Neste fim de semana escolhemos para comentar um filme ruim, o blockbuster Lanterna Verde, e outro bom, a produção espanhola do diretor Álex de la Iglesia Balada do Amor e do Ódio. No fim do vídeo ainda recomendamos um longa brasileiro que também está chegando aos cinemas de Porto Alegre: A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande. Veja:
Falando em Lanterna Verde: aproveitando a estreia do filme e pensando nas muitas adaptações dos heróis dos quadrinhos (sobretudo as que vêm por aí), as equipes do Segundo Caderno e da Arte de ZH, sob o comando (antenado!) da Bruna Amaral, prepararam o site especial Super-heróis no Cinema. O que tem de informação ali não é pouca coisa. Clique no link e visite: é coisa fina.
E aproveitando para falar também do outro filme mencionado no vídeo: segue uma versão um pouquinho maior do texto que escrevi para a ZH impressa sobre Balada do Amor e do Ódio e que foi publicado na quinta-feira:
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O universo de fantasia, humor negro e violência gráfica do diretor espanhol de origem basca Álex de la Iglesia (O Dia da Besta, Perdita Durango, Crime Ferpeito) já é bem conhecido dos cinéfilos. Poucos de seus filmes, no entanto, chegam tão recomendados quanto Balada do Amor e do Ódio (Balada Triste de Trompeta, 2010). O longa que estreia nesta sexta-feira em Porto Alegre venceu os Leões de Prata de direção e roteiro do Festival de Veneza do ano passado - prêmios conquistados não sem uma boa dose de polêmica, já que consagram um tipo de cinema fantástico que agrada a um público geralmente restrito, no qual se inclui o então presidente do júri, Quentin Tarantino.
Alegoria do franquismo, Balada começa no final dos anos 1930, época de ascensão do general Francisco Franco, e termina em meados da década de 1970, quando o ditador fascista morreu, dando lugar no topo do poder da Espanha ao Rei Juan Carlos I. Narra a vida de um palhaço triste - que atua com uma lágrima negra pintada sobre o rosto branco - desde a traumática perda de seu pai, também palhaço, perseguido pelo regime. Na verdade, a morte do velho é uma espécie de prólogo para a ação, que se desenvolve praticamente toda nos últimos anos da ditadura.
O protagonista, Javier, é interpretado por Carlos Areces. Ele tem um antagonista, Sergio (Antonio de la Torre), também palhaço, porém violento em vez de melancólico. Ambos vivem em um circo cheio de figuras extraordinárias, entre as quais Natalia (Carolina Bang), a namorada de Sergio, de quem Javier se sente mais próximo a cada vez em que ela é espancada pelo vilão. As caracterizações são de fato estereotipadas, assim como os atos de cada personagem são com frequência extremos, porque o que interessa a Álex de la Iglesia são os simbolismos - há despotismo e opressão, e a história é permeada por fatos históricos reais vistos de maneira satírica, o que faz o espectador pensar de forma mais abrangente sobre aquelas relações pessoais e sociais.
A mise en scène é competente, os atores brilham num registro surrealista e a construção visual pode ser definida como primorosa: a fotografia de Kiko de la Rica (de Lucía e o Sexo) satura determinadas cores, mas mantém muitas sombras, como se quisesse apresentar a angústia de um circo com alguma pompa e nenhum brilho. A estilização da violência tem uma sutil diferença na comparação com Park Chan-wook (Oldboy) e o próprio Tarantino (Kill Bill): sua carga política é mais direcionada, o que às vezes pode até aumentar o seu impacto, porém, trazendo certa limitação à fruição.
O filme, no fim das contas, é bom. Um dos melhores de toda a trajetória de seu diretor.
A fúria do palhaço triste: Carlos Areces em Balada do Amor e do Ódio



