Ainda que O Palhaço e Riscado já haviam sido exibidos em outros festivais e recebido os merecidos elogios, o 39º Festival de Gramado começou melhor do que se podia imaginar. Com ambos fazendo dobradinha, Gramado teve uma noite de abertura acima da sua própria média nos últimos anos. Nada, no entanto, que se mantivesse no segundo dia de mostra competitiva.
O carioca Ponto Final (foto acima), escolhido para fechar o sábado à noite, teoricamente um momento nobre da programação no Palácio dos Festivais, não podia ser mais decepcionante. Precisamente definido por colegas após a sessão como uma tentativa de ser David Lynch mas que se perde em meio aos vícios de Neville d'Almeida, o filme de Marcelo Taranto (de A Hora Marcada, de 2001) é pretensioso tanto formalmente (a narrativa não é linear, está repleta de idas e vindas no tempo e mistura acontecimentos e cenários reais e imaginários) quanto do ponto de vista discursivo (são muitos os momentos em que personagens se voltam para a câmera para fazer comentários sobre as mazelas do Brasil). O ponto de partida é a morte de uma menina atingida por uma bala perdida e como a sua perda é administrada, por assim dizer, pelos seus pais (Roberto Bomtempo e Dedina Bernadelli). A presença de Hermila Guedes e Othon Bastos, ambos esforçados mas perdidos em meio aos discursos de autoajuda, só ratifica a impressão de desperdício do elenco.
Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Digital é bonito e bem feito em sua pretensa simplicidade sobre a busca de dois jovens (Pilar López de Ayala e Javier Drolas) pelo amor em meio ao isolamento das metrópoles. Mas o longa argentino que deu início à competição latino-americana carece de uma dramaturgia mais densa e de algumas escolhas menos óbvias do diretor estreante Gustavo Taretto, muitas vezes reiterativo na composição psicológica da dupla de protagonistas. O bom de Gramado 2011, por enquanto, foram mesmo os seus dois primeiros filmes.
O Palhaço (foto acima) e Riscado são imensamente diferentes entre si, o primeiro com sua fotografia cheia de filtros, paleta de cores quentes, maquiagem exagerada e interpretações às vezes teatrais, o segundo em seu registro hipernaturalista, literalmente documental em certas sequências. Mas não podiam ser mais convergentes, o que só acentua o acerto da organização ao uni-los na abertura do festival: os dois são centrados nas figuras de dois intérpretes que lutam contra um sentimento muito parecido de inadequação social.
O personagem de Selton Mello em O Palhaço faz os outros rirem, mas o que vê à sua volta só o deixa com vontade de chorar. Sua jornada Brasil adentro - jornada felliniana, que faz referência a títulos como Bye, Bye, Brasil e Feios, Sujos e Malvados - funciona, dramaticamente, como uma autodescoberta, sobretudo no que diz respeito à sua vocação. Trata-se de uma comédia triste com forte apelo melodramático, mas com uma mise en scène rigorosa e sutilezas narrativas, especialmente as elipses da metade final, que não o deixam ultrapassar as fronteiras tanto da lágrima forçada quanto do riso gratuito.
Já a protagonista de Riscado, a atriz batalhadora vivida por Karine Teles (foto abaixo), tem força suficiente para se tornar uma das grandes personagens da cinematografia brasileira recente. Sua disposição para encarar as inúmeras, intermináveis dificuldades da profissão é comovente. Contudo, ela só é de fato notável graças à capacidade de sua intérprete de sintetizar tanto estes percalços quanto toda a paixão que a atuação é capaz de provocar. A direção do jovem Gustavo Pizzi, que é marido de Karine, é bastante segura, e sua construção narrativa, explorando as imagens das figuras célebres que a atriz imita e os vídeos caseiros que ela própria realiza, só fortalecem a rica composição da personagem. Pode-se dizer desde já, Karine só perde o Kikito de melhor atriz se houver uma grande surpresa ao longo da semana no Palácio dos Festivais.







O Festival de Cinema de Gramado envelheceu, perdeu o brilho e hoje é pura melancolia. Pouquíssimas obras de peso enviadas - só de iniciantes trêmulos! Público? Fanzocas de periferia, q gritam por lucianos szafires da vida. Que lastimável! Enqto novos festivais surgem no Brasil, como o recente em Paulínia (SP), cheios de novidades e com total destaque na mídia, atraindo multidões, Gramado agoniza, parado no tempo e no espaço! Sempre igual! Velho e gasto! Desprezado! Mas, como o gaúcho preza - acima de tudo- as tradições, que seja assim. O turismo já era, os patrocinadores importantes escafederam-se e, mais uma vez, nos contentaremos com as mentiras de sempre!
[...] CINECLUBE [...]
olavo. ta bombando aqui
Morei em Gramado, oor um curto período, cerca de 8 meses. Saí de lá com muita vergonha da verdadeira Gramado, terra de injustiças e de uma política de desigualdade social em nome da ostentação de uma meia dúzia de sem vergonhas.
O Festival de 2009 foi um lixo. Eu estava lá e vi acenarem com Geraldine Chaplin e levarem Xuxa para ser homenageada.
Um falso luxo de falidos aristocratas!
A máscara caiu e espero que agora todos se beneficiem da cidade. E o Festival retome os bons tempos.
Mas sobrou muito pouco de Gramado.