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Festival Lume: Guaraná Jesus

16 de julho de 2011 9

O primeiro dia de mostras competitivas foi marcado pelos problemas técnicos. As primeiras sessões, ainda pela tarde, tiveram poucos espectadores. Quando o público começou a chegar, e parecia que compareceria em bom número para as duas últimas exibições (com os longas A Tentação de Santo Antônio, que vem da Estônia, foi exibido em Sundance e é dirigido por Veiko Ounpuu, e Submarino, do dinamarquês Thomas Vinterberg), o projetor pifou e as sessões tiveram de ser remarcadas para as próximas tardes.

O Frederico Machado, que é o grande responsável pelo festival, não podia conter sua decepção. Dizia que um terço do orçamento do evento foi gasto com a projeção. “Contratei a empresa que faz os grandes festivais brasileiros, queria gente com experiência pra justamente não acontecer isso”, dizia. É comovente ver seu esforço, do Fred e de toda a equipe, tocando na raça a organização com apenas R$ 300 mil – para comparação, Gramado 2011 custará R$ 3,5 milhões e não trará um convidado do porte do filipino Brillante Mendoza.

É na raça mesmo: não há logomarcas no catálogo e nos demais materiais publicitários do Festival Lume, a não ser o da própria Lume. A produtora e agora distribuidora de cinema está bancando o evento com grana própria, na esperança de que, com toda a movimentação na cidade, o empresariado local se anime a então ajudar a tocar o projeto em suas próximas edições. Há uma lei estadual de incentivo à cultura no Maranhão, mas nem com a possibilidade de abater o investimento do seu imposto as empresas de São Luís investiram no festival. A imprensa local dá apoio, veicula uma chamada na televisão e publica matérias nos jornais (só em O Estado do Maranhão já foram duas capas do suplemento cultural diário), mas a reflexão também está em falta: não há críticos de cinema maranhenses acompanhando o festival; apenas aqueles que vieram de outras cidades brasileiras para acompanhá-lo.

Foi graças aos imprevistos de sexta-feira à noite, no entanto, que este grupo de críticos teve mais tempo para falar com Brillante Mendoza e, no meu caso, conhecer mais a história do Frederico e da própria Lume, que já tem mais de uma década de serviços prestados ao cinema brasileiro. As sessões do festival são no Teatro Alcione Nazaré, que fica junto à Sala Praia Grande, a única fora do circuito de shoppings de São Luís. Ambos os espaços estão localizados no início do centro histórico da cidade, para onde ontem me pareceu se deslocar toda a população da região Norte do país. No meio da multidão, conseguimos bater um bom papo, tomar uns bons drinques e experimentar o afamado Guaraná Jesus.

O Guaraná Jesus é um refrigerante cor-de-rosa produzido no Maranhão. Mas é tão popular por aqui, e desperta tanta curiosidade em quem vem de fora que foi motivo de disputa entre grandes empresários pelos direitos sobre a marca. Todos dizem aqui em São Luís que a Xuxa, ela mesma, esteve a um passo de comprá-lo. O boato é de que a Coca-Cola entrou no negócio e atropelou a apresentadora. Como você pode ver pela cor abaixo, não se trata de algo muito atrativo. O gosto, segundo uma menina de 11 anos que estava por perto ontem à noite, é o de um Bubbaloo Tutti-Frutti. Só tenho a dizer que concordo e que, mesmo não lembrando do gosto do Bubbaloo Tutti-Frutti, eu não poderia defini-lo melhor.

O que eu posso dizer é que tomei Guaraná Jesus com Brillante Mendoza.

Comentários (9)

  • Mari Scholze diz: 16 de julho de 2011

    Guaraná Jesus é um clássico em quase todo o Norte, não só no Maranhão (que, eu sei, fica no Nordeste): eu tomei em Manaus. ;)

  • Pedro Henrique Gomes diz: 16 de julho de 2011

    Traz uma latinha desse Guaraná aí, Daniel.

  • Rafa diz: 17 de julho de 2011

    hahaha Genial, Daniel!

  • Ticiano diz: 17 de julho de 2011

    “O que eu posso dizer é que tomei Guaraná Jesus com Brillante Mendoza.”
    Uma das mais significativas frases da história dos blogs! Teus posts estão ótimos, Dani.

  • Mari Scholze diz: 18 de julho de 2011

    CQD… ;)

  • carol mello diz: 18 de julho de 2011

    seu texto é muito legal! vou acompanhar de agora em diante :)

  • Lucas Sá diz: 24 de julho de 2011

    “O que eu posso dizer é que tomei Guaraná Jesus com Brillante Mendoza.”

    HAHAHA Muito boa a frase! Já tomei tanto Jesus que não consigo mais. É bem doce…

    Muito bom o texto!

    Consegui o autografo do Mendoza por um amigo meu! Ele escreveu no poster de KINATAY, que é meu preferido dele. Pena não ter ido para o festival… Frederico, meu amigo, você é o futuro do cinema ludovicense.

    Crítica de KINATAY feita por mim: http://lucassville.blogspot.com/2011/05/cinema-kinatay-execucao.html

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