há definição sobre Porto Alegre).
A cerimônia foi insossa, e o maior vencedor, o mais careta dos 10 filmes concorrentes - do ponto de vista formal. Sim, O Discurso do Rei é um bom filme, mas é clássico e acadêmico, mais conservador no tratamento da linguagem do que qualquer um dos outros nove indicados, ao contrário do que argumentaram alguns dos comentaristas do post anterior. E Toy Story 3, repetindo o que eu disse e que acabou por algum motivo incompreendido por outros, é o meu preferido entre os 10. Mas há mais a dizer. Por exemplo: o anglo-brasileiro Lixo Extraordinário perdeu como melhor documentário para um filme melhor, que é Trabalho Interno, e Anne Hathaway e James Franco definitivamente não deram certo como apresentadores. Mais na edição impressa de ZH desta terça-feira (01/03) e no vídeo abaixo:
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