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Festival Lume: Fred e os filmes

19 de julho de 2011 1

Fredrido Machado (foto) tem 39 anos. Nasceu em São Luís. Depois de morar por mais de uma década no Rio, voltou ao Maranhão e fundou a Lume no final dos anos 1990. Com a produtora e distribuidora, lançou alguns curtas que ele mesmo dirigiu e passou a controlar a programação do Cine Praia Grande, a única das 17 salas de cinema da cidade de 1 milhão de habitantes localizada fora dos shoppings centers (para comparação: Porto Alegre tem pouco mais de 60 salas e pouco menos de 1,5 milhão de moradores, embora sua Região Metropolitana ultrapasse a marca dos 3 milhões). Antes, Fred já abrira uma videolocadora, dando vazão a uma vontade latente de compartilhar os filmes que ele ama e que por diferentes motivos permanecem pouco conhecidos no Brasil.

É esta vontade que explica a linha de lançamentos da Lume Filmes e também a curadoria deste 1º Festival Lume: as produções privilegiadas são aquelas que podem ser classificadas como raras, por virem de cinematografias remotas ou por terem algum outro tipo de dificuldade de penetração no país. Fred fala de seu empreendimento na terceira pessoa, mas bem poderia usar a primeira. Isso porque é ele próprio que seleciona os filmes – no festival foram incríveis 2 mil inscritos – e responde pela curadoria da distribuidora. A Lume é Fred, Fred é a Lume.

Algo muito interessante: embora tenham pouco público, as sessões do festival registram a presença de gente muito diferente entre si. Além da Cleonildes citada no post anterior, outra figura que circula com frequência pelo Teatro Alcione Nazaré – vizinho de porta do Cine Praia Grande – é um jovem empreendedor apaixonado por cinema: Raffaele Petrini. Fred nos apresentou. Trata-se de um novo distribuidor, que acaba de fundar a Petrini Filmes, que já estreou no mercado apresentando ao Brasil os mais recentes longas do italiano Silvio Soldini (Que Mais Posso Querer) e do turco Ferzan Ozpetek (O Primeiro que Disse). Títulos “seguros”, como definiu Raffaele, mas “não será sempre assim”. O próximo lançamento da Petrini, afirma, será o polêmico A Serbian Film – Terror sem Limites, que acaba de ser exibido no Fantaspoa e também no Festival Lume.

A fundação da Petrini Filmes é a prova de como o trabalho do Fred tem angariado admiradores, seguidores, e, consequentemente, de como ele tem rendido frutos no que diz respeito à circulação do cinema de autor no Brasil. Dê uma olhada no trailer de A Serbian Film, abaixo. Tem gente que o classifica como um dos mais repugnantes longas de horror dos últimos tempos. Tem gente, como o Frederico Petrini, irmão mais novo do Raffaele, que diz que “não passa de coisa pequena; é tipo Bob Esponja”.

Um Filme de Terror integra a mostra não competitiva Novos Rumos do Cinema Mundial, que também tem o uruguaio Hiroshima, de Pablo Stoll (um dos dois realizadores de Whisky), o dinamarquês Submarino, de Thomas Vinterberg (de Festa de Família, filme do Dogma 95), e Triângulo Amoroso, de Tom Tikwer (de Corra, Lola, Corra). Há ainda uma mostra de curtas-metragens, outra apenas com trabalhos do alemão Werner Herzog e três mostras competitivas de longas-metragens.

Uma destas três tem apenas filmes nacionais, entre os quais Os Residentes (de Tiago Mata Machado), Terra Deu, Terra Come (de Rodrigo Siqueira) e o gaúcho A Última Estrada da Praia (de Fabiano de Souza). Outra é intitulada Olhar Crítico e tem filmes bem interessantes vindos da Áustria (Totó), da Romênia (Metrobranding) e da Argentina (El Ambulante). A mostra principal tem, entre outros, Norberto Apenas Tarde, que marca a estreia na direção do ator uruguaio Daniel Hendler (de O Abraço Partido), e títulos elogiados de países distantes como o vietnamita Não Tenha Medo, Bi (de Dang Di Phan) e o estoniano As Tentações de Santo Antônio (de Veiko Ounpuu).

O filme de encerramento será Caminho para o Nada (Road to Nowhere) do norte-americano Monte Hellman – que, assim como Brillante Mendoza, também foi convidado a comparecer a São Luís, mas declinou se dizendo “muito velho para viagens tão longas”.

Shannyn Sossoman em Caminho para o Nada (Road to Nowhere), de Monte Hellman

Comentários (1)

  • Repúdio à censura de A Serbian Film | Cineclube diz: 22 de julho de 2011

    [...] aqui; saiba como foi a exibição do longa no Fantaspoa clicando aqui; e veja o trailer do filme aqui). Assinamos [...]

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